Summer Love

11 Guardando segredos.


Notas iniciais
SEXO, SEXO, SEXO, SEXO. Chamei atenção? Ótimo, é importante. Queria explicar algo sobre o décimo. Esse capitulo me preocupou bastante por causa do lemon. Em muitos comentários vi gente falando que foi muito seco e rápido. Isso que me preocupava, não conseguir passar a minha intenção com esse lemon, e acabou acontecendo. Então, pra esclarecer de uma vez, vim aqui explicar pra vocês. Galera, o Percy e o Nico vivem discutindo, mas isso cês já sabem. Não conseguem conversar sem terminar em briga. Maaaas, mesmo assim tem toda aquela tensão sexual entre os dois. O vuco-vuco dos dois não passou disso: tensão sexual transbordando. Sabe aquele momento que você faz as coisas no calor do momento? Os dois não pensaram muito e nem planejaram aquilo. Por isso foi do jeito que foi. Quase ninguém pegou isso, então to explicando. Espero que tenham entendido. Continuando. EU VOLTEI. Sempre volto, não disse? E vou parar de enrolar. Vocês estão mais interessados no cap. Nos vemos lá em baixo. Boa leitura!

A rixa entre meninos e meninas sempre foi algo presente e comum, ainda mais na infância. Na verdade, a guerra entre os sexos é algo que acompanha a humanidade desde sua criação. Ou você, por acaso, nunca implicou com alguém pelo simples fato de ser do sexo oposto? Estereótipos e piadinhas são inventadas para aumentar os desentendimentos freqüentes. Atire a primeira pedra o homem que nunca disse “mulher no volante, perigo constate” ou a mulher que nunca completou com “homem do lado, perigo dobrado”.

Por mais amigos que Percy e Thalia fossem, vira e mexe os dois acabavam em briga pelos mais diversos motivos. Naquela ocasião em especial, foi pelo controle da televisão. Coisa besta, mas ambos queriam assistir programas diferentes no mesmo horário. A discussão terminou com Zeus tomando o controle das mãos de Thalia, cansado dos gritos daqueles pirralhos.

– Pros quartos, os dois. Agora!

Não contestaram e obedeceram, sabendo que o adulto podia ser uma pessoa muito explosiva quando fica irritado.

Nico, mesmo não estando de castigo também, não queria deixar o primo sozinho. Observava o mais velho andar de um lado para o outro no quarto, frustrado.

– Por que garotas sempre tem que ser tão... irritantes?! – questionou.

– Não sei. – o mais novo respondeu, acompanhando o primo com os olhos.

– Quantas vezes ela já não viu aqueles maldito filme de romance? Sinceramente, como nunca vomitou com tanta baboseira?

– Não sei.

Percy parou de andar, olhando para Nico.

– Vai falar alguma coisa além de “não sei”?

– Não sei. – respondeu, apenas para provocar.

O outro revirou os olhos e se jogou sobre a cama.

– Não é justo. – murmurou – Thalia bem que podia ser mais legal as vezes. Mas ela vai ver só! Vou me vingar.

– Como? – Nico perguntou um pouco hesitante. Será que Percy não podia simplesmente esquecer isso?

O mais velho ficou pensativo por um momento.

– Tive uma idéia. – sorriu divertido.

Nico sabia que coisa boa não poderia ser. Um pouco mais tarde, Zeus deixou que saíssem do castigo e foram para a praia. Thalia resolveu ir até as pedras procurar conchas com Bianca, que insistiu nisso. Percy ficou satisfeito com esse fato e pegou uma pá daquelas que vêem junto com um balde de areia. Com a ajuda de Nico, tirou a toalha onde a mais velha estava sentada e começou a cavar um buraco. Precisava ser fundo. Já podem imaginar para que seria, não é?

– O que vocês estão fazendo? – Jason perguntou e Percy deu um pulo de susto – Pra que um buraco tão grande debaixo da toalha da Thalia?

O loirinho sentou na areia, esperando uma resposta.

– Hã... Pra nada. – o mais velho respondeu.

– Ela estava sentada ai mais cedo. Se voltar aqui, não vai cair?

– Bom, essa é a idéia. – Nico respondeu, e Percy o cutucou com o cotovelo.

– Não era para contar!

Jason sorriu divertido.

– Que maldade. Ela podia se machucar, sabiam?

– Não estrague a brincadeira, Jason. – Percy revirou os olhos.

– O que eu ganho não estragando?

– Como?

– Vou contar para Thalia. – o loiro ameaçou se levantar, e Percy se apressou e segurar o loiro ali.

– Ok, o que você quer? – perguntou, derrotado.

– Sua sobremesa até o fim do mês. – sorriu de forma marota.

– Ta louco? – Percy o olho, incrédulo. A brincadeira teria graça, mas não valia tanto – Uma semana ou nada feito.

Jason semicerrou os olhos.

– Uma semana e meia.

O moreno dos olhos verdes pensou na hipótese.

– Fechado. Agora saia daqui e fiquei quietinho.

Jason sorriu satisfeito e se levantou, voltando para a varanda. Estava mais confortável nas redes.

Percy realmente esperava que Thalia fosse cair na brincadeira. Ele só não sabia que, de longe, ela conseguiu enxergar os dois cavando um buraco suspeito. Fingiu que não sabia de nada a agiu naturalmente. Percy esperou que ela fosse sentar ou algo assim, só que ao invés disso, a morena apenas ficou parada em frente ao buraco tampado, de costas para o garoto. Percebendo que tinha que fazer alguma coisa, Jackson se aproximou sorrateiramente e tentou empurrar a prima, que deu dois passos para o lado. Perdendo o equilíbrio, o garoto andou pra frente, tentando não cair. O que não deu certo, já que caiu dentro do buraco que havia feito.

– Não foi dessa vez, Percy. – Thalia sorriu vitoriosa, vendo o primo lhe encarar com raiva.

Os outros apenas riam do moreno de olhos verdes que tentava inutilmente sair do buraco. Agora entendia bem a expressão ‘e o feitiço virou contra o feiticeiro’.

~*~

Luke não gostava muito de acordar cedo. Detestava, na verdade. Só que sabia que se começasse a dormir até tarde agora que terminou a faculdade, viraria um grande preguiçoso. E também, a noite não devia ser trocada pelo dia.

De manhã cedo, antes mesmo do sol nascer, era um ótimo horário para caminhar. O loiro sempre teve esse hábito, desde criança, quando seu pai ainda tinha tempo antes de ir para o trabalho apressado. Agora, mal o via em casa. Não que se incomodasse com isso, estava até acostumado. E não importava muito, sabendo que em breve passaria a trabalhar com o mais velho.

Já estava voltando para casa depois de quase uma hora de caminhada ao som de algumas musicas do Green Day. Luke sempre achou que iPod e fones de ouvidos eram para aqueles que não conseguiam ficar sozinhos com os próprios pensamentos. Ultimamente, estava com esse problema. Pensar demais.

Quando quase quebrou o nariz, teve que passar praticamente a madrugada toda numa sala de hospital. Pelo menos era vazio naquele horário. Aquele tempo rendeu uma longa conversa com Thalia. A morena sempre foi observadora demais. Quase nada escapava dos olhos azuis atentos.

Grande parte da conversa, na verdade, foi um monólogo. Luke precisava ouvir umas coisas e Grace sabia muito bem como dizer. A estudante de administração percebera não só o relacionamento do loiro com seu primo como também o clima que começava a rolar entre Nico e Percy. Era tão óbvio que aqueles dois se gostavam. E já não podia dizer o mesmo sobre Nico e Luke. Chegou a perguntar o porquê dos dois terem passado tanto tempo juntos.

O loiro era possessivo, e ela sabia muito bem disso. Logo, sabia que toda a implicância – ou rivalidade – que o mais velho tinha com Percy não passava de seus ciúmes falando mais alto. Só que Luke não gostava de Nico. Não do jeito que deveria gostar. O moreno era seu amigo e, sim, gostava de passar o tempo com ele, mas não se via em um relacionamento de longa data. Talvez o motivo de ter dado quase certo seja o fato de que se viam uma vez por ano.

Thalia falou tanto naquela madrugada que suas palavras ecoavam na cabeça do loiro até agora. Ela tinha razão no que dizia. Não havia um único motivo para continuar preso ao caçula dos Di Angelo se ele já gostava de outra pessoa. Quando Nico terminou consigo, pode ter parecido fácil demais. Todavia, era para ser. Um término calmo era melhor do que um conturbado, que deixa mágoas. Não, Luke definitivamente não um clima estranho com o amigo de infância.

Um barulho na casa ao lado chamou sua atenção enquanto se dirigia para a sua própria. Luke observou o corredor entre o muro e a parede da construção, e, primeiramente, pensou que fosse um ladrão. Só que tipo de ladrão tentaria roubar a própria residência?

– O que diabos você está fazendo? – perguntou vendo o outro loiro escalar a treliça com dificuldade.

Pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas, Jason caiu de uma altura considerável que fez suas costas doerem. Levantou-se rapidamente, arrumando as roupas. Revirou os olhos ao ver o mais velho o encarando de braços cruzados e um olhar avaliativo.

– Ah, é você. – disse sem esconder seu desagrado – Como vai o nariz?

– No momento, provavelmente melhor que suas costas. – retrucou – Não é mais fácil usar a porta?

– Se eu pudesse usar a porta, não estaria tentando escalar a parede, gênio.

– Oh, temos um fora da lei aqui. – Luke debochou.

– Culpa sua se estou de castigo. – murmurou, esperando que o outro não ouvisse.

– Fazer o que se você ainda é uma criança que pode ser castigada.

Jason apertou os punhos, se controlando para não socar o loiro.

– Olha, eu realmente não estou afim de discutir agora. Se me der licença, tenho mais o que fazer. Passar bem.

– É, to vendo que você precisa de muita concentração ai. – disse num tom irônico – Cuidado para não quebrar alguma coisa.

O mais velho se dirigiu a sua própria casa, deixando o outro para trás. Grace puxou o celular do bolso, checando as horas. Provavelmente todos ainda estariam dormindo. Será que dava para entrar pela porta?

~*~

Jason tentou formular hipóteses que explicassem o que via a sua frente. Talvez, por causa do calor, Percy e Nico tivessem tirado as camisetas. Ok. Talvez, Nico tenha tido um pesadelo e acabou dormindo com o mais velho. Ok. Agora, por que haviam roupas espalhadas pelo quarto? E por que Percy abraçava o moreno de forma tão possessiva? Coçou a testa, torcendo para que não fosse o que estava imaginando. Aquilo era constrangedor.

A luz da manhã já banhava o quarto, e Nico tinha sono leve, por isso costumava acordar tão cedo. O moreno abriu os olhos lentamente, levando um susto quando viu o loiro lhe encarando com aquela expressão confusa. Sentou na cama, erguendo as mãos no ar como se pedisse para o outro esperar. Pensou em dizer algo como “eu posso explicar”, mas isso soaria clichê demais.

– Me diga que vocês estão vestindo alguma coisa pro debaixo desse lençol. – pediu.

Nico corou, pensando agora em como havia sido descuidado em não se vestir ou voltar para sua própria cama. Não tinha pensado em nada disso na noite anterior. Percy, que acordou no momento em que o outro se saiu de seus braços, não quis abrir os olhos até ouvir a voz de Jason. Droga.

– Eu não acredito que vocês dois... Vocês... – o loiro gesticulava, tentando demonstrar sua incredulidade – Cara, eu nunca mais vou conseguir dormir nesse quarto de novo!

– Fala baixo! – Nico mandou – Não precisa acordar todo mundo.

– Desde quando vocês... Isso. – apontava para os dois – Isso é errado, sabia? Errado do tipo reservar vaga no inferno.

Nico revirou os olhos com a fala do garoto.

– Jason, você não pode contar pra ninguém. – Percy disse, calmo.

O loiro arqueou a sobrancelha.

– E o que eu ganho não contando?

Os dois olharam incrédulos para o garoto.

– Calma, não precisam fazer essa cara. – riu – É brincadeirinha. Não vou contar.

O clima continuava constrangedor no quarto, e o loiro se lembrou que os outros dois ainda estão nus.

– Hã, então... Eu vou no banheiro. É. Banheiro é um lugar legal. – disse, ainda sem graça – Se vistam, por favor.

O loiro foi até o outro cômodo e fechou a porta. Percy encarou o mais novo, que tinha um semblante irritado e o rosto corado.

– Ops.

Nico fuzilou o mais velho.

– Ops? Isso é culpa sua! – jogou o travesseiro em Percy, que desviou – Tudo culpa sua!

O mais velho se levantou, pegando a própria cueca do chão e vestindo-a. Nico desviou o olhar, constrangido com a cena. Percy não pode deixar de achar isso fofo. Jogou a roupa do menor para ele, que se vestiu por baixo do lençol.

– Ei, não precisa ficar bravo. Ele não vai contar pra ninguém. – tentou tranquilizá-lo, e o moreno de olhos castanhos cruzou os braços, ainda irritado.

– Eu sei que não vai. – murmurou – Só que mesmo assim...

Percy se aproximou se Nico e puxou o mais novo para si, beijando-o.

– Será que pode parar de se preocupar com isso?

O mais novo fora pego de surpresa com aquilo. Espera que Percy agisse como se nada tive acontecido e o ignorasse novamente. Se não fosse pela situação extremamente constrangedora de minutos antes, acharia que aquilo não passasse de algum tipo de sonho. Sorriu minimante sabendo que era real. Passou tanto tempo apenas imaginando que a sensação era até engraçada.

– No que está pensando? – Percy perguntou, percebendo que, por um momento, o mais novo parecia estar apenas com o corpo presente.

– Nada demais. Só... nada. – sorriu.

Jackson sentiu-se alegre ao ver o garoto tirar aquela máscara indiferente do rosto. Não resistiu em tomar os lábios rosados para si novamente, dessa vez num beijo mais urgente. Não sabia expressar como era bom sentir a boca do menor sobre a sua e o roçar das línguas. Percy poderia passar uma vida beijando o mais novo sem reclamar. Os pensamentos incômodos que antes lhe viam em mente com uma idéia dessas dias antes já não existiam.

– Vamos lembrar que ainda dividimos o quarto? – Jason pediu, saindo do banheiro e os dois se separaram rapidamente – Vocês foram um casal bonitinho e tudo mais, só que eu não preciso ver essas coisas. Podem se divertir o quanto quiserem quando eu sair. Ah, estão usando camisinha?

– Jason! – Percy ralhou e Nico apenas enrubesceu com a pergunta.

– O que? É importante.

– Eu não quero ficar ouvindo isso. – o mais novo se levantou e pegou algumas roupas limpas no guarda roupas, indo até o banheiro, batendo a porta.

Percy encarou Jason com um pouco de raiva, e o loiro apenas deu de ombros. Ele realmente não iria perder a oportunidade de constranger esses dois. Era um pouco estranho pensar que, de certa forma, eles estavam juntos. Muito estranho. Estranho mesmo. Fez uma anotação mental de nunca, jamais, em qualquer circunstancia voltar a encostar na cama do meio. Talvez alguém deveria ter mando-o uma mensagem. Tipo “não se assuste quando entrar pela janela”. Ok, isso não faz muito sentido.

O loiro sempre suspeitou de uma coisa a mais naqueles dois, só que passaram tanto tempo sem se falar que acabou achando que era coisa da sua cabeça. Quem diria, não é? Eles realmente formavam um casal bonitinho. Jason achava isso. E tinha quase certeza que seria o único com essa opinião.

~*~

Bianca passara praticamente o dia todo sentada no sofá lendo um dos livros que trouxera para a viagem. Ela tem a mania de não parar uma leitura enquanto não a finalizasse. Se levantou apenas na hora do almoço e quase levou o livro junto.

Nico sempre dizia que a garota tinha um vicio quase doentio em livros. Ela rebatia falando sobre os vídeos games do irmão caçula e a discussão sempre parava por ali. Naquele dia, entretanto, o mais novo dos Di Angelo não era aquele que insista para a garota deixar a história de lado.

– Bia! Larga esse livro e vamos pra praia. – Jason chamou a morena pela milésima vez.

– Depois. – respondeu, sem tirar os olhos das palavras

O loiro sorriu.

– Depois o caramba. – pegou a menor e a jogou sobre o ombro.

– Jason Grace! Eu não sou um saco de batatas!

O garoto ignorou os socos fracos da garota em suas costas e já começava a ir em direção da porta de vidro, até que Thalia apareceu aos pés da escada, olhando a cena um pouco divertida.

– Uma ajudinha? – Bianca pediu, apoiando o cotovelo nas costas de Jason.

Thalia inclinou a cabeça para o lado, pensando se deveria ajudar ou não.

– Você é uma péssima prima. – a morena bufou, percebendo que a mais velha não faria nada.

– Coloca ela no chão, Jason. – Thalia pediu.

– Vocês são tãaaao sem graça! – loiro comentou, descendo a prima dos ombros – Saia em meia hora ou eu volto pra te buscar.

Bianca sorriu de canto, vendo o outro sair. Ele não sentiria sua falta estando com Nico e Percy do lado de fora. Nem perceberia a meia hora passando e ela poderia terminar A Culpa É Das Estrelas. Thalia também saiu de casa, mas com a chave do carros em mão.

A morena ouviu o celular de Percy tocar sobre a mesinha de centro da sala. Estranhou ver o aparelho ali. Sabia que o primo não ouvira e também não achava que sairia da praia para atender uma simples ligação. Se estivesse esperando algo importante, deixaria o celular consigo. Por curiosidade, aproximou-se e pegou o iPhone, vendo a foto de uma garota loira no visor. Se não lhe falhava a memória, ‘Annabeth’ era a namorada do garoto, certo? Deslizou o dedo sobre a tela e levou o celular ao ouvido.

– Alô?

– Quem está falando? – a loira questionou do outro lado da linha, com um tom de voz desconfiado – Cadê o Percy?

– Hã.... Ele está na praia. – respondeu – É a prima dele. – Bianca conseguiu ouvir um suspiro aliviado.

– Thalia? – Annabeth perguntou, sendo essa a única prima de Percy que lembrava o nome.

– Bianca. – corrigiu – Aconteceu alguma coisa?

– Não, não. – apressou-se em dizer – Bianca, já que você atendeu, pode me fazer um favor?

– Acho que sim. – respondeu, meio incerta.

– Estou indo para a Califórnia amanhã e queria visitar Percy. Pensei em fazer uma surpresa, só que não tinha como saber o endereço sem ser por ele. – explicou – Pensando agora, é até bom que ele não tenha atendido. – riu.

– Ah, claro. – Bianca se aproximou da porta de vidro, observando os garotos jogarem vôlei – Tem papel e caneta ai perto?

– Só um minuto. – a morena conseguiu ouvir o barulho de gavetas se abrindo – Pronto, pode falar.

Bianca passou o endereço para a loira, que repetiu apenas para confirmar.

– Certinho. – respondeu.

– Obrigada, Bia. Posso te chamar assim? – não esperou uma resposta – Ah, por favor, não conte para Percy.

– Pode deixar, não contarei.

– Ótimo! Obrigada de novo. Então, nos vemos. Até mais.

A loira encerrou a ligação e Bianca colocou o celular onde estava antes. Talvez devesse contar para o primo, mas não queria estragar a surpresa da loira. Não são todas que saem do estado só para passar uns dias com o namorado, não é?

~*~

Ares não estava muito feliz. Primeiro que realmente não gostava da Califórnia. Só tinha visitado o estado uma vez em sua vida e não fora uma viagem muito agradável. Esperava não ter que voltar tão cedo. Entretanto, naquele momento, Los Angeles era a cidade que resolveria seus problemas.

Já passara o limite da zona urbana a uns minutos e rodava pela estrada. Estava atento, procurando o desvio que levaria ao seu destino. Entrou em uma rua estreita de terra à direita. Checou o mapa mais uma vez, demoraria mais uns dez minutos para chegar ao ponto marcado em vermelho. Parou o carro em frente a um terreno abandonado e desceu.

A cabana de madeira era um pouco pior do que imaginava. As tábuas estavam levemente mofadas e pioravam ainda mais a aparência, dando um cenário semelhar a aqueles de filmes de terror onde o protagonista entra no lugar misterioso – no qual o assassino provavelmente estaria escondido – mesmo sabendo que nenhuma outra pessoa o faria em sã consciência. A rangida que ecoou assim que pisou sobre a varanda da frente deu a impressão que o chão cederia, o que fez Ares pensar duas vezes antes de dar mais um passo.

Girou a maçaneta da porta, sabendo que esta não estaria trancada e entrou, sentindo o forte cheiro de mofo invadir suas narinas. Tampou o nariz, incomodado com o aroma forte e passou pelo corredor. A iluminação era fraca e o fato da casa ter energia o surpreendeu. Ouvia uma musica vindo do cômodo a direta que soava quase num tom melancólico.

– You wouldn't believe/ The things that I have seen/ I wouldn't expect you to/ You've never been asleep – Rick cantarolava, afiando uma adaga prateada.

Ares pigarreou, chamando atenção. O grisalho olhou para trás e sorriu de canto ao ver o homem.

– Chefinho! Pensei que só chegaria amanhã.

– Não me chame de chefinho. – disse, irritado.

Rick sorriu divertido.

– Pode deixar, chefinho.

O ex-editor preferiu ignorar a brincadeira do grisalho e continuo a adentrar o cômodo, observando cada canto. Havia uma televisão antiga no chão e se perguntou se ela realmente funcionada. Sobre a mesa antiga estavam alguns panos estendidos, cada um com os mais diversos tipos e tamanhos de facas. Não queria nem saber para que usaria todas. A musica saia de um pequeno radio de pilhas que também estava sobre a mesa.

– Então, o que achou? – Rick abriu os braços, exibindo a pequena casa– Foi o melhor que pude achar, dada as circunstâncias.

– O cheiro é sempre esse? – Ares perguntou, torcendo o nariz.

– Você se acostuma.

– Ainda bem que não vou passar muito tempo aqui. – murmurou – E o garoto?

– Ele não sai muito, sabia? – bufou – Continuo observando-o, como o senhor mandou. Acho que já sei como farei para pega-lo.

– Ótimo.

– Chefe, uma coisa que não entendi até agora. – o grisalho coçou o queixo – Por que não esperar eles voltarem para Washington?

Ares revirou os olhos.

– Você não sabe nada mesmo sobre essa família, não é?

– Sei o básico. – respondeu, dando de ombros – O que julguei necessário saber.

– Hades tem dois irmãos, Zeus e Poseidon. Nomes estranhos. Quem nomeia os filhos com os nomes dos três grandes? – questionou.

– Mas o seu nome...

– Calado!

Rick ergueu as mãos no ar, desistindo de falar.

– Cada um é bem sucedido e rico em sua própria área. Zeus com uma linha de eletrônicos e Poseidon com uma rede de hotéis.

– E daí?

– E daí que eu sei que eles também ajudariam a recuperar o pobre sobrinho. – fez falsete – Sem contar que vai ser divertido assistir a reação da família inteira.

– Assistir? – Rick arqueou a sobrancelha – Não está pensando em observá-los nesse meio tempo, não é?

– Por que não?

– Eu não faria isso se fosse você, chefinho. Na verdade, recomendo que não faça mesmo. Alguém pode te ver. Estragaria todo o plano.

Ares deu de ombros.

– Não vão nem suspeitar que estou por perto.

Rick semicerrou os olhos.

– Vão estar mais preocupados em fazer de tudo para manter Nico bem até devolvermos.

– Espera ai. – Rick pediu – Vamos devolver o moleque?

Ares quase riu da cara de decepção do homem.

– Talvez. – respondeu – Eu disse que o devolveríamos, mas não disse nada sobre ele voltar inteiro.

Rick sorriu de forma quase doentia, ainda brincando com suas facas.

– Posso me divertir um pouco com a criança Di Angelo. – comentou, pensativo – Talvez marcar um pouco aquele rostinho bonito.

O outro arqueou a sobrancelha, analisando o grisalho.

– Pra que tantas facas? – questionou – Uma arma não é mais pratica?

– Qual a graça de armas? Elas acabam com toda diversão. – resmungou – Dar um tiro em alguém é rápido demais. Nada se compara a torturá-lo até o ultimo pingo de sanidade, quando finalmente imploram pela morte. Ver a luz abandonar os olhos de alguém é um das sensações mais gratificantes que existem.

Rick continuaria seu monólogo por muito tempo se Ares não o interrompesse. O ex-editor podia ser uma pessoa cruel, mas aquele assassino de aluguel? Ele era insano. Por pouco não aceitou o trabalho por não ter a certeza de que poderia matar o garoto.

– Quero-o aqui em, no máximo, dois dias. – ordenou.

– Pode deixar. Só estou esperando a oportunidade certa. – Rick fez um sinal positivo.

Ares sorriu satisfeito. Ele bem que havia avisado Hades.

Notas finais
Pronto, agora todo mundo sabe quem é o Rick, todo mundo sabe o que vai acontecer, a porra vai ficar feita, sangue vai rolar, caixões vão descer e TO BRINCANDO, GALERINHA UAHAUHAUHA até parece que vou soltar spoiler assim sem mais nem menos. Ai, ai. Curtiram? SEUS CARAS DE PAU. 170 de vocês não tem moral pra falar de mim, seus descarados que não comentam :c aos 20 que vieram falar com a Charlie no ultimo capítulo, vocês moram no meu coração. Ai ficam bravos quando eu falo sobre metas ;-; Pedir não tá adiantando, mas vamos lá, né? DEIXEM comentários, recomendem a história, sigam a Charlie no twitter (@charlieplusg), mandem mensagem de arco íris, mp, coruja, sei lá. Só digam sua opinião sobre o capítulo :) nos vemos! xoxo, Charlie P.S.: A musica que o Rick está "cantando" no capitulo é Sleep Paralysis do Gabriel Bruce, caso alguém tenha ficado interessado c: