Sugar Daddy
21 Tudo em dobro fica mais gostoso!
Notas iniciais
− Espera. – Ino pediu enquanto trocava os olhares de Shino para Kiba. Gaara estava sentado ao seu lado no sofá, os dedos entrelaçados ao seu e uma expressão suave e quase risonha. – Então você está me dizendo que eu perdi meus dois padrinhos de uma tacada só? E que eles estão pedindo para se casar junto comigo no meu casamento?
Aburame e Inuzuka se entreolharam e encolheram os ombros de maneira displicente. Poderiam receber uma negativa por ser um casamento importante? Óbvio que sim. Mas Shino tinha colocado aquilo na cabeça – que queria casar-se ali, em Suna – e Kiba havia gostado um tantinho demais da ideia.
Não apenas por ter se afeiçoado ao país – embora tivessem chegado há pouco mais de três dias – mas porque a ideia de casar-se junto com Ino, uma amiga valiosa de Shino e sua também, parecia muito divertida!
Ino os analisou por um momento. Os olhos turquesa os perscrutando com muita seriedade ao ponto de uma veia saltar em sua testa. E então olhou para Gaara, que a encarou de volta com um ar de hey, a decisão final é sua. Eu vou apoiar qualquer coisa!
− Mas é claro que... SIM! Meu Deus, meninos! Parabéns! – Ino praticamente saltou do sofá para cima dos dois, quase derrubando as cadeiras onde estavam. Shino sobressaltou-se, mas Kiba caiu na gargalhada, abraçando-se à amiga.
− Eu sabia que você não ia me negar esse gostinho, Ino! Tô feliz pra caralho! – Kiba arreganhou os dentes em um sorriso. A mulher afastou-se, ajeitando as dobras em seu vestido e sentando-se ao lado de Gaara novamente.
− Devo pedir para Kankuro preparar as reservas para os convidados de vocês? – Gaara perguntou. Podia não parecer, mas ele estava feliz à sua maneira.
− Por favor. – Shino ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz. – Eu e Kiba entregaremos uma lista o mais rápido possível. Não são muitas pessoas, mas queremos que estejam presentes aqui.
− Será uma honra. – Gaara estendeu uma das mãos para Shino, que a apertou. Depois repetiu o mesmo com Kiba.
− Obrigado mesmo, Kazekage!
− Gaara. – ele disse de maneira polida. – Pode me chamar de Gaara. É como meus amigos e familiares me chamam. E pelo visto vocês se enquadram nas duas categorias.
A alegria de Ino e Kiba mal cabia neles! Estavam eufóricos!
− Ah não, Kiba! Teremos que fazer umas comprinhas básicas! Você vai ser o noivo mais lindo de Suna!
− É mesmo? – Gaara perguntou, a testa franzida. O tom dele parecia sério para quem não o conhecesse, mas Ino apenas deu uma risadinha, segurando as bochechas dele com ambas as mãos.
− O segundo noivo mais lindo! – Roubou um beijo curto dele antes de se afastar e levantou-se, enlaçando o braço de Kiba. – Vamos, bebê, temos muita coisa para decidir juntos!
Kiba estava animado quando ela e Ino saíram dali. Shino nunca o havia visto tão feliz quanto naquele momento. Até agora.
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− Eu não a-cre-di-to! – Ino soltou um gritinho animado, batendo palmas e com os olhos brilhando. Parecia uma maldita fujoshi, mas nem se importava! – Me conta de novo!
Ela e Kiba haviam parado em um café depois de fazerem algumas comprinhas, o que incluía algumas roupas de calor para Kiba e também um fraque elegante para que pudessem sair para lugares mais exclusivos. Obviamente, a roupa do casamento seria feito sob medida pela equipe de costura responsáveis pelas roupas dela e do Kazekage.
− Estávamos na banheira e ele pediu a minha mão. – disse Kiba. – Ah, Ino, eu não vou ficar repetindo os detalhes de novo! É cabuloso!
As bochechas de Kiba estavam adoravelmente coradas ao ponto de Ino querer apertá-las!
− O meu ship é real, Kiba! ShiBa é real! – Ino mal conseguia se conter de tanta felicidade.
− O-oe! Por que ShiBa?! – Kiba reclamou, é claro, querendo saber porque o nome do namorado – noivo, agora noivo. Precisava se acostumar! – vinha na frente.
− Porque é mais bonito assim, oras! – Ino inflou uma das bochechas. – E tá na cara em quem manda na cama, né? – Deu uma piscadela. Kiba corou até as orelhas com aquela afirmação, embora não tivesse desmentido.
− KiNo também soa legal. – Fez um muxoxo.
− Você é mesmo uma gracinha, Kiba! – Ino não resistiu. Desta vez apertou as bochechas dele sem dó! – Temos milhares de coisas para decidir. Mas tudo bem, vou ceder o sabor do bolo para você!
Kiba abriu um sorriso cativante. E Ino pensou naquele momento em como Shino havia tirado a sorte grande ao encontrar aquele rapaz.
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Kankuro ficou responsável por fazer a lista de convidados junto com Shino. Esta não era sua função favorita, mas não tinham muito tempo e Shino disse que sequer tinham muitos convidados. Da parte de Kiba, teriam Hana e Tsume, além de Naruto que era praticamente um móvel permanente de sua casa – junto com ele vinha Sasuke, que havia se tornado, além de um advogado indispensável, um amigo querido tanto para Shino quanto para Kiba. Embora, é claro, Shino e ele interagissem melhor por terem personalidades introvertidas e um tantinho semelhantes em alguns pontos. Havia, também, Shibi, mas não tinha certeza se o pai conseguiria vir.
− E por que não, jaan?— A curiosidade de Kankuro falou mais alto. Era uma lista pequena, de fato. Além destas pessoas, o nome de Hinata, Neji, Chouji e Karui foram incluídos após uma rápida troca de mensagens entre Kiba e Naruto; o noivo havia lhe avisado de tudo enquanto mandava fotos com as roupas que Ino vinha lhe fazendo provar.
Aburame não sabia se queria compartilhar algum detalhe da sua vida com Kankuro. Quer dizer, ele parecia um cara legal, mas Shino costumava ser bastante reservado a respeito de si mesmo. Já o irmão de Gaara, parecia um pouco com Kiba nesse sentido: sempre curioso e audaz, do tipo que não deixa nenhuma informação passar batida. Ossos do ofício de trabalhar com o que ele trabalhava.
− Circunstâncias adversas nos separaram depois de um tempo, e agora ele está aposentado viajando pelo mundo enquanto eu me engajei nesse projeto multimilionário. – Shino debruçou-se sobre a sacada onde estavam. Ainda não havia se acostumado com o clima quente dali e sentia-se um tanto incomodado, então Kankuro sugerira que a conversa deles acontecesse em um local mais fresco.
− Entendo. – Não quis aprofundar-se em um assunto que evidentemente causava desconforto em Shino. – Mas posso tentar localizar ele se for a sua vontade. Não custa nada tentar.
Shino deu de ombros como se deixasse a decisão em suas mãos. É claro que queria o pai em seu casamento, como não? E sabia o quanto ele gostava de Kiba também. Infelizmente, após ter sido colocado no programa de proteção à testemunha, os dois haviam sido separados, algo que não contara nem mesmo a Kiba. Pai e filho tinham ficado juntos por um tempo, até que uma informação vinda da polícia japonesa dizendo que o assassino poderia estar vivo foi revelada e ele tentou algo contra eles. A solução foi separar a ambos, pois embora Shino fosse a testemunha ocular, aparentemente o assassino não conseguira diferenciá-lo do pai por alguma razão desconhecida – muito provavelmente pelo fato de ambos serem muito parecidos, usarem casacos pesados e óculos escuros, além do fator noite que atrapalhava a visão.
Shibi havia sido contra a ideia – queria ficar perto do filho –, mas Shino foi irredutível, já que não queria colocar o pai em risco. Como na época, o rapaz ainda cursava a faculdade, a solução foi transferi-lo para outra universidade em uma cidade diferente, circunstâncias nas quais conheceu Ino. E seu pai foi enviado para outro local que nem mesmo o próprio Shino sabia onde era. Desde então, as parcas notícias que recebeu dele vieram através do programa de proteção às testemunhas, coisa que nem deveria acontecer para evitar que informações fossem disseminadas. Todavia, uma das funcionárias havia se afeiçoado a Shino justamente por saber de sua personalidade introspectiva, e permitia que ele soubesse notícias do pai sem nunca revelar onde de fato se encontrava.
Só que a funcionária foi transferida alguns anos depois, antes que Shino concluísse a faculdade, e a última informação que tinha a respeito de seu pai é de que ele havia se aposentado.
Aburame havia tentado algumas vezes, através de investigadores particulares, encontrar o próprio pai, mas nunca obteve sucesso em suas buscas. Não sabia se queria mexer no vespeiro. E se descobrisse que o pai estava doente? Ou pior? Não sabia se conseguiria lidar com aquilo. No entanto, o desejo de vê-lo novamente era grande.
Kankuro pareceu perceber tudo o que se passava na mente de Shino, todo aquele turbilhão de emoções, ainda que se escondesse por trás das lentes escuras. Invadiu seu espaço pessoal, apertando firme o ombro de Shino para trazer o outro homem de volta à realidade.
− Acalme-se, jaan.— disse, com seu sotaque mais puxado. – O que acha de eu procurá-lo sem compromisso algum? Vou mexer alguns pauzinhos, cobrar alguns favores e ver no que isso dá. Enquanto isso, mantemos essa lista de convidados e você conversa a respeito com Kiba e tomam uma decisão juntos sobre isso. Será que não vai te fazer se sentir melhor?
Shino refletiu a respeito da proposta de Kankuro. Não sabia se Kiba poderia dar-lhe luz a respeito dos próprios pensamentos sobre isso, mas certamente não queria começar uma vida a dois escondendo algo como isso dele. Inuzuka havia lhe dado espaço, permitido que fizesse tudo a seu tempo, nunca lhe cobrando explicações a respeito do passado sombrio que havia sido responsável por separá-los, exceto pelo dia no jantar após o leilão onde haviam se reencontrado graças a Naruto.
− Vou fazer isso, obrigado. – Estava prestes a se retirar, mas Kankuro não afastou a mão que apertava seu ombro, então aguardou, as sobrancelhas erguidas como forma de questionamento.
− Kiba é um cara legal, Shino, e sei que você também é. Não o magoe uma segunda vez, jaan. Ele sofreu demais quando você partiu.
− Não precisa me dizer isso, eu sei.
Shino se retirou do recinto, deixando Kankuro para trás. Já lhe bastava a culpa que carregava por si mesmo, não precisava do olhar enviesado de terceiros para sentir-se ainda pior.
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Naruto havia acabado de chegar de seu primeiro dia de trabalho no restaurante de Hinata e viu Sasuke sentado no sofá, a gravata frouxa presa nos ombros e a camisa social aberta. O notebook, como sempre, estava em seu colo e ele lia algum artigo moroso a respeito do próprio serviço. Ainda assim, Uzumaki sempre achava sexy chegar e vê-lo assim tão compenetrado por trás dos óculos de grau.
Na época da faculdade, Sasuke ainda não os usava, mas o loiro imaginou que depois de passar tanto tempo virando noites de estudo e lendo letras miúdas por cima de letras miúdas, o Uchiha precisara daquilo pelo menos para leitura.
− Tadaima. – murmurou, deixando os sapatos no gekkan e aproximando-se para abraçar Sasuke por cima dos ombros, distribuindo beijinhos na região do lóbulo da orelha onde sabia que ele se arrepiava mais.
− Okaerinasai, dobe. – Sasuke respondeu, a expressão compenetrada dando vez ao relaxamento que sentia sempre que Naruto começava a beijar-lhe daquele jeito. As mãos dele percorreram a parte interna de sua camisa, concentrando-se em massagear seus ombros, mas neste ato não havia nada libidinoso, apenas carinho.
− Está tão tenso.
− Acho que exagerei um pouco no tempo aqui. Que horas são? – perguntou, enquanto consultava o próprio relógio e espantou-se. – Nossa, sinto muito. Eu deveria tê-lo encontrado, não é?
− Não se preocupe, voltei de metrô. – Abriu um sorriso, sentando-se ao seu lado. – Viu o e-mail que Kiba mandou? Ele anexou pra um monte de gente, mas acabou a internet no meu celular e não consegui acessar.
Por via de regra, Sasuke não abria nada que Kiba lhe mandava desde a última vez em que se atreveu a abrir um anexo com um vídeo que tocava uma música de funk tão alta que achou que perderia o emprego. Por sorte, Shino havia recebido o mesmo arquivo e quando percebeu que o Uchiha havia sido pego naquela pegadinha apenas deu um risinho baixo, já que ele não conseguia fechar o vídeo de maneira nenhuma, e a única solução para tal foi tirar o computador da tomada, além de, é claro, atribuir um vírus que o fez encaminhar a CPU para o TI. Resultado final: noites e noites de trablho perdida por causa de uma brincadeirinha sem graça.
− Não. – A resposta de Sasuke veio seca. Naruto logo se lembrou do vídeo, dando uma série de risadinhas enquanto encarava o namorado.
− Vamos, acho que não é mais um daqueles vídeos, teme! Veja, tem um e-mail do Shino também. – Apontou para a tela inicial da caixa de entrada de Sasuke, e aquele o Uchiha não se atreveu a ignorar. Afinal, era de seu chefe que estava falando.
O advogado respirou fundo ao ver que o assunto era o mesmo: comunicado importante; e a imagem em anexo também – casamento.gif. Não teve outra opção se não abrir a imagem, pedindo para todos os deuses nos quais acreditava e desacreditava que aquilo não fosse mais uma brincadeirinha de mal gosto pela qual Shino fora contaminado pela péssima influência do namorado.
A princípio, achou que era realmente uma piada: um coelhinho feliz apareceu saltando em sua tela, saído de dentro de uma cartola. Então, ele fez uma espécie de apresentação de mágica, brilhinhos explodindo na tela. Sasuke já estava esperando o cavalo de troia por trás disso junto com um batidão de funk, mas isso não aconteceu.
Você foi convidado para o casamento duplo de Aburame Shino e Inuzuka Kiba feat. Yamanaka Ino e Sabaku no Gaara em Suna! Pois quando uma única alma habita dois corpos diferentes, o momento no qual elas irão se unir deve ser prestigiado por todos!
P.S: favor confirmar sua presença no casamento para ter seu lugar reservado no voo.
Uma musiquinha divertida e infantil tocou ao fundo – Naruto a identificou como Esta noite o amor chegou do filme Lion King — e encerrou a apresentação do e-mail.
Sasuke não sabia o que lhe surpreendia mais: a escolha do convite que provavelmente havia sido escolhida por Kiba e Ino, o fato de Naruto ter descoberto a música de letra ou de que este mesmo, também conhecido como seu namorado idiota, agora chorava e vibrava pela felicidade do amigo.
Bem, teria que descobrir isso depois, já que agora precisava consolar aquele bebê chorão!
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