Sugar Daddy

22 Confiança gera confiança


Notas iniciais
Quem aí quer um pouco mais de GaaIno? :D

Ino chegou das compras sentindo os nós em seus ombros de tanto carregar sacolas junto com Kiba, mas sentia-se feliz e plena quando entrou no quarto que dividia com Gaara. Costumeiramente, o Kazekage sempre ficava em seu escritório trabalhando com papéis sem fim junto com os irmãos, embora, claro, Kankuro dispensasse essa parte burocrática sempre que podia.

Não esperava, no entanto, vê-lo sentado na poltrona que ficava próxima à varanda, onde a luz incidia bem pela manhã, tornando-se um belo local para leitura. Ele desfrutava de um livro cujo qual Ino não conseguiu pescar o título quando chegou ao quarto, mas que fechou assim que a viu entrar, esboçando um sorriso singelo.

Ela se lembrava de quando tinha conhecido Gaara e de como o príncipe sorria pouco na presença dos outros. Gostava de saber que parte dessa mudança se dava ao fato de sua influência e sua companhia, Kankuro e Temari viviam ressaltando isso, pois ao seu lado, Gaara tornou-se menos introvertido, embora vez ou outra precisasse de direcionamento para compreender certas piadas ou frases de humor duvidoso.

Kankuro havia lhe contado certa vez, após uma noite de farra dos dois, que Gaara havia sido diagnosticado certa vez com Síndrome de Asperger, ainda que em um nível mais leve, mas que por conta disso, era como se o irmão caçula vivesse em seu próprio mundo, necessitando de uma rotina regrada, com seus rituais repetitivos. Descobriram posteriormente que ele não possuía nada disso, era apenas uma criança reclusa demais e tímida demais que não gostava de contato físico, ou seja, odiava beijos e abraços.

Poucas pessoas eram capazes de aproximar-se dele, fazer amizades era difícil demais. A morte da mãe seguida pela morte do pai havia apenas piorado tudo, e Gaara havia decidido fazer faculdade no exterior apenas para demonstrar que a relação de seu país não estava estremecida com os americanos, principais suspeitos no assassinato político de Rasa que ainda era tido como um mistério que Kankuro não se cansava de escavar.

Ainda assim, sua dificuldade de comunicação era bastante notável, tal qual a dificuldade em notar padrões sociais como ironia e sarcasmo, coisas que vinha aprendendo a lidar com o tempo tanto com a presença de Ino, quanto com o tratamento que vinha fazendo a longo prazo com seu terapeuta que o conhecia desde os dez anos.

Gaara, que sempre havia estudado em casa, sentiu o choque de ir para uma universidade lotada de pessoas. Logo em seu primeiro semestre, deparou-se com uma série de situações difíceis que quase o fizeram voltar para casa, e o fato de ser um príncipe ter se espalhado como fogo em palha assim que um paparazzi soltou a notícia na mídia apenas piorou as coisas, visto que a maioria das pessoas que se aproximavam dele tinham segundas intenções ao ponto de Gaara precisar andar com um segurança ao seu lado, embora ele achasse que aquilo apenas servia para chamar ainda mais a atenção dos outros.

Foi nesse ambiente que Gaara conheceu Yamanaka Ino, que cursava seu sexto semestre em Biologia, e que escolheu pagar a cadeira de Ciências Políticas como disciplina optativa. Os dois iniciaram um verdadeiro debate a respeito de temáticas como a fome no mundo e a miséria que se espalhava sobretudo nos países do Oriente Médio onde a guerra os atingira com força, e Gaara achou que Ino estava apenas zoando com sua cara por saber exatamente quem ele era. Fato é que ela não fazia a menor ideia, e ao decorrer da discussão, notou que a mulher tinha pontos de vistas extremamente interessantes e uma opinião muito forte sobre aquilo em que acreditava.

O príncipe ficou surpreso quando, na saída, ela recusou seu convite para que conversassem tomando um café, já que ninguém ali recusava sua companhia. Mas ela estava apressada, e mais tarde Gaara descobriu o motivo: ela fazia um turno noturno como maquiadora de um necrotério – ele achou que Kankuro adoraria isso – para ajudar a complementar sua renda.

Nas aulas seguintes, os debates se tornaram mais inflamados, e apesar de ter sido rejeitado da primeira vez em que conversaram, Gaara não desistiu, pois queria compreender mais o mistério que rondava Yamanaka Ino. Poderia ter pedido a ajuda de Kankuro? Com certeza. Mas achava que isso tiraria toda a graça de descobrir por si mesmo, coisa que nunca havia lhe instigado em alguém antes.

Graças a um trabalho em dupla, Gaara conseguiu o telefone de Ino e finalmente conseguiram marcar de fazer algo juntos, embora não fosse aquilo que ele realmente desejava.

Mas não foi difícil descobrir mais sobre Ino, pois ela gostava de falar e não se inibia nem um pouquinho! Logo, se tornaram grandes amigos, e qual não foi a surpresa de Gaara ao descobrir que a família Yamanaka retinha uma das maiores empresas de flores do Japão com floriculturas espalhadas pelo mundo todo? E mesmo assim, Ino não fazia ideia de quem ele era, agindo com naturalidade e uma gargalhada gostosa quando Gaara lhe disse que era um príncipe em seu país, não que se importasse com o fato.

A amizade durou até o final do período, mas não parou por aí: havia se tornado rotina que os dois saíssem juntos nos dias de folga de Ino ou quando ela não estava ocupada demais com o projeto de laboratório que tinha com o melhor amigo a quem Gaara nunca havia tido a oportunidade de conhecer por conta de suas grades de horários, Aburame Shino.

O fato de Ino viver falando dele causava uma sensação ruim em Gaara que, posteriormente, descobriu ser ciúmes, mas ela deixou bastante claro, na noite em que lhe beijou, que ela e Shino não possuíam nada.

Meu príncipe encantado é você, dissera. E foi a primeira vez na qual Gaara gostou de poder abusar de sua posição.

− Achei que estivesse trabalhando. – Ino aproximou-se de Gaara, inclinando-se para dar-lhe um beijinho leve nos lábios e sentou-se em seu colo.

− Quis esperar por você. – Enlaçou a cintura da loira, distribuindo beijinhos em seu pescoço antes de afastar-se para encarar os olhos azuis. Sempre se via tragado pela intensidade das duas jóias que Ino tinha no lugar dos olhos.

− Tão atencioso. – Sorriu, depositando um beijo na ponta do nariz de Gaara.

− Como foi seu dia?

− Cheio de compras com Kiba! Ele é mesmo uma graça! – Entregou-se a um riso gostoso e contagiante que reverberava por todo o ambiente. Gaara sentia até mesmo vontade de acompanhá-la apenas por ouvi-la rir.

− Você está feliz, Ino? – perguntou. – De dividir seu casamento com Shino e Kiba? Sei que sempre sonhou com esse momento, que queria algo singular. Não pensei que aceitaria.

Yamanaka refletiu um pouco a respeito da questão, mas acenou positivamente com a cabeça.

− Eu e Shino-kun nos conhecemos na época da faculdade, como você sabe. Ele foi um aluno transferido para a minha turma e teve um pouco de dificuldades de se adaptar por conta da grade totalmente diferente. – Ela fez um pausa, apoiando o rosto na curva do pescoço dele para sentir seu perfume de maresia. – Mas desde então, nossa amizade tornou-se forte, pois ele não tinha ninguém e eu também não. E não consigo imaginar como poderia ser mais feliz do que o tendo ao meu lado no dia de meu casamento com o homem que amo e com ele se casando com o homem que ama.

− Gosto do seu altruísmo. – Gaara apertou as mãos contra a cintura dela, subindo-as lentamente e de maneira voluptuosa que fez com que Ino compreendesse exatamente onde ele queria chegar. – Vai ser uma rainha perfeita para meu povo quando a coroa for entregue após o casamento.

− Exagerado. – Ela abriu um sorriso. – É você quem vai ser um rei maravilhoso. Já o é, na verdade, apenas irão oficializar isso.

− Com você ao meu lado, tenho certeza de que faremos um ótimo trabalho por aqui. Obrigado por ter me escolhido, Yamanaka Ino, pois me faz o homem mais feliz desta nação.

Ino sempre se emocionava quando Gaara se esforçava em demonstrar suas emoções, e não sabendo o que dizer em resposta, apenas o beijou. E, para o príncipe, aquilo bastava; tê-la ao seu lado bastava.

X

Shino ruminou o que havia conversado com Kankuro até Kiba sair do banho, pedindo que ele o encontrasse do lado de fora do palácio pois queria lhe mostrar uma coisa. O rapaz demorou um tantinho para chegar lá, visto que havia se perdido no caminho umas três vezes (uma das quais foi parar na cozinha e foi agraciado com uma deliciosa fatia de pudim!) até que chegou na direção apontada por uma das empregadas onde o noivo o aguardava no saguão principal.

Noivo.

Como a palavra soava bonita aos ouvidos de Kiba! Sentia-se tão feliz que mal cabia em si! E na noite anterior havia feito uma chamada de vídeo com Naruto, Tsume e Hana em uma verdadeira conferência, onde eles queriam saber tim-tim por tim-tim cada detalhe de como isso tudo havia acontecido! E ele, é claro, contou tudinho, inclusive sobre a declaração de Shino, o que deixou Aburame um tanto sem jeito.

Shino levantou-se da poltrona confortável onde estava sentado, ajeitando a túnica em tom creme que usava, com uma faixa azul escura presa à cintura. Era uma roupa típica do local, diferente das que vestia, mas que era bastante confortável e fresca por conta do tecido frio e leve.

Kiba, por sua vez, usava uma bermuda caqui e uma camisa vermelha sem estampas que lhe deixava com uma aparência meio de moleque, mas Shino não se importava nem um pouquinho, achava uma graça! Ainda mais com as marcas triangulares no rosto que ele insistia em continuar usando mesmo depois de ter dito que não precisava mais seguir as clausulas do contrato (hey, eu fico muito bonitão assim!).

− Desculpa, Shino, eu me perdi! – Kiba deu uma risada sem graça, coçando a nuca.

− Na cozinha? – perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas, tirando de dentro do bolso da calça um lenço que usou para limpar o cantinho da boca de Kiba que tinha resquícios de calda.

O rosto de Kiba adquiriu cinquenta tons de rubro, mas Shino apenas sorriu, entrelaçando os dedos aos dele.

− Me acompanhe. – pediu, passando a caminhar na direção do vasto território que cercava o palácio do Kazekage. – Quero lhe mostrar a evolução do meu projeto com Ino enquanto conversamos.

− Já temos resultados?! – Kiba perguntou com excitação na voz. Era incrível o trabalho que Shino e Ino faziam! Ao descobrir que os dois queriam criar flores e vegetações vastas por todo o país no intuito de diminuir a extinção das abelhas, além de trabalhar para a melhoria da qualidade de vida da população sunense, havia ficado tocado!

− Veja com seus próprios olhos. – Shino estendeu uma das mãos em direção ao horizonte e Kiba ficou maravilhado com o que viu: milhares e milhares de mudinhas plantadas ao redor da propriedade – árvores e flores que cresciam e começavam a desabrochar – coloriam o ambiente como uma paleta de aquarela. Kiba ficou fascinado! Sabia que Ino e o noivo vinham trabalhando através de videoconferências para que aquilo acontecesse, mas não imaginava que já tivessem uma evolução como essa.

− Caralho, Shino, que incrível! – Os olhos dourados brilhavam. A expressão infantil e inocente no rosto de Inuzuka derretiam o coração de Aburame. – Você e a Ino são realmente incríveis, nossa, espero um dia fazer algo grande assim. Sei que não vou ser um grande empresário com mini-abelhas robô ou que não tenho o conhecimento vasto da Ino, mas... um dia eu quero encantar as pessoas e fazer elas sorrirem com as minhas apresentações!

Shino sorriu, olhando para o noivo, e enlaçando a cintura dele com as mãos.

− Tenho certeza de que você fará um trabalho incrível. A arte é essencial para que o mundo sobreviva, Kiba. Não diminua o seu dom ou o que escolheu como profissão.

O que Kiba mais adorava em Shino era justamente o fato dele não lhe colocar para baixo a despeito de suas escolhas, mesmo que ele fosse um cara cheio de dinheiro que podia ter praticamente qualquer coisa e, pensando nisso, sentia-se ainda mais sortudo por ele ter lhe escolhido como companheiro para a vida toda!

− Disse que queria falar comigo. – Kiba lembrou.

Shino respirou fundo, pensativo novamente. Era incrível como o semblante dele se transformava quando estava preocupado, e, mesmo por trás das lentes escuras dos óculos, Kiba era capaz de perceber isso.

− Conversei com Kankuro a respeito da lista de convidados e incluí todas as pessoas que você pediu como já sabe. – Shino começou a narrativa, mas Kiba já sabia disso, então previu que mais coisa viria por aí. Não era de seu feitio ficar calado, mas desta vez permitiu que Shino falasse. – Tem coisas... coisas que ainda não te contei a respeito do que aconteceu no meu passado, de quando fui embora. E agradeço que você tenha respeitado o meu momento e o espaço que precisei, mas viveremos uma vida juntos agora, e não quero esconder mais nada de você, Kiba. Vou te contar toda a verdade. Vou te contar tudo o que aconteceu e o motivo pelo qual precisei ir embora, se estiver disposto a me ouvir.

− Claro. – Kiba respondeu, a expressão serena como raramente Shino via. – Mas não aqui. Vamos voltar para o quarto. Se isso é algo tão importante assim, será melhor que ninguém possa escutar o que você tem a me dizer.

Shino acenou com a cabeça, o semblante ainda preocupado. Mas não guardaria mais aquilo para si, afinal de contas, Kiba tinha o direito de saber tudo a respeito da pessoa com quem iria se casar.

Notas finais
Acho que o Gaara deve ser o tipo de cara que, quando se apaixona, faz isso profundamente e mergulha de cabeça, conhecendo aos pouquinhos mas se entregando completamente! Será que o Shino finalmente vai revelar todos os detalhes para o bb? Descobriremos no próximo! Obrigada por acompanharem a história!