Sugar Daddy

23 Eu nunca mais deixarei você


Notas iniciais
E aí, preparados para finalmente saberem um pouco mais sobre o passado do Shinão? Boa leitura!

Poucas foram as vezes na vida em que Shino sentiu-se acuado como naquele momento, mesmo sabendo que Kiba não exercia sobre si pressão alguma. O período entre o caminhar dos jardins do palácio até o quarto foi medido pelo tamanho do silêncio dos dois.

Para Shino, uma situação na qual precisava guardar segredos de Kiba, era como estar entre a cruz a espada, entre um precipício e um mar cheio de tubarões: simplesmente não conseguia lidar. Era como se enfiassem uma faca em seu peito e a girassem lentamente apenas para causar mais dor.

Inuzuka abriu a porta do quarto, passando primeiro, e deixando Shino escolher o local mais confortável para terem aquela conversa. Ele optou pela varanda por conta do clima arejado, sentando-se em uma das cadeiras reclináveis com Kiba de frente para ele.

Partia-lhe o coração ver o noivo assim! Shino era sempre tão seguro de si, com palavras firmes e seu jeito sério, mas agora parecia um cachorrinho assustado como aqueles que Kiba adorava alimentar na rua!

− Não precisa me contar se não quiser, Shino, sério, eu entendo. – Kiba tentou ser resiliente, apertando a mão sobre o joelho do CEO.

Ele não compreendia como, depois de tudo, Kiba podia ser tão compreensivo! Mas era justamente isso que fazia com que Shino o amasse ainda mais, e que também fazia com que quisesse compartilhar toda a verdade com ele.

− Eu não acho certo começarmos um novo capítulo das nossas vidas dessa maneira, Kiba, não quero começar com segredos, mesmo que isso esteja relacionado a algo do gênero. – Ele respirou fundo. – Além disso, Kaline me disse que partilhar as coisas com você fazia parte do meu desenvolvimento. Se eu não aprender a dividir as coisas e apenas compartimentá-las, chegará um momento em que entrarei em colapso, nas palavras dela, e então tudo sairá do meu controle de maneira descontrolada e desenfreada. Não quero nada disso e sei que você também não.

A simples possibilidade de que Shino tivesse um surto por estresse fez os pelos da nuca de Kiba se eriçarem todinhos! Sempre se preocupou com a saúde dele, mesmo nos tempos da escola, e agora, com a rotina louca que Aburame levava, ainda mais!

Uma das secretárias com quem Inuzuka havia feito amizade tinha lhe confidenciado que, antes de Kiba entrar na empresa, Shino mal parava para almoçar. Isso porque ela o acompanhava desde a filial que antes estava nos Estados Unidos, mas agora a sede central encontrava-se em Tokyo, de onde o CEO operava em conjunto com a maior parte dos acionistas. Vez ou outra, era preciso que ele se deslocasse em uma viagem para fora do país para resolver entraves que somente pessoalmente poderia fazer.

− Tudo bem, Shino, eu estou te ouvindo. – Kiba o encorajou, entrelaçando os dedos aos seus e puxando sua cadeira reclinável para ficar mais próximo ao noivo. Shino respirou fundo, como se até esta mínima tarefa fosse difícil demais para ele, mas precisava ser forte. Não voltaria atrás agora.

− Você deve se lembrar dos poucos detalhes que te dei no nosso primeiro jantar. – Começou Aburame. – Sobre o crime que testemunhei na noite da nossa formatura.

− Sim. – Kiba estreitou os olhos. Imaginava Shino sozinho, vendo um crime terrível, sem ninguém que pudesse lhe proteger, e tendo que fugir em seguida do país por ter que testemunhar a respeito.

− A princípio, achei que era apenas um homicídio comum, mas você sabe que naquela época, eu sonhava em ser entomólogo forense, o que significa que eu passava praticamente todo o tempo livre que não era com você pesquisando e estudando a respeito dessas coisas, e isso também significava que eu era antenado a respeito das notícias de jornais, fóruns online que falavam sobre seriais killers e toda uma série de coisas a esse respeito.

“Quando estava indo te encontrar no dia da nossa formatura, decidi pegar um atalho para a escola, porque era mais perto e eu não queria te deixar esperando. A princípio, não compreendi o que via até que a luz do farol de um carro iluminou o beco por onde eu passava, e vi uma coisa horrível: um homem cheio de sangue na blusa branca que usava. Seus olhos brilhavam em um tom vermelho incandescente, e, juro por tudo o que é mais sagrado, ele carregava a loucura neles. Ele escrevia com o sangue da vítima no chão quando o avistei, e precisei cobrir a boca para não gritar ou vomitar ali ao ver os intestinos para fora, mas não quero falar disso, desculpe, é difícil demais.

Vi seu rosto de relance, o suficiente para conseguir descrever algo para a polícia, porque eu sabia que não podia deixar alguém como ele se safar, já que reconheci a sua assinatura de outros crimes, mas isso me custou um alto preço: ele conseguiu ver que alguém o observava.

Saí correndo no mesmo instante, sabendo que a vítima não mais vivia após aquele assassinato brutal. Ouvi os passos pesados dele enquanto me seguia, mas não quis olhar para trás. Corri muito e para muito longe até chegar ao subúrbio onde bati desesperadamente na porta da primeira casa em que encontrei, felizmente a de um casal simpático que me permitiu entrar e chamou a polícia e meus pais quando relatei parcamente o que havia acontecido.

Quando ele chegou lá, os policiais tentavam me interrogar e eu estava em choque. Os olhos do assassino me perseguiam, as palavras escritas com o sangue fresco também.”

Kiba engoliu em seco, completamente envolvido pela narrativa de Shino, sem nem sequer ser capaz de imaginar o horror que ele havia sentido.

− O que estava escrito? – Arriscou perguntar.

− Dívida paga.— Shino ajeitou os óculos escuros sobre a ponte do nariz. – Era algo que sempre aparecia em suas cenas de crime, embora esse não fosse um detalhe divulgado pela mídia. Eu apenas descobri isso por conta da minha conexão com o caso quando o investigador chefe me contou.

“Eles disseram que tinham alguns suspeitos, mas que nunca chegavam a lugar nenhum, e que o que os intrigava nesses casos, é que a maioria das vítimas tinha alguma conexão com a Yakuza, em sua maioria, ou eram parentes de alguém relacionado a ela, mas não de uma maneira positiva – se é que posso colocar assim – e sim como devedores que pegavam grandes quantias em dinheiro ou que simplesmente traficavam algo para eles.

Quem descobriu essa conexão foi a agente infiltrada Yugaol, que fez parte da Yakuza por mais de dez anos passando informações para a polícia japonesa. Infelizmente, ela foi a vítima que encontrei naquele dia. Quando descobriram sobre seu papel como agente dupla, esse homicida a assassinou.

− Puta que me pariu, Shino! – Kiba soltou o palavrão sem se conter. – A Yakuza?!

− Sim. – concordou ele. – Era por isso que eu não podia simplesmente voltar para a minha vida, entende? Mas eu também não podia permitir que um assassino louco da Yakuza cobrasse dívidas das pessoas assim, então fui responsável por identificá-lo.

“Inicialmente, tudo o que fiz dele foi um retrato falado. Através dele, foram capazes de unir as anotações de Yugaol que seu parceiro Hayate havia conseguido recuperar e direcionaram a investigação para o assassino em questão. Mesmo assim, precisariam de uma identificação visual dele, e foi aí que tudo começou a piorar.

Recebi ameaças anônimas, e pessoas pareciam rondar a nossa casa mesmo com a proteção policial. Acharam por bem nos deslocar para outro lugar sem que eu pudesse avisar a ninguém, nem mesmo você, Kiba, e isso me partiu o coração. Porque eu sei que você poderia pensar bobagem, quem não pensaria em seu lugar? Não posso imaginar como esses anos sem nenhuma resposta foram torturantes, mas garanto que sofri em igual proporção sem poder enviar-lhe um postal que fosse.”

Kiba mal podia acreditar que, no meio de todo aquele caos, Shino pensava nele! E todo esse tempo, havia apenas pensado que ele tinha lhe abandonado ou que tinha sido tragado pela terra, porque ninguém havia visto os Aburame partirem!

− O que aconteceu depois disso? Conseguiu identificá-lo? Você disse que ele tinha morrido, não é? O assassino. Foi por isso que você pôde voltar para o país. – O pé de Kiba tamborilava nervosamente contra o chão enquanto falava, como se todas a ansiedade acumulada precisasse ser extravasada de alguma maneira.

− Quando conseguiram pegá-lo, fui levado para realizar a identificação junto com meu pai, já que era menor de idade. Em nenhum momento, fui forçado a realizar nenhuma dessas coisas, entende? Meu pai disse que eu poderia desistir se quisesse, mas a justiça deve prevalecer, Kiba, não importa o preço que se pague por isso.

“Então, eu o identifiquei. Mas enquanto o olhava através daquele vidro blindado e espelhado, sentia como se me encarasse, como se visse minha alma e todos os meus segredos. Nunca senti tanto medo na vida como no momento em que encarei aqueles olhos. Tive pesadelos com isso por anos a fio sem que conseguisse me recuperar até que você apareceu novamente. E ainda hoje... bem, você sabe.

Estava tudo certo para o julgamento. Ele aguardava preso na delegacia, mas no dia em que deveria ser levado, tudo deu errado. Os policiais que deveriam escoltá-lo, aparentemente, se descuidaram. Foi uma chacina dentro do DP, um verdadeiro show de horrores e matança. Naquele mesmo dia, Hayate apareceu na porta da casa onde eu estava morando temporariamente com meu pai, com dois passaportes, e nos mandou para fora do país. Disse que não aguentaria carregar nossa morte nas costas, pois o nome Aburame havia sido tingido com sangue por toda a delegacia. Meu pai sequer questionou, e embora eu tivesse insistido para vê-lo uma última vez, Hayate me informou que isso apenas te colocaria em risco, então desisti da ideia e entrei no avião com meu pai rumo à América.”

− Até o momento em que descobriu que ele estava morto.

− Sim. – Shino suspirou pesadamente, o ar escapando pelos lábios como quem tira um peso enorme das costas. – Eu queria ter te contatado, mas todos diziam que era melhor que eu não fizesse isso, que não deixasse nenhum tipo de rastro, pois aquele homem, que mais tarde eu viria descobrir que se chamava Akasuna Sasori, era um assassino insano e completamente descontrolado, mas que tinha seu valor para a Yakuza, ou teria sido simplesmente descartado. No entanto, ele pareceu ter desenvolvido alguma espécie de obsessão quando atrapalhei seu jogo e consegui escapar.

− Caralho, Shino, eu não sei nem o que dizer. – Tanto não sabia, que tremia, e não era de frio. Aburame o puxou para perto de si, aconchegando-o em seu peito. – Eu só sei que queria ter estado com você para te apoiar.

− E abandonar sua família? Eu não poderia permitir isso, Kiba.

− Mamãe entenderia, a Hana também. – Kiba apertou os dedos sobre o tecido da túnica que Shino usava. – A nee-chan sempre me disse que você não iria embora assim sem motivo, eu deveria ter confiado nela! Fui um cego!

− Não se culpe por isso. – Shino pediu, erguendo o queixo de Kiba para lhe beijar a boca suavemente. – Qualquer um teria feito o mesmo no seu lugar.

− Não você. – Kiba rebateu.

− Não sou perfeito, Kiba, e sabe disso, mas não adianta se prender a erros do passado agora, apenas não queria que pensasse que eu estava escondendo isso de você. Não importa mais de toda forma, pois Sasori está morto. Quando a polícia o pegou pela segunda vez, ele se matou. Disse que preferia isso a apodrecer em uma cela de prisão onde ninguém compreenderia sua arte, e que assim ele seria eterno.

− Isso soa apenas idiota pra mim. – Inuzuka aspirou o perfume de Shino em seu pescoço. Tinha um cheiro amadeirado e ligeiramente forte. Combinava com ele. – Mas o que importa é que você está aqui agora e que estamos juntos.

− Hn. – Shino concordou, beijando o topo de sua cabeça. – Eu não vou mais embora, Kiba, nunca mais vou te deixar.

− E eu nunca mais vou te soltar. – Kiba abriu um sorriso de canto, erguendo o rosto para beijá-lo. Agora que Shino havia voltado para sua vida, jamais deixaria que partisse para longe dele novamente. Iria nem que fosse ao inferno atrás dele se tentasse! Ah, se iria!

Notas finais
Link: https://fanfiction.com.br/historia/753299/The_Puppet/ The Puppet é uma história minha que envolve horror, mistério e violência, com aquele clima policial de suspense. Quem curtir o estilo, o link tá logo acima! O que dizer desse capítulo? Ele tá meio que pronto na minha cabeça desde o início da fic - na verdade desde que eu escrevi O Leilão - e ele revela muito a respeito do Shino e do por que ele precisou ir embora. Ah, estarei viajando a partir de amanhã, então essa fic, que ainda tá com capítulos guardados, continuará sendo postada normalmente. As outras, só quando eu voltar. É isso aí, gente má! E então, gostaram? Críticas? Dúvidas? Aguardo vocês nos comentários e nos vemos no próximo!