Sugar Daddy

24 Finalmente, o grande dia! (Parte I)


Notas iniciais
Finalmente chegamos ao casamento! Dividido em três partes! Boa leitura!

O mês passou com tranquilidade e logo os preparativos para o casamento estavam praticamente completos. Kiba mal podia acreditar em como o tempo havia corrido! Mal tinha tido a chance de conhecer as praias de Suna!

Naruto havia vindo acompanhado de Hinata, Neji, Chouji e Karui há cerca de dez dias, escolhidos a dedo por Kiba para ajudarem a montar o cardápio para o casamento. Ino achou ótimo! Pois ao lado deles, Hozuki Suigetsu estaria na cozinha para a preparação das comidas sunenses, o que significava que teriam um cardápio bastante misto.

Para tanto, Shino havia fretado o jatinho da empresa com o intuito de trazer seus convidados especiais e toda a comida que não era comum em Suna para que fosse preparada por eles, pois alguns caprichos de Kiba, como o bolo confeitado com morangos e chocolate, precisava de ingredientes frescos ou estragariam rapidamente.

Kiba achou que teria a oportunidade de ver o melhor amigo, de conversarem, mas a postura de Naruto na cozinha mostrava que ele não estava ali para férias, e que levava o trabalho muito a sério. Inuzuka estava extremamente orgulhoso, mesmo que sentisse um tantinho a falta dele!

Mas ele também não tinha muito tempo, visto que vinha acompanhando Shino e Ino em reuniões importantes a respeito da empresa, onde terminavam vez ou outra fazendo acordos com Gaara visando a melhoria do país com o auxílio da tecnologia de Shino.

A fusão havia sido um sucesso. Sasuke havia terminado de revisar os últimos contratos, apenas modificando uma coisa ou outra na companhia de Temari, a advogada responsável pela Yamanaka Interprises, antes que fechassem o acordo que foi televisionado em canais importantes em Suna, e até mesmo no Japão, pois aquele era um passo importante entre os dois países.

Shino e Kiba pareciam mais unidos que nunca após a conversa franca que haviam tido. Colocar tudo em pratos limpos trouxe um alívio que Aburame não sentia fazia tempo, tanto que passara a dormir melhor depois disso. Com o apoio de Kiba, deu o aval para que Kankuro encontrasse seu pai, embora o irmão de Gaara já estivesse trabalhando nisso.

E finalmente, o grande dia havia chegado.

Como era costume, os noivos dormiram em quartos separados – não queriam motivo pra azar! – e Kiba sentiu-se estranho por, pela primeira vez em três meses, estar dormindo longe de Shino.

Hana entrou no quarto dando batidinhas leves na porta, encarando o irmão mais novo que andava de um lado para o outro, prestes a abrir um buraco no chão. Deu uma risadinha, aproximando-se dele enquanto Kiba tentava dar o nó na gravata. Estava bem vestido, em um fraque completamente branco feito sob medida, sapatos lustrosos de mesma cor, e o fitilho vermelho pendurado no pescoço. Os cabelos ainda úmidos estavam rebeldes, espetados para cima, da maneira selvagem dos Inuzuka.

− Você sempre foi péssimo com nós de gravatas, irmãozinho. – Aproximou-se, alinhando a gravata e dando o nó em borboleta. – Por que vermelho?

− Combina com a minha maquiagem. – Kiba sorriu, arteiro, sentando-se de frente para o espelho, passando a desenhar os triângulos vermelhos sobre o rosto e fazendo Hana arquear as sobrancelhas no processo. – Quando me reencontrei com Shino e comecei a trabalhar para ele, assinei um contrato sem ler, e havia algumas clausulas com particularidades como essa. Embora ele tenha dito que não é mais preciso, criei certo carinho por isso, não posso negar.

O riso contagiante de Kiba preencheu o ambiente.

− Deixe-me fazer isso para você. – Hana tomou o pincel das mãos do irmão caçula, um sorriso suave no rosto enquanto terminava o trabalho que ele havia começado. – Está nervoso?

− Um pouquinho. – A expressão de Kiba não se deixava enganar.

− Não se mexa, otouto. – Hana ralhou enquanto terminava de ajeitar a maquiagem, optando por não fazer nada além disso, pois Kiba não precisava. Levou as mãos até os fios rebeldes, ajeitando-os de maneira que ficassem ao menos apresentáveis, já que sabia que nada no mundo poderia acalmar a fúria daqueles cabelos. – Pronto.

Hana virou-o de frente para o espelho e o sorriso de Kiba iluminou a expressão já alegre. Era incrível como ele parecia jovial, ainda que elegante. Os cabelos estavam um pouco mais longos desde a última vez que o vira, já que agora o Inuzuka mais novo andava muito ocupado com o trabalho e o curso de teatro que vinha fazendo.

− Caralho, eu tô bonito pra porra! – Kiba olhou-se em todas as posições possíveis, passando as mãos suavemente pelas dobras do terno elegante.

− E pelo visto continua muito humilde. – Hana conteve o ímpeto de apertar-lhe as bochechas. – Estou muito orgulhosa de você, otouto. Nesse último ano, você cresceu tanto e aprendeu tantas coisas. Sei que você acha que mamãe não apoia seus sonhos de atuar no teatro, mas a verdade é que ela só se preocupa com você e com seu futuro.

“Ela é orgulhosa e nunca te disse isso, mas sofreu muito quando você foi embora de casa, prometendo que não voltaria até que se tornasse um ator de prestígio. Por vezes, tudo o que ela queria era ir atrás de você para ter certeza de que não estava passando fome, e constantemente enviava Naruto como um emissário para encher sua despensa, mas com o tempo você começou a notar e ela teve que parar com isso.”

− Sei disso, nee-sama, Naruto me disse há um tempo atrás, aquele linguarudo. Fui eu quem pedi para que ele parasse com isso, porque não era certo eu sugar de vocês quando tinha prometido que me viraria sozinho. – disse ele. – Não significa que eu não amava vocês, e sei que fui um metido arrogante, porque deveria ter conversado melhor com mamãe ao invés de só ter batido o pé e saído de casa, mas fico feliz com todas as vezes em que ela me acolheu lá e puxou minha orelha, porque se não fosse por ela, eu talvez tivesse desistido há muito tempo.

Hana passeou os dedos pelos cabelos de Kiba em um cafuné suave.

− Tenho certeza de que ela se orgulha de você, e eu também me orgulho muito.

− Mas eu não fiz nada.

− Cresceu tanto em tão pouco tempo, otouto. Eu jamais imaginei que o garotinho birrento que saiu da nossa casa naquele dia se tornaria um homem tão bonito e cheio de planos para o futuro. Capaz de cuidar de si mesmo e do namorado. E agora você vai se casar! – Hana sentiu os olhos marejarem em lágrimas.

− O-oe! Não chore! – Kiba apressou-se em entregar para a irmã um lencinho, e recebeu um abraço apertado em resposta.

Tsume, que ouvia tudo escondida atrás da porta, apenas sorriu e engoliu o choro, orgulhosa dos dois filhos que havia criado.

X

Do outro lado, Shino terminava de ajeitar o fraque negro que Ino havia escolhido, dizendo complementar os trajes de Kiba como se eles fossem Yin e Yang. A gravata borboleta tinha um tom clarinho de azul celeste e Aburame se perguntou se Kiba conseguiria dar o nó sozinho.

Bem, não era como se ele não tentasse fazer aquilo todos os dias antes de ir para o trabalho, mas tinha o péssimo hábito de deixar a gravata desalinhada, e aquilo dava coisas em Shino por conta de sua mania de controle e organização. Com o tempo, para Kiba se tornou mais cômodo não usar a gravata ou, quando a usava, permitir que o noivo fizesse o nó para si.

Ouviu batidas na porta e inclinou o rosto para o lado; não esperava ninguém de seu lado, já que Kiba estava se arrumando – e insistira dar azar se verem antes do casório – e Ino também.

− Pode entrar. – disse ele, ajeitando a gola da camisa para deixar a gravata por dentro. Faltava apenas vestir as duas peças restantes do fraque e estaria perfeito.

A porta se abriu sem fazer ruído nenhum. Shino ainda se arrumava de frente para o espelho quando, de relance, reconheceu naquele rosto a própria velhice. Seus dedos chegaram a vacilar e os olhos se arregalaram ao vê-lo ali; Kankuro realmente havia conseguido.

− Olá, filho, quanto tempo. – disse Shibi. – Como você está?

Para muitas pessoas, pareceria simplesmente que Shibi não tinha coração ou noção dos acontecimentos como um todo, mas para Shino não era assim que as coisas funcionavam. Ele observou o pai através do reflexo no espelho, a barba bem feita, e os óculos de lente escuras e ovais ocultando os olhos que levavam a mesma condição genética das de Shino, e concluiu que nada havia mudado. O pai trajava um blazer escuro elegante, uma camisa social branca com uma calça social preta e sapatos lustrosos que combinavam o conjunto. Devia estar agora pela casa dos cinquenta e dois anos, mas parecia um pouco mais jovem apesar dos fios grisalhos despontarem na cabeleira escura.

− Pai. – Shino o cumprimentou de maneira comedida. Correr e abraçá-lo não era o tipo de atitude coerente que um Aburame teria, mas aproximou-se dele, observando como o pai parecia estar bem, e como ainda usava o mesmo perfume da última vez em que haviam se visto. – Estou bem, e o senhor?

− Ótimo. – respondeu, notando o nó frouxo na gravata de Shino. – Posso?

Ele acenou com a cabeça mediante o pedido do pai, não sabendo muito bem como reagir em sua presença. A última vez que haviam se visto não fora sequer uma despedida, e havia sido a escolha de Shino que os havia afastado, muito embora o filho não se arrependesse disso. Afinal, acreditava que o pai havia estado mais seguro assim, e era mesmo verdade.

− Mal acreditei quando vi suas primeiras pesquisas sendo publicadas. – disse ele, medindo os dois lados da gravata antes de começar a dar o nó. – Sempre soube o quanto você era incrível e capaz, mesmo antes de entrar para a escola. Parece o tipo de coisa que todos os pais falaram para os filhos, não é?

Shino permaneceu em silêncio, pois sabia que o pai ainda não havia acabado de falar. E era tão raro vê-lo expressando tantas palavras assim!

− O que quero dizer é que fiquei imensamente orgulhoso. Não pela fortuna que você fez sozinho, isso foram apenas frutos colhidos por um trabalho bem feito. Mas você desenvolveu uma pesquisa que visa ajudar na polinização das flores pelo mundo, uma vez que as abelhas estão praticamente extintas.

“Eu vi todo o seu trabalho, desde o primeiro artigo científico publicado até o momento em que você patenteou seus nano-robôs. Observei cada avanço público de suas pesquisas, e tenho impresso cada jornal onde alguma notícia sua saía – fato muito difícil já que você é muito reservado. Por tantas vezes, eu quis te procurar, Shino. Quis ir atrás de você e dizer o quanto estava orgulhoso por todo seu trabalho, mas sempre tive receio que, ao me aproximar, as coisas acabassem dando terrivelmente errado. E passei um longo período em viagens, descobrindo um amor que há muito tinha perdido: o de escavar fósseis antigos como o arqueólogo que um dia fui.

Decidi que me dedicaria à carreira, dando seu espaço para crescer e estando por perto quando você decidisse que era o momento certo. Quando aquele homem me achou em meio às minhas escavações no Egito dizendo que você se casaria, quase não acreditei. E com Kiba. O destino trabalha de maneiras engraçadas, não é mesmo? O que quero dizer com todo este papo que não é do meu feitio, é que estou feliz por você, meu filho. Sei que ainda realizará grandes coisas, e, se me permitir, a partir de agora estarei ao seu lado para ajudá-lo sempre que puder.”

Shino, que não era de muitas emoções ou palavras, não sabia o que dizer. Apenas deu um passo para frente e abraçou o pai, ato este que pegou Shibi completamente desprevenido, mas ele retribuiu o abraço do filho.

Afastaram-se apenas ao ouvirem batidas desesperadas na porta, e Ino entrou como um furacão ali.

− A-ah, não sabia que tinha companhia, Shino-kun. – Ela parou e arqueou as sobrancelhas ao notar a semelhança entre os dois. – Estão se multiplicando?

Shino quase engasgou diante daquilo, mas Shibi abriu um sorriso singelo.

− Esta é Yamanaka Ino, otou-sama. Pode-se dizer que é o mais próximo que tenho de uma família depois do senhor e de Kiba. – Ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz.

− É um imenso prazer conhecê-la, Yamanaka-san. – Shibi curvou brevemente a cabeça. – Obrigado por ter cuidado do meu filho. Devo me retirar agora, estarei assistindo à cerimônia.

Shino acenou com a cabeça para o pai, que deixou o quarto para que ambos pudesse conversar. Ino assoviou e olhou para Shino.

− Se você envelhecer como ele, Kiba estará bem servido!

Shino pigarreou, como querendo tirar o foco de sua atenção da imagem mental que lhe viera à mente. Somente naquele momento parou para observar Ino. Esperava que ela se casasse com alguma espécie de indumentária parecida com as túnicas que eles utilizavam ali, mas ela trajava um belo kimono branco, com sakuras desenhadas que se espalhavam conforme floresciam pelo tecido de seda. Por cima, ela usava uma haori também branca com detalhes dourados e mais sakuras que se abriam em lindas pétalas. O penteado era um coque alto, com alguns fios soltos que delineavam o rosto, onde um pente cravejado com uma pedra de jade se prendia à sua cabeça para complementar a vestimenta.

Aburame havia perguntado à Kiba como ele queria se casar e, embora ambos fossem japoneses, o sonho dele sempre havia sido se casar em um fraque elegante como aqueles do filme de 007, um de seus espiões favoritos. Como Shino havia lhe prometido o casamento dos sonhos, questionou para Ino e Gaara se teria algum problema caso eles se vestissem daquela maneira, mas ambos disseram que não, pois o mestre de cerimônias não visaria uma religião, visto que ela e Gaara tinham conceitos diferentes e crenças diferentes, mas, para demonstrar que os laços com o Japão eram estreitos, Gaara decidiu que utilizariam seus trajes cerimoniais, mas que fariam daquilo uma troca de votos singela, sem que se prolongassem demais com nenhuma das duas culturas, e Ino não poderia concordar mais.

− Estou bonita? – perguntou com um ar de boneca, escondendo-se por trás do leque que trazia consigo.

− Estonteante. – Shino abriu um sorriso singelo para a amiga, terminando de abotoar os botões das mangas do terno que usava.

− Queria te pedir um favor, Shino.

− Diga.

− Sabe que meu pai faleceu há alguns anos, não é? Mais ou menos no período em que terminei a faculdade, e tive que retornar ao Japão para retomar os negócios da família mais cedo do que eu previa. – Shino anuiu com a cabeça, fazendo um sinal com a mão para que Ino continuasse a falar. – Eu gostaria que... gostaria que você me acompanhasse até o altar. Ia pedir isso quando era meu padrinho, mas depois vocês decidiram se casar conosco e... gostaria que entrássemos juntos.

A insegurança era visível nas palavras de Yamanaka. Não o receio, mas o medo comum de caminhar sozinha quando todos os olhares estavam voltados para si. Shino entendia aquela sensação, pois odiava ser o centro das atenções, embora jamais esperasse algo do gênero de Yamanaka Ino.

Mas, ao encará-la daquela forma, tão mulher e ao mesmo tempo tão menina, compreendeu que tudo o que era queria era ter alguém familiar por perto de quem pudesse segurar o braço ou apertar a mão enquanto faziam aquele percurso.

− Claro. Será um honra acompanhá-la, Ino.

O sorriso dela iluminou o rosto, e os olhos marejaram ao ponto de as lágrimas quase transbordarem, mas se conteve, abraçando-o bem apertado.

− Estou feliz que vamos dividir esse momento, Shino. Sempre torci muito para que você o reencontrasse novamente.

− Eu sei, Ino, eu sei.

Permitiu que o abraço perdurasse por mais um momento, mas estava feliz. Finalmente se casaria com o amor de sua vida, e acreditava que, a partir daquele momento, as coisas apenas se encaminhavam para que a vida lhes desse um futuro maravilhoso.

Notas finais
Como dito antes, estou viajando e deixei os caps programados pra que vocês não fiquem sem! Vejo vocês nos comentários, pessoal! Até a próxima!