Sugar Daddy

25 Finalmente, o grande dia! (Parte II)


Notas iniciais
Retornando das férias, o capítulo veio com um pouquinho de atraso! Boa leitura!

Os olhos esmeraldinos olharam em volta. Cada um dos conselheiros ali presente continha mais idade do que a soma das idades dos três irmãos da areia, como os Sabaku eram conhecidos por ali. Gaara sabia que sua união com Ino não seria nada fácil; havia lutado contra uma série de preconceitos estabelecidos pelo próprio povo e sobretudo pelos conselheiros anciões que queriam que ele se casasse com uma princesa do reino vizinho também.

Mas tudo isso havia sido superado quando Ino conquistou a todo o povo, inclusive ganhando um espaço no coração de todos os presentes. Gaara havia sido muito incisivo ao dizer que não se casaria por negócios ou para manter uma imagem bonita aos olhos dos olhos, e que Yamanaka era a mulher com quem se casaria. Se isso havia gerado atritos e pessoas desgostosas? Com certeza. Mas também havia trazido consigo uma potência aliada: o Japão. E mesmo que seus conselheiros quisessem torcer a cara para a decisão tomada por Gaara, a verdade é que seu povo aprovava aquilo.

Quando ele optou por um casamento regido apenas por um mestre de cerimônias, devido ao choque de culturas e de religiões que ele e a noiva possuíam, uma vez mais os conselheiros ralharam com o príncipe, pois aquela não era a atitude que a realeza deveria demonstrar para com seu povo. Não. Eles deveriam seguir a seu deus, Rikudou, e reverenciá-lo em toda e qualquer situação. O casamento deveria seguir os padrões sunenses e Ino deveria se adaptar a isso se quisesse fazer parte da família real.

Gaara se lembrava de todo o jogo de cintura que havia tido para provar seu ponto de vista: que quando duas culturas diferentes se uniam, ambas deveriam ter o direito de se expressar da maneira que achavam melhor. E ele e Ino tinham optado por uma união onde expressariam o seu amor através de seus votos, com um discurso bonito por parte do mestre de cerimônias, e nada mais.

Uma vez mais, o príncipe Kazekage foi motivo para burburinhos que, segundo os conselheiros, enfraqueciam o seu poder diante do povo, mas embora algumas pessoas tivessem se chocado perante sua atitude, tantas outras o reverenciaram! Lembrando-se do período onde o avô de Gaara era o regente, com seu punho de ferro, e sem permitir que as pessoas expressassem outro tipo de religião que não fosse aquela voltada ao deus Rikudou.

Todavia, Rasa havia permitido que outros deuses fossem reverenciados; Gaara havia aberto a porta para outras culturas – ainda recentes – e abraçado pessoas de outros países para que pudessem encontrar em Suna um abrigo ou até mesmo um novo lar.

Sabaku no Gaara, o príncipe regente de Suna, havia feito muito por seu país nos dez anos desde que assumira o governo, embora, até os vinte e um, cada decisão sua tivesse sido ponteada por negativas ou pitacos dados pelos próprios conselheiros que estavam ali desde a época em que seu avô era o rei – e aquela era uma posição vitalícia que não podia ser revogada, e Gaara nem queria algo assim. Que tipo de imagem passaria ao próprio país ao tirar do poder aqueles homens que haviam lhe criado, ainda que com ideais ultrapassados e, muitas vezes, deturpados?

Entretanto, uma vez mais, eles haviam lhe desafiado – e no dia de seu casamento. Gaara, que havia terminado de vestir o kimono cerimonial completamente negro, apenas estreitou os olhos enquanto encarava os três homens diante dele.

− O que você estava pensando?! – Um dos anciões se manifestou, ao que Gaara permaneceu em silêncio, pois sabia que o homem ainda não havia acabado de falar. – Depois de tudo, Gaara, francamente! Trazer dois traidores do gênero para se casarem ao seu lado! Em uma cerimônia tão importante! Já não bastava tudo o que fez? Quer matar o nosso povo de desgosto ao trair nosso deus ancestral Rikudou dessa maneira?! Já não basta o fato de termos atendido cada um de seus caprichos?

Francamente, o ruivo começava a se cansar disso. Compreendia que certas mentes eram pequenas demais para entender certas coisas, que os anciões haviam sido criados em um período diferente, com uma cultura completamente distinta, mas Gaara não. Ele havia crescido sob os olhos de Rasa e Karura, fora introduzido aos moldes de um mundo moderno abraçado pelos pais que apenas queriam o melhor para os filhos e para o país. Era simplesmente exaustivo demais ter que lidar com os mesmos problemas sempre – não que já não soubesse, ao aceitar o pedido de Ino para que os amigos gays se casassem junto dele, que teriam dificuldades. O que não esperava era que, após tudo ter sido decidido, os três se reunissem em um motim contra ele. E isso incluía sua madrinha de batismo, Chiyo.

− Atendido meus caprichos. – Gaara pontuou de maneira sensata, vestindo a haori escura por cima do kimono. Até o momento, olhava-os pelo espelho, mas girou nos calcanhares até virar-se na direção deles. – Até hoje, em toda minha vida, tudo o que fiz foi admirar e respeitar o trabalho de vocês, sabendo impor os meus próprios desejos e colocando como prioridade o bem-estar de meu povo como acredito que também seja a vontade dos senhores. Acatei cada conselho, e até mesmo as ordens que me deram quando me tornei o príncipe praticamente comandado pelas suas vontades, sempre sopesando suas opiniões em cada decisão minha.

“Tudo o que me dizem é levado em consideração, mas eu não aceitarei, sob hipótese alguma, que me impeçam de fazer algo, apenas porque não são capazes de ver que o mundo seguiu adiante e nós também. Rikudou tem a sua palavra, mas acima de tudo, e de todas as coisas, tanto ele quanto a deusa Kaguya, nos ensinaram sobre o amor, e não acredito que vocês tenham se esquecido disso: que o amor é o que nos salva, tanto que é o símbolo que tenho tatuado em minha testa. E não vou permitir que seus pensamentos retrógrados continuem freando pessoas que se sentem inibidas em expressar-se como realmente são em nosso país porque vocês acham que as coisas precisam continuar dessa forma. Irei apoiar o casamento de meus amigos, eles dividirão o momento da nossa união, e vocês podem aceitar isso e tentar aprender a conviver com a ideia ou podem se retirar da cerimônia.”

Os dois anciões estavam boquiabertos. Tentavam inutilmente articular qualquer palavra que fosse, mas nenhum som saía de suas bocas. Pasmos. Sem jamais esperarem que o jovem Gaara, sempre tão dócil, agisse daquela maneira. Chiyo, no entanto, caiu na gargalhada, abraçando os dois outros velhos por cima dos ombros.

− Esse garoto! Não deixa de nos surpreender, não é? – Ela ainda gargalhava sonoramente, chegando a deixar o próprio Gaara sem reação. – Algumas coisas não são tão simples de serem mudadas ou aceitas, acredito que você saiba disso, meu jovem. Mas acredito que você tenha razão, e a despeito desses dois velhos cabeças duras que temos aqui, o mundo foi mesmo adiante. Não é desrespeito com nossa religião reconhecer isso. Você tem sido um príncipe maravilhoso para nosso país, Gaara, e tenho certeza de que será um rei ainda melhor.

− Chiyo! Pare de passar a mão na cabeça desse moleque! Não ouviu nada do que ele disse?! – O velhote estressado prosseguiu.

− Talvez... talvez nós tenhamos mesmo ficado ultrapassados, velho amigo. Deveríamos escutar o que Gaara disse, ou ao menos dar uma chance a ele. Sei que muitas coisas são diferentes de nossa época, e até mesmo difíceis de acertar, mas quantas outras o jovem mestre não realizou visando sempre o melhor para o nosso povo? Mesmo quando ele queria muito ir contra certas coisas em prol daquilo que acreditava? De suas próprias especulações?

Traído! Por seu melhor amigo! Mal sabia como reagir!

− Isso ainda não acabou, meu jovem! – O mais velho entre os três rebateu, retirando-se, e o outro homem foi ao seu encalço, mas Chiyo ficou para trás, o sorriso tomando conta dos lábios enrugados.

− Acredito em você, querido, e em sua incrível capacidade para governar este país. – Deu leves tapinhas no rosto de Gaara. – Não deixe que um bando de velhotes te intimide, querido, siga sempre o seu coração.

− Obrigado por me apoiar, vovó. – O príncipe fez uma breve reverência para a velha senhora, que dispensou o gesto abanando uma das mãos. Podia não ser a avó de Gaara por laços sanguíneos, mas praticamente havia criado o menino ao lado de Karura e Rasa.

− Agora vá se casar, moleque, pois até onde sei, é a noiva quem se atrasa para a própria cerimônia!

Em resposta, Gaara apenas sorriu, sentindo-se feliz por saber que, apesar das adversidades, sempre teria com quem contar.

X

O jardim do palácio havia florescido em uma estação de arco-íris. Gaara nunca imaginou que veria tantas cores em seu país, mas sentia-se encantado pelo trabalho que Ino e Shino haviam feito ali, os dois eram realmente incríveis. E ele esperava que, dentro de pouco tempo, seu país inteiro pudesse prestigiar aquela beleza de perto, em suas ruas, nas casas, em qualquer lugar. Seria difícil? Com certeza. Pagaria caro por aquilo? Definitivamente. Mas se melhoraria a qualidade de vida do povo de seu país, valeria a pena.

Diante dele, o mestre de cerimônias sustentava um sorriso tranquilo que trazia paz a todos ao redor. Imaginou se todas as pessoas que presidiam aquele tipo de evento eram como ele, ou se era apenas uma singularidade do homem contratado por Temari.

A verdade é que estava nervoso como nunca antes estivera na vida: a ideia de casar-se com Ino e passar a vida toda ao seu lado era maravilhosa, mas ao mesmo tempo assustadora.

Estava no final do tapete vermelho, abaixo das pilastras de alabastro que haviam sido trazidas pelos decoradores, repletas com vinhas de roseiras brancas e vermelhas que tinham sido escolhidas por Kiba e Ino.

E, por falar em Kiba, o rapaz estava elegante do lado oposto ao seu. Ele abriu um sorriso cheio de dentes ao ver o príncipe ali, aproximando-se de maneira pouco discreta com seu jeito espalhafatoso. Estava bonito em seu terno branco, Gaara precisava admitir.

− Nervoso? – perguntou Inuzuka, recebendo um aceno positivo com a cabeça de Gaara. – Eu também, nervoso pra um senhor caralho, mas acho que isso é bom, sabia?

− Bom? – Gaara inclinou o rosto para o lado, um tantinho confuso. – Como estar nervoso pode ser algo bom?

− Acho que é como aquele salto que damos do alto da colina para o lago quando somos crianças, sabe? – Gaara nunca havia feito isso, mas captou a ideia do que Kiba queria expressar. – No começo a gente tem um fodendo medo de pular. Fica com aquele receio, porque acha que vai se esborrachar até chegar lá embaixo, ou que alguma coisa vai dar errado pra porra.

“Mas aí, você tem aquela pessoa do seu lado que te encoraja, que segura sua mão, que é responsável por te dar aquele empurrãozinho ou que salta com você ao mesmo tempo. E você percebe que as coisas não são tão ruins assim, e que é até mesmo divertido! Claro que dá um medo do caralho de não conseguir emergir lá do fundo de novo, e ainda dói feito surra de mãe quando você cai de barriga, mas vale totalmente a pena! Não sei se deu pra entender o que eu quis dizer, mas é mais ou menos como eu me sinto.”

A explicação era um tanto confusa, mas, para falar a verdade, Gaara havia entendido sim.

− Obrigado.

Ia dizer algo além disso, quando ouviu a música começar a tocar pela banda contratada por eles. O som ecoou audível e todas as pessoas se colocaram de pé quando Aburame apareceu na ponta do tapete vermelho de braços dados com Ino, e Gaara achou que nunca a havia visto tão bela quanto naquele momento.

Yamanaka havia optado por não utilizar o wataboshi, apenas o kimono cerimonial, e Gaara concordou com aquilo, tendo estudado o bastante para compreender a cultura por trás daquilo, uma vez que tanto ele, utilizado durante a cerimônia religiosa, quanto o tsunokakushi, representavam a obediência da mulher ao marido após o casamento, e não era aquela a mensagem que os dois queriam transmitir para o povo.

(Além disso, aqueles chapéus são muito feios e fora de moda, Gaara!)

− Puta que o pariu, eu tô bonito e você tá jeitosinho, mas meu futuro marido é um gato e a Ino tá um arraso! – Kiba não segurou a língua enquanto eles se aproximavam, o caminhar lento em suas direções.

− Acho que você tem razão. – Gaara não conseguiu conter o sorriso singelo nos lábios. – Acho que você tem toda a razão.

Em toda sua vida, jamais imaginou que teria um momento mágico como aquele, quando Shino entregou a mão de Ino para ele.

− Cuide bem dela. – murmurou. Gaara acenou com a cabeça.

− Vamos saltar juntos para o lago, Ino.

− Eh?

Kiba apenas deu um risinho. Ela não havia entendido, mas ficou contente ao ver como Gaara parecia em paz naquele momento. E feliz, genuinamente feliz.

Notas finais
Bb filosofando é um amor, sim ou claro? No próximo capítulo, a parte final do casamento! Nos vemos nos comentários!