Sugar Daddy
26 Finalmente, o grande dia! (Parte Final)
Notas iniciais
Na época da escola, antes de conhecer Kiba e Naruto, Aburame Shino era considerado um cara estranho, ligeiramente apreciado pelas meninas no período vampírico, mas, em um contexto geral, estranho.
Tinha aquele gosto peculiar por insetos que passava o intervalo todo observando e coletando, dos quais fazia anotações e, quando não estava perdido entre aquele hobby, simplesmente escondia-se do mundo para que não o incomodassem em seus jogos virtuais.
A verdade é que Aburame Shino não sabia como abordar as pessoas pedindo para que se tornassem suas amigas. Sempre ficava nervoso demais e forçava sorrisos que pareciam tenebrosos ou assustadores. Passou então a esconder parcialmente o rosto atrás de casacos de golas altas que apenas fizeram com que as garotas suspirassem ainda mais com a febre vampírica. Quisera Kiba ter aquela sorte com elas! Mas simplesmente preferia perder tempo correndo por aí na companhia do melhor amigo, Uzumaki Naruto, companheiro de traquinagens e que, por via de regra, acabava sempre na diretoria com ele, o que fazia as visitas de Jiraya e Tsume serem praticamente semanais à escola, e a detenção quase diária.
Foi em uma dessas detenções que acabaram se conhecendo. Shino era um garoto correto, que buscava manter as notas com médias altas, e que fazia atividades extracurriculares voltadas para ciências e não para o esporte. Todavia, os garotos haviam achado por bem brincar com a fazenda de formigas que Aburame havia montado como projeto para a feira de ciências, onde explicaria como funcionava a hierarquia e a cadeia de comando daqueles insetos em sua apresentação – a bem da verdade, Shino queria trabalhar com abelhas, mas os professores consideraram o experimento perigoso demais e o vetaram, mesmo que ele insistisse que seria muito mais interessante, uma vez que havia um grande declínio na fauna daqueles animais que logo entrariam em risco de extinção segundo suas pesquisas – e acabaram soltando todas elas dentro da sala de aula.
Resultado: Shino, que parecia um garoto franzino e indefeso apesar de sua altura, demonstrou-se muito habilidoso com os punhos ao socar todos eles ao ponto de ir parar na diretoria, com os óculos tortos e uma marca roxa no rosto – mas eles haviam levado a pior! A sua sorte foram as notas impecáveis e a promessa de que aquilo não mais aconteceria. Passaria duas semanas em detenção, indo todos os dias auxiliar os alunos que, além do mau comportamento, precisavam de boas notas.
Agora, quinze anos mais tarde, Shino observava um daqueles moleques sorrindo para ele enquanto aproximava-se do altar. E mal podia acreditar em como Kiba havia crescido tanto naquele período e em como havia virado sua vida do avesso! Quem diria que o tétrico e certinho Aburame Shino se assumiria gay ao pedir em namoro o garoto mais traquina da escola durante o Valentine’s Day? O mesmo garoto com quem havia tido encontros e desencontros na vida até que chegassem ao instante em que estavam. Tanta coisa havia acontecido... tantos sofrimentos e momentos perdidos.
Todavia, haviam prometido não mais pensar nisso. Era o futuro que importava, e ele começava agora.
− Queridos amigos, familiares e povo de Suna. – A voz do mestre de cerimônias reverberou. A aparência tranquila do homem transmitia serenidade a todos, e sua voz grave preenchia o ambiente. Tinha a pele queimada pelo sol, dourada, e um sorriso que alcançava a todos. Os longos cabelos castanhos estavam soltos, caindo como uma cascata sobre os ombros largos e fortes que contrastavam com a imagem sacerdotal que Kiba imaginaria que um homem como ele deveria ter. – Estamos aqui reunidos para um momento de alegria e união, um momento onde dois casais decidiram se unir através dos laços do matrimônio, tornando-se uma única alma em dois corpos.
Os músicos, que até então tocavam uma música suave, pararam para deixar que o irmão mais velho prosseguisse.
“Casar-se não é apenas um ato de assinar um papel, mas um momento ímpar na vida de um casal. É quando eles decidem que estão preparados para o passo mais importante de suas vidas, quando deixam de seguir caminhos separados para se unirem em uma só força. Acredito nisso, queridos convidados, pois foi o que aconteceu comigo, e creio que, seja lá no que vocês acreditem, estejam destinados a encontrarem alguém assim, se não nessa vida, em outra. E hoje estamos aqui para ver como Gaara e Ino vão se tornar uma só entidade capazes de governar este país. Estamos aqui para ver como Shino e Kiba, apesar de todas as dificuldades que passaram, irão vencer mais este obstáculo, pois o amor não se importa com o gênero, a personalidade, ou qualquer outro tipo de empecilho que seja colocado diante dele. O amor vê apenas a pureza e a clareza deste sentimento que, como diria um velho amigo, queima como o fogo da juventude dentro de nós! Por isso, queridos irmãos, eu acredito que a união de todos eles, seja abençoada, porque o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta¹.”
Os olhos de todos marejaram diante das palavras de Hashirama. Mito, sua esposa e componente da banda, levou as mãos ao peito, orgulhosa do homem com quem havia se casado. Mesmo vinte anos depois, ele continuava o mesmo romântico incorrigível de sempre! E ela o amava por isso. Sabendo que havia falado demais, Senju acenou com a cabeça, encorajando o primeiro casal, Gaara e Ino, a falarem seus votos.
− Gaara, − Ino começou sem titubear enquanto segurava as mãos do noivo. Nunca achou que seria tão completamente preenchida por alegria quanto era agora, mesmo que seus pais não estivessem ali presentes para ver a mulher que havia se tornado. – quando eu deixei de acreditar no amor para me entregar completamente ao ofício do meu trabalho, eu conheci você, e, conhecendo-o, achei que havia encontrado a perfeita definição para apatia. Foram precisas muitas discussões nas aulas de Ciências Políticas até eu compreender que a única palavra que poderia defini-lo era o amor e a paixão que você empregava em cada coisa que fazia, mesmo sem perceber.
“Era a sua coragem em enfrentar o mundo mesmo tendo que carregá-lo em suas costas sendo tão jovem após a morte de seus pais, olhando por toda uma nação que temia que alguém tão jovem assumisse o poder e acabasse afundando o país em tempos de guerra. Mas você se mostrou um líder nato, valoroso como seu pai, e carregando os traços de amor que sua mãe empregou em você. Tenho certeza que esses mesmos traços passarão através das gerações para os nossos filhos que certamente se espelharão no pai maravilhoso que têm, a começar por agora. Temos uma vida toda pela frente, Gaara, e eu quero descobrir todas as formas de amor com você.”
Kiba fungou baixinho ao lado de Shino, recebendo um lenço que o noivo prontamente tirou do bolso para enxugar as lágrimas. O próprio Aburame teve que respirar fundo umas três vezes para não derramar lágrimas, mas Gaara sequer tentou disfarçar a emoção que sentia, os olhos esmeraldinos ponteados da emoção que antes sentia dificuldades em expressar.
− Ino, você trouxe cores à minha vida que antes era pincelada em tons foscos de cinza. Eu sequer conhecia as cores, apenas aquela tonalidade grafiteira que não me permitia ver como o mundo era belo. Mas você trouxe consigo a luz, o brilho e a esperança que sempre diz que é da cor dos meus olhos.
“Mas a esperança verdadeira é você, que me viu quando ninguém mais foi capaz, que buscou me compreender e bater de frente comigo quando tudo o que as pessoas viam eram o príncipe perfeito, o sucessor ao trono do Kazekage, aquele que nunca poderia falhar. Só que você viu Sabaku no Gaara, o garoto indefeso e inseguro que apenas queria encontrar-se no mundo. E você fez de mim paleta e me coloriu com seus tons de intensidade, os seus risos escandalosos e os seus sorrisos lindos. Ino, você floresceu em mim, e eu espero que possamos continuar a nossa jornada juntos, espalhando cores e flores por onde quer que passemos.”
− Ai, caralho, nunca vou chegar aos pés dessas declarações! – Kiba pensou alto e Shino apenas sorriu, virando-se na direção do noivo.
− Não é sobre belas palavras, Kiba, apenas me diga como você se sente. – encorajou-o.
Kiba respirou fundo, sopesando as palavras. Estava tão nervoso! Achou que seria fácil, sentia-se tranquilo quando estava em público, mas de repente tudo parecia ter virado de pernas para o ar. Seus olhos se voltaram para Gaara, que olhou para ele por um momento, lembrando-o das palavras a respeito do salto, lembrando-o do quanto era grato por ter Shino ao seu lado. Voltou as orbes douradas na direção de Aburame novamente, apertando as mãos enluvadas contra as dele.
− Quando você foi embora, o meu mundo ruiu. Não sei colocar de outra forma, e foi difícil pra caralho ouvir de todo mundo que eu deveria seguir em frente quando todo o meu futuro era planejado e imaginado com você. – Kiba fez uma pausa. Shino lhe pedira sinceridade, e era isso que daria a ele. – Fui ensinado a viver uma vida independente e não em prol de alguém, mas quando você surgiu na minha vida foi... foi como se finalmente as peças se encaixassem no lugar, porque era a primeira vez que o silêncio não me incomodava ou me agredia, era simplesmente bom estar ao seu lado.
“Não importava em que momento fosse ou o que estivéssemos fazendo, até quando não fazíamos nada, o dia era bom porque eu tinha você – porque eu tenho você. Os anos em que passamos separados serviram para me amadurecer, me preparar para o homem maravilhoso que você se tornou. Sei que circunstâncias únicas fizeram com que não pudéssemos estar juntos por todo esse tempo, mas não significa que te esqueci, nem por um momento, pois você sempre povoou meus pensamentos, Shino, e daqui pra frente, povoará toda a minha vida. Eu te amo, e quero passar o resto dos meus dias desvendando o mistério que você é.”
− Enfrentei o terror da morte, e transpondo-o encontrei a flor da vida. – Shino citou. – Victor Hugo disse isso certa vez, e nunca senti uma verdade tão absoluta quanto os dois momentos mais marcantes de minha vida: aquele em que te deixei e aquele no qual tornei a encontrá-lo novamente, Kiba. Porque a vida sem você não era a vida, apenas uma existência velada e sem graça, na qual eu buscava desesperadamente uma maneira de retornar, desejando com todo meu egoísmo que alguma parte sua ainda esperasse por mim.
“Por muitas vezes, achei que jamais conseguiria sair do buraco que havia cavado, quis me arrepender de minhas escolhas e de cada decisão que me afastou de você, mas sei que me apoiaria se soubesse da verdade que agora já não é mais um pesado segredo entre nós.
Todas as vezes em que pensei em desistir, lembrei-me do brilho do seu sorriso, dos seus olhos ferinos e de toda a alegria contagiante que te cercava. Lembrei-me que você foi a minha luz, o meu farol que me impediu de chocar-se contra os recifes e afundar no oceano. Kiba, você foi o meu primeiro amor, e agora será o último. Espero passar cada dia da minha vida ao seu lado, sendo surpreendido pelas suas peripécias fora de hora.”
Hashirama, que já se debulhava em lágrimas após todas as declarações lindas de amor, precisou se recompor com um copo d’água trazido por sua esposa. Respirando fundo, pigarreou para chamar a atenção dos convidados que ainda estavam emocionados diante dos discursos apaixonados dos casais.
− Sabaku no Gaara, você aceita Yamanaka Ino como sua esposa, para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida? – perguntou.
− Sim. – Gaara respondeu sem vacilar, um sorriso pintando seus lábios enquanto encarava Ino com olhos apaixonados e colocava a aliança em seu dedo.
− E você, Yamanaka Ino, aceita Sabaku no Gaara como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida? – Hashirama prosseguiu.
− Claro que sim. – Ino sorriu igualmente para Gaara, repetindo a troca de alianças.
Hashirama então voltou-se para o outro casal.
− Aburame Shino, você aceita Inuzuka Kiba como seu esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na—
− Claro que ele aceita! Aceita sim! Aceita pra caralho! E eu aceito também! – Kiba interrompeu, injuriado com todas aquelas falas tétricas. Foi impossível para todos não caírem na gargalhada naquele momento! Todos os noivos inclusos e o mestre de cerimônias também! Os dois trocaram alianças rapidamente enquanto Hashirama se recompunha.
− Muito bem, se não tem ninguém contra essa união, pelos poderes que me foram concedidos, eu os declaro Marido e Mullher, Marido e Marido! Podem se beijar!
Os casais trocaram sorrisinhos confidentes, enquanto se aproximavam, trocando beijos apaixonados e cheios de amor. E, claro, agora Kiba poderia finalmente fartar-se de comer antes de irem para a lua-de-mel!
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