Sugar Daddy

27 O caminho para a felicidade


Notas iniciais
Esse é o último capítulo que escrevi pro camp! Meu Deus, como passa! Boa leitura!

Era possível que um cisco tivesse caído no olho de Naruto no momento em que os quatro disseram seus votos, é claro. Não havia uma explicação mais plausível para o fato de seus olhos se encherem d’água e ele desviar o olhar baixo quando Sasuke o questionou acerca do motivo.

Depois da troca de alianças e de toda aquela baboseira romântica – nas palavras de Sasuke – a parte boa realmente começou: a festa. E com ela, vieram todos os docinhos, salgadinhos e a abertura do buffet onde uma série de pratos seria servida pelos garçons.

Nesse ponto, Naruto teria que voltar para a cozinha para coordenar tudo em conjunto com os outros cozinheiros, pois embora a maioria das coisas estivesse pré-pronta, existiam aquelas que deveriam ser preparadas no momento em que seriam servidas.

− Oe, dobe. – Sasuke chamou Naruto, que estava escorado sobre a varanda decorada pelas flores, o olhar perdido e um tanto pensativo.

− Hm? – Virou o rosto em sua direção. Os cabelos estavam desalinhados, por mais que Sasuke tivesse tentado deixá-los bem quistos com o gel. Naruto vestia o dólmã, traje típico dos chefs de cozinha, embora tivesse dispensado o chapéu enquanto assistia ao casamento do melhor amigo. Algumas vezes, o Uchiha notava como ele ficava sereno e até mesmo perdido, quase como se vagasse para outra dimensão, um outro momento em que não o presente. Era estranho no início, e Sasuke estava acostumado a ser ele o distante, mas ali, especialmente ali, parecia que os papéis haviam se invertido.

Pensou em diversas coisas que poderia dizer, uma infinidade de palavras que poderiam alcançar Naruto, embora não fosse bom em expressar-se. Era socialmente inapto e não fazia esforço nenhum para mudar esse fato ou adaptar-se. Estendeu uma das mãos na direção do Uzumaki, quase como se tencionasse tocar seu rosto. Sasuke não era o tipo de pessoa que demonstrava carinho em público, embora não repudiasse Naruto, mas o chef havia aprendido a respeitar o espaço do namorado. Ao invés de um toque suave no rosto, sentiu o indicador e o médio dele lhe tocarem a testa de leve em um poke que empurrou-lhe brevemente para trás.

Na primeira vez em que Sasuke fez isso, Naruto questionou-lhe o motivo sem entender por quê. Ele havia dito que não era nada de mais, apenas uma boa lembrança que carregava consigo. Nunca soube exatamente o que era, até encontrar entre as coisas de Sasuke uma foto dele com um rapaz alguns anos mais velho, muito parecido com ele e que julgou ser seu irmão mais velho de quem ouvira falar apenas durante a faculdade.

Achou que levaria uma bronca do Uchiha quando ele lhe visse mexendo em suas coisas, mas ao invés disso, apenas explicou-lhe que aquele era um dos poucos bons momentos que se lembrava com o irmão, sem o peso da competição que a família havia instituído entre eles. Quando perguntou-lhe a respeito de onde Itachi estava, Sasuke apenas deu de ombros como quem diz não saber, mas era evidente o saudosismo que sentia por parte do irmão mais velho.

“Ele costumava fazer isso comigo”, dissera nessa ocasião. “Era uma forma de me cumprimentar sempre que saía de casa, então eu sabia que ele retornaria.”

Tocara brevemente a própria testa ao dizer isso, como se ainda sentisse o formigamento na região em que Itachi havia lhe tocado antes de sair de casa pela última vez.

“Nunca mais o vi depois daquilo. Ele simplesmente... não quis mais. Foi embora. Desapareceu e me deixou sozinho com toda aquela pressão e com a minha família tola.”

− Não pense demais ou vai entrar em parafuso. – disse de maneira simplista, dando de ombros. – Vá fazer o que faz de melhor e alimente toda essa gente.

Ainda abobado pelo gesto, Naruto tocou brevemente a própria testa com um sorriso pateta nos lábios.

− Acha que um dia poderemos ter um casamento assim? – arriscou.

− Cheio de pompa, com aves sobrevoando no momento em que cortarmos o bolo e chegando em uma carruagem trazida por corcéis brancos? Dispenso.

− Que rude, teme! – Naruto gargalhou. Claro que jamais teria algo dessa magnitude com Sasuke, mas valia a pena a tentativa.

− Mas se quiser ir a Vegas... podemos pensar no Elvis.

Naruto ficou boquiaberto, mal acreditando. Não teve tempo, no entanto, para rebater aquilo, pois Sasuke desapareceu no meio da multidão.

X

Kiba era todo sorrisos na festa! Embora mal tivesse tido tempo para comer e não conhecesse a metade dos convidados ali, muitas pessoas pararam para cumprimentar ele e Shino, ovacionando-os por seus lindos votos apesar de dividirem o palco com Ino e Gaara, que brilharam intensamente naquela cerimônia.

E não haveria como ser diferente, já que Gaara era o príncipe regente e futuro rei de Suna. A cerimônia para a coroação dele aconteceria tão logo retornassem da lua de mel. Até lá, as coisas ficariam sob as ordens de Temari, que regeria o país com punho de ferro na ausência do irmão, pois não confiava nem um pouquinho naqueles conselheiros de araque! Bem, talvez apenas em Chiyo.

Shino não se surpreendia mais com a facilidade que Kiba tinha em fazer amizades. Facilmente, havia ganho a atenção da maioria dos convidados, mesmo aqueles que mal sabiam seu nome quando chegou ali. Além disso, toda a sorte de pessoas que trabalhava no palácio do príncipe Kazekage fez questão de cumprimentar os recém-casados, todos muito emocionados pelo discurso inflamado de Kiba e pelas palavras românticas de Aburame, que a eles sempre parecera excessivamente reservado e estoico, mas que na verdade possuía um grande coração.

Havia também, é claro, aquelas pessoas que olhavam atravessado para eles, mas estas Kiba apenas fingia ignorar, embora Shino sentisse que lá no fundinho ele ainda se sentia incomodado com aquele tipo de coisa, pois estavam em um país mais tradicionalista, mas mesmo onde moravam as coisas não eram assim tão fáceis. Quantas vezes, ao caminharem de mãos dadas na rua, não haviam recebido represálias? O mundo ainda engatinhava quando a questão envolvia pessoas do mesmo gênero se casando, mas aos poucos os pensamentos iam mudando e era isso o que importava.

Quando finalmente conseguiram um tempinho para se sentar, Kiba estirou-se na cadeira com uma expressão cansada que desapareceu no momento em que Tsume colocou diante dele um prato de comida que daria inveja ao tamanho do Himalaia!

− Coma, moleque, ou não estará disposto para sua lua de mel! – Tsume exclamou, dando um pescotapa em Kiba que quase afundou sua cara no purê de batatas! – Não quero que o menino Aburame saia dizendo por aí que Inuzukas não aguentam o tranco, está ouvindo?!

Shino, que estava desfrutando de uma boa taça de vinho quase deixou o líquido escarlate sair pelo nariz, sentindo as lágrimas nos cantos dos olhos quando engasgou. Hana deu uma gargalhada sonora, compadecida do cunhado e deu-lhe tapinhas leves nas costas que o ajudaram a desengasgar.

− Mamãe! – Kiba exclamou, vermelho como um pimentão. – Assim me mata de vergonha!

− Por dizer a verdade?! – Somente então, Kiba notou as bochechas coradas da mãe, que provavelmente estava bebendo desde o início da festa. Olhou para Hana com aquela expressão do gatinho do Shrek, implorando para que ela mantivesse a mãe na rédea curta. – Eu não quero você reclamando de dor na bunda no dia seguinte, moleque!

Hana podia jurar que fumaça saía das orelhas de Kiba, e, não conhecesse Shino tão bem, diria que ele estava sorrindo com os olhos, embora tentasse manter a compostura. Devolveu o olhar para Kiba, ainda divertida, antes de erguer-se enlaçando o braço da mãe.

− Vamos, ‘kaa-chan. Acho que vi aquele partidão que você tinha posto os olhos mais cedo indo por ali, perto das fontes.

− Ahhh, aquele velho gatão! Vamos logo! – Ela acenou para os dois, mas apontou o indicador no peito de Shino. – Não ouse a magoar o meu menino ou eu vou te escalpelar vivo, Aburame!

Shino não quis nem engolir em seco, temendo que, ao fazê-lo, Tsume pudesse rasgar sua garganta com as unhas longas. Quando as duas Inuzukas se afastaram, Kiba respirou fundo, querendo mais que tudo esconder-se do olhar divertido que o – agora – marido lançava em sua direção por trás dos óculos escuros.

− Não ouse a falar nada. – disse entredentes.

− Eu? Longe de mim querer deixar o seu bumbum doendo. Vamos usar bepantol depois, querido. – brincou, coisa que não era muito do feitio de um Aburame. Talvez fosse a sua péssima influência sobre ele.

Kiba, que nunca antes na vida quis cometer um assassinato, pensou em milhares de formas nas quais poderia assassinar o próprio cônjuge em sua lua de mel.

X

Gaara já não aguentava mais sorrir e cumprimentar todas as pessoas que vinham falar com eles, esperançosos por um futuro melhor no qual Gaara os governaria com ainda mais justiça do que já fazia. Sentia os músculos da face rígidos e doloridos de tanto encenar os sorrisos que, embora verdadeiros a princípio, começavam a doer verdadeiramente. Ino, por outro lado, parecia uma deusa ao seu lado, distribuindo sorrisos, acenos e beijos, inclusive entre as crianças com quem havia se tornado muito popular pelas aulas de botânica e maquiagem que oferecia entre elas sem cobrar-lhes um único centavo por isso.

Quando, por fim, terminaram de ouvir o último casal de velhinhos de Suna e Ino parou de brincar com as crianças, Gaara permitiu-se sentar em uma das mesas vazias, respirando e massageando de leve o rosto.

− Sinceramente, não sei como você consegue. – disse em tom baixo, apenas pelo costume já que ninguém os ouviria.

− O quê? – Ino perguntou casualmente, olhando-se no pequeno espelhinho que trazia na manga do kimono para ver se a maquiagem não havia borrado.

− Sorrir assim, tão naturalmente, e continuar a falar com todos como se não fosse pesaroso ser assim o tempo todo. – Gaara tomou o espelhinho de sua mão. – E ser tão linda assim. Inominavelmente linda.

Ela, claro, sorriu com os elogios. Se tinha uma coisa que Ino amava, era ter o ego inflado pelos elogios do esposo.

− Sorrio porque estou feliz, você não? – A pergunta era retórica. – Estamos nos casando e além disso, todas essas pessoas depositam sua fé em nós. Não vejo como não sorriria para elas, dando-lhes a esperança de um futuro melhor depois de tudo o que passaram nas mãos de uma guerra injusta. Como poderia não sorrir quando todas elas tiraram um pouquinho de seu tempo para estar aqui e nos prestigiar? Me sinto completamente realizada, e ainda mais por estar me casando com um homem tão maravilhoso como você, Gaara. – Ino suspirou, entrelaçando os dedos aos dele. Gaara estava bobo com suas palavras doces. – E não falo a respeito do príncipe, mas daquele rapaz que me enfrentou na aula de Políticas Sociais e demonstrou sua opinião. O que não desistiu de mim mesmo depois de ter tomado um fora apesar de sua inabilidade social. Estou feliz porque tenho você, e porque agora caminharei ao seu lado até o fim de nossas vidas, meu amor.

O príncipe regente encostou a testa sobre a sua, os olhos verdes perdendo-se no oceano turquesa que era o olhar de Ino, tão calmo quanto as águas límpidas do mar, e que podia se tornar tão bravio quanto quando eram provocados.

− E além delas, se os deuses permitirem. – murmurou baixinho para ela.

− E além delas. – Ino reafirmou, sem a parte dos deuses, e segurou o rosto de Gaara para beijá-lo.

Pois ao lado dele, havia descoberto o que significava a verdadeira felicidade, e agora trilharia esse caminho ao seu lado. Para todo o sempre.

Notas finais
Então, tivemos uma festa animada com uma ceninha SNS, porque fazia tempo que eles não ganhavam os holofotes! Será que vai rolar casamento em Vegas? O que vocês acham? E claro, Tsume fazendo Kiba passar vergonha! Pra fechar com chave de ouro, nosso GaaIno super fofo! No próximo capítulo, teremos a manhã seguinte da festa. Espero que vocês continuem curtindo, pessoal!