Notas iniciais
Prepara a insulina porque vai dar hiperglicemia!

Shino observou o semblante tranquilo de Kiba, adormecido na cama. A festa tinha seguido até altas horas da madrugada, e precisou carrega-lo de volta para o quarto, bêbado feito um gambá, cantarolando músicas de letras muito suspeitas na opinião dele. A noite, que deveria ter sido a primeira deles como casados, terminou com Aburame dando banho no marido todo vomitado – nada de novo sob o sol.

Ele próprio havia bebido um pouco além da conta, mas não chegou a ficar tão ruim quanto Kiba; além disso, era acostumado com bebidas fortes e refinadas.

Apesar da noite em claro, sentia-se completamente desperto. Decidiu que deixaria Kiba dormir um pouco e reestabelecer as energias antes que saíssem em viagem para a lua de mel, que se passaria em um pequeno povoado ao norte de Suna, em uma região que era conhecida como Vila das Termas, e que trazia consigo pontos turísticos maravilhosos e o contato direto com a natureza.

A princípio, Aburame pareceu resistente a respeito daquela ideia que tinha partido da mente brilhante de Kiba ao perguntar para Ino sobre lugares onde poderiam viajar e que fossem próximos dali, afinal, ainda tinham muito a aprender com a cultura sunense! Todavia, ao saber a respeito de uma colônia de abelhas africanas que havia nas florestas tropicais próximas à Konoha – cidade que fazia fronteira com a vila que visitariam –, Shino pareceu muito mais interessado.

Sabia que as abelhas africanas eram extremamente perigosas, mas, assim como toda a espécie daquele inseto, também estavam quase extintas, e Shino sentia o dever de saber se tinham condições de se reproduzirem ali e, quem sabe, até mesmo pudesse levar algumas espécies para finalidades de estudo? Ele, é claro, não cometeria o mesmo erro de um outro estudioso que, por descuido, permitiu que algumas rainhas de seu apiário escapassem e se reproduzissem fora de cativeiro em um país da América chamado Brasil.

Todavia, apesar do descontrole reprodutivo no passado, agora elas praticamente haviam deixado de existir, motivo pelo qual as pesquisas feitas por Shino haviam lhe rendido tanto dinheiro, e, como parte de seu dogma pessoal, investia parte de sua fortuna na tentativa de tentar recuperar a existência daqueles incríveis insetos em cativeiro, pois acreditava que cada ser vivo desempenhava um importante papel na sociedade ecológica do planeta, e sabia da importância das abelhas como um todo. Suas nanoabelhas eram incríveis e possuíam uma série de finalidades – inclusive no ramo da espionagem para a qual Shino se recusara a ceder sua patente –, mas jamais seriam como o animal verdadeiro; tinham suas limitações apesar de também possuírem certa vantagem.

Saiu do quarto em passos silenciosos, vislumbrando o marido uma última vez antes de fazê-lo. Era engraçado pensar no último ano e em como sua vida havia sofrido uma guinada forte desde então. Quando retornou para o Japão, com o intuito de instalar a Aburame Enterprises ali, jamais imaginou que as coisas acabariam acontecendo daquela forma. Sempre tivera, é claro, o ímpeto de encontrar-se com o ex-namorado, e quando Naruto lhe procurou dizendo que Kiba estaria a leilão em um evento beneficente, não pensou duas vezes! Não era de seu feitio agir com impulsividade daquela maneira, mas era de Kiba que estava falando! E, se ele estava indo a leilão, significava que era solteiro, certo?

Pelo menos ele achava que sim. Apostou alto – um milhão de ienes! –, mas teria valido cada centavo mesmo que Kiba tivesse escolhido não ficar ao seu lado. Entretanto, sentia como se uma corda o ligasse diretamente à Kiba, como a lenda do Akai Ito, o fio vermelho do destino que une as almas gêmeas.

Bem, talvez apenas estivesse divagando demais a respeito daquilo tudo, provavelmente por estar passando tempo demais com Kiba.

O caminho pelos corredores o levou até os jardins do palácio. Já não mais usava o fraque elegante, apenas a calça social e a camisa branca de seda com botões dourados; havia deixado o restante da roupa no quarto por conta do calor. Sentou-se em uma das cadeiras ainda dispostas, observando, com plenitude, o final da festa. Todos os convidados que tinham vindo de fora estavam hospedados ali, pois Gaara havia se recusado terminantemente a deixar que fossem para um hotel ou uma pousada quando haviam tantos quartos vagos em sua morada.

− Café? – Naruto perguntou, estendendo uma caneca fumegante na direção de Shino, que a aceitou prontamente. Não era sua bebida matinal favorita, mas não recusaria.

− Obrigado.

Não mais vestia o dólmã, apenas uma camisa regata branca e uma calça de moletom preta. Shino bebericou o café forte, olhando-o de esguelha. Desde os tempos do colégio, o loiro havia ganhado boa quantidade de massa muscular – Kiba dizia que ele e o Uzumaki costumavam correr e malhar juntos todos os dias – e crescido uns bons centímetros, equiparando-se à altura dele. Gostava de Naruto, mesmo que ele fosse extremamente irritante e levasse Kiba para o caminho das traquinagens, pois ele era um amigo leal, tanto que havia permitido que o Inuzuka retornasse à sua vida através daquele leilão.

Ficaram em silêncio por um breve momento, cada um perdido nos próprios pensamentos enquanto apreciavam a vista. Naruto, o mais inquieto dos dois, balançava o corpo para frente e para trás, sentado na cadeira ao lado de Shino.

− Como está o cara de cachorro? – perguntou, as íris azuladas se focando no CEO – Da última vez que o vi, estava dançando dentro da fonte de champanhe e bebendo direto dela. – Deu um risinho ao lembrar-se da cena cômica.

− Dormindo. – Shino tinha um leve sorriso no rosto ao dizer isso, pois ele e Ino tiveram trabalho para arrastar Kiba para dentro do palácio. Ele acreditava estar dando um show! – Acho que não vai acordar antes do meio-dia, mas esperarei ate amanhã para viajarmos.

Naruto concordou com a cabeça.

− Acho que nunca fomos muito amigos, não é? – O loiro encolheu um pouco os ombros. – Você sempre foi tão reservado e sempre achei que não gostasse muito de mim, sei lá.

− Nunca tive nada contra você além de achar que você e Kiba juntos eram sinal de problema. – Shino arqueou as sobrancelhas por trás dos óculos escuros. – Mas, à sua maneira, fazia bem a ele, e sempre foi um amigo com quem pôde contar. Se não fosse por você, provavelmente nem estaríamos aqui.

− Nah.— Naruto coçou a nuca, um tanto sem jeito com as palavras de Shino. – Não acho que isso seja verdade, ‘te bayo. De um modo ou de outro, o destino acabaria fazendo vocês se encontrarem. Tenho certeza de que você não desistiria do Kiba.

− Não – Shino ajeitou os óculos que caíam sobre a ponte do nariz, terminando de beber o café –, mas você facilitou o nosso encontro, foi até mim quando soube disso. Aliás, nunca perguntei, mas... como me achou?

− Sabe quando você tem um crush em alguém famoso? – Naruto perguntou com um sorrisinho de lado. Shino não sabia, mas concordou com a cabeça. – Então. Vi notícias a respeito de um jovem empresário que tinha feito algo incrível, e era muito falado na faculdade onde eu estudei, sabe? Na verdade, em muitos lugares, mas o fato é que era o tipo de exemplo modelo que a gente devia seguir como chave para o sucesso.

“Um dia, fiquei curioso a respeito disso e fui pesquisar. Vi uma foto de vislumbre do cara, todo bem apessoado e bem cuidado, e tive um crush instantâneo no cara. Procurei tudo a respeito nas redes sociais, mas ele não tinha nada. A foto tinha sido tirada junto com uma amiga, e era só isso. Passei um tempão caçando informações, seguindo o perfil dela., mas não tinha muita coisa. Foi quando resolvi dar a cara a tapa e entrar em contato com a menina. Óbvio que, naquela época, eu já não estava mais com o Sasuke e nem na faculdade – como te falei, nenhum dos casos durou muito tempo – e resolvi tentar a sorte. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ela era Yamanaka Ino e que o cara ao lado dela na foto era você, Shino? Meu queixo caiu da cara! Você, o estranhão do colégio, todo bonitão! Só que eu sabia que o que o Kiba sentia nunca havia passado. Eu te conhecia, sabe? Você não iria embora sem motivos. Claro que fiquei puto da cara, mas achei que, se alguém devia resolver isso, esse alguém era você. Pedi seu contato pra ela, aleguei que era um antigo amigo do colégio que conhecia seu ex... e achei que, se ela realmente fosse sua amiga, saberia de quem eu estava falando. E não é que deu certo mesmo?

A partir daquele momento, eu e Ino arquitetamos tudo juntos. Ela organizou o evento pela Yamanaka Enterprises, pedindo o nome de outras grandes empresas, e disse que a única condição era que ela estivesse como maquiadora, pois queria conhecer o tal Kiba! Eu disse que garantiria a participação dele, e, a partir daí, começamos o nosso plano para que vocês dois se reencontrassem.”

Shino não sabia o que dizer! Estava boquiaberto diante das revelações de Naruto! Como assim, ele e Ino tinham bolado aquele plano mirabolante para que ele e Kiba se encontrassem novamente?! Como Naruto havia tido um crush nele?! Todas as informações giravam em sua cabeça, as vezes em que Ino havia lhe sugerido para que retornasse ao Japão com ela para que pensassem em unir suas empresas, todo o discurso motivacional para que não desistisse de Kiba, porque achava que ele ainda estava lá em algum lugar, os papos sobre amores verdadeiros e filmes de comédia romântica que ela havia feito ele assistir sem opção de desistência!

− Contou a ele sobre a parte em que eu tive que ir atrás do seu ex-rabugento também, Naruto-kun? – Ino apareceu ali, vestindo um roupão felpudo cor de rosa e bastante confortável. Já não usava mais a maquiagem sobre o rosto, mas isso não a deixava menos bela do que antes. Yamanaka era uma obra de arte a ser apreciada.

O loiro explodiu na gargalhada.

− Bem, eu queria tirar uma casquinha do momento, né? – Ergueu-se. – O importante é que deu tudo certo, e que vocês estão juntos agora, ‘te bayo!

− Dê um tempo a ele. – Shino disse, ao ver que Naruto se retiraria. – Sasuke tem aquele jeito comedido, mas gosta de você.

O sorriso ladino voltou ao rosto de Naruto.

− Tenho todo o tempo do mundo para fazer aquele teme entender que sou o amor da vida dele. – Deu de ombros. – Não espero nenhum eu te amo ou uma declaração maravilhosa como a de vocês. Vai dar tudo certo. Parabéns pelos casamentos.

Shino e Ino acompanharam as costas de Naruto enquanto ele adentrava o palácio e a mulher tomou o local onde antes o outro loiro estava.

− Kiba está na cozinha devorando o café da manhã. – Ino comunicou. – Falou que acordou sozinho e estava todo indignado sobre isso.

− Pensei que ele dormiria pelo menos umas doze horas depois de ontem. – Shino respirou fundo, sentindo o rosto ser acariciado pela brisa morna.

− Acho que ele está tão animado quanto você para a lua de mel. – Deu um risinho. – Como se sente agora que está casado?

− Não sei se sinto algo diferente, e você? – Shino olhou para o anelar esquerdo onde a aliança de ouro branco cintilava.

− Na mesma, mas muito mais leve sem toda aquela maquiagem. – Sorriu largamente, puxando a cadeira para perto da de Shino apenas para escorar-se perto dele. Aburame nada disse a respeito, deixando que ela se aconchegasse ali. – Vou sentir saudades, Shino, foi bom ter vocês dois aqui nesse período.

− Vai ser estranho não ter você e o Kiba andando para lá e para cá juntos como gêmeos siameses, mas vou gostar de ter meu marido todinho para mim. – brincou, levando um tapinha de leve de Ino por isso.

− Besta. – Tornou a aconchegar-se junto dele. Shino passou um dos braços ao redor dos ombros de Ino, passando-lhe a fazer cafuné na nuca. – Estou feliz por vocês dois, de verdade.

− E eu por vocês. Gaara é uma pessoa maravilhosa, tenho certeza de que serão muito felizes com todo aquele seu ideal sobre crianças e tudo o mais.

Ino sorriu contra o ombro de Shino, fazendo com que o empresário olhasse de canto em sua direção.

− Ino? – Ajeitou a postura, olhando na direção dela, e então da barriga que não dava o mínimo indício de uma gravidez. – Vou ser tio? Desde quando? É sério?

− Fiz o exame de sangue e ontem peguei os resultados. Hoje completo duas semanas e meia. – confessou baixinho.

Era difícil ver Aburame Shino perder a compostura séria como naquele momento em que Ino sentiu-se içada para o alto e girando, mal pode acreditar, soltando gritinhos de alegria e surpresa.

− O-oe, que festa é essa para a qual eu não fui convidado, caralho?! – Kiba aproximou-se ao ver a alegria e o sorriso espontâneo no rosto do agora esposo. Nunca o tinha visto demonstrar tamanha felicidade com outrem que não fosse ele próprio. Sentiu até um pouquinho de inveja!

− Vou ser tio, Kiba! – disse ele, em uma exclamação de regozijo. – Vamos ser tios! – corrigiu-se.

As orbes douradas de Kiba se arregalaram, até que as íris perdessem espaço para as pupilas completamente dilatadas e ele fizesse uma careta engraçada de surpresa.

− AAAAH, EU NÃO ACREDITO NISSO, VAMOS SER TIOS! – Kiba logo correu para tomar Ino dos braços de Shino, içando-a também para o alto, fazendo com que ela se sentisse leve como uma pluma enquanto os dois brincavam consigo como se fosse uma criança. – Gaara já sabe disso?

Ela negou com a cabeça quando Kiba a colocou no chão.

− Ia contar hoje quando saíssemos para a nossa lua de mel.

− Me contar o quê? – Tranquilo, Gaara aproximou-se da turma animada. Era impossível não ouvi-los mesmo distante dali, onde fazia sua caminhada matinal, visto que não sentia sono algum.

Ino olhou na direção dos dois amigos, como se pedisse a eles um pouquinho de coragem. Sentiu os dois segurando seu ombro firmemente e respirou fundo, dando alguns passinhos na direção de Gaara. Eles se afastaram para dar privacidade ao casal.

− Mas eu queria...

− Kiba. – Shino chamou sua atenção baixinho, fazendo-o murchar. Queria presenciar o momento! Seria tão mágico! Mas entendeu o lado de Shino e saiu com o marido de cena para deixar Ino brilhar.

A mulher limpou a garganta, sentando-se onde antes estava com Shino.

− Venha, sente-se aqui. – pediu.

− Está tudo bem, Ino? Está se sentindo indisposta? – perguntou com evidente preocupação no olhar. – Podemos adiar a viagem e a coroação, não há problemas quanto a isso.

Ele era maravilhoso. Céus, como Gaara era maravilhoso! A sorte que havia tido ao encontrá-lo não poderia ser descrita em palavras. Não.

− Não é nada disso. – Ino o tranquilizou, segurando ambas as mãos de Gaara e entrelaçando seus dedos. Olhou com carinho para a aliança dourada que o esposo carregava no anelar e não pôde deixar de sorrir com a sensação gostosa que isso lhe passava. – Lembra do que eu te disse nos nossos votos? Sobre nossos filhos se espelharem em você? – Gaara anuiu, ainda preocupado com a postura de Ino – Bem, talvez isso aconteça mais cedo do que planejamos, querido.

O olhar de Gaara perdeu-se dentro do dela e o entendimento atingiu-o com a força de um raio.

− Pai... eu vou ser pai? – perguntou, baixinho e de maneira abobada, como se a ficha ainda não tivesse caído.

− Sim.

As lágrimas correram por seu rosto, livres, sem que ele compreendesse o motivo. Sentiu uma sensação gostosa em seu peito e um frio na região da boca do estômago, ajoelhando-se diante de Ino enquanto as mãos deslizavam para a barriga de não demonstrava sinais de gravidez evidente.

Ino tocou o rosto dele carinhosamente, limpando as lágrimas de seu rosto.

− E-eu não sei como, eu—

− Faremos isso juntos, meu amor, essa é a minha única certeza que tenho. – disse ela, com um sorriso lindo nos lábios. – Saltar juntos, lembra-se?

Gaara concordou com Ino, abraçando-se à sua cintura, entregando-se ao choro. Distante, Kiba ainda observava a cena, com os olhos marejando em lágrimas.

− Um dia eu também quero isso, Shino. – confessou. – Quero uma família com você. Mas só se você quiser! – Apressou-se em corrigir.

− Nós teremos, Kiba. – Shino garantiu, entrelaçando os dedos aos dele, enquanto, ocultos pela sombra de uma das árvores que havia crescido ali, observavam o momento em que Gaara entregava-se completamente à sensação de plenitude que era estar ao lado de quem amava. – Pode ter certeza.

Estava enganado. Sentia-se diferente com o casamento. Sentia-se mais pleno do que jamais estivera em toda sua vida.

Notas finais
Esse capítulo foi o fechamento do arco de Suna e do casamento, e eu acho que ele foi muito importante para a história como um todo. Ele é um marco de transição para Shino, Kiba, Gaara e Ino, e eu acho que traz muitas coisas legais, haha. Esse também era o último capítulo escrito que eu tinha. Minha rotina tem sido bastante corrida. Pra quem não sabe, eu sou veterinária e tenho trabalhado bastante, alternando entre dois trabalhos, na esperança de melhorar de vida. Vamos que vamos! Então, se a fic acabar atrasando um pouquinho, não a abandonem! Sugar Daddy é o meu bb e será finalizada. O próximo arco que se iniciará depois do interlúdio da lua de mel será, provavelmente, o último segundo os meus cálculos. Não sei quantos capítulos exatamente ele terá. Podem ser cinco, dez, quinze... só o tempo vai me dizer! Até lá, continuaremos nos vendo! Até breve, pessoal!