Sugar Daddy
29 Lua de mel sem mel
Notas iniciais
O caminho para a Vila das Termas foi longo e tortuoso. Levaram três dias montados em camelos providenciados por Gaara para que viajassem e Kankuro os guiou pessoalmente até lá, pois precisava averiguar alguns acordos que tinham visando a abertura dos portos que embocavam diretamente na Vila da Chuva, muito próxima do lugar onde estariam também.
Suna, Shino e Kiba logo notaram, era um país composto por vários pequenos vilarejos que eram como as cidades que possuíam no interior do Japão. Durante os três dias viajando pelo deserto, notaram que alguns mercadores passavam por eles, mas talvez evitassem muito contato por verem que eram acompanhados por Kankuro e um pequeno destaque da guarda real do próprio Príncipe Kazekage.
Kiba não pôde deixar de se chocar com alguns níveis de pobreza encontrados em alguns pequenos povoados pelos quais passaram, e também a destruição que encontraram pelo caminho. Kankuro explicou aos dois que os trabalhos comunitários vinham sendo realizados para a melhoria da vida daqueles povos, mas que muitas pessoas haviam morrido por conta das guerras civis que ocorreram no país.
− Quando os ataques começaram dos países estrangeiros vizinhos, ao invés de se unirem, as vilas lutaram umas contra as outras em busca de seus próprios subsídios. Embora Gaara tenha feito um ótimo governo, ele pegou o país aos frangalhos depois da morte do nosso pai. Não é muito fácil, sabe? Erguer um país depois da guerra.
Shino sequer conseguia imaginar o peso nos ombros de um rei. Houve uma época em que sua empresa não era tão próspera assim, e passaram por tempos difíceis pela falta de investidores. Foi preciso realizar cortes, bons empregados que nada tinham a ver com seus problemas precisaram ser mandados embora – todos com uma carta de recomendação em mãos, mas sem o trabalho de que tanto necessitavam – e por isso compreendia um pouco, em uma escala muito menor, é claro.
− Não consigo entender. – Kiba disse em certo momento, incapaz de guardar para si o que pensava ao ver algumas crianças dividindo o pão – literalmente. – Por que as pessoas precisam lutar por coisas assim? Deveria ser mais simples.
− Acredite, carinha, eu gostaria que fosse. – Kankuro bagunçou os cabelos de Kiba, recebendo um bico afrontoso em resposta. – Vocês devem seguir por ali para chegar até a Vila das Termas. – Apontou. – A pousada já está reservada para vocês conforme Gaara pediu. Tenho certeza de que vão adorar o lugar.
− Obrigado por tudo. – Shino estendeu a mão para ele, recebendo um aperto seguro em resposta. – E por permitir que meu pai fique um tempo em Suna para estudar sua cultura e buscar por civilizações esquecidas. Ele adorou a ideia.
− Farei questão de levar ele a algumas exposições e excursões. – Kankuro piscou para Shino. – E quando ele se cansar, despacho o velho em um avião direto para Tokyo, jaan!
Havia certo humor divertido em todas as frases que Kankuro proferia. Com o tempo, você acabava se acostumando, Shino notou.
X
Chegaram à pousada indicada por Kankuro no final da tarde, quando o sol se escondia por trás do horizonte. O clima quente do deserto cobrou seu preço, e Shino sentia a pele marmórea arder apesar da roupa pesada e do protetor solar que tinha usado. Kiba não sofria tanto – a pele trigueira estava mais acostumada com a incidência de raios solares.
O lugar tinha uma aparência um tanto divertida – com o nome Pharaoh— semelhante a uma pirâmide na entrada, feita com a mesma estrutura e com um par de estátuas de esfinges na recepção, de olhos brilhantes que fizeram Shino imaginar se não eram cravejados com rubis.
Toda a estrutura era construída em alvenaria antiga, fazendo Shino crer que os moradores apenas haviam se apossado do local e adaptado ele ao seu bel-prazer. Seria possível? Pesquisaria a respeito depois.
Um empregado logo ocupou-se das bagagens e, assim que Shino e Kiba aproximaram-se da recepção, receberam um sorriso mais que contente da recepcionista.
− Olá, em que posso ajudá-los? – perguntou de maneira solicita.
− Somos os senhores Inuzuka-Aburame Kiba e Aburame-Inuzuka Shino e temos uma reserva aqui! – Kiba exclamou com seu jeito expansivo que logo ganhou a recepcionista – ela devia ter por volta de seus vinte e seis anos –, que sorriu-lhe de volta deixando as covinhas em evidência. Ela tinha a pele alva, os cabelos ruivos e lisos, e os olhos de um tom muito semelhante ao de seus próprios cabelos.
− Ah, os convidados do Príncipe Kazekage. – disse, olhando em uma espécie de caderneta onde Shino espiou os nomes de ambos escritos em alfabeto ocidental. – A casa de vocês já está separada. Por favor, acompanhem Juugo até lá.
O empregado com as malas logo apareceu em seu campo de visão. Ele era alto demais e forte demais, com os cabelos loiros e uma aparência digna do Tropeço da Família Addams, Kiba pensou, mas conseguiu controlar a língua!
− Como nossa pousada fica ao pé das montanhas, temos livre acesso às termas. A pirâmide de vocês possui uma terma própria, então não precisarão se deslocar para isso. Toalhas, roupões e demais itens higiênicos são fornecidos por nós. Sintam-se à vontade para cozinhar lá se quiserem, há uma cozinha equipada para tal, mas o café da manhã é servido às 8 e o almoço às 13. Não contamos com serviço de jantar, mas há uma mesa de frutas disponível para quem quiser. – Sorriu, ajeitando os óculos sobre a ponte do nariz. – Qualquer coisa, podem chamar à mim, Karin, ou ao meu chefe, Orochimaru.
Kiba não soube o motivo, mas o nome causou-lhe arrepios estranhos, como uma espécie de mal presságio.
− Vamos ficar bem, obrigado! – Logo, seguiu Shino e Juugo até alcançarem o local onde ficariam. Qual não foi a surpresa ao se depararem com uma pirâmide um tanto menor do que aquela onde haviam sido recebidos?! Ele achou o máximo!
− Fiquem à vontade. – O taciturno rapaz finalmente manifestou-se, deixando as malas diante da porta e entregando-lhes a chave. Despediu-se agradecendo a gorjeta entregue por Shino, que carregou as malas para dentro enquanto Kiba observava vislumbrado todo o local.
Todo o piso era trabalhado em mármore, diferente da alvenaria que encontraram na recepção da pousada. A cama de casal, redonda e enorme, contava com um lençol dourado que parecia feito de ouro! E dois travesseiros tão fofinhos que deviam ter gansos dentro! Não só as penas! Havia um armário com cabides vazios pendurados, uma suíte anexa que contava com uma banheira luxuosa com bocais em formato de felinos da raça Sphynx de onde a água saía, e uma ducha anexa, tudo com detalhes em branco e dourado! A pia, também mámorea, tinha um grande espelho e os itens de higiene pessoal descritos por Karin embalados em saquinhos estéreis.
Voltando para o quarto, Kiba ficou deslumbrado com os chocolates sobre os travesseiros, e uma cesta de frutas frescas que incluíam as deliciosas tâmaras e lichias de dar água na boca! Além de, é claro, belos lírios que a decoravam, com um bilhete escrito à mão de uma caligrafia tão linda que Kiba ficou boquiaberto.
− Ino. – Shino disse antes mesmo de ler as palavras. – Ela sempre teve uma letra invejável.
“Apenas um pequeno presente de boas vindas para os meus garotos favoritos. Amo vocês, meninos, e que essa nova fase seja marcada por maravilhosas descobertas!
Ino.”
− Caralho, tem umas frutas que eu nunca vi na vida! – Kiba já se deliciava com o sabor das tâmaras misturado à acidez do morango. Não sabia como Ino havia conseguido as frutinhas vermelhas ali, mas estava muito grato!
− E então, o que achou? – Shino perguntou a respeito do quarto luxuoso. Apenas espiou a cozinha por cima do ombro, notando a arquitetura moderna e de inox que em muito o agradava. Provavelmente testaria depois de fazer algumas comprinhas.
− É lindo! – Kiba tinha um pedacinho de tâmara no canto da boca que Shino aproximou-se para tirar. – Tudo é tão perfeito que parece até mesmo sonho.
Shino comeu o pedaço da fruta, abrindo um sorriso satisfeito e enlaçando o companheiro pela cintura para que caísse sentado em seu colo.
− É tudo real. Você é real. E eu sou extremamente grato por isso.
Recebeu em resposta um beijo adoçado, permitindo que Kiba se ajeitasse sobre seu colo enquanto aprofundava o contato. As línguas se tocaram sem timidez alguma, já velhas conhecidas que sabiam bem que caminho tomar. As mãos do Inuzuka fecharam-se ao redor da túnica pesada de Shino, tencionando tirá-la, e ele recebeu um gemido doloroso em resposta que o fez afastar-se automaticamente.
− Awn, está ardido da caminhada pelo deserto? – Kiba deu um risinho. – Acho que vou ter que passar bepantol em você.
− Ha ha ha, que engraçadinho. – Mas Shino sorria enquanto o encarava. – Posso suportar a dor.
− Nada disso. – Kiba o alertou. – Não quero que sofra com uma insolação em plena lua de mel. Vai tomar um banho gelado e eu vou passar aquele hidratante que passou em mim da outra vez.
− Mas... – Kiba pousou o indicador em seu lábio.
− Nada de mas ou meio mas. – disse ele. – Sou seu marido agora e preciso cuidar para que fique bem. O sexo pode esperar, não vamos morrer por isso. Temos a vida toda pela frente.
− Repita isso outra vez. – Shino pediu, envaidecido pelas palavras do marido.
− O sexo pode esperar?
− Um pouco depois.
− Temos a vida toda pela frente. – Kiba sorriu, dando-lhe um beijo leve nos lábios.
Tinham a vida toda pela frente, e isso era gratificante. Shino se certificaria que, a primeira noite de sexo após casados, fosse maravilhosa depois de todo o cuidado que receberia.
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