Sugar Daddy
30 Cumplicidade
Notas iniciais
O despertador tocou às cinco da manhã e Sasuke colocou-se de pé, sentindo o chão frio arrepiar-lhe o corpo. Desligou o celular, dirigindo-se para o banheiro de maneira automática, deixando uma trilha de roupas pelo caminho e indo até a ducha. Embora as noites fossem frias, os dias ali eram tão quentes que deixavam seu corpo todo grudando. Ele não precisava acordar àquela hora ali, mas o corpo já havia se acostumado com o alarme que o celular insistia em tocar.
A água gelada foi bem-vinda em seu rosto apesar do primeiro contato sempre ser desagradável. Os nós de seus músculos foram se desfazendo um a um até que sentiu um par de braços passar ao redor de sua cintura e uma boca beijar-lhe o pescoço, fazendo uma trilha de beijos quentes que contrastava com a gelidez do banho.
− Achei que estivesse dormindo. – murmurou para Naruto ao sentir a mão dele fechar-se ao redor de seu pênis, arrancando um gemido agradável quando ele começou a masturbá-lo ao mesmo tempo em que sentia o próprio membro dele roçar entre suas nádegas.
− Impossível dormir com seu despertador escandoloso, teme. Quando é que vai perder essa mania horrível de acordar de madrugada? Você não precisa mais disso. – A risada rouca de Naruto em seu ouvido era um dos melhores sons que Sasuke já havia escutado em sua vida embora jamais fosse admitir tal fato.
A verdade é que, acordar ao lado daquele dobe todos os dias, havia se tornado uma rotina agradável para o Uchiha, que não soube desde quando não quis mais fugir daquilo. Nunca havia sido bom com compromissos, sempre fugia de namoros longos, mas com ele... com ele as coisas eram simplesmente naturais.
Depois que seu irmão havia partido, não tinha tido mais pique para acreditar que alguém ficaria para todo o sempre ao seu lado. Era claro que Sasuke entendia os motivos de Itachi quando ele mesmo teria agido de maneira semelhante se estivesse em sua situação. A grande família Uchiha, conhecida por seus grandes empreendimentos e por ser inteiramente formada por advogados que foram para a prestigiosa Harvard, jamais aceitaria que o primogênito se relacionasse com um primo, Uchiha Shisui. Ao menos não de maneira séria.
A última notícia que tivera sobre Itachi era sobre ele ter se casado com Shisui em alguma capela de Las Vegas, e agora eles viviam uma vida feliz em algum lugar que não queriam que fosse identificado, pois a família iria atrás de Itachi para cobrar suas responsabilidades.
Queria Sasuke ter tido a coragem para seguir o mesmo caminho que o irmão, e, embora não falasse direito com o pai, Fugaku, ainda devia satisfações ao patriarca da família e isso o cansava.
Um suspiro baixo escapou da boca do Uchiha ao sentir o líquido gélido do lubrificante que já ficava ali ao lado do shampoo espalhar-se em seu ânus através dos dedos ousados de Naruto que já o penetravam sem ter a ciência do que pensava, ou talvez por exatamente saber o que pensava.
− Esqueça disso por um momento, teme. Resolveremos tudo juntos, lembra-se? – A voz baixa de Naruto ao pé de seu ouvido nublava completamente os pensamentos de Sasuke, e no começo isso era bastante assustador. – Eu não vou embora, lembra? É uma promessa.
− Você pode fazer o que quiser. – Ele não daria o braço a torcer mostrando um lado mais frágil agora, não quando precisaria de todas as suas forças para ficar de pé no momento em que sentiu Naruto substituir os dedos pelo próprio pênis.
− Estou fazendo, consegue sentir?
Como não sentir quando seu namorado o penetra com tamanho desejo? Como não sentir a explosão de sensações que Naruto causava em si somente por existir? Era algo inexplicável para Sasuke, mas funcionava como uma válvula de escape para todos os problemas que o mundo lhe apresentava.
E era bom, bom demais para ser ignorado. Bom demais para que fugisse dele como já havia feito no passado somente para seguir os passos de sua família conforme Fugaku queria.
Não, isso não aconteceria novamente. Ele não abriria mão de Naruto pelo medo de ser feliz, mesmo que isso fosse, de fato, bastante assustador. Se apegaria ao último conselho de Itachi, seguindo seu próprio coração.
Seu orgasmo veio junto ao de Naruto quando ele lhe atingiu a próstata. Sentiu as pernas trêmulas e os braços fortes do Uzumaki lhe envolvendo a cintura sem nunca afastar-se.
− Sei que você tem medo de tudo isso, eu também tenho. – confessou ele. – Mas temos feito as coisas darem certo desde que você começou a trabalhar pro Shino, não é? Tenho certeza de que poderemos superar qualquer obstáculo juntos.
O silêncio imperou como resposta, mas para Naruto bastou. Ele não esperava que Sasuke lhe desse respostas diretas, mas enquanto ele permanecesse ali, faria o possível para curar todas as feridas que a vida já havia lhe causado.
X
Kiba achou que já havia dormido em camas confortáveis na companhia de Shino, mas aquele local existia apenas para provar-lhe que sempre existia uma cama melhor e mais fofinha.
Havia mergulhado em um sono profundo sem sonhos apenas para despertar com o cheiro de ovos e bacon sendo feitos na manteiga. Que realidade poderia ser melhor do que essa?! Ah, uma na qual o seu esposo maravilhoso trazia este café na cama vestindo apenas um roupão de linho preto.
− Achei que pudesse estar com fome já que dormiu quase a manhã inteira. – Shino falou em um tom divertido enquanto aproximava-se da cama onde Kiba permanecia preguiçosamente deitado.
− Tô faminto! – exclamou com um sorriso que deixava os caninos afiados de fora. Ajeitou-se sobre os travesseiros recebendo a bandeja de Shino. Haviam ovos mexidos, bacon, torradas e frutas cortadas e dispostas de acordo com suas cores, tão organizadas do jeitinho que apenas Aburame faria. – Vai comer comigo?
− Hn. – Shino concordou, sentando-se no espacinho que Kiba havia deixado para si ao seu lado. – Dormiu bem?
− Feito um bebê! – Kiba sorriu largo enquanto experimentava os ovos. – Caralho, isso aqui tá muito gostoso!
− Usei umas ervas locais para dar um sabor especial. As mulheres da cozinha do palácio do Kazekage me contaram alguns segredos culinários. – Shino ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz. Mal terminou de falar, Kiba deu-lhe uma garfada dos ovos na boca.
− Você é mesmo incrível, Shino. – O sorriso em seu rosto era de orgulho. Havia uma plenitude nas feições de Kiba que Aburame aprendeu a identificar com o tempo. Era bonito ver como ele era capaz de se sentir orgulhoso pelas outras pessoas daquela maneira. – Construiu um império do zero, aprendeu a se virar e a cozinhar sozinho e ainda... é o melhor marido que eu poderia arrumar. Tirei mesmo a sorte grande! Queria poder ter o mesmo para te oferecer.
Shino segurou o queixo de Kiba virando-o em sua direção para que o olhasse diretamente. Mesmo por trás das lentes escuras de seus óculos, Inuzuka sentiu a profundidade daquele olhar.
− Você me ofereceu o mundo de oportunidades através do seu perdão e das suas palavras. Muitas pessoas, no seu lugar, sequer teriam considerado a opção de me dar uma segunda chance, e, Kiba, me recebeu de braços abertos de volta na sua vida me permitindo contar o que havia acontecido no tempo certo. Eu sou tão grato por isso que nem mesmo em três vidas serei capaz de expressar.
As palavras sinceras de Shino trouxeram lágrimas aos olhos de Inuzuka, mas ele se recusaria a chorar na própria lua de mel! Ao invés disso, aproximou-se tocando a testa contra a dele, e permitiu que os narizes se roçassem em um beijo de esquimó.
− Posso não ter muito para te oferecer, mas você sempre terá o meu amor e a minha confiança, disso eu não tenho dúvidas. – disse Kiba. – Algum dia, poderei te dar mais do que isso, mas pode ter certeza de que eu sempre cuidarei de você.
− E eu de você.
Abraçaram-se no silêncio do cômodo, curtindo o café da manhã delicioso que Shino havia preparado.
− Teremos a vida toda pela frente e além dela para que eu possa alcançar você. – Kiba deu um risinho.
− Você já me alcançou, Kiba. – Shino sentenciou. – Eu estou bem aqui ao seu lado.
Inuzuka refletiu sobre aquelas palavras, decidindo por fim concordar com ele.
− Não é só porque tenho mais dinheiro que você ou uma condição mais abastada que isso te faz inferior, muito pelo contrário. – O CEO fez uma pausa. – Tudo o que é meu é seu e o nosso casamento é uma prova disso. É por isso que eu não quis nenhum papel que separassem os meus bens dos seus.
Os olhos de Kiba se arregalaram diante daquela informação.
− Shino... – Aburame apertou as mãos dele ao ouvir o tom choroso em sua voz.
− Não quero ser como aquelas pessoas ricas que colocam o dinheiro acima de tudo, Kiba. Tudo o que temos para viver, viveremos juntos. Todas as nossas conquistas serão divididas. E eu quero que você saiba que nada disso me importaria, nenhum dinheiro no mundo, se eu não tivesse você.
Foi impossível se segurar nesse momento! Kiba escondeu o rosto na curva do pescoço do esposo, as lágrimas correndo através dos olhos enquanto soluçava baixinho.
− Acho que você exagerou na pimenta. – disse ele.
− Acho que sim. – Shino sorriu, permitindo que o marido desabafasse todos aqueles sentimentos que oprimia no peito, pois era assim que um verdadeiro casal deveria agir.
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