Sugar Daddy
16 Tudo a seu tempo
Notas iniciais
Naruto estava nervoso.
Com a semifinal do Masterchef se aproximando, tudo o que conseguia pensar era no quanto havia chegado tão longe.
As coisas não tinham sido fáceis. Havia se destacado entre os melhores por muitas vezes, mas também havia ficado na berlinda.
Os competidores eram muito bons e, por vezes, sentira-se um amador perto de muitos ali.
Mas não eram todos eles amadores que amavam a cozinha?
O que lhe dava forças era lembrar-se do avô, Jiraya, e de tudo o que ele havia lhe ensinado até então.
Pois a cozinha não era apenas sobre cozinhar. Qualquer um poderia copiar uma receita vinda de um livro ou da internet. Qualquer um poderia se tornar um chefe de cozinha com estudo e empenho.
Mas o amor? O amor era para poucos. Era para aqueles que tinham aprendido a impregnar a própria alma na cozinha. E era por isso que Naruto se empenhava tanto. Pois um dia, ele reabriria o restaurante Icha Icha de seu avô.
Um dia, ele espalharia o amor no mundo através de suas refeições.
− E então, como está se sentindo?— Sasuke perguntou através da chamada de vídeo, já que não poderiam se ver. Estava ali para apoiá-lo. Era sua família. De alguma forma, naqueles poucos meses em que haviam ficado juntos, tudo parecia ter se encaixado. Mesmo que brigassem em 90 por cento tempo, Sasuke e ele se compreendiam em um nível que não poderiam explicar. E não era apenas a boa química na cama. Naruto sabia.
− Um pouco nervoso, confesso. Haha. – Naruto passou a mão na nuca. Poderia mentir para Sasuke e dizer que estava bem. Mas já haviam passado daquela fase. – E você, teme?
Sasuke apoiou o celular de frente para ele enquanto amarrava a própria gravata de forma que Naruto pudesse vê-lo. Adorava a concentração de Sasuke naqueles momentos.
− Tenho uma reunião importante hoje. Shino não vai estar presente porque está viajando para Suna. Ele e Kiba mandaram lembranças, já que você só pode ter uma única ligação. — Sasuke terminou o nó da gravata e inclinou-se para frente, os olhos bem fixos na tela do celular. – Vai se sair bem. Tenho certeza. Não importa o que tenha que preparar. Faça com o coração.
Naruto sorriu. Pois sabia que Sasuke jamais diria isso em tempos antigos. Mas agora ele se esforçava. Abria-se mais. E isso era uma conquista maior do que qualquer troféu.
− Eu vou. Pode ter certeza de que levarei esse troféu para nossa casa, ‘te bayo! – Ergueu o polegar em sinal de vitória.
Sasuke apenas sorriu, fazendo o mesmo gesto. Não deixando de notar o quanto nossa casa soava bem aos próprios ouvidos.
X
Kiba estava nervoso.
Não apenas por aquela ser a primeira viagem dos dois como um casal em definitivo, mas por todas as coisas em que ela implicava.
Já fazia um mês que os dois tinham começado a namorar.
Kiba havia pedido para irem devagar. Não porque tinha medo de ir para a cama com Shino – não seria sua primeira vez com um homem –, mas por ser ele. Por querer que tudo fosse perfeito.
E por isso a viagem era tão importante.
Sem Naruto por perto, era difícil lidar com toda a pressão. Hana era sua irmã, uma pessoa preciosa em sua vida. Mas como contar detalhes tão sórdidos a ela?
E sua mãe, bem... ela fazia listas. E elas eram pouco constrangedoras. Kiba ainda se lembrava na adolescência, quando ela havia sugerido aquilo achando que Kiba e Shino haviam avançado um pouco além em seu relacionamento. Mas isso estava longe de ser a verdade. Pois os dois estavam mais preocupados em se divertir com jogos e filmes no cinema do que com pegação ferrenha.
Fato pelo qual Naruto vivia tirando onda com sua cara. Mas Kiba não se importava.
De tudo, sua única tristeza era não ter perdido a virgindade junto com Shino. Pois era algo que seria especial. Mas tudo bem. Nem tudo é como desejamos, certo?
Mas teriam sua primeira vez.
Seria especial. Ele faria ser.
− Tudo pronto, Kiba? – A voz de Shino no batente da porta fez com que Kiba berrasse pelo susto.
− Caralho, Shino! Assim você me mata do coração! – exclamou Inuzuka, com a mão teatralmente repousada no peito.
Shino, por sua vez, apenas sorriu de canto. Aproximando-se do namorado que vestia apenas um moletom preto, sem camisa, e abraçou-o por trás, apoiando o queixo em seu ombro.
− Go-me-ne.— murmurou baixinho, mordiscando sua orelha. – Como posso te compensar?
Kiba respirou fundo, sentindo os pelinhos de seu corpo eriçarem pelo mínimo contato. Pois Shino lhe deixava assim, completamente absorto!
Repousou as mãos sobre as dele, sentindo os beijos cálidos espalharem-se por seu pescoço, junto do calor que descia pelo baixo ventre atingindo suas partes baixas. As mãos de Shino brincavam no cós de sua calça e tudo o que Kiba queria era que ele lhe tocasse, mas...
− Suna. – disse repentinamente, girando o corpo e ficando de frente para o namorado. Enlaçando seu pescoço. – Vai me compensar em Suna.
Shino ficou aturdido com a maneira repentina com a qual Kiba lhe afastou. Haviam dividido a cama algumas vezes após o episódio no apartamento de Sasuke. E Kiba dormia muito ali – tinha inclusive uma gaveta apenas para ele, que nunca bastava para suas roupas sempre emboladas –, mas nunca haviam avançado além de beijos e carícias um pouco ousadas. Kiba sempre dava um jeito de freá-lo. E embora Shino se sentisse borbulhando de desejo pelo namorado, o respeitava.
Não sabia exatamente o que se passava pela cabeça de Kiba naquele momento, mas eventualmente descobriria.
− Tudo bem. – Mais uma vez, foi compreensivo, afastando-se. – Vou esperar na sala enquanto você toma um banho.
− Shino? – chamou baixinho. Aburame parou na porta do quarto, a mão apoiada sobre o batente. Seu corpo todo tremia pelo êxtase do momento e pela excitação contida. – Obrigado por respeitar meu momento. Sei que não tem sido fácil para você. Mas prometo que valerá a pena.
Ele apenas sorriu de canto.
− Tudo a seu tempo, Kiba, tudo a seu tempo.
Kiba não sabia dizer se Shino era apenas compreensivo demais ou se realmente estava começando a ficar magoado com suas atitudes.
X
Ino olhava para o horizonte, a bela vista do local onde o jardim do príncipe Kazekage logo floresceria. As plantas e projetos já estavam preparados. Shino chegaria com Kiba um mês antes de seu casamento para que conseguissem deixar tudo perfeito com seus nanorobôs.
Sentiu um par de mãos repousarem sobre seu ombro, enquanto as imagens se projetavam em sua mente: girassóis, apontando para leste todas as manhãs. Encarando o sol como se fosse seu deus e protetor. Lírios, coloridos e diversos para ressaltar a beleza do local. E talvez até mesmo roseiras, se o clima árido as permitisse sobreviver.
− Em que está pensando? – Gaara perguntou, massageando levemente os ombros tensionados de Ino. – Está tão tensa. É o casamento que te deixa assim?
− Hmm, não. – Sorriu brevemente, apoiando a cabeça em seu peito. E permitiu-se fechar os olhos e relaxar enquanto ele continuava a massagem. – Estou pensando no jardim que vou projetar com a ajuda de Shino. Em como a vista daqui ficará ainda mais linda do que apenas com essas pedras que fazem a frente da sua casa e com a terra que já está preparada.
Gaara anuiu com a cabeça embora Ino não estivesse com os olhos fixos nele. Continuou a massagear seus ombros.
− O casamento só me traz felicidade e boas coisas. – Ino entreabriu os olhos e estendeu uma das mãos para entrelaçar os dedos aos de Gaara. – Acredite em mim quando digo que você foi a melhor coisa que já me aconteceu em tanto tempo.
Gaara inclinou-se para frente, os lábios recostando sobre os dela.
− Eu poderia dizer o mesmo se você já não soubesse. – disse ele. – Que aquela mulher forte e decidida que resolveu me desafiar foi a melhor coisa que já me aconteceu. Pois foi a primeira pessoa que não me viu como o príncipe de uma nação, mas como um homem. Talvez até mesmo um menino mimado.
− Hmm, eu não diria mimado. – Ino deu uma risada leve. – Você não foi mimado, certamente. Não quando teve que tomar a frente de tudo aos dezessete anos. Eu gostaria de ter te conhecido antes. Para que não tivesse sofrido tanto sozinho.
Os olhos de Gaara se perderam no horizonte por um momento. Lembrando-se da mãe maravilhosa e do pai extraordinário. Ambos levados antes de seu tempo. A mãe, por conta de um câncer que se espalhou tão rapidamente que nem todo o dinheiro e influência de seu pai foi capaz de salvá-la. O pai, segundo as teorias de Gaara e dos irmãos, levado por conta de intrigas políticas que o haviam definhado até que alguém havia lhe matado. Pois Gaara não acreditava que, com a saúde perfeita que Rasa tinha, tivesse morrido subitamente de um ataque cardíaco. Mas nunca puderam comprovar nada. Pois o corpo de um Kage não poderia ser submetido a autópsia. Era sagrado. Era o que acreditava a religião que seguiam. E nem mesmo o príncipe poderia ir contra isso.
Por conta da lei do país, Temari não poderia assumir a coroa a menos que se casasse. E não estava em seus planos. Não quando sua carreira vinha decolando tão bem.
E Kankuro, bem, ele era Kankuro. Ser o rei de uma nação nunca havia sido sua prioridade, mas sim toda a vantagem que o dinheiro poderia lhe oferecer. Enquanto Temari agia na parte burocrática como advogada da família, Kankuro era o responsável por descobrir as sujeiras e tramoias. Era quem impedia que os abutres se aproximassem de seu irmão.
− Tive Kankuro e Temari por perto. – disse por fim. – Mas gostaria de tê-la conhecido antes.
Era impressionante como mesmo na simplicidade, Gaara conseguia ser fofo.
− Já disse que amo você hoje?
− Ainda não.
Ino o puxou para perto, repousando os lábios sobre os seus. Os olhos turquesa encaravam Gaara daquela forma sedutora que o haviam encantado desde o primeiro contato.
− Eu te amo, meu príncipe. – disse ela. – Te amo com todas as minhas forças. E te amarei para sempre.
Beijaram-se, os lábios convidativos de Gaara aceitando de bom grado a língua de Ino, que já conhecia cada canto de sua boca.
Era amor aquilo que sentia por ela.
Um amor que nunca havia experimentado até conhecê-la.
X
De malas prontas para ir, Kiba foi até a sala.
A verdade é que havia pensado muito em tudo. Em todos os pormenores.
Então, vendo Shino sentado no sofá enquanto o esperava vendo algum programa aleatório na televisão foi que tomou sua decisão.
Não existia um momento certo. A vida não era como uma receita de bolo, onde decidimos a quantidade de ingredientes e seguimos a risca.
A vida é sobre momentos.
E o momento deles era quando decidissem que fosse.
Para Kiba, o momento era sempre o agora.
Então por que ficar se poupando quando poderiam simplesmente se divertir a valer?
Aproximou-se lentamente de Shino, os passos felinos se desenhando sobre o chão até que colocou as mãos sobre seus olhos, tampando-os por cima das lentes escuras dos óculos.
− Kiba? – Shino perguntou, embora isso fosse óbvio. Já que apenas eles dois estavam ali.
− Ei, papai, estava aqui pensando que podíamos fazer uma brincadeira diferente.— sussurrou em seu ouvido.
Desta vez, foi Shino quem ficou arrepiado.
Kiba colocou a música para tocar em seu celular. Era sensual, cheia de um toque envolvente.
Quando permitiu que Shino o visse, de frente para si, viu-o ficar boquiaberto. O sorriso de Kiba, com as presas praticamente expostas, apenas ganharam uma conotação ainda mais safada. Afinal, roubar as palavras de Aburame Shino não era para qualquer um.
A pele trigueira estava exposta, pois Kiba não vestia nenhuma camisa. Ao invés disso, usava um colete azul marinho, que deixava o peitoral bem conotado. Os olhos dourados cintilavam à meia luz quando Kiba bateu palmas, um comando que julgou muito útil desde o princípio. Usava uma calça branca, com detalhes em dourado na lateral, e um cinto de couro afivelado de dourado preso ao lado da cintura, com uma faixa azul que combinava com o colete, além das botas de couro marrons. Mas não era apenas isso. Era a maquiagem em seu rosto. Os olhos delineados em preto. Os cílios alongados. Os triângulos vermelhos marcados em seu rosto. E os brincos dourados que desciam como três sinetas sob a orelha esquerda.
− Q-quando... – Mas antes que Shino pudesse dizer qualquer coisa, Kiba se sentou em seu colo, silenciando-o com o indicador.
− Ino me ajudou. Isso é tudo o que precisa saber. – Piscou para Shino, levantando-se, ficando de costas enquanto os quadris rebolavam ao sabor da música.
Shino sentiu-se completamente envolvido, hipnotizado por aquela dança que sequer sabia que Kiba conhecia. Mas se lembraria, posteriormente, de agradecer à Yamanaka Ino por aquilo. Agora apenas aproveitaria o que Kiba tinha a lhe oferecer.
E como aproveitaria!
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