Sugar Daddy
8 Passeio inusitado! (Parte 1)
Notas iniciais
− Yosh! – Naruto abriu um sorriso, à luz de sua receita perfeita. Sasuke, que até então aguardava, sentou-se à mesa. – Está pronto para provar!
− Você fez tanto estardalhaço e nunca sequer cozinhou aqui. Estou curioso. – Sasuke arqueou as sobrancelhas, partindo os hashis enquanto Naruto o servia. Tinha que admitir que o cheiro era muito bom!
− Eu não cozinho porque você fica trazendo essas porcarias da rua, ‘te bayo! – Naruto ralhou com ele, colocando as mãos na própria cintura. – Vamos, prove!
Sasuke não podia argumentar contra aquelas palavras. Para falar a verdade, nunca tomara Naruto por cozinheiro, e quando ele veio com aquela ideia maluca até mesmo fez troça de sua cara.
− Itadakimasu. – murmurou baixinho, e começou a comer.
− Itadakimasu! – Naruto o acompanhou sem cerimônias, embora seu olhar permanecesse fixo em Sasuke.
O rapaz não soube descrever a explosão de sabores intensas em sua boca. Um pouco apimentado sim, talvez, mas deliciosamente apimentado! Era a junção de todos os sabores em um caldo que parecia único, e o macarrão... a textura do macarrão!
− Uau. – Sasuke não sabia o que dizer, surpreso por aquela constatação. – Você cozinha bem mesmo.
− Hehehe! – Naruto abriu um largo e radiante sorriso diante daquela afirmação de Sasuke. Sentia-se orgulhoso por ter feito um prato gostoso e por estar agradando o namorado.
Comeram em silêncio, cada um apreciando o prato à sua maneira. Sasuke pensou sobre o que Kiba havia dito, de chamá-lo para fazer o almoço, de como ele sabia que Naruto cozinhava bem, e Sasuke não sabia nada além de que ele era um loiro gostoso e muito bom de cama, obrigado. Sabia coisas banais, coisas da época da faculdade. E embora Naruto praticamente morasse com ele, era isso.
Quando terminou de comer, repousou os hashis sobre a mesa, pensativo sobre aquilo.
− Naruto. – Sasuke o chamou, a expressão séria, mas não o sério de trabalho. Havia 50 tons de sério sobre Uchiha Sasuke que Naruto começava a desvendar.
− Hm?
Sasuke não era bom com palavras, não era bom em se expressar. Era por isso que preferia os contratos. Eles eram diretos. Não precisava lidar com pessoas da mesma forma que em um tribunal. O que não significava, é claro, estar isento deles. E esse era um local onde Sasuke dominava.
Mas com pessoas? Expressar-se era um martírio. Contar mentiras era mais fácil do que dizer como se sentia. Desprezar ao invés de demonstrar amor. Não sabia sequer como Naruto aguentava ficar na sua companhia, mas em contraponto, o namorado sabia bem como ser irritante.
− Vamos sair em um encontro. – disse por fim. – Quero saber mais sobre seus sonhos estúpidos e sobre você. Quero entender a roubada onde estou me metendo.
Pronto, estava aí. O máximo de carinho que Uchiha Sasuke podia dar a alguém. Naruto, no entanto, abriu um sorriso. Compreendendo como ele era. E sentindo-se feliz com o que Sasuke lhe oferecia.
− Vou escolher um lugar ótimo! Com karaokê e tudo!
Sasuke já começava a se arrepender. Mas talvez fosse tarde demais para voltar atrás. Pois já havia sido tragado pelo furacão Naruto.
X
Kiba passou a noite toda pesquisando um itinerário legal para se divertirem. Motivo pelo qual fora dormir pra lá das 3 da manhã. Como não conhecia o misterioso noivo de Ino e ela pedira por um passeio leve, ele optou pelo seguinte: pela manhã, visitariam o Tokyo Sea Park, onde apreciariam os mais diversos tipos de peixes, lulas e até mesmo tubarões! Havia também um show de golfinhos que parecia muito maneiro, mas que Kiba não sabia se ele iria gostar.
Almoçariam em um bistrô ali perto, e depois iriam à torre de Tokyo, onde poderiam fazer um passeio agradável acompanhado pela cerimônia do chá no fim da tarde, como forma de despedida.
Bem, Ino disse que ele não conhecia a cidade, e talvez o passeio de trem bala fosse mais divertido, mas com tão pouco tempo...
O despertador não o acordou.
Nem mesmo as várias ligações de Shino que, preocupado, foi até o apartamento do ex-namorado. Com um pouco de persuasão, conseguindo uma chave reserva com o síndico.
E se deparou com a cena mais fofa dos últimos tempos: Kiba completamente arreganhado no próprio futon, sem camisa e dormindo de boca aberta.
Ele gostaria de poder dispensar o passeio com Ino apenas para apreciar por mais tempo um Kiba dorminhoco, mas infelizmente tinham apenas meia hora antes de encontrá-los diante do Tokyo Sea Park, visto que, de madrugada, Kiba lhe mandara todo seu planejamento e, pela manhã, Shino deixou Ino ciente dos locais onde iriam, pois caso o noivo dela não fosse adepto a alguma daquelas atividades, poderiam mudar o trajeto.
Mas ela apenas pareceu animada na mensagem, dizendo que estariam lá. Seguido de diversos emojis de coração.
− Kiba. – Shino sentou-se na pontinha do futon, chamando-o.
− Hmm, deixa eu ficar mais um pouquinho, Shino. – Kiba virou-se para o lado, abraçando o travesseiro. – Hmm... assim no meu pescoço, Shino.
Shino arqueou uma das sobrancelhas. Desejando ardentemente que um terremoto destruísse o Japão apenas para que pudesse ficar ali com ele na cama, descobrindo sobre seus sonhos.
Mas não podia, não é? Suspirou.
− Kiba. – chamou novamente, agora segurando seu ombro e o balançando de leve.
E aí Kiba deu um grito.
E o mordeu.
X
− Caralho, Shino, como você entrou aqui?! – Kiba, ainda inconformado com a presença do ex-namorado, correu para o chuveiro. Havia colocado um gelo sobre o pulso de Shino, onde havia mordido, mas a marca de seus dentes afiados chegou a tirar sangue dele.
− O síndico me arrumou uma cópia da chave. Achei que algo tivesse acontecido. – elucidou. – Mas avisei a Ino que chegaremos um pouco depois. Ela e o noivo foram adiantando o passeio pelo Tokyo Sea Park.
− Gomen. Tá doendo? – perguntou, um tanto arrependido. Shino tinha certeza de que se Kiba tivesse orelhinhas, elas estariam adoravelmente abaixadas agora!
− Nai, nai. – Shino encolheu os ombros. – Mas não sabia que você era adepto de mordidas. – Sorriu de canto.
− Maldito! – Kiba lançou a almofada contra ele e Shino se defendeu com o braço. Olhando então para o ex-namorado, vestido com uma calça jeans e uma camisa lisa vermelha com gola V que combinava muito com ele. Estava prestes a colocar a coleira, quando Shino se aproximou.
− Não estamos a trabalho, é apenas um passeio com uma amiga. – disse, deixando a coleira de lado. – Foi por isso que dispensei o terno em você também.
− Mas você está...
− Gosto de me vestir assim. – Encolheu os ombros de maneira displicente, mas Kiba não abriu mão da maquiagem, fazendo-a diante do espelho. – Me diga, Kiba, estava tendo bons sonhos?
Imediatamente, Kiba parou de se maquiar. Olhando para o ex-namorado através do espelho. E deu um berro. Corando até os cabelos tentando imaginar o que havia dito!
X
Kiba foi emburrado durante o caminho todo. Shino achou adorável, observando-o com uma expressão divertida. Mas Aburame não disse nada a respeito do sonho, apenas tamborilando os dedos pela perna até que chegaram ao destino. Mandou uma mensagem para Ino.
− Eles estão na parte dos tubarões. Vamos encontrá-los.
Kiba permaneceu emburrado mesmo quando Shino dispensou o motorista. E esse descontentamento durou apenas cinco segundos, pois quando entraram no aquário e Kiba passou a ver a infinidade de peixes, esqueceu-se completamente que estava bravo!
Passearam rapidamente, Shino com as mãos no bolso enquanto observava o ex-namorado, contente como uma criança.
Parou para comprar lula frita no palito para ambos, Kiba agradecendo enquanto comia e observava um peixe palhaço, dizendo como ele se parecia com Nemo.
Finalmente chegaram a ala dos tubarões, onde Ino acenou para ambos. Estava de mãos dadas com um homem mais alto, a pele de alabastro e os cabelos ruivos espetados de maneira rebelde. Tinha os olhos de um verde intenso, e os olhos delineados fortemente por lápis kajal—uma maquiagem provavelmente feita pela própria Ino.
Ela o puxou pela mão, aproximando-se e dando um risinho ao ver Shino, sempre tão tétrico e social, em total disparidade com Kiba, um menino-moleque que só faltava estar usando calças rasgadas. Ela, por sua vez, usava um vestido preto de alças que ficava pouco acima dos joelhos, botas de couro de mesma cor e uma série de pulseiras de ouro que tilintavam conforme caminhava. Os brincos em suas orelhas continham pequenas pedras de turquesa, em um tom muito parecido com o tom de seus olhos.
O ruivo ao seu lado vestia-se de maneira semelhante à Shino, mas dispensara o terno para usar apenas uma camisa social vinho, sem gravata, e a calça social. Além dos sapatos que Shino reconheceu como armanis.
“Ótimo gosto”, pensou, enquanto ajeitava os óculos. Talvez perguntasse onde ele havia comprado aquele modelo em especial. Enquanto se aproximava, notando a tatuagem em sua testa, um kanji com a denominação amor.
E somente naquele momento, inclinando o rosto para o lado, Shino notou que ele parecia de alguma forma um tanto familiar.
− Ohhh, você é o noivo da Ino! Muito apessoado! – Kiba estendeu a mão e deu a ele um largo sorriso de mostrar os dentes. – Inuzuka Kiba, muito prazer!
− Sabaku no Gaara. O prazer é meu. – Ele apertou a mão de Kiba e olhou para Shino. – Você deve ser Aburame Shino. Estou ansioso para fazer negócios com você.
A voz calma, suave e fluída preencheu o ambiente. Mas Shino concentrou-se apenas no nome.
Sabaku no Gaara.
O príncipe real de Suna.
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