Sugar Daddy
19 Mad Dog
Notas iniciais
− Vocês se conhecem?
Kankuro apenas sorriu, aproximando-se de Kiba e lhe dando um abraço.
− Claro que sim! Como eu poderia me esquecer desse carinha?!
Ninguém entendeu nada. Mas Temari bateu uma das mãos contra a testa.
− Kankuro, seu pegador topzera! Não me diga que você já pegou o Kiba!
Shino olhou de um para o outro. Desejando ardentemente que a resposta fosse não. Que o cunhado de sua melhor amiga não fosse ex do seu atual!
***
− Kankuro, porra, me coloca no chão! – Kiba bradou, sentindo o abraço quebra-costelas dele lhe tirar todo o ar. Shino assistia à cena com a pior cara de poucos amigos possível, enquanto Temari e Ino davam risinhos, achando graça da situação.
− Poxa, quanto tempo! – Kankuro, por sua vez, ignorou o pedido de Kiba, colocando-o no chão apenas quando se satisfez de abraçá-lo como um ursinho de pelúcia.
Se Ino pudesse, teria gravado a cara de Shino naquele momento, mas infelizmente seu celular estava sem bateria.
− Pode me explicar o que está acontecendo, Kiba? – A voz comedida e pausada do namorado causou arrepios em Kiba. Para falar a verdade, achou um tantinho sexy, mas resolveu guardar aquela informação para si ao vê-lo ajeitar os óculos sobre a ponte do nariz.
− Acho melhor deixarmos isso pro carro. – Kankuro sugeriu, apontando com o rosto os paparazzi que ficavam esperando por alguma notícia bombástica no aeroporto. E certamente o que havia acontecido com eles era um prato cheio para a mídia!
Shino concordou, ainda que a contragosto, seguindo para a limusine reservada por Kankuro. Kiba entrou primeiro, sendo seguido por Kankuro – que sim, fez a vez de castiçal entre os dois – e Shino ao lado deles, enquanto Temari e Ino se debruçaram na janela do carro.
− Vamos ficar aqui para conter a mídia. Dar um motivo a eles. – Ino encolheu os ombros. – Encontramos vocês no palácio.
Kiba arqueou as sobrancelhas, olhando de Kankuro para Shino. Prevendo que aquela seria uma looonga viagem.
X
Shino era uma estátua na janela oposta da limusine quando o carro começou a andar. Kiba observou com crescente inquietude como ele parecia sério a respeito daquilo tudo!
− Muito bem, agora já estamos seguros. – Kankuro sorriu, olhando para Shino. – Me desculpe por antes, cara, não quis parecer invasivo.
− Oh não? – Shino rebateu com acidez incontida. Kiba quis repreendê-lo, mas sabia que o namorado deveria estar criando minhocas na cabeça àquela altura e compreendeu. Em seu lugar, não teria tido a mesma reação? Afinal, quando conheceu Ino, pensou que os dois haviam tido algo. E tudo não passou de um mal entendido facilmente resolvido por ambos.
− Eu e o Mad Dog aqui – Kankuro agarrou Kiba pelo pescoço, fazendo-lhe um cafuné. – somos grandes amigos. Tenho uma dívida eterna com ele, jaan. – Sorriu, soltando-o.
− Estou ouvindo. – Shino permaneceu taciturno e arisco. Não deixando de notar o apelido dado a Kiba.
− Muito bem. – Kankuro sorriu. – Posso contar a ele?
Kiba deu de ombros.
− Vá em frente. Não tenho nada a esconder do Shino. – Olhou pela janela, observando aquela cidade, tão diferente de Tokyo. Com uma cultura totalmente estranha para seus olhos.
− Então não vou poupar nenhum detalhe. – Kankuro piscou.
“Nós nos conhecemos em um dos meus trabalhos. A minha função, como Embaixador do Kazakage é, principalmente, fazer problemas desaparecerem. Embora Gaara seja o mais novo entre nós, Temari não poderia assumir o trono a não ser que se casasse, coisa que obviamente não aconteceu. E, bem, eu nunca quis essa posição para mim, entende? Me privaria de coisas demais! E eu gosto da vida que eu levo.
Então escolhi seguir outro caminho, mas sem nunca deixar de proteger as costas dos meus irmãos. Encontro os problemas e sumo com eles. É isso que faço.”
− Então você é um assassino de aluguel?! – Kiba arregalou os olhos, encarando Kankuro. O homem, que no momento desfrutava de um copo de uísque, quase o cuspiu no vidro que separava o motorista dos passageiros.
− É claro que não, seu idiota! – exclamou. – Que tipo de filmes você andou vendo?!
− Sr. E Sra. Smith foi o último que eu e o Shino assistimos. E Salt. – murmurou baixinho, triste pela repreensão. – Fizemos uma maratona da Angelina Jollie.
− Bela escolha. Ela é muito gostosa. – Kankuro pareceu pensativo. Shino pigarreou. – Ah, claro, a história!
“Não sou um assassino de aluguel. Mas um Investigador Particular que faz as coisas por baixo dos panos. Farejo problemas e os resolvo da melhor forma possível. Nunca precisei matar ninguém! Mas chantagear? Isso já é outra história! Quando nos conhecemos, em Tokyo, eu estava fazendo uma pesquisa para Temari a respeito de um cliente que investiu em algumas boates. Foi como eu te encontrei, Mad Dog.”
− Trabalhou em uma boate? – Shino perguntou, mais curioso do que bravo àquela altura da história.
− Como dançarino. – Kankuro pontuou, fazendo Kiba corar até as orelhas com a informação.
− Tempos sombrios exigiram medidas drásticas. – Kiba balbuciou, um pouco mal-humorado.
− E eu achando que o contrato do Naruto era a pior coisa que podia ter te acontecido. – Shino brincou para descontrair o clima pesado que ele próprio havia criado. Agora um pouco mais calmo. Pois não importava o que tivesse acontecido entre Kankuro e Kiba. Claramente estava no passado.
− Acaba logo com isso, Kankuro! – Kiba bradou com seu jeito explosivo. Kankuro foi descoberto apenas sorriu, matreiro, divertindo-se com toda a situação.
− Já vou! Não apresse o contador de histórias aqui, jaan! – Deu um risinho, antes de prosseguir.
“Bem, o Kiba era um Dançarino na boate como ele mesmo disse. Seu trabalho era entreter o pessoal com suas apresentações, e ele também servia às mesas como garçom. Seu apelido, Mad Dog, veio da maneira como ele agia. Parecia um cachorro raivoso! Você tinha que ver, jaan! Enfim. Fato é que eu me misturei à boate para saber mais a respeito dos fornecedores. Mas uns caras arrumaram briga comigo na boate e esse carinha aqui interviu em meu favor.”
− Kankuro era minoria ali. Eu não podia deixar que apanhasse. – Deu de ombros. Shino sentiu-se orgulhoso, pois soava muito como algo que Kiba faria.
− Tomamos uma surra fodida naquele dia, jaan!— Kankurou gargalhou.
− Mas eles voltaram com uns bons olhos roxos e dentes faltando também! – Kiba lembrou, não querendo sair por baixo na história. – E eu fiquei sem emprego. – Fez um muxoxo.
− Pois é. – Kankuro encolheu os ombros. – E eu sem um puto. Não podia ligar pro Gaara e pedir por dinheiro. Nem pra Temari, mesmo que o trabalho fosse pra ela. Então, me virei como podia aqui. Qualquer movimentação na minha conta faria com que os caras na minha cola desconfiassem de quem eu era. E não podia contar a verdade ao Kiba também. Sinto muito, carinha.
− Tudo bem. – Kiba sorriu para ele, realmente sem se importar com o fato. – Você é meio que um agente secreto. Dá pra entender porque não podia dizer a verdade.
Os dois fizeram um toquinho complicado com os punhos. Shino apenas observou, curioso com o final da história.
− Passei umas boas semanas dormindo no sofá de Kiba sem que ele me cobrasse um tostão pra isso. – Kankuro prosseguiu. – Acabei descobrindo o que precisava e disse que precisava ir embora. Ele me arrumou o dinheiro pra passagem sem perguntar nada. Mas quando tentei encontrá-lo para devolver a grana e recompensá-lo, havia desaparecido por completo, jaan! O senhorio me disse que tinha se mudado. E precisei voltar para Suna, pois não podia deixar Gaara desprotegido por tempo demais.
Shino ouviu tudo em silêncio, assimilando as informações dada por Kankuro. Então era por isso que Kiba havia atrasado as contas ao ponto de ter que aceitar a proposta de Naruto? Sem o emprego com o qual antes contava e ajudando alguém em necessidade... se mudando de apartamento para um menor e arcando com dívidas que não poderia pagar. Agora tudo fazia sentido para Shino.
Ele mordiscou o lábio inferior, satisfeito com o relato que havia recebido. Uma pulga ainda lhe mordiscava atrás da orelha, a respeito do relacionamento dos dois. E chegou a entreabrir os lábios para fazer tal pergunta, embora não tivesse certeza se queria saber da resposta. Achou melhor não.
− Obrigado por me contar a verdade. – Limitou-se a dizer. Kankuro sorriu, pegando um champanhe e estourando.
− Obrigado por cuidar desse carinha, jaan! Ele merece toda a felicidade do mundo. – Serviu o champanhe para os dois. – Kanpai!
− Kanpai! – Shino e Kiba brindaram. E Shino sentiu-se feliz pois, mesmo sabendo que Kiba havia passado por maus bocados, pelo menos havia conhecido boas pessoas no caminho e nunca havia perdido sua essência.
X
A vitória do Masterchef rendeu a Naruto exaustivas entrevistas, dois comerciais – um com uma marca de panelas e outro com uma marca famosa de shoyu –, uma participação especial em um programa de culinária onde deveria reproduzir uma de suas receitas e uma entrevista de emprego com Hyuuga Hinata e Hyuuga Neji que estava agendada para a próxima semana.
Karui também havia sido chamada para uma entrevista para trabalhar no mesmo restaurante que Naruto a pedido de Akimichi Chouji, pois vira na mulher um futuro brilhante na culinária africana. E achava que aquilo renderia bons frutos. Hinata, que conhecia a visão culinária de Chouji melhor do que ninguém, acatou ao pedido do amigo. Afinal, ele nunca havia farejado um cozinheiro ruim.
Mas aquela noite era inteirinha de Sasuke, que havia reservado para eles a suíte presidencial de um hotel elegantíssimo, um presente bônus de Shino por todo seu bom trabalho e pela vitória de Naruto no Masterchef, da qual havia sido informado através de uma mensagem enviada por Tsume para Kiba.
Sasuke estava saindo do banho, pronto para aproveitar a noite, quando viu Naruto deitado nela, vestindo nada além de chantilly em suas partes baixas, cercado por frutas tropicais, que inclusive faziam vezes em sua cabeça como um chapéu que deixaria Carmen Miranda envergonhada.
− Você é ridículo, sabia disso? – Sasuke questionou, olhando a pose despojada do namorado na cama, mas sem deixar de sorrir para ele.
− Sou uma delícia, isso sim, ‘te bayo!
Sasuke não podia concordar mais. E naquela banana coberta de chantilly, cairia de boca! Ah se cairia!
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O Palácio do Kazekage não recebia esse nome por pouca coisa. Kiba ficou fascinado com a entrada! Toda ela era construída em mármore, um paraíso feito de branco, cercado pelas areias do deserto que praticamente envolviam a cidade, de onde só era possível alcançar através do aeroporto ou viajando cerca de três dias de camelo partindo de uma cidade chamada Konoha, muito mais acessível e rica em vegetação.
O trabalho de Shino ali, ao lado de Ino, era tornar aquele terreno verde e fértil. Mas ele notou que as primeiras mudanças já haviam sido tomadas por Ino, uma vez que pequenas mudas já haviam sido plantadas na terra que havia sido colocada ali.
Além disso, Shino vinha trabalhando à distância através de videoconferências, e tinha colocado suas nano-abelhas para começarem a polinizar os arredores do palácio, concluindo que o projeto de ambos tinha êxito. O próximo passo era polinizar toda a cidade, tornando o ambiente habitável para as árvores e plantas de origem mais desértica, ponto do qual Ino era responsável por tomar a frente, já que seus conhecimentos em botânica não eram tão ricos quanto o da mulher.
Gaara os recebeu de braços abertos, agradecendo por Shino ter disposto de seu tempo para vir antes da data programada para o casamento.
− Deixarei que Ino ou Kankuro façam uma tour mais detalhada do palácio com vocês em um momento mais oportuno. – disse Gaara, parando diante de um dos milhares de quartos presentes naquele extenso corredor. – Este é o quarto das Tulipas. Como pode imaginar, o nome e a decoração foram feitos por Ino. – Encolheu um pouco os ombros, abrindo um sorriso singelo. Kiba não pôde deixar de notar que, mesmo sendo um homem difícil de demonstrar suas expressões faciais, Gaara sempre dedicava um singelo sorriso todas as vezes em que falava de Ino. – Deixarei que descansem por hora. Uma empregada virá avisar-lhes a respeito do jantar. Reservei o quarto para ambos, pois Ino disse que prefeririam assim. Ou ela está enganada?
Shino e Kiba se entreolharam com um sorriso que dizia a Gaara tudo o que precisava saber.
− Um quarto está ótimo. – Shino respondeu pelos dois. – Agradeço pela hospitalidade e peço desculpas pelo ocorrido. – Referiu-se, claro, ao acontecimento no aeroporto. Fato que fez Kiba corar até as orelhas ao lembrar-se que a ideia havia sido sua.
− Não se preocupe com isso. – disse ele. – Quem nunca cometeu uma loucura em público que atire a primeira pedra.
− Kazekage, vocêêêê?! – Kiba ficou boquiaberto, incapaz de se conter. Tendo como única resposta um sorriso singelo.
− Digamos que Ino é uma pessoa de escolhas um tanto... imprevisíveis. – Foi tudo o que se limitou a dizer. – Se precisarem de algo, toquem a sineta. Uma empregada virá imediatamente atender suas necessidades. Ino fez questão de organizar tudo pessoalmente. Espero que apreciem a estadia. São mais que bem-vindos para passarem quanto tempo quiserem. Mesmo após o casamento.
− Obrigado! – Kiba respondeu pelos dois, vendo Gaara acenar com a cabeça e afastar-se. Era incrível como ele era polido e educado! E ao mesmo tempo um cara bacana! Tinha o jeito um pouco fechado, um tantinho parecido com Shino, mas um pouco mais recluso. Talvez por conta da timidez.
Ansioso, esperou que Shino abrisse a porta do quarto. As bagagens tinham sido levadas mais cedo por um empregado enquanto Gaara lhes mostrava onde ficava a cozinha para o caso de sentirem fome. E claro que Kiba fez uma boquinha ali! E amizade com uma das cozinheiras que garantiu-lhe uma fatia do delicioso bolo de tâmara que preparava! Não era morango, mas, segundo Gaara, a fruta era de difícil acesso ali. Esperava que o namorado, junto com Ino, pudesse mudar isso!
− Woooh, olha essa cama fofinha, Shino! – Kiba se jogou na cama redonda de casal, afundando nos lençóis macios de seda brancos, possivelmente escolhidos por Ino. Todo o quarto era decorado por belas tulipas coloridas que conferiam um cheiro agradável ao ambiente. Anexo, havia uma suíte com uma banheira enorme na qual Kiba já queria se esbaldar!
Shino sorriu, tirando o paletó e afrouxando a gravata enquanto se sentava ao lado de Kiba. Puxando-o pelo queixo para um beijo demorado.
Kiba entreabriu os lábios, respondendo de bom grado ao carinho do namorado. Afastando-se somente quando sentiu o ar lhe faltar.
− Mad Dog, ein? – perguntou, retirando os óculos e deixando-os no criado mudo. – Acho que quero conhecer esse lado seu.
Kiba sorriu, divertido. Havia muuuita coisa para mostrar pra ele!
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