Sugar Daddy
7 Baby Steps
Notas iniciais
− O que eu irei adorar, Shino-kun?
A voz despojada os alcançou antes que Kiba pudesse se dar conta de que a conhecia. Foi quando a mulher adentrou o local, o sorriso iluminado no rosto, a franja loira recaindo sobre o olho esquerdo.
− Eh? Kiba-kun! – Ela abriu um largo sorriso, olhando para o rapaz parado de terno e gravata e não se fez de rogada, o abraçando com força.
Yamanaka Ino! A mulher que o havia maquiado e o feito reencontrar Shino outra vez!
—-
− I-Ino-chan! – Kiba pareceu surpreso, quando retribuiu o abraço e gargalhou, apertando a loira contra si e girando-a no ar. – É você mesmo???
− Baaaka! Claro que sou eu! Caramba! – O sorriso largo denunciava a alegria. Quando se afastaram, olhou em volta. – Que decoração maravilhosa, Shino! Ideia sua?
− Inteiramente minha! Hehe! – Kiba se sentia orgulhoso do resultado de seu trabalho duro. E ainda por cima, estava ajudando Shino!
Que era uma estátua mórbida ao lado de Sasuke. Sentindo um comichão em sua nuca e algo em sua testa saltar. Talvez uma veia pronunciada ou o princípio de uma enxaqueca incômoda.
− Vocês se conhecem? – perguntou de maneira polida. Não querendo parecer territorialista. Muito.
− Ah, sim! – Kiba, animado demais em contar, tomou a frente. – Ela foi minha maquiadora que me deu o visu do Leilão!
Shino permaneceu impassível.
− A minha também. – Sasuke se pronunciou, talvez – apenas talvez – porque não quisesse que Shino compreendesse mal aquela situação.
− Sasuke-kun! – Ino correu para abraça-lo igualmente. Sasuke parecia estar com pulgas, tão incomodado pareceu com o contato. Mas Ino não ligou nem um pouco.
− Maquiadora? Desculpe, acho que estou um passo atrás nisso. – Shino ajeitou os óculos sobre o rosto.
− Era um evento beneficente, o leilão. – Ino esclareceu. – Me esqueço que você foi apenas um participante, mas não leu o convite? A maior parte dos magnatas aqui do país recebeu um, mas acredito que na época você estava no exterior, Shino-kun.
Ele anuiu.
− O Leilão era um evento beneficente, que reunia os maiores magnatas do Japão em prol de uma causa carente. – elucidou. – Quem possuía habilidades, como eu, podia doar seu tempo. Fiquei responsável pela decoração das flores e pela maquiagem do elenco. Ouvi dizer que Hyuuga Hinata ajudou com a organização do buffet que serviu vocês.
“Cada um era responsável por algo. E precisávamos, claro, de pessoas que chamassem a atenção do público para serem leiloadas. Chamamos Itachi-kun, mas ele se recusou. Chato como sempre. Mas o Naru achou o Sasuke-kun, não é? E o nome Uchiha possui um peso e tanto! Uma família inteirinha de advogados que domina o mercado! E aí temos o Neji-kun, que, embora não quisesse participar, foi forçado pela prima. Já que era algo importante. E o Kiba-kun foi como um convidado especial. Amigo do Naruto-kun. Como nosso convidado que ia no lugar do Kiba-kun não pôde ir, ele se encaixou direitinho! E acabou sendo o maior lance do leilão. Foi você que o arrematou, não é?! Shippo demais vocês!”
− I-Ino! – Kiba era um pimentão ao seu lado.
− O quê? Falei algo que não devia? – Ela deu um risinho um tanto escandaloso. – E pelo visto você adorou o visual, né? – Ino passou o polegar de leve pela bochecha de Kiba, apenas ajeitando um detalhe.
− Digamos que sim, hahaha! – Kiba forçou a risada. Shino escondeu a coleira atrás das mãos, e Sasuke a pegou sutilmente, guardando dentro da pasta.
− Bem, acho que podemos começar com a reunião, Shino-kun. Estava ansiosa para isso.
Foi como se a postura de Ino tivesse mudado completamente. Centrada, séria, longe daquela pessoa divertida que se pareceu minutos atrás. Mas sem nunca deixar o clima pesado. Shino e ela se sentaram frente a frente na sala de reuniões, Ino dispensando o advogado que deveria acompanha-la enquanto Sasuke permanecia ao lado de Shino. Kiba do outro lado, ouvindo tudo atentamente.
O projeto de Ino consistia em levar o cultivo de flores para áreas onde a polinização estava morrendo. Mas, apenas as flores, não resolveriam o caso. Foi aí que Kiba descobriu que Ino e Shino se conheceram no exterior. Ela, enquanto estudante de botânica, e ele um engenheiro que fez a pós-graduação voltada para a área da entomologia, unindo suas duas paixões em uma coisa só.
Kiba ficou surpreso em saber que o ex-namorado já possuía duas formações!
− Então eu quero usar os seus nanorobôs para fazer essa polinização, Shino-kun. Porque as abelhas não suportam o calor escaldante do deserto. E eles estão com sérios problemas por lá.
− Certo.
− Tem... mais uma coisa que quero pedir. – Ela abriu um sorriso polido.
− Diga. – Shino era sempre sério, e Kiba até gostou de notar as nuances daquela seriedade. Quando ele trabalhava, o negócio era pra valer!
− Quero que conheça o meu noivo. Estaremos na cidade até amanhã. Gostaria de apresentar algumas coisas para ele. E temos propostas de negócios também.
Shino olhou para Kiba. Implorando.
− O quê?
Sasuke soltou o ar pelos lábios. Aquele cara desligado só podia ser mesmo amigo do Naruto.
− Pode tratar do itinerário?
− Ah! Claro! Vai ser ótimo, Ino-chan! Vou pensar num restaurante bem bacana pra gente almoçar! Se bem que...
Ino arqueou as sobrancelhas.
− Seu noivo gosta de comida caseira? E você?
− Claro! Estamos acostumados a viajar demais. Comida caseira seria ótimo!
− Então está decidido! Vou chamar o Naruto pra cozinhar pra nós!
O queixo de Sasuke caiu.
− Algum problema, Sasuke-kun? – Ino perguntou, notando sua palidez.
− Não. Claro que não. Tudo está perfeito como deveria estar.
− Então eu vou falar com ele e marcar na sua casa, Shino!
− Ainda estamos reformando, Kiba.
− Ah... é mesmo.
− Podemos fazer esse almoço outro dia, que tal? – Ino abriu um sorriso para Kiba. – Amanhã você escolhe um restaurante e um passeio agradável. Nada muito cansativo pois viajaremos de noite.
− Certo! Vou me esforçar!
Kiba parecia feliz. E ao notar o sorriso afável no rosto de Shino ao olhar para ele, Ino se sentiu inexplicavelmente feliz também.
X
DA RESCISÃO
Cláusula 5ª O EMPREGADO não terá direito à rescisão do contrato, exceto nos seguintes casos:
— Morte do EMPREGADO;
— Liberação do EMPREGADO pelo EMPREGADOR;
§1º O EMPREGADO não pode questionar esse item do contrato;
§2º É preciso um forte motivo para o EMPREGADOR decidir abrir mão dos direitos do EMPREGADO em servi-lo;
§3º Nesse caso, o EMPREGADOR lidará com a rescisão da maneira que melhor convier a ambas as partes;
− É isso! – Naruto se sentiu, de repente, muito inteligente. A massa do lamen que preparava, sua receita para entrar no Masterchef, descansava na geladeira para que ele pudesse fazer o macarrão. Nesse meio tempo, estava lendo mais um pouco do contrato.
Exaurido, com mais um novo contrato em mãos para fazer, Sasuke espiou Naruto por cima dos óculos. Havia sido por pouco, por muito pouco que aquele almoço não se concretizara. Como agiria ao dizer para Naruto que era o advogado que havia feito o contrato de Kiba? Não fazia a menor ideia!
− Isso o que, dobe? – Arqueou as sobrancelhas, encarando-o.
− Teme! Pare de me chamar assim, datte bayo! – Naruto ralhou, a bochecha inflada, sem realmente estar bravo. – Achei uma brecha no contrato!
Ok, Naruto tinha ganhado sua atenção. Sasuke se levantou do sofá e foi até a bancada da cozinha onde o namorado estava, olhando por cima de seu ombro para ler o ponto onde ele estava.
− E qual é? – Decidiu dar-lhe o benefício da dúvida.
− O Kiba só precisa irritar o Shino ao ponto de ele querer demiti-lo!
Genial. Sasuke coçou a nuca levemente e suspirou.
− Acha mesmo que irritar o Shino é uma tarefa fácil?
− Huumm, tem razão, Sasuke. – Naruto cruzou os braços, os neurônios fervilhando na cabeça.
Mas então ele parou por um momento.
− Espera. – A expressão pensativa fez Sasuke ficar na defensiva.
− O que foi?
− Como você sabe que irritar o Shino é difícil?
Merda. Merda. Merda, merda, merda, merda, merda. Merda cabeluda!
Sasuke engoliu em seco. Precisava pensar rápido.
− Pelo que você conta dele, − Sasuke começou, dando mordidinhas leves na orelha de Naruto, que retesou o corpo, dando espaço para que Sasuke continuasse. – parece uma pessoa difícil de perder a calma. E Kiba não parece tão paciente assim, não é? Em manter algo do tipo.
− É... acho que você tem razão. – As mãos de Sasuke desciam até o cós de sua calça. Naruto já sentia algo mais crescendo além da massa que descansava. – Tenho 15 minutos até a massa estar no ponto.
− Feito.
Sasuke virou-o em sua direção, capturando seus lábios. Enquanto tiravam a roupa um do outro de maneira atrapalhada e afoita.
Essa foi por pouco. Por muito pouco.
X
Já era hora do jantar quando finalmente Shino largou o trabalho e Kiba estava faminto! Pararam para jantar em um restaurante de lamens chamado Ichiraku – pedido insistente de Kiba – e ele já devorava sua terceira tigela de lamen enquanto Shino permanecia na primeira.
− Caralho, que dia cansativo, Shino! – disse. – Não sabia que você e a Ino-chan se conheciam!
− Hn. – Shino tomou um pouco do caldo do lamen. – Nos conhecemos no exterior. Ela tinha uma linha de pesquisa que casava com a minha. Fizemos alguns trabalhos interessantes juntos.
Kiba pareceu curioso.
− E foi só isso?
Shino sorriu de canto.
− Está insinuando algo? Está com ciúmes?
− E-eu?! Não! Maldito! – Se escondeu atrás da tigela de lamen, e quando a terminou, pediu mais uma. – Só fiquei curioso.
Era adorável como ele corava com qualquer coisa!
− Não foi nos meus braços que ela se atirou ao chegar.
E então, Kiba cuspiu o lamen de volta na tigela, o macarrão saindo pelo nariz. Shino bem que tentou não rir, mas foi inevitável.
− Caralho, Shino! Eu não quero nada com a Ino! Nadinha! – Abaixou o rosto, brincando com o macarrão agora intragável.
− E comigo? – Shino segurou sua mão por cima da mesa. Por um momento, Kiba foi capaz de ver seus olhos escuros por cima da lente dos óculos que descansavam na ponta de seu nariz. E sentiu o coração bater a milhão!
− Seu lamen, senhor! – A moça, solicita, o serviu.
− Huuum, tô faminto! – Usou a comida para fugir do assunto. Shino apenas sorriu. Tudo a seu tempo. – Como será esse noivo da Ino? Estabanado igual ela?
Estabanado. Olha quem fala.
− Não faço ideia. – Shino cruzou os braços. – Ela era bastante baladeira naquela época, mas também muito dedicada aos estudos. Sua proficiência era a maior de seu curso.
− Eeeh? Ino é tão inteligente assim?! – Kiba ficou surpreso. Tomara-a por uma pessoa rica de berço, com habilidades em maquiagem e que sabia lidar com flores.
− Sim. Ela fez um projeto que visava polinizar áreas desmatadas. Parece que está surtindo resultados.
− Porra, Shino, que bacana! – Os olhos de Kiba brilharam. – Você e ela, fazendo projetos pra mudar o mundo. E eu aqui... perdido na vida.
− Não está perdido. – Shino contestou. – Já me disse o que quer fazer. Já fez a inscrição no curso?
Kiba anuiu.
− Mas preciso passar no vestibular! Que dureza. Nunca fui bom em estudar. – Murchou.
− Vou te ajudar com isso. Não se preocupe.
Kiba sorriu.
− Você já me ajuda pra caramba. Obrigado por tudo, Shino. E por me dar essa oportunidade incrível de cuidar de você.
Shino abriu um sorriso, ciente de que Kiba não tinha ideia do que havia acabado de dizer.
− Obrigado também por me dar essa oportunidade incrível de alimentar você.
− E que continue sempre assim!
Kiba gargalhou, arrancando um sorriso singelo de Shino.
Devagar, passo a passo, chegariam onde Shino queria.
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