Notas iniciais
Está fic já foi postada por mim em outra conta, mas eu acabei perdendo os dados e, como aquela estava muito ruim eu vou reescrevê-la.

Entrar no primeiro ano do ensino médio já algo bastante complicado para uma pessoa que está familiarizada com a escola, existem muitíssimas novidades, a cobrança é enorme, matérias nunca antes vistas e dificuldades que insistem em aparecer, além disso, como se já não fosse ruim para os alunos residentes, é ainda pior para novatos.

O início de tarde desabrochava lindamente, naquele dia o vento intenso, papéis e folhas secas percorriam as ruas apressadamente, vez ou outra atingindo as pessoas. A ventania — apesar de estranha— estava sendo muito comentada entre os moradores, muitos reclamavam, outros adoravam, já fartos do calor e alguns diziam que logo viria tempestade.

Ela tornou a arrumar os longos cabelos castanhos enquanto caminhava, mesmo que endireita-los fosse impossível durante naquele vento. Estava cansada e irritada, a aula de educação física fora exaustiva, embora aquilo não fosse o motivo da sua ira e sim o fato que a professora de biologia voltara a atormenta-la, bufou, não existia qualquer motivo para ela fazer aquilo! Era uma boa aluna, sempre a respeitava —Ainda mais por conta da matéria que adorava—, não era baderneira, possuía a noção de educação e procurava assistir á aula quieta e atenta, sempre deixando os momentos considerados “divertidos” fora da sala. Ela não acreditava que mesmo que fizesse todo o esforço a professora sempre aproveitava a menor brecha para açoita-la, já estava esgotada daquilo.

Suspirou frustrada, Só faziam três meses que entrara no colégio e já tinha saudades da antiga escola, outrora ao menos ela possuía amigos. Não conseguia afeiçoa-se aos colegas novos, eles demonstravam grande desrespeito diversas vezes e nunca nenhum deles fizera qualquer esforço para deixar de ser somente um colega, não podia culpa-los, ela era muito diferente da maioria. Em aparência, era baixinha e possuía compridos cabelos castanhos, seus olhos eram comumente amarronzados. As outras garotas exibiam seus cabelos coloridos das mais variadas cores, junto com unhas anormalmente grandes e uniformes que geralmente eram menores do que o esperado. Em personalidade as diferenças ficavam ainda mais aparentes, as colegas sempre lhe soavam agressivas, geralmente gritando coisas que não se deveria ouvir em sala de aula e com as vozes carregadas de ironia ou esnobismo, enquanto ela era quieta e tentava manter a postura na sala, além disso ela adorava ter uma relação maior que simplesmente mentor-aluno com os professores e talvez por essa sua relação ela não se sentia tão solitária na escola.

Apesar de triste, não poderia fazer nada para mudar sua realidade naquele momento, seus pais haviam se separado e ela e sua mãe haviam acabado de mudar-se. Sua prioridade obviamente é apoiar sua mãe neste momento difícil e se esforçar ao máximo.

Estava perdida em devaneios conforme caminhava pela rua a passos apressados, os cabelos ricocheteando nas costas e os olhos perdidos, ela só saiu daquele ciclo quando notou um pequeno objeto no chão, abaixou-se para olhar e o recolheu. Era do mesmo tamanho e formato de uma moeda e, apesar da camada de sujeira que o cobria, quase o mesmo brilho. Ela fitou as cores vermelha e branca divididas por uma linha negra que em certo ponto se formou um círculo e tornou a ser uma linha, reconheceu imediatamente o desenho de uma Pokeball.

Um pequeno sorriso brotou no rosto da menina, fazia quanto tempo que não via o animê? Talvez um ano ou um pouco mais, quase na mesma época o relacionamento dos seus pais entrou em crise.

Antes, ela era uma garota solta, possuía muita inocência e diversos assuntos ela nunca se incomodara em saber. Quando descobriu que seu pai, seu héroi e protetor, cometera diversas atrocidades contra a sua mãe —Ela soubera que possuía mais de uma amante— seu pequeno mundo ruiu, não se sentia confortável em casa e estava completamente divida, não sabendo em qual dos pais confiar ou o que deveria fazer. Fora uma época difícil ela tivera muito que amadurecer, tornara-se quieta e reservada. Mas isto não lhe importara agora, sua vida logo voltaria ao lugar e talvez aquele pequeno enfeite fosse o indicativo disso.

Ela admirou o objeto na palma da mão conforme caminhava, lembrando-se da época que era somente uma menina e que acreditava com toda a sua confiança que conseguiria um mascote com poderes e que ambos sairiam em uma aventura. Sorriu quase nostálgica, fora tão triste quando completou dez anos e não recebera aquilo que tanto desejara...

Arrumou novamente os cabelos e o vento não demorou meio segundo para desmancha-lo. Quando ela notou algo; Aquela animação japonesa havia mudado a sua vida e a sua maneira de pensar desde pequenina, aquilo fazia parte de sua personalidade! E mesmo com 14 anos —Quase quinze— ela conseguia repassar vários episódios na mente. Como conseguiam torna-la tão viciada naquilo e, pior ainda; Por que ela não havia voltado a assistir antes?! Talvez aquilo fosse o que precisava para as coisas mudarem.

E quando viu, estava mais animada que o comum voltando para a casa, decidida a “voltar às raízes” por conta de um pequeno objeto encontrado na rua.

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A garota não podia negar que não gostara da nova escola, mas em contra partida ela adorava a casa que a mãe comprara. Mesmo que fosse quase exatamente igual a todas as outras na mesma rua, com somente um andar, uma varanda e um mínimo jardim nos fundos .

Ela correu até a cozinha com a Pokéball nas mãos depois de jogar a mochila no sofá, ela não era exatamente boa com uma esponja, e se você deseja se machucar siga os seguintes passos;

– Seja distraída e desastrada.

– Não saiba manejar uma esponja.

– Não saiba que o objeto que você está limpando tem uma agulha atrás.

E Pronto! Facilmente você conseguirá furar o dedo.

Ela soltou um som surpreso quando notou que havia sangue na espuma.

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Os próximos cinco dias foram os mais estranhos para si; A turma parecia mais calma, ela conseguira ver alguns episódios de Pokémon sem que sua mãe mandasse-a estudar e a professora de biologia parara de acusa-la! Embora ela tenha notado que diversas vezes ela a encarava estranho. Ela até havia conversado com um garoto da sala ao lado, Joseph era um garoto meigo e surpreendente educado, era alto e levemente corpulento, mas não “sarado”. Tinha cabelos negros muito escuros, um rosto oval e bochechas avermelhadas, mas nada disso o marcava tanto quanto os olhos, a cor era de avelã e eram profundos, com as olheiras naturais eles pareciam quase afundados na face.

Ela o conhecera quando ele perguntou da Pokéball —Já limpa— do broche que acharam dias antes, pois ela o colocara preso à mochila. Ela descobrira que ele também gostava da série e que sofria algo parecido ao dela, pois seus pais haviam se separado a algum tempo.

As coisas iam muito bem e ela tinha esperanças que sua vida iria se firmar, tinha certeza. Mas como sempre;

Estava errada.

Na noite de sábado ela teve sonhos muito mais estranhos do que aqueles com pôneis-dragões que estava acostumada.

No sonho, ela estava em meio a uma clareira no meio de uma floresta , o capim era alta e batia mais o menos nos seus joelhos, a floresta era linda... Mas absolutamente confusa e estranha, as árvores ao redor não tinham sentindo algum; Abetos, Pinheiros, Ipês, Macieiras. Plantas que jamais conviveriam em conjunto estavam ali, exuberantes e esplendorosas. Qualquer botânico ficaria louco em um lugar como aquele.

Ela sentia-se estranhamente bem, o sol tocando-lhe a pele era deliciosamente reconfortante e o local estava seduzindo-a com os cheiros frescos que invadiam suas narinas.

Mas no meio do sonho algo ocorreu, duas silhuetas percorreram a grama ao seu redor, grunhindo alto e agressivamente conforme rolavam na grama e perturbavam a paz do lugar. Ela se afastou, tentando captar qualquer detalhe das criaturas, não eram bípedes, constatou da maneira de se locomoverem. Se fosse chutar, ela apostaria que eram onças, apesar das cores não baterem.

Foi quando um dos seres conseguiu deixar o outro inconscientes e foi nesse momento que ela pensou ter enlouquecido. Era quadrúpede e tinha olhos enormes e castanhos fitando-a. Seus pelos cor creme eram brilhantes e suas grandes orelhas e cauda eram esverdeados e em certo ponto se tornavam.. folhas?!

Ela tropeçou e caiu para trás, meio apavorada, meio admirada.. Aquilo era um Leafeon? Quer dizer, sendo uma fã da série, é lógico que o reconheceu. Mas não tinha o mesmo modo da série, parecia real, com patas e focinho realísticos, mas nada parecidos com os de um cão ou gato.. Algo único. Lembrava a uma raposa, embora o focinho fosse menor e tivesse características próprias, de modo que a realidade não tinha deixado o — Deveria usar o termo Pokémon?— Medonho, mas sim, majestoso.

Ela tentou resistir à vontade de toca-lo, mas os olhos do animal pareciam tão convidativos e brilhantes que ela ergueu a mão completamente trêmula para toca-lo. Ela sentiu os pelos da face, curtos, macios e lustrosos e não pôde conter o sorriso. A sensação de toca-lo era arrebatadora mente boa, como se um aura de serenidade a invadisse no toque.

Quando ela acordou, ainda sentia o cheiro do jardim.