Suddenly I See
15 Say Hello Bad World - Final Paradise
Notas iniciais
Gente aqui como imaginamos a Candecy: http://weheartit.com/entry/46320069
Eu não sei muito bem ao certo, se vê-lo ali me assutou ou me surpreendeu.
Nate estava parado com um daqueles sorrisos que eu conhecia bem, segurando uma mala de mão parado dentro do elevador me olhando como quem pede desculpas.
A maneira que ele sorria parra mim era totalmente encantadora, e era como uma obrigação ou como um impulso involuntário não sorrir de volta. Quando me dei conta já estava dentro do elevador agarrada a seu corpo com alguns resquícios do visco que caia lá fora. Ele soltou a mala e passou seus braços fortes por volta do meu corpo me abraçando e me tirando do chão.
– Acho que te devo um pedido de desculpas. – disse Nate olhando nos meus olhos, que estavam alinhados na mesma altura devido ele ter me levantado.
– Eu tenho certeza que sim. – disse sorrindo pela careta que ele havia feito ao torcer sua boca.
– Tudo bem, me desculpa. Acho que fui estúpido com você. – disse e me devolveu para o chão.
No mesmo instante o elevador apitou, avisando que alguém o solicitara em outro andar, então puxei Nate que pegou sua bolsa e entrou no apartamento comigo.
– Você acha? – perguntei sínica cruzando os braços e tentando manter uma pose de durona diante daquele sorriso e daquele arrumar – mais para bagunçar – de cabelo que ele dava, e que era bem parecido com o gesto que Justin fazia, parecia ser mais um transtorno obsessivo compulsivo do que uma mania qualquer.
– Facilita ai vai... Leva em conta que eu passei horas e horas dentro de um avião, me perdi e ainda estou passando frio por sua causa. – disse ele com carinha de cachorro que caiu da mudança.
O ruim de ter um melhor amigo é que ele sabe exatamente o que fazer, dizer e como agir para amolecer seu coração. E aquela carinha era o meu ponto fraco, acho que o ponto fraco de qualquer mulher, pois ele ficava lindo e sexy ao mesmo tempo e era impossível permanecer brava com ele por mais um segundo.
– Tudo bem, tudo bem, você venceu. Agora desmancha essa carinha porque to me controlando para não apertar suas bochechas que me parecem extremamente apalpáveis no momento. – disse e ele riu. – Então você veio, ate aqui, encarou horas e horas de avião, se perdeu e enfrentou um frio terrível, só para se desculpar comigo? –perguntei repetindo sua frase anterior
.
– É... Vim passar um tempo com você também. Vim bancar um de turista. – disse sorrindo e se sentando no sofá.
– Sério mesmo, que você vai ficar um tempo aqui? – perguntei sorrindo largamente.
Nate era preconceituoso quando se tratava de metrópoles. Ele viveu e foi criado em uma cidade pequena com costumes pequenos. Então sua ideia de sair do seu “porto seguro” se resumia em visitar a cidade vizinha. Vê-lo aqui, em Nova York, só para se desculpar comigo, era um grande desafio.
– Acho que sim, nada como vir para a cidade grande, comer fast-foods ate não aguentar mais e sentir um pouco do cheiro da poluição dos carros, não é mesmo? – disse ele zombeteiro deitado no sofá com as mãos atrás da cabeça.
Ri e pulei em cima dele que urrou em dor ou em susto com meu ato. Rimos e ele me agarrou me apertando, acabei me desajeitando e rolei com Nate, caindo no tapete fofo que forrava a sala.
Nate caiu por cima de mim e acabamos rindo da situação. Aos poucos fomos cessando o riso e Nate começou a me olhar diferente, eu não sei bem como, mas era um olhar diferente. A situação começou a ficar constrangedora quando Nate começou a fitar a minha os meus lábios e em seguida umedeceu seus próprios lábios mordendo o inferior em seguida. Ele aproximou seu rosto do meu e poderia jurar que se eu não conseguisse me mover e sair debaixo dele, ele me beijaria.
– Ahn... Quer uma taça de vinho? — perguntei pegando a minha encima da mesinha do telefone e dando mais um gole nela.
Ele ainda no chão, deus suspiro meio cansado e se levantou, olhou pra mim.
– Cade aquela garotinha que so tomava agua gaseificada? — perguntou me encarando com a sobrancelha arqueada.
– eu ainda tomo agua gaseificada. Mas agora aprendi a apreciar um bom vinho. — disse enquanto colocava um pouco de vinho em uma taça e entregava para Nate.
– Voce mudou mesmo. — disse depois de dar um gole na taça e cruzar os braços, que marcavam mais ainda seus músculos. — agora pelo lado positivo é claro. — se concertou rápido como se quisesse se concertar. E ri fraco.
– é... Eu cresci Nate. Nós dois crescemos. — disse por fim. Aquela seria uma longa noite de conversas.
(...)
Nate saiu do meu banheiro enxugando o cabelo cm uma toalha que estava em seu ombro, ele vestia apenas uma calca de moletom cinza e seu peito estava desnudo. Evitar que minha boca abrisse se formando um perfeito O foi inevitável. Nate estava muito, mais muito gostoso mesmo.
– Lola escorre aqui ó, ta sujando o a cama de baba. — disse ele se aproximando de mim com um sorriso safado no rosot e passando o dedo no canto da minha boca como se limpasse. Tirei a mao dele do meu rosto e ri.
– Não tenho culpa se meu melhor amigo parece mais um daqueles modelos ultra gostosos da Ambercrombie. — disse em minha defesa me sentando na cama escorada a cabeceira. Os sinais das taças ou garrafas de vinho que eu e Nate havíamos acabado começavam a aparecer no meu comportamento. Bem pelo menos eu não lembraria daquilo no dia seguinte e não morreria de vergonha, como eu deveria estar agora.
Acabamos rindo comi sempre.
– Já esta tarde vamos dormir. — disse depois de olhar o relógio ao meu lado, já eram três e meia da manha. O tempo passou voando nesse meio tempo em que eu e Nate conversamos nos embebedamos e tomamos banho, separados é claro.
– Tudo bem, me da alguns travesseiros e uma coberta, aquele sofá parece confortável mas não o suficiente para me acomodar. — disse ele.
Sofá? Sala? Não não, queria Nate perto. Bem perto. Fiz bico e ele riu confuso.
– O que foi? — perguntou.
– Lolita quer que você durma com ela aqui. — disse tentando uma voz de criancinha. Ele sorriu e balançou a cabeça negativamente, mas ele não estava me negando aquele pedido, ele parecia estar expulsando pensamentos.
– Lolita não vai querer que Nate fique com as costas doloridas por dormir no chão. — rebateu como se entendesse que era para ele dormir no quarto e não na cama. Eu sabia que ele havia entendido, mas ele parecia querer escutar aquilo com todas as palavras. Tudo bem, eu diria. Eu estava bêbada mesmo.
– Lolita quer que Nate durma aqui. Aqui na cama com ela. — disse novamente com aquela voz manhosa.
– Tem certeza que ela quer isso? — perguntou e assenti com a cabeça balançando compulsivamente em sim. Ele sorriu e eu me ajeitei mais na cama, logo em seguida. Senti a cama afundar ao meu lado e me virei de frente para ele.
– Lolita ta com frio. — disse e ele entendeu o recado. Nate me puxou mais para ele e me aconcheguei em seu peito. Repentinamente o ambiente aqueceu e o frio que eu realmente estava sentindo devido as estar vestindo somente uma camiseta larga e um short minúsculo, passou rapidamente. Ele era quente. No bom sentindo é claro... Ou talvez não...
– Boa noite pequena. — disse ele beijando o topo da minha cabeça.
– Boa noite Nate. — disse e fechei meus olhos e adormeci ao som da batidas do coração de Nate que me pareciam uma Lullaby* naquele momento.
Justin's Point Of View
Era domingo, pela primeira vez em muito tempo acordei cedo e fui dar uma caminha pelo central park. Não sei por que mais acordei animado e com disposição naquele dia. Ate Ryan estranhou quando me viu acordado àquela hora da manha. Hoje era o meu dia de treinos com a Lola, e como havia acordado cedo e feito tudo o que eu tinha para fazer, resolvi ir busca lá mais cedo para treinarmos. Lola sempre acordava cedo e o único motivo pelo qual treinávamos a noite, era porque eu acordava tarde.
Para minha tranquilidade o elevador pareceu subir com uma rapidez maior o que a norma. Tive a comprovação de que ela já estava acordada assim que o elevador foi liberado rapidamente. As portas se abriram mais não era Lola ali, muito menos Candecy.
Era um cara. Isso mesmo um homem vestindo só calcas de moletom caídas e sem camisa, sua cara estava amassada e ele parecia ter acabado de acordar.
Quem era aquele cara? Provavelmente seria algum cara que dormiu com a Candecy. Claro que seria Lola não saia com ninguém,
– Quem é você? — perguntei saindo do elevador encarando o mesmo.
– Quem é você! — rebateu ele rindo em escárnio.
– Justin? — disse Louise aparecendo na sala vestida com uma camiseta masculina, que ia ate a metade de suas coxas. Ela estava descabelada e com a cara amassada, digna de uma pós noite de sexo selvagem.
Mas que porra era aquela?
– Quem é esse cara Lola? Por que ele ta no seu apartamento? E por que vocês estão vestidos assim? — perguntei atropelando as palavras. Não estava gostando daquilo, não estava gostando nada daquilo.
– Ô Jason baixa a bola ai ta. — disse o cara como se tivesse alguma moral ali.
– É Justin! — corrigi-o.
– Tanto faz, não sei o que você sabe sobre educação, mas não se chega na casa dos outros à essa hora da manha! Em um domingo e ainda cobrando satisfações. — continuou o indivíduo. Aquele cara tava me tirando do serio.
– Lola, quem é esse cara? — perguntei me virando para ela e encarando-a. Ela parecia confusa e lerda.
– Ahn... Esse é o Nate, meu... — começou a dizer, mas foi impedida de terminar pelo tal Nate.
– Namorado. Sou o namorado dela, por quê? Algum problema? — perguntou e engoli o seco no mesmo instante.
– O que? — gritei indignado encarando Lola que parecia mais confusa.
– O que? — perguntou ela poucos segundos depois de mim. Eu
Como é? Namorado? Lola não tinha namorado. Claro que não, aquele cara só podia estar blefando.
– Isso é verdade Louise Marie? — perguntei engrossando o tom de voz. Ela não podia ter um namorado eu não deixaria. Lola era como uma irmã para mim e não deixaria nenhum cara tira lá de mim.
– Claro que é. — disse Nate indo para o lado dela e abraçando-a de lado, com sua mão perigosamente em seu quadril. — Não é amor? — perguntou ele para ela que o olhou e assentiu.
– É... Nate é meu namorado Justin. — disse e sorriu agarrando-o de lado também.
Só poderia ser brincadeira, uma brincadeira de muito mal gosto a propósito. Lola não podia namorar, ela não podia. Eu na deixava. Ela era minha. Só minha. Perai, o que eu estava fazendo. Ela não era minha, que dizer, era, mas era somente minha melhor amiga. Ela não era minha mulher. Então tecnicamente ela era livre para fazer o que bem quisesse com quem quisesse.
Olhei-os indignado. Eles pareciam realmente um casal.
– Algum problema Jason? — perguntou novamente errando meu nome, parecia que estava fazendo de propósito
– Você tem algum problema de dislexia*? Já disse que é Justin porra! — gritei nervoso.
Louises Point Of View
– Qual é cara?! É tudo a mesma coisa, vai ficar bolado com isso? — disse Nathan tirando uma com Justin, que já estava vermelho de raiva.
Eu estava no meio do fogo cruzado. Não sabia o que fazer, quer dizer, desde o momento em que vi Justin entrando por aquela porta eu não sabia mais o que fazer. E depois tudo pareceu se complicar. Nate começou com isso de dizer que era meu namorado e eu não sei por que eu confirmei aquilo. Nada mais fazia sentido.
– Vou sim por quê? — disse Justin chegando com sua marra de sempre.
– Amor, você deveria escolher uns amigos melhores, esses caras daqui são muito esquentadinhos. — Nate disse para mim. E aquilo estava piorando a cada segundo.
– Vai se fu... — começou Justin gritando com Nate, mas para minha salvação ou não. Candecy apareceu na sala nervosa.
– Mas que gritaria é essa na minha casa? Não se pode mais dormir aqui? — disse ela brava com a cara amassada e mal humorada. Ela esfregou o rosto e viu a cena, eu agarrada a Nate e Justin a nossa frente. Ela olhou para Nate dos pés a cabeça e sorriu maliciosa, tive que segurar o riso, pois ela parecia um cão vendo um pedaço de carne.
– Wow... O que temos aqui? — disse ela sorrindo largo para Nate que sorriu simpático para ela. Justin percebeu e não gostou nada.
– Ah, fala sério você também Candecy? — disse ele meio revoltado.
– Eu também o que? — perguntou foi ela alienada olhando para Nate.
– Lola, preciso falar com você. A sós. — disse Justin frisando o a sós.
– Tudo bem, vamos ali no meu quarto. — disse me soltandoo de Nate e puxando Justin pela mão em direção ao meu quarto antes que ele e Nate se fuzilassem pelo olhar,
Entramos no quarto e Justin começou a andar de um lado para o outro.
– Desde quando você namora? Porque não me disse nada? Quem é aquele cara? Onde conheceu ele? Você ao menos sabe de onde ele veio? Por que ele tava na sua casa? Por que não me disse que estava namorando? — perguntava rápido e indignado, confesso que meu funcionamento cerebral trabalhava com metade de sua capacidade devido a linda e bela ressaca que me abatia no momento, com eu estava meio lerda para entender as coisas.
Mas uma coisa estava evidente, Justin estava com ciúmes de mim. E eu gostava daquilo.
– Voce esta com ciúmes? — perguntei relevando todas as suas perguntas anteriores. E ele parou na mesma hora, parecendo avaliar a pergunta. Como se tabem estivesse perguntando aquilo.
– Claro que não, não há porque eu ter ciúme daquele cara. Você é livre para fazer o que bem entender, eu só não quero que você se envolva com cafajestes. — disse ele rude, e todas as minhas esperanças de que ele estivesse sentindo ciúmes se foram e desmanchei meu sorriso.
– Cafajestes como você? — pensei, só que acho que acho que acabei proferindo aquelas palavras pois Justin me olhou indignado.
– Então você me acha um cafajeste? — perguntou meio magoado.
Sim! Você é um cafajeste, um tremendo de um babaca e eu quero voar no seu pescoço agora! – gritei internamente, mas dessa vez só internamente mesmo.
Rolei os olhos e formulei uma resposta frio o suficiente para deixa-lo abalado.
– Não. Foi só... Desculpe, mas você não tem nada a ver com os meus relacionamentos amorosos, assim como você tem a Stacy e carias outras eu posso ter alguém, ou alguéns e isso não é da sua conta. — disse e pela primeira vez naquele dia disse algo coeso.
Justin se calou e abaixou o olhar ele sabia que eu tinha razão.
– O que você veio fazer aqui à essa hora? Nossos treinos são só a noite. — disse mudando de assunto.
– É que... Acordei cedo e pensei que pudéssemos treinar agora — disse ele coçando a nuca, e sorri.
O gelo finalmente havia sido quebrado.
– Ah, tudo bem. Vou colocar minha roupa e já já fico pronta. Me espera na sala e não mata o Nate ok? Ele é legal. — disse e ele revirou os olhos e saiu do quarto.
Tomei banho e coloquei minha roupa de ginástica, estava frio, mas como meu corpo sempre esquentava devido ao exercício, coloquei um shorts, uma blusinha e meus tênis, peguei meu par de luvas de boxe no closet e peguei um casaco. Quando sai do banheiro, Nate já estava trocado. E parecia ter tomado banho.
– Seu amiguinho é meio nervoso. — disse Nate vestindo sua blusa.
– E você adora provocar. — disse sorrindo falso. — E você ainda tem que me explicar o que é isso em que nos envolveu. — disse gesticulando com a mão.
Sai do quarto com Nate atrás de mim cheguei na sala, encontrando Justin e Candecy rindo de algo.
– Pronta? — perguntou Justin assim que se levantou do sofá.
– Sim. Vamos. — disse
– Pra onde vamos? — perguntou Nate atrás de mim me agarrando. Justin olhou fixamente para a mão de Nate no meu quadril e parecia querer queima lá, reprovando aquele ato de Nate.
– Eu e Justin vamos treinar. – disse simples.
– Ótimo, vou com vocês. — disse Nate entusiasmado. Justin o olhou mortalmente, mas pareceu aceitar a ideia. Algo me dizia que aquilo seria uma péssima ideia.
(...)
– Primeiro você tem que focar no ponto fraco do seu adversário. Você é relativamente fraca e seu adversário sempre vai ser mais forte do que você. Entao usar a força é uma coisa que você tem que evitar. Foque em pontos estratégicos. – disse Justin e me contive mais uma vez para não xinga-lo quando ele disse que eu era fraca. Mau ele sabia o tamanho da minha forca.
– Tudo bem, me mostra logo os golpes. — disse impaciente.
– Haha isso vai ser engraçado. — disse Nate se sentando na arquibancada todo largado e com um sorriso maldoso no rosto.
Nate já estava sentado ali, assistindo tudo aquilo. De inicio quando Justin começou a me ensinar coisas que eu já sabia, Nate me fitou confuso e sibilei um “depois eu te explico” para ele que continuou confuso, mas não disse nem interferiu em nada.
– Olha, primeiro você faz assim — disse enquanto me dava uma chave de pescoço seguido do mata leão. Aquilo era fácil. Eu já sabia como fazer mas me fazia de desentendida para que ele não percebesse. Ele nem chegou a apertar a chave de braço, me imobilizando, só mostrou como eu deveria fazer e disse que deveria contrar os músculos do braço para apertar e sufocar o adversário.
– Ok acho que entendi. — disse logo já me preparando para aplicar o golpe nele.
– Tudo bem vamos com calma, não fica chateada se você não conseguir de primeira Leva tempo ate adquirar perfeição... – alertou e rolei os olhos. Não deixei que ele terminasse e apliquei o golpe nele, com extrema perfeição e um pouco mais de forca do que se era necessário, deixando-o surpreso e preso em uma sinuca de bico. Olhei para Nate na arquibancada que encarava aquilo tudo rindo e sorri para ele convencida.
– Lola... Já pode soltar você foi bem... — disse Justin meio sôfrego dando tapinhas no meu braço para que eu afrouxasse o braço e ele pudesse respirar. Sai de cima dele e me levantei, Justin deu longas e intensas respiradas e tive de rir.
– E ai? Fui bem? — perguntei cínica.
– É... Você foi... Bem. — disse ele ofegando surpreso.
– Sabe Justin, acabei de ter uma idéia. — se manifestou Nate levantando de seu lugar e descendo ate o ring.
– Que é? — disse Justin mal humorado.
– Que tal uma demonstração pratica pra ela? Sabe... Uma mano a mano? Eu e você... Só pra mostrar pra ela. — sugeriu Nate maldoso e olhei pra ele meio divertida, ate que seria divertido ver Justin apanhando de Nate, talvez assim ele aprendesse a não subestimar os outros. Mas por outro lado, os dois já se estranhavam e aquilo não acabaria bem. Eles iriam levar para o lado pessoal,e ossos acabariam sendo quebrados.
– Um mano a mano? Eu e você? — repetiu meio desconfiado. — Tá beleza. – aceitou.
– Eu não acho uma boa ideia. – disse desconfiada.
– Não tem anda demais Lola. É só uma demonstração. – disse Justin confiante.
Nate logo sorriu maldoso e tirou sua blusa e seus tênis, ficando somente de calcas.
– Pronto? — perguntou Nate pra Justin que engoliu o seco depois de ver o físico de Nate. — Pequena acho melhor você se afastar um pouco. — alertou Nathan já de prontidão com os braços fechados em punho pouco abaixo do queixo olhando fixamente para Justin que fazia o mesmo.
Me sentei no banco onde Nate estava sentado para assistir aquilo.
E a luta começou, Nate foi o primeiro a golpear, mas Justin desviou com perfeição e vibrei de alegria internamente. Justin logo começou a golpear Nate também, deu um soco mesma barriga que não teve muito efeito devido o tanquinho chapado e rígido de Nate. O próximo golpe de Nate não pode ser evitado por Justin que caiu ao tatame. Nate rápido foi pra cima dele, e eles começaram uma luta no chão, Justin era dominador das artes marciais, mas Nate era bem treinado então a disputa estava bem equilibrada. Os dois voltaram a ficar em pé no tatame e Justin sorriu maldoso antes de dar um belo chute no peitoral de Nate que cambaleou para trás, mas não caiu. Nate se pareceu se não gostar daquilo e partiu para cima de Justin, dando um soco nas costelas de Justin que se curvou gemendo sôfrego, Justin caiu ao chão e aquilo me preocupou ele não levantava e estava com as mãos na barriga. Me levantei desesperada na mesma hora, Justin não reagia e ai tive consciência de que aquela não era uma luta justa. Por mais experiente que Justin fosse, ele era relativamente mais fraco do que Nathan. Nate pareceu não se importar com o estado de Justin no chão em começou a ir em direção a ele novamente, corri e impedi que aquilo continuasse Justin não estava bem e isso estava evidente pela careta de dor que ele fazia.
– Já chega Nate. — disse entrando na frente dele.
– Qual é, estamos de boa. Ele ta bem. — disse Nate em defesa olhando para Justin no chão com uma cara de deboche e superioridade.
– Nate é serio, já chega. — sussurrei bem perto dele quase surrando nossos lábios, eu sabia o impacto que isso causava em Nate e aproveitei daquilo para fazê-lo parar. Ele me olhava nos olhos e intercalava entre meus olhos e minha boca. Não vou negar que ele estava realmente atraente ali. Seu rosto meio vermelho e suado, seus cabelos levemente úmidos devido ao suor, algumas gotinha ate que escorriam dali o deixando extremamente sexy.
Fui tirada de meus devaneios por Justin tossindo — forçado — atrás de nos. Me lembrei que ele ainda estava ali, e me abaixei para ver como ele estava.
– Ta tudo bem Justin? — perguntei preocupada ajudando-o a se sentar.
– To bem. — disse ele com a voz mais rouca do que o normal e aquilo me arrepiou devido a proximidade que ele ficou assim que ergueu seu tronco ficando sentado no chão.
– Ótimo, pronto pra mais uma então? — disse Nate atrás de nos.
– Acho que já chega por hoje, já aprendi o suficiente por um dia, — disse me intrometendo pra que aquilo não se tornasse uma luta de vale tudo.
– Concordo com a Lola. — disse Justin se levantando meio torto.
Me virei para ir ate o banco pegar minha bolsa e vi que Nate já colocava sua camisa. Peguei a bolsa de Justin tambem.
– Ai! — Justin gemeu de dor ao andar.
– Justin? — perguntei preocupada.
– Ta tudo bem. — disse ele sorrindo forcado
– Voce não me parece bem. Vamos, eu te ajudo. – disse e passei minha mão em volta do quadril dele, dando apoio para que ele andasse.
Chegamos ao carro e com muita briga decidi que Nate dirigiria o carro de Justin, pois ele não estava em condições pra isso. Sentei no banco da frente enquanto Justin estava no banco de traz. Deitado com uma cara nada boa.
Nate ligou o carro e partimos em direção a minha casa.
– Se você bater meu carro eu te mato! — grunhiu Justin do banco de traz, a careta dele estava contorcida em uma mistura de ódio e dor. Isso só fez despertou uma maldade a mais em Nate, que acelerou o carro fazendo manobras arriscadas fazendo o carro balançar mais do que o necessário.
– Nate! — o adverti me segurando no painel.
– Porra! — gritou Justin de dor. — Nate olhou pro Justin pelo vidro retrovisor e deu uma risada maldosa.
– Nate para esse carro agora! — gritei com ele que desmanchou o sorriso.
– Qual é Lola. — disse ele
– Nathan para agora! — gritei e ele murmurou algo que não pude escutar e encostou o carro no meio fio.
Abri minha porta e desci, ele fez o mesmo, dei a volta no carro e entrei me sentando no banco do motorista. Nate fez o mesmo batendo a porta com uma forca desnecessária. Liguei o carro e dirigi decentemente ate minha casa.
– Nate me ajuda a pegar o Justin. — disse assim que estacionei o carro em frente ao prédio, ele me olhou totalmente contrariado, mas meu olhar autoritário foi melhor.
Desci do carro e abri a porta de traz ajudando Justin sair e Nate também veio me ajudar, mas sem cuidado algum, ele parecia fazer de propósito pra que Justin sofresse a cada passo que dávamos ate a entrada.
Entramos no elevador e subimos ate Candy liberou a entrada. Entramos, e segui com Justin ate o sofa. Nate o jogou ali e mais um murmúrio de dor pode ser ouvido da boca de Justin.
– O que aconteceu com você? – disse Candy passando por Justin rindo.
– Acabou se machucando na nossa brincadeirinha. – disse Nate sorrindo malvado enquanto comia uma maça.
– Tira a camisa. – ordenei para Justin, e todos me olharam assustados. – Eu quero ver se tem alguma coisa. Nossa, como vocês são maliciosos. – continuei e em seguida eles assentiram murmurando “ahn” em uníssono.
Ajudei Justin a tirar sua camiseta suada e pude observar seu peito desnudo e malhado. Nate era mais musculoso do que Justin, mas os músculos de Justin eram mais... Não sei muito bem como descrever, eu só sei que eram diferentes, e quando digo diferentes quero dizer que são melhores. Mirei sua pequena tatuagem de pássaro e me lembrei do dia da piscina. Quando me dei conta eu sorria boba com aquilo.
Voltei a focar na real intenção daquilo: ver se Justin tinha alguma fratura ou machucado. Mas como eu já previa, não havia nada, só uma marca roxa pouco abaixo das costelas. Não era nada grave, passei uma pomada e pronto. Ele já estava novinho em folha.
(...)
Estávamos todos juntos na sala. Eu, Justin, Candy e Nate, a brincadeira da vez era Twister. Parecíamos quatro adolescentes brincando. O estado no qual nos encontrávamos era deplorável, Justin estava por baixo de Nate e eu estava ao lado de Justin e por cima de Candy.
– Quem gira agora? – perguntou Nate.
– Eu! – disse esticando meu braço e girando o disco. – Mão esquerda no azul Justin. – disse e ele tentou, mas era impossível devido a forma na qual nossos corpos estavam embolados. Resultado: Justin bateu na minha mão e eu acabei caindo em cima de Candy que caiu no chão e fez com que Nate se desequilibrasse e Justin caísse por cima dele.
Um gemido de dor em uníssono ecoou pela sala e logo depois começamos a rir um da cara do outro.
– Isso foi... Divertido. – disse retomando o ar.
– Foi mesmo. – concordou Candecy se levantando em seguida e me dando a mão para que eu me levantasse. Assim o fiz e os meninos também se levantaram do chão.
– To com fome. – disse Justin.
– Eu também. – Nate disse.
– Ok, vou fazer alguma coisa. – disse indo ate a cozinha.
– Lola, Lola, você sabe que eu te amo. Mas sua comida é pior do que a ração do meu cachorro. – disse Nate e todos ali riram.
Não era como se eu fosse uma chefe de cozinha, mas eu sabia fazer algumas coisas, elas não saiam muito boas, mas dava pra comer.
– Minha comida não é tão ruim. – me defendi.
– Pode acreditar, ela é pior do que você imagina. – Candy disse.
– Tudo bem, eu ligo pra pizzaria. – disse derrotada.
Peguei o telefone ao lado do sofá e Candy ligou o radio, onde passava uma musica do Coldplay, não me lembrava do nome, mas era legal. Candecy dançava sozinha no meio da sala, ela balançava o corpo para os lados conforme a musica.
– Eu adoro essa musica! Venham dançar rapazes. – disse ela puxando Nate e Justin, que estavam sentados no sofá, pela mão. Eles se levantaram e começaram a dançar com ela.
Pedi as pizzas e coloquei o telefone de volta na base.
– Lola pega umas cervejas pra gente. – pediu Justin.
Segui para a cozinha que era acoplada a sala, e peguei três cervejas.
– Toma. – disse jogando a garrafa pra Justin, para Nate e depois para Candecy e me virei para ir buscar uma para mim.
O barulho de vidro se quebrando se misturou ao som do radio e me virei rapidamente vendo Candecy caída no chão com os cacos de vidro em sua mão. Ela levou aos mãos a cabeça e gemia de dor.
Justin rapidamente se abaixou a altura dela.
– Justin! Justin ta doendo! Me ajuda por favor! – gritava ela desesperada, com as mãos na cabeça como se tentasse sanar a dor. Seu corpo se contorcia e ela parecia estar tendo algum tipo de ataque eu nem sei bem explicar.
Nate assim como eu, estava paralisado, sem saber o que fazer. Rapidamente corri ate ela, ficando ao seu lado.
– O que ta acontecendo com ela? – perguntei nervosa, vendo-a se retorcer e gritar de dor.
– Ela tem que ir pro hospital. Calma Candy, vai ficar tudo bem. – disse Justin e em seguida pegou ela nos braços.
– Pega as chaves do meu carro! – gritou pro Nate que logo pegou as chaves na mesinha de centro.
– Ah! Meu deus, Justin faz parar pelo amor de deus! – gritava Candecy desesperada.
O elevador estava pronto, Justin entrou ali correndo com Candecy em seu colo sendo seguido por mim e por Nate.
– Candecy, calma, vai ficar tudo bem. – Justin disse tentando acalma-la que se contorcia e puxava os cabelos com força como se aquilo fosse sanar sua dor.
Nate parecia mais ou tão assustado quanto eu. Nenhum de nós sabia o que estava acontecendo.
Chegamos ao térreo e Justin correu com ela para o carro, o qual Nate já havia destravado. Justin colocou ela no banco de trás e eu me sentei com ela, colocando sua cabeça em meu colo. Ela chorava e gritava gemendo de dor. Justin entrou no carro e Nate tambem no banco do passageiro. Justin voava com o carro, ate o hospital.
Ele tirou algo do bolso da calça e jogou para mim. Era um celular.
– Liga pro Doutor Bruce. – gritou Justin passando por entre os carros perigosamente.
– O que? O que a acontecendo Justin? – disse tremendo de nervoso.
– Liga agora! – gritou e me assustei. Foi como se eu tivesse levado um choque e todos os meus músculos estivessem paralisados, eu não conseguia me mover.
Nate arrancou o celular da minha mão e pareceu buscar o numero na agenda do telefone. Ele colocou no viva voz e eu já não entendia mais nada.
– Dr Bruce? – disse Justin.
– Sim, quem é? – a voz de um homem soou grossa através do aparelho.
– Sou Justin, se lembra de mim? Eu estava com Candecy naquele dia.- disse Justin.
– Oh, sim, me lembro. O que aconteceu? A Senhorita Anderson esta bem?
– Não, ela ta tendo uma espécie de convulsão eu não sei, ela não ta bem. – disse Justin nervoso passando todos os sinais vermelhos.
– Traga-a para o hospital agora! – disse o tal medico e a linha caiu.
Me despertei daquilo com mais um grito de Candecy. O ultimo.
– Candy? Candy acorda pelo amor de deus. – gritei desesperada vendo que ela tinha parado de se contorcer e seus olhos tinham se fechado. Minhas lagrimas caiam incessantemente por seu rosto e eu a chacoalhava na tentativa de acorda-la. Totalmente falha.
– Justin. Pelo amor de deus o que ta acontecendo? – gritei desesperada soluçando, enquanto ele a olhava desmaiada no meu colo. – Candy! Fala comigo Candy, acorda! – gritava para ela, na esperança de que ela acordasse.
Justin voltou a dirigir louco para o hospital e estacionou em cima da calçada mesmo, onde já havia uma equipe medica e uma maca para ela. Justin saiu do carro e abriu a porta do meu lado, tirando-a do meu colo e pegando-a em seus braços. Ele a colocou em uma maca e a equipe medica levou-a para dentro.
Justin acompanhou eles ate que entraram em uma parte onde a nossa passagem não era permitida.
Eu e Nate estávamos um pouco atras dele que parecia derrotado.
Senti alguém me abraçar de lado, era Nate. Me agarrei a ela e comecei a chorar, chorar igual a uma criança. Eu soluçava e meus soluços podiam ser ouvidos de longe diante daquele silencio do hospital.
– Sh... Vai ficar tudo bem. – disse Nate acarinhando minha cabeça.
Eu não conseguia entender, o que tinha acontecido com a minha melhor amiga? Por que ela estava ali agora? O que ela tinha? Como Justin sabia de tudo isso?
Na minha cabeça agora só me vinham pensamentos ruins, de que nada ficaria bem. De que eu a perderia.
Justin’S Point Of View
Eu havia falhado.
Essa frase se repetia em minha mente milhares e milhares de vezes, e eu não conseguia me convencer do contrario. Ver Lola chorando acabou comigo, ver ela daquele jeito ao ver a melhor amiga desacordada ali. Foi a pior cena que eu já pude presenciar em minha vida.
Eu sabia que no momento em que Candecy havia passado por aquela porta com aquele equipe medica, ela não voltaria mais. Eu sabia disso. Sabia que ela já havia partido. Mas eu tinha que acreditar no contrario, eu tinha que me agarrar a esperanças que nem eu mesmo já tinha. Mas eu tinha que acreditar que ela ficaria bem, para que Lola ficasse bem e consequentemente eu ficasse bem tambem.
Lola e Nate estavam abraçados. Ela chorava em seu colo, como uma criança confusa que não sabe o caminho de volta para casa.
Eu não me atrevi a chegar perto deles. Fiquei ali, rente a porta por onde tinham levado Candecy. Não sei se passaram-se horas, ou minutos, mas depois de um tempo o Dr Bruce saiu dali, sua expressão facial já dizia tudo.
– Senhor Bieber? – disse ele me procurando e fui ate ele e Lola tambem, junto a Nate.
– Sim, como ela esta? Ela ta bem não é? – disse Lola sorrindo esperançosa.
– Sinto em lhes informar que a paciente não sobreviveu.O tumor se manifestou causando uma serie de convulsões e acelerou seu batimento cardiacao, causando uma parada. A qual não pudemos reverter. – disse Dr Bruce anunciando a morte de Candecy.
Nunca tive que encarar a morte assim, em nenhum momento da minha vida ate hoje, recebi uma noticia dessas. A de que alguém tão próximo a mim havia falecido. Eu não sei o que senti, mas posso afirmar que se eu havia um coração, ele chorava em tristeza agora. Meus olhos queriam marejar mas não os permiti. Eu teria de ser forte, Lola não conseguiria enfrentar aquilo, a morte da melhor amiga. Era demais para ela.
Depois do anuncio, o Dr Bruce se retirou nos deixando ali.
Se Lola não estivesse agarrada a Nate poderia jurar que seus pés a trairiam e ela desmoronaria ali mesmo.
Seus olhos arregalados, sua face sem expressão, seu pele pálida. Tudo aquilo não me devastava, ver ela daquele jeito. Foi o estopim para o sentimento de falha me invadir.
Se eu tivesse dirigido mais rápido. Se eu tivesse obrigado-a a se cuidar. Se...
– Ele esta mentindo pra mim, Justin. Ele disse... Ele é louco, não é? Isso é um pesadelo, não é? – perguntou ela sorrindo triste.
Se eu pudesse desejar algo em minha vida, nesse momento, seria a vida de Candecy. Mas eu não podia. E teria de encarar aquilo.
Lola se agarrou a mim e me apertou liberando mais lagrimas e gritos.
– Não! Não pode ser verdade Justin. A Candy ta bem. Por favor, diz que é mentira. Por favor Justin. – dizia ela em suplica olhando para mim, eu não sabia o que fazer.
– E-eu... – comecei mas não consegui terminar, minha voz sumiu.
Lola se desgrudou de mim e não se como, ela saiu correndo em direção a porta por onde os médicos tinham levado Candecy. Ela saiu correndo em disparada e eu fui atras dela.
– Lola! – gritei chamando-a, mas ela corria rápido, olhando todos aqueles leitos vazios ate chegar no ultimo onde estava a pobre garota. Sua pele não tinha mais aquele brilho único, sua boca não era mais rosada, seus olhos azuis não brilhavam mais. Só havia um corpo sem vida ali.
Uma equipe de enfermeiros apareceu e disse algumas coisas sobre a nossa entrada ali ser proibida. Eles começaram a tentar tirar Lola dali, mas foi impedida de continuar a andar. Dois enfermeiros seguravam Lola tirando-a dali. Seus gritos me atormentavam e eu gostaria de poder fazer alguma coisa, mas não tinha mais o controle sob os meus músculos.
– Candy! Não! Candy, acorda, por favor! Não me abandona. – gritava chorando.
Era a cena mais triste que já havia visto, e naquele momento, tive vontade de deixar que as lágrimas rolassem também. Mas eu precisava ser forte. Por Louise. Eu devia isso a ela, e devia isso a Candecy.
Os enfermeiros levaram Lola de volta para a recepção e sentaram-na em um dos bancos que ela estava sentada. Nate se sentou ao lado dela e abraçou-a firmemente. Ele chorava junto dela.
Ponto de Vista do Narrador.
Já era de manha. O corpo de Candy já havia sido liberado e Justin tinha tomado todas as providencias para que ela tivesse um enterro digno. Louise já se encontrava pronta, vestindo um traje preto, como era de prache. Ela não sabia como conseguia se manter em pé ainda, talvez fosse pelo apoio de Nathan que a segurava, ajudando-a a caminhar ate o lugar onde seria a cova da amiga.
Justin, que tinha uma aparência exausta e devastada, encontrou o casal no meio do caminho. Ele ainda não havia chorado, e só a partir do momento, em que ele deixasse sua tristeza escorrer em forma de lagrimas, ele estaria leve.
Chorar, chorar, chorar...
Foi o que Louise havia feito a noite toda, antes de acabar pegando no sono no colo de Nathan na madrugada passada. A pequena com os cabelos acobreados, estava confusa. Ela não conseguia compreender como, de uma hora para a outra a seu melhor amiga, engraçada, divertida e alegre que dizia ser uma amante da vida, havia partido.
O loiro abraçou Lola de lado, assim como Nathan fazia.
– Jus... – Louise murmurou com a voz quase sumindo.
– Shh... — ela pode ouvir Justin sussurrando em resposta – Eu prometo que vai ficar tudo bem, Lola. Vai ficar tudo bem.
A situação toda era irônica.
Os três ali, Louise, Nathan e Justin. Eles pareciam tão mortos quando Candecy, sendo que ela era que partira.
Os filmes retratavam dias de enterro como dias chuvosos, onde todos usavam guarda-chuvas negros e pesados casacos. Mas naquele dia o sol brilhava em um céu esbranquiçado devido aos flocos de neve que começaram a cair. Era um dia bonito, daqueles em que Candecy gostaria de caminhar horas pelo Central Park e depois para em um restaurante de comida natural onde ela e Louise ririam de coisas fúteis Abraçando-se mais forte aos seus melhores amigos, Louise deixou que a dor a corroesse internamente, assim que chegou na cova onde o caixão já coberto pelos flocos de neve, ia sendo enterrado por pás e mais pás de terra que o funcionário do cemitério jogava.
“Quando ela era apenas uma garota. Ela tinha expectativas com o mundo.”
A musica que era tocada no momento crucial que deu o desfecho de toda aquela tragédia, parecia se encaixar perfeitamente naquela historia.
“Mas isso voou alem do seu alcance.”
A cada pá de terra que era desferida sobre o caixao da garota dos olhos azuis brilhantes, era uma lagrima que escorria dos olhos de Louise. A cada pá de terra, era um pedacinho do coração de Louise que era jogado ali, para permanecer pela eternidade com a amiga.
“Então ela fugiu em seu sono.”
E então Louise lembrou-se de uma conversa que haviam tido noites atras. O assunto surgira do nada, como um clarão inesperado, e ela lembrava as palavras de Candecy. Cada uma delas
“No dia em que eu morrer, eu não quero que as pessoas chorem. Eu quero que elas cantem e se lembrem de como a vida é importante e breve. Não quero que ninguém esqueça de ser feliz.”
Com o coração na garganta a garota, começou a cantar o refrão da musica, que era uma das favoritas da amiga.
And dreamed of para-para-paradise
(E sonhou com o para-para-paraíso)
Para-para-paradise
(Para-para-paraíso)
Every time she closed her eyes
(Toda vez que ela fechava os olhos)
When she was just a girl
(Quando ela era apenas uma garota)
She expected the world
(Ela tinha expectativas com o mundo)
But it flew away from her reach
(Mas isso voou além de seu alcance)
And bullets catch in her teeth
(E balas foram pegas com seus dentes)
Uma mão fria e macia segurou a sua, e Louise não precisava olhar para o lado para saber quem era. Reconheceria a textura da pele de Justin mesmo entre milhares de outras, o perfume amadeirado a envolvendo mais uma vez. Pegou-se o observando, procurando alguma força para que conseguisse chegar até o final daquilo. Ele vestia uma camisa preta de botões e havia uma rosa branca em sua mão livre, que só foi percebida por Louise no exato momento.
Life goes on, it gets so heavy
(A vida continua, fica tão pesada)
The wheel breaks the butterfly
(A roda corrompe a borboleta)
Every tear, a waterfall
(Cada lágrima, uma cachoeira)
In the night, the stormy night, she closed her eyes
(Na noite, na noite de tempestade, ela fechou os olhos)
In the night, the stormy night, away she flied
(Na noite, na noite de tempestade, ela voou para longe)
And dreamed of para-para-paradise
(E sonhou com o para-para-paraíso)
Para-para-paradise
(Para-para-paraíso)
Quando Louise se agarrou a sua mão mais fortemente, pode ver pela visão periférica que ele cantava junto. E logo Nathan, que parecia meio desfocado naquela cena, começou a cantar tambem.
Ver o caixão sendo coberto por um tapete de grama fora sem dúvidas a cena mais dolorosa de todas para Justin e para Louise.
Still lying underneath the stormy skies
(Ainda deitada debaixo do céu tempestuoso)
She said oh-oh-oh-oh-oh-oh
(Ela disse oh-oh-oh-oh-oh-oh)
I know the sun's set to rise
(Eu sei que o sol está pronto para nascer)
This could be para-para-paradise
(Isso poderia ser o para-para-paraíso)
Para-para-paradise
(Para-para-paraíso)
A lapide foi colocada ali, com as informações substanciais que eram necessárias.
“Candecy Anderson.
15 de Fevereiro de 1988 — 16 de Dezembro de 2012
Amiga.”
A única coisa em que conseguia prestar atenção era a lápide. Porque no momento em que ela fora colocada ali, aquilo se tornara real. Se foi e nunca mais voltaria. Não haveriam mais duetos improvisados, nem noites do pijama repletas de segredos, nem o sorriso brilhante que ela gostava de ver estampado em seu rosto. O mundo escurecia e voltava à tona, e Louise sabia que não estava bem. Que cairia a qualquer momento. Mas tudo o que ela queria era que aquilo fosse um pesadelo. Uma grande brincadeira de mau gosto produzida por seu subconsciente. A qualquer momento ela acordaria em sua cama, o sol batendo em seu rosto e Candecy estaria lá, para chama-la para fazer atividades físicas. Mas ela precisava parar de se iludir. A realidade era assustadora, mas precisava ser encarada.
Pois é. Diga Olá Mundo Cruel.
Notas finais
E então? 7 mil palavras de pura emoção ne?! Eu espero mesmo que voces tenham gostado, tou muito tensa com a opinião de voces e espero ansiosamente pelos seus reviews! Muita gente comentou no capitulo passado e eu quero agradecer a todos voces! Bem vindas fantasminhas e nao sumam mais. Agora só posto o outro com TODOS OS 50 REVIEWS OK?! POR FAVOR... BEM TCHAU...
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