Sudden Storm
1 Dual-Shot - Parte 1
Notas iniciais
Bom, é a primeira fic que eu posto AQUI, no Nyah!, mas já tinha uma fic no SocialSpirit (http://socialspirit.com.br/kitsunechan)
Isso será uma dual-shot, por que? Bem, era pra ser uma one-shot, mas... Acabou ficando muito grande, com 9525 palavras, então achei melhor dividir em duas partes, para ficar menos cansativo.
Ah, e eu fiz essa fic pois dia 3 de março foi o "aniversário" do nosso querido Doumeki ♥ (Sim, eu comemoro aniversário dos personagens dos meus animes ;u;), bom.... Sei que tô MUITO atrasada, já que a fic por ser de "aniversário", era pra ter saído no dia do aniversário do personagem, mas sabe... Deu preguiça e tudo mais HSAUHSAU
Mas saiu, levem em conta isso e.e Finjam que eu estou lançando isso no dia 3 de março certinho -qqq
(Ah, e também vou fazer um "sumário" de palavras que aparecem, já que nem todo mundo sabe o significado de todas as palavras em japonês ai:
Onigiris: são os famosos bolinhos de arroz japoneses :3
Makizushi: o famoso sushi enrolado em nori, uma folha de alga marinha desidratada.
Hitsuzen: traduzido de uma forma como destino, a palavra é muito usada durante o anime e o mangá, pela Yuuko.
Período koku: o período da primavera em que começam as chuvas.
Harumaki: são os rolinhos-primavera, bom, são até que bem conhecidos :3
Sukiyaki: é um cozido que leva carnes fatiadas, verduras, agrião, alho poró, udon (macarrão japonês), entre outros ingredientes.
Amazake: Bom, eu até cheguei a explicar no texto. É um vinho de arroz japonês doce, de teor alcoólico baixo, fabricado pela fermentação do arroz.
Hinamatsuri: "Dia das garotas", é uma festa que ocorre dia 3 de março.
Bom, talvez eu tenha esquecido alguns, mas acho que coloquei a maioria ai :P)
Bom, escrevi o melhor que pude, mesmo que ainda achei que faltou algumas coisinhas, mas...
Espero que gostem :3
Kimihiro Watanuki foi acordado ao sentir o incomodo que os raios de sol que passavam através de sua janela causavam em seus olhos. Mesmo já acordado, permaneceu alguns segundos com os olhos fechados, e assim que seu cérebro – que, aparentemente ainda estava meio “lento” por ter acabado de acordar – começou a raciocinar sobre os afazeres que teria para hoje, Watanuki apenas quis se jogar na cama, se cobrir com seu aconchegante cobertor e continuar lá, ignorando os seus deveres de hoje.
Mas, bem, ele sabia que não poderia deixar tudo de lado, afinal, ele tinha o contrato com Yuuko Ichihara – cujo o acordo era: Watanuki deveria trabalhar na misteriosa loja de Yuuko durante um indeterminado período de tempo, e ela em troca, o ajudaria a se livrar da “habilidade especial” que o mesmo tinha de ver espíritos -, e pelo que ele conhecia de sua “chefe, sabia que se ele faltasse ao trabalho, Yuuko só iria complicar mais ainda as coisas para o lado dele, seja dando-o alguma das suas missões malucas, ou o escravizando a cozinhar para ela mais do que ele já faz.
Isso claro, sem contar a escola... O ponto bom da escola na opinião de Kimihiro? Ver Himawari, a garota que, bem, o garoto tem uma certa “quedinha” – mesmo sendo bem óbvio que a garota o veja apenas como um amigo -, e o ponto ruim? Ter que aturar um certo alguém...
Certo alguém chamado “Shizuka Doumeki”. Watanuki não sabia o exato motivo, mas só de olhar para Doumeki, ele já sentia um tipo de nervosismo correr pelas suas veias, sentia-se frustrado, e sentia uma vontade imensa de gritar com o outro quando o estressava... Bom, era difícil descrever de uma certa forma, mas Watanuki tinha certeza que o sentimento só poderia ser algum “tipo” de ódio.
Talvez não chegasse a tanto como um ódio, já que odiar é uma palavra muito... Forte. Porém, era a única palavra que conseguia encontrar no momento.
Bom, na verdade já havia chegado a um ponto de quase verdadeiro ódio por Doumeki, logo após o acontecimento com aquela mulher... Ou ele deveria dizer simplesmente, com aquele... Espírito?
Ele começou a se afeiçoar tanto por ela... Afinal, ela o lembrava de alguma forma sua mãe, mesmo que suas lembranças da infância não sejam muito claras, ela sempre o tratava com o carinho que uma mãe trataria um filho.
“Parando pra pensar agora, eu nunca soube o nome dela. Acho que ela deveria ter um nome, mesmo que fosse o nome de quando ela era viva, não é?” Refletiu. Nunca sequer chegou a perguntar o nome da mulher afinal...
Mas ter contato com aquela pessoa... Não, na verdade, ter uma ligação muito profunda com um espírito que já não deveria estar mais aqui, faria a pessoa que está tendo contato com esse espírito, desaparecer, ou melhor, deixar de existir, como Yuuko o avisou de uma forma, e Doumeki também.
E então, para evitar que Watanuki “desaparecesse”, Doumeki exorcizou a mulher, com uma flecha de energia espiritual pura, coisa que ele poderia fazer graças a ter uma alma altamente pura, o que o deu certos tipos de “poderes” de exorcismo e purificação de almas e espíritos.
Doumeki havia feito desaparecer a mulher que o lembrava sua mãe, e que o tratou como filho dela. Ela o fez sentir amado, com uma família, algo que ele não sentia a muito tempo.
No momento, tudo que sentiu, foi o ódio correndo em suas veias. Raiva do que Doumeki fez. Ele não havia pedido ajuda, não se importava se fosse desaparecer, apenas queria... Ser tratado como se tivesse uma família.
Na hora, ele apenas viu esses, os pontos negativos do que Doumeki fez. Se questionava do por que? Por que Doumeki fez aquilo?
“Eu estava apenas fazendo uma escolha”
Se lembrou das exatas palavras que Doumeki disse, com o seu tom de voz de sempre, parecendo não se importar com absolutamente nada, mas se qualquer pessoa mais atenta que Watanuki escutasse a frase do maior, perceberia o pingo de preocupação na voz de Doumeki. Preocupação de perder Watanuki. Preocupação que Watanuki, não levou em conta, e nem sequer percebeu, antes de sentir ódio de Doumeki.
Porém, depois das palavras de Yuuko...
“Doumeki fez uma escolha. A escolha dele foi atirar naquela mulher, não se importando se você sofreria ou o odiaria depois disso. Ele não queria que você desaparecesse.”
“É...” Watanuki pensou e soltou uma risadinha para si mesmo “Impressionante como a Yuuko-san sempre faz as coisas fazerem sentido com suas ‘explicações’...”.
Naquele dia, depois de pensar sobre isso, e chegar a conclusão, ele viu o quanto... Quanto... Não faria sentido odiar Doumeki. Doumeki fez uma escolha. A escolha de fazer com que Watanuki não desaparecesse, custasse o que fosse. Ele não se importou se fosse ser odiado, desde que ele conseguisse fazer Watanuki continuar a existir... A escolha dele, foi proteger Watanuki, e ele antes nem sequer havia parado para pensar por esse lado.
E de alguma forma, lá dentro de sua alma, ele sabia que não sentia ódio por Doumeki... Mas era cego demais para conseguir enxergar o que sentia dentro de sua alma, claro.
Suspirou ainda deitado em sua cama futon. Pensamentos como esse não o ajudariam a ter que levantar em uma manhã como essa.
Rolou de um lado para o outro na cama, antes de se erguer, sentando-se e esfregando os olhos, logo em seguida levando sua mão até o seu óculos, que estava em cima de uma mesinha ao lado da cama. Colocou-os e então teve que infelizmente se despedir de seu cobertor quente e sua aconchegante cama.
O dia estava apenas começando...
***
Watanuki já havia terminado de se arrumar. Tinha tomado um bom banho, o que ajudou a colocar seu cérebro a ativa mais rápido, já havia escovado os dentes e colocado seu uniforme.
Havia olhado na sua geladeira e pensou entre as opções do que poderia preparar para levar como lanche na escola hoje: makizushi ou onigiri.
Resolveu optar por fazer alguns clássicos onigiris. Preparou alguns e colocou-os em três caixas, envolvidas por um pano, para que fosse mais fácil para ele levar.
Antes de sair de sua casa, com tudo já preparado e em mãos, resolveu dar uma olhada no calendário para checar a data.
3 de março.
O ano acabava de sair da sua estação de inverno, e ingressar na primavera. Á apenas poucos dias atrás, a neve ainda derretia nas ruas, mas agora, os dias já começavam a esquentar, mesmo que ainda a tarde, certos ventos um poucos frios atingissem a cidade.
Ah, e claro, também era um tipo de data festiva no Japão, o Hinamatsuri, ou “Dia das Garotas”.
Mas... De alguma forma, olhar essa data o fazia sentir como se... Estivesse se esquecendo de algo, ou tivesse algo para fazer, não conseguia entender direito.
Resolveu ignorar essa sensação e apenas seguiu seu caminho até a escola.
***
- Himawari-chan! – Watanuki praticamente gritou assim que avistou Himawari na hora do “intervalo” na sua escola. A mesma se encontrava sentada no degrau de uma escada, e acenou para o mesmo, algo que o garoto já achou incrivelmente adorável.
“Ah! A Himawari-chan é tão graciosa!” Pensou em mais um dos seus “surtos apaixonados” e caminhou até a garota.
Mas verdade seja dita, que mesmo que Kimihiro não percebesse isso, seu subconsciente sabia que ele já não se sentia mais dessa forma por Himawari.
Talvez nunca tivesse se sentido assim, afinal, quem sabe.
Seu coração não acelera quando a vê, ele não fica nervoso e envergonhado, nada.
Mas claro que ele nunca enxergaria isso, talvez até mesmo por não querer enxergar a verdade que tratava de ficar bem na frente do nariz dele. Talvez ele apenas ignorasse essa verdade, e preferisse continuar como está.
- Bom dia Watanuki-kun! – Himawari o cumprimentou com um sorriso. Watanuki olhou em volta, procurando ver Doumeki em algum lugar próximo.
- Hm? Doumeki não está com você aqui? – Watanuki estranhou o fato de Doumeki não estar por perto, logo hoje, no intervalo, quando ele normalmente se sentava com os dois para poder saborear dos lanches que Watanuki trazia consigo toda vez.
- Eu ia te perguntar a mesma coisa Watanuki-kun, pensei que se ele não estava por aqui, devesse estar com você... – Himawari disse, pensativa.
- Eu andando com o Doumeki? Claro que não! – Watanuki disse, como sempre orgulhoso demais e querendo demonstrar a suposta raiva que achava que sentia por Doumeki – Há! Melhor ainda! Pelo menos não vou ter que ficar aguentando aquele folgado.
Porém, pela falta da presença de Doumeki, o intervalo foi um completo silêncio. Os dois raramente falavam algo, apenas comiam do onigiri que Watanuki fez. A terceira caixa de onigiri que Watanuki fez, foi deixada de lado, já que era para Doumeki e o mesmo não apareceu.
Watanuki nunca pensou que iria sentir falta do barulho durante as refeições. Ele brigando com Doumeki, o mesmo dizendo que ele era barulhento, e Himawari rindo e dizendo que eles pareciam ser grandes amigos pelo jeito que agiam.
Quando o intervalo já estava quase acabando, e ambos já haviam terminado de comer, Himawari pareceu ter percebido algo.
- Ah, Watanuki-kun, acho que já sei o que é! Como pude esquecer, que bobagem minha. – Himawari deu uma risadinha e um fraco tapinha na sua cabeça – É que hoje... – Ela foi interrompida pelo sinal tocando, e alertando o começo do resto das aulas – Me desculpe Watanuki-kun, mas sabe como é, não podemos nos atrasar. – Himawari se despediu acenando para Watanuki, e cada um teve que voltar para sua respectiva sala, antes que a mesma pudesse terminar de falar o motivo que ela achava pelo qual Doumeki não teria aparecido.
***
O fim das aulas havia chegado e Watanuki se encontrou com Himawari na saída.
Por incrível que pareça, durante todo o resto do dia, após o intervalo, o garoto não conseguia pensar em outra coisa a não ser: Por que Doumeki não fez companhia para ele e Himawari hoje, e o qual era o motivo que Himawari “se lembrou” para talvez justificar isso. Era raro o outro faltar, então essa opção era quase nula, mas se ele veio, por que não apareceu?
Não importava o quanto tentasse, o pensamento não saia da sua mente.
“Mas que droga, o que deu em mim pra ficar me preocupando tanto com o motivo do folgado do Doumeki não ter aparecido? Eu definitivamente devo estar doente, porque nunca em sã consciência eu me preocuparia tanto com ele assim”.
Watanuki sentia como se soubesse o que era que tinha esquecido, um sentimento dentro de si parecia o querer dizer o que era, mas não conseguia se lembrar. Era como se a resposta estivesse na ponta da língua, mas não saísse.
Os pensamentos de Watanuki foram interrompidos por Himawari balançando a mão na frente dele para chamar sua atenção.
- Watanuki? Tudo bem? Você está meio distraído – Himawari disse meio curvada na frente de Watanuki, mas logo retomou sua compostura e continuou – Bem, como eu ia dizer no intervalo, acho que o motivo do Doumeki não ter aparecido, é que hoje é o aniversário dele. Não sei como esquecemos – Himawari deu uma risadinha.
A expressão de Watanuki foi um misto de surpresa e ao mesmo tempo, o garoto fez uma cara que praticamente dizia “Como eu sou idiota!”.
- A-Ah, mas mesmo assim! Ser aniversário dele não é motivo pra ele não dar as caras! – Watanuki cruzou os braços – Ao contrário, seria a hora que ele teria que aparecer, oras!
Himawari e Watanuki conversaram mais um pouco, mas mesmo que a conversa estivesse em outro lugar, Watanuki não conseguia tirar seu pensamento de ter esquecido o aniversário de Doumeki.
Tudo bem, poderia sentir certa – e “suposta” – raiva do outro, mas não poderia negar todas as vezes em que Doumeki o havia ajudado. E agora ele se esqueceu do aniversário do mesmo e nem sequer tem um presente para dar para ele.
“Já sei! Afinal, o dia ainda não acabou, se eu der um presente pra ele ainda hoje, pronto, ficamos quites! Eu posso talvez fazer as tarefas na loja da Yuuko-san mais rápido, e com o tempo que sobrar, eu talvez possa fazer alguma coisa...” Pensou, pondo credibilidade de que a ideia daria certo.
Com essa ideia, Watanuki deixou Himawari ir embora sozinha primeiro, e ficou um pouco de tempo a mais que o normal na escola, esperando achar Doumeki para poder deseja-lo pelo menos um feliz aniversário, mas depois de um tempo, desistiu da ideia pois poderia fazer isso quando fosse entregar o presente que pretendia fazer.
Um pouco antes de ir embora, ainda na saída do portão, avistou uma agitação na parte de dentro da escola, na saída do edifício da escola. Voltou só para ver o que era. Várias garotas rodeavam algo, ou alguém, Watanuki não sabia ao certo.
Bom, não sabia ao certo até ver um garoto alto, de cabelo preto e olhos castanhos meio dourados, Doumeki, se espremendo e praticamente cavando seu caminho entre as garotas para conseguir sair de lá, carregando uma sacola cheia de caixinhas embrulhadas.
Bom, era simples deduzir que por Doumeki ser um garoto do tipo “popular”, as garotas, em seu aniversário, fariam praticamente uma algazarra para conseguirem sua chance de desejar um feliz aniversário pra ele, e também, conseguirem o encher de “presentinhos”.
Não demorou muito para Doumeki notar Watanuki observando a cena, e logo caminhou até Watanuki, sem nem sequer se despedir das garotas que deixara pra trás, muitas ainda sem ter entregado seus presentes que ficaram decepcionadas, e que o olhavam com uma expressão chorosa, sussurrando entristecidas “Doumeki-san...” ou coisas do tipo.
- Ei – Doumeki falou logo que estava na frente de Watanuki, mas antes que pudesse continuar, Watanuki interviu, reclamado.
- Já disse, meu nome não é “Ei” pra ficar me chamando assim! – Watanuki disse, como sempre exagerando em seus gestos ao demonstrar sua frustração, e falando alto. Doumeki tapou os ouvidos com as mãos.
- Como é barulhento – Sussurrou, se referindo a Watanuki.
- Disse algo?! – Exclamou Watanuki, mais indignado ainda.
- Ei – Watanuki já havia desistido de argumentar sobre Doumeki chama-lo por “Ei”. O mais alto apontou para a caixa que Watanuki carregava, enrolada ainda no pano azul, uma das que continha os onigiris que Watanuki havia feito mais cedo, e por Doumeki não ter lanchado com eles hoje, a caixa acabou sobrando – Essa era a minha caixa de lanche, né? – Doumeki disse, como sempre com sua expressão calma.
- C-Claro que não, seu convencido! – Mentiu Watanuki – Como se eu fosse fazer lanche pra alguém como você! Era pra outra pessoa! – Watanuki cruzou os braços, com uma expressão falsamente irritada dessa vez, para dar maior suporte a sua mentira. Era fácil se perceber que o mesmo estava mentindo sobre não ter feito o lanche para Doumeki, pois logo que Watanuki mentiu, um vergonhoso calor subiu para suas bochechas, as fazendo ficarem avermelhadas.
- Hm... – Doumeki fingiu acreditar – Mas mesmo assim, aparentemente a pessoa não comeu, então poderia me dar a caixa? – Claro que no fundo, Doumeki sabia que a caixa de lanche era sim pra ele, e que Watanuki estava mentindo só para proteger seu orgulho, mas resolveu não argumentar para não arrumar mais uma discussão com o outro e ter que aguentá-lo gritando.
- Eu, Watanuki-Sama, vou te dar uma chance dessa vez e te deixar ficar com isso hoje, já que sou uma pessoa muito boa! – O garoto se gabou, com um sorriso convencido. Doumeki apenas pegou a caixa da mão de Watanuki, se virou e começou a andar, mas antes dele ir embora, Watanuki o parou – Espera! Me dá isso aqui e espera um pouco! — Watanuki rapidamente pegou a caixa das mãos do outro, correndo com ela para algum lugar dentro da escola, fora do campo de visão de Doumeki, e logo depois de alguns minutos, retornou com a mesma em mãos, e uma expressão um pouco mais avermelhada do que já estava antes, sobrancelhas franzidas e boca torcida – Toma, agora vai! – Doumeki tomou a caixa das mãos do menor, e mesmo que seu rosto não expressasse muitas emoções normalmente, era possível se notar um pingo de confusão no seu olhar.
Seguiu seu caminho até sua casa, ou melhor, templo, com a caixa em uma mão, e a sacola sendo carregada em outra.
No caminho, Doumeki se perguntava o que Watanuki teria feito quando levou a caixa. Do jeito que o garoto menor era, não duvidaria que até teria colocado algum tipo de substância tóxicas na comida dentro da caixa. Porém, se decidiu que só abriria a caixa quando chegasse em casa.
Assim que chegou, foi recebido pela sua mãe, e simplesmente jogou a sacola com todos os presentes que ganhou das garotas na escola em um canto qualquer do quarto, e ao ver que a sacola havia virado e alguns presentes tinham caído, nem se importou.
Seguiu mais focado na caixa em suas mãos, logo colocou a mesma sobre uma mesa no centro do cômodo, e desfez o laço do pano que enrolava a caixa.
E logo viu o que Watanuki realmente fizera ao sumir com a caixa àquela hora, ou pelo menos, o que deduziu que fosse.
Em cima da caixa estava grudada uma folha de papel, que provavelmente parecia ter sido rasgado às pressas, aonde estava escrito:
“Feliz Aniversário, seu estúpido!
-Watanuki”
***
Watanuki já havia chego a loja de Yuuko, e logo ele é recebido por Mokona, Maru e Moro.
- Watanuki chegou, Watanuki chegou! – Maru e Moro cantarolaram felizes, de mão dadas e rodeando Watanuki.
- Ei, Watanuki, Mokona quer comida! – Mokona disse e deu um salto para ficar no campo de visão de Watanuki, e logo que chegou ao chão de novo, saltou novamente, repetindo a frase.
- Ei, todo mundo, fiquem calmos, eu não vou conseguir fazer nada com vocês fazendo esse alvoroço em cima de mim! – Reclamou Watanuki.
- Watanuki~! Watanuki~! – As duas garotinhas que o rodeavam apenas ignoraram Watanuki e continuaram a cantarolar, Mokona também fez o mesmo.
- Watanuki! – Yuuko apareceu, vindo de uma das salas da loja – Bem-vindo! – Ela disse e logo o encarou com interesse – E então, pra que horas é o almoço? Vai fazer o que? E o saquê? – O encheu com perguntas.
- Vocês, se acalmem! – Watanuki gritou, e não resultou em nada, continuava toda aquela algazarra. Watanuki já teria explodido, apenas não surtou por ter de uma forma se acostumado um pouco com isso, já que acontecia todo dia praticamente – Se vocês continuarem não vai ter nem almoço e nem saquê pra beber! – Logo que Watanuki disse isso, Maru e Moro parraram de rodeá-lo, se sentando no chão comportadamente na frente dele, Mokona também se calou e parou de pular, e até mesmo Yuuko parou com as perguntas – Certo, agora posso ir fazer as coisas em paz! – Watanuki colocou suas coisas em um canto qualquer da entrada, aonde também deixou seus sapatos, e rapidamente foi em direção da cozinha.
Já no cômodo podia escutar Mokona, Maru e Moro cantarolando provavelmente em alguma brincadeira
Começou a preparar tudo o mais rápido que conseguia, ainda com a ideia em mente de usar talvez o tempo de sobra para fazer algum tipo de presente para Doumeki.
Tudo bem que havia o dado a caixa com o lanche, e o desejado “feliz aniversário” naquele cartão, mas isso não era um devido presente.
Comida ele sempre levava todo dia, e dividiam entre si na escola, e onigiris não era uma comida muito especial, e um bilhete não é lá grande coisa.
Enquanto preparava a comida, que hoje seria um simples sukiyaki, e também um pouco de yakiniku, com o tão amado saquê de Yuuko e Mokona, ouviu a voz de Yuuko ressoar pela cozinha.
- Watanuki, está com pressa? – Watanuki sentiu um arrepio subir pela sua espinha ao se assustar ouvindo a voz do nada. Se virou e viu a mulher parada na porta da cozinha, com um sorriso um tanto quanto suspeito no rosto.
- N-Não, por que eu estaria? – Watanuki negou, mas estava realmente com pressa pela ideia que não saia de sua cabeça. Porém, por ele ter gaguejado, provavelmente havia ficado óbvio para Yuuko que ele estava mentindo, a mulher não era nem um pouco burra para deixar isso passar.
- Deixa eu adivinhar... – Yuuko começou, se desencostou da parede e se aproximou mais de Watanuki – Você tem algo, um plano ou ideia, em mente, e quer terminar tudo aqui mais rápido para poder fazer o que precisa... – Yuuko se aproximou mais ainda e usou o seu dedo indicador para levantar o queixo de Watanuki na sua direção, olhando profundamente nos olhos do garoto, aliás, também fazia isso com os clientes algumas vezes. Parecia até que conseguia, assim, ver as respostas para tudo que precisava só no olhar da pessoa – Teria essa ideia ou plano, de alguma forma, algo a ver com o aniversário do Doumeki-kun, que é hoje? – Parou um pouco e estreitou um pouco os olhos – Você talvez esqueceu o aniversário dele e agora quer terminar algum presente ou algo do tipo, para entrega-lo a ele antes que o dia acabe, não é mesmo? – Yuuko desencostou o dedo do queixo de Watanuki assim que terminou de falar, voltando alguns passos e ficando parada a alguns metros de distância do garoto – Acertei?
- Yuuko-san, c-como você... – Watanuki levou as mãos para tampar a boca logo que começou a falar, porque falando isso ele apenas confirmou que Yuuko teria acertado. A mesma apenas deu um sorriso de canto.
- Tudo bem Watanuki, irei te dar um “desconto”. Apenas termine o almoço, e o resto do dia, ficará livre para fazer o que precisar – Disse Yuuko, livrando-o de outras tarefas que o mesmo teria que fazer na loja hoje, como varrer e limpar algumas das relíquias que Yuuko tem guardadas, e talvez mais algumas coisas.
Watanuki não sabia se agradecia, ou se escondia seu rosto – que já fervia enrubescido –, por Yuuko agora saber que ele pretendia preparar algum presente para Doumeki. E ele só piorou ainda mais depois do sorriso pervertido que Yuuko deu, logo em seguida dizendo:
- Eu não disse que você estaria ligado fortemente ao Doumeki-kun, querendo ou não? Aceite logo que vocês dois tem essa ligação, é o hitsuzen.
Yuuko foi até a porta, para sair da cozinha, mas antes parou em frente a mesma.
- Ah, e cuidado com a chuva, Watanuki! – Yuuko disse, se virou e saiu.
Mas... O que ela poderia querer dizer com “cuidado com a chuva”, sendo que a primavera nem havia chegado ainda ao seu período de chuvas, o período koku?
***
Watanuki terminou de preparar o almoço para Yuuko e Mokona, e como sempre ao servir os dois, recebeu elogios a sua ótima culinária.
Watanuki então se dirigiu confiante a cozinha e começou a preparar o prato que faria para servir como “presente” para Doumeki. Resolveu preparar alguns harumakis, makizushis, e mais algum sukiyaki, se perguntou se deveria fazer algum molho ou mistura, mas ao olhar no relógio e notar que já eram quase seis horas, decidiu que não teria tempo de preparar mais muita coisa.
Mas... Aparecer com tudo aquilo como “presente”, mesmo sendo o aniversário de Doumeki, seria como se ele fosse muito próximo de Doumeki, ou se preocupasse com o outro. “O quê não é o caso, claro!” Se repreendeu mentalmente.
Ah, sabia um jeito de fazer tudo aquilo um pouco mais... Descontraído, talvez. Isso!
Doumeki faz aniversário no mesmo dia do Hinamatsuri, não é mesmo? Então, Watanuki faria como bebida, amazake, uma bebida festiva do hinamatsuri, ou “dia das garotas”, e alguns hina-arares também, que são doces também dessa data festiva.
Assim, ele poderia finjir que estaria tentando provocando Doumeki com uma “piada” sobre ele ter nascido no “Dia das Garotas”, genial! Seria uma forma de desfarçar que talvez ele se preocupasse em fazer um bom presente para o outro.
Assim que terminou, o relógio já havia batido as seis e quatorze horas.
Watanuki colocou tudo dentro de uma caixa, cada coisa em um pote, e envolveu tudo com um pano, amarrando-o em cima para que tudo ficasse seguro e que nada caisse.
Pegou a caixa enrolada pelo pano e saiu correndo.
Mal sabia ele que havia se esquecido do aviso de Yuuko, e que isso poderia mudar muita coisa no seu destino.
Não... Mudar não, tudo isso já estava descrito para acontecer, os fatos apenas ocorrem como deveriam.
O hitsuzen já estava escrito.
Watanuki esqueceu de levar um guarda-chuva pois esse era o hitsuzen, o destino.
Nada acontece por acaso. Não foi mera coincidencia Watanuki esquecer o guarda-chuva. Isso deveria acontecer.
Não existe “coincidência”, apenas hitsuzen.
E seria por culpa do “destino” que choveria aquela tarde, uma chuva repentina e turbulenta, e fora de época...
O hitsuzen pode ser traiçoeiro ou surpreendente as vezes...
Notas finais
Byee~~ :3
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