Submisso
67 Capítulo 67 – Progênie Veela
Notas iniciais
Capítulo 67 – Progênie Veela
“Marcados por seguidores das trevas
Ainda infantes
Os três elos foram
Antes mesmo de nascer
Da progênie animalesca
Virá o poder
Novas magias e novas visões
Farão os elos os entregarem
Em sacrifício a própria prole
A prole selvagem
Doará poder e força mágica
Ao maculador da luz
No final do oitavo mês
A luz maculada pelas duas sombras
Com dor, possuída será, mais uma vez
Sangue e lágrimas
Luz e sombras
Magia e dor
O amor será manchado
E procriará mais uma vez
Se o ser nefasto ou não
A criação irá dizer”
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_Boa noite, dorminhoco. Fui informada de que você só acordaria amanhã... Estou surpresa.
Theodore seguiu o som da voz e encontrou Pansy. Esfregou os olhos e ficou bastante confuso. Onde estavam? Identificou Gabrielle ressonando... A veela estava completamente relaxada numa poltrona próxima à cama. E que cama era aquela, afinal, na qual ele mesmo estivera dormindo até então?
_Estamos no hospital.
_Hospital? – E levantou um pouco o corpo, ao que o quarto girou.
_Ei, calma... Não se mexa tão rápido – pediu a loira já colada à cama.
Pansy o ajudou a se recostar, aproveitando para acomodar os travesseiros da forma mais confortável possível.
_Por que estamos no hospital, Pansy?
_Estamos aqui porque você desmaiou – começou a mulher, mentindo de forma descarada.
Mais cedo, quando havia desabado nos braços fortes de Blaise, foi informada sobre a tática que usariam com o irmãozinho: não contar exatamente o que houve, mas deixa-lo a para da necessidade de descansar.
No fundo, acreditava que era melhor ser o mais direta possível com Theo, afinal, ele era um sonserino e logo perceberia que havia algo estranho no ar. Entretanto, fora convencida de que precisavam ter um pouco mais de cuidado com o gestante, tendo em vista um nada desejado agravamento do quadro.
_Com assim, eu desmaiei? Não me lembro disso...
_Mais um motivo para você fica bem quietinho. O medibruxo que te atendeu nos disse que você está em observação. Talvez, sua alta só ocorra apenas amanhã.
_Amanhã? Ah, nem pensar! Quero voltar para casa agora mesmo!
Gabrielle se mexeu na poltrona, as ondas de irritação vindas do marido acabando com a sua própria bolha tranquilidade. Pansy percebeu a perturbação e ralhou com o irmão mais novo.
_Theodore Nott, se você não controlar esse gênio, farei com que fique internado aqui até o seu filho estar na faculdade.
_Mas eu não quero ficar aqui o dia inteiro... – Completou baixinho, procurando respirar com mais calma.
_Que horas acha que são? Já anoiteceu, meu caro... Você já passou o dia aqui no hospital e Gabrielle precisou lhe fornecer muita magia, mais de uma vez inclusive. Finalmente conseguimos fazer com que ela dormisse um pouco... Não imagina o susto que nos deu, Theo! Eu cheguei do trabalho e você já estava aqui... Devo ter envelhecido alguns anos...
O sonserino ouviu as informações com certa surpresa. Não sabia que havia dado tantos problemas. Lembrava-se apenas de estar com as duas esposas, sendo mimado por elas e de ter adormecido assim, ao ser alvo de todas aquelas atenções e carícias. E então... Então o sonho terrível com o pai.
_Então já está tarde... Pansy, por favor, diga-me exatamente o que aconteceu. Eu não passaria o dia inteiro no hospital só por um desmaio, não é mesmo? E onde está Gina?
_Sua bela esposa ruiva está em casa. Conseguimos convencê-la de ir até lá, tomar um banho e depois voltar. Ah, a sua outra sogra esta lá com ela.
_Molly?
_Isso mesmo. A senhora Weasley veio de Londres logo depois de mim. Não sei se alguém avisou aos pais de Gabrielle, contudo, a essa altura já não duvido que estejam a caminho de Bristol também.
_Minha nossa... Blaise e você, Sophia e agora Molly? Essa deve ser a lua-de-mel mais avacalhada de todo o mundo bruxo!
A loira sorriu de leve, aproveitando para se sentar na beiradinha do colchão. Era bom ver o irmãozinho de bom humor. Acariciou-lhe o rosto e o cabelo com cuidado e lentidão. Ah, Theodore não fazia ideia do quanto os deixava preocupados.
_Pans, estou esperando. Solte logo essa língua de cobra e me conte o que aconteceu.
_Não tenho muito mais para dizer, meu querido.
_Então terei que ficar preso no hospital por ter desmaiado? Ora, grávidas desmaiam, não é? Pansy, chame o medibruxo... Eu quero voltar para casa. Detesto hospitais – e ameaçou se levantar, mas a loira o conteve.
_Nem sonhe em sair dessa cama. Eu bem sei que você não gosta de hospitais. Na verdade, queria saber quem é que gosta. Contudo, Theozinho, pelo que foi falado pelo medibruxo, seu desmaio foi causado por um súbito esgotamento mágico, o que é bastante perigoso para a sua saúde e a do bebê.
_Descobriram o motivo?
_Ainda não, por isso o mantiveram em observação, mas, como gostamos mesmo de você, pedimos ao professor Snape que viesse avaliá-lo. Ele é muito mais competente que qualquer um dos profissionais de Bristol, logo, se ele afirmar que você está bem e que não corre mais nenhum risco, daremos um jeitinho de te levar para casa hoje ainda.
Theodore vislumbrou a possibilidade de ser, novamente, examinado por Severus. Ah, não seria nada agradável. Tinha muito respeito pelo mestre de poções, mas as últimas verdades que ouvira dele ainda estalavam em seus ouvidos.
Esfregou o rosto com uma das mãos, enquanto tentava se lembrar de mais detalhes sobre o súbito mal estar... Nada, nada e nada! A única memória que o sacudia de temor era a do maldito sonho...
_Então eu terei que ficar aqui esperando?
_Isso mesmo. Quer comer alguma coisa?
_Quero biscoitos amanteigados...
Pansy revirou os olhos.
_Por Merlin, quer comer algo saudável?
_Eu estava brincando. E o que é isso no meu braço?
_É o que está monitorando seus níveis de magia... Vi esse indicador abaixar subitamente logo depois que eu cheguei. E agora, veja só, já caiu um pouco.
Theodore percebeu que realmente se cansara demasiado, apenas naquela breve conversa com a amiga. Puxa, ele nem sequer chegou a ficar de pé e o seu corpo estava exausto, tal com se tivesse acabado de correr numa maratona.
_Você está se sentindo bem?
_Sim, estou bem... Só estou um pouco cansado.
_Então descanse. Theo, foi realmente preocupante. Deve se cuidar mais.
_Eu estou me cuidando... Eu não pedi para ficar grávido!
_Ah, por favor. Achei que já tivéssemos ultrapassado essa fase. Eu até comprei alguns pijamas novinhos pra você... – Ao que o sonserino sentiu as bochechas esquentarem, tal como se fosse um tonto lufa-lufa. – O que foi, Theozinho? Ficou vermelho de repente... Está com febre? – Questionou preocupada, uma das mãos na testa do irmãozinho.
_Estou bem, Pans...
O bocejo foi incontrolável. Nossa, Theo estava mesmo com sono.
_Certo, certo. Hora de voltar a dormir. Vou contar ao doutor que você acordou brevemente. Descanse... – Recomendou para, em seguida, beijá-lo na bochecha e sair do quarto.
O sono o venceu com rapidez. Ele mal teve tempo de observar com maior cuidado uma das esposas. Sabia que Gabrielle estava tão cansada quanto ele. Gina não deveria estar se sentindo muito diferente. Aquela coisa de vínculo triplo foi toda uma loucura... Eles ficavam muito mais vulneráveis, embora juntos fossem mais fortes.
_Theodore vai precisar de monitoramento constante. Sugiro que a senhora Nott, a veela, se mantenha por perto.
Aquela voz poderosa... Ah, ele sabia de quem era.
_Je vais rester avec Théodore alors qu'il a besoin de moi[1].
_Gabi, o professor Snape já disse antes: sem francês – pediu Gina, enquanto franzia o cenho em preocupação. – Então não há um motivo físico para as quedas súbitas do nível de magia de Theo, professor?
O tema da conversa em questão era, vejam só, ele mesmo, mas estava tão cansado que mal conseguia concatenar mais que duas ideias... Lutava para abrir os olhos, enquanto os ouvia.
_Ginevra, eu o examinei com muito cuidado. Asseguro que o que desencadeia a queda do nível de magia não é nada físico. O corpo de Theodore está se transformando, mas a gravidez em varões não gera esse tipo de problema. É comum maior fadiga, quando comparamos com mulheres e donceles, pois fisicamente o corpo do varão se transforma com profundidade e para sempre. Fisicamente, portanto, ele está exatamente como o esperado: cansado, dolorido e em meio a uma revolução hormonal. Esses fatores combinados exaurem qualquer magia com maior velocidade...
_Então como podemos ajudar? – A pergunta de Gabrielle saiu num tom tão urgente que, para um desavisado, mais teria parecido uma prece.
O gestante havia finalmente conseguido abrir os olhos, mas ainda estava bastante confuso e, obviamente, cansado.
_Ótimo que tenha acordado, senhor Nott – e Gina e Gabrielle o miraram ao mesmo tempo. – Estávamos aqui discutindo sobre o senhor...
_Ouvi parte do que conversavam...
_Como você está se sentindo, amor? Eu deveria ter ficado em casa, mas com você e a Gabi no hospital, nem outra guerra bruxa me deteria por muito tempo – e sorriu cheia de sinceridade.
Pansy não estava no quarto, tampouco Blaise ou Sophia. E lembrou-se da amiga de escola ter dito algo sobre a senhora Weasley.
_Estou bem, mas me sinto cansado.
_E não era para menos. Sabe o que ocorre com um mago quando a magia beira o esgotamento? Morte, senhor Nott, morte pura e simples.
_Professor, Theo não tem culpa pelo que aconteceu. Ele estava dormindo e...
_Por favor, senhora Nott. É uma veela e pode melhor que ninguém aqui dizer o que ocorreu, o que seu marido sentiu que o fez parar nessa cama de hospital. Poderiam, senhoras, me dar licença? Preciso conversar com o meu antigo aluno em particular.
Realmente não dava para ignorar um pedido de Snape. O professor tinha tal força de presença que, simplesmente, em segundos restavam no quarto apenas o gestante e ele.
_Muito bem, senhor Nott, muito bem... Agora me diga: o que de fato ocorreu?
_Não sei... Eu apenas dormi.
_Foi muito mais do que dormir... Theodore, não me tome por tolo. Sua esposa veela foi categórica em afirmar que você estava em agonia enquanto dormia. Foi tão intenso que Ginevra sentiu o mesmo. Theo – recomeçou Snape, já deixando de lado o típico "senhor Nott". – Chegou o momento de você fazer as pazes com o seu passado.
_Eu já fiz isso...
_Não, não fez. Não me recordo de você ter ido ao túmulo do seu pai, tampouco reivindicar a sua relíquia ancestral. É seu direito enquanto único herdeiro vivo dos Nott.
O rapaz desviou o olhar do escrutínio do pocionista. Ah, para que negar? Severus podia ler a verdade na mente dele com imensa facilidade.
_Quando você ainda era aluno de Hogwarts, seu pai usou da prerrogativa a de pai para te tirar debaixo das minhas vistas e fazer contigo todo tipo de horror.
_Severus, eu não quero falar sobre isso.
_Aí está o grande problema, Theodore. Você nunca quis falar com ninguém sobre esses momentos tão tristes. Na verdade, nunca quis falar sobre absolutamente nada que tenha relação com Gustav Nott.
_Meu pai está morto. Ponto final.
_Não... Para mim, Theo, a morte do meu pai foi sim um ponto final, mas não para você. A sua mente não é como a minha, meu caro. Nunca soubemos ao certo como foi sua infância... Sophia até hoje é reticente em me contar mais acerca do casamento dos seus pais e... Enfim, você é mais facilmente afetado por todo esse passado tenebroso e...
_Eu não quero falar sobre isso!
Severus se conteve, pois percebeu que o gestante estava bastante alterado, o que deveria ser evitado a todo custo. Quando chegou ao hospital, a senhora Zabinni e o filho lhe explicaram o que havia acontecido, assim como o fato de terem ocultado do grávido que quase sofrera um aborto. Ele mesmo solicitou a presença de Ginevra para que, com riqueza de detalhes, pudesse ter um total panorama do que havia acometido o ex-aluno.
Após ouvir a todos e sob o atento olhar de Pansy, Severus traçou uma estratégia. A loira havia explicado como, algumas horas antes, havia sido a conversa que teve com o "irmãozinho". Então Severus se decidiu e, a contragosto dos demais, anunciou que contaria a Theodore o que exatamente o havia levado ao hospital. Não concordava em ocultar dele fatos tão relevantes...
_Com o que a sua mente lhe brindou, enquanto dormia com as suas esposas? Foi um pesadelo ou foram memórias?
_Professor, por favor...
_Theodore, ainda na escola, Draco descobriu o que você tanto ocultava. Contudo, o que então vimos marcado na sua carne não era nem um centésimo do mal que o seu pai lhe fez. Há memórias bloqueadas por você mesmo, já lhe disse isso. A sua mente o fez para se autopreservar.
_Então que continue assim... Eu não quero remexer nisso, não quero relembrar.
_Parece que não está tendo muito sucesso nisso, não é? A sua mente precisa se curar. A gravidez é um momento de profundas transformações, anda mais num varão. Hormônios e corpo fora de controle, grande sensibilidade, sentimentalismo... – E se aproximou e lhe acariciou nos cabelos claros.
Tinha profundo apreço por Theodore, conhecia o sofrimento dele e sentia que precisava mesmo ajudá-lo. Era um peculiar tipo de responsabilidade paternal, algo que todo chefe de casa trazia em si mesmo e que aflorava sempre com um aluno ou, no caso, ex-aluno. Certamente, a empatia extrema com relação ao mais jovem se devesse à história de vida de ambos, tão tristemente parecidas.
_Eu conheci o Gustav. Ele era um homem frio, autoritário e violento. Sophia nunca foi capaz de confirmar, mas temia que ele batesse na sua mãe e em você. Sua mãe morreu quando era apenas uma criança, certo? Lembra-se de algo, Theo?
_Eu tinha cinco anos... Mas não me lembro de nada... Não aconteceu nada... Ela estava doente.
_Não é o que Sophia me contou há alguns anos. Theodore, você precisa enfrentar os horrores do seu passado, ou eles continuarão a te machucar. Há alguns anos fui categórico contigo: deveria procurar um psicomago e se tratar, mas você me ignorou.
_O que aconteceu hoje foi... Foi só um sonho, só isso. Eu já estou melhor...
_Um simples sonho não leva ninguém a um quase aborto, meu caro – e ante o emudecimento do mais jovem, Severus prosseguiu. – Você teve um princípio de aborto. Não queriam que soubesse, contudo, creio ser melhor esclarecer todos os pontos obscuros de uma vez. Theodore, compreenda: um aborto seria ainda mais arriscado que levar a gravidez até o fim. E as suas esposas, ah, imagino que morreriam de tristeza.
Theodore nada disse, apenas esfregou o rosto com as mãos, num gesto de exasperação que Snape conhecia bem até demais.
_Não pode continuar fugindo desse enfrentamento. Há alguns anos atrás recomendamos fortemente que se tratasse, contudo, você habilidosamente se fez de desentendido. Agora, Theo, não é apenas a sua saúde que está em jogo.
_Eu não quero remexer nisso. Já passou, Severus. Meu pai está morto e não pode mais me ferir.
_Devo, infelizmente, discordar. Vou providenciar o seu retorno para casa. Ficará monitorado e em repouso absoluto até seus níveis de magia se estabilizarem. Depois disso, o levaremos de volta a Londres. Hoje não há muito mais que eu possa fazer, entretanto, conversarei com Sophia. E você sabe muito bem o que acontecerá. Dessa vez, Theodore, não será uma mera recomendação. Você precisa se tratar e Sophia e eu cuidaremos, bem de perto, para que isso realmente se concretize.
_Já disse que estou bem, por Merlin!
_Não, Theorore... Você não está bem.
_Vocês não podem me obrigar a fazer algo que eu não desejo.
_De fato, eu não poderia, tampouco Sophia, mas sua esposa veela pode.
Snape o deixou sozinho com os próprios pensamentos caóticos. O quase aborto retumbava em seu coração, ao mesmo tempo em que buscava encontrar alguma fortaleza dentro de si. Todo o passado com relação ao pai o enregelava. Dava-lhe um medo de morte só pensar no que estava por vir.
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“Assim que ouviu o "Lucius está com o ele", Sirius sorriu malandramente.
_Quando Remus acordar, terá que me explicar direitinho essa história... – E beijou Severus, desta vez mais calmo, apenas apreciando o delicioso sabor dos lábios em oposição aos seus.
_Sev... Eu senti saudade...
O austero professor não tinha como resistir ao doncel. Estava perdido, sabia disso. Nunca mais conseguiria ter uma vida tranquila como antes, não com Sirius ao seu lado. E que bom por isso, diga-se de passagem.
_Muita saudade...
Enquanto se deliciava com os lábios volumosos do esposo, inebriava-se no perfume natural dele. Era mais que convidativo. Não contribuía muito para o seu autocontrole o fato de Sirius abandonar os lábios e partir para o lóbulo da orelha mais próxima de seu alcance.
_Sirius... Assim eu não serei capaz de ir a Bristol – revelou o professor, toda a frase saindo como um gemido de prazer.
_Posso esperar você na sala? Eu já consigo andar sem sentir dor alguma e juro: não farei nada que possa prejudicar a minha recuperação.
Os olhos escuros se fixaram nos claros...
_Ora vamos, Sev. O que eu posso fazer sem uma varinha?
_Sem uma varinha, meu caro, você conseguiu, inclusive, fugir de Azkaban.
_Posso garantir algo: foi mais fácil fugir de Azkaban, se comparado à Prince’s House. É impossível me evadir daqui, Severus.
_É... Eu ainda me lembro de você tentando fugir.
_Eu tentei antes, quando não aceitava quem eu era, muito menos o nosso vínculo. Não mais. Na verdade, a cada instante se torna mais e mais difícil escapar daqui.
Severus nada disse, apenas deixou-se envolver pelos braços do doncel. O mero toque entre eles já o eletrizava. Beijou-o com desejo, abraçando de volta com o maior cuidado possível para não machucá-lo.
_É mais difícil devido aos feitiços que coloquei sobre vocês e sobre a casa?
_Não. Para me manter aqui, feitiços não são necessários...
_Não?
_Não... Eu não desejo mais fugir, Sev. Quero ficar contigo.
_É uma lástima eu ter que sair agora... – Reclamou o professor e a sua voz continha tal grau de decepção que o animago, irremediavelmente, se pôs a rir.
O riso solto foi sufocado noutro ósculo, agora, de fato, extremamente demandante. Sirius gemeu, ruborizou e se contorceu de prazer, tudo ao mesmo tempo.
Poderia ficar a vida inteira ali, apenas naquela dança frenética de línguas, com as mãos de ambos traçando delicadas carícias. Haviam encontrado uma sincronia ímpar, ninguém mais a tinha. Quando se separaram, o ar faltava e ambos estavam ofegantes.
_Eu realmente preciso ir a Bristol – reforçou Severus, enquanto acariciava a face do esposo, as testas coladas de forma verdadeiramente íntima.
_Então vá, mas pode tirar o feitiço que me restringe à cama, por favor, Sev? – E completou o pedido com olhinhos de cachorro arrependido. Ah, Severus não tinha imunidade alguma contra tamanha arma letal.
_Sirius, sabe que deve descansar e...
_Sev, por favor, eu não vou extrapolar, nem nada do tipo. E... Prometo compensar você mais tarde, quando voltar. Dou a minha palavra de bruxo.
_Sirius Black, você está empenhando a sua palavra de bruxo comigo? – E ao que o animago apenas assentiu, o pocionista concluiu. – Certo, feitiço retirado – e sacudiu a varinha com habilidade. – Pedirei aos elfos que fiquem atentos a você. Vou deixá-lo na sala.
Sirius sentiu o corpo ser levantado com muito cuidado do colchão. Ele mal conseguia acreditar que o marido carrancudo o estava liberando da clausura! Ah, ele tinha mesmo o morcegão nas mãos.”
Nada disse até estra bem acomodado no sofá da sala. Esther ficou surpresa ao vê-los, mas nada disse. Apenas sorriu de leve e acenou quando Severus se despediu dizendo que retornaria em breve e que Sirius “não deveria ousar sair daquele sofá sozinho”, além de mencionar que Lucius estava no quarto com Remus.
_Então, o seu marido o liberou do quarto?
_Incrível, não? Pensei que Severus me manteria afastado do resto da casa por 20 anos...
_Ah, não creio. Ele apenas está preocupado contigo. Como se sente? Melhor?
_Sim, melhor... O que mais incomoda mesmo é o braço – e indicou a tipoia na qual jazia o seu braço direito, imobilizado e em recuperação lenta.
A bondosa senhora apenas assentiu, concordando com ele. Realmente ficar com qualquer parte do corpo imobilizada era uma tortura. Ela já tivera alguns acidentes ao longo da vida e num deles o resultado foi uma perna quebrada, toda uma tristeza.
_Logo, logo ficará novinho em folha.
_Gostaria de ver como Remus está, mas creio ser melhor esperar um pouco.
_Eu penso como você, Sirius. Fred subiu agora a pouco para perguntar se Lucius precisa de alguma ajuda.
_Pobre Fred, será escorraçado pelo veela ciumento.
Esther gargalhou e gargalhou mais ainda quando o neto voltou á sala, o rosto lívido de susto.
_O que foi, Fred?
_Lucius quase me jogou escada abaixo. Disse que não precisa da minha ajuda para cuidar do esposo dele! Vovó, é sério: nunca pensei que pudesse existir alguém assim tão possessivo.
_Espere até conhecer o filho de Lucius... Na verdade, Severus me disse que eles virão no sábado. Que dia é hoje mesmo?
_Hoje é sexta-feira, Sirius – respondeu Frederick, sentando-se ao lado do doncel.
_Nossa, então Harry virá amanhã!
_Harry? O que Lucius nos explicou que salvou o mundo do bruxo das sombras?
_Das trevas... É, esse mesmo, Fred – respondeu Sirius, o coração apertado de saudade do afilhado. – Harry é mesmo, para todos os efeitos, um verdadeiro herói.
O animago então se pôs a contar sobre Harry Potter, sobre James e Lílian e sobre Hogwarts. A cada revelação Frederick se entusiasmava mais e mais. Algumas horas se passaram e a conversa continuava animada. Já Esther aproveitou para dar ir até o quarto de Lucius. Não demorou muito, apenas confirmou que Remus estava bem e que ainda não havia acordado.
Quando retornou à sala, encontrou o doncel ressonando de leve sobre o sofá e Frederick acomodava algumas almofadas para que ele ficasse o mais confortável possível.
_Ele dormiu, vovó. Do nada, ele apagou. Espero que esteja bem – e se afastou, permitindo a aproximação de Esther.
_Ele está bem, só ficou um pouco agitado. Não acho prudente que ele durma no sofá. Pode não ser o melhor lugar...
_Eu posso levá-lo para o quarto – sugeriu Frederick, mas antes que tocasse no doncel, a voz poderosa de Snape reverberou pela sala.
_Não será necessário. Eu mesmo levo o meu esposo para o quarto, Frederick.
Esther acompanhou toda a cena com interesse: Severus saiu apressado da lareira e ergueu o corpo de Sirius. Já este, ressonando, se aconchegou ao peito do professor e deixou-se conduzir escada acima.
_Sabe vovó, estou começando a temer pela minha vida. Severus é ainda pior que Lucius...
Esther voltou a gargalhar. Como se divertia! Já Severus, ignorando que era taxado como um mago mais possessivo que um veela, apenas acomodou Sirius sobre a cama e foi direto ao banheiro. Estava cansado e um banho seria o ideal para relaxar. Bem, na verdade, pensava em outras formas de relaxar, mas todas elas exigiam um esposo doncel minimamente consciente.
Ali, mergulhado na banheira, pensava num modo de fazer Theodore compreender a necessidade de se tratar. De fato, a mente estava confusa coma profusão de informações e possibilidades... Nos últimos dias foram massacrados por terríveis acontecimentos.
Theodore, Remus e Harry... Os três trariam ao mundo veelas, disso não lhe restavam mais muitas dúvidas. Sabia que poderia estar errando, contudo, se arriscava em assumir a responsabilidade. Os fatos falavam por si... E estariam todos eles fatos interligados? Não, não poderiam... Ou poderiam? Precisavam se antecipar... Não teria mais escolha e, amanhã mesmo, quando Ronald trouxesse Harry para visitar Sirius, teria com ele uma séria conversa.
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_Bom dia, tio Rony.
_Oh, bom dia, minha linda – e beijou Madeleine na bochecha, aproveitando para sentar numa das cadeiras.
O ruivo ajeitou as vestes, ao mesmo tempo em que passeava os olhos pelo local. Teria que sair em breve, mesmo que voltar ao trabalho fosse exatamente o que ele não desejava fazer no momento. A cozinha estava silenciosa e qual não foi a sua surpresa ao ver Hermione entrando pela porta que dava acesso ao quintal.
_Hermione? O que você está fazendo aqui em casa?
_Bom dia para você também, Ron – alfinetou a castanha, sentando-se ao lado dele.
_Desculpe... Bom dia. Onde está a minha mãe?
_Molly não está em casa desde ontem, pois precisou fazer uma pequena viagem até Bristol.
_Bristol? Aconteceu algo com Gina?
_A tia Gina vai ser mamãe – esclareceu Madeleine, os olhos curiosos analisando as expressões de espanto do único ruivo presente na Toca, os desenhos deixados de lado por alguns instantes.
_Já? Nossa, achei que ia demorar um pouco até Gina engravidar...
_Não é ela a grávida. Theodore está esperando um filho – e ao identificar o rosto de completo espanto, concluiu. – Deve ser um traço genético nos homens da família Weasley. O seu pai sustentou a mesma expressão ontem, quando contei a ele o porquê de Molly não estar em casa. Fique tranquilo... Theo teve uma pequena complicação, mas já está tudo bem. Eu conversei com o seu pai antes dele ir trabalhar. Arthur está mais calmo e feliz por ser vovô... Claro que a coruja enviada por Molly há pouco ajudou bastante a acalmá-lo.
_Tia Mione, vou lá fora brincar com os duendes! – E correu acelerada para o quintal, os cachinhos balançando freneticamente.
Madeleine os deixou sozinhos e Hermione aproveitou para servir ao ruivo que tinha por namorado/noivo/homem da vida um pouco de chá e uma fatia de bolo. Ainda estava cedo. Na verdade, cedo demais para quem chegou em casa com o dia quase amanhecendo.
_Coma um pouco. Quer omelete? Posso fazer para você...
_Não, obrigado. Preciso voltar ao Departamento e o meu estômago ainda está revirado. Creio que o bolo e o chá serão mais que suficientes. Então Theodore está grávido... Eu serei titio, de novo – e sorriu, encontrando alguma felicidade em meio ao caos.
_Sim, será titio mais uma vez.
_E as suas aulas, meu amor?
_Não se preocupe com isso agora. Sou bastante competente para acompanhar as aulas, mesmo que precise ficar um mês inteiro afastada. Amanhã Harry o aguarda. Ele está bastante ansioso para ver o padrinho.
O ruivo sorveu o chá com cuidado, a mente divagando sobre o horror que presenciou em Azkaban.
_Estou atrasado mesmo! Eu tenho que voltar ao departamento. Não sei a que horas serei liberado. Tínhamos uma missão hoje, mais uma ligada aos mortos em Azkaban.
_Ronald, tome muito cuidado, por favor... Eu tenho uma teoria sobre o trabalho do professor Voronin. E não é nada agradável, Ron. Creio que será melhor conversarmos depois, com calma, talvez amanhã, em conjunto com o professor Snape... Podemos aproveitar enquanto Harry se distrai com Sirius...
_Muito arriscado. Harry poderia nos ouvir...
_Nada que um abaffatio não resolva. Na verdade, creio que é melhor contar logo nossas suspeitas ao Harry... Sei que Draco não quer que Harry saiba, mas a verdade é sempre melhor que a omissão.
_Certo, certo... Amanhã então. Agora eu preciso ir – e se levantou.
Hermione fez o mesmo e o beijou nos lábios, abraçando-se a ele em seguida. Estava temerosa por Ronald e o andamento das investigações.
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_Finalmente, novato – começou Drake. – Pensei eu nos faria esperar até a hora do almoço.
_Desculpe o atraso, mas eu não ouvi o despertador.
_Esqueça, ruivo – disse Nulan. – Francis acabou de chegar também. Na verdade, todo o departamento deve ter ignorado o despertador hoje de manhã. Trabalhamos até de madrugada e não creio que hoje será muito diferente.
Ronald sorriu de leve ante o comentário do auror. Ao mesmo tempo em que antevia o cansaço, desejava aquele ritmo intenso de trabalho.
_Novato, é sério, você tem problemas! Ele está sorrindo ante a possibilidade de virarmos mais uma noite, David!
Nulan riu alto indicando o elevador. Os três deixaram o Departamento em seguida. Tinham uma listagem nas mãos e deveriam ter tudo concluído o mais rápido possível. E esse “mais rápido possível” deveria ser, se imperiosamente para alguns, antes de anoitecer.
_Para onde o chefão nos mandou? – Perguntou Ronald, seguindo-os de perto pelo já tumultuado de gente beco diagonal.
_A chefona Tonks, você quer dizer, ruivo... Bem, temos que verificar se alguns mortos estão mesmo mortos. Ficamos com dois, Gustav Nott e Igor Karkaroff. Os demais outras equipes verificarão os demais. Ah, guarde isso – e passou ao aspirante a auror dois grandes pedaço de pergaminho de textura macia.
_Começaremos com Karkaroff. A família o enterrou no tradicional cemitério bruxo, em Godric’s Hollow. Quem aparatar por último paga o meu café – concluiu Francis, desaparecendo em seguida.
_E depois eu sou a pessoa que tem problemas! – Ao que David riu, aparatando em conjunto com o “novato”.
Assim que reapareceram na entrada do vilarejo bruxo de Godric’s Hollow, Francis os recebeu deveras carrancudo, dizendo algo sobre “não toparem uma simples brincadeira para descontrair”. Ronald começava a avaliar os efeitos nocivos da falta de uma boa noite de sono no auror, quando entravam cemitério adentro.
Encontrar a sepultura foi fácil devido às indicações do único funcionário do local. O senhor já idoso parecia ter uma adoração por cada cantinho daquele cemitério, assim como pelos gatos que nele viviam. Segundo puderam compreender, os gatos eram abandonados e o homem cuidava deles. Os aurores e o estagiário foram compelidos a doar algumas moedas para comprar comida de gato e cobertores quentinhos para os felinos.
_Ande logo com isso, David. Ainda precisaremos viajar até Bristol...
_Francis, respire. Você está mesmo estressado hoje... Vamos, ruivo. Pegue o pergaminho. Eu mesmo vou fazer o feitiço. Protejam os narizes, senhores.
Ronald conhecia bem aquele feitiço. Estudara sobre ele nos primeiros meses de treinamento. Era relativamente simples e muito eficiente. Na verdade, não pode deixar de associá-lo a certa árvore genealógica que jazia, com alguns pontos chamuscados, no largo Grimmauld, nº 12.
A lápide foi removida com um feitiço e logo visualizaram o corpo decomposto de quem, presumiam, teria sido Igor Karkaroff em vida. David Nulan realizou um breve encantamento e o pergaminho voou das mãos de Ronald, pairando a alguns centímetros do corpo.
Instantes depois, feixes mágicos saíram do cadáver e se prenderam ao pergaminho, formando estranhas linhas que logo se torram letras e mais letras. Aguardaram por mais de uma hora até que o auror, visivelmente cansado, balançou a varinha no ar e o pergaminho veio até ele. Ronald fechava novamente a sepultura quando, curioso, Drake se aproximou do parceiro.
_E então, David? É mesmo o Karkaroff?
O pergaminho trazia informações sobre a linhagem ascendente do defunto, com informações de, pelo menos quatro gerações anteriores.
_Sim, é ele – confirmou Nulan, a respiração dificultosa devido ao esforço mágico empregado no feitiço. – Sabe, eu preciso mesmo de um café bem forte antes de irmos a Bristol. Guarde o pergaminho, ruivo.
_Ótimo, vocês vão pagar o meu – brincou Drake.
Alguns cafés depois, os dois rumaram para Bristol. Segundo Nulan, os Nott eram uma das famílias bruxas mais renomadas de Bristol e nem mesmo o envolvimento de Gustav com comensais abalou a glória dos Nott por aquelas bandas.
_Merda, grandessíssima merda! – reclamou, mal aparataram nas proximidades do cemitério no qual, segundo os registros policias, se encontrava o corpo de Gustav Nott.
_O que foi agora, Drake?
_O que foi? Olhe para aquilo! – E apontou para o cemitério central de Bristol no qual, misturados, jaziam trouxas e bruxos. – É gigantesco! Vamos perder o dia inteiro aqui.
_Vamos logo... – E foi apenas o que o ruivo disse antes de passar pelo imenso portal que separava o cemitério da avenida.
Compreendeu logo o motivo da exasperação de Drake. Cemitérios grandes eram cheios de lápides e corredores tortuosos. Perderam-se por muito tempo até encontrar a tal ala dedicada à nobre família Nott.
_É sério... Eu estou tão cansado de andar por aqui que devo estar parecendo mais morto que essas velharias retorcidas.
_Mais respeito com os mortos, Francis... Estamos finalmente na ala correta, então vamos nos separar. E eu pago uma cerveja amanteigada para quem encontrar o nosso “fugitivo”.
Nem mesmo a gracinha de Nulan aliviou o clima tenso. Os três estavam deveras cansados para sequer cogitar se divertir. Portais internacionais costumavam ser bastante exaustivos. E andar por horas num cemitério procurando uma maldita sepultura, não foi lá algo que positivo para que o humor deles melhorasse.
_ESTÁ AQUI! – Berrou Francis, chamando a atenção dos demais.
Instantes depois, já tinham a sepultura aberta e, dessa vez, foi o próprio Francis Drake o autor do feitiço de identificação. Ronald pegou o segundo pedaço de pergaminho e o mesmo procedimento foi feito, entretanto, feixe mágico algum deixou o cadáver e o pergaminho permaneceu intacto.
_Nulan, nada aconteceu.
_Sabe o que isso quer dizer, não é, parceiro?
As palavras de Drake reverberam nos ouvidos de Ronald e agora até ele precisava concordar: era tudo uma grandessíssima merda!
[1] Eu vou ficar com Theodore enquanto ele precisar de mim.
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