Submisso

51 Capítulo 51 – Luz e Sombras


Notas iniciais
Olá!!! >Primeiramente, agradecendo à Kahekili, uma fofa, de grande talento com as artes místicas do Adobe (KKK), pela belíssima NOVA CAPA! Eu amei, ficou linda, bem de acordo com o que eu desejava para essa nova fase... Mais sombria... Espero que todos curtam! >Em segundo lugar, agradecendo aos queridos e queridas que sempre perdem um tempinho para ler o que escrevo, deixando comentários, dicas, puxões de orelha, lembrando algum detalhe esquecido... Enfim: obrigada! >E já parando de contar: essa deve ser a única atualização de abril, meus lindos. Estou correndo contra o tempo! Se der, certamente, postarei mais um cap. Contudo, prevejo (e ando na fase das vidências - KKK) um mês atarefadíssimo! Só postei esse porque já estava pronto! (Triste essa vida universitária) >Para quem curte os aurores, prato cheio nesse cap! >Aos erros, cuidem-se! >Sem mais, LUZ E SOMBRAS!

Capítulo 51 – Luz e Sombras

_O feitiço está pronto, mas não conseguimos testá-lo ainda. O mestre não ficará feliz ao saber disso. As ordens foram para esquecer Lucius... Não podemos mais ir atrás dele. Os aurores já sabem que ele não está em Azkaban e, caso continuemos a rastreá-lo, podemos nos colocar em risco. Podemos colocar o mestre em risco.

_A criança será necessária? – Perguntou num tom baixo, pois não queria que sua voz o alertasse.

Nada foi dito, apenas um acendo de cabeça foi a sua resposta. Estavam na surdina fazia séculos. Recolheram recursos. Mas agora precisavam ser muito cuidadosos, pois a descoberta de que Lucius Malfoy não estava em Azkaban os colocava em risco também. Eles poderiam descobrir... E então, tudo seria mais difícil.

_Talvez. Tudo depende da colaboração dele. Nós nos reuniremos com o mestre em breve. Ele voltará a Londres em breve. E teremos que ter cuidado redobrado. Nosso contato foi bem claro: estão chegando perto, muito perto. Não temos muito tempo.

_Não deveríamos confiar tanto assim nessa pessoa. Ela não me agrada...

_O mestre confia. É o suficiente.

************************************

A carta o pegou desprevenido. Chegou a assustar os trouxas, contudo, suas explicações foram mais que suficientes e todo e qualquer susto foi aliviado pelas doces palavras de Andreas: “Ah, é como se vocês usassem telefones com penas e bico”. E as risadas dos três – Andy, Esther e Fred – foram gostosas de ouvir.

A dona Esther não parecia muito convencida a deixar a sua casa para trás, mesmo que fosse por um breve período, mas quando explicou que a segurança de Lucius estava comprometida, incluindo aí a deles também, a bondosa senhora se resignou. “Tudo bem então, senhor Taylor. Ficarei uma temporada longe da minha residência. Espero apenas que a polícia de vocês seja mais eficiente que a nossa. Não posso abandonar tudo assim, mas se Lucius precisa de mim por perto, o faremos, Fred e eu.”

Adam os ajudou a empacotar o essencial, reduzindo as maletas em seguida. Depois lançou um feitiço sobre a casa, pensando que o ideal seria protegê-la com um fidelius, mas, certamente, quem determinaria isso não seria ele, não é mesmo? Cumpriu o seu papel, seguindo a risca as recomendações. E antes de aparatar levando todos eles à Prince’s House, fora surpreendido por uma coruja oficial, diretamente do gabinete do Primeiro Ministro.

Leu o conteúdo do pergaminho e respondeu imediatamente, deixando claro que se reuniria com o mesmo e chefe dos aurores em breve, naquele mesmo dia. Na verdade, tinha se esquecido completamente de que, quando ainda estava tendo alta do hospital, a tal reunião havia sido mencionada. Foram tantas as complicações desde então que, simplesmente, sua mente ignorou o fato, tão concentrada em Lucius e, por que negaria, em Andreas.

Mal os deixou Esther, Frederick e – mesmo que não desejasse – Andreas, na residência Black-Snape, rumou para o Ministério da Magia. Não queria ter deixado os três sozinhos tão imediatamente, mas precisava ir até o ministério. Deixou claro que voltaria assim que possível. Até porque, certamente o assunto da reunião com o ministro e o chefe dos aurores seria de interesse do senhor Malfoy.

_Desculpe-me, senhor ministro, mas precisei resolver algo extremamente complexo esta manhã. Por isso, infelizmente não pude chegar mais cedo – disse já se desculpando, ao cumprimentar o Primeiro Ministro e os demais presentes naquela sala.

Estavam presentes o chefe dos aurores, Estúrgio Podmore, ladeado da famosa dupla: Francis Drake e David Nulan, ambos muito sérios e com um ar de irritação por estarem ali dentro, trancados na sala, enquanto poderiam estar caçando alguns bandidos, e um ruivo estagiário aspirante a auror, Ronald Weasley.

_Recebi sua coruja, senhor Taylor. Fique tranquilo, pois a reunião começou há poucos minutos. Tive assuntos diplomáticos para resolver. Na verdade, o assunto diplomático em questão ainda se encontra em Londres – resmungou o ministro, perdido em divagações. – Depois, já com o meu velho amigo Estúrgio e seus mais que qualificados aurores, nos demoramos um pouco no chá e demos tempo para que o senhor pudesse estar presente. Sente-se, por favor.

_Assuntos diplomáticos, senhor?

_Oh, sim, senhor Taylor. Algo ao que voltarei mais tarde. Primeiro, o Departamento de Execução das Leis da Magia deseja alguns esclarecimentos do senhor.

Sem esperar mais delongas, Podmore foi direto. Não gostava de perder seu precioso tempo longe da sede do Departamento e do Quartel-General dos Aurores... Não quando havia tanto a se investigar.

_Senhor Taylor, poderia, por favor, nos contar a natureza do pedido de indulto feito ao ministro, em benefício do senhor Lucius Malfoy? Estamos no escuro aqui... O seu pedido bem-sucedido de indulto revelou algo inimaginável... O corpo do senhor Malfoy, misteriosamente, desapareceu – e Ronald sorriu de lado, ao que o chefe ralhou. – E tire esse sorriso da cara, Weasley. Pode até ter acertado em alguns pontos, mas daí a acreditar que Lucius Malfoy esteja vivo, por Merlin!

Adam sorriu diante da situação, mas nada disse. Respirou fundo, se concentrou no que contaria aos presentes, a mente trabalhando de forma fantástica ao deixar de lado certas informações. E ele era, de fato, muito habilidoso com as palavras, as ditas e as omitidas...

_E então, o senhor Ministro avaliou as informações e, de forma muito coerente, optou por ele mesmo conceder o indulto. O senhor Lucius Malfoy foi uma vítima de um sistema penal pouco respeitador dos direitos e garantias individuais. Senhor Podmore. Ser condenado sem um julgamento? O poder judiciário bruxo foi tão autoritário e ditatorial quanto os mais tenebrosos comensais...

Podmore ouviu com atenção cada detalhe dito pelos lábios do mais recente ocupante da sala. Ah, ele sabia que havia mais... Podia sentir, mas nada, nenhuma regra sequer, lhe autorizava a usar veritaserum no emproado advogado.

_Tenho em minha posse toda a documentação que serviu de base legal para a concessão do indulto, caso deseje avaliá-la com maior acuidade – disse de forma displicente, como e mencionasse o quão chuvoso estava o dia londrino.

_O senhor Taylor me forneceu provas cabais, Estúrgio. Na verdade, as provas vieram diretamente de Serverus Snape e de Arthur Weasley. E foi o próprio Harry Potter quem iniciou todo este processo... Não há nada suspeito, ao contrário. O único desejo dessa família é ter os restos mortais do antigo patriarca no lugar onde deveriam ter repousado, desde o início. Tenho certeza de que os seus competentes aurores esclarecerão esse impasse com presteza – concluiu o Ministro, lançando a Podmore um olhar intenso. – E como andam as investigações com relação ao caso de Rita Skeeter e do seu ex-marido, o renomado professor Voronin?

Nulan e David se entreolharam. Ronald Weasley os mencionara mais cedo, ainda no Quartel-General. “Hermione nunca se enganaria”, foi o que disse o ruivo quando os dois riram dele (e de Hermione por tabela), ao saber da nova “teoria” que tão veementemente sustentava.

Por precaução, levaram ao conhecimento de Podmore as últimas descobertas de Hermione Granger. Contudo, tal como eles fizeram, o chefão não lhes deu valor algum. “Skeeter e Voronin estão sendo cuidados com muito afinco pelos medibruxos. Caso algo dessa magnitude estivesse acontecendo, obviamente já teria sido descoberto. Uma aspirante a medibruxa não teria tamanha visão”.

_Ainda não obtivemos maiores conformações acerca de quem os teria atacado. A criança apenas confirmou que a descrição do homem que atacou os seus pais bate com o causador de uma série de crimes de pouca monta, crimes estes investigados por Ronald Weasley – explicou Drake, já imaginando que Ronald não conseguiria ficar calado por muito tempo.

_Senhor, a “criança” não apenas confirmou a descrição – Bingo! O ruivo desatara a falar. – O relato dela foi claro: o homem estava sofrendo, não queria causar dano a ninguém... Era uma imperius... E eu suspeito que esse homem é o senhor Lucius Malfoy. Antes imaginava que alguém havia profanado o túmulo para produzir poção polissuco. Agora, com os novos fatos... Suspeito que Lucius Malfoy esteja vivo.

_Vivo? – E os olhos de Kings iam, de Rony a Estúrgio.

_Senhor Ministro, não dê ouvidos a essa teoria absurda. Não podemos nos fiar apenas no relato de uma criança potencialmente traumatizada, Weasley!

_Madeleine... Madeleine é uma criança especial. Ela é poderosa e... Bem... – E o ministro o encarou com mais interesse, como se soubesse que ele havia, de propósito, omitido informações. – Ela é tudo, menos uma “criança potencialmente traumatizada”. Senhor Ministro... Kings... Creio ser necessário passar um pente fino em Azkaban. Precisamos verificar todos os óbitos, um por um. Há alguém poderoso arquitetando algo muito perigoso... Como podemos confiar nos registros de óbito de Azkaban, depois de não encontrarmos o corpo de Lucius Malfoy?

David Nulan encarou o chefe que, a essa altura, já estava tão vermelho de raiva quanto o cabelo de Ronald.

_Como pode constatar, Kingsley, o nosso herói de guerra está acusando o Departamento de Aurores de incompetência na administração de Azkaban... – A voz de Estúrgio saiu tensa. – Está levantando acusações graves, Weasley. Está acusando os aurores de alta traição.

_Senhor, não concordo de todo com o novato, contudo, ele tem um argumento forte. – As palavras de apoio de Francis Drake geraram maior interesse no Ministro. – Quando acompanhamos o senhor Draco Malfoy na busca pela relíquia ancestral, a cada local em que chegávamos, era inegável: cada recanto havia sido alvo de feitiços muito eficazes para desaparecer com vestígios ou encobrir os rastros. “Isso parece trabalho de profissional!”, foi o que o novato disse e eu não pude deixar de pensar a respeito, desde então. Senhor, creio ser válido abrir uma sindicância em Azkaban, iniciando, talvez, no momento em que ocorreu a revolta dos dementadores, ainda antes da queda do Lorde das Trevas... O caos então instalado pode ter fragilizado o controle do Departamento de Aplicação das Leis da Magia sobre a Fortaleza de Azkaban.

_O que diz é terrível, senhor. Caso seja verdade, os mais perigosos criminosos, não apenas comensais da morte, podem estar por aí, vivos, bem perto de nós, mascarando-se atrás de poções polissuco – e a constatação de Adam Taylor ecoou a preocupação de todos.

_Nós verificamos todos os registros de guarda em Azkaban relativos à morte de Lucius Malfoy. E todos foram fraudados... – Relembrou Ronald, aproveitando para encarar o chefe de todos os aurores bem de perto. – Temos que encontrar o responsável por isso, chefe.

O chefe dos aurores bufou, mas evitou gritar na presença do Ministro. Não podia conceber que tal fato, “corrupção no próprio Departamento”, fosse realidade. Estava enojado... Não, indignado! Indignado era o termo adequado.

Estava acompanhando com atenção os avanços nas investigações, por mais que não visse algumas ações com bons olhos. Uma delas foi a série de incursões pelo Mundo Trouxa em busca por maiores informações sobre os crimes que o conectavam ao Mundo Bruxo, mais especificamente, aqueles que envolviam certo homem, sem rosto, de olhos cinza... Provavelmente, Lucius Malfoy.

O resultado delas? Nenhum fato conclusivo... Algumas informações pouco críveis, sem comprovação. “Lembro-me de um homem maltrapilho, parecia drogado, mas faz muito tempo... Não o vi direito, pois não quis me aproximar, mas se o cabelo estivesse limpo...” Ora, e quantos maltrapilhos existiam no Mundo Trouxa? Centenas? Milhares?

Só o que puderam comprovar era que, fosse quem fosse o homem de olhos cinza e cabelos loiros, é que a sua atuação não seguia nenhuma linearidade o que, para os responsáveis pela investigação, era suficiente para assumir que quem o controlava (supondo que o mesmo estivesse atuando sob uma imperius) visava apenas dinheiro. Para que o dinheiro? Não sabiam... O que o ligava ao apartamento de Ivan Voronin? Mais uma vez, nada sabiam...

_Estúrgio, seus aurores expressam uma preocupação que também é minha. Creio ser necessário realizar uma intervenção em Azkaban. Preciso que seja criterioso nisso, como sempre é, caro amigo. Desejo ter uma lista de todos os aurores envolvidos nas investigações, assim como uma mínima indicação sobre o que estão investigando, além de uma resposta diária de seus resultados. Quem vai comandar a investigação em Azkaban?

Podmore respirou fundo e se preparou para remexer na ferida aberta de todas as autoridades policiais do Mundo Bruxo: Azkaban. E ao pensar em quem seria o auror mais indicado para comandar tal investigação, sua lista mental apontou apenas um único nome.

_Nymphadora Tonks. Ela pode ser relativamente estabanada – e riu-se, perdido momentaneamente em pensamentos -, mas é competente. Tonks já foi reintegrada aos quadros funcionais. Ela estava em licença maternidade. Creio ser o trabalho mais adequado para essa fase de readaptação. Um trabalho sem muita ação efetiva, mas que exige competência.

_O chefe dos aurores é você, amigo. Confio no seu julgamento. Agora, tenho algo importante a dizer... E foi principalmente este o motivo de tê-lo convidado a participar desta reunião, senhor Taylor. Claro que sua explicação acerca do indulto foi mais que relevante para saciar a curiosidade do meu amigo pessoal e chefe do aurores, Podmore. Contudo, o seu histórico profissional é invejável. Desde os seus como estagiário trabalhando para as empresas Malfoy, com especial ênfase nos contratos internacionais, até a mais recente atuação no brilhante pedido de indulto. Creio, senhor Taylor, que seus conhecimentos jurídicos acerca do direito internacional bruxo serão necessários.

_Refere-se ao assunto diplomático, senhor Ministro?

A autoridade máxima do Mundo Bruxo britânico apenas sorriu, estimulando a curiosidade de Adam – e dos demais também, é óbvio – ao infinito. Tanto que Kingsley Shacklebolt tinha cinco pares de olhos atentos em si quando, de forma bastante natural, lançou um accio, fazendo um pergaminho de aspecto oficial e uma caixa de madeira de aparência rebuscada ir a seu encontro.

_Faz algum tempo, recebi um comunicado do embaixador russo. Ele expressou sua preocupação com o atentado sofrido pelo renomado professor Ivan Voronin, pai de Madeleine Skeeter Voronin. Há alguma novidade na dupla tentativa de homicídio?

_Nenhuma, assim como não conseguimos ainda estabelecer uma ligação coerente entre os locais por onde a relíquia ancestral dos Malfoy passou e o senhor Voronin. Estamos no escuro, senhor ministro – e o rosto de Nulan realmente expressava pesar por ter que informar que, apesar de todos os esforços, nenhum avanço real fora feito.

_Bem, parece que estamos às cegas... Quando mencionou que a pequena filha do casal Skeeter-Voronin era especial, a que exatamente se referia, Rony?

Ante a pergunta de Kings, o ruivo silenciou sua fala, o que, pelo que conheciam, dele, não era bom sinal. Podmore já esperava por mais uma revelação bombástica... Ah, aquele garoto era uma caixinha de surpresas.

_Vamos, Rony... Conte-nos... Preciso confirmar algo muito importante. Algo que pode mudar a maneira como vemos esse caso e todos os envolvidos, de Lucius Malfoy a Harry Potter...

_Bem... Madeleine é uma criança doce, obediente e...

_Ora, diga logo o que sabe, Weasley, ou vou te prender por obstrução das investigações – esbravejou o chefão, já voltando a se avermelhar de irritação.

Enquanto o ruivo parecia travar uma homérica batalha interna, Kingsley enviava o pergaminho às mãos de Taylor, cujos olhos ávidos logo tomaram conhecimento do conteúdo, a mente já vislumbrando possíveis saídas jurídicas para o impasse.

_Madeleine... Vê coisas... Minha mãe acredita que ela é uma vidente – disse Ronald por fim, sem saída.

_Uma vidente... Faz sentido. Explica o porquê de eu ter um embaixador russo na sala ao lado, esbravejando contra mim... Não sou grande conhecedor do idioma russo, mas consegui compreender o sentido de algumas falas mais acaloradas – revelou, encarando os convidados com ar de seriedade. – O embaixador veio pessoalmente trazê-la – comentou, indicando a caixa -, pois sofreram uma tentativa de invasão.

Pouco depois, o ministro acomodou a caixa requintada sobre a mesa de centro, abrindo-a e revelando o seu conteúdo. Nela, bem protegida por uma pequena almofada revestida de veludo vermelho, repousava uma esfera transparente...

_Luz e Sombras... Oh, por Merlin! – E foi tudo o que os lábios de Rony forma capazes de pronunciar quando, inesperadamente, leu uma breve indicação do conteúdo e os nomes na etiqueta colada à frágil esfera de vidro.

*******************************

“_Severus, é você? Sabe, creio que Remus tem razão... Eu deveria descansar um pouco mais...

Oh... O impacto daquela voz foi tamanho que o emudeceu. Era dele... Era a voz dele, tinha certeza que era. E então mais passos se sucederam e a porta se abriu por completo. Simplesmente, enregelou. Por Merlin, estava embargado de tanta emoção. As sensações se confundiam dentro de si... Parecia ter regredido á infância, quando a intensidade dos sentimentos é tamanha que não se consegue discerni-los.

Queria rir e chorar... Queria correr e ficar parado... Queria apenas admirar aquela imagem tão real e, simultaneamente, tão etérea e também agarrá-la e verificar se era de verdade... Queria tocá-lo e se afastar dele, tamanho o medo de estar sendo enganado... Mas não podia estar sendo enganado, podia? Seu padrinho nunca faria isso!

Oh, a sua mente era um caos completo, funcionando em todas as direções, visando compreender como Severus Snape o encontrara. Não era um caos destrutivo, portanto... Era bom, muito bom... Porque, o que ele via, o que os seus ávidos olhos viam, era a pessoa mais inesperada, mais improvável, mais aguardada... Alguém que achou ter perdido para sempre.

A dor de não tê-lo o sufocou com brutalidade, por anos, tal qual o fazia naquele momento. E então, a sua mente sagaz lhe disse que toda a dor que o fez definhar por anos tinha sido uma dor falsa, uma dor desnecessária, pois ali estava ele, de pé, bem na sua frente, sorrindo de volta, tão estupefato quanto ele mesmo estava.

Avaliou com eficiência cada detalhe... Ele estava mais magro, bem mais magro, e a pele já não apresentava todo o viço tido anteriormente, beirando um aspecto doentio. Os cabelos estavam bem mais curtos, mas a expressão era a mesma... A mesma de sempre.

Aquele homem marcado, de pé, bem diante de si... Ah, como agradecia a tudo e a todos... Aquele homem era o seu norte, o seu herói, o seu modelo, de boas e más ações, sabia disso agora, mas era, acima de tudo, o seu pai, Lucius Malfoy.

_Draco... – E o cinza mirou o cinza, precipitando lágrimas quentes e de pura felicidade, os braços abertos aguardando aquele ser que sempre, desde pequeno, tão bem entre eles se encaixava.

_Pai...

Toda a dúvida se desfez, todo o caos virou pó, pois nada mais importava naquele momento. Draco percebeu que fora agraciado por uma dádiva imensa. Seu pai ressurgira dos mortos e estava ali, com ele, mais uma vez. Não permitiria que nada mais o ferisse. Não permitiria que ninguém, nunca mais, o afastasse do calor daquele abraço.”

Os dois permaneceram entrelaçados por infindáveis minutos. Draco não queria soltá-lo, Lucius tampouco queria se afastar. Ambos nem se deram conta de que Severus havia se retirado, dando-lhes a privacidade necessária ao momento.

Draco sentiu a debilidade no corpo do pai e o ajudou a chegar até a cama, na qual, mesmo sem desejar, o patriarca se sentou, embora mantivesse os olhos e o coração no único filho.

_Pai... – As mãos do jovem o tocaram na face, estudando aquelas feições, sentindo embaixo da ponta dos dedos o rosto de seu genitor. – Eu achei que o tinha perdido para sempre, pai – e voltou a abraçá-lo com vigor, não sabendo se chorava de felicidade ou se alívio, ou devido aos dois.

Lucius o embalou coo o fizera inúmeras vezes antes, sussurrando em seu ouvido que agora ele podia ficar tranquilo, pois ele, Lucius Malfoy, estava vivo e definitivamente nada os afastaria novamente.

_Ah, filho... Meu filho... Não sabe como te ver me enche de alegria.

_Pai, conte-me... Conte-me como... Como esse milagre foi possível... Onde o senhor esteve todo esse tempo? Está bem? Como o senhor chegou aqui?

_Calma, Draco. Não se desespere, sim. Vou lhe contar tudo o que me lembro... – E contou, sem riqueza de detalhes, o que lembrava.

Foi particularmente penoso revelar os vislumbres que tinha de quando era usado para cometer tamanhas crueldades, mas não escondeu nada do filho. No passado, pagou um preço muito alto por não ser sincero com Draco, por não compartilhar com ele os seus medos e aflições. Aprendera a lição...

Nunca mais o afastaria de si... Teria o seu filho sempre por perto. A vida lhe brindara com uma nova e inesperada oportunidade, portanto, viveria intensamente os anos que viessem, não importando muito as condições nas quais a vida se daria.

_Então, não sabe quem fez isso contigo, pai? Quem o usou e torturou?

_Não, Draco. Minha mente está confusa, mas há algo que eu sei... Eles queriam se vingar de mim. E não medirão esforços. Por isso, mesmo desejando muito voltar à Malfoy Manor, permanecerei aqui. Por esse mesmo motivo, não posso aceitar a relíquia ancestral dos Malfoy agora... Precisamos manter minha presença em sigilo completo. Temo por você, meu filho... – E apontou uma das mãos do poderoso veela para, sorrindo, completar. – Temo por você e por seu esposo doncel, o grande Harry Potter... E pelos meus futuros netos ou netas...

Draco sorriu com igual entonação, entre feliz e sacana, tal qual fizera Lucius. Ah, como era maravilhoso tê-lo ali perto, vivo e sagaz como sempre fora.

_Minha herança veela se revelou ser bem mais poderosa do que você ou minha mãe imaginavam. E o meu veela o escolheu pai, mas eu já o amava então. Não sabíamos da doncelaria de Harry até ele despencar de uma vassoura...

_Ah, então presumo que foi tão inesperada quanto à de Sirius Black?

_Está bem informado, senhor Malfoy.

_Ora, Draco... Um Malfoy sempre está à frente dos demais no que tange ao conhecimento dos fatos relevantes, seja para uma inversão financeira, seja para irritar certo Black – e riu-se de uma maneira tão Malfoy que fez Draco acompanhar a alfinetada em Sirius.

O Malfoy filho balançou a cabeça, já imaginando que velhos hábitos nunca mudavam. Contudo, precisava alertá-lo. Certo padrinho mudara em alguns aspectos e protegeria o esposo de tudo, disso não tinha dúvida alguma.

_Ouça bem o que digo, pai: Severus é capaz de cruciar qualquer um que prejudique Sirius. Portanto, cuidado com os seus comentários mais “subidinhos de tom”.

_Fique tranquilo, Draco. Não sou mais assim, tão... Cretino e desumano. Sirius nunca foi uma má pessoa. É impulsivo e emproado, como todo Black, exceto Narcisa, é claro. A sua mãe era perfeita, uma mulher única... Ela... Ela sofreu, Draco?

_Não pai... Ela adoeceu e... No fim, ela teve uma passagem tranquila.

Lucius nada disse, apenas respirou fundo para assim evitar chorar mais uma vez pro Narcisa.

_Mamãe gostaria que fosse feliz, pai. Então me prometa que não se deixará abater, por nada mais. Vou ajudá-lo a reconstruir sua vida e...

_Draco, pare. Não se preocupe dessa forma comigo. Sou um homem experiente, fique tranquilo. Eu reconstruirei sim a minha vida, mas você, meu filho, tem a sua própria vida para tocar. Pelo que soube, está se desdobrando entre a faculdade, a administração do patrimônio Malfoy e um esposo que, segundo me lembro, é um chamariz para os problemas. Já tem um prato cheio nas mãos, não acha? – E como nada ouviu em resposta, prosseguiu. – E será pai de dois bebês! Ah, que felicidade, meu filho. Preciso encontrar o seu esposo e desfazer a má impressão que, fatalmente, ele tem de mim – e perdeu-se em lembranças sombrias sobre a guerra e as ações que, então, fora obrigado a empreender.

_Harry é a pessoa mais fantástica que conheci. Ele tem uma alma pura que lhe fornece uma sabedoria infinita sobre a vida... Ele ama com tanta entrega... E sua bondade é tão profunda quanto os olhos verdes, que tanto amo admirar. É como se ele tivesse um conhecimento muito antigo sobre tudo o que é, realmente, importante. Se meu lado veela ensombrece meus atos, pesando-os com uma carga visceral e animalesca, ah... Harry espanta as sombras para longe. Ele é pura luz... É a minha luz...

Luz... Luz e Sombras... As palavras de Draco o fizeram refletir sobre si mesmo, calando fundo em sua alma atormentada, remexendo em lembranças que ainda não eram claras,

_Está tudo bem, pai? Ficou pálido...

_Ora, está tudo bem, meu filho... Fique tranquilo. Precisa trazer Harry Potter aqui... Preciso agradecer ao seu esposo, afinal, graças a ele fui inocentado. Fará isso, Dragão? O trará aqui?

_Claro que sim... Assim que eu puder. Ah, pai... Seria tão melhor que o senhor ficasse na sua casa, em Malfoy Manor... Lá o senhor teria a sua família por perto.

_Você estará a apenas uma lareira de distância, Draco. Além do mais, Severus é também minha família. E, como eu disse, tenho uma nova mãe e um novo filho...

O jovem veela apenas anuiu, relembrado o que ouvira acerca do jovem que o salvou da morte certa e da senhora que o acolheu e protegeu por todo esse tempo. Uma vida inteira seria pouco para agradecer aos dois. Na verdade, aos três, pois sem o terceiro trouxa e sua brilhante atuação, Lucius ainda estaria por aí, desaparecido e desmemoriado.

_Eles devem chegar a qualquer momento. Eu não posso descer as escadas e correr o risco de ser visto pelos aurores que, fatalmente, estão seguindo você. Devem estar no jardim, mas não posso arriscar. Chame Severus e pergunte se eles chegaram. Dessa forma, você os conhecerá ainda antes de ir embora.

_Já está me expulsando, pai?

_Ah, filho... Se eu pudesse, desfrutaria de sua companhia o dia inteiro, mas sei que tem muitos compromissos. Draco, você precisará ser deveras astuto. Precisará manterá sua rotina de forma impecável, compreendeu? O que significa que não nos veremos com tamanha assiduidade, para não levantar suspeitas.

Draco assentiu, mas não gostou nada daquele novo horizonte que se vislumbrava. O pai retornara, mas ficariam afastados... Por que as coisas não poderiam ser mais fáceis?

++++++++++++++++++++++++++++++

Molly, acompanhada por um ativo Teddy e uma muito animada Madeleine, o encontrou ainda na mesa do café. Harry logo sustentou um rostinho de culpado, tentando, em vão, esconder uma generosa fatia de bolo de chocolate que, até então, degustava a com vigor.

_Harry, querido! Bolo de chocolate? Creio que Draco não ficaria nada satisfeito se o encontrasse burlando a dieta... – E, sem nem pestanejar, convocou o prato, para em seguida, questionar. – Isso é cobertura de morango?

Madeleine e Teddy rodearam o moreno, beijando-o e logo se sentaram. A chegada de Dobby com uma bandeja sustentando feijõezinhos de todos os sabores fez Harry se afundar na cadeira.

_Harry...

_Eu sei que não posso... Mas não resisto aos doces... E o sabor do chocolate com Ketchup, salpicado com feijõezinhos de todos os sabores... Ah, é a glória!

Só então a ruiva compreendeu que se enganara. Não era cobertura de morango...

_Dobby, por favor, leve os feijõezinhos, sim? Harry comerá frutas... Deve nos ajudar a proteger Harry dele mesmo... Ele precisa de sua ajuda, Dobby.

O pequeno elfo acabava de servir as crianças, cujos olhinhos brilhavam para o bolo de chocolate, e voltou-se para o moreno, sepultando qualquer chance futura do mesmo em burlar – novamente – a mais que restritiva seleção alimentar.

_Oh, o mestre precisa da ajuda de Dobby? — E ao que a senhora Weasley assentiu, concluiu. – Certo, senhora. Dobby não vai mais falhar! — E sumiu, certamente indo rumo a cozinha e a dispensa, já depurada por Severus.

O suspiro de derrota de Harry foi tão sincero, que fez Molly desistir de continuar a reprimenda. A matriarca o abraçou e beijou, sentando-se a mesa e aproveitando para se servir de um pouco de suco de laranja.

_Precisa ser forte, querido. Sei bem que esses desejos são de enlouquecer, mas não pode vacilar, Harry. Sabe, quando estava grávida de Percy, tinha um desejo insano por pepinos fritos no azeite, bem incrementados com sorvete de pistache.

Uma farta tigela de frutas, coberta de granola e aveia apareceu bem na frente do moreno, cuja cara de desagrado deu margem a Teddy incentivá-lo.

_Vamos Dinda. Eu sempre como frutas e gosto muito.

_Tia Molly, o tio Harry não pode comer nem um chocolatinho?

_Não Madeleine... Eu não posso. A tia Molly está certa.

Não foi sem resignação que o herói se dispôs a comer as frutas. Ele mal tinha comido duas fatias de bolo... Ah, se Molly contasse a Draco a escapada da dieta, seria todo um caos. Será que ninguém entendia que as suas meninas eram viciadas em açúcar? Morgana Bendita... Eram bem filhas de Draco mesmo.

_Elas me deixam assim... Desesperado por doces. Não sou assim, nunca fui... E depois, ainda tenho que ingerir litros e litros de poção... Gravidez não é fácil.

_Ah, querido, mas o resultado compensa os sacrifícios... Já imaginou como elas serão? – E lá ia Molly, embarcando também nas loucuras de Pansy Parkinson.

O grifinório sorriu, a mente criando imagens das suas meninas... Imaginava as mãozinhas, os dedinhos... Imaginava sentindo o leve toque deles em sua bochecha... Ah, imaginava as duas com os mesmos olhos do marido: únicos, cinzas e intensos.

_Já, penso nisso sempre... Mas não imagino um rosto ou nada parecido. Imagino tê-las em meus braços... – E tocou o ventre um protuberante, tocando-o de leve, como se, talvez, elas pudessem compartilhar daquela carícia tão cheia de significado.

Entre conversas sobre bebês gêmeos e como era difícil cuidar deles, Teddy deixara a mesa, rumando para o quintal. Já Madeleine, ao invés de segui-lo, parou de pé, ao lado de um Harry Potter muito curioso, afinal, pensou que a garotinha fosse seguir Teddy na sua “aventura desbravando o labirinto do jardim”.

_O que foi, minha linda? Não quer ir brincar com Teddy?

A menina balançou a cabeça positivamente, mas não deu nenhum passo em direção ao espaço externo da mansão. O silêncio que os envolveu foi estranho e até Molly já se preparava para perguntar novamente se ela estava bem, contudo, não foi necessário.

_Tio, o moço loiro já está aqui?

_Não, Madeleine... Draco precisou sair bem cedo hoje e ainda não voltou – respondeu prontamente Harry, mesmo achando estranho que ela desejasse saber o paradeiro do marido.

_Ele não... O outro moço loiro... Com os olhos iguaizinhos aos do tio Draco.

Harry encarou a pequena Madeleine, perdendo-se na imensidão profunda e escura dos seus olhos castanhos. A menina falara com tanta convicção do “outro moço”, aquele cujos olhos eram iguais aos do seu marido que, simplesmente, não titubeou. Associou-o a Lucius Malfoy, o pai de Draco.

_Madeleine! Vem ver o que eu achei! – Chamou Teddy da porta, distraindo-a. – Vem rápido!

O menino correu entusiasmado e Madeleine correu atrás dele, os cachinhos balançando no ar até sumir porta afora.

_Ela... Ela perguntou sobre o pai do Draco?

Molly assentiu e, após alguns segundos de reflexão, decidiu alertar o seu filho sobre as próprias suspeitas.

_Harry, Madeleine é uma criança maravilhosa. Rita Skeeter tem muita sorte por ter uma filha assim, tão gentil e solidária. Contudo, é também uma bruxa poderosa... Não sei ao certo, mas suspeito dos dons com os quais foi agraciada. Hermione concorda comigo. Ela descobriu algo e irá encontrar Severus hoje, mas não me explicou exatamente o que descobriu.

Harry sentiu-se um inútil, de verdade. Enquanto todos tinham milhares de afazeres e ajudavam, de alguma forma, a solucionar os problemas, ele estava ali, sentando na cadeira requintada de Malfoy Manor, sendo flagrado ao burlar a dieta. Vergonhoso.

_Ah, mãe... É tão frustrante. Eu não posso nem mesmo ir até a casa do meu padrinho... Sou mais um problema, não é?

A matriarca o acariciou na bochecha antes de responder.

_Você nunca será um problema, Harry. Você é já fez mais que o suficiente por nós, meu filho. Deixe-nos retribuir toda a sua garra. Deixe-nos cuidar de você, um pouquinho que seja... Ah, por Merlin! Como pude esquecer!

A varinha da senhora Weasley foi rápida e, em segundos, Harry tinha sobre si dois pacotes embrulhados com papel vermelho e verde, além de ostentarem um lindo laço dourado.

_O que é isso?

_Os primeiros casaquinhos das suas meninas... Abra, vamos... Eu os fiz com a ajuda da mãe de Fleur, antes que ela retornasse à França.

O doncel os abriu com rapidez e se encantou com os presentes. Ao tocar os belos casaquinhos, percebeu que seus olhos não contiveram a emoção. Era o primeiro presente que as suas meninas ganhavam. Com tudo o que havia acontecido até então, nem ele nem Draco tiveram tempo para planejar como seria o quarto, nem mesmo tiveram a chance de comprar um brinquedinho sequer.

_Oh, querido, não chore... Você... Você gostou?

_Amei... São tão lindos... Um verde e um vermelho... E os detalhes? A gola, o lacinho... Nem Draco vai conseguir encontrar motivos para não gostar. Obrigado, mãe.

Dobby interrompeu o momento ao trazer as poções que o seu “amado mestre” precisava ingerir. Mesmo detestando tudo aquilo, o moreno seguiu as indicações, enjoando pouco depois.

Molly o ajudou a subir e a se deitar, velando-o até perceber que, mais uma vez, o sono o embalava. Aproveitou para guardar os casaquinhos na cômoda. Depois fechou as cortinas, beijando o seu filho na testa, antes de descer as escadas e se jantar a Dobby. Prepararia o almoço e passaria o dia em Malfoy Manor curtindo a gravidez de Harry. Ah, ele estava tão fofo... Realmente, estava na hora de o herói do Mundo Bruxo compreender que chegara o momento de descanso e cuidado.

As horas passaram voando naquela tarde. Entre brincadeiras de Teddy e Madeleine e almoço e lanches – saudáveis para Harry, é claro – a noite caíra. Molly e as crianças já haviam ido e Harry, mais uma vez, percebeu o cansaço se apoderar de cada partícula consciente de seu cérebro.

Tomou um banho demorado e não teve mais forças nem para voltar à sala e aguardar Draco para jantarem juntos. Impressionava-se com a quantidade de horas que seu corpo necessitava repousar. Nossa, parecia um urso em hibernação, por Circe!

Perdeu-se em pensamentos sobre as filhas, roupinhas e berços. Sonhou ou imaginou um quarto de criança perfeito, cheio de ursinhos felizes? Ah, não fazia ideia... Mas havia uma única certeza: a sensação morna que o incitava a abrir os olhos era bem real, assim como as vibrações daquela voz de anjo bem pertinho de seu ouvido.

_Amor... Acorda... Harry... – E mais beijos em sua nuca o fizeram se arrepiar inteiro.

_Draco... – Sua voz estava pastosa, meio mole e bastante desejosa de continuar a ser alvo daquelas carícias.

Assim que abriu os olhos contemplou todo o espetáculo que tinha sobre si: um loiro, alto, corpo definido – que nem as vestes caras conseguiam ocultar -, de olhos ávidos cujo cinza resplandecia felicidade.

_Acordado, Harry? – E o beijou nos lábios, só para provar daquele sabor único, sem igual... Só dele.

_Sim... Embora passe a maior parte do dia dormindo... Draco, isso é normal?

_Harry, é claro que é normal. Além de você estar grávido, a sua pressão arterial está sofrendo um controle severo. Seu corpo está se adaptando às mudanças, amor. Estive com o senhor Weasley... E me matriculei nas aulas de condução trouxa-bruxa. Fiz inclusive minha primeira aula hoje. Em duas semanas eu me tornarei o seu motorista particular, Harry.

_Só duas semanas? Por Circe, prefiro ficar bem quietinho em casa...

Draco o encarou.

_Está duvidando das minhas habilidades, testa rachada? – E ao que Harry nada disse, prosseguiu. – Em uma só aula, eu já dominei o veículo. Em duas semanas, serei melhor que o senhor Weasley. Um Malfoy é sempre melhor em tudo... Meus filhos serão também, pode acreditar no que digo.

_Oh, é mesmo, loiro de farmácia?

_Está duvidando?

As farpas trocadas eram mais que gastas, contudo, serviam para manter os olhos conectados e as mentes determinadas em sempre estar atento a tudo com relação ao outro, em cada detalhe.

Harry sorriu e o beijou, aproveitando para colocar mais lenha na fogueira... Na verdade, ele já estava em brasa, só de ter o marido por perto, depois de um dia inteiro sem vê-lo.

_Eu quero comprovar, Draco.

_Quer comprovar se eu posso dirigir?

_Não é bem isso o que eu quero comprovar... – E se posicionou em cima do marido, sentando em suas pernas. – Disse que em uma única aula foi capaz de dominar o... – E se esfregou nele, fazendo o loiro gemer de prazer. – Carro... Será que consegue fazer o mesmo... Comigo?

O olhar avassalador do qual foi alvo fez Draco estremecer. Como aquele moreno tinha tanto poder sobre ele? E o seu veela então? A magia selvagem se convulsionava dentro de si, desejosa por sair e se enfiar no corpo apoiado ao seu. Era enlouquecedor... Deliciosamente enlouquecedor.

_Harry... Eu preciso te contar algo muito importante...

_Depois... – E o beijou de novo, mordendo a parte inferior dos lábios. – Depois Draco... Agora... Eu quero ser... Dominado...

Notas finais
Dobby trazia a pesada bandeja com destreza incomparável. Nela estava o jantar dos seus mestres. Levaria para o quarto, pois nenhum dos dois descera até a sala. “Ah, não... Não... Assim não...” A voz do amo Harry saía abafada pela porta entreaberta do quarto do casal. “Harry” “Ah! Não, não... Assim... Assim você vai me matar!” “Abra os olhos, Harry” O pequeno elfo se aproximou, ouvindo com maior atenção. Pelo que conseguiu entender, o seu mestre ainda não havia acordado e... “Vamos, amor... Olhe pra mim...” “Vai me matar, vai me matar” _Matar? – perguntou-se o elfo, enquanto sons e gemidos completavam aquela estranha fala. Oh, o seu amo Harry estava tendo um pesadelo! Sim, era isso. E o amo Draco estava tentado acordá-lo. _Pobrezinho do amo Harry... – Lamentou-se o elfo, aproveitando para enviar a bandeja para o interior do quarto, rumando em seguida para a cozinha. – Vou preparar um chá calmante para o amo. “Aaaaah, Draco!” “Um Malfoy é o melhor em tudo... Até em... Aaaah... Dominar o esposo e matá-lo de prazer...” As falas abafadas continuaram a preencher os corredores de Malfoy Manor, enquanto um dedicado elfo esperava a água ferver.