Submisso
38 Capítulo 38 - Rehab, Revelações Veelas
Notas iniciais
Sorry for the late!
Ai, ai.. Eu ando com alguns problemas: internet ruim e criatividade em crise. Enfim, desculpem-me pelo atraso.
>Inicio agradecendo a paciência e os comentários! Amo-os, afinal, escrevo para vocês, é claro!
>Aos erros, cuidem-se!
>Aos leitores que me acompanham, fantasmas ou não, continuem!!!Vocês são demais!
>Aos leitores novos, mente aberta! rsrs (sou má)
>Nesse cap, temos a primeira parte da Rehab do Draco... UIA!
Sem mais, REHAB, REVELAÇÕES VEELAS!
Capítulo 38 – Rehab, Revelações Veelas
Draco acordou meio sonolento. Estava bastante cansado... Na verdade, estava esgotado mesmo, tanto física quanto mentalmente. A jornada atrás da relíquia ancestral exigira muito de sua magia, uma magia ainda instável devido ao ataque de ciúmes. Tudo isso o afetara bastante, sem mencionar as possibilidades que a busca infrutífera pelo corpo de Lucius Malfoy deixara... Era demais mesmo.
Onde estaria o corpo do seu pai? O que fora feito dele? Estaria vivo? Não... Não podia seguir essa linha de raciocínio. Acabaria enlouquecendo se o fizesse. Lucius Malfoy estava morto e ponto final! Os próprios aurores devem ter dado um jeitinho de “terminar o serviço”, vingando-se do seu pai da maneira mais fácil, ou seja, eliminando-o. Deveria sentir raiva dos cretinos, ou deveria até agradecer-lhes? Afinal, o que teria sido pior? Morrer pelas mãos dos aurores, ou morrer em vida, encarcerado em Azkaban?
Não tinha respostas... Só tinha o cansaço e o esgotamento. Poderia passar o dia inteiro deitado, na mesma posição na qual se encontrava: de barriga para cima, olhando diretamente para o teto. Não tinha nenhuma vontade de se mexer ou de girar o corpo para o lado, pois o seu veela sabia que Harry não estava ali, colado a ele. Harry estava em Malfoy Manor, certamente praguejando contra a sua conduta mais que reprovável. E ele sabia que aquele teto não correspondia a nenhum pedacinho da ancestral residência dos Malfoy.
Apreciar os tetos estava se tornando um costume e aquele, ah, com certeza era um teto novo. Estaria em Azkaban? Não, impossível... A tinta era suave demais para ser Azkaban... Tinha mais algumas teorias, mas seus questionamentos sobre o local onde estava foram respondidos, antes mesmo que pudesse bocejar preguiçosamente.
_Você está na residência do irmão mais velho do aspirante a auror, querido. E, devo admitir, andar com a Granger fez maravilhas ao ruivo.
_Oh, não... Pansy...- Resmungou para si mesmo. Seu pesadelo particular estava ali, aguardando que acordasse.
_Que bom que acordou, Draquinho. Já estava ficando entediada aqui...
_Bom ter acordado? Claro... Muito bom...
_Você dormiu muito. Já passam das dez horas, sabia? Só desculpamos você porque todos nós acordamos tarde. Ficamos conversando ontem à noite e quando percebemos, nossa, a madrugada já corria solta...
Draco se endireitou na cama e encarou a amiga com uma tempestade de perguntas encarceradas nas íris cor cinza.
_O ruivo mudou muito... Ou será que eu não tinha percebido como ele era antes, quando ainda estávamos em Hogwarts? É, deve ter sido isso... Afinal, a Granger nunca iria se fixar em alguém incompetente, não é mesmo?
_Pansy... – Chamou Draco, a voz demonstrando os primeiros sinais de irritação.
_Oh, ele foi muito perspicaz, Draquinho. Realmente de impressionar! Quem diria, não é mesmo? Quem diria que o vara-pau-desengonçado fosse se transformar num homem de porte e...
_Pansy...
_... Tão atraente. Nossa, a Granger se deu bem... Até o Theo se deu bem, duplamente bem eu diria...
_Do que você está falando, Pansy?
_Hum... Será que o Blaise se importaria se eu experimentasse um Weasley também? Sabe se Ronald ainda tem algum irmão solteiro? Ele tem tantos irmãos, não é?
_PANSY PARKINSON, CONTROLE-SE!
A loira se ajeitou na cadeira de madeira de design rústico, que fazia par com o restante da mobília, e apenas sorriu. Sabia muito bem que o amigo tinha a mente convulsionada por outras questões mais sérias, por isso, dispôs-se a disparar algumas futilidades... Quem iria recriminá-la, por tentar deixar o ambiente mais leve?
_Tá, tá... Que coisa! Não se pode nem mais manter uma conversa amena? Você já foi menos rabugento, senhor Malfoy. – E ao que uma veia pulsava na têmpora do loiro, prosseguiu com seu ar superior, voltando à seriedade e eficiência habituais. – Ronald conversou comigo antes de deixar o chalé. Ele pediu, bem... Na verdade, ele exigiu que você os deixasse trabalhar no caso sem intromissões, ou seja, nada de sair por aí bancando o herói do mundo bruxo, já temos o suficiente com o seu esposo gostoso. Ronald prometeu que voltará o mais rápido possível, com o maior número de informações que puder reunir. “Não o deixe fazer nada estúpido, Parkinson”, foram as palavras do ruivo. E vou me assegurar de que você ficará por aqui, bem quietinho, seguindo os conselhos das veelas. A Malfoy’s C.O. está em boas mãos no momento, tenho alguns dias, poucos dias, para ficar de olho em você, senhor veela ensandecido.
_Pansy, como quer que eu fique aqui? Meu pai... O meu pai...
_Draco, o corpo de Lucius Malfoy não foi encontrado. A relíquia está em suas mãos agora – E Draco percebeu que o anel com o brasão dos Malfoy jazia em um de seus dedos. – Esse simples fato, meu caro, dá a nós, que compartilhamos de sangue puro, uma única certeza: essa relíquia estar sob a sua posse significa que, obviamente, foi o próprio Lucius quem a retirou do dedo... Ele abriu mão da relíquia, embora não saibamos sob quais condições. As possibilidades não são muito animadoras agora... O corpo do seu pai pode ter sido perdido para sempre... Ou, como Ronald destacou, Lucius ainda pode estar vivo... Embora, eu, mesmo desejando intensamente, não me fiaria muito dessa possibilidade, meu amado. Não quero que sofra mais...
A loira em dois passos estava junto de Draco, as mãos delicadas tocando o rosto do amigo. Quando queria, aqueles olhos de harpia podiam ser tão calorosos quanto coração de Molly Weasley. Ah, Pansy Parkinson... Ela e Hermione eram as irmãs que Narcisa nunca lhe deu. Amava-as com todo o coração. E sabia que era amado pro elas também.
_Preste atenção, Draco: sei bem o quanto enterrar Lucius em Malfoy Manor é importante para você, mas deixe que os aurores façam o trabalho ao qual são pagos para fazer, sim? Não se enrosque numa busca cega aos restos mortais do seu pai, não quando há tanto esperando por você e pelo seu empenho. Harry Potter, por exemplo... As suas filhas... Os seus amigos... A empresa... A universidade... Eu... Poderia continuar com a minha lista, sabe, contudo, creio ter deixado bem claro o meu ponto de vista.
Draco admirou-se por Pansy não ter dito o nome dela antes do nome do seu esposo. Nossa, Pansy se colocando em último lugar? A amiga tinha mesmo amadurecido, precisava admitir.
_Há algo sinistro nessa história e não quero que se arrisque. Você tem mais três dias, no máximo quatro, de férias oficiais da universidade. Como sou a encarnação da eficiência, já providenciei todos os seus livros e demais materiais de estudo. Acredito que Dobby já os tenha, inclusive, organizado de forma funcional em seu escritório particular. Com relação à empresa, sabe que pode contar comigo e faremos como fizemos antes: você irá trabalhar em horários reduzidos, intermediando com as aulas e, é claro, com Harry e suas filhas.
Harry, sempre Harry. Harry era a sua vida agora. Ele e as suas filhas... Filhas? Por Merlin, já estava alucinando, igualzinho a Pansy Parkinson.
_Draquinho, você é um veela... Um veela poderoso, casado com um doncel... Um doncel igualmente poderoso, que está grávido de duas lindas meninas, tão fofas que quero morder as bochechas delas... Ah, mal posso esperar para tê-las em minhas mãos. Eu serei a madrinha de uma delas, sabe disso. – E o olhar interrogativo do esnobe Malfoy em nada diminuiu o ímpeto da “igualmente” esnobe Parkinson. – E você, seu estúpido ciumento, destratou a mãe das suas lindas menininhas... Num rompante de ciúme, sabemos disso, meu caro, somado a toda a novidade que ser um veela apaixonado e vinculado é para você... Enfim, algo completamente desculpável, na minha nada singela opinião, mas estamos lidando com leões, Draquinho... Leões, lembra-se? Terá que colocar toda a sua vontade e empenho em controlar o seu veela, caso queira que toda a alcateia permita a sua reaproximação da fêmea emprenhada.
_Alcateia? Fêmea emprenhada? Pansy, por Merlin, que tipo de comparação é essa? Harry não é nenhuma fêmea... Creio, minha cara, que você precisa urgentemente se afastar de Blaise e Theo. E de onde veio essa história de filhas? Não sabemos ainda se serão meninos ou meninas...
A loira estonteante riu com gosto e o abraçou, depois o beijou na bochecha.
_Ah, eu sei. Confie em mim. Já vacilei com você antes? Tome um banho, respire fundo e desça. Vamos tomar café da manhã e começar a sua reabilitação...
_Reabilitação? Por Merlin, eu não sou nenhum viciado...
_Ah sim, você é... Completamente viciado num certo moreno de olhos verdes. Precisa aprender a controlar sua possessividade natural, Draquinho. Tome um banho e desça. Aguardamos você lá embaixo. Fleur está ansiosa para começar a lhe passar algumas dicas...
_Fleur? Tratando-a pelo primeiro nome... O que aconteceu com a frieza sonserina?
_Tudo isso é culpa sua, meu caro... Quem mandou nos misturar? As serpentes são frias, mas não conseguem permanecer geladas em meio a tanto calor humano. E Fleur é uma das pessoas mais gentis e educadas que conheci na vida. Além do que, Morgana Bendita, ela é uma cozinheira estupenda... Acho que já engordei uns dois quilos... Malditos biscoitos amanteigados... – E saiu porta afora, reclamando, agora, do delicioso bolo de caldeirão.
Draco preferiu não rebater a gracinha sobre ele estar viciado em Harry, afinal, conseguiria desmentir tal fato? Seria possível argumentar contra essa mais que evidente realidade? É, não acreditava ser humanamente possível.
O quarto no qual estava não tinha os requintes da sua mansão, mas era bastante aconchegante, todo numa decoração rústica que combinava perfeitamente com o Chalé das Conchas. Pensando em como Harry gostaria de estar ali, rodeado pelos amigos, ficou de pé e se dirigiu até um armário, o outro móvel do recinto, além da cama e da mesinha de cabeceira, encontrando nele algumas roupas suas. Munido de vestes limpas e artigos de higiene pessoal, deixou o quarto e procurou por um banheiro. Imaginava que ficava no corredor e assim o encontrou.
Demorou-se um pouco mais no banho, pois foi tomado pelas lembranças da última noite que teve com o esposo, antes de ter surtado e o ferido. A vontade que tinha era a de aparatar em casa, correr até Harry, prostrar-se diante dele caso necessário e rogar por perdão. Contudo, sabia que era melhor aprender um pouco mais sobre a sua natureza animalesca, antes de se aproximar novamente do seu vício, da sua perdição particular. E se perdesse o controle novamente? Não, não podia nem cogitar essa possibilidade.
Conforme descia os degraus da escada, vozes e sons de risadas se tornavam mais nítidos. Seguiu-os, chegando à cozinha, na qual, ao redor de uma grande mesa de madeira, se encontravam as irmãs Delacour, Gina Weasley, Pansy Parkinson e Theodore Nott... Theo? O que, por Merlin, Theo fazia no Chalé das Conchas?
_Oh, Draco, bonjour!
O delicioso aroma de café e de bolo fresquinho arrebataram seus sentidos, já bastante confusos devido à presença das veelas. Percebeu-se esfomeado.
_Bonjour... – Respondeu à Fleur que caminhava em sua direção, uma enorme xícara de café nas mãos. Havia um intimidade nata entre eles, os veelas.
Fleur sorriu e apontou uma das cadeiras, a mais próxima a Pansy. O loiro se sentou e pegou a xícara que lhe foi destinada. Sorveu um pequeno gole, os olhos cor cinza arregalados pelo que presenciava. Como não se sentir um pouco constrangido diante da cena? Como não desejar afundar a cabeça na areia fofa da praia lá fora, com Gina sendo acariciada delicadamente por Theodore e este, por sua vez, recebendo um pedacinho de bolo na boca, graciosamente ofertado por Gabrielle? Estaria numa realidade paralela?
_Draco, beba mais um pouco de café. E o bolo que Fleur preparou... Hum, nossa... Está divino. Oh, adeus dieta! – E Pansy o serviu, sem nem esperar que dissesse sim ou não.
O esnobe Malfoy aproveitou para encarar a amiga dos anos de escola, com um pedido mudo de: “por favor, explique”, ao que a beldade loira sonserina apenas sorriu maliciosa. E então as palavras dela no quarto, um pouco mais cedo, fizeram sentido, se encaixando perfeitamente à cena bizarra que se desenrolava ali, bem diante dos olhos tempestuosos apavorados. “Até o Theo se deu bem, duplamente bem eu diria...”
Fleur se juntou aos demais, puxando uma cadeira e servindo a si mesma com um pedaço de bolo, aproveitando para cobri-lo com uma espessa camada de geleia de framboesa. A expressão de completa confusão no rosto do mais novo hóspede lhe causava muito divertimento. Pobre Draco Malfoy... Ele não fazia mesmo a menor ideia do que era, de fato, ser um veela. Livros sobre veelas nunca, nunca mesmo, seriam capazes de expressar o que realmente significava ser dotado daquela magia selvagem.
Quando a sogra explicou a situação, ah... Como sentiu pena dele. Sabia bem como era difícil lidar com os rompantes sentimentais típicos dos veelas, principalmente quando se estava amando alguém. Ela vinha de uma família com longa tradição de mescla com veelas. A sua avó, por exemplo, era uma veela autêntica, o que, por si só, já esclarecia o quão poderosa era a magia veela nos Delacour, ou seja, no seu pai, na sua irmã e em Victoire, a sua pequena filha.
Molly nem precisou argumentar muito. Evidente que o ajudaria... Pelo que pôde compreender, a magia veela dos Malfoy tinha se diluído com o passar das gerações e ter um herdeiro como Draco era, no mínimo, incomum. E, pobrezinho, ele não teve orientação alguma sobre como lidar com o seu veela... Precisava ajudá-lo! Por isso, mesmo sendo bastante difícil, pediu para o marido levar Victoire à Toca. Deixaria a menininha passar alguns dias com a sogra (Molly já estava dando saltinhos de tanta alegria). Utilizariam muita magia veela para orientar o loiro, logo, poderiam afetá-la no processo.
_Já conviveu com algum veela antes, Draco? – Perguntou a mais nova senhora Weasley.
_Não, nunca mesmo, Fleur...
_Como se sente?
_Sinto-me muito... Confuso. É estranho...
_Eu não saberia dizer se é estranho, pois sempre convivi com veelas. Minha família está mais ligada a eles do que qualquer outra que conheço. O reconhecimento mútuo das nossas magias incomoda você?
_Não... Só me sinto diferente e confuso, pois compartilho o que você e Gabrielle sentem. Fico bastante atordoado com esses sentimentos intensos que, evidentemente, não são meus, mas que refletem a minha própria capacidade de sentir.
_Alors, Draco... Vous pouvez me comprendre, non?
_Oui,Gabrielle. Je peux te comprendre. Je sens l'amour entre vous trois.
Theodore sorriu, aproveitando para beijar a mão de Gabrielle. Gina os observava com uma expressão de total contentamento. Não havia ciúme entre eles, nadinha mesmo, isso Draco podia perceber. Só identificava neles emoções fortes e profundas. Quando o amigo teria se enroscado naquele trio? Em qual momento? Por Merlin, da última vez que se encontrara com Theo, o muito descarado sonserino estava sugerindo que Harry, o seu Harry, “desfilasse seminu” para as multidões de bruxos tarados! Blaise teve trabalho para segurá-lo aquele dia...
_Gina a trouvé Theodore et je les aime, Draco, tous le deux. Je sais que vous êtes un Veela avec un seul amour, Harry Potter... Mais sans respect entre les partenaires... Ah, l'amour meurt.
_Pansy, Theo e eu temos algumas coisas para acertar... Ah, e Hermione virá mais tarde. Dessa vez eu me lembrei e enviei uma coruja para ela. Sei que já estamos com praticamente tudo finalizado, mas talvez possamos ter ajuda na finalização...
_Oh, não esqueça o Blaise, Gina. Ele também virá mais tarde
_Nossa, é verdade, Pansy. O Blaise confirmou.
Draco se surpreendeu ao notar como a ruiva tratava os seus amigos com intimidade. Quando teria acontecido? Quando os amigos dele e os amigos de Harry tinham adquirido aquele tratamento tão íntimo.
_Para que tanta plateia?
_Não se preocupe, Draquinho. Não vamos incomodá-los. Nossos assuntos não estarão voltados para vocês.
Gabrielle beijou Theo e Gina e ficou de pé, anunciando que esperaria por Fleur e Draco na praia, pois se ficasse muito mais tempo perto dos seus dois “amores”, os levaria correndo para a cama, ao que Fleur a recriminou com um, “Gabrielle, où sont tes bonnes manières?”. Pouco depois, os dois veelas que permaneceram na cozinha estavam sozinhos. Sabe-se lá o que levou os demais a saírem sorrateiramente e, trocando segredinhos, rumarem para o andar de cima, o som de uma porta batendo sendo ouvido logo depois.
_Ah, não se incomode com eles. Pansy, Blaise, Theodore e Gina... Bem, eles andam tendo uns encontros misteriosos há algum tempo. Geralmente, Gabrielle também participa, mas hoje ela nos ajudará...
_Encontros misteriosos? Oh, Merlin... Tenho medo até de imaginar o que andam aprontando.
_É para ter mesmo – e riu-se. – Gabrielle anda estranha... Acho que ela fez alguma coisa que não devia. Minha irmã é bem diferente de mim, sabe Draco. Ela é dominante... Eu preveniria o seu amigo, Theodore.
_Sério?
_Ha, ha, ha... Oubliez ça, Draco. Il ya beaucoup de choses à penser maintenant...
_Oui... Harry, par exemple. Ele nunca vai me perdoar...
_Sabe, Draco... Quando eu ainda estava namorando o Bill, nossa... É vergonhoso dizer, mas eu fui bastante “agressiva” com o gerente-geral da sessão de manutenção de feitiços protetores, um velho babão que vivia dando em cima do meu ruivo. Un pervers... Un abusé!
O loiro apenas sorriu malicioso, compartilhando do mesmo sentimento da parceira veela. Ah, ele podia se refestelar na doce sensação de vingança que ela relembrava.
_E então, num certo dia comum de trabalho, eu pedi ajuda ao magnífico gerente, pois “não entendia como as câmaras de alta segurança funcionavam”... Enquanto aprendia sobre as câmaras e as analisávamos bem de perto, fui bastante... Incisiva com relação ao meu Bill. O velhote entendeu bem o recado, mas... Oh, o que posso dizer em minha defesa? Eu realmente não sabia que não poderia trancar as câmaras de alta segurança, ao menos não sem um feitiço prévio para abri-la, posteriormente. Afinal, eu era apenas estagiária naquela época... Ah, e como o senhor gerente foi parar dentro da câmara? Ninguém conseguia sequer acreditar que um funcionário tão competente, um dos poucos de alto cargo que não era um duende, pudesse ser tão... Descuidado. Triste, não é mesmo?
As gargalhadas do dono e administrador da Malfoy’s C. O. serviram para aliviar o ambiente.
_Ora, meu querido... Veelas são muito agressivos quando se sentem ameaçados. Contudo, eu sempre soube exatamente o que estava fazendo, Draco. E nunca deixei Bill saber das minhas táticas de segurança – confidenciou bem baixinho.
_Táticas de segurança? Ha, ha, ha... Você realmente o trancou na câmara de alta segurança, Fleur?
_Sim – reveleou enfim, sorrindo. – Mas se você divulgar essa preciosa informação, em especial para o Bill, nego até a morte.
_O cretino sobreviveu?
_Ah, sim... Claro. Eu mesma, depois de dois dias inteiros, o retirei de lá... – Continuou em tom de confissão, mas se apresentar um pingo sequer de remorso. – Ah, precisava ter visto o ar apavorado daquele depravado. Curiosamente, ele pediu transferência para o Gringotes de Berlim pouco depois... Bill acredita que eu sou um anjo de candura. Na verdade, eu realmente tenho o meu lado angelical – e riu junto com o “hóspede” -, mas também tenho meu lado veela demoníaco enciumado. Ninguém tira uma lasquinha sequer do meu marido. E Bill é tão inocente... Ele, simplesmente, é incapaz de perceber como é charmoso e atraente... Ai, como é difícil manter a todos os abusadores bem longe!
_E você diz isso para mim? Fleur, Harry é um doncel. Ele é puro pecado. Tem uma pele de seda, um perfume natural que é mais viciante do que uma droga... E o sabor dos beijos dele, ah, superam a ambrosia divina, minha cara... O pior de tudo isso? Harry Potter, o herói salvador do mundo bruxo, está em primeiro lugar, bem no topo mesmo, da “lista de leões inocentes e ingênuos”. Talvez, pelo que me contou, seguido de perto por Bill...
Os dois se dispuseram a enaltecer as qualidades de seus parceiros, além de ficar alguns minutos apenas esbravejando contra todos os potenciais inimigos que teriam que afastar (na verdade, eliminar, esfolar, torturar, trucidar, devorar, etc.), tanto os reais, quanto os imaginários. Veelas... Veelas e seus parceiros ideais. Qualquer bruxo com um mínimo de juízo procurava não se interpor entre eles... Os resultados não costumavam ser nada agradáveis.
_Preciso do meu parceiro... Assim como Gabrielle não conseguirá mais viver sem Gina e Theo, ou você sem Harry. Gabrielle terá algumas dificuldades. Consegue imaginar como é lidar com mais de um parceiro ideal? Lidar com esses nossos sentimentos fortes, em dobro?
_Nossa, deve ser muito difícil. Eu... Eu não sabia que isso podia acontecer, sabe... Ter dois parceiros ideais. Nunca li nada sobre isso. Apesar de ter sentido o amor que há entre eles, um amor verdadeiro e profundo, volta a dizer: nunca imaginei ser possível. E estou muito surpreso, pois nunca pensei que Theo amaria ninguém e tão rápido... Enfim, não julguei ser possível ter, de fato, mais de um parceiro escolhido pela magia, pelo destino, ou seja lá quem sabe o que pode ter unido os três.
_Ah, Draco... Nós veelas não fomos nunca bem compreendidos pelos outros. Os livros não fazem jus a nossa realidade. A magia veela nos une ao parceiro que nos complementa. Essa complementação se concretiza num nível que vai além, muito além, do que os livros sobre seres como nós, veelas, explicitam. Somos unidos ao ser nascido para nos equilibrar, na falta de uma palavra mais adequada... Minha avó era uma veela pura, que se apaixonou pelo meu avô, um mago francês ordinário, sem nenhuma espetacular capacidade mágica, mas que tinha o coração mais puro e alma mais gentil que qualquer outro na sua pequena vila. Os dois se conheceram e nunca mais se separaram. Eu tenho uma teoria sobre o vínculo dos veelas mais poderosos, herdeiros como nós, Draco... Acredito que não somos ligados apenas pelos desmandos da magia... Somos atraídos pela pureza, pela gentileza, pela total entrega... Somos atraídos por seres que apresentam essas qualidades e um sem-fim de outras mais, todas positivas, que nos ajudarão a diminuir nossa brutalidade.
_Não somos brutalizados, Fleur. Você... bruta? Por Merlin, estou diante da encarnação da gentileza.
_Obrigada... “Gentileza”... Ora, você tampouco é assim, bruto, nos modos, por exemplo, mas nossa magia sim, é bruta, no sentido de mais natural, primitiva e visceral... Indomada, eu diria. Por isso, creio ser assim que se sedimenta o vínculo do veela. É por isso que, mesmo podendo desfrutar de ampla liberdade, escolhemos estabelecer o vínculo. Eu disse escolhemos? Ah, não... Ficamos bastante imprestáveis se, identificamos o parceiro ideal, e não nos vinculamos a ele. É claro que, com muito empenho, mesmo sabendo quem é o parceiro ideal, podemos prosseguir em nosso caminho. Afinal, nós temos escolhas das quais, por exemplo, os donceles, após certas etapas de suas vidas, não mais dispõem.
As palavras de Fleur o fizeram voltar aos tempos sombrios, nos quais Harry jazia inerte numa cama, a beira da morte... Ah, não... Não gostava nem de pensar nessa hipótese. Sem se dar conta, já estava bebendo mais café que a anfitriã lhe servira, além de degustar mais uma boa fatia de bolo.
_Veja o caso de Harry ou de Sirius... Se não fosse por você e pelo professor Snape, eles estariam mortos agora. É triste, é cruel... Mas essa é a natureza dos donceles. Já a nossa magia veela, bem, ela nos faz diferentes. Nossa natureza animalesca... Ah, sim, senhor Malfoy, somos criaturas animalescas e negar isso é não compreender a si mesmo...
_Sei disso, mas é terrível quando essa besta sai de controle, concorda? Eu quase sufoquei o idiota do Taylor...
_Concordo inteiramente que é terrível perder o controle. É difícil ser um veela vinculado... Seria tão mais fácil ter a completa liberdade! A nossa magia, mesmo clamando pelo vínculo com o parceiro ideal, não nos escraviza. Veelas sempre podem viver sem ter feito o vínculo marital... Aí, eu me pergunto: qual seria a graça da vida, sem o meu parceiro ideal? Não me vejo sem o meu Bill... Ele amansou o meu lado mais animalesco... O veela mais selvagem que existia em mim ganhou ares domesticados... Na guerra, eu quase perdi o meu marido, Draco. Minha magia veela se tornou muito mais serena depois disso. Eu sou mais paciente, menos autoritária e nem de longe sou dominante. Eu não desejo engravidá-lo, por exemplo... – E riu de si mesma, da sua condição tão submissa. – Acredito que só o faria se Bill me pedisse... Bill não é perfeito, mas é perfeito para mim. Eu tampouco sou perfeita... Por que você se vinculou, Draco? Responda com sinceridade... Por que Harry Potter era tão importante para você?
Draco pensou em Harry e no amor que sentia por ele. Pensou nas palavras de Fleur... Por que tinha se vinculado a Harry? Para salvá-lo, ora! Não... Não mesmo... Esse era o seu lado arrogante falando, o lado bem Malfoy, que lembrava Lucius, seu velho pai. Ele se vinculara a Harry porque há muito tempo sabia que o moreno de olhos verdes, o heroizinho afetado, teimoso e intrometido – e testa-rachada-santo-Potter –, o leão mais manhoso que já conheceu... Simplesmente sabia que Harry, o dono do coração mais puro que já conhecera, era o seu parceiro ideal e que, se havia, de fato, alguém ali para ser salvo, esse alguém era ele mesmo, Draco Malfoy.
_Porque eu não conseguiria viver num mundo sem Harry Potter. Eu o amo e preciso dele, desesperadamente. Sem Harry, não há mais nada.
_É o que sinto por Bill, assim como é o que Gabrielle sente por Gina e Theo. E acredite, Draco, é recíproco. O parceiro, ou no caso da minha irmã, os parceiros... Bem, os parceiros dos veelas compartilham do mesmo amor extremo. Eles nos amam com a mesma intensidade que nós os amamos. Precisa compreender essa simples verdade, Draco, e fazer dela o seu porto seguro. É nisso que tem que se apegar, para não voltar a perder o controle. Lembre-se: mesmo que o mundo deseje Harry Potter, ele deseja apenas você. E Harry é um doncel... Os donceles tem uma natureza de submissão ao parceiro, beirando a dependência.
_Submisso? Harry não... Nunca.
_Talvez não completamente, mas ele já se submeteu ao seu amor, a sua adoração desenfreada por ele. Acredite em mim, Draco. Vous êtes son monde, mon cher.
Fleur era uma veela poderosa e podia sentir exatamente o que Draco sentia. Ele estava tomado de culpa e remorso, o que em nada ajudaria a situação na qual se encontrava. Talvez, fosse mesmo necessário um pouquinho de Harry Potter. E foi tomada pela ideia de minimizar a tristeza de Draco, que Fleur agitou a varinha e convocou uma pena, tinta e pergaminho.
_Vou providenciar uma coruja. Acredito que a do Bill esteja aqui. Se aparatar na sua casa sem conseguir controlar o seu veela, o professor Snape não ficará nada feliz. E Bill me advertiu sobre ter cuidado com um Snape irritado... Por enquanto, escreva para Harry. Conte como se sente e seja sincero. Quando acabar, me procure lá fora. Estarei na praia, com Gabrielle. Preciso ter uma conversinha com a minha irmã, antes que tenhamos problemas mais graves.
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_Fico feliz que esteja bem, Harry. A senhora Weasley pretendia vir comigo, mas acabou ficando em casa para receber Bill. Quando eu soube o que aconteceu, admito: fiquei possessa. Tive vontade de vir para cá imediatamente – e furiosa, descarregou a fúria num livro antigo que trazia nas mãos, batendo-o com força na mesinha de cabeceira.
_Mas a racionalidade voltou a sua mente, certo, Granger? – Resmungou Snape, adentrando o quarto, um frasco com poção nas mãos grandes.
Harry se encolheu na cama. Sabia bem qual era o destino daquele frasco... Não aguentava mais tantas poções. Já estava quase na hora do almoço e ele não tinha parado de ingerir poções, desde que acordou. Sirius e Hermione lhe faziam companhia, enquanto Severus ia e vinha pela do quarto, voltando sempre com mais e mais poções.
_Ah não... Chega de poções.
_Beba – ordenou o narigudo, ignorando-o completamente.
_Harry, não comece. Precisa dos medicamentos – aconselhou Sirius, ao que Hermione assentia. – Ontem à noite, fomos acordados pelos feitiços de aviso. Sua pressão se descontrolou novamente. Severus mal dormiu cuidando de você.
_Perfeito, perfeito. Todos vocês se voltaram contra mim – reclamou novamente, bebendo a poção no processo, já sentindo falta do marido mandão, pelo menos em Draco seus lamentos e beicinhos surtiam algum efeito. – Quando Draco volta?
_Em alguns dias... – E ao que os olhos se Harry brilharam, Sirius completou. – Poucos dias, Harry. Não se desespere.
Hermione riu e pegou o livro de volta, ao que Severus a encarou curioso, um vestígio de reconhecimento nas íris escuras.
_Eu não estou desesperado...
_Claro que não está... – Concordou o padrinho animago.
_Leitura amena? – Indagou o professor. – Pensei que já tinha retirado desse livro purista todo o necessário.
Hermione se voltou para Snape... Pensava o mesmo que ele, mas voltou a lê-lo.
_Eu também... Mas Madeleine me entregou esse livro, antes que eu saísse da Toca. “Vai precisar dele, tia”, foi o que ela disse. Então, eu trouxe comigo. Ela me pareceu...
_Quero ver Draco – interrompeu Harry, ignorando a conversa paralela dos dois. – Quero vê-lo bem de perto... Quero a presença dele... Só assim eu poderei chutar aquele traseiro esnobe! Por causa daquele espetáculo, estou aqui sendo obrigado a me entupir de poções.
Severus voltou sua atenção ao ex-aluno, sorriu malicioso e não perdeu a oportunidade de destilar seu veneno.
_Oh, não... Não acredito que deva culpar apenas o meu afilhado. O senhor, meu caro herói, em muito contribuiu para essa situação. Para começar, esses bebês não foram feitos sozinhos... Sem nem mencionar certa teimosia grifinória, em manter certas ações sob sigilo absoluto.
Hermione esfregou o rosto com uma das mãos. Ah, Severus hoje estava particularmente com um humor maravilhoso o que, para eles, pobres grifinórios, significava apenas uma coisa: desgraça iminente!
_Severus! Se não conseguir controlar a sua língua, ficará sem... Sobremesa hoje, entendeu?
Harry e Hermione ficaram vermelhinhos com o comentário de Sirius. Por sorte, não precisaram ouvir o que Severus rebateria, pois uma coruja os interrompeu. Ela entrou pela janela, o que significava que tinha passado pelas barreiras de proteção, não oferecendo risco a nenhum deles. A ave dirigiu-se à cama e descarregou sua carga sobre o moreno de olhos verdes.
_É uma carta de Draco...
Harry começou a ler, ávido por informações do seu loiro. Não queria admitir, mas estava desesperado para vê-lo, para tocá-lo... Antes mesmo de terminar a leitura, voltou-se para o pocionista, a expressão completamente alterada.
_Professor, eu preciso conversar com Draco. Preciso ir até o Chalé das Conchas. Minha pressão não vai...
_Não continue! Isso está, completamente, fora de cogitação. Aparatação ou flu estão proibidos para o senhor... E não deixarei Draco se reaproximar, não antes que possa controlar a magia veela. O descontrole mágico dele pode desestabilizar a sua pressão ainda mais.
_Mais... Eu...
_Sem mais... Não. Não. E não! Compreende o que digo, ou precisarei repetir mais vezes? É uma sorte estar saudável, Harry – completou Snape, categórico e definitivo.
O resultado já era esperado... Harry, odiando a si mesmo por isso, teve os olhos inundados de lágrimas. Sirius o abraçou tentando controlar os soluços bem audíveis que, em pouquíssimo tempo, ganharam o quarto.
_Oh, por Merlin! Severus... Será que não consegue ser mais... Delicado? – Reclamou o animago. – Harry, me ouça... Apesar de ser um bruto idiota, Severus está certo... Harry, respire fundo... Você precisa se acalmar...
_Draco... Draco não vai me machucar... – E as mãos apertaram o pergaminho ainda não lido completamente, as lágrimas descendo infelizes face abaixo.
Hermione encarou o seu antigo professor e, assim como ele, pensava numa solução para a questão. Manter Harry afastado também seria um problema, pois ele não estava muito longe da tranquilidade.
_Harry, se não se acalmar agora mesmo, precisarei te lançar um desmaius –ameaçou Snape, conseguindo que, pelo menos, Harry parasse de soluçar feito uma criancinha pirracenta.
_Professor, acredito que há uma maneira de solucionar o impasse.
_Oh, uma maneira? A minha proposta do desmaius não lhe pareceu atraente? Hermione, por Merlin, Harry não pode nem sonhar em ser transportado magicamente.
_Ora, professor – e sorriu, cheia de si. – Não só de mágica vive o mundo. Guarde-o para mim, sim? – E passou o velho livro às mãos de Snape. – Harry, eu volto logo... Siga as recomendações e, por favor, se acalme – e já da porta do quarto, completou. – E não se encaramele muito ao ler a carta do seu maridinho.
Notas finais
Oh, Draco... Draco... gemia um Harry bastante encaramelado, a carta de Draco bem segura numa das mãos.
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