Submisso
10 Capítulo 10 - Descontrole
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários... mandem mais, amo-os!!!
Sem mais, lá vai:
XD
Capítulo 10 – Descontrole
_SEU DESGRAÇADO!!! – A voz carregada de raiva reverberou pela sala, intensa e feroz. Draco tentou, mas não conseguiu segurá-lo.
_HARRY! NÃO!
Ah, caos foi pouco. Foi um verdadeiro inferno, pior talvez que a volta do Lorde das Trevas. O herói explodiu de raiva, gerando uma grande comoção... E quem conseguia contê-lo, quando nem Voldemort o fez?
Com a agilidade de um apanhador bem treinado, o herói se desvencilhou do marido e de Hermione, apontando a varinha para Snape. Mas não contava com o último obstáculo, um que ele, nem ninguém ali esperava... Nem o próprio alvo da fúria grifinória.
_Saia da frente, Remus.
Lupin se posicionara entre o filho de um dos marotos e o alvo predileto das peças dos marotos. Era inevitável não perceber a ironia da situação.
_Impulsivo como James... – Reprovou em voz baixa e intencionalmente pausada. – Harry, você não ouviu? Ele estava sob uma imperius.
_Isso é o que ele diz. SAI DA FRENTE!
Draco se aproximou, os olhos atentos ao esposo enlouquecido (aquela mania de ser um justiceiro ainda traria problemas) e ao padrinho que se mantinha inerte na poltrona. Era como se Snape esperasse por aquela reação... Não, havia algo pior naquela falta total de reação. Ele desejava ser punido. Santa tragédia! Um herói atrapalhado e um vilão de pacotilha. Perfeito!!!
_Não seja maldoso, Harry Potter. Eu mesmo desfiz o obliviate que calou a mente de Severus. Ele não está mentindo.
A fúria do grifinório era tal que a magia tornava-se densa ao redor dele, com fagulhas saíndo da ponta de sua varinha. Oh, oh... Draco se preocupou. Não queria que o esposo fizesse algo do qual viesse a se arrepender. Por mais que Snape tenha sido o “terceiro” participante daquele ato medonho, era apenas um garoto, como o próprio Sirius, e um garoto sob o domínio de uma imperius.
_Agora, se você deseja tanto assim ferir as vítimas de Walburga e Orion Black, comece por Serverus... E termine com Sirius.
As palavras de Remus foram um balde de água fria na raiva... E Harry vacilou. Estava tão confuso que nem sabia mais o que fazer, ou o que pensar. Seu lado racional compreendia que Snape era inocente, sendo tão vítima quanto o padrinho. Mas só de imaginar a dor de Sirius... Ah, tinha vontade de ressuscitar os Black e fazê-los pagar pelo que fizeram.
_Potter está certo, Remus. Primeiro foi ela... As minhas escolhas equivocadas a levaram de mim... Eu paguei e pago por isso até hoje. E com Sirius... Merlin! Eu sou sim culpado. Fui fraco, não fui? Eu tentei me libertar, lutei contra a maldição, mas... – E Snape desabou, bem ali, na frente de todos.
Choque geral? Sim. Ah, e um dos mais grotescos e bizarros. Se o chão se abrisse e Dumbledore dele emergisse, dizendo que esteve esse tempo todo de férias em Cancun... Todos teriam acreditado, sem pestanejar. Afinal, depois de ver Snape chorar de forma tão sentida e perder a máscara de frieza suprema, bem, tudo era possível!
Não foi um choro barulhento, mas a dor dele era tão palpável, que Harry nada pôde fazer além de abaixar a varinha e amaldiçoar a si mesmo por ter sido tão grosseiro, tão sem tato com o professor. Sentiu-se um lixo humano por piorar tudo ainda mais. Na verdade, começou a pensar que era o que ele fazia de melhor nos últimos tempos: piorar o que já estava bem ruim, com sua língua ferina e ações impulsivas.
Sentiu mais que viu o marido passar por ele, os braços estendidos na direção do pocionista, o rosto estampando uma verdadeira preocupação. Era bom... Era bom que Draco o confortasse, já que parecia que tudo o que o “heroizinho” fazia era desajeitado demais, sem limite e fora de lugar.
Quando ficou assim? Quando se tornou tão agressivo? Ah, estava tão cansado de tudo... Antes, quando lhe contaram o porquê de ter caído da vassoura e todos os acontecimentos desde então, teve raiva do que tinha se tornado. Na sua cabeça, era como se tivesse virado um pária, um ser indefinido entre homem e mulher, uma aberração sem categoria que pudesse classificá-lo, uma espécie sem gênero.
Isso mudou, pois ele mudou. Bom, pensava assim antes de ter compreendido o que era. Rejeitou a si mesmo até ser bombardeado de informação por Hermione – ainda que tenha ignorado a maior parte – e começar a compreender o real significado de ser o que era. “Seus pais teriam achado uma dádiva”, foi o que Molly, a mãe que ele adotou pra si, lhe disse naqueles dias de Trasgo Potter. Contudo, o seu salvador foi Draco Malfoy, quem diria, não?
Draco explicou de um jeito que ele finalmente entendeu. Disse que o “testa-rachada” não sumiria, não mesmo. Esclareceu que ele recuperaria a magia e que tudo voltaria a ser como antes. Mas, e agora? E se ele não gostasse mais do que era antes?
No auge da Primeira Guerra Bruxa, a atuação de Snape desencadeou a sua tragédia particular. O pocionista reportou a Voldemort parte da profecia que, por escolha do próprio senhor do escuro, passou a ser sobre ele, Harry Potter, o bebê que poderia destruí-lo. O resto da história todos já sabiam, mas poucos além de Dumbledore presenciaram a sua reação violenta ao descobrir a participação de Snape que, mesmo sendo incapaz de ouvir a profecia inteira, ouviu o suficiente para a desgraça se abater sobre os Potter.
Ele sabia que o acaso e as escolhas – que não foram todas tomadas pelo professor de poções – os conduziram ao que hoje viviam. Era inegável a coragem daquele homem que, mesmo tendo cometido erros, criou um novo caminho e se arriscou imensamente para proteger o filho de Lílian Evans. E que agora desmontara, bem ali na sua frente.
Não. Ele não queria mais provocar esse tipo de reação nos outros. Não podia mais ser assim e causar... Dor! Ele não era um trasgo! Algo nele havia mudado de verdade. Ser um doncel era muito... Estranho.
Agora que ele compreendia o que era, que tinha finalmente aceitado... Que aceitara Draco, tornado-se, completamente, dele... Por que não se empenhou mais em controlar aquele maldito gênio? Desgraçada impulsividade! Contribuir para deixar o homem que o protegeu tanto naquele estado... Ah, doía.
Guardou a varinha, envergonhado de si mesmo. Não podia mais levar tudo a ferro e fogo... Não estavam mais em guerra. Foram tantas as perdas. O próprio Snape perdeu muito, perdeu Lílian. Uma perda de ambos... E por um instante, percebeu que havia algo diferente. Era como se tudo se passasse em câmera lenta. Abruptamente, sentiu-se esgotado... As vozes foram diminuindo e tudo foi ficando muito claro, borrando sua visão.
Esfregou os olhos por debaixo dos óculos e tentou se lembrar em qual direção ficava o sofá mais próximo. No que estava pensando mesmo? Ah, a cabeça ficou pesada... Desordenada.
_Harry, o que foi?
_Ron? – Talvez aquele borrão alto e ruivo fosse mesmo o seu amigo.
_É, sou eu, cara. O que foi? Você está pálido e...
Mais o que mais ele estava, nem alcançou ouvir. Tudo se apagou, uma sensação tão acolhedora o envolvendo, que foi impossível resistir. Ah, o doce torpor do esquecimento.
_HARRY! – Berrou Ronald, segurando o moreno antes que caísse no chão.
Harry amoleceu nos braços do ruivo, perdendo completamente os sentidos.
_Coloque ele no sofá, Ron! – E o grandalhão não tardou nada em fazer o que a namorada pediu.
Draco em dois passos já estava junto deles, o rosto contraído numa careta de preocupação. A comoção foi generalizada e Snape, tirando frieza de não se sabe onde, murmurou um “accio maleta”. Começou a examiná-lo ali mesmo, no sofá. Pomfrey fez o mesmo.
_O que pode ter causado isso? – perguntou a enfermeira visivelmente preocupada.
_Como saber? Donceles requerem cuidados, ainda mais os recém-vinculados – e antes mesmo que Snape puxasse a sua varinha, Gina o interrompeu.
_Professor, não é melhor irem para o meu quarto. É ao lado do quarto de Sirius. Deitem Harry na minha cama – ofereceu Gina, a preocupação estampada no seu rosto. – É melhor para examiná-lo, não?
_De fato, parece ser mais apropriado – concordou Snape.
_Eu o levo – definiu Draco, já erguendo o esposo do sofá. – Por favor, Gina, mostre o caminho.
Molly e Pomfrey os seguiram, os demais permaneceram na sala. Arthur parecia mais velho que há duas horas, tamanho foi o volume de informações e acontecimentos ocorridos em tão curto espaço de tempo.
_Morgana Bendita! Eu pensei que Harry fosse torturá-lo...
_Eu também, filho. Mas, felizmente, Remus o trouxe a razão.
Remus sorriu tristemente para Arthur. Nada parecia melhorar.
_Arthur, só temos uma solução.
_Eu sei, Remus. Mas Sirius vai nos cruciar quando acordar.
Hermione os ouvia atentamente. Ah, ela sabia muito bem que realmente só havia uma solução. E também sabia que deveriam esconder a varinha de Sirius por um tempo, depois que ele acordasse... Porque ele acordaria!
_Sr. Weasley, será que conseguimos um juiz para oficiar a cerimônia ainda hoje?
Ronald a encarou confuso. Do que ela estava falando?
_Também penso que é o melhor a se fazer. Mas será que Severus vai concordar?
Ah, sim... Bastou ouvir Lupin mencionar o seboso e pronto: um clique desfez a confusão causada pelo desmaio de Harry e esclareceu os fatos. A namorada falava de Sirius Black e Severus Snape... Santo Melin, vinculados?! Ah, ele não queria estar por perto quando o padrinho de Harry abrisse os olhos.
_Claro que sim – afirmou prontamente Hermione. – E então, senhor Weasley, será que conseguimos um juiz para hoje ainda?
_Bem... Creio que sim. Vou ver isso... – e o olhar decidido da nora, o fez sair pela porta da Toca, aparatando em seguida.
_Precisamos conversar com o Snape e com o Harry antes de ir decidindo as coisas, Hermione.
_Ron, não há outra coisa a fazer! Agora, precisamos de outra pessoa que conheça bem o ritual, afinal, o professor Snape não pode ser testemunha do seu próprio vínculo.
_Eu conheço o ritual, Hermione – respondeu o bondoso lupino, imaginado que realmente Sirius o mataria depois disso.
_Ah, ótimo! Eu serei a outra testemunha então. Vamos ver se Harry já está acordado.
Remus encarou o ruivo com uma cara de eu-também-sofro-com-uma-mulher-mandona e se deixou conduzir para o andar de cima. Não havia mesmo muito mais que pudessem fazer por Sirius. Sabia que a sabe-tudo estava certa em querer realizar o vínculo o quanto antes. O organismo de Sirius estava definhando de forma rápida e a única maneira de, realmente, estabilizá-lo era através do vínculo... O vínculo completo. Ah, como seria difícil.
Como convenceriam Sirius de que ele precisava, para a sua própria saúde, aceitar Severus como marido? Seria outra reação como a de Harry, mas preferia lidar com um Sirius meio trasgo por uns tempos, a não ter mais o amigo por perto. E nenhum dos outros marotos discordaria dele, se ainda estivessem vivos.
O corredor estava tumultuado, pois, próximo a porta do quarto estavam Gina, Molly e Pomfrey. Assim que se juntaram ao pequeno grupo, a enfermeira rumou para o quarto no qual Sirius repousava, dizendo qualquer coisa sobre verificar se a febre estava sobre controle.
_Mãe, está tudo bem com o Harry?
_Ah, sim, querido. Está tudo bem. Achamos melhor esperar aqui fora. Papoula nos disse que ele está bem, que foi apenas uma queda de pressão.
_Ora, mais é claro – começou Gina meio irritada, mas ainda demonstrando um olhar um tanto quanto... Fanático??? – Ele acabou de se vincular – e suspirou sonhadoramente – e está tendo que lidar com todo esse problema. É admirável que não tenha desmaiado antes. Harry é muito forte e determinado e ah... Draquinho é tão fofo, tão atencioso com ele!!! Ai, eles são um casal perfeito!!! – E saltou levemente no ar.
Ronald arqueou as sobrancelhas. O que a irmã dizia? Draquinho... Fofo?
_Já sei o que podemos fazer para acalmar os ânimos! Mamãe, vamos preparar um jantar de comemoração para os dois!!! Puxa, eles nem fizeram uma festa de casamento nem nada. Ah, dá para imaginar Harry vestido para casar? E o Draco?
De onde tinha saído aquela Gina fissurada em casais homossexuais??? Santo Merlin!
_Gina, calma querida... Hoje não é o dia apropriado. Remus, Arthur não subiu?
_Ah, não – começou Lupin ainda olhando espantado para a ruiva mais nova. – Ele saiu em busca de um juiz – e ouviram mais um gritinho de satisfação vindo da filha de Molly. – Mas precisamos conversar com Harry e com Severus sobre o vínculo.
_Ah, Remus, fique tranquilo. Severus aceitará e Harry também – e sorriu bondosa. – Bem, tudo está se acertando, não é? Nada melhor então do que um jantar delicioso! E não, Gina, não é esse tal “jantar de comemoração” – e a garota bufou decepcionada, seguindo a mãe até a cozinha.
_O que foi isso? Gina enlouqueceu? – A pergunta de Ronald foi respondida com um beijo de Hermione que, já sabendo da “tara” de Gina por tudo relacionado aos casais de magos, não deu importância alguma ao que o namorado considerou como um possível indício de demência incapacitante.
_Remus, acredito ser melhor apenas você entrar no quarto e conversar sobre o vínculo. Não quero sobrecarregar Harry ainda mais.
_Tem certeza, Hermione?
_Sim, Remus... Eu exagero e, bem... Harry tende a me ignorar com muita frequência – e sorriu maliciosa.
Lupin sorriu em concordância com a jovem. Ela era mesmo uma sabe-tudo.
_Sei, sei... E comigo, em especial depois do que aconteceu lá embaixo, Harry terá maior consideração.
_Ha, ha, ha... Na verdade, eu estou contando com um bom sentimento de culpa e talvez, com sorte, haja até um pouquinho de remorso. Isso ajudará, não?
Ronald a abraçou e concordou. Sabia que Harry era impulsivo, teimoso, intrometido, mas também sabia que o amigo era fiel, amável, prestativo e muito justo.
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