Submisso

11 Capítulo 11 - Febril


Notas iniciais
Para verem como sou uma pessoa boa e de alma pura (cof, cof, cof), venho muitíssimo - e muitíssimo mesmo - antes do prazo (que eu mesma estabeleci, é claro) de atualização, com um novo cap.
Acredito que algumas hemorragias nasais vão ocorrer dessa vez.
Como estou aqui dando esse presentinho, gostaria de algumas respostas: gostaram da Gina? E, como o mais aguardado era o retorno de Sirius Black, pergunto logo: e o Sirius? Ficou legal?
Sem mais, boa leitura, bando de viciados... (do qual faço parte, UHU!!!)

Capítulo 11 – Febril

Snape examinou Harry com muita atenção. Não havia mais nenhum indício da fragilidade que o dominara pouco tempo antes, ainda na sala, quando um descontrole emocional o fizera chorar, feito criancinha e na frente de todos. Ele voltara a ser o frio e competente pocionista. Tão competente que não tardou muito em se voltar para Draco, sustentando um ar realmente surpreso.

_Ora, não posso acreditar. Fazer-nos perder um tempo tão precioso. Eu poderia estar com Sirius! Não sente vergonha, Draco?

_Como ele está? – perguntou seco o loiro, estranhando muito o homem mais velho. "Eu poderia estar com Sirius”? Merlin, Severus tinha alguma ideia do que uma pessoa poderia interpretar daquela fala?

_Seu esposo se encontra perfeitamente bem. E você sabe disso, caro afilhado.

Draco acariciou Harry e sorriu bobamente, ao que o padrinho bufou indignado.

_Por Merlin, me poupe dessa cara de tolo apaixonado, sim? Veelas!

O loiro manteve o sorriso. Estava tão feliz por saber que Harry estava bem. Nossa, ser veela era de fato curioso. Seus sentimentos iam da plena fúria a mais acalentadora ternura, em instantes.

_Você pretende se manter em silêncio sobre a...

_Sim, pretendo. Ora, você o conhece! Todo um grifinório agressivo! Acha que o momento é adequado? Com Sirius no estado em que está?

Snape sorriu ácido. O que o afilhado estava pensando?

_Gostaria de ver como vai manter esse “fato” no escuro.

Harry começou a se mexer, abrindo os olhos em seguida. Ainda estava bastante confuso e precisou de certo tempo para compreender que estava deitado numa cama, ladeado pelo marido e pelo antigo professor de poções. Esfregou os olhos e teve os óculos postos diante deles pelos dedos longos de Draco.

_Como se sente, Potter?

_Normal... O que aconteceu? Como... Como vim parar aqui?

_Amor, você desmaiou. Não se alimentou direito, certo? – e encarou Severus, que apenas sacudiu a cabeça afirmativamente. – Por isso, é melhor voltarmos para casa. Dobby nos preparará uma bela refeição. Contudo, creio que é melhor irmos via flu, concorda padrinho?

O pocionista concordou, dizendo que era melhor deixar a aparatação de lado por uns tempos. Depois começou a escrever uma lista imensa de alimentos saudáveis e vitaminas que deveriam fazer parte da alimentação de Harry dali em diante, para evitar futuras “quedas de pressão” como acentuou com um sorriso nos lábios.

O loiro fez uma ou outra pergunta, mas nada daquilo realmente interessava a Harry. Só o que ele desejava era saber sobre Sirius, se estava bem e o principal: se ficaria bem. E para isso, o homem mais velho, corajoso e mordaz a seu lado era essencial.

_Professor... – e a conversa dos demais ocupantes do quarto foi interrompida. – Desculpe-me pelo que falei na sala... Eu nem sei o que deu em mim. Acho que... Acho que perdi mesmo o controle – e a respiração do grifinório começou a se alterar. – Eu não deveria ter te ameaçado daquele jeito! Desculpe pelo...

_Calma, Harry – pediu um Draco preocupado.

Severus se aproximou da cama e apenas assentiu de leve. Harry sabia que estava perdoado, mas ainda assim precisava lhe pedir algo.

_Precisa ajudar Sirius, por favor. Compreendi que o senhor foi tão vítima quanto ele, mas... Ele precisa sair do coma mágico e...

_É realmente o que deseja, Potter? – disse o professor, interrompendo Harry. – Realmente quer que eu me vincule a Black?

_Sim, sim... Por favor, por favor. É a única maneira de salvá-lo – e a respiração voltou a acelerar.

Draco encarou o padrinho com visível impaciência. Afinal, será que não dava para resolver logo aquele impasse? Ele mal podia esperar para levar o esposo para casa e jantá-lo... Er, bem, jantar com ele.

_É muito importante ter o seu consentimento, Potter. Mas, tem certeza? Eu sou quem eu sou. Sou Severus Snape, entendeu? Com todos os meus defeitos – e pecados, pensou o professor. – Isso não vai mudar.

_Não importa. Apenas Severus Snape pode ajudar meu padrinho. E então... Vai se casar com ele?

A porta se abriu e Lupin entrou a tempo de ouvir a pergunta que também desejava fazer. Aproximou-se da cama e primeiro se informou sobre Harry que, para seu alívio, estava bem, ainda que parecesse meio pálido.

O nervosismo de Harry foi se intensificando e Draco percebeu. Seu veela estava mais que conectado a Harry... Eram um só, ainda mais agora. Acariciou a bochecha do esposo com lentidão, num pedido mudo para que relaxasse um pouco. Adiantou? Ah, claro... Que não! Harry era o bruxo mais obstinado que conheceu na vida.

_Professor, por favor... Por favor, me responda.

Snape deu dois passos e ficou bem perto de Harry, encarando bem de perto aquela imensidão verde. O garoto estava ofegante e se não o acalmasse logo poderiam ter problemas. Um doncel fragilizado combinado com um veela enfurecido? Oh, nem pensar.

_Não peça “por favor”. Não é um favor. É o mínimo que posso fazer... E vou fazer. Não deixarei Sirius morrer, Pot... – e o que mais Snape ia dizer foi completamente interrompido pelo abraço do “doncel fragilizado” em questão. Harry se agarrou a Snape e murmurava “obrigados”, sem se preocupar com as faces espantadas dos outros – incluindo o próprio pocionista.

_Ok, ok... As reações do meu esposo demonstram claramente que ele precisa descansar – e sorriu para Lupin, que apenas meneou a cabeça. – Severus, quando o vínculo for feito, nos avise. Não poderemos ficar aqui, visto que nos recém-vinculamos. – Harry se soltou de Snape, ruborizando devido à revelação de Draco.

_Ora, afilhado, nem precisava ter mencionado esse fato. Basta olhá-los. Bem, fique tranquilo, Harry – e chamá-lo pelo nome, com toda intenção lhe fez bem. – Sirius acordará logo.

_Ótimo, o que será em breve. Arthur foi buscar um juiz.

_Avisem-nos – e pouco depois, Draco ergueu Harry nos braços, dirigindo-se a saída do quarto. – Estaremos em Malfoy Manor.

_Draco! Eu não estou inválido! Dá pra me colocar no chão?

_Não. Assim é mais rápido. Vamos nos despedir da senhora Weasley e...

Lupin apenas os deixou passar. Depois analisou Severus bem de perto. Ele estava cansado, com marcas arroxeadas ao redor dos olhos. A pele estava ainda mais pálida que a de Harry. Era indiscutível: o futuro marido de Sirius precisava descansar.

_Severus, deite-se um pouco. Descanse ao menos até Arthur voltar com o juiz.

_Estou bem, Remus. Não se preocupe. Suponho que Granger será uma das testemunhas...

_Sim, ela será. Eu serei a outra. Conheço o ritual muito bem. Mas insisto que você deve descansar.

_Fique tranquilo. Uma poção revigorante será suficiente, ou duas. Agora vamos até Sirius. Será que Arthur conseguiu um juiz?

Lupin preferiu apenas seguir o professor para fora do quarto de Gina. Se falasse o que estava pensando, ah, seria estuporado com certeza. Severus agia como se ele e Sirius fossem íntimos há anos, tamanha a facilidade com a qual se referia ao maroto, além da genuína preocupação com a sua saúde.

Um doncel e seu parceiro ideal... Será que era sempre assim com os donceles? E se o seu filho, Teddy Tonks Lupin, fosse também um doncel? Era pouco provável, mas havia uma possibilidade, afinal, o pequeno era um Black, apesar de tudo.

Quando entraram no quarto no qual Sirius repousava, a sensação que o mesmo gerava era claustrofóbica, tamanho o número de pessoas dentro dele. Draco e Harry não se encontravam mais na casa, contudo, parecia que apenas eles dois não se espremeram dentro do cômodo: Sirius (ainda inconsciente), Gina (de onde diabos, saíra aquela câmera fotográfica trouxa?), Ronald, Hermione, Papoula, Molly, Arthur e o mesmo juiz que oficiou o vínculo marital entre Draco e Harry.

Foi engraçado ver Snape quase expulsar a todos dali e resmungar sem parar sobre as condições do acamado: “Ora, Sirius está com febre! Esqueceram como isso é perigoso?”, “Ginevra Weasley, pare já de tirar essas fotos. Dê-me isso, vamos!”.

Demorou um tempinho, mas logo o ar já circulava com maior liberdade pelo quarto, esvaziado de tamanho público. Permaneceram nele Hermione, Lupin, Severus, Papoula e o juiz, todos preparados para iniciar o ritual, a câmera de Ginny largada na mesinha de cabeceira.

“Severus Snape Prince...” – e assim o ritual começou, os noivos de mãos dadas – não que Sirius pudesse optar – e as testemunhas bem próximas, fornecendo mais que magia ao dois, pois ambas estavam ali para certificar que não havia nenhuma má intenção naquele ato de comunhão. Sirius estava ainda mais debilitado que Harry no seu vínculo marital.

Uma aura mágica forte e poderosa envolveu Severus e Sirius. Era visível a dor sentida pelo professor, mas ele resistiu firmemente, disposto a trazer Sirius de volta. Apertou as mãos magras e frias como se sua vida também dependesse do sucesso daquele vínculo. E não dependia?

Severus percebeu que já não se preocupava se conhecia ou nãos todos os porquês que o levaram até aquele momento. E também que ele não se importava nenhum pouco. Quase sempre, o que ele via, ninguém via. E ele compreendia que tinha que ajudar Sirius porque, afinal, isso era o que ele queria, o que todo mundo queria. Era se ajudar também.

Há alguns anos atrás, vê-lo sofrer seria regozijante. Agora, mal bastava vê-lo finalmente abrir os olhos. O vínculo marital fora realizado, ainda que incompleto. Pelo menos, Sirius saiu do coma mágico. Assim como fez com Harry, Papoula acalmou um Black extremamente confuso que, pouco depois, ressonava tranquilo.

_Bem, Lupin, eu vou examiná-lo. Pode por favor, segurar Severus?

_Me segurar por...

A enfermeira não deu a Snape qualquer chance de sacar a varinha. Lançou um desmaius potente, deixando o professor inconsciente em instantes. Lupin o agarrou como pôde. Já Hermione, prática como sempre, tratou de transfigurar a poltrona onde tantas vezes sentara, num divã macio e confortável, no qual o adormecido foi deixado.

_Ele precisa descansar. Está esgotado física e mentalmente. Mas é tão teimoso. Não vi outro modo...

_Está tudo bem – tranquilizou-a Remus. – É melhor assim. E Sirius?

_Vou verificar agora.

Hermione conduziu o juiz à saída da casa e Lupin a acompanhou na tarefa, aproveitando para agradecer muitíssimo a presteza do magistrado. O senhor grisalho apenas disse que não havia o que agradecer, destacando que tinha um filho doncel e que ficava muito feliz em evitar a ocorrência de possíveis abusos. “Um doncel, segundo um ditado muito antigo, deve estar bem casado e bem guardado, longe do mau-olhado e de todos os descarados”, completou, fazendo os acompanhantes rirem com gosto. “Foi assim que mantive meu filho!”

Molly e Gina aprontaram o jantar enquanto Arthur e os gêmeos, que chegaram realmente falando sem parar, arrumaram pratos e talheres, deixando a mesa da aconchegante cozinha pronta para o jantar.

_Arthur, querido, o jantar está servido. Chame os outros, por favor – e Arthur nem precisou se dar ao trabalho, visto que a voz da ruiva foi suficiente para agrupá-los ao redor da gostosa comida.

Madame Pomfrey se juntara a eles pouco depois do jantar ter iniciado. Explicou que Snape estava tão cansado que, provavelmente dormiria até à tarde do dia seguinte e que Sirius saíra sim do coma mágico, não apresentando mais sangramento algum, contudo, continuava febril. E teorias sobre a permanência da febre não faltavam.

A refeição transcorreu silenciosa depois disso. Afinal, com Harry tinha sido diferente. O eleito acordara bem, sem febre alguma. Logo, saber que Sirius não estava de todo bem, deixou a todos apreensivos. O que poderia estar acontecendo? Não bastava o que ele tinha passado?

Considerando que o jantar foi silencioso, a noite então caiu muda sobre a Toca. Os únicos que dormiram tranquilos formavam o mais novo casal vinculado, embora o vínculo não estivesse completo. O céu escuro esmoreceu lentamente com a chegada das primeiras luzes da manhã, um gostoso cheiro de grama molhada se espalhado pela Toca.

Havia um mínimo de nuvens no céu quando amanheceu. O sol se expandiu sem empecilho algum, adentrando o quarto e acordando Severus. O pocionista se espreguiçou gostosamente, o corpo revigorado pela noite de sono ininterrupto. E antes que pudesse se questionar sobre:

O lugar no qual estava; O porquê de, afinal, ter dormido, visto que ingeriu pelo menos dois recipientes de poção revigorante.

Ah, antes de até se lembrar de que Pomfrey lhe lançara um desmaius, foi eclipsado por uma visão tão única, tão completamente perfeita e angelical, que esqueceu o próprio nome. Quem se importava com um mero nome? Quem ligava? Poderia ser chamado de Wanderclaissom Morales, que nem ligaria!

O deus que jazia ali, pertinho dele, respirando calmamente... Ele sim era digno da sua mais profunda e verdadeira devoção! A pele clara e livre de qualquer imperfeição. O corpo tentador, merecedor de uma degustação plena, as curvas bem marcadas – apesar do pijama pouco atraente –, os cabelos escuros e longos, caindo em cachos largos ombro abaixo... Esse deus sim merecia ser chamado pelo nome completo: Sirius Black Prince Snape!

Aquela tentação de ser humano era e não era Sirius. O animago estava definitivamente mudado. A doncelaria tomara conta de cada detalhe daquele que outrora fora o primeiro – e único – fugitivo de Azkaban, o mais buscado criminoso da comunidade bruxa.

Quando Snape deu por si, já tinha as mãos afundadas nas melenas macias e convidativas ao toque. Era tão gostoso... Desde quando um simples tocar nos cabelos de alguém o deixara duro? Merlin, ele estava perdido. Não, perdido não... Estava completamente louco de excitação! E, por outro lado, seu novo digníssimo esposo estava dormindo. Então, ousaria um pouco mais.

Empregou um pouquinho de força no toque e levantou aquele rosto perfeito, posicionando-o num ângulo mais conveniente – conveniente para ele mesmo, óbvio –, de forma lenta, precisa e sem acordá-lo. Ah, Sirius não tinha ideia de como a sua boca (carnuda e pecaminosamente avermelhada) entreaberta pelo ressonar calmo era sexy, irremediavelmente, impossível de se recusar (não que Severus estivesse recusando!).

Será que seria sempre esse fogo? Esse desejo irrefreável? Estava num ponto tal, que poderia rasgar aquele pijama sem graça e fodê-lo ali mesmo, enquanto todos os ruivos dormiam. Não... Não podia fazer isso assim, não mesmo. Então por que pegou a varinha no bolso interno das vestes e insonorizou o quarto? Não, não podia fazer isso... Então porque acabara de trancar a porta com um feitiço?

Santo Merlin, precisava se acalmar... Bem, poderia, pelo menos, tirar uma casquinha, não? E então decidiu que sim, devorando os lábios daquela criatura ímpar em seguida, num beijo quente e molhado. E que gosto delicioso tinha aquela boca! Ah, os donceles eram inebriantes, sem dúvida alguma. Se um beijo não correspondido era tão magnífico, o que sentiria ao ter Sirius a sua mercê?

Teria explorado mais com a língua a cavidade quente que era a boca do doncel, mas seu momento onírico foi interrompido bruscamente. O corpo embaixo dele ganhou consciência e, mesmo debilitado, conseguiu afastá-lo.

_O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, SEU FILHO DA PUTA?

Snape apenas se sentou na beirada da cama, Sirius esbravejando todos os xingamentos que, na sua interpretação, condiziam com o austero professor de poções. Tarado, abusador, cretino, sem vergonha... Uau! A lista era longa.

_SEU PERVERTIDO!

_Ah, agora sim você disse uma verdade, Sirius – e sorriu malicioso, mas em nenhum momento mentira.

Sirius estava furioso. Como aquele seboso lhe falava assim, com tanta confiança, ainda mais depois de ter sido pego do flagra?

_Sai daqui, agora – falou quase num rosnado – ou vai se arrepender.

_E o que fará, caso eu permaneça aqui, posso saber? Você está sem magia, então se comporte! – e riu vendo Sirius corar de raiva. – E precisa ser informado de alguns detalhes... Definitivamente relevantes.

_Sem... Sem magia? Como... O que...

Snape se deliciou ao ver a expressão de confusão naquele rostinho delicado. Com um floreio de varinha, conjurou um espelho, passando-o para o esposo em seguida. Acreditava que era melhor revelar tudo de uma vez, começando pela aparência de Sirius, que beirava a androginia.

_Por Circe!!! O que aconteceu? Quem fez isso comigo?

_Ninguém fez nada com você, Sirius. Lembra-se de como Harry mudou? Bem, o mesmo aconteceu contigo. E há mais... – e se aproximou do esposo, retirando o espelho de suas mãos. Afinal, não o deixaria de posse de nada potencialmente perigoso, não agora que despejaria os últimos acontecimentos.

_Eu, eu não sei bem o que aconteceu – começou o animago, o beijo roubado por Snape sendo completamente esquecido. – Meus pais... Eles fizeram uma coisa horrível e... Oh, você... ERA VOCÊ! – lágrimas dolorosas desceram face abaixo, fazendo o peito de Severus sacudir em protesto.

Seria realmente muito difícil, mas ambos precisavam passar por aquela catarse emocional. Ele estaria ali, firme para ajudar no que fosse necessário.

_E você se lembra de tudo o que aconteceu? – perguntou sem alterar o tom de voz. – Lembra-se das condições de meu envolvimento?

A cabeça de Sirius balançou positivamente, sem que o choro diminuísse. Demorados minutos depois, a calma voltou ao rosto do deus particular de Snape. E não só a calma. A mente estava clara como nunca.

_Meus pais foram abomináveis. Impediram que eu fosse o que de fato sou, certo? Um doncel, como Harry...

_Certo, essa é a sua natureza. Quando suas lembranças foram liberadas do efeito obliviate do Signaveris, bem, você entrou em choque. Consegui trazê-lo de volta, não sem seu empenho, obviamente. Depois de sair do choque, você desmaiou. Estava fragilizado e já foi incrível ter conseguido manter a sanidade. Admiro-o deveras por esse feito. Teria sido terrível perdê-lo para a loucura.

Sirius encarou aqueles olhos negros e soube que Snape não mentia. Ele realmente estava feliz? Sim, o seboso estava mesmo feliz. Ora, o que estava acontecendo?

_O que aconteceu depois que eu desmaiei?

_Resumindo: você entrou em estado de coma mágico e seu organismo colapsou, menstruando. Para salvá-lo, havia apenas um modo e...

_NÃO! NÃO! VOCÊS NÃO FIZERAM ISSO COMIGO! – E Snape sorriu vitorioso ao lhe mostrar um anel. – NÃO, COM VOCÊ NÃO!!!

Severus se aproximou mais e o agarrou, beijando-o vorazmente. Sirius se debateu em protesto, mas não conseguiu evitar a invasão da língua dele na sua boca. Ah, as mãos grandes daquele homem o seguraram bem firme pela nuca e, por mais que se debatesse para afastá-lo, Snape parecia nem sentir seus empurrões.

O beijo terminou quando o pocionista decidiu, ainda sorrindo sacana para o esposo. Sirius tinha sangue nos olhos e poderia ter arrancado a dentadas o nariz grande daquele cretino.

_SEU FILHO DA PUTA! – E desferiu um tapa violento, que acertou Snape numa das faces. – PREFIRO MORRER A TER VOCÊ COMO MARIDO!

_Pois, para a sua desgraça, Sirius Black Prince Snape, nem sempre temos o que desejamos. – Em seguida, segurou rudemente o rosto do esposo entre as mãos, a raiva aumentando na mesma proporção em que a face esquentava, devido ao tapa recebido. – Nunca mais se atreva a me bater. Preste muita atenção nisso: eu não sou Draco Malfoy, Sirius. Não sou um veela apaixonado que beija o chão no qual o parceiro pisa. É bom que entenda, desde já, que você está casado comigo, Severus Snape. Eu sou o seu marido, entendeu? Você, como o doncel que é, vai me tratar com respeito e educação – e o beijou pela terceira vez, deleitando-se naquele mel.

Sirius mal conseguia acreditar. Estava ali, sendo devorado por Snape. E onde diabos aquele homem aprendera a beijar tão bem? Por que ao invés de acertá-lo de novo, seu corpo aceitava ser manuseado daquele jeito? Ele estava... Gostando? Oh, por Circe!!! Não, definitivamente não. Ele nunca aceitaria ser um doncel submisso, nunca!

Por que seu cérebro não reagia? Sentiu-se quente... Estava quente. As sensações estranhas em seu corpo o deixavam mole. Já o pouco de resistência que ainda tinha o impelia a fugir. É fugir mesmo, simplesmente sumir no mundo, como um cão sem dono e vagabundo. Era possível, não era?

Os lábios se descolaram no mesmo instante em que seus olhos turvaram. O gosto de Snape ficou na sua boca, mas o pocionista – agora marido – não mais o invadia com aquela língua serpenteante.

_Sirius, o que foi? Não vai morder? – Brincou ante a face corada do convalescente.

_Vai se foder! – E esfregou os olhos, sentindo-se meio enjoado.

_Não, nada disso. Eu vou é foder você, muito mesmo e ainda hoje, entendeu? E, claro, teremos que cuidar do seu vocabulário também. Não me parece... – E então Snape percebeu que havia algo errado.

A face de Sirius ficou ainda mais vermelha. O professor o acomodou novamente na cama e, com o simples toque, entendeu: a febre continuava ali, teimosa, não cedendo de todo. Deixou a mão pousar sobre a testa do esposo e a sentiu queimando num ardor rápido.

Pegou a varinha e desfez os feitiços sobre o quarto, imaginado que logo Molly estaria por ali, ou então Ginevra, com aquele ar sonso. Depois, ainda usando a magia, adormeceu o esposo e lhe preparou um banho com água fria, banho este que seria combinado com algumas poções.

O maior problema era ter que, continuamente, utilizar poções para conter a febre. Elas eram eficazes, sem dúvida, mas inviabilizavam o uso de outras tantas poções que, a julgar pela indefinição do quadro médico de Sirius, poderiam vir a ser necessárias. Estava numa grande enrascada, isso sim.

Na atual situação, os incompetentes de St. Mungus não ajudariam. Eles nem tinham conseguido identificar a doncelaria de Potter, logo, o que poderiam fazer por um mago que fora vítima de um feitiço obscuro e praticamente desconhecido? Ah, teria que conversar com Draco, Hermione e Papoula. Juntos, teriam que encontrar respostas.

_Por que, Sirius? Por que você insiste em ficar doente? – Murmurou para si mesmo, preocupado, enquanto livrava o esposo do simples pijama.

Notas finais
Como estou sendo coagida pelas leitoras (UHU), quero muitos comentários. Esse capítulo foi, particularmente, difícil de escrever. Sem mais, que venha Sirius Black!!!