Notas iniciais
Essa fic serão três capítulos. Um dedicado à Elena, outro à Elizabeth e o terceiro... vocês verão.
Espero que se divirtam com os três capítulos da mesma forma que eu me diverti ao escrevê-los.
Que Odin salve Aaron Hotchner!
Boa leitura.

— E aí, já contou para os seus pais que você vai ao baile de inverno? – Liz me perguntou assim que coloquei os pés na escola.

— Uhn... não. Nem sei como começar essa conversa..., meu pai vai dar um treco!

— Se o Diretor Hotchner vai dar um treco, imagine o Agente Gibbs! Meu pai não pode ouvir a palavra “baile” que já me olha torto!

— Você tem algum plano mirabolante, Liz?

— Nenhum, Elena, nenhum...

— Estamos ferradas. Isso sim.

— Nem me fale. Agora troca o assunto porque o seu crush está vindo! – Minha amiga ruiva me disse com um sorriso zombeteiro.

Olhei em volta e dei de cara com ele. Sim, o maior pesadelo do meu pai vinha em minha direção. Moletom do Time de Basquete, mochila jogada em um ombro só, cabelos loiros e olhos azuis. Ele é perfeito. Christopher ou Chris (esse só para mim, é claro!) é lindo e eu não sei o motivo dele ter me chamado para o baile ou melhor, eu não sei como ele foi me notar, só sei que eu disse sim antes mesmo de conseguir raciocinar direito ao que ele havia falado!

— Terra chamando Elena!! Terra chamando... Ah, deixa pra lá! – Ouvi Liz resmungar e continuar o caminho dela até a sala de aula.

— Oi Lena! Bom dia! – Chris chegou e me deu um selinho.

— Oi! – Foi impossível não sorrir de volta.

— Animada para o sábado à noite? – Ele pegou meus cadernos e caminhou do meu lado.

— É claro, mas eu ainda tenho umas coisinhas para fazer.

— Coisinhas, Elena?! Você ainda tem que comprar o vestido, não tem?

— Isso também! – Sorri sem graça. – E uma coisa muito pior.

— Que é?

— Contar para o meu pai...

Ele deu dois passos para trás e me sorriu torto.

— Eu vou ter que ser apresentado ao Senhor Hotchner, não vou?

— Bem, se você quiser levar a filha dele para o Baile de Inverno, sim. Vai ter que encarar a fera.

— Acha que eu vou precisar de colete à prova de balas? – Ele ria.

Parei para pensar. Tentei imaginar a cena de Chris chegando lá em casa, de terno, todo arrumadinho e papai abrindo a porta. Na teoria eu acho que não.

— Não, não precisa não.

— Bem, agora eu estou muito mais tranquilo.

— Pode ficar.

Estávamos na porta da minha sala.

— Te vejo no intervalo, então. – Fiz um beicinho e olhei para ele. Era uma porcaria que nós não tivéssemos nenhuma aula juntos... maldita diferença de idade!

— Até lá! — Outro selinho super discreto e ele me entregou os meus livros.

Entrei na sala sorrindo igual a uma boba.

— A resposta para a pergunta dele deveria ter sido sim. Ele vai precisar de um colete à prova de balas. – Liz me disse com um sorriso diabólico.

— Pode parar, meu pai não é exagerado igual ao seu. E você só está com ciúmes. O Seu Marine não vai poder te levar para esse baile, e você está tentando acabar com a minha felicidade.

— Sean vai estar na cidade. E ele me disse que não se importa de vir comigo. É a folga dele. – Liz disse com convicção.

— Que ótimo. O Agente Gibbs vai poder brincar de atirar na casa do vizinho da frente à noite inteira então. Você deveria ter arrumado um namorado que morasse bem longe.

— Meu pai não vai atirar em um companheiro de armas!

— Quer fazer uma aposta?

— Elena, eu te odeio!

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Ok, isso não deveria ser tão difícil. Mas era. Muito...

Meu Deus!!! Eu não vou ter coragem de contar... melhor eu ligar para o Chris e dizer que não vou!

Não, eu não posso jogar essa chance fora... além do mais, o próprio Chris que me pediu em namoro. E eu acho que, bem, é o meu primeiro namorado, eu tenho que apresentá-lo para a família, até porque se eu não falar nada, nadinha de nada, e meu pai descobrir, porque ele vai descobrir, é aí que eu vou estar ferrada de vez. É bem capaz de papai me mandar para um Colégio Interno no Nepal! Lá no topo do Everest.

Então, antes de Chris aparecer aqui na porta de casa, se apresentando como meu namorado e dizendo que veio me buscar para o Baile de Inverno, eu tenho que dar a notícia.

Só que eu não quero!

Meu pai vai surtar!

Ao contrário do que eu falei para a Liz hoje, sim, o Diretor Hotchner vai querer atirar no meu namorado. Ele vai me trancar em casa. Vai dizer que eu só estou autorizada a namorar quando eu tiver cem anos de idade.

Sim, ele vai fazer isso.

Por que ninguém surtou quando Jack trouxe a namorada dele aqui em casa?

Estava andando de um lado para o outro no meu quarto. Conversava com Chris e com Liz no celular.

Chris jurava de pé junto que meus pais não iriam se importar.

Quando mandei o print da conversa para Liz ela só devolveu com o famigerado meme

Sabe de nada, inocente!

E ela estava certa.

— Elena, eu não vou chamar de novo, o jantar está pronto!

Ai meu Paizinho, é agora!

Desci a escada contando os degraus.

— Está sem fome, filha? – Mamãe me perguntou.

— Mais ou menos. Tô meia enjoada. Acho que foi o almoço hoje. – Desconversei.

Remexi na comida, mas o bolo de nervoso que estava na minha garganta não deixava a comida descer.

É claro que um dos dois notariam, se não os dois. E foi papai quem falou primeiro.

— Elena, o que está de deixando nervosa. – Ele me perguntou pousando o garfo e a faca na mesa e olhando como se estivesse me lendo.

Mamãe fez o mesmo e me encarou do outro lado da mesa.

— É, bem.... sábado é o Baile de Inverno da Escola. – Comecei pelo lado mais fácil.

— Já?! O semestre voou. – Mamãe levantou as sobrancelhas abismada como o tempo estava voando.

— E você vai. – Papai completou.

— Sim... eu vou...

Os dois me encaravam. Eles sabiam. Eu sei que eles sabiam. Ô Meu Deus!!

— Elena, estamos esperando. – Papai me chamou de volta.

— É, bem... mamãe, lembra do Chris? Que eu te falei. – Sim, eu tinha falado com a minha mãe sobre o Chris. E eu acho que acabei por falar demais e acabei dizendo que eu tinha um crush nele, isso no ano passado.

— Sim, me lembro, ele é o seu crush, né? – Ela disse abrindo um sorriso.

— Quem é Chris? – Papai se fez presente.

— Chris é o crush da Elena.

— É o que da Elena?! – A voz dele ficou uns três tons mais alta.

Engoli em seco.

— Aaron, ele é a paixonite da Elena. Ela gosta dele.

— A ELENA TEM UM NAMORADO?!! – Tinha uma veia saltada na testa dele.

— Não, Aaron, é só... – mamãe, ainda sorrindo me olhou como que para provar que era algo bem fora de perigo. Porém acho que ela viu outra coisa. – Elena...

— S.s.s.sim. O Chris é o meu namorado! – Soltei sem pensar. A cara do meu pai estava me assustando, achei que ele fosse dar um AVC.

— Ah, meu Deus! Filha você não me disse que estavam nessa fase!! – Mamãe ficou toda feliz. – Quando foi? Naquela festa há quinze dias?

Papai estava calado. Vermelho. Depois de um tempo ele afrouxou a gravata, abriu o primeiro botão da camisa e dobrou as mangas até os cotovelos.

— Mais ou menos por aí...

Fui interrompida por papai limpando a garganta. Olhei para ele. Era melhor não ter feito isso.

— Você tem um namorado, Elena? – A voz dele me deu arrepios de medo.

— Sim. Eu tenho. – Disse a meia voz, sem conseguir encará-lo.

— E já tem quinze dias que você está namorando e não pensou em falar nada comigo? Como você conseguiu despistar os seus seguranças?

— Bem... namoro, namoro de verdade... eu não sei se é... estamos juntos. E ele me convidou para o Baile, disse que vai passar aqui em casa para....

— AH ELE VAI TE LEVAR PARA O BAILE!!! Filha, nós temos que comprar o seu vestido!!! — Mamãe bateu palmas.

— ELE SABE ONDE VOCÊ MORA? – Papai levantou da mesa e bateu a mão nela.

— Ainda não, bem..., ele sabe genericamente que eu moro longe da Escola, não tem o endereço exatamente.

— Elena! Você entende o perigo que é qualquer um saber onde você mora? – Ele começou com o sermão.

— Sim, mas ele não tem o endereço.

— Mas ele vai vir aqui em casa!

— É por isso que eu estou avisando antes que o Chris vai me levar ao baile.

— Você não vai a Baile nenhum, com garoto nenhum.

— Mas pai....

— Eu nem sei porque eu concordei em te deixar ir naquela festa...

— Papai... ele é gente boa!

— Eu não sei quem ele é, não sei de onde ele vem. Minha filha não vai sair com qualquer pirralho da sala dela por aí. Não vai.

— Ele não é da minha sala. É um ano mais velho do que eu...

— ELE É MAIS VELHO DO QUE VOCÊ?! Elena você te dezesseis anos!! É menor!

— Ele também!

— Eu vou mandar prender esse garoto. Saindo com uma menor! Ele vai saber que não se mete com a minha filha.

— Pai... nós não fizemos nada.

Aí ele ficou lívido...

— Vocês fizeram o que?!

Eu senti meu rosto esquentar... eu perdi a fala e olhei para a minha mãe... gente não era para ter chegado a esse ponto.

— Aaron, seja razoável. Eles estão ficando. Não é nada sério.

— Pai, nós... eu... não... o senhor exagerou... por favor.... – eu brigava com as palavras.

— Ah, eu vou mandar prender esse moleque. E se não é nada sério Emily, porque ele quer vir aqui em casa...

— Aaron, por favor. Elena está nos contando que está namorando. Ou pelo menos está próxima disso. Confie no julgamento dela!

Respirei aliviada. Pelo menos minha mãe tinha senso.

Papai continuava a me encarar, não sei o que ele buscava. Mas eu só sei que ainda estava muito vermelha sobre a insinuação dele.

— Elena, você pode ser mais clara. É um namoro ou não é?

Eu queria me enfiar debaixo da mesa. Eu queria não ter começado essa conversa. Já estava pra lá de embaraçosa!

— Sim. Estamos namorando. Chris me pediu o meu endereço. Mas eu falei que ele tinha que conhecer vocês dois antes, se quisesse me levar para o Baile. Achei que vocês deviam conhecê-lo antes. Não sei... eu... – Parei e pedi ajuda para a minha mãe. Ela, na hora, veio para o meu lado e me abraçou.

— Aaron. Ouviu o que ela disse. Ela não vai sair com o Chris por aí, sem que você ou eu saibamos onde ela vai e com quem ela vai. Pare de reagir como se estivéssemos na Idade Média. Ela está fazendo a coisa certa e você está traumatizando a garota!

Papai olhava para mim sem piscar. Eu estava tão assustada e ainda com mais receio da reação dele que eu só conseguia olhar de volta, não tinha uma palavra que passasse pelo meu cérebro.

— Eu quero o nome completo dele. Quero a descrição dele. Melhor. A foto que eu sei que você já deve ter dele no seu celular.

— Tudo bem... O nome dele....

— Você vai passar tudo para o meu celular. Eu vou investigar esse rapaz. E, se ele tiver um único deslize na vida dele, ou alguém da família não me agradar, você não vai namorar com ele, não vai sair com ele, não vai ficar com ele e nem vai ver esse garoto. – Ele saiu batendo o pé. – E eu quero isso agora, Elena!

Peguei o meu celular no meu bolso ainda tremendo. Mamãe segurou as minhas mãos com a mão esquerda e limpou uma lágrima no meu rosto com a outra mão.

— Ele só está com ciúmes, filhota. Eu sempre soube que ele iria estourar quando você viesse com essa notícia. Ele tem medo de perder você, por isso toda essa cena. Você é a princesinha do papai, a garotinha dele, e ele nunca vai admitir que o pior pesadelo dele é te ver namorando. Não que ele não te queira feliz, ele só não quer ser colocado para escanteio como o seu favorito. – Ela falou e depois beijou a minha cabeça.

— Eu não queria que ele ficasse com raiva.

— Ele não está com raiva. Está com medo. Com medo de quão rápido o tempo passou. Agora faça o que ele pediu, e amanhã, depois da sua aula, vamos atrás do seu vestido.

— Ele não vai me deixar ir, mamãe, viu a cara dele. E tem o fato do Chris ser um ano mais velho. E olha que eu nem comentei que ele é a estrela do time de basquete.

Mamãe deu uma gargalhada.

— Você ganhou a estrela do time de basquete?! É, disso o seu pai não vai gostar de saber!

—ELENA! – ouvimos a voz dele. Ele deveria estar no escritório.

— Tô mandando! – Digitei na velocidade da Luz as informações que ele queria, e anexei a foto.

— Posso ver quem é o sortudo que está namorando a minha filha? – Mamãe me perguntou.

Mostrei a tela do celular para ela. Eu tinha printado só a parte da foto onde o Chris aparecia. Não ia mandar para o meu uma foto de nós dois juntos.

— E é você quem está do lado dele? – Ela perguntou com um sorriso de lado.

— Sim... – peguei o celular de volta e mostrei a foto inteira.

O sorriso dela foi ainda maior.

— Vocês ficam bem juntos. Aposto que tem muita líder de torcida morrendo de inveja de você.

— Ah, isso tem! Todas elas. – Eu abri um sorriso involuntário.

— Posso te pedir só uma coisa?

— Claro, mãe, qualquer coisa. – Me arrependi na hora... será que ela viria com “o sermão constrangedor”?

— Só não se esqueça que você tem amigas. É fácil focar só no namorado, mas não se esqueça de quem ficou do seu lado antes dele aparecer, tudo bem?

— Pode deixar, não vou. Até porque, se eu fizer isso, com quem eu vou compartilhar os prints das conversas que tenho com o Chris, em busca de uma segunda opinião?

— Se você está dizendo. Se importa de arrumar a cozinha? Eu tenho que acalmar um certo diretor que está que é puro ciúmes hoje! – Ela me pediu dando um beijo na minha testa.

— Sem problema algum. Acalme o Diretor Hotchner por mim! Pois eu acho que se eu aparecer na porta do escritório dele hoje, ele atira em mim!

— Seu pai jamais atiraria em você, Elena. Jamais! – Ela falou já no meio do caminho para encontrá-lo.

Olhei para o jantar. Ninguém comeu como deveria. Até que lavar a louça não seria a pior das tarefas. Daria para distrair minha mente dos momentos mais constrangedores....

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Deixei uma Elena ainda um pouco assustada na cozinha para encontrar Aaron sentado atrás da mesa do escritório, olhando a foto de quando Elena nasceu.

— Você assustou a pobrezinha! – Falei parando atrás dele e o abraçando por trás.

Ele não me respondeu nada. Apenas encarou outra foto. O aniversário de oito anos dela.

— O tempo passou rápido demais.

— Sim. Passou. Mas nós dois sabíamos que essa hora iria chegar.

— Ela poderia ter começado a namorar depois do Ensino Médio.

— Aí ela estaria longe de você, em um dormitório de faculdade, onde você não tem controle nenhum, Aaron. Pense bem no que ela fez hoje.

Aaron encostou a cabeça na cadeira e me fitou.

— Eu não quero que ela cresça.

— Nem eu. Queria ela com eternos dez anos, dando um ataque no meio de um concurso de soletrar. – Falei.

Ele sorriu.

— Ela precisou de coragem para nos dizer que estava namorando. Ainda mais que não tinha mais ninguém aqui para que você se acalmasse mais rápido.

E o paizão ciumento do ano levou a mão até a ponte do nariz e a apertou.

— Você já viu a foto do garoto? – Ele me perguntou depois de um tempo.

— Sim, ela me mostrou.

— E?

— Ele não tem cara de assassino em série, Aaron. Todavia, eu sei que você vai mandar a Garcia revirar a vida dele.

— Eu já pedi.

— Amanhã todo o FBI vai estar sabendo que a Elena tem um namorado. E eu já posso ouvir o Derek começando a te chamar de “sogrão do ano”!

Aaron só grunhiu algo ininteligível para mim.

— O que ela está fazendo agora? – Ele perguntou por fim.

— Arrumando a cozinha. Depois deve contar para o Chris que ele vai ser investigado pelo FBI e contar, com detalhes, para a Liz a conversa de hoje.

— Eu ainda não acredito. Ela é muito nova...

— Não comece. Você também levou uma garota de dezesseis anos ao baile. E aposto que foi Haley. Como você acha que o pai dela reagiu? Aaron, não podemos fazer mais nada, a não ser confiar na criação que demos a ela, confiar que a Ziva e o Derek a treinaram bem e que ela sabe se defender. E, claro, apoiá-la. Porque se algo der errado, ela tem que saber que tem para onde correr.

— E você diz isso por experiência própria, não é? – Ele virou a cadeira para mim e me sentou no colo dele.

— Pode ter certeza.

— Bem, se esse tal de Chris pensar em machucar a Elena... ele vai virar um queijo suíço. – Ele falou com um sorriso assassino nos lábios.

— Espero que você deixe um pedaço para que eu também tenha a minha vez! – Falei sorrindo.

— Mas é claro. – Ele me respondeu e me abraçou apertado. – Ainda dá tempo de voltar ao tempo e congelá-lo quando ela aprendeu a falar papai?

— Ah, ciumento!!

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— EU NÃO ACREDITO QUE A ELENA TEM UM CRUSH!!!!! – Eu nem tinha pisado para fora do elevador e Garcia me puxava pela mão, gritando em plenos pulmões.

— Vai com calma que o Aaron não aceitou bem a notícia. – Respondi. Estávamos perto das mesas e pelos sorrisos dos demais, todos eles já sabiam.

— Ela tem muito bom gosto! – JJ disse, mostrando a foto do meu “genro” para todos.

— Little Princess namorando. Como o sogrão do ano está? – Derek chegou rindo.

— Como você acha, Derek?

— O que é um crush? – Spencer perguntou.

Todos nós olhamos para ele. Era um gênio, mas tinha coisas que... vou te contar.

— Um namorado. Ou pelo menos é o carinha por quem ela é apaixonada. – Tara respondeu.

— Meu Deus.... – Reid disse assustado.

Morgan deu outra gargalhada.

— É hoje que vai ter agente sendo arremessado do último andar! – Luke falou com uma gargalhada.

— Eu não duvido. Ontem faltou pouco mandar a Elena para um Colégio Interno.

Matt e Luke começaram a rir.

— Matt está rindo agora, porque sabe que vai reagir da mesma forma quando for a vez dele de ser chamado de “sogrão”! – JJ brincou. E Simmons parou de rir na hora.

— Será que podemos focar no assunto. O namorado da Elena!! – PG pediu. – Além dele ser uma gracinha, ser a estrela do time de basquete, ele é inteligente.

— Mas é claro que é inteligente, ele namora a Elena! — Derek começou. – E ela não escolheria qualquer um.

— Posso continuar? – Penelope disse. – O Escolhido da Elena é realmente um bom moço. E já foi aceito em algumas faculdades bem conceituadas, nenhuma que compare com a lista de faculdades do Jack, mas ele vai ter bastante chances...

— E a família dele?

— Sem problemas também. Todo mundo limpo. Mas se quiserem eu posso chegar até quase Adão e Eva, se isso for acalmar o Bossman.

— Não precisa, Garcia, Aaron só está exagerando.

— Quem vai estar de olho nela no sábado? – Morgan me perguntou.

— Não será nem você, nem o Aaron. Você dois só a deixariam sem graça e acuada. Na verdade, eu nem queria que ela fosse com seguranças...

— Mas ela vai. – Aaron entrou dizendo.

Todos olharam para ele com um sorriso no rosto. Que ele fez questão de ignorar.

— Bom dia, Garcia, já fez a pesquisa?

— Já sim, Hotch. Está tudo no seu tablet a partir de agora! – Ela respondeu e o tablet da mão de Aaron emitiu um bip avisando que um e-mail tinha chegado.

— Muito obrigado. – Ele falou, já começando a ler os achados de Garcia.

— Agora que o Bossman já tem o que ele queria. – PG começou, mesmo com Aaron ainda na área. – Temos que pensar no vestido.

— Eu vou sair com ela hoje para olhar esse vestido.

— Você não nos convidou, mas nós vamos. – JJ disse se auto convidando para as compras e indicando as outras duas mulheres da equipe.

— Temos o direito de dar o pitaco que for nesse vestido. – Tara disse.

— Vamos às Compras!!! – PG gritou!

Lancei um olhar em direção à Aaron, ele não falou mais nada, mas só pela força com a qual ele estava travando o maxilar eu sabia que essa conversa o estava deixando ainda mais nervoso.

— Tudo bem. Mas primeiro, trabalho! – Falei, colocando marcha em todo mundo.

— Trabalho é o que eu menos quero hoje!! – PG falou alto, indo para a sala dela.

— BabyGirl, e você diz isso na frente do Diretor e do Chefe de Sessão.

Penelope só deu uma gargalhada, e em poucos segundos, em nossos celulares chegou a seguinte mensagem.

“Você, Trovão de Chocolate, não vai fazer nada comigo, e o Bossman quer matar é outra pessoa. Eu estou salva por hoje!”

Não tem jeito com esse povo! Muito menos com a Garcia!

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— Eu contei para meus pais, ontem! – Soltei a bomba para Liz enquanto estávamos nos alongando na aula de educação física.

Liz me olhou por baixo da franja, enquanto alongava a perna.

— Fico feliz em saber que você está viva! Como seu pai reagiu?

— Por que todo mundo se preocupa com a reação do meu pai? – Falei infeliz.

— Com todo respeito à sua mãe e ao seu pai, mas a senhora Hotchner é muito mais calma e sensata quando se trata de você, além do mais, todo mundo sabe que você é a princesinha do papai.

— Olha só o que a Filha Única está falando! E você, contou para os seus pais?

— Não, vou conversar com a minha mãe primeiro. Meu pai era um atirador de elite, não quero arriscar. Além do mais ele tem todas aquelas ferramentas no porão e fora o treinamento... preciso de uma guarda-costas para encarar el jefe! Além do mais, papai está em Nova Orleans.

— Tem certeza de que a sua mãe é a pessoa mais indicada. Sei lá...

— Elena, ou é ela, ou é algum dos malucos que compõem a equipe do meu pai. E lá, nenhum consegue manter a boca fechada por muito tempo... ele vai ficar sabendo em um piscar de olhos, bastava uma encarada e um tapa na cabeça.

— Vendo por esse lado...

— Sim, eu conheço bem os malucos do Hospício Shepard-Gibbs. Mas trocando o foco. E o vestido?

— Eu quem pergunto, hoje é terça-feira, o baile é sábado, você está enrolando... – Cortei Liz.

— Eu tenho um vestido de baile em casa. Só usei uma vez quando mamãe foi em uma festa em uma Conferência em Londres... vou reciclar o lindinho. Se até a Duquesa de Cambridge faz isso, por que eu não posso fazer?

— Sorte a sua. Mas eu vou sair para comprar o meu hoje.

— Seu pai vai?

— Graças a Deus que não. O humor dele está tão ruim que é capaz dele fazer qualquer vendedora sair correndo de medo.

— Eu sei bem o que é isso. Papai me levou para comprar um vestido uma vez, até hoje ele reclama das seis horas de caça e do preço que foi... – Liz disse rindo. E eu tentei imaginar o Agente Gibbs em uma festa de compra de vestidos...

— Não consigo ver o seu pai fazendo isso.

— Hoje ele não faz nem se for pago para isso, porém ele já fez. E foi divertido!

Ficamos conversando pelo resto da aula, demos a desculpa de que estávamos com cólicas horríveis e a professora nos dispensou.

Na saída, mal tinha colocado o pé na calçada, escutei uma buzina. Segui o som e vi mamãe no seu carro. Logo atrás, tia Penelope a bordo do conversível dela, junto com Tia JJ e Tara. Pelo visto isso vai ser o evento do ano.

— Liz não vai comprar um vestido para ela? – Mamãe me perguntou depois que me cumprimentou. – Ou ela não vai ao Baile?

— Ela disse que já tem um que usou uma vez na Europa. Ela tem que contar com quem ela vai primeiro...

— Ah... – mamãe riu. – Não a invejo.

— Nem eu. Como o papai está? – Estava realmente preocupada com ele. Desde ontem ele vinha evitando conversar perto de mim.

— Vai superar, filha. Só dê tempo para ele se acostumar.

— Tomara, mamãe. Tomara. Agora, aonde vamos primeiro?

— Eu pensei em pularmos os shoppings e irmos direto nas lojas especializadas, o que você acha?

— Essas lojas são muito mais caras...

— Só se vai ao primeiro baile, com o primeiro namorado, uma vez, Elena.

— A senhora não teve um Baile desses, não é?

— Não. – Ela me respondeu. – Não tive.

— E está curtindo os preparativos do meu para saber como é?

— Pode-se dizer que sim.

— Sabe qual é a melhor parte? – Perguntei feliz.

— Não. Qual é?

— A senhora não vai me deixar errar no vestido de jeito nenhum!!

— Ah, não vou mesmo! Nem eu, nem as três que estão no carro de trás!!

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— E então, esse? – Já tínhamos rodado várias lojas, mas nenhum vestido tinha me agradado ao ponto de que eu quisesse levá-lo.

As quatro mulheres que estavam comigo, ou as quatro loucas para quem estava nos vendo, fizeram aquela cara de: “até ficou bonitinho, mas não, definitivamente não.”

Suspirei. Não sabia que procurar um vestido seria tão cansativo.

— Quantos vestidos já foram? – Ouvi Tara perguntar.

— Com aquele ali? Quarenta. – Tia PG respondeu.

— O que aconteceu com os vestidos bonitos dessa cidade? – Tia JJ reclamou.

— Já foram comprados, alguém deixou para falar que ia a um baile muito em cima da hora, não é Elena?

— Mamãe!! – Gritei de dentro do provador. – Também não é assim! – Eu tinha mais três vestidos nos cabides atrás de mim, esperava que um deles fosse o vestido.

Até que acabei de vestir esse. E... MEU.DEUS.DO.CÉU!

— É ESSE!! – Eu gritei. – É ESSE!!! – Comecei a pular dentro do provador.

— ENTÃO SAI LOGO DAÍ PARA QUE POSSAMOS VER!!! – Tia JJ gritou de volta.

Resolvi fazer hora, só para deixá-las nervosas.

Pude ouvir Tia Pen andando de um lado para o outro, até que ouvi mamãe:

— Ô Filha do Aaron Hotchner, quer parar com o suspense?

Então saí, e pude ver o queixo de cada uma cair.

— Seu pai vai dar um treco, mas o vestido é esse! – Mamãe me disse.

— Não é?! – Eu estava empolgada demais para não concordar com ela.

— Se você não for coroada a Rainha dos EUA depois desse vestido, ninguém mais será! – Tia Pen estava ainda mais empolgada do que eu e mamãe juntas!

Depois do vestido escolhido, era outro o nosso destino, e quem liderou o caminho foi Tara.

— Não tem como ser outro, Elena. Esse é o vestido. – Ela foi falando enquanto andava. — Agora, temos que buscar os sapatos.

— Mamãe é impressão minha ou a Tara tá indo em direção à loja da Aquazzura?

— Ela está...

— É agora que papai infarta!

Lá dentro eu não pude escolher outro senão o sapato queridinho da Duquesa de Sussex. E céus! Eles são lindos demais.

— Olha, você vai ficar maravilhosa! Eu queria muito estar lá quando você descer as escadas, mas acho melhor deixar o Hotch mais a vontade e sem plateia, mas lembre-se, me mande as fotos. Todas, inclusive ao lado do Chris! – Tia JJ disse ao se despedir de mim.

— Eu mando sim! – Respondi.

— Não se esqueça de mandar para mim também!! – Tara e PG falaram juntas.

— Façam um grupo em algum aplicativo de conversas que eu mando!! Assim fica mais fácil!

— Considere feito, Eleninha!! – Pelo sorriso de PG eu sabia que ela iria montar isso em menos de dez segundos!

— Estamos prontas? – Mamãe me perguntou assim que acabei de dependurar o vestido no banco de trás.

— Eu estou. Só não sei se estou pronta para mostrar esse vestido para o papai.

— Elena, quem vai ter aturar o seu pai dando um ataque serei eu. Ele ainda estará anestesiado quando você deixar a nossa casa.

— É isso que eu tenho medo. Tem certeza de que não tem a mínima possibilidade dele aparecer no meio do baile e querer atirar no Chris?

Mamãe mordeu o lábio. Nem ela tinha certeza sobre isso.

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Eu estava tão nervosa que o restante da semana passou voando.

Notei que Liz estava mais pensativa do que o normal, acho que as coisas não saíram tão bem assim pelos lados de Alexandria. Tudo o que consegui escutar, já na sexta-feira foi.

— Vou conversar com papai hoje.

— Mas hoje é SEXTA!

— Não é minha culpa se ele está rodando o país atrás de um cara que quer explodir a Marinha desde segunda! – Ela me retrucou.

— Sua mãe.

— Minha mãe é um caso à parte...

E com isso, não consegui arrancar mais nada da rabugenta ruiva ao meu lado, na verdade, eu até poderia ter tentado, porém Chris apareceu e eu precisava alertá-lo sobre o que poderia acontecer no sábado à noite.

— Nos vemos no baile, Liz? – Perguntei por sobre o ombro antes de entrar no carro de Chris para mostrar onde morava.

— Se a CIA, o NCIS, os Marines e a Marinha deixar, talvez. – Ela respondeu entrando no SUV com seguranças que a mãe dela sempre mandava para buscá-la quando ela tinha que dar uma voltinha em Langley.

— Bem, — me virei para Chris. – Temos muito o que conversar. – Falei.

— Seu pai mete tanto medo assim.

— Chris, você já ouviu alguma coisa a respeito do Diretor do FBI? – Perguntei depois que ele deu a partida no carro.

— Toda Washington já ouvi falar dele. O cara é o maior carrasco.

— Então... o maior carrasco é o meu pai...

Chris pisou no freio de uma vez, quase que batem na traseira do carro dele.

— O seu pai é o Diretor do FBI?!

— É. Meu pai é o Diretor do FBI.

— E você me falou que eu não precisava de colete à prova de balas? Eu preciso de uma oferta de paz!

— Meu pai não é assim tão violento. Ele vai entender.

— Você pelo menos falou para ele que estamos juntos.

— Falei.

— E? – Ele me perguntou.

— E? – Eu não tinha entendido onde ele queria chegar.

— Qual foi a reação dele?

Fiz uma careta ao lembrar da conversa e da explosão de papai.

— Você não vai querer saber.

— Ah, eu vou. Eu preciso! – Chris estava nervoso. – Tem mais alguém do FBI na sua família? Da CIA?

— Tem. Minha mãe é agente. Meus tios emprestados todos são do FBI. A CIA é coisa da família da Liz. – Tentei brincar com a parte final. Chris não comprou a brincadeira e me olhava assustado.

— E você nunca pensou em me contar sobre isso.

— Eu tô contando agora. Meus tios são tranquilos. Minha mãe não representa perigo nenhum.

— Mas o seu pai sim!

— Sim. Papai é outra história.

Estávamos parados no semáforo. Ele olhava para mim e eu para ele.

— Sua sorte, Elena. É que meu pai tem colete à prova de balas em casa. E eu vou usá-lo amanhã. E que eu gosto de verdade de você!

— Papai não vai atirar em você, Chris. Ele não vai. Ele pode te ameaçar. Pode te assustar mas não vai.... – Falei. – E só para constar, eu também gosto muito de você!

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Eu tinha levado quase quatro horas para poder ficar pronta. Entre um banho de espuma, que tia Pen me disse ser obrigatório, fazer as unhas dos pés (desnecessário meu sapato é fechado na frente) e das mãos (todas as unhas em um vermelho escarlate bem vivo), maquiagem, cabelo e, por fim entrar no vestido, eu me senti uma maratonista.

Mamãe e eu tínhamos expulsado papai do meu quarto quando ela começou a mexer no meu cabelo. Papai reclamou o tempo inteiro da cor do esmalte. Disse que eu era nova demais para usar vermelho. Mamãe só me encarou pelo espelho e deu uma risada de lado. Mal sabia papai a cor do vestido.

Assim que ele desceu, reclamando que a casa era dele, e ele tinha direito de ficar onde quisesse. Começamos a arrumar meu penteado.

Por conta do desenho do vestido, nos duas achamos melhor prender o cabelo em um coque. Assim, o decote de trás apareceria também, assim como as pedrarias.

Deixamos uma mexa solta na frente, só para o bem do charme.

Minha maquiagem foi leve, não precisava de muito.

E, depois de retocar o rímel para deixar meus cílios tão longos quanto os de mamãe eu estava oficialmente pronta.

Só não contava que menos de dez minutos depois eu estaria no meio da rua, debaixo de neve, tentando fazer com que papai não atirasse em meu namorado.

E eu nem sabia o que tinha rolado para chegar a esse ponto!!

— Pai! O senhor vai ser preso por ameaçar um menor! Pare!! – Eu tentava segurar o braço dele e me equilibrar nos saltos de 10,5 cm que usava.

— Elena, pode voltar para dentro de casa! – Foi aí que ele viu o meu vestido. – E QUEM FOI QUE DEIXOU VOCÊ VESTIR ISSO AÍ?

— Pai amado! Alguém me ajude! Mamãe!!!! – Gritei pedindo ajuda.

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Elena tinha me expulsado do quarto dela. Quando foi que ela cresceu? Até ontem era eu quem colocava ela para dormir e lia “As Crônicas de Nárnia” até não aguentar mais!

E agora ela não me quer lá.

Rodei pela casa e resolvi que era melhor trabalhar e deixar as meninas da casa presas no segundo andar.

Até que Jack mandou mensagem.

— A Elena já foi para o Baile?

— Não.

— O cara já chegou aí?

— Também não. Talvez ele desista.

— O senhor verificou ele, né pai? Não deixa a Lena sair com qualquer idiota não!

— A Penelope fez isso. Não tem nada.

— Nada mesmo? Ele nunca fumou nem um baseado.

— A Garcia não achou nada.

— Eu vou dar outra checada nisso. Se eu achar que ele fumou alguma coisa eu te aviso e o senhor não deixa a Elena sair com ele de jeito nenhum.

Pelo menos eu não era o único que estava preocupado com a Elena.

Acabei por me concentrar nos relatórios que lia até que a campainha tocou. Achei que Elena iria voar escada abaixo, mas parece que ela nem tinha ouvido o som.

Muito bem. Era a hora. Peguei minha arma e coloquei o coldre na parte de trás, escondendo com a camisa. Talvez não precisasse usá-la.

Olhei para cima. Nem Emily nem Liz faziam barulho ou menção de virem abrir a porta. Assim, alguém tinha que ser o educado da família.

Abri a porta com a pior cara que podia fazer.

— Boa noite, Senhor Hotchner. – Um rapaz loiro e bem vestido me cumprimentou estendendo a mão.

— E você é? – Olhei para ele, e o moleque deu dois passos para trás.

— Christopher Evans. Mas pode me chamar de Chris. A Lena só me chama assim.

— A Elena já tem um apelido para você? E pelo visto você já a apelidou também. – Destaquei o nome de batismo da minha filha.

O garoto gaguejou.

— Eu a chamo assim com todo respeito, senhor. – Ele falou.

Estava nevando, e era nítido que o garoto estava com frio. Queria deixá-lo congelando, mas não faria isso.

— Então, Christopher. Você é um ano mais velho que minha filha.

— Sim. Eu sou.

— Então está no último ano?

— Sim. E sou o capitão do time de basquete, senhor.

— E já sabe o que vai fazer quando deixar a escola daqui a seis meses?

— Me inscrevi em algumas universidades, senhor. Pretendo seguir na política, assim como minha família.

— E vai para qual?

— Até agora, Califórnia é a minha principal escolha.

— Isso é longe.

— É, bem longe. Mas das que já me aceitaram, a UCLA é a melhor e tem a bolsa por ser atleta.

Comecei a pensar que esse namoro não duraria muito. Seria até fácil.

— UCLA é uma boa faculdade. Espero que essa escolha continue.

— E vai senhor. A menos que Columbia ou Georgetown me aceitem. Escolherei essas em detrimento da Califórnia. Mas acho difícil.

Já não gostei. Nova York é a três horas de trem de daqui. E Georgetown é menos de trinta minutos. Esse moleque tinha que ser despachado para a Califórnia já em Janeiro.

— Vi que você veio de carro. Você bebe, Christopher?

— Não senhor. Não quando estou dirigindo.

— E por que essa garrafa na sua mão?

Ele olhou espantado para a própria mão esquerda que segurava uma garrafa de whisky e um buquê de rosas vermelhas.

— Essa garrafa é para o senhor. – Ele se levantou e me entregou. Estava claramente tentando me comprar com o presente. – As flores são para a Senhora Hotchner.

Gostei menos ainda. Queria sair com a minha filha e trazia flores para a minha esposa. Eu vou correr com esse moleque daqui.

— Obrigado. — Agradeci e olhei para ele. O menino estava nervoso. Seria uma boa hora para interrogá-lo.

— Então, você e Elena estão namorando, ou você só está querendo brincar com a minha filha?

Ele ajeitou a postura, e isso nunca é bom sinal.

— Eu gosto da Elena, senhor. – Ele fez questão de falar o nome inteiro dela.

— Gosta quanto? Por que você sabe que é o primeiro namorado que ela apresenta para a família, não sabe?

— Sim, ela me disse isso. Eu sei que demorou. Mas ela preferiu assim.

— Sim, demorou.

— Mas eu queria ter vindo antes, na verdade antes que as aulas começassem. Elena disse para esperar.

— Antes que as aulas começassem?

— Sim, senhor. Começamos a sair no final do último ano, logo que o campeonato de basquete acabou.

Elena estava namorando escondido há mais de seis meses?!

— Vocês estão juntos...

— Há seis meses, senhor.

Eu não sabia se gritava com ele ou se esperava Elena descer para pedir explicações. E o rapaz ficou em silêncio.

Depois de uns dois minutos, ele tornou a falar, era melhor ter ficado de boa fechada.

— Senhor, não pense que eu estou com a Elena só por conta do baile. Nós já conversamos e quando eu for para a faculdade, eu pretendo continuar com ela.

— E como você acha que vai fazer isso, se a sua primeira escolha é a UCLA.

— Bem, ela já disse que não se importa de viajar para me ver. E quando...

— Minha filha, indo para a Califórnia. Sozinha. Para te ver? – Era melhor ele ter ficado em casa!

— Senhor. Ainda não está certo para onde eu vou. E eu vou vim vê-la eu realmente amo a Elena!

— Você não ama ninguém e vai sair AGORA!

— Mas senhor....

— SAIA!

Nessa hora Emily desceu correndo as escadas e pediu que me acalmasse, porém eu e o garoto já estávamos na rua.

Não demorou e Elena apareceu.

— Papai!! – Ela chamou. – Pare!!

— Esse garoto está indo embora. E você não vai a lugar nenhum com ele! – Falei para Elena.

— Pai! O senhor vai ser preso por ameaçar um menor! Pare!! – Ela tentou mais uma vez salvar a pele do namorado. E eu notei que ela estava escorregando e suas mãos estavam muito frias.

— Elena, pode voltar para dentro de casa! – Foi aí que eu vi o que ela estava usando. – E QUEM FOI QUE DEIXOU VOCÊ VESTIR ISSO AÍ?

— Pai amado! Alguém me ajude! Mamãe!!!! – Minha filha gritou pedindo ajuda.

— Elena. Que roupa é essa? – Minha atenção voltada para a minha filha. O garoto loiro que congelasse de frio.

Mas ela não deu o braço a torcer, e mesmo batendo queixo de frio, puxou o tal do Christopher para dentro de casa.

— Esse aqui, pai. É o vestido que eu vou usar essa noite! – Ela me informou.

— Mas não vai mesmo! Pode trocar de roupa! E por o seu moletom!

— Pai. É um baile! Por favor.

— Você não vai vestida assim.

— Não tem nada demais no vestido.

— Elena.

— Pai!!

— Aaron, por favor. – Emily tentou intervir.

— Elena não vai a nenhum baile, vestida assim e muito menos com ele. E também não vai atrás dele na Califórnia!

— Califórnia?! – Emily pareceu assustada.

— Sim. Pelo visto Elena esqueceu de avisar que está namorando desde antes das férias de verão. E que tem planos para o próximo outono que incluem aquele ali. – Apontei a minha arma para Christopher.

— Pai!! – Elena entrou na frente da arma. — Guarda isso! Ninguém vai matar ninguém hoje. E sobre a Califórnia. Merda! Só conversamos, tá bom. O próximo outono ainda está muito longe!!

— Vá trocar esse vestido agora, Elena!

—Pai! Eu tenho um baile hoje! Por favor!

— Agora! Você não vai sair com ele. – Foi aí que o garoto me surpreendeu. Ele deu um passo à frente e pegou a mão direita da Elena na dele.

— Você fique longe da minha filha! – Alertei.

— Senhor, eu posso namorar a sua filha? Eu prometo que vou tomar conta dela, não só no baile de hoje, mas em todas as vezes em que ela estiver do meu lado. O senhor dá a sua permissão para que eu a leve ao baile de hoje à noite?

Emily começou a sorrir do meu lado. Elena foi pega de surpresa e olhava para o garoto assustada.

Encarei o garoto.

— Ela tem que estar aqui até às.... – Comecei a falar.

— Uma da manhã. É uma noite especial. Nos outros dias, até às onze horas. E você, Christopher, é muito bem-vindo. À propósito. Sou Emily – Em se apresentou.

— Muito prazer, Senhora Hotchner. Estas flores são para a senhora.

— Obrigada. E não esqueçam do horário. Agora vão se divertir! – Emily os guiou até a porta, entregando o casaco para Elena.

Quando eles saíram. Ela olhou na minha direção e apenas disse:

— Você e eu, no meu escritório, AGORA!

Notas finais
Aaron Hotchner está encrencado.
E sim, todas as semelhanças do namorado de Elena com Chris Evans não é mera coincidência. Me inspirei nele.
Para quem se interessar, aqui vai o vestido que quase infartou o Hotch, bem como o sapato.
https://www.jjshouse.com/pt/De-Baile-Decote-V-Longos-Cetim-Vestido-De-Baile-Com-Beading-Lantejoulas-018163273-g163273
Sim, o vestido é vermelho!
E estes são os sapatos:
https://www.aquazzura.com/en/boutique-online/woman/shoes/pumps/deneuve-pump-105-lipstick-suede-leather-denhigp0-sue-f00.html

Volto mais tarde com Liz e Gibbs.
Obrigada por lerem!
xoxo