Stuck in his Past

3 I did not say Goodbye


Notas iniciais
BOA NOITE AMORES!!!!! OLHA ELAAAAAAA ♥ Eu sei que disse que a próxima postagem seria no dia 24/08 BUUTTTT eu consegui terminar esse capitulo muito mais rápido do que imaginei, estou totalmente APAIXONADA POR HANNAH e todo esse incentivo que ando recebendo de vocês está me motivando muuuuuuuuuuuuuuito. Obrigada ♥ Bom, vamos ao Capitulo de Hoje que nos remete a cenas impactantes, SEGURA NA MÃO DE DEUS E VAI GALERA O.O É muita emoção, só digo isso. Mas quero dizer que vou mudar um pouquinho a história de Bucky (sobre como ele morreu) e a história de Erik ( em relação a parte temporal) Para que ambos possam ser encaixados com muito amor na vida da nossa Hannah, ok? Não vou dar uma data para a próxima postagem porque já vi que não consigo seguir isso hauhauahuahauhau, posso postar antes ou depois, mas provavelmente as postagens vão continuar acontecendo nas QUARTAS. OK? Esses primeiros capítulos vão ser a base para a história sobre QUEM É HANNAH ERSKINE, mas em breve nós vamos para o futuro, no caso, nos dias atuais, só falta mais dois capítulos para essa mudança temporal acontecer então se segurem nas cadeiras, porque a história está só começando. XOXO da Juh

Em algum lugar próximo as montanhas – Alemanha

Steve viu de longe a granada explodindo na traseira do jipe que perdeu o controle e despencou pelo abismo da morte. Seus olhos não podiam acreditar no que via, seu coração apertou angustiado, não havia o que fazer. Bucky era forte, mas ninguém podia sobreviver a uma queda como aquela.

—Vamos morrer! – Foram ás palavras de Hannah no momento em que o jipe se lançou no penhasco, Bucky sabia que não havia muito o quê se fazer, apenas agarrou a jovem com toda a sua força olhando em seus olhos por uma fração de segundos.

—Você não vai, eu não vou deixar. –Dizendo isso ele atirou Hannah para fora do jipe em queda. Enquanto ambos caiam como se fossem câmera lenta Hannah viu Bucky explodir primeiro ao bater contra as rochas próximas do chão e em seguida foi a sua queda.

(...)

Alguns minutos depois

Hannah sentiu a neve fofa em suas mãos, o gelo da montanha estava por toda a parte, ela havia afundado nele, podia sentir o gosto em sua boca, uma mistura de ocre e terra molhada, o cheiro da fumaça do jipe parecia intoxicar seus pulmões, por muito pouco não caiu com ele, ao olhar a lataria toda retorcida teve medo que mais uma explosão viesse a acontecer, ela precisava sair dali o quanto antes, seu corpo doía demais, havia sangue e destroços do velho jipe mais o silencio tomava conta de tudo. O tiroteio parecia ter acabado, ou talvez os homens tivessem levado a luta para outro lugar, Steve não era o tipo de homem que desistia de um confronto.

—Senhor Barnes. – Disse com a voz fraca tentando enxergar melhor, ao se erguer da neve gemeu de dor percebendo que sua perna estava ferida, havia um roxo enorme em cima do joelho, assim como sentia muitas dores nas costas, ela tentou erguer ao máximo as vistas até que viu a uma certa distancia o que devia ser o corpo do soldado.

Ao se aproximar Hannah colocou as mãos na boca para não gritar chocada, ela viu que havia muito sangue, e cada vez mais pelo caminho na neve branca, o homem estava lançado á frente, seu corpo ferido, seu braço esquerdo dilacerado, ele parecia muito pálido e ela temeu pelo pior.

—Senhor Barnes pode me ouvir? – Hannah sabia que não podia ficar ali por muito tempo, os homens da HIDRA poderiam sobreviver ao ataque e ir atrás deles, sua primeira vontade foi de chorar, estava cansada e sozinha, sem falar que não havia sobrado nada, nem uma arma, nem ao menos uma faca, ela precisava fazer alguma coisa.

Olhando ao redor percebeu que havia um pedaço de metal grande suficiente para colocar o corpo de Bucky em cima e arrasta-lo com mais facilidade pela neve até tentar encontrar um local seguro, não ia ser fácil e realmente não foi, o corpo pesado do homem inconsciente fazia Hannah dar tudo de si para movê-lo. Seu joelho estava muito dolorido, o esforço estava embaçando suas vistas, mas ela precisava fazer alguma coisa, tinha que retribuir o gesto daquele homem ao pensar na segurança dela antes da sua.

—Me deixe aqui. – Disse a voz fraca de Bucky que já tinha os lábios roxos. –Eu não posso lutar desse jeito, e só vou te atrasar. – Bucky falou sentindo as vistas doendo, seu corpo todo parecia em choque, ele sabia que não teriam muito tempo.

—Não vou deixa-lo para trás, você veio me salvar, agora eu vou salvar você. – Hannah falou acariciando o rosto do homem que deixou um leve sorriso surgir. –Não costumo abandonar os meus amigos.

—Estou morrendo Hannah, não vou durar muito tempo. – Bucky sentia uma dor fora do comum, era como se seu corpo nem estivesse mais ali, seu braço estava num estado indescritível, mas Hannah permanecia ali olhando para o soldado de uma forma simpática, ela não ia deixa-lo para trás, mesmo que isso custasse á própria vida.

—Vou encontrar um local mais fechado, esse campo aberto é muito perigoso para nós. – Hannah começou a empurrar a placa metálica e percebeu que com a descida tudo ficava mais fácil, aquilo lhe encheu de esperança e ela fechou os olhos tentando lembrar dos seus dias de infância quando seu pai a levava para andar de tobogã.

Eles passaram algumas horas pela floresta de pinheiros até chegar no que parecia ser uma caverna esquecida pelo tempo, tinha neve por toda a parte e várias arvores secas, naquela época era difícil encontrar alimentos, talvez conseguisse ter mais chances se achasse um riacho ou coisa do tipo, esse era o pensamento principal da jovem que sentia a fome apertando seu estomago.

Hannah estava exausta e sentia muita dor na perna, seu joelho estava ficando cada vez mais inchado e seus ossos pareciam arder assim como a dor de cabeça ainda permanecia com ela, mesmo assim, usou todas as forças que tinha e levou Bucky para dentro depois de matar uma serpente venenosa com um galho de arvore caído próximo dali, ela recolheu outros galhos menores e com as pedras escondidas por toda a parte e fez fogo, também aproveitou a carne da cobra para fazer alguns espetinhos, o que realmente assustou o soldado, mas ela garantiu que havia cortado a parte com veneno, Hannah fez tudo em silencio, com calma e cautela, todas as medidas para garantir uma noite segura até que o resgate viesse, ela tinha certeza que Steve estava procurando por eles.

Bucky ainda estava consciente, por mais que soubesse que não havia esperança para ele, ainda estava lutando, não podia deixar Hannah sozinha em campo inimigo, por mais que ela havia demonstrado sua força e destreza, ele não podia abandona-la assim. No entanto, ele não conseguia entender como uma garota de vestido de seda azul e babados podia ser tão firme e ter tantos conhecimentos militares assim, ele não sabia nada sobre ela, apenas que Steve a admirava e que Peggy também parecia respeitar muito a determinação da jovem, mas para alguém que andava na companhia de Howard Stark era estranho pensar em todo aquele conhecimento de sobrevivência.

—Você deve se perguntar como eu aprendi tudo isso não é? – Disse a jovem colocando o homem ainda mais perto do fogo com um pouco de esforço. –Nenhum homem consegue compreender esse meu lado sobrevivente. – Ela disse ainda meio tímida ao falar sobre si mesma, não era uma coisa que fazia com frequência. –Acho que no fundo nenhum homem conheceu esse lado. Meu pai era o cientista Abraham Erskine, mas antes disso ele era um Alemão casado com uma judia. Isso era imperdoável para Hitler, por isso fugimos quando eu era apenas uma criança, nós vivemos escondidos durante muito tempo, até conseguir uma passagem de navio para a América, foi o melhor momento da minha vida, foi quando tive esperança pela primeira vez. – Hannah falava baixo enquanto Bucky mantinha o foco no som daquela voz doce e melodiosa.

—Você é uma mulher incrível, conheci poucas mulheres assim. – Bucky falou com um pequeno sorriso. -Howard tem muita sorte em ter você. – Bucky falou honesto, mas Hannah apertou os lábios de forma desgostosa. Estava cansada. Cansada de todo mundo naquela maldita base pensar que ela não passava de uma “acompanhante” de Howard.

—Até você pensa assim? Qual o problema de todos? – Hannah falou irritada mexendo no fogo para que o mesmo não apagasse. – Eu não tenho nada com Howard Stark, somos aliados comerciais, eu apenas aceitei um convite para aquela festa estupida, não sou uma das garotas dele. – Hannah odiava ser comparada as mulheres que amavam Howard pela conta bancária e não pelo coração que tinha.

—Me desculpe. Só achei que uma garota fina como você não iria se envolver com homens como eu. – O soldado falou tossindo um pouco e Hannah percebeu que ele estava com febre, sem dizer nada ela rasgou a parte de baixo do vestido usando o foro que era mais grosso, com os pedaços de pano fez curativos por todo o braço, mas ela sabia que ele não tinha mais salvação, aquele braço ia ser amputado.

—Eu admiro homens como você. – Ela falou baixo olhando diretamente para os olhos dele que ganharam um brilho especial. -Vamos ficar bem, eu prometo. – Hannah se aproximou de Bucky e deitou ao seu lado, o homem ficou um pouco admirado com o gesto, depois ficou comovido, ela estava usando seu calor para mantê-lo vivo. Hannah sentia o coração batendo fortemente e seu rosto ficando corado, era a primeira vez que ela se deitava ao lado de um homem para dormir, nunca teve tempo para namorados, sua vida era acompanhar os trabalhos do pai e aprender a cultura americana, não tinha muitos amigos por ser imigrante, ninguém queria ser amigo da alemã filha do homem que trabalhou para Hitler.

—Se sobrevivermos a isso quero que se case comigo. – Bucky falou sério arrancando um sorriso de Hannah, ela gostava do jeito divertido dele. –Vai ser a senhora Barnes e vamos ter muitos filhos. – O soldado falou olhando para o teto tentando se distrair com aquele pensamento enquanto Hannah não sabia dizer se ele estava bem ou delirando. Hannah sorriu pensando na proposta do soldado, era a primeira vez que um homem a tratava assim, havia uma ligação entre eles. Por fim, venceu sua timidez e segurou a mão do rapaz com força, não sabia se ele iria sobreviver até a chagada da manhã, mas não iria deixa-lo morrer sozinho, estava ali e ficaria até o fim.

A noite veio e o frio estava intenso, por mais que a jovem havia tentado fechar a entrada da caverna com os pedaços da placa de metal e galhos de árvores secos, ainda sim, era impossível impedir o frio da noite de chegar até eles, principalmente porque na caverna havia outras entradas.

Hannah havia feito uma longa descida pela montanha com a ajuda da placa de metal, ela estava feliz por isso, quanto mais baixo fosse, mas chances de chegar próximo de uma lagoa ou pequenos rios, as montanhas daquela região eram cheias de lobos e alces, aquela era a esperança da garota, pela manhã iria caçar um alce nem que fosse usando as lascas do metal da placa que restou do jipe, iria conseguir carne e pele, assim eles teriam uma chance para encarar a próxima noite, caso contrário, não passariam de dois dias ali. Hannah tremia mesmo estando quase em cima da fogueira, ela sabia que não ia conseguir sobreviver por muito tempo assim, da mesma forma que sentia o odor forte vindo do soldado que parecia estar morrendo rapidamente, ela não podia perder Bucky Barnes, naquele momento ele era tudo o que ela tinha. A noite foi embora para a alegria da jovem, Hannah pegou um pouco de neve e derreteu nas mãos para que Bucky pudesse beber, ela tinha mais esperanças com a chegada dos raios de sol.

—Ouviu isso? – Disse o soldado com um fio de voz. Eram passos de homens acostumados a andar naquelas terras, o latido dos cães também chamava muita atenção, Bucky ficou preocupado, se Steve havia vencido a guerra onde ele estava? E mesmo que seu amigo não tivesse sobrevivido para contar a história, onde estavam os outros? Será que todos pensavam que eles estavam mortos ali?

—Fique quieto. – Hannah colocou a mão sobre a boca de Bucky para tentar ouvir melhor o que estava se aproximando, queria muito que fosse apenas um lobo, ou um roedor, talvez até uma pequena coruja, mas ela sabia que não ia ser isso, pegou a lamina que estava improvisando para caçar e se colocou a frente, ela não podia deixar de lutar por sua vida e pelo amigo, eles não tinham chances contra armas e soldados treinados, a HIDRA jamais iria ser destruída por completo, esse era o lema deles, Cortem uma cabeça e duas nasceram no lugar. Bucky queria ficar de pé, mas não conseguia.

—Saia pelos fundos, eu sei que tem uma passagem pela entrada de ar. – Ele falou sério, mais Hannah se mantinha firme parada a sua frente. –Hannah eu não estou brincando, saia daqui agora, esses homens não podem te encontrar, se Rogers venceu Johann eles não vão ter piedade. – Bucky estava apavorado, tudo o que não queria era ver Hannah ser morta na sua frente. –VÁ HANNAH. – Ele gritou com o resto das energias que tinha e Hannah deixou as lágrimas cair pelo seu rosto.

—Eu vou voltar com reforços. – Disse a jovem dando um beijo de adeus no homem que havia salvado sua vida. Um beijo cheio de significado, um sentimento novo, e para sua surpresa Bucky sorriu fraco emocionado, aquele era o primeiro beijo de Hannah.

—Não Hannah. Não volte. – Bucky sentia sua vida esvair pelos dedos, mas ficou feliz ao ver Hannah partindo em busca de uma chance de liberdade, quando os homens da HIDRA entraram na caverna só encontraram os restos de uma tentativa de sobrevivência e o corpo já sem vida de Bucky Barnes.

(...)

Hannah corria no meio da floresta como uma louca, seus pés descalços não ajudavam muito, a neve fazia com que ela escorregasse com facilidade, sem falar nas pedras escondidas no meio do gelo, ela tinha medo do que estava por vir principalmente quando começou a ouvir o uivo dos cães. Suas lágrimas escorriam pelo rosto ao pensar em Bucky, o que seria dele sozinho naquela caverna? Ela devia ter ficado, devia ter lutado, mas não, estava ali correndo feito um coelho assustado.

Um tiro. Um susto. Hannah foi ao chão.

Seu ombro ferido, uma dor angustiante, seus olhos cheios de medo, o sangue tomou conta do que restava do seu vestido, ela tentou se levantar mais levou um chute nas costas, quando se virou ainda deitada na neve encontrou os olhos do seu carcereiro, sentiu um frio na espinha ao ver que ele olhava animado para a mesma. Um dos homens apontou a arma para ela e por um momento Hannah pensou que seria seu fim, mas o homem se aproximou primeiro fazendo um sinal para os outros se afastarem.

—Meu nome...é Dominic, e meu rosto será a ultima coisa que vai ver. – O homem se esforçou para falar na língua americana, e começou a desabotoar a calça calmamente, Hannah tentou lutar mais a dor em seu ombro era muito grande, acabou levando vários golpes no rosto desfigurando uma boa parte da sua beleza delicada, aquelas marcas demorariam dias para sair, acabou sendo dominada.

Com facilidade, ele segurou suas mãos á cima da cabeça e sem rodeios a penetrou, ele queria fazer isso á muito tempo, ainda guardava a calcinha da jovem no bolso. Dor, medo, angustia. As lágrimas de Hannah caiam na neve enquanto aquele homem fazia movimentos dentro de seu corpo, enquanto aquele homem rasgava seu vestido e apertava seus seios com força, ele tirava tudo dela, sua dignidade, sua esperança e sua honra. Ela estava quase nua, sentia vergonha e uma sensação de abandono muito grande, o homem apertava suas nádegas causando dor, e Hannah tinha vontade de gritar mais não daria esse prazer a ele. –Espero que tenha gostado. – Disse o homem depois que terminou, ele havia atingido o prazer que tanto queria, encharcando a jovem com seu sêmen, Hannah sentiu um nojo que pensou não ser capaz de sentir, ele se levantou abotoando a calça e vendo o sangue escorrer pelas pernas da jovem, o que lhe arrancou um sorriso de satisfação, Hannah nunca se sentiu tão humilhada.

—Você vai pagar. – Hannah falou apertando com força a neve em suas mãos e cuspindo o sangue em sua boca sem conseguir se mover, tudo estava doendo, mas além da dor havia o ódio, um ódio que estava lhe aquecendo naquele momento. -Eu juro. – Ela disse mesmo com toda a dor que sentia, sua cabeça havia voltado a doer de uma força que ela não entendia, era como se algo quisesse sair pra fora.

—Você... é uma... uma guerreira. – O homem se esforçou para dizer, Dominic era um soldado, mas além disso era um membro da HIDRA. -Uma pena. – O homem mirou sua arma e disparou sem dó, três tiros, no peito, no estomago, nas costelas.

Pensou em levar o corpo, mas achou melhor deixa-la para os lobos.

Base Secreta Americana Em algum lugar da Alemanha

As noticias que chegaram á base foi que todos os soldados continuaram lutando ao comando de Steve até o fim, todos fizeram o seu melhor na tentativa de acabar com aquela maldita guerra ali mesmo, sem dar chances ao inimigo. E mesmo quando o jipe levando Bucky e Hannah despencou em direção a morte depois de ser atingido por uma granada inimiga não desmotivou os soldados que lutavam por um forte ideal.

Aquilo só fortaleceu ainda mais as motivações de Rogers, ele era a única chance do país de vencer, não podia desistir agora, por mais que seu coração desejasse pular do penhasco atrás de Bucky que era como um verdadeiro irmão, por mais que ele quisesse dar um fim em tudo e fugir com Peggy dali, para viver uma vida simples no Brooklyn, por mais que seus sonhos fossem outros, ele era feito para guerra, assim como ela era feita para ele e seus homens também compartilhavam dos mesmos idéias, eles eram homens de fibra, não iriam desistir de nada.

O Coronel Phill também apareceu depois da insistência de Peggy de estar lá ao lado de Steve naquela luta tão decisiva para todos era tudo o que seu coração podia querer, o Coronel não concordava com aquilo, da mesma forma que não queria a presença de Hannah na base, ele só havia deixado porque Howard garantiu que não teria nenhum tipo de problemas. Peggy era uma mulher de garra e fibra, mesmo assim Phill a via como uma segunda filha, uma jovem capaz de conquistar seu velho coração e enche-lo de orgulho, infelizmente eles foram de encontro á morte e tudo o que Peggy conseguiu foi um beijo de adeus.

Já havia se passado três dias desde aquele confronto marcado por grandes perdas e grandes vitórias, Steve fez o que foi criado para fazer, fez aquilo que o seu coração desejava e se tornou o herói da sua história. Ele salvou o seu povo, o seu país, os seus amigos, o governo estava muito satisfeito com todo o resultado do projeto do Super Soldado, mais uma das razões para Phill não mencionar o que Hannah havia dito antes de ser sequestrada.

Peggy havia ficado em silêncio nos últimos dias, ela pessoalmente ajudou com as buscas, estava desesperada para conseguir encontrar o seu amor entre os destroços, mas nem mesmo o avião havia sido desenterrado do fundo do Oceano profundo e congelado.

Howard tomava um drink pela sexta vez, havia várias garrafas ao seu lado, já nem tinha vontade de sair do bar onde se encontrava, o Coronel havia pedido ao barman que não servisse mais nada ao bilionário, mas era obvio que um Stark sempre consegue o que quer, e com esse pensamento subornou o jovem para deixar o bar de vez enquanto a sua mercê. Suas roupas estavam um pouco sujas, nem de longe lembrava o homem poderoso e imponente que era, varias pessoas já haviam entrado em contado com ele sobre negócios, coisas relacionadas á empresa, ligações com o Governo que somente ele poderia resolver, e todo o tipo de eventos sociais, principalmente agora que o Capitão América havia se tornado um grande símbolo para a nação, mas Howard só queria conversar com a sua garrafa. Os homens estavam confusos e seu coração estava apertado, não havia noticias de Hannah Erskine ou de Bucky Barnes, nem mesmo de Steve Rogers, só havia a certeza de que os fatos que os levaram a desaparecer eram terrivelmente apavorantes.

—Você vai ficar ai o resto da guerra? Essa é a sua posição diante de tudo o que aconteceu? Me diga Howard? – Disse Peggy com a voz mais alta que o normal e com as mãos fechadas em punho, tentando manter o sentimento de impotência controlado, ela havia visto Steve entrar no avião, mas infelizmente não sabia se de alguma forma ele havia sobrevivido. –Ainda há buscas para fazer Howard, não podemos perder tempo com pileques. –Howard olhou para a mulher que usava uma calça marrom larga e uma blusa branca de mangas compridas, Peggy sempre discreta e elegante, uma mulher de fibra, e ele ali, largado as suas desesperanças.

—Não posso fazer mais nada Peggy, já faz três dias, o avião foi destruído, as equipes de busca já vasculharam todo o local, nada foi encontrado, meus homens estão fazendo buscas á parte com o meu próprio financiamento e ainda temos as buscas por Barnes e Erskine. – Howard parou de falar por um minuto, passou a mão pelos cabelos castanhos e respirou fundo, ele havia encontrado o que sobrou do jipe usado por Barnes na tentativa de resgate alguns dias atrás, nenhum dos corpos foram achados, só havia duas possibilidades diante disso, morte ou sequestro. –Eu estou me esforçando Peggy, só que precisamos pensar em uma forma de seguir em frente caso eles não voltem para nós.

—Isso não é justo. – Disse Peggy indo até o homem e pegando uma dose para si mesma, ela não conseguia pensar em uma vida sem Rogers, estava apaixonada, estava pronta para iniciar um envolvimento de verdade, porque a guerra tinha que levar o seu coração junto? -Steve se sacrificou por nós, fez tudo o que pode para vencer essa maldita guerra e não pudemos salva-lo, essa não é a imagem que eu quero deixar para os meus filhos Howard, essa não é a história que eu quero contar. – Peggy sentiu as lágrimas invadindo seus olhos, Howard pensou em consola-la, mas conhecia a amiga, sabia que ela não era uma mulher de se consolar, Peggy era forte, corajosa e dedicada, estava sofrendo pela perda de Hannah também, sua amiga de pouco tempo, mesmo assim, havia muito o quê ensinar a garota que desafiava um Stark.

—A guerra não é justa Peggy. Hannah veio para cá por minha culpa, como vou encarar a mãe dela e dizer que além de perder o marido também perdeu a filha? – Howard falou virando mais um copo de whisky de forma amargurada e Peggy finalmente entendeu o motivo dele não ter ido embora ainda. Não tinha coragem de encarar Anya, mãe de Hannah. –Eu sei que é duro Peggy, mas a guerra está chegando ao seu fim, estamos vencendo, os planos da HIDRA foram destruídos. – Disse o homem ficando de pé com um pouco de dificuldade. –A verdade é que vamos precisar encarar as perdas e seguir em frente. Eles não vão voltar.

—Eu sei disso Howard, é só que... meu coração não quer entender. – Peggy deixou uma lágrima escorrer pelo rosto, Howard foi até ela e abraçou com força a amiga, por mais que eles tivessem seus contratempos ainda sim eram muito unidos e aquele era um momento que exigia muito dessa união.

Nada podia ser mais dolorido do que aceitar que seu amor não iria retornar, que Steve havia se perdido para sempre e que jamais poderiam ter aquela dança que tanto desejavam, que ela iria levar em seus lábios o gosto de um beijo que poderia ter sido muito mais do que isso. Da mesma forma que Howard iria precisar encarar seus demônios e aceitar que Hannah havia sido mais uma vitima de Hitler. E aceitar em sua consciência que tudo o que aconteceu a ela foi por sua culpa e sua arrogância.

Setembro de 1949 – Sete anos depois...

A luz da manhã invadia o pequeno cômodo com sutileza, a casa era feita de madeira e parecia ter aroma de hortelã, talvez fosse pelo cheiro das ervas que viam da cozinha, a cama era macia mais não demais, apenas o suficiente para relaxar os músculos, também havia um colchão no chão, e roupas masculinas espalhadas por toda a parte, aquilo chamou a atenção da jovem que ficou preocupada.

Hannah sentia os ossos estralando como se tivesse ficado na mesma posição por muito tempo, estava usando uma grande camisa masculina de tom pastel, era um material grosso, algo que machucava um pouco sua pele delicada, não tinha nada por baixo, o que fez seu rosto corar com esse pensamento. Com dificuldade caminhou até o espelho e se assustou com o tamanho de seus cabelos, estavam passando da cintura, quanto tempo havia dormido? Que lugar era aquele? Será que algum aldeão local havia encontrado seu corpo inerte na neve e se apiedou? Bucky? Onde estava Bucky?

De repente todas as lembranças começaram a invadir sua mente, não era possível, ela havia sido baleada inúmeras vezes, devia ter morrido, tinha levado um tiro na cabeça, mais uma vez correu até o espelho para ver as marcas em seu corpo e para seu grande espanto. NADA, não havia nenhuma marca que mostrasse o que havia acontecido, aquilo não fazia sentido nenhum.

Hannah sentiu como se sua vida não fosse mais a mesma e quase perdeu o controle das suas emoções, o que fez sua atenção voltar para a realidade foi á presença de um homem do lado de fora cortando lenha. O homem era forte, jovem e bonito, talvez fosse apenas um pouco mais jovem que Howard, mas de fato, tinha um porte de alguém acostumado a viver nas montanhas, tinha uma barba mal feita bem discreta e usava uma camisa xadrez aberta, por cima de uma calça marrom de suspensórios.

Ela caminhou com cuidado até a porta de onde podia ver melhor o que havia do lado de fora, era uma grande floresta, a casa ficava muito isolada pelo que podia ver, ela pensou rápido, talvez estivesse ainda em cativeiro, talvez aqueles malditos soldados a tivesse levado de volta para as garras de Hitler, sem pensar muito ela começou a correr na direção contrária do homem que percebeu a sua fuga no mesmo instante.

O homem largou o machado no tronco no momento em que percebeu a jovem de pé, ele não podia deixar que ela encontrasse a estrada daquele jeito, isso iria trazer problemas para ele, então sem perder tempo correu na mesma direção até alcança-la com facilidade.

—Tire suas mãos de mim. – Gritou a jovem pegando uma pedra no chão e atirando contra o estranho que desviou se jogando sobre ela e derrubando-a com toda a força.

—Quero que se acalme. Não vou machucar você, não sou seu inimigo. – Disse o mesmo enquanto a jovem respirava de forma tão ofegante que ele podia sentir o coração dela batendo contra o seu.

—Se tentar qualquer coisa eu juro que te mato. – Disse Hannah com toda a firmeza que conseguiu encontrar em sua alma, não iria permitir que ninguém a machucasse novamente, mas precisava de respostas, a situação no momento era muito confusa.

—Não precisamos chegar a isso, eu não sou seu inimigo, já lhe disse isso, se eu quisesse te machucar já teria feito isso á muito tempo. – Disse o homem enquanto limpava as mãos na camisa, depois caminhou calmamente ate a mesma que sentia um pouco de medo ainda e preferia manter uma distancia segura, sua ultima experiência com homens não havia sido das melhores, mas Hannah era forte, ela não iria mostrar fraqueza ao estranho.

—Quem é você? – Disse a jovem olhando para o homem que a via de forma invasiva, ele a olhava muito curioso, como se buscasse por respostas. –Quem é você e porque está aqui? – Disse mais uma vez com firmeza encarando os olhos azuis a sua frente.

—Eu deveria perguntar isso primeiro. – Disse o homem esperando que a jovem dissesse alguma coisa, como Hannah parecia muito desconfiada, ele apenas a presenteou com um belo sorriso antes de responder sua pergunta. -Meu nome é Erik Magnus Lenhsherr, eu encontrei essa cabana quando consegui fugir do campo de concentração de Auschwitz. – Disse Erik cuspindo no chão. –Estava precisando de um lugar para ficar e acabei sendo presenteado com ela, acredito que seja sua. – Disse o homem e Hannah ficou ainda mais confusa. –Agora me diga, quem é você?

—Meu nome é Hannah Goldman Erskine, eu fui aprisionada pelos homens de Hitler liderados pelo Caveira Vermelha. Meus amigos foram me salvar, Steve Rogers e seu grupo de aliados, houve um acidente e fui encontrada pelos homens de Schmidt e... – Hannah não conseguiu falar, os flashs em sua memória eram horríveis demais, apenas abraçou com força o próprio corpo, apertando os olhos, tentando apagar aquela visão amarga e Erik percebeu que havia algo de muito errado e doloroso, ele também entendia o que era sofrer pelas mãos dos nazistas.

—Hannah. Posso chamá-la assim? Isso que está me contando aconteceu á sete anos atrás, quando encontrei essa cabana você já estava deitada naquela cama com marcas de balas pelo corpo, marcas que lentamente foram sumindo e sumindo até o momento em que eu percebi que não havia marca nenhuma, mesmo assim você não acordava, então pensei que talvez fosse por questões psicológicas, algum trauma, e esperei, afinal, eu não tinha nada melhor para fazer e era a primeira vez em muito tempo que eu encontrava alguém como eu. – Disse o homem com o sorriso charmoso novamente.

—Como você? O que quer dizer com isso? – Hannah ainda estava tentando entender a passagem de tempo, sete anos era muita coisa para passar dormindo.

—Você é uma mutante, tem dons especiais, acredito que o seu seja resistência ou cura, até mesmo imortalidade, ainda não tenho certeza, precisamos fazer um teste. – Erik parecia animado com aquela situação e Hannah ainda estava atordoada.

—Mutante? Testes? Senhor Lenhsherr, eu não sei do que está falando eu... – Mas naquele momento Erik ergueu sua mão na direção do machado e o mesmo veio voando até ele, parando na frente de Hannah e levitando por alguns segundos. A jovem desmaiou, mas antes de cair no chão Erik a pegou em seus braços, a menina estava fraca, iria precisar de uma boa alimentação, sete anos em coma não é uma coisa fácil de aceitar.

—Minha cara Hannah, vamos ter que ter uma longa conversa sobre quem somos e o que podemos fazer. – Erik falou lançando o machado novamente até o tronco e entrando com Hannah em seus braços. Depois de tantos anos em silencio ele finalmente iria ter uma companhia para conversar, e quem sabe, planejar sua vingança.

Notas finais
E agora? Como Erik vai lidar com a presença de Hannah em sua vida? Ele é um grande estrategista e já percebeu que pode trabalhar com isso, será que ele vai usa-la, assim como fez com Raven? Bucky realmente morreu? Será que algum dia Hannah vai tornar a ver o homem que morreu por ela? E se isso acontecesse, será que ele iria manter a promessa do passado? E ai gente, qual a opinião de vocês???????