Ströme der Seele

4 Preocupação


Notas iniciais
Ai vai mais um.... As partes em negrito referem-se a um flashback.

Decidiu seguir o caminho em direção ao leste. Tomou como referencia a posição do sol, levando em consideração a experiência que teve enquanto esteve na mata fechada. Olhou para o céu e percebeu a tempestade chegando. Teve que admitir, estava com medo, medo de morrer, mas sua indignação era ainda maior que esse temor. Isso o fez lembrar um de seus pensamentos antes de sair: “essas pessoas deveriam estar mortas”. Será que deveria voltar para mata-la? Se o fizesse, tornaria o mundo um lugar melhor? Poderia evitar situações como a ocorrida com seu clã?

Droga. O que estou pensando. Eu mal a conheço, como posso dizer que é uma pessoa que mereça morrer?

Logo chegou a entrada da mata densa novamente. Não poderia voltar atrás, sua decisão já foi tomada. Encorajando-se, adentrou a mata. Enquanto caminhava foi notando a mudança na temperatura, que começou a cair drasticamente. Ele precisaria se apressar, se a tempestade o pegasse no meio do caminho seria o seu fim. Teria que chegar ao pé da montanha antes disso. Começou a se movimentar o mais rápido que pôde. Quando se deu conta já estava correndo. Não percebeu quando um pedaço de terra se deslocou sob seus pés. Foi assim que se deu conta de sua situação. Estava na beira de um precipício. O pedaço de terra cedeu com seu peso, carregando-o pra baixo. Por instinto, virou seu corpo de costas enquanto caia em direção ao precipício e jogou uma de suas correntes em um galho preso na parede de terra. A corrente se prender no galho, deixando o jovem Kuruta pendurado.

Merda. Preciso achar um jeito de subir novamente.

Tentou segurar-se na parede do precipício a fim de escalar novamente ao topo, porém as pedras eram instáveis, não suportando o peso de seu corpo. Foi então que sentiu os primeiros flocos de neve em seu rosto. Havia começado a nevar.

A tempestade está começando. Preciso sair logo daqui.

Não havia outro meio, teria que se balançar. Como um pendulo, Kurapika se balançou de um lado para o outro a fim de pegar impulso e se jogar em direção ao topo. Seria uma manobra arriscada, só teria uma chance de conseguir. Caso falhasse, seria seu fim. Começou a ouvir um ranger forte, era o tronco que o sustentava que estava começando a ceder. Teria que ser agora. Pegando um último impulso saltou em direção ao topo. Novamente sentiu aquela sensação de fracasso, ele não conseguiria, não alcançaria o topo. Esticou-se ao limite para alcançar a borda da parede, porém falhou. Agora, começaria a cair...

Kurapika percebeu que seu corpo não estava caindo, assim como deveria. Ele estava parado. Olhou pra cima e só então viu uma mão segurando seu pulso. Maia o havia segurado. Ela teve que se debruçar bastante na beirada do precipício para conseguir alcança-lo. A terra na beirada onde ela estava apoiada estava quase cedendo. Se ela não puxasse eles de volta rapidamente os dois cairiam. Fazendo uma grande força, ela começou lentamente a puxá-los. Após alguns segundos de agonia os dois estavam seguros. Saito estava atrás dela observando todo o ocorrido.

O jovem Kuruta esperava que a garota lhe dissesse algo, porém não foi o que aconteceu. Ela apenas se levantou e começou a caminhar novamente em direção a floresta. Ele ficou parado por um momento observando a movimentação da garota, até que ela parou.

– Levante-se. Vamos embora.

Ele apenas se levantou e a seguiu. A tempestade começou a ficar mais forte, porém conseguiram chegar a tempo na cabana antes que ela se tornasse mortal.

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Ao entrarem na cabana, Kurapika fez menção em falar, porém se calou. O que ele deveria dizer? Ela lhe salvou a vida por duas vezes. Dessa vez fez ainda mais que isso, colocou-se em perigo para salvá-lo.

Então é esse o tipo de pessoa que merece morrer?

Seu pensamento fez ele se sentir um lixo. Talvez fosse ele o tipo de pessoa que deveria de fato morrer. Sentiu-se envergonhado e impotente. Sentia vontade de gritar, de chorar. Abaixou a cabeça e começou a tremer. Havia perdido o controle. Justo ele, que havia treinado tanto para se manter forte?

Droga, droga! O que eu faço, o que eu....

Seu pensamento foi interrompido bruscamente por um soco. Maia havia lhe dado um forte soco no rosto. O impacto foi forte, mas não o suficiente para derrubá-lo. Ele olhou para ela com espanto. Seu rosto como sempre se demonstrava impassível. A dor física de fato não havia sido muito grande, mas parece que o soco de Maia havia chegado mais fundo que isso. Sentiu-se tolo. Porém sua angústia havia diminuído, suas mãos já não tremiam mais.

– Obrigado.

Isso foi tudo o que ele conseguia falar no momento. Começou a caminhar em direção ao sofá. Sentou-se nele e assim ficou. Maia e Saito foram em direção ao quarto.

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Kurapika acordou apenas na manhã seguinte. Não havia notado quando pegou no sono sentado no sofá na noite passada. Por incrível que parece não teve pesadelos. Talvez o cansaço fosse tanto que até mesmo os pesadelos tenham tido preguiça de aparecer. Sentia-se estranhamente bem. Levantou-se e foi em direção a janela. Estava nevando fortemente. Seria improvável que Maia ou Saito tenham saído da cabana. Deveria procura-los? Decidiu que não. Foi em direção da cozinha a fim de preparar um chá. Abriu o armário e encontrou diversas ervas diferentes das quais ele não conhecia nenhuma. Após observar mais atentamente, localizou uma erva que ele havia visto no livro no quarto de Maia. Tentou recordar sobre o que havia lido sobre ela. Algo sobre cansaço e dores musculares. Bom, pelo menos sabia que ela não era venenosa. Resolveu utiliza-la. Ao fechar o armário, Maia estava parada na entrada da cozinha observando-o.

– Você sempre me assusta. Poderia me avisar das próximas vezes que se aproximar?

– Se não consegue perceber minha presença nunca poderá se tornar um bom Hunter.

Kurapika decidiu ignorar sua critica.

– Desculpe por mexer no seu armário. Gostaria de fazer um chá. Posso usar uma de suas ervas?

– Você sabe para que servem?

– Não conheço nenhuma delas, mas me lembro de ver essa daqui em um dos seus livros – mostrando o frasco para garota.

– Pode utiliza-la, não lhe fará mal. Porém coloque o equivalente a uma colher de café, essa erva é muito forte e se consumir em grande quantidade poderá morrer.

– Entendi. Você entende bastante sobre isso, não é?

– Sim. – limitou-se a responder.

Kurapika continuou encarando a garota por mais alguns segundos. Ela realmente o intrigava. Sentiu uma enorme vontade de conhecê-la melhor.

– Por um momento, pensei em te matar. – declarou o jovem Kuruta.

Pela primeira vez a garota pareceu se espantar. Ela começou a andar e direção a ele, parando a menos de um metro. Durante o percurso não tirou os olhos dos seus.

– E por que não o fez?

Outra surpresa. Na verdade não havia pensando sobre isso.

– Percebi que não tinha o direito de julgá-la, muito menos de decidir sobre sua vida.

– Bom, parece que agora você está sendo sincero. Por favor, termine o chá.

Dizendo isso se virou novamente e saiu da cozinha. Kurapika não pode evitar deixar sair um pequeno sorriso de seus lábios.

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26/03 – Mansão Nostrade

Senritsu estava preocupada. Já havia passado quase 20 dias desde que Kurapika saiu em direção a floresta de Kobi.

Flashback – 07/03 a noite — Mansão Nostrade

Kurapika havia saído do escritório do sr. Nostrade carregando um semblante pesado. Ao que parecia a conversa havia sido desgastante. Senritsu aproximou-se vagarosamente do rapaz.

– As batidos do seu coração estão pesadas, não muito rápidas e nem muito lentas. Você parece estar aborrecido e cansado. O que houve lá dentro?

– Vamos lá fora um instante, assim poderemos conversar melhor.

Ambos se dirigiram até o jardim da mansão Nostrade. Era uma propriedade enorme. O jardim da frete possuía uma espécie de labirinto pequeno, sendo que, bem a frente se sua entrada, havia uma fonte. Ao redor dele havia uma grande floresta de pinheiros, todos simetricamente enfileirados. Muitas esculturas eram vistas nos arbustos. Os dois se dirigiram até uma parte na lateral na casa, sentando em um banquinho feito de cimento.

– Lembra-se do último exorcista que esteve aqui. Um tal de Thentor?

– Sim, me lembro. O que tem ele?

– Bom, ele resolveu contar uma historia sobre um tal especialista em Nen. Disse que se tratava de uma lenda e não tinha certeza quanto aos fatos da historia que estava prestes a contar. Resumindo, ele conseguiu convencer Nostrade sobre a existência e localização desse tal sujeito e agora Nostrade quer que eu vá procura-lo.

– Entendo. E você está irritado pois acha que isso é perda de tempo, estou certa?

– Sim. Além do mais, preciso me concentrar em outras coisas mais importantes. Essa missão só servirá para me atrasar.

– Mas em compensação, ganhará ainda mais a confiança do chefe.

– Sim, eu sei.

Houve um longo silencio antes de Senritsu se pronunciar novamente.

– Me diga, qual é exatamente esse local onde esse suposto exorcista estaria?

– Floresta de Kobi.

– O que? Dizem que essa floresta é extremamente perigosa! Ele não pode exigir que vá até lá!

Senritsu levantou-se rapidamente do banco enquanto falava e olhou diretamente para ele. Kurapika pôde ver sua expressão de preocupação e agradeceu por isso.

– Eu agradeço sua preocupação, mas ficarei bem. Darei uma volta nessa floresta e assim que constatar que não há ninguém no local, voltarei e darei meu relatório a Nostrade.

– Mesmo assim Kurapika. É muito perigoso. Você não invencível, tem que parar de acreditar que pode enfrentar a tudo e a todos!

A fala de Senritsu o espantou. Então era assim que ela o enxergava? Como alguém que se achava invencível? Ele se sentiu irritado com a declaração da amiga.

– Senritsu, sou forte o suficiente para aguentar isso, não diga coisas que você não sabe. – disse o garoto olhando-a de maneira severa.

Senritsu se contraiu diante da frase do jovem Kuruta. Era sempre assim. Kurapika sempre acreditava ser forte o suficiente para aguentar qualquer situação, mas aos olhos de Senritsu, era apenas um garoto perdido tentando encontrar seu caminho, nem sempre da maneira correta. Ela decidiu, desde que o conheceu, que o apoiaria e tentaria, se possível, orientá-lo. Sentia que tinha esse dever. Ele já havia sofrido muito e decidiu carregar uma grande cruz, e ela, consciente desse fato, estava disposta a fazer de tudo para aliviar esse peso que ele carregava tão arduamente.

– Desculpe-me, não queria me intrometer, eu estava apenas preocupada com você.

Kurapika se arrependeu da maneira como á havia tratado. Desde que começara esse trabalho, Senritsu havia sido sua maior companheira.

– Sinto muito, não queria ser rude com você. Não se preocupe, serei cauteloso. Assim que chegar em Faleq darei noticias e assim que voltar da floresta entrarei em contato também. Prometo não demorar.

Kurapika lhe deu um sorriso sincero assim que terminou de falar, isso acalmou um pouco a aflição de Senritsu. Permaneceram mais um tempo no jardim observando as estrelas e conversando. Logo em seguida entraram e se dirigiram a seus dormitórios.

Fim do Flashback

Decidida, pegou o telefone e discou um número. Do outro lado pôde ouvir a voz de um homem atendendo ao telefone

– Alô? – perguntou o rapaz

– Leorio?

– Sim é ele. Quem ta falando?

– É a Senritsu. Tudo bom?

– Ah oi Senritsu, quanto tempo! Estou bem. E você? Como está Kurapika?

– Estou bem. É sobre ele mesmo que eu estou querendo falar.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não sei ao certo mas estou preocupada. É um assunto um pouco sério para falarmos por telefone. Será que poderíamos no encontrar?

– Claro. Devo avisar ao Gon e ao Killua sobre isso? Acho que se é sério eles devem ter o direito de saber, não é?

– Sim, suponho que sim.

– Ok. Entrarei em contato com eles e depois retornarei.

– Certo. Estarei esperando.

Ambos desligaram o telefone. Senritsu pensou se o que estava fazendo era o certo. Bom, não tinha mais como voltar atrás. Ela realmente estava com uma estranha sensação em relação à Kurapika.

Notas finais
Espero que estejam gostando. Obrigada a todos que estão acompanhando.