Ströme der Seele
19 Condições são condições
Notas iniciais
05/04 — Próximo ao topo da Montanha Huggia
– Espera, deixa eu ver se entendi. Todo esse tempo você sabia que existia alguém capaz de resolver meu problema mas preferiu não dizer nada, é isso? – disse Kurapika zangado
Maia e Kurapika não haviam trocado nenhuma palavra desde o pronunciamento da garota de que poderia conhecer alguém capaz de recuperar os poderes de Neon. Assim que ela fez sua declaração, o jovem Kuruta ficou mudo. Não pela surpresa em relação ao fato, mas por saber que Maia havia escondido essa informação dele o tempo todo. Em silêncio, caminharam de volta pelo mesmo caminho que utilizaram para chegar até a tribo da garota.
– Exato – ela se limitou a responder.
– Por quê? – indagou o garoto agora voltando sua cabeça em direção a ela.
– É sério que está me perguntando? Pensei que fosse mais esperto que isso. – respondeu ela.
Kurapika se calou. Esteve pensando sobre os motivos da garota ao ocultar essa informação desde que ela revelou seu segredo. Ele tentou se colocar no lugar dela e dessa forma elaborou algumas hipóteses. De fato, ela não devia nada a ele, afinal eles mal se conheciam, ou seja, ele não passava de um estranho para ela. Uma vez que eles mal se conheciam, a confiança entre eles ainda não havia sido construída, e quem sabe que relação ela possuía com essa tal pessoa. Ao revelar isso para um completo estranho ela poderia estar colocando-a em perigo. Analisando por esse ponto de vista, a garota estava em seu total direito de preservar essa informação. Porém, mesmo sendo uma ação justificável, o jovem Kuruta se sentia zangado. Não sabia ao certo dizer o porquê, mas sentia-se como se tivesse sido traído.
– Eu entendo, mas mesmo assim, você poderia ter me dito isso antes. Quando a tempestade parou e eu estava partindo, você não me disse nada, dessa forma eu entendo que você não planejava contar nada pra mim afinal – concluiu ele.
– Sim, eu não ia te dizer nada. – respondeu ela
– Por quê?
– De novo com isso? Diga-me, o que eu ganharia te dizendo? Você só ia estender mais sua estadia aqui e ficaria me atormentando mais do que você já fez. – respondeu ela simplesmente.
– Sinto muito se te atormentei – retrucou ele secamente – Você também não foi das melhores anfitriãs, se quer saber.
–Gostaria que eu tivesse te deixado morrer?
– Tsc. Eu realmente adoro nossas conversas...sempre chegamos em um consenso. – disse ele sarcástico
– Concordo – respondeu ela olhando para frente.
Ambos continuaram caminhando lado a lado. Kurapika ainda estava irritado, mas pouco a pouco esse sentimento foi se amenizando. Ele então começou a pensar sobre o caminho que estavam tomando. Ele não sabia se ela estava voltando para cabana, se estava indo a outro lugar na montanha ou se simplesmente estava partindo. Ele fez menção em perguntar, mas preferiu permanecer calado em relação ao seu destino final e resolveu finalmente perguntar sobre essa tal pessoa mencionada pela garota.
– Você vai contatar essa pessoa então? – perguntou ele cautelosamente
– Não – respondeu ela
– Ahn? Sério, você está querendo me irritar, não é? – exclamou ele incrédulo
– Não vou falar com ela até avaliar eu mesma a situação – respondeu ela calmamente.
–Avaliar a situação? Então você quer que eu te leve para vê-la e assim você decide se fala com a pessoa ou não? – perguntou ele
– Exato.
– As coisas não funcionam assim Maia. – censurou ele
– O interesse é todo de vocês. Eu tenho minhas regras e se digo que é assim que deve ser, assim será. Se não concordarem, por mim tudo bem. – declarou ela
– Sua palavra é realmente incontestável, não é? Realmente, é difícil lidar com uma pessoa assim – reclamou ele zangado.
– Está zangado pois perdeu o controle? Aposto que normalmente, no seu meio social, é você quem deve agir assim, estou certa? – disse ela séria, porém com tom provocador.
– Vai começar seu jogo de poder novamente, rainha do gelo? – retrucou o garoto já sem paciência
– Rainha do gelo? Não sabia que tinha tanto senso de humor assim. De qualquer forma, você deveria aprender a controlar melhor sua raiva. Um dia isso pode te matar – disse ela normalmente.
– Não me venha com lição de moral – respondeu Kurapika secamente.
– Que seja. Bom, essa é minha condição. – disse ela dando um ponto final a questão.
– E quais são os critérios? O que pretende avaliar? Sabe que meu empregador está disposto a pagar, sendo assim, ele também irá impor certas regras, pois estará adquirindo um serviço. – disse ele já se acalmando
– O que irei julgar não está em questão aqui. Além de avaliar a situação, tenho também meus interesses e pretendo descobrir se seu empregador terá condições de supri-los. – concluiu ela
– Desde quando você é interesseira? – cutucou-a
– Desde quando você sabe o que eu quero para afirmar tal coisa? – rebateu ela
– Realmente, podemos ficar nisso pra sempre, você sabe? – disse ele em certo tom de diversão
– Pela primeira vez no dia tenho que concordar com você – suspirou a garota.
O silencio se instaurou novamente. Kurapika estava mais tranqüilo, afinal nada que dissesse iria mudar a situação. Resolveu que entraria em contato com o Sr. Nostrade, repassaria as condições da garota à ele e perguntaria quais seriam suas ordens. Do jeito que ele estava desesperado, provavelmente aceitaria, porém não antes de perguntar sobre a capacidade da garota. Se isso acontecesse, Kurapika teria que revelar não conhecer nada sobre ela ou suas capacidades. De qualquer forma a decisão final não seria dele.
Enquanto refletia sobre a questão, Maia parou de andar. O jovem Kuruta imitou a garota e esperou que ela se pronunciasse. Como ela não o fez, resolveu perguntar:
– O que houve?
–Tem mais alguém aqui – respondeu ela seriamente.
– Onde? – perguntou o garoto preocupado
– Não está tão perto da gente, mas está na floresta
– Como sabe disso? – perguntou curioso
– Pela quantidade de esquilos-da-neve que passaram por aqui. Quando pessoas entram na parte sul da floresta, os esquilos-da-neve tendem a migrar para o norte a fim de fugir do perigo de serem caçados. – explicou ela
– Em outras condições eles não migrariam para norte, certo? – concluiu ele
– Exato.
Kurapika ficou pensativo. Assim que chegou na tribo Ubuh, ao pé da montanha, os aldeões se espantaram com sua presença, pois afirmaram que já fazia muito tempo desde que um Hunter ou qualquer outra pessoa havia aparecido com intuito de subir a montanha. Seria coincidência aparecer alguém bem na mesma época que ele interessado em se aventurar pela floresta de Kobi? Ou será que...
– Maia – chamou por ela
– O que foi?
– Podemos ir até onde essa pessoa está? – perguntou ele
– Por que quer ir até lá?
– Tenho motivos pra acreditar que a pessoa que entrou na floresta possa ter alguma relação comigo – explicou ele
– Por que pensa isso?
– Por que conheço meus amigos.
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