Strokes
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Notas iniciais
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Leitoras de Strokes que também leem Sinal Positivo. Em breve vou atualizá-la. Como postei dois capítulos de Strokes num prazo de tempo relativamente curto, agora vou focar em SP, que já está nas retas finais.
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Este capítulo é tenso. Vocês não vão chorar nem rir lendo, talvez fiquem com essa carinha ('-'), pois o que vai ser revelado aqui explica a reação assustadora da Sakura no capítulo anterior e sua personalidade tão 'agressiva' ao longo da fanfic. Um flash back embutido do enredo. Espero que entendam esse capítulo!
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Agradeço à Anne Frank pela recomendação fofíssima que deixo em "A Hóspede" e à Yue Chan, autora da MA-RA-VI-LHO-SA fanfic "Inconscebível" que também deixou uma linda recomendação na one-shot "Acostumado".
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Um agradecimento especial à minha autora favorita, grande amiga e conselheira Taís (Vigaristas) que me presenteou com uma recomendação muito direta sobre "Um Lugar Sem Esperança", uma short-fic estilo "Skins".
Você sabe que eu te amo né Vigarista?! Beijo Taís!
Boa leitura!
A sensação de estar sendo carregado dentro de uma cobra não era das melhores até mesmo para Sasuke que utilizara do recurso algumas vezes. Úmido, abafado e escuro, movendo-se lentamente em zigue-zague. Naruto já estava enjoado. E o cheiro? Animais sendo digeridos há alguns metros ao fundo do tubo reptiliano e flexível.
-Quase lá, Mestre… -A todo momento o animal informava, senão a distância, a situação do lado de fora. A tempestade de areia já estava cessando.
-Há alguém nas proximidades? –Sasuke perguntou.
-Sim… Muito próximo ao destino.
“Guardas”, Sasuke pensou. “É melhor dispensarmos o Manda antes de chegarmos a entrada de Suna, do contrário seremos atacados”.
-Ela já acordou? –Referiu-se a garota nos braços de Naruto, completamente desmaiada. O loiro negou com a cabeça, embora Sasuke não conseguisse enxergá-lo.
-Está febril… -Comentou tocando o rosto da menina. O selo Yin brilhava no breu.
-Normal. Ela usou muito chakra.
-Será que ela vai ficar bem? –Sasuke não respondeu. Tentou enxergar o rosto do Naruto naquela escuridão toda, ele estava com dor. Embora Sasuke também estivesse, sabia que não iria apoiar todo o peso de Sakura nas costelas como Naruto estava fazendo com o seu braço quebrado.
-Não quer que eu a leve um pouco?
-Está bem, já estamos chegando. –Mas sua voz o entregava. Ele estava com dor. Devia estar com Sakura toda suspensa em seu colo, sem contado com a carne do Manda. A menina desmaiada deveria pesar o dobro do normal.
-Gostaria de saber o que deu nela. –Comentou.
-Eu também… -Disse triste. –Nunca a vi daquele jeito.
-Talvez ficou assustada.
-Acho que não. –Disse afagando os cabelo rosas. –Ela é durona, você sabe. Não se intimida com homem.
-Sem esse negócio –Indicou o losângulo que brilhava no escuro –ela já teria morrido. –Disse. –Eram muitos para ela.
-Não sei… Acho que ela encontraria outros meios.
-Demoramos muito para chegar.
-Fomos impedidos.
-Eu sei. –No fim eles só queriam admitir que se sentiam culpados, mas não sabiam em quem atribuir o fardo, estavam juntos então a culpa é dos dois. Eram um time, mesmo que provisório, deveriam cuidar de Sakura assim como ela cuida deles. –Manda. –Chamou. –Pode nos deixar aqui.
-Como quiser, Mestre… -E o réptil abriu a mandíbula dando espaço para os jovens sairem. Quando o trio já estava em terra firme, Manda desapareceu em uma fumaça. Eram apenas os dois garotos com uma moça nos braços no deserto a alguns metros da vila. Já era possível observar no horizonte as construções em formato de casco feitas de argila e barro.
-Vamos. –Sem hesitar Sasuke recolocou Sakura sobre seu ombro de saiu caminhando, dando um descanso para Naruto. Foi como transferir a dor de um para o outro, pois logo no primeiro passo, Sasuke sentiu a dor na costela.
Seguiram em frente, embaixo do sol, fedendo a intestino de cobra, exaustos, famintos. Já devia ser meio-dia. Segundo dia de missão e ainda não sabiam que missão era essa. Sakura estava recobrando a consciência, mas não conseguia abrir os olhos, a luz era muito forte e ainda estava muito fraca. Tentou falar, mesmo sabendo que não tinha voz, porém se tivesse continuaria muda, a sua boca parecia ter sido seca com uma toalha. A fadiga, o calor, tudo a estimulava a adormecer novamente, mesmo que algo dissesse para que ela lutasse contra a vertigem. Estava num fraco galope, sendo carregava, mas por quem? Teria sido raptada? Não sabia. Esse pensamento só a instigou mais a fechar de vez os olhos e esperar pelo pior.
Em frente a entrada, foram bem recepcionados. Uma fileira de cerca de vinte guardas se postaram a frente do trio. Não estavam nem um pouco apresentáveis. Naruto suspirou em alívio, Sasuke enrijeceu a postura.
-Identificações. –Sasuke fez sinal para Naruto pegar em seu bolso as três. Entregou para um dos homens que analisou cada uma minuciosamente, conferindo duas ou três vezes a foto do documento e os rostos a sua frente. Pediu até para Sasuke virar-se para que pudesse ver o rosto de Sakura, apesar do cabelo incomum já entregar sua identidade. –Certinho. –Devolveu-os a Naruto. –Vistos. –Estendeu a mão. –Sasuke e Naruto se entreolharam. Não tinham vistos, só uma carta da godaime falando da missão e foi isso que entregaram Esqueceram-se completamente dos vistos. –Que isto?
-Uma carta da Godaime Hokage. –Naruto respondeu. –Estamos em missão.
-Aqui não especifica nada.
-Exatamente. Mas tem nosso destino que é aqui… -Indicou com o dedo no papel pardo. Precisamos falar com o Garra, ops! Digo, com o Kazekage-sama. –Sasuke revirou os olhos.
-Lamento, não será possível. –E é ativada automaticamente a quebra de paciência de Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto.
-E por que não? –O moreno perguntou.
-Não estão com vistos.
-Mas temos ordens diretas da Hokage aí.
-Mas aqui não tem nenhum visto.
-Tá de brincadeira… -Sasuke olhou para os lados tentando achar motivos para não quebrar a cara do homem na sua frente.
-Senhor guarda, a hokage provavelmente cometeu o erro de esquecer de enviar os nossos vistos e nós cometemos o erro de repararmos nisto só agora, mas a carta é clara e só precisamos falar com o kazekage e vamos embora!
-Não tenho permissão para deixar ninguém entrar sem o visto.
-Mas que porra! –Naruto explodiu e no mesmo instante os restante dos guardas fizeram um arco em torno deles.
-Sugiro que voltem para sua vila e retorne com vistos. –Sasuke tentava meditar enquanto Naruto apaziguava. –Fomos atacados na divisa do País do Rio, estamos ferido, a Sakura precisa de socorro rápido, será que tem como nos deixar entrar?!
-Claro!
-Muito obrigada!
-Quando tiverem os três vistos. –Sorriu.
-VÁ SE FO…
-Chamem o kazekage. –Sasuke disse rapidamente tapando a boca do Naruto. Sakura já estava incomodando seu ombro. A dor crescia, a paciência diminuía e se aquela ladainha continuasse por mais um minutos e não saberia o que fazer.
Os homens riram. –Você acha que é assim, chame o kazekage que ele vem nos ajudar? –Riam e zombavam, pareciam porcos de tão vermelhos e suados. –É melhor darem meia volta antes que eu perca a paciência. –Sasuke aproximou-se perigosamente do homem, alguns centímetros mais baixo do que ele, imediatamente sendo alvejado por uma dúzia de lanças, ainda assim sem mover um músculo para recuar. Com Sakura no colo, ameaçou.
-É melhor você dar dois passos para trás e nos deixar passar porque eu já perdi a minha paciência.
-Isso é uma ameaça?
-Caso não faça o que eu mandei pode vir a ser um fato… -Disse. –Enquanto é ameaça você ainda está seguro.
-Afaste-se do… -Naruto assentiu para o outro guarda calar a boca. Naruto conhecia as normas gerais que todas as vilas das Cinco Grandes Nações tinham em relação a “convidados” mal-encarados. Os guardas só poderiam atacar caso eles os atacassem. Estava torcendo para Sasuke não perder a cabeça de uma vez, porque se fosse ele, já tinha dado um belo soco nas fuças do homem cheio de si que comandava o restante do bando.
-Ora, que surpresa! –“Finalmente!”, Naruto pensou ao ouvir a voz conhecida. –O Trio das Maravilhas está de volta! –Os guardas abriram espaço para ele passar, todo malandro, indo em direção ao Naruto com um sorriso maior do que cabia no rosto. –Como Temari costuma dizer, você continua sendo o mesmo camarãozinho…
-Nunca entendi esse apelido! –Apertou a mão do amigo.
Temari o chamava de camarão porque o animal possui o intestino na cabeça. Sendo assim, já dá para imaginar o porquê de Naruto ter a alcunha.
Sasuke não girou um milímetro dos olhos para ver quem era o sujeito simpático, não desviou a atenção do homem a sua frente um minuto sequer.
-E aí, como vai ser? –Indagou chamando a atenção de Kankuro que saía da vila em busca de uma árvore cuja madeira é mais maleável para fazer marionetes. –Irá nos deixar passar? –O shinobi olhou para Kankuro e este assentiu.
-São grandes amigos meus e do kazegake. Deixe-os entrar e lhes dê toda a hospitalidade que precisarem. –Sorriu para Naruto que lhe retribuiu.
-Obrigada, Kankuro. –Apoiou a mão no ombro do garoto, sentindo a fortíssima fisgada de dor vinda de seu próprio ombro quebrado.
-Você está bem? –Perguntou.
-Meu braço. Acho que deslocou. Precisamos de atendimento para a Sakura. –A indicou nos braços do Sasuke. –Ela abusou do chakra.
-De onde vieram? –Perguntou com curiosidade, notando as vestes sujas e as feições cansadas dos três.
-País do Rio.
-Mas o que houve?
-Sobre isso que viemos conversar. Nem a gente sabe.
-Ah, sim. Teve sorte de ter chegado hoje, Gaara viaja amanhã à noite. Creio que terão tempo de colocar tudo a limpo.
-Assim espero.
-Kankuro-san, eles não têm vistos.
-Eles salvaram o mundo, não precisam de vistos. –Sorriu mais uma vez para Naruto. –Tem minhas ordens para hospedá-los bem. –Os guardas assentiram. –Bom, é melhor correrem para um hospital, ela não parece bem. –Comentou olhando de relance o rosto de Sakura cobertos por fios de cabelo, evitando demorar-se muito, o olhar do Uchiha não era nenhum pouco agradável, parecia um bicho segurando sua cria. –Vou sair da vila por uns dias, mas sejam bem-vindos! Qualquer coisa, só bater na porta do meu irmão! Até mais, Naruto! Foi um prazer revê-lo.
-Obrigado. Toma cuidado. –Kankuro virou-se para Sasuke e fez um aceno com a cabeça, por respeito. Sasuke não se deu ao trabalho nem de responder, continuou apertando o corpo de Sakura, com medo de que ela pudesse cair ou que alguém a tirasse do colo dele.
Podiam ser amigos do Naruto, mas não eram amigos dele, portanto, não era, confiáveis.
Os guardas abriram caminhos e os dois adentraram a vila, passando pela anorme fenda da grandiosa parede de pedra que delineava os limites de Suna. A beleza da vila era inegável, mas não tinham tempo para reparar nessas coisas. Sakura estava febril, Sasuke sentia a pele dela ardendo em brasas. Precisavam de socorro.
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O grande erro de Tsunade foi usar sua assistente exatamente como uma assistente deveria ser usada.
“Organize minhas gavetas. Está uma zona! Não consigo encontrar nada!”
Quanta confiança… Como se arrependia… A preguiça a havia colocado em maus lençóis.
-Pode me dizer o que é isto? –Assim que deu o ar da graça dentro de sua sala, limpa e organizada, foi surpreendida por uma Shizune ansiosa. Tsunade espremeu os olhos, aquela distância não era fácil de identificar o papel. Parecia ser comum dentre tantos outros iguais nas pastas e fichários. Deu os ombros. –Pois aqui fala de um acordo entre você e o Raikage.
-Sim. O quê que tem?
-Vendeu pergaminhos exclusivos de Konoha. –Disse. –Isso é ilegal!
-Tsc! –Estalou a língua indo em direção à Shizune. –Me dá isso aqui! –Estendeu a mão para pegar o papel, mas Shizune negou-se em entregá-los. –Shizune…
-E tem mais! –Anunciou indignada. –Ordens para libertar o prisioneiros da Ilha Kamui; relatórios de missões muito estranhas e o pior! –Pegou uma pasta contendo folhas amareladas, manchadas, meio amassadas, mas legíveis. Tsunade tomou da mão da assistente.
“Sakura Haruno”, dizia. Dados, endereço, informações complementares, diagnóstico, tratamento, receitas, observações, assinaturas, datas… O coração da godaime deu um pequeno salto, um arrepio na nuca, o medo de erguer os olhos em direção a mulher na sua frente.
-Ela pediu-me sigilo. –Isso foi tudo que disse ao jogar a pasta dentro da gaveta da qual nunca deveria ter saído e se sentar em sua enorme cadeira.
-Sigilo? Você tem noção da gravidade disto? –Os olhos já marejavam. Há quanto tempo aqueles olhos não choravam? –Tsunade, isso que aconteceu com…
-Shizune, olha aqui. –Agora ela não ia acumular paciência para não magoar Shizune. Foi um erro tê-la pedido para arrumar suas coisas, uma brecha deixar papéis tão importantes disponíveis para qualquer um ler, mas isso não significava que ela ouviria sermões por coisas que mais ninguém deveria saber. Ela escondeu exatamente para evitar isso, pois tinha consciência de que não era o certo nem a solução, mas fazia porque seus planos eram outros, iam além do certo e do errado. –Não pense que nossa amizade lhe dá o direito de interferir nos meus negócios.
-Não estou interferindo nos seus negócios, Tsunade-sama, estou preocupada com a minha menina!
-Sakura não é mais sua menina! –Vociferou. –Conforme-se!
-Claro que não é mais! Como eu poderia saber se nunca houvesse lido isto?! –A essa altura já chorava. –Isso que você escondeu de mim… não tem cabimento!
-Já disse que foi um pedido dela!
-Tsunade!
-Basta! –Gritou. –Pode se retirar, tenho que…
-E esses prisioneiros? Para onde os mandou?
-Shizune, saia!
-Você está realmente ateando o Sasuke! Os ataques inusitados das missões, são esses caras, não são? Pode dizer! Está usando esses caras para brincar com o Sasuke. Ele realmente tem razão sobre seus segundos interesses… -Disse mais calma.
-Se não sair agora, eu esqueço amizade, respeito e tudo mais. Te jogo para fora na marra.
-Não será necessário. –Disse pegando sua bolsa e saindo, batendo a porta atrás de si.
Os papéis que Shizune havia encontrado eram de um pouco mais de dois anos atrás, uma espécie de boletim de ocorrência completo e sobre o ocorrido.
País do Chá, novembro, uma missão amistosa, a princípio simples. Permanecer por uma semana auxiliando no hospital local vítimas de um alagamento. Muitos moradores contraíram um vírus que apenas Tsunade, Shizune e Sakura, em todo o mundo, sabiam a combater. Enfraquecê-los até ser impossível fazer mal ao organismo de seus hospedeiros.
Uma missão amistosa, a princípio simples.
No quarto dia passou a ser uma missão hostil.
Ao soar o sinal do horário de almoço da Equipe A de enfermeiros, todos do grupo saíam das tendas (locais improvisados para o atendimento dos pacientes, já que o hospital estava com sua lotação máxima) para o centro da vila comer algo. Uma hora de intervalo. Nesse meio tempo, a Equipe Auxiliar ficava de plantão, em um número reduzido e geralmente com pupilos de enfermeiros.
Naquele dia Sakura decidiu não ir almoçar com seus colegas. Sentia-se uma estranha no meio deles, uma intrusa. Apesar dos agradecimentos e paparicos, ela sabia, sentia que não estava sendo bem-vinda, afinal, aquele era um problema regional, por que uma Kunoichi do País do Fogo deveria intervir, ainda mais como líder de todas as quatorze tendas emergenciais? A maioria dos enfermeiros eram mais velhos do que ela e tinham que obedecer suas ordens. Não entendiam que aquela não fora uma escolha da rosada, havia sido um trabalho imposto pela kage do País do Fogo e pelo Senhor Feudal do País do Chá.
Eles mandavam, ela obedecia.
Entretanto, este não foi seu maior problema. Decidir ficar sozinha não fora uma escolha inteligente. A Equipe Auxiliar chegaria em vinte minutos. Em vinte minutos muita coisa pode acontecer.
Aconteceu.
Nem ela sabe, até hoje, como tudo ocorreu. Um menino gritou por socorro, um homem estava morrendo na floresta, a criança em desespero. Ela não pensou duas vezes antes de sair em disparada atrás do garotinho que a guiava bosque adentro.
Criança energúmena… Era um belo ator. Até lágrimas utilizou para enganá-la.
Chegando ao local onde um homem estava deitado, ela logo estranhou a falta da tal poça enorme de sangue que o menino havia descrito. Antes de se pronunciar, foi surpreendida com a guarda baixa, atingida por um dardo no pescoço. Ela o tirou, esticando a pele, notou que continha droga. Lentamente, começando a ficar tonta, levantou o olhar para o garotinho. Ele não chorava, sorria como um sádico. Embora sua visão estivesse turva, ela conseguiu visualizar cerca de meia dúzia de homem descendo das copas das árvores. Diziam coisas obsenas.
Sakura tentou dar um passo para trás, mas caiu, não entendia o que estava acontecendo, o efeito da droga estava agindo muito rápido. Apoiou a mão do bolso em busca de um antídoto ou qualquer coisa que pudesse tomar, mas havia deixado tudo na tenda quando saiu apressada. Não sabia se ela estava lenta ou se as pessoas estavam se movendo devagar. Quando tentou falar, sua boca não se mexeu. Logo o corpo tombou, dormente, a visão tornou-se um borrão.
Sentiu de repente o vento bater em suas coxas, depois na panturrilha e sentiu os pés descalços. Estavam a despindo. Depois o tronco, dedos gelados, algo forte batendo contra seus braços e pernas. Queria falar para pararem, queria saber o que estava acontecendo, mas tudo estava devagar e ela só conseguia enxergar vultos.
Quando sentiu uma dor incômoda na região da pélvis, acreditou no que estava acontecendo. Tentou mexer-se se debater, socar a cara daqueles infelizes, gritar por socorro, corre, fazer qualquer coisa, mas a droga tirou todo o controle que ela tinha pelo seu corpo. Era a pior droga que existia.
Ela sentia as mãos asquerosas, os membros, as violências contra seu corpo e sua intimidade, mas não conseguia ter reação. A visão era perturbadora, a audição lhe reproduzia ecos de risadas e grunhidos de porcos.
A risada mais aguda sabia que era da criança. Até a criança participara da imundice. Quantos anos o garoto teria? Dez?
Por que a merda da droga a apagava de uma vez? Por que seu coração não parava de bater? Por que eles não a matavam? Ela não acreditava no que estava acontecendo. Sua virtude estava sendo tirada desta forma… Como aquilo porderia ser verdade? Não podia ser verdade. Ela devia estar em um pesadelo. Devia ter cochilado no plantão, em alguma maca, logo acordaria e tomaria algo para distrair as lembranças do sonho ruim…
Como desejava que fosse um sonho ruim…
“Me mate”, ela tentava sussurrar. Os lábios, com grande esforço, conseguiam sibilar, mas a voz não se fazia presente.
“Me mate”, suplicava.
Quando a encontraram, o efeito da droga ainda corria nas artérias da garota. Os enfermeiros não souberam o que fazer. Contataram diretamente o Senhor Feudal, que acionou a Central de Konoha fazendo com que Tsunade se deslocasse até o País do Chá para lidar com o caso pessoalmente.
Por questões burocráticas, o ocorrido foi segredado, por pedido de Tsunade e do próprio Senhor Feudal. Poucos sabiam, mas desde aquele dia, Konoha não possuía mais nenhuma ligação com o País do Chá, que acumulava uma dívida absurda pelo incidente ocorrido com a jovem médica de Konoha.
Por Sakura não se lembrar dos rostos dos agressores, as buscas pelos responsáveis pelo crime ainda eram vãs, mas Tsunade não se cansava de procurá-los e ameaçava o País do Chá, secretamente, caso não encontrassem os infelizes no prazo determinado.
Tsunade daria sentença de morte para todos. Inclusive para a criança.
A Sannin que cuidara da pupila, dos ferimentos do abuso; das prevenções contra diversos tipos de doenças e imprevistos como gravidez; da carga psicológica que ela adquiriu e principalmente do sigilo absoluto sobre aquilo. Este último foi seguido com tanto esmero que nem Shizune, fiel companheira de Tsunade, sabia do ocorrido.
O tempo passava e Sakura se esforçava ao máximo para manter a pose que sempre estivera para evitar possíveis indagações. Ela conseguia disfarçar a dor para quem não estava habituado com a áurea meiga e inocente que ela tinha, mas para os próximos era notável a mudança. Classificaram como amadurecimento, outros com ego inflado, já que ela conseguira um posto importante do hospital da vila logo após o acidente, mas Tsunade sabia que a seriedade que ela adquiriu foi pelo medo que passou, precaução, desconfiança, rancor, vergonha, tristeza e sentimento de fraqueza.
Ela não confiava em ninguém. Ela se odiava. Tinha nojo do seu corpo. Tinha vergonha de olhar para os pais. Logo depois os Haruno faleceram. Tsunade achou que fosse o fim, mas Sakura conseguiu novamente se reerguer e adquiriu um olhar distinto, perspicaz demais, para não dizer perigoso. Com o tempo podiam perceber que a Sakura estava superando tudo numa boa, guardando seus rancores no seu íntimo e concentrando-se no seu trabalho, que segundo a mesma, era sua terapia, sua razão de vida.
Sakura não enganava Tsunade.
Aquele olhar, aquele seu sorriso, o sorriso a qual Sai sempre se referia com certa admiração e raiva, passou a tomar o rosto da kunoichi vinte e quatro horas por dia. Ela usava uma máscara impenetrável com uma dose da Sakura de antes. Apenas Tsunade percebia quão perigosa ela estava se tornando.
Aquele olhar era de vingança. O sorriso era a confiança que sentia em seu potencial.
“Me desculpe, Shizune”, pensava enquanto fitava o relatório sobre o triste incidente com a sua pupila. “Isso tudo é necessário”.
Notas finais
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Até mais!
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