Strokes
27 New blindness
Notas iniciais
Demorei sim, mas não foi culpa minha. Primeiro a internet de casa resolve fazer birra, daí meu computador acha viável emburrar também, aí já viu, ferrou tudo! E eu nem tinha salvo os capítulos no pen-drive, se o tivesse feito, já teria postado. Desculpa.
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Novidade: CONCURSO RELÂMPAGO DE HALLOWEEN
Tá rolando no grupo "Coffee" do Facebook. Eu, Milk, a própria Coffee e mais duas juradas estamos organizando essa atividade com o intuito de unir readers e ficwriters. Haverá premiação real e tudo mais! Mais informações aqui:
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Sobre "A Hóspede" eu deixei uma nota no meu perfil.
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Boa leitura.
Chegaram ao hospital rapidamente guiados e escoltados por alguns shinobis de Suna.O hospital era menor do que o de Konoha, mas possuia uma infraestrutura igual ou semelhante a mesma. Naruto e Sakura já haviam estado ali há alguns anos atrás, ela tentando salvar a vida de Kankuro e ele assistindo do lado de fora. Talvez por este epidódio o irmão do kazekage tinha tanta estima pelos dois.
As enfermeiras receberam ordens para atendê-los imediatamente, Sakura com mais urgência. Sasuke não soltou a garota nem quando os médicos insistiram, nem quando Naruto assentiu para que ele fizesse. Fez questão de deitá-la na maca e brincar com os médicos para permanecer na sala.
-É parente, marido ou responsável? –Sasuke não soube o que responder. –A entrada é restrita. –E o médico fechou a porta na sua cara. Naruto previu que aquilo enfureceu Sasuke e o afastou dali para impedi-lo de arrombar a porta do saguão de emergências.
-Relaxa, eles têm bons médicos. Vão cuidar dela. –Forçou um sorriso. Além de estar com dor, não gostava nada dessa proteção toda dele com Sakura. Quem vê pensa que o loiro não estava arrancando as cutículas de preocupação com a rosada.
Ele estava preocupado, e muito, pois assim como Tsunade alertava Sakura, Sai e Yamato sobre os seus limites, ela também alertava à eles os limites de Sakura. Ela tinha um controle perfeito de chakra, isso não era novidade, mas ela não tinha tanto chakra quanto ele e Sasuke. Apesar da luta não ter exigido tanto deles para que ela chegasse à esse ponto, ele sabia que fatores como a longa viagem e a mal alimentação contribuíram para que ela se esgotasse.
Dentro da sala eles a examinavam. Estava quente, suava. Respiração e batimentos tranquilos, para não dizer silenciosos. Seu rosto estava pálido, os cabelos grudavam no leito. Parecia que dormia.
Não era nada grave, mas ela precisava de cuidados.
Repouso, alimentação, medicação e algumas suturas.
Primeiro cuidaram dos ferimentos; em seguida, deram um banho na garota, um grupo de enfermeiras para segurá-la na banheira, outras duas para limpar minuciosamente todo o corpo, evitando o contato do sabão com as feridas. Limpa, a levaram para outro quarto onde ela permaneceria pelos próximos dias. Não sabiam quando ela ia acordar. Talvez em minutos, talvez em uma semana. Cada corpo respondia de uma forma. O interessante era o Selo Yin que não desaparecia de sua testa.
Seu corpo parecia querer gritar que ali dentro havia uma guerreira.
Sasuke e Naruto foram para outra ala de pacientes menos graves. O braço esquerdo de Naruto e as costelas de Sasuke receberam o devido tratamento, com dores agudas, puxões, agulhas mexendo nas trincas dos ossos. Sasuke com seu envoltório de compressão, Naruto com sua tala e com a tipoia.
Podiam estar piores, Sasuke pensava.
Naruto já se olhava no espelho envergonhado. “Não devia nem estar suado!”
-Uzumaki Naruto? –Uma enfermeira o chamou, tímida, com uma ficha tapando metade do seu rosto. Ele se levantou e assentiu. Sasuke repetiu o gesto, em respeito a moça. –O senhor…
-Você. –Corrigiu afável.
-Perdão. –Corou. –Você está sendo convidado à visitar o kazekage-sama na Central de Suna. –Sasuke olhou confuso para Naruto que sorria com os ombros relaxados.
-Finalmente! –Parecia que tinha dito aquilo para si mesmo, mas em alto e bom tom para que os outros dois da sala pudesse ouvi-lo dizer. –Você vem, Sasuke?
-Ah, me desculpe! Gaara-sama convoca apenas o senhor, digo, você. –Sasuke sorriu.
-Não iria nem se fosse intimado. –Naruto o olhou feio enquanto a moça abaixou a prancheta revelando uma expressão abismada. Como um estrangeiro ousava falar daquele modo dentro do território do kazekage? Antes que Naruto o repreendesse, ele justificou-se. –Alguém tem que ficar com a Sakura. –E sorriu minamamente de canto, voltando-se a se sentar. Olhou para a menina e assentiu para que ela saísse.
-O senh… -Engoliu a saliva. –Você pode me acompanhar, Naruto-san? –Estava completamente desnorteada com os olhares dúbios e comentários sutilmente indiscretos entre os dois. Contraditórios. Sasuke notou rapidamente que era uma jovem iniciante no cargo. Bela, mas sem mais atrativos além de um rosto jovial.
Naruto concordou, seguindo a moça, ainda olhando para Sasuke com um formigamento estranho na mão sadia. Sentiu ciúmes. Quase negou o chamado da moça. “Quer dizer que você negaria um intimado para ficar ao lado de Sakura? Como se eu também não fizesse isso…” Ele sabia que a rosada estaria em boas mãos, entendia também que a preocupação de Sasuke deveria ser mais porque ele não confiava em ninguém dali do que pela Sakura em si. Resolveu seguir a moça e deixar que esses sentimentos ruins o importunassem em outro momento.
Logo que os dois saíram, Sasuke pediu permissão para ver Sakura. O deixaram entrar depois dele ter que assinar demasiados termos burocráticos. De fato o hospital era cuidadoso. E ele entrou no quarto cuja luz era fraca, somente as lâmpadas do corredor iluminavam o cômodo onde ela dormia. Ele gostava daquela falta de claridade. Não machucava seus olhos. Sentou-se com dificuldade numa poltrona macia demais que fazia sua coluna querer fazer um arco, mas ele estava com o envoltório, duro como um robô. Cedeu para o desconfortável, sentado com a coluna ereta fitando o sono da moça.
Ela era melhor quando dormia.
A ruga entre suas sobrancelhas sumia. O olhar zangado e distante era ocultado sob as pálpebras. A voz irritante silenciada.
Ao tentar olhar com mais cuidado para outros detalhes da garota, seus olhos doeram. Uma dor aguda como uma agulhada em cada orbe. O pegou desprevenido. Ele deu um grito breve que alarmou um enfermeiro que passava por lá.
-Está tudo bem, senhor? –O enfermeiro acendeu a luz. Que erro. Sasuke jogou um objeto no interruptor. Não por agressividade com o homem, era só a luz que machucava seus olhos.
Ele pressionava os punhos nos globos tentando cessar com a ardência, mas nada resolvia. Era como se suas córneas estivessem em brasas e algo lá dentro desse pancadas fortes e precisas no globo ocular. Uma dor inexplicável. Quando ele sentiu a queimação dar um pouco de trégua, afastou as mãos dos olhos. Alguns enfermeiros já se encontravam no quarto, falando coisas que seus ouvidos não captavam. Tudo o que Sasuke viu foi um borrão vermelho. A visão sem foco. Um fundo branco e pálido com mãos manchada de sangue.
Ele estava pior do que quando saiu da prisão.
E Sakura dormia o sono tranquilo. Ele não confiava em ninguém para mexer em seus olhos, seus preciosos olhos, a não ser ela. Só ela. Mas ela não estava em condições de cuidar nem de si mesma, quanto mais dele…
O que fazer?
.o0o.
-Entre. –A costumeira voz fria e serena. Há quanto tempo ele não ouvia aquela voz? Três anos, mais?
-Gaara! –Adentrou a sala sem formalidades. O ruivo se levantou e esperou o abraço que não poderia evitar.
-Amigo. –Ficaram abraçados como podiam, Naruto evitando ter a tipóia espremida ao mesmo tempo que evitava parecer indiferente ao afeto do outro. Os guardas observavam, confusos. Seria Gaara gay? Ele não abraçava nem mulheres. –Irmão. –O ruivo acrescentou. Eles se afastaram e se olharam.
-Eu fico mais bonito nesse uniforme do que você! –Naruto disse, fazendo Gaara sorrir.
-Quer provar? –Naruto ficou sem palavras. Os guardas se entreolharam, indignados enquanto Gaara tirava sem cerimônias a capa que cobria suas vestes. Aquela não era uma cena cotidiana. Algumas pessoas tinham conhecimento sobre a forte amizade do kazekage com o Naruto, mas pelo jeito fechado do garoto, ninguém esperava viver o bastante para presenciar tanto afeto.
Mais tarde a curiosidade levaria os guardas a descobrirem todas as coisas que Naruto fez pelo seu kage.
A vidraça de uma das estantes do gabinete era espelhada, Naruto estava na frente dela se olhando com aquela capa. Ele já havia provado a capa de Tsunade –sem a permissão da mesma-, sentiu a diferença na textura, a de Gaara era mais fina, mas fresca, talvez por conta do clima em Suna ser sempre abafado. A dele também era mais justa, chegava até a apertar um pouco sob a axílía, isso porque ele era mais forte e mais alto do que o ruivo; enquanto vestindo a de Tsunade, Naruto se sentia uma criança brincando com fantasias, a capa era mais pesada, folgada e tinha um aroma que assemelhava-se com bebida e perfume de mulher.
A imagem do rosto de Gaara era projetada logo atrás de si, na curvatura do seu ombro. Ele sorria com o canto da boca.
-Fica mais bonito quando meus dois braços estão o vestindo. Só para constar.
-Em breve terá o seu. Vários. –Apoiou a mão no ombro largo de Naruto, apertado pelas costuras justas da capa. Naruto desfez seu olhar admirado. –Será o hokage mais digno dessa farda… -Ao dizer isso, Naruto se desfez do aperto do amigo e tirou cuidadosamente seu uniforme.
-Gaara. –Começou, entregando-lhe a capa dobrada. –Eu não confio em mais ninguém para falar disso. –Ao reparar na seriedade de Naruto, Gaara fez com que a amabilidade de seu rosto se transformasse em preocupação. Aquele tom que Naruto usara não era bem-vindo. Gaara tinha medo, pois sabia que Naruto estava sério porque lhe pediria algo ao pelo menos lhe informaria sobre algo muito sério. Gaara tinha medo de negar esse favor ou esse sigilo já que desconfiava do que se tratava. Ele teria que negar.
-O que há, Naruto? –A voz baixa, serena e intimidadora. Naruto olhou para os guardas com o rabo do olho. Gaara entendeu. Com um breve sinal a porta foi aberta e o gabinete passou a ser ocupado apenas pela presença dos dois. –Sente-se. –Naruto negou. Colocou cuidadosamente a carta de Tsunade sobre a mesa do kazekage. –O que é isto?
-Recebemos de Tsunade ontem de manhã, bem cedo. –O outro abria e verificava as informações no papel. –Assim que a lemos partimos para cá. –Acrescentou, dessa vez sentando-se. –Recebi poucas missões secretas, Sakura menos do que eu, mas por essas poucas sabemos que detalhes sobre o trabalho são dados através de cartas que devem ser lidas e queimadas em seguida, como deveria nos instruir essa.
-Aqui não tem muita coisa especificada.
-Exatamente, só tem um local.
-Missões como essas, geralmente, são encarregadas para uma equipe ou um membro da Anbu. Missões secretas e de alto risco. Por você ser você –Gesticulou com as mãos. – ela achou conveniente lhe atribuir algo ao nível.
-Sim, isso eu entendo, como disse, já recebi missões assim. O que me deixa intrigado é a forma como tudo foi feito. As outras cartas desse tipo que recebi eram pouco detalhadas, mas comparadas com essa, eram quase uma enciclopédia! –Gaara ergueu as sobrancelhas em dúvida. –A única coisa que ela nos dá aqui é um local. Nos guia para cá. E só. A princípio pensei que até que era para entregar algo à você ou passar alguma informação importante, mas não há nenhuma instrução. Nem a típica instrução que obriga a pessoa que leu queimar a carta em seguida. –Suspirou. –Eu não sei. Achei tudo isso muito estranho. Até Sasuke e Sakura estão desconfiados. –Gaara apertou os olhos ao ouvir o nome do Uchiha.
-Soube que ele está no hospital com a garota…
-Sim, Sakura não está muito bem.
-Mal estar da viagem?
-Quem dera fosse… -Ele passou a mão livre pelos cabelos loiros. –Essa é a segunda coisa que preciso falar com você.
-A garota? –Gaara não pôde deixar de sorrir. Naruto ficou encabulado. –Sou leigo nisso. Melhor conversar com Temari.
-Não, Gaara, não é sobre Sakura, é sobre o que aconteceu com a gente, no caminho. –Explicava, tentando afastar seus pensamentos que imaginavam uma conversa masculina sobre garotas entre Gaara e ele. –Passamos pelo País do Rio e nos receberam com hostilidade; mais adiante, quase na divisa com Suna, fomos atacados por uma massa de ninjas, rebeldes, selvagens, sei lá o quê! –Dizia nervoso e envergonhado. –Quebrei o braço, Sasuke fraturou umas costelas e a Sakura levou o chakra ao limite.
-Eles deviam ser bons.
-Eram. –Admitiu envergonhado. –Estou com dois presos no pergaminho.
-Vivos.
-Sim. –Respondeu incerto. Ele esperava que estivessem vivos para serem interrogados. –Não temos informações sobre eles. Não sabemos o que são, mas são fortes. Suspeito que tenham ligação com o povo do País do Rio, pois eles nos ameaçaram.
-Sabe que o País do Rio é totalmente indiferente às Cinco Grandes Nações.
-Sim, eu sei. A questão é que nos ameaçaram e pouco depois fomos atacados de forma covarde enquanto dormíamos. –A tipoia já começava a se tornar um incômodo evidente. Ele tentava se movimentar, mas a tala o repreendia e doía no osso. –Você me conhece, faço o possível para evitar ferir alguém. –Gaara o olhou de soslaio. –Matar, quero dizer. –Reformulou.
-E você matou algum?
-Vários. –Gaara assentiu enquanto Naruto abaixava a cabeça. –Eram muitos, Gaara. Metade deles estavam atrás da Sakura, os outros enfrentavam Sasuke e eu e taijutsu e ninjutsus simples não estavam dando conta. Não tivemos escolha. Você também sabe como meu pavio curto… Só queria acabar logo com aquilo. Estávamos cansados e famintos. E ainda feridos! –Disse erguendo minimamente o braço. Carreguei a Sakura boa parte do caminho em cima do osso…
Houve um silêncio.
Gaara pensava: Primeiro a carta; a ameaça no País do Rio e o ataque na divisa. Não era preciso ser muito inteligente para presumir que aquela era a missão, derrotar a manada de homens que os atacaram e aparentemente foi o que o trio havia feito. A referência da carta sobre Suna deveria ser apenas uma desculpa para que eles seguissem aquele caminho e completassem a missão. Entretanto, Naruto acrescentou outros pontos.
-Disso eu sei, Gaara, mas eu não entendo por quê. –Disse com um tom de confusão na voz. –Nada disso faz sentido. Conversei um pouco com alguns dosseus jonnins sobre o conhecimento desse grupo, até descrevi as tatuagens que eles usavam, mas nenhum soube me dizer nada. Ora, o País do Rio é aqui do lado! Como um grupo forte como esse está por aí dominando a divisa e ninguém tem conhecimento?
-Naruto. -Gaara fechou os olhos e cruzou as mãos em cima do osso do nariz. Queria concentrar-se em sua respiração, em uma resposta que saciasse Naruto. –Até então não há registros de ‘ataques’ de nenhum grupo não identificado nas redondezas.
-A gente não conta?
-Estou querendo confirmar o que você disse, Naruto. Até então, não fui informado sobre nada disso. –Explicou-se. –Talvez porque esse grupo seja originário do País do Rio e não do País do Vento. O que faz bastante sentido já que foram ameaçados por pessoas de lá e atacados antes de sairem do território deles.
-O que quer dizer?
-Quero dizer que provavelmente seja algum grupo regional que governa aquele meio de forma primitiva, digo, marcando uma área e ameaçando quem invada ela.
-O que mais me impressionou foi a força deles. Cá entre nós, quantas pessoas coseguem deixar Sasuke e eu desse jeito? E Sakura! Deus, nunca a vi tão furiosa, nem na Quarta Grande Guerra. Ela ficou insana, Gaara. Se eu feri –Gaara o olhou em reprovação. -, ou melhor, matei alguns homens, Sakura deu conta de colocar pelo menos metade deles no chão. –Gaara reagiu disfarçadamente. Achou curioso o fato da menina estar sendo descrita como tão violenta. Das poucas vezes que a viu, só conseguiu enxergar uma garota franzina e inclinada a dotes matriarcais, que era justamente o que ela fazia cuidando dos doentes. –Para um país sem esse regime militarizado, ter homens com esse excelente treinamento é um tanto quanto suspeito, não acha?
-Naruto, é perfeitamente normal para um país como o deles, entre duas grandes potências, se sentir inferiorizado e obrigado a buscar maneiras de defender seus territórios e clãs.
-E o tratado de paz, Gaara? Para que ele servem?
-São só rabisco em papiro, Naruto…
-Não! –O loiro se levantou. –Somos nós que mantemos aquele país em pé com as encomendas de armas e artefatos domésticos. Eles vivem do trabalho que nós damos. Deveriam ter ao menos…
-Quando você virar hokage, irá entender o que eu quero dizer, Naruto. –Levantou-se e se serviu com um pouco de vinho, colocando a garrafa no centro da mesa para que Naruto bebesse com ele se assim quisesse. O loiro mal se moveu. Observava Gaara andar de um lado para o outro com o copo de barro com vinho até a metade. –As pessoas querem mais do que palavras, Naruto. Sejam elas escritas ou faladas, para eles não têm valor algum. Nós sabemos o peso que uma palavra tem, pois já provamos de todo tipo de coisa das pessoas. Coisas boas, coisas terríveis. –Divagava. –Eles só conhecem o que os seus pais lhes mostraram. Para o povo do País do Rio, a verdade é que os usamos em troca de alguns yens.
-Mas não precisa ser assim.
-O que sugere? –Naruto calou-se. –Essa é uma pergunta que um kage sempre deve fazer para si mesmo e para quem o subestima. O que fazer? O que propõe, então? –O loiro o observava, seu olhar opaco, um verde apagado, mas intenso ao focar no nada. –Eu cuido de Suna com um esforço desgastante e ainda assim mal resolvo os problemas mínimos, como espera que eu interfira nos problemas de outro país que nem sequer é aliado das Grandes Nações e nega ajuda?
Aquilo foi suficiente para calar Naruto.
-Ao que parece sua missão é descobrir quem são esses caras e resolver as coisas entre eles.
-Mas muitos já estão mortos. –Disse impaciente.
-Não interessa se houver meia dúzia deles. –Disse tomando o restante do vinho. –A questão é quem são, o que querem, por que querem isso e como vamos resolver ‘pacificamente’, de preferência. –Sentou-se. –É o que eu posso fazer por você, Naruto.
-Mas como? –Perguntou referindo-se ao seu braços. –Os outros também não estão muito melhores do que eu.
-A garota.
-Sakura. –Naruto repetiu o nome da Haruno impaciente. Não entendia porque Gaara não conseguia falar dela como um indivíduo.
-Ela está muito mal?
-Não, só precisa de um repouso, está muito fraca, mas nada grave.
-Ele consegue acelerar isso. –Apontou para a tipoia do Naruto.
-Sim, ela consegue. –Afirmou com um sorriso sutil que Gaara percebeu, mas preferiu não comentar.
-Preparem um relatório que enviarei à hokage hoje mesmo antes que o prazo de você terminem e a missão se dê como falha.
-Obrigado. –Curvou-se. –Muito obrigado, Gaara.
-Disponha. –Naruto lhe deu o melhor dos seus sorrisos, o que mexeu com Gaara de uma maneira estranha.
Será que ele deveria?
Abriu a boca duas ou três vezes na intenção de lhe revelar algo a mais, mas achou desnecessário, ou melhor, fora de hora. Não podia deixar Naruto na expectativa de nada.
Gaara sabia exatamente o que Tsunade estava fazendo e admirava a perspicácia de Naruto. Não era assim tão nítido que havia uma emboscada naquela missão se não fosse as outras dezenas de missões fajutas seguidas uma da outra. Eles já estavam espertos, entretanto, nem sempre é bom desconfiar de seus superiores, ainda mais ele, o queridinho de Konoha.
Naruto Uzumaki não era um rebelde.
Gaara entendia perfeitamente o que Tsunade queria fazer.
Naruto não é um rebelde e esta missão não é dele.
De quem é a missão? Quem é o renegado? Quem é o manipulador por trás das ideias contrárias de Naruto?
Era essa a impressão que Tsunade queria causar.
A dúvida do kazekage era se a godaime havia se lembrado da amizade dos dois, do quão leal ele era para Naruto. Parecia que não. Parecia que ela só havia levado em consideração o ódio de que ele sentia pelo Uchiha. O Uchiha era a menor de suas preocupações. Apesar de tudo Gaara sabia que o garoto não ia ousar nada em seu lar. E Tsunade pode até persuadir os outros kages e Senhores Feudais sobre o caso de Sasuke, mas ele, Gaara, sabia exatamente o que ela estava fazendo e o que Sasuke estava mostrando.
Não que ele fosse a favor da felicidade do moreno. Não que ele se importasse com a vida dele. Gaara era indiferente, para variar. A questão era o Naruto, sempre ele. Se o nikinin tivera a sorte de ter a chance de provar que é capaz de viver em uma sociedade, ótimo. Não seria ele quem faria um complô para que o garoto fosse novamente encarcerado, embora achasse que fosse exatamente isso que ele merecesse.
Naruto girava o calcanhar para a porta quando a mesma foi aberta após uma rápida batida de um dos guardas. Fizeram uma reverência e começaram a falar.
-O Uchiha está com graves lesões oculares. Atacou um dos enfermeiros e se nega a ser atendido. A responsável pela ala… -Naruto já havia partido antes mesmo do mensageiro terminar de falar.
.o0o.
Após uma conversa cansativa, Naruto convenceu Sasuke a deixar que os médicos cuidassem dele, com a condição de que ele não se afastasse por nada. Situação constrangedora. O moreno parecia uma criança na primeira consulta e Naruto fazia o papel de pai consolador. Sasuke não confiava em ninguém mesmo, não aceitava um copo de água, não importasse o quanto sua boca estivesse seca. Agora com a visão comprometida, sentia-se encurralado por estranhos, achava que todos queriam lhe fazer mal, o que não era de longe uma mentira.
Ele não era bem-vindo nem pelas estagiárias que o fitavam pela beleza de seu rosto.
Enquanto a enfermeira enfaixava os olhos já tratados de Sasuke, uma médica explicava ao fundo o que ocorrera com sua visão e o que estavam fazendo, os remédios que dariam para ele tomar, todas as precauções, detalhes… Tentava a todo custo acalmar Sasuke, mas ele estava possesso. Calado, mas emanava ira, desconfiança. Despertava de um minuto de paz com o som de uma agulha caindo no chão.
-Por quanto tempo? –Naruto perguntou. Sabia que esse era o ponto principal do nervosismo do amigo.
-Vamos esperar o remédio fazer efeito, daqui uns três dias, trocando as bandagens de quatro em quarto horas, talvez seus olhos estejam revigorados. É imprevisível. Infelizmente, não consegui constatar com precisão os danos na retina… -Disse olhando feio para Sasuke. Ele relutou o quanto podia para que ninguém além de Naruto chegasse perto dele. -Até três dias poderei dar-lhes uma resposta definitiva. –Sorriu.
-Em três dias Sakura já vai estar acordada, certo? –Por conta das bandagens ele não viu as expressões desconfortáveis dos médicos que o cercavam, que estavam tentando cuidar dele. Falava de Sakura como se só ele soubesse medicina no lugar, como se aquelas pessoas da sala que o olhavam com pena fossem meros aprendizes que só sabiam fazer bandagens.
-Até lá, serão eles que vão cuidar de você, Sasuke. –Naruto sentia-se falando com uma criança.
-E então a Sakura irá me curar, sem esse negócio de bandagem e remédio grudento. –Disse com o tom de voz ainda ansioso.
-Sim. –Naruto confirmou sem graça. Olhou ao redor, envergonhado pelos modos de Sasuke, agradeceu a médica com um gesto singelo e observou, um por um, os auxiliares sairem. Aproveitando o silêncio e a privacidade temporária, Naruto o informou sobre a conversa com o Gaara. –Vou fazer um relatório para Tsunade estender a missão por uns dias até nos recuperarmos e podermos ir atrás dos caras que nos atacaram. –Falou confiante.
-Devia pedir o cancelamento. –Naruto o olhou confuso. –Não estamos em condições de permanecer aqui. Não tem nem como. Onde vamos ficar?
-Gaara da nos providenciou quartos.
-Quartos de hospital. –Zombou. –Ótima hospedagem.
-Para quem está precisando de tratamento médico, é o melhor lugar para ficar hospedado. –Naruto já perdia a paciência com a arrogância de Sasuke. Ele parecia não reconhecer o esforço de ninguém.
-Quando a Sakura acordar ela vai nos curar em instantes e não vamos precisar de nada disso.
-Mas enquanto ela está apagada, vai ser assim, quer você queira ou não. –Levantou-se.
-Onde vai? –Sasuke perguntou aflito. Não enxergava nada, não queria ficar sozinho.
-Pegar um café. Aquela comida da manhã não me encheu.
-Deixa eu ir junto. –Era tão nítido que se não fosse triste, seria cômico. Sasuke estava amedrontado com a ideia de ficar num país onde era ‘odiado’, cego, fraco e sozinho. O loiro fez com que Sasuke segurasse em seu braço sadio e foram em direção a cafeteria do hospital. –Já ficou cego? –Perguntou enquanto passavam pelo corredor. Os ruídos de pessoas indo e vindo não impediam Sasuke de tocar naquele assunto. Ele estava se sentindo como um animal em uma caixa, andando de um lado para o outro, sentindo-se impotente. –O silêncio é a pior sensação. –As costelas incomodavam. –A escuridão não te dá um rumo, então, depois de horas e horas no breu sem saber quando é dia e quando é noite, você começa a se perguntar até mesmo se continua vivo. –Naruto o olhou impressionado com o que ele dizia. –O silêncio é uma aflição. É uma aflição quando não termina. Você quer gritar, comprovar que tem alguém ali, que você ali está ali, mas o medo de não ouvir a própria voz te cala. –Naruto sentia a respiração dele cansada. –Você se pergunta a todo momento, até que alguém abra uma porta e se dirija a você, se ainda está vivo ou não. Pelo o fato de você não enxergar nada, começa achar que as pessoas também não te enxergam. –Riu sem graça. –Seria até bom se fosse assim.
-Por que?
-Quando elas te vê e você não vê elas, isso se torna uma grande vantagem. Elas podem te machucar de várias formas e você não tem como se defender. Está mergulhado, completamente imerso em uma escuridão que não tem hora para acabar. É horrível. Terrível. –Chegaram no café. Sasuke ainda estava tenso. –Esse é meu maior medo, Naruto. –O loiro não tinha palavras. Nunca esperou ouvir um terço daquilo. Talvez Sasuke realmente estivesse aterrorizado.
-Por que está contando isso para mim?
-Não estou em casa.
-Konoha é sua casa? –Ele não pôde deixar de sorrir ao fazer aquela pergunta.
-É o mais próximo que tenho de um lar. –Respondeu. –Confio em você porque sei que não usaria nada disso contra mim. Quando chegar a nossa hora, Naruto, eu sei que vai lutar de igual para igual.
-Não vamos lutar, Sasuke! –Naruto dizia divertido olhando sem jeito para o atendente que prestava atenção na conversa com curiosidade. –Dois cafés para gente.
-Enquanto eu enxergar, estarei vivo. –Sentou-se fazendo careta por causa das costelas. –Minha morte será rápida e desconfio que seja acidental, mas com certeza não será um suicídio. –Sorria.
-Cala a boca! Não vamos lutar! –Ele deu uma tapa na nuca do moreno que revidou. –Você deve estar delirando em febre. Tá falando demais. E só tá falando besteira.
-Normal para alguém que passou metade da vida calado.
Dessa vez Naruto o olhou e não foi com divertimento, foi com pena, e se mortificou por isso. Sasuke não precisava daquele olhar. Sasuke não era um pobre coitado.
-Café amargo… -Reclamou o moreno jogando a xícara no balcão. Naruto ignorou.
O que estava acontecendo?
Notas finais
O Gaara finalmente apareceu, o que acharam do diálogo com o Naruto?
E Sasuke e seus olhos sexy, negros, instigadores de pensamentos impróprios em meninas virgens de treze anos?
Sakuritcha está bem, mas e quando ela acordar? Como estará?
Narutinho, coitado, num sabe o que fazer! Mas vocês podem ajudá-lo.
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