Strokes
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Notas iniciais
Em Konoha as coisas também não iam muito bem.
Três dias haviam se passado desde que Sasuke e seus suportes, Naruto e Sakura, saíram rumo à Suna, durante esses três dias Shizune não deu as caras no escritório da Hokage, nem no Hospital de Konoha, nem no Ichiraku e em nenhum dos lugares que costuma frequentar. Shizune sabia que Tsunade estava irada, mas a raiva da mestra era trivial comparada à sua. Ela colocava-se no seu lugar de assistente, sabia que devia respeito, lealdade e outras equidades à Hokage, mas sobre os relatórios que encontrara, deixara toda sua ética de lado e agiu impulsivamente segundo suas particularidades, principalmente em relação à Sakura.
O que Tsunade estava fazendo a respeito?
Sakura havia sido estuprada em uma missão voluntária para uma aldeia aliada. Como aquilo havia sido silenciado por tanto tempo com tanta discrição? Como a Sakura em si conseguia ser tão neutra? Ela havia sido agredida com tanta vulgaridade e humilhação, como poderia manter sua estrutura?
Shizune lembrava-se de épocas de depressão para a jovem Haruno, mas todos, inclusive ela, ligaram isso ao falecimento recente de seus pais. Agora ela percebia que a morte dos Haruno fora apenas um acréscimo a outros sofrimentos que ela ocultava com veemência.
Revoltava-se ao lembrar da sobriedade de Tsunade ao lhe explicar tudo o que acontecera.
De todos os desvios de convenção, das ilegalidades e segredos escondidos por Tsunade, os que a mais incomodava (e possivelmente os únicos que lhe dizia respeito) era o acordo com os prisioneiros da Ilha Kamui para interferirem diretamente nas missões de Sasuke e o boletim de ocorrência de Sakura, esquecido no fundo de uma gaveta mofada. Ela não se preocupava tanto com Sasuke e sim com Naruto e Sakura que o acompanhavam. Os criminosos eram mantidos em uma prisão de segurança máxima, shinobis extremamente habilidosos e perigosos. Ferir Sasuke era a menor das preocupações de Shizune, seu medo era de que, em uma dessas missões que Naruto e Sakura acompanhassem o Uchiha, um desses rebeldes os machucasse.
Decidida a agir por conta própria, planejou infiltrar-se na Anbu e emprestar alguns documentos confidenciais sobre o assunto, pois ela sabia que Tsunade não seria tão descuidada ao ponto de deixar isso em sua sala, a mercê de qualquer assistente enxerida. Só uma pessoa sabia como entrar na Anbu sem ser notado ou pego e esse alguém não a ajudaria nem em um milhão de anos. Era muito leal à Hokage. Entretanto, havia outrem tão inteligente quanto este sujeito e ela foi diretamente a ele.
–É praticamente impossível burlar o sistema de segurança da Anbu. –O homem bebericou sua bebida. Não gostava de álcool, nem de bar, nem de prestar favores à mulheres como Shizune, mas estava lá, de prontidão, esperando ouvir algo que salvasse sua noite.
–Mas outras pessoas já fizeram isso. –Shizune pontuou decidida a arrancar alguma ajuda dele.
–Mas todos as pessoas que já fizeram isso morreram e não nos disse como o fazer. –Sorriu triunfante. –Para que quer entrar lá mesmo, Shizune-san?
–Acerto de contas. –Sorriu e bebeu seu drink.
–Isso não parece ser nada bom. –Comentou.
–Talvez não seja, para alguns, mas te garanto que haverá mais beneficiados do que imagina. –Piscou. Quando ele olhou para Shizune e percebeu que os olhos dela perduravam nos olhos dele mais tempo do que o necessário, ele soube qual jogo Shizune estava jogando. Deu uma risada sutil e ela entendeu tudo errado, corando as bochechas. Ele não sabia dizer se era pela reação ou pelo álcool mesmo, só sabia que ela estava brincando com algo inédito.
–E se eu não ajudá-la? –Os olhos dela ficaram estreitos. –Se eu me negar a incentivá-la nesse plano maluco?
–Eu o perdoo. –Respondeu em um timbre diferente do seu habitual. –Mas confesso que ficarei muito infeliz. –Sorriu.
–É a vida. –E novamente ele foi mais triunfante. Shizune percebendo sua relutância apelou para a forma mais simples de convencê-lo: contando a verdade. Depois de toda a sua versão indignada do ocorrido dias atrás, ele trocou sua expressão malandra por outra extremamente séria. Em alguns momentos parecia que não tinha ninguém a sua volta de tão absorto que ele ficava.
Aquele assunto passara a ser também problema dele e Shizune temia isto, cada vez mais pessoas se envolvendo em assuntos tão íntimos, mas não tinha como ignorar. Naruto e Sakura era como filhos, ela só queria protegê-los.
–Não posso correr o risco de revelar-te as falhas da segurança da Anbu. –Disse terminando sua bebida assim que Shizune revelou tudo. –Não que eu desconfie de suas habilidades, mas qualquer descuido colocará não só você em risco como eu também. Não os subestime, Shizune. –Ela assentiu, pensativa.
–Quer dizer que não vai...
–Eu mesmo irei pegar esses documentos ‘emprestado’. –A interrompeu, impaciente. Estava fazendo aquilo à contra gosto. –É menos arriscado. –Assegurou. –Mas vamos ter que combinar algumas coisas.
–Tudo bem. –Disse tentando soar séria, indiferente, mas por dentro estava tão feliz que mal conseguia se conter.
–Tem uma semana para analisar o que precisa. –Ela assentiu. –Os documentos originais deverão voltar intactos para mim.
–Eu sou cuidadosa.
–Ótimo. –Disse com desinteresse. –Assim que reunir tudo de que precisa, irá convocar uma reunião com a Hokage e os meninos. Na pior das hipóteses, volte a me procurar que chamarei os anciões para um conselho com Tsunade.
–Os meninos chegarão em sete dias.
–É o tempo que precisa.
–Obrigada. –Fez uma breve reverência.
–Shizune. Estou fazendo isso por eles, não por você. –Disse friamente. –Eu que agradeço por me informar sobre esses desvios de Tsunade, mas tenho que dizer que minha estima por você não aumentou por sua honestidade.
–O que quer dizer? –Perguntou confusa com as coisas que ele dizia.
–Como você não percebeu antes o que Tsunade estava fazendo sendo uma assistente tão íntima e eficiente? –Ela ficou sem palavras. Justificou-se dizendo “tenho outras responsabilidades além de cuidar de assuntos da Tsunade”, mas ele rebateu. –Você está mais focada no Hospital do que no gabinete. Você se cansou dessa vida, você sabe disso tão bem quanto eu. –Ela não protestou. –Sabe também que, agora que falta pouco para Tsunade renunciar seu título, seria extremamente desnecessário lançar polêmicas em relação a governação suspeita dela.
–O que está insinuando? –Disse em um tom ofendido.
–Você sempre soube que havia coisas erradas no sistema, mas só abriu a boca agora porque descobriu que algumas delas envolvem pessoas que você gosta, como Naruto e Sakura. –Shizune estava pronta para rebater quando o homem novamente a calou. –Falta menos de um ano para ela sair e você decide que é hora de revelar os podres. –Balançou a cabeça para os lados. –Não que isto seja desnecessário, mas você me entende, não surtirá tanto efeito como deveria.
Silêncio.
–Só abrirei o assunto para o Conselho caso uma reunião pacífica entre os envolvidos não dê conta do assunto.
–Obrigada, Kakashi. –Falou sem reverências, sem sorrisos forçados. Séria, envergonhada, irritada.
–Não há de quê.
.o0o.
Sakura havia despertado no segundo dia em Suna, calma, dolorida pelos dias que ficou deitada e com um pouco de sede. Observou o quarto rolando os olhos, nem mexeu a cabeça no travesseiro, sabia que aquele não era o Hospital de Konoha. Tentava se recordar de algo que pudesse lhe ajudar saber que lugar era aquele, mas as memórias não estavam frescas, ela ainda estava muito confusa.
Depois de algum tempo recapitulando tudo, desde a saída de Konoha até o percurso para a missão, ela sentiu sua língua colar no céu da boca de tão seca que estava. Olhava aflita em direção à porta, geralmente as enfermeiras vêm de tempos em tempos checar o paciente, mas tudo o que entrava naquele quarto era uma brisa de fim de tarde. Via vultos passarem de um lado para o outro através das persianas que da vidraça do corredor sabendo que ninguém iria entrar. Suspirou e virou-se para a janela no lado oposto, tentando se concentrar em algo além da sua cede.
A última coisa fresca em sua memória era a expressão de preocupação de Naruto antes de ela desmaiar. Por que ela desmaiou? Lembrava-se de estar muito cansada e faminta, talvez uma desidratação. Isso explicava sua boca seca. Algo em seu interior se remexia, lhe dava uma sensação de medo, mas do quê? Ela também se lembrava de ter aniquilado todos os rebeldes, por que essa sensação de desconforto?
Cansada de esperar atendimento, esticou o braço até o suporte de soro e o empurrou em direção a um carrinho com instrumentos metálicos de corte, sutura e etc. O barulho foi estridente, logo apareceu meia dúzia de jalecos preocupados (curiosos) com o que pudesse ter acontecido. Ela estava deitada, quietinha, com ambas as mãos sobre o ventre e um sorriso sarcástico.
–Estava com sede, como não apareceu ninguém, tentei pegar o soro para tomar, mas acho que não deu muito certo. –Sorriu mais, com os lábios brancos e secos. Os médicos se entreolharam, alguns saíram de fininhos e ficaram duas jovens meninas no quarto.
–Como se sente? –Uma perguntou enquanto pegava esfigmomanômetro (medidor de pressão arterial) e o estetoscópio.
–Já disse, com sede. –Respondeu apática. Não era aquele tratamento que ela dava aos seus pacientes, não era aquele tratamento que queria receber.
–Já foram buscar a sua água, Sakura-san. –A outra interferiu, impaciente. Claramente não gostava da Haruno.
–Sakura. Só Sakura. –A corrigiu. Não queria aprovação daquelas novatas.
–Estique o braço, por favor. –Sakura a observava, olhava em seus olhos em quanto era examinada, testava a mulher a sua frente. –Está um pouco baixa, mas assim que comer e repor o sal voltará ao normal. –Colocou o estetoscópios nos ouvidos. –Respira fundo e...
–Eu sei. –A mulher se calou. Fez um breve comentário e saiu do quarto o mais rápido que pôde assim que um enfermeiro chegou com uma jarra d’água para a rosada. –Onde estão os outros? –Perguntou assim que terminou de beber o segundo copo d’água. –Naruto e Sasuke. –Especificou quando não obteve nenhuma resposta.
–Ah, os garotos de Konoha. Estão aqui no hospital, provavelmente na cafeteria. Ari, vá chamá-los, por gentileza! –Ordenou e a enfermeira saiu à contra gosto. –Está melhor? –Perguntava o enfermeiro sorridente. Lembrava o Sai.
Sai. Seu namorado de mentirinha que já estava se tornando de verdade.
Sakura mal se lembrava da existência dele. Seu descaso com aquele projeto de namoro era demasiado. À princípio era tudo para provocar ciúmes em Naruto e provar para Sasuke que ela também era namorável, entretanto, a segurança de estar em um relacionamento era tentadora. Sai não era seu ideal de homem, tanto na aparência quanto no jeito. Porém Sai sempre se mostrou indiferente a essas questões e frio a maioria dos sentimentos carnais que Sakura não resistiu ao candidato perfeito para aquela farsa. Ambos não sentiam nada um pelo outro, sentia coisas em comum, como a necessidade desse ‘status’. Era uma troca de favores mútua.
Mas, como nem tudo é perfeito, eles estavam abaixando pouco a pouco essa muralha e cedendo à alguns caprichos, um abraço, um encostar de lábios, um beijo, eram atitudes cada vez mais frequentes e em algumas vezes nem foram em público (para provar o relacionamento). Este era o medo de Sakura, abrir espaço demais. Tanto ele quanto ela. Olhava aquele enfermeiro afeminado e forçava sua mente a ver Sai assim, uma gazela enrustida tentando se descobrir na pessoa errada.
Onde Sakura estava com a cabeça? Os dois não têm nada a ver um com o outro! E aquela história de ciúmes já estava ultrapassada. Naruto deixa bem claro que a deseja, que a ama, ela não precisa mais provocá-lo e não sente que precisa de desculpas para ficar com ele. O que os impede é somente a burrice dos dois. Por que não? Sorria.
–Fico feliz em vê-la melhor. –O enfermeiro disse com um sorriso mais espontâneo ainda. –Sabe, eu também não sou de Suna e sei o quão chato é confiar no tratamento de pessoas de outras vilas –Me tirou dos meus devaneios, aquilo que ele dizia me interessava -,mas te garanto que você e seus amigos foram muito bem tratados. –Sorri.
–Ótimo. Como eles estão? –Ela havia desmaiado e os dois ficaram lá. Não lembrava-se se ainda havia ninjas em pé, mesmo assim, era motivo para ela se preocupar.
Um ninja-médico deve ser o último a morrer.
No caso, ela deveria ser a última a cair, mas foi a primeira. De súbito aquele pensamento a enfureceu. Isso significava que ela ainda estava muito atrás dos dois homens.
–Ansiosos para seu despertar. –Deu um sorriso malicioso, como que por trás daquelas palavras houvesse mais. –O moreno, Uchiha, vem a todo momento ver se você acordou e fica resmungando pelos cantos que esse lugar é uma merda. –Revirou os olhos. –Ele não quer que nenhuma outra médica cuide dele, só você. –Sorriu. Não entendi. Como se ele lesse minha mente, respondeu: -Como você, ele também subestima as habilidades dos médicos de Suna. É compreensível. Mas no caso dele, com aqueles olhos... –Ele não conseguiu terminar. A tal de Ari entrou de supetão no quarto com os dois garotos altos atrás dela.
–Finalmente! –Exclamou o loiro. Naruto a olhou com seus olhos esbugalhados e um sorriso de orelha à orelha. Sasuke estava com os olhos enfaixados, tateando as coisas em volta. Sakura fixou os olhos no moreno. O que havia acontecido com os olhos dele? Antes que pudesse formular qualquer pergunta, sentiu os braços fortes de Naruto a envolvendo. O loiro segurou seu rosto com as duas palmas, a forçando olhar em seus olhos. –Nos deixou preocupados.
–Eu sei. –Respondeu tentando olhar Sasuke por cima de seus ombros, mas Naruto a chamou de volta com um beijo rápido. Sakura o olhou confusa. Apesar de tudo, ele não tinha aquele direito. Ela viu de relance o enfermeiro e a enfermeira saírem. –O que aconteceu? –Perguntou para ambos, sentando-se melhor na cama, tentando fazer de tudo para que Naruto se afastasse um pouco dela. Ele estava muito próximo e ela queria ver Sasuke.
–Você abriu o Selo Yin de novo, parece que isso te esgotou! –Naruto explicou. –E...
–Não –Sakura só queria saber o que houve depois que ela desmaiou -, o que houve com o Sasuke. –Naruto fez uma expressão de surpresa e se inclinou um pouco para que a garota visse o Uchiha. –Seus olhos... –Começou preocupada.
–Abusei. –Ele respondeu. Sakura olhou brevemente para Naruto e ele confirmou. –Preciso que você conserte isso para mim. –Essas palavras surpreenderam Sakura. Sasuke nunca a pedia ajuda, nunca quebrava o seu orgulho. O tratamento ocular, a dieta, a compra de roupas e outros favores foram na verdade obrigações que Sakura teve que cumprir, Sasuke nunca lhe pedira nada. Naquele momento ele estava em pé a dois metros dele, com a voz mansa, a postura recatada pedindo-lhe um obséquio.
Conserte para mim.
Cuide de mim.
Era como o enfermeiro disse, ele não confiava em ninguém, apenas nela para mexer em seus preciosos olhos.
–Venha cá. –Ela sentou-se com a coluna ereta e pediu para Naruto sair dali e dar espaço para Sasuke. Pegou o rosto do moreno da mesma forma como Naruto pegou o seu. Retirou as bandagens e reparou nas veias sob a fina pele das pálpebras de Sasuke, ainda fechadas. –As veias estão muito dilatadas. A concentração de sangue aqui está grande, por isso qualquer coisinha que mexam sangra. –Jogou as bandagens no chão. –O que os médicos que cuidaram disso te disseram?
–Para usar essas faixas com remédios.
–E esses remédios são para...
–Não sei. –Sakura suspirou. Levantou-se revigorada, mal parecia ter acordado de um sono de quase 72 horas.
–Deite-se. –Sasuke a obedeceu, ainda de olhos fechados. Naruto observava tudo em pé, braços cruzados e costas apoiadas na parede. –Primeiro temos que corrigir o fluxo de sangue nessa região ocular. Naruto, chame algum enfermeiro para me auxiliar com instrumentação cirúrgica.
–Sim senhora. –Saiu.
–Consegue abrir os olhos. –Aos poucos ele ergueu as pálpebras entre caretas. –Dói?
–Queima. –Sakura analisou.
–Suas córneas estão secas. –Constatou. –Tem algo errado com suas glândulas lacrimais...
Naruto voltara com dois enfermeiros e um suporte metálico com diversos instrumentos, mas logo saiu da sala quando já deram início ao tratamento. Sakura examinava Sasuke, ia observando os problemas ao mesmo tempo em que citava uma ou duas soluções. Fazia tudo ensinando os enfermeiros que a auxiliavam e que, mesmo odiando o fato de estarem trabalhando com uma médica de Konoha, estavam agradecidos por ela ter algo a ensinar-lhes.
Ao fim de tudo, cerca de duas horas de operação, Sakura e os enfermeiros saíram do quarto deixando Sasuke dormindo sob efeito de remédios, encontrando Naruto sentado na recepção com algumas outras pessoas, provavelmente parentes dos outros internados.
–E aí, como foi? –Levantou-se indo em direção à Sakura.
–Deu tudo certo, ele estará melhor amanhã mesmo. –Sorriu. –Se os médicos daqui não tivessem feito aquele procedimento com as bandagens, a visão dele poderia estar mais comprometida. –Olhou para os seus auxiliares em agradecimento. –Desculpe a nossa arrogância. Vou pessoalmente agradecer todo o cuidado que tiveram conosco para a administrativa dessa ala e faço questão de notificar o Kazekage e a Hokage. Obrigada mesmo. –Os jovens fizeram um breve reverência e saíram. –Bom. –Suspirou. –Isso me cansou. –Sentou-se na cadeira onde Naruto estava sentado e ele ficou parado na sua frente.
–Agora Sasuke está com a visão cem por cento. –Disse.
–Não. –Naruto franziu o cenho. –Ele está enxergando do mesmo jeito que enxergava quando saímos em missão para cá. O estado dos olhos do Sasuke é complicado, Naruto. Principalmente pelo pequeno detalhe de que esses olhos não são dele, lembra?
–São os olhos de Itachi... –Naruto disse para si mesmo.
–Exato. –Ela recostou na cadeira. –O corpo de Sasuke nunca vai aceitar cem por cento esses olhos. Aquilo que Sasuke fez na Quarta Guerra Ninja, sua luta com Danzou e outras batalhas onde ele exibiu seu sharingan com todo esplendor foi tudo o que um sharingan usado tinha a oferecer. –Ao notar as feições de Naruto sob aquela notícia, ela pensava e repensava se deveria contar o problema de Sasuke. –Naruto. –Começou. –Sasuke tem uma doença ocular chamada degeneração macular...
–O que é isso? –Perguntou alarmado. Pelo nome sabia que não poderia esperar muita coisa.
–Uma doença genética –respondeu irritada pela interrupção -, tem vários tipos e bastante rara em pessoas com menos de quarenta anos. –Explicou de forma polida.
–Itachi tinha isso e agora passou para o Sasuke?
–Talvez. Por ser uma doença genética, a probabilidade do Sasuke desenvolver isso já era grande, receber os olhos de Itachi pode ter despertado isso mais cedo e de forma mais agressiva.
–Certo, entendi, mas tem cura, não tem? –Na verdade, quando ele perguntava o que era isso, ele não queria realmente a informação, só queria saber se Sasuke poderia se livrar disso. Quando Sakura ponderou para responder, ele enrijeceu os ombros. –Você consegue curá-lo, Sakura. –Ela o olhou com calma. –Consegue? –Perguntou impaciente.
–Não é tão simples. A DM dele agora é exsudativa, por isso as hemorragias, a cegueira acentuada... Eu não lido com muitas patologias oculares, Tsunade me ensinou um pequeno parêntese enquanto treinávamos...
–Mas pelo menos ela pode curá-lo! –Dizia esperançoso.
–Olha, eu não tenho tanta certeza, Naruto. –Dizia com toda a calma. Estava sentindo-se cansada. –Doenças degenerativas como essa são raras em jovens de vinte anos, sem contar que a doença em si é apenas um problema no caso do Sasuke. De que adianta termos a cura sendo que sua visão já foi comprometida ao extremo? –Naruto abaixou o olhar. –Há coisas que nossa medicina não consegue reverter.
–Não me venha com essa, vocês conseguem ressuscitar mortos! Como não consegue devolver a visão para o Sasuke? –Sakura já previa o que viria a seguir.
–Quem ressuscitou um morto foi Chyou, Tsunade e eu nunca fizemos isso e não teremos permissão para fazer. –Corrigi. –À propósito, este é um comentário muito infeliz para ser dito em alto e bom som numa sala de espera de hospital. –Naruto olhou em volta as pessoas com aparência abatida.
–Agora confessa: se você tivesse a cura total em suas mãos você cederia para o Sasuke? –Naruto perguntou de pé em frente à ela.
–Sim. –Respondeu de imediato, sem olhá-lo.
–Cederia? –Perguntou novamente num tom de julgamento.
Ficou em pé, o olhando de baixo e confirmou pausadamente. –Sim, eu cederia a cura para Sasuke, se a tivesse. –O pomo de Adão de Naruto subiu e desceu pela proximidade e firmeza das palavras da garota. –Mas este não é o caso. –Acrescentou num tom mais baixo, frio.
Estava cansada de ser posta contra a parede.
Bastou alguns minutos para que ela já se sentisse fraca demais para permanecer sobre as pernas. Uma tontura, um novo desmaio decorrente de um corpo e uma mente que trabalharam demais.
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