Strokes

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Notas iniciais
Mil perdões! Pensei que esse capítulo sairia rapidão, mas demorei um pouco para escrever a última parte. Strokes não é uma fanfic fácil de escrever, me entendam, por favor. . Boa leitura!

— Entre — Sakura, ainda transformada em Hinata, sentou-se recatada na cadeira estofada. Tsunade trancou a porta e dirigiu-se à sua própria cadeira em seguida:

— Não a ninguém que possa nos ver ou ouvir?

— Não.

— Tudo bem — falou suspirando, relaxando os ombros, e com um selo de mão, Sakura encerrou o jutsu de transformação, se revelando. Tsunade demonstrou mais raiva do que surpresa, encarou a pupila com irritação. O controle de chakra dela era tão preciso que não permitiu oscilações, passando despercebida pelos Anbu e até mesmo por ela.

— Você é mesmo uma insolente.

— Não me deu escolha — retrucou — Eu precisava arranjar uma maneira de falar com você, Tsunade-sama.

— Onde está Hinata?

— Tomara esteja morta — respondeu sincera — Até ela deixou-se ser usada contra nós.

— Diga de uma vez o que quer e dê um jeito de sair daqui viva — ordenou.

— Você permitiria que esses pau-mandado me matassem? — Tsunade não respondeu — Embora eu esteja com a mão coçando para matá-la de tanta raiva, você me conhece melhor do que ninguém, eu jamais te trairia, ou até mesmo a vila.

— Nem pelo Sasuke? — indagou desconfiada.

— Nem pela minha mãe — Sakura respondeu se contendo para não chorar.

Aquela era uma situação difícil, Tsunade era o mais próximo de uma mãe que ela poderia ter, mesmo que tenham se afastado consideravelmente. O respeito e estima por Tsunade é enorme, contudo as atitudes estranhas da mesma estava quebrando tudo o que haviam construído.

— Você que decidiu libertar aquele idiota, não foi eu quem pediu, agora usa Naruto e eu para comprovar que esse seu receio estúpido tem fundamentos. Sabe o que estão falando de você? — aproximou-se da senpai — Dizem que você enlouqueceu — sussurrou — É essa imagem que quer deixar para as próximas gerações? Godaime, a hokage insana? — Tsunade revirou os olhos e se serviu com o resto de sakê da garrafa — Eles querem que você saia antes que mate mais alguém publicamente com motivos levianos — avisou — Eu vim aqui para entender por que você está tão irreconhecível, Tsunade-sama. Eu quero saber quem realmente você é, e o que quer de nós.

— Eu só quero ter certeza de que deixarei a vila em boas mãos.

— Isso é conversa fiada — exclamou — Acha que eu não soube que Naruto veio pessoalmente renunciar o convite? Também sei que há alguém agindo por trás disso tudo, alguém te usando, alguém que deseja ver Naruto, Sasuke e eu nos rebelarmos contra você, para depois, de alguma forma, nos condenar. Por que não me diz quem é? Não tem ninguém nos escutando ou nos vendo, não é? Eu quero saber quem está conspirando contra nós e contra você!

— Não precisa pensar muito... — falou bebericando o destilado.

— O quê? — Sakura perguntou sem entender.

— Isso é tudo o que posso dizer — bateu o copo de dose na mesa — Agora vá embora — indicou a porta, levantando-se e encarando a Haruno.

— Fala a verdade — Sakura esbravejou, batendo na mesa e levantando-se para ficar da mesma altura na mestra.

— Abaixa o tom de voz — ordenou aos gritos — Ainda sou sua hokage que exijo respeito — Sakura acalmou-se e voltou à posição anterior, sentou-se e engoliu seu orgulho. Se quisesse prolongar a conversa, tinha que ser tolerante com o humor oscilante da Senju — Seu amor platônico não é novidade para toda a vila. Temo que seja estúpida o bastante para passar por cima dos seus princípios por aquele bastardo, sei que é capaz de dar sua vida por ele.

Sakura riu desacreditada, balançando a cabeça para os lados — Então você não me conhece como eu pensei que conhecia — respondeu — Você não sabe de nada — garantiu com um sorriso — Só cuido do Sasuke porque você me obrigou, lembra?

— Quem me garante que não faz isso por prazer?

— Eu — bateu no peito — É a minha palavra contra o seu achismo.

— E o que me diz do Naruto, tão leal aos mais desprendidos amigos? Ele também se posicionaria como você? Colocando as responsabilidades acima dos laços?

— Essa é uma pergunta que deveria ser feita para ele, não para mim.

— Insolente — bateu na mesa. Sakura desculpou-se, reformulando.

— Você conhece o Naruto tão bem quanto eu, como não tem essa resposta?

— Você é cúmplice desse complô! — Tsunade surtou, jogando as coisas para fora da mesa — Você é a cabeça da rebelião lá fora — apontou para a vidraça.

— Você está louca! Só estamos nos defendendo de você — respondeu no mesmo tom agressivo — Você esqueceu de tudo! Se esqueceu-se dos nossos laços, eu não esqueci. Não venho aqui somente por conta desse circo que você armou, venho aqui por você — Tsunade suavizou suas expressões, olhando nos olhos da pupila, marejados, se contendo para continuar sem mostrar-se mais fraca do que já era de natureza — Venho por você que saiu dos seus jogos azarados para curar o Sasuke e assumir a vila, por você que encorajou e ao mesmo tempo protegeu o Naruto, que me ensinou tudo o que sabe, que cuidou da vila tão bem quanto seu sensei e seu avô, por você que suportou duas grandes guerras, por tudo o que você é.

Tsunade sentou-se, abaixou o rosto para Sakura não vê-la, escondeu-se atrás das mãos, tentou digerir tudo o que ouvia.

— Não precisa provar o quanto ama e zela essa vila, todos veem, todos admiram e reconhecem. Qual a necessidade de manchar sua trajetória dessa forma? Eu quero entender o que tem acontecido com você para estar agindo desta maneira conosco.

— Eu me sinto culpada — falou com a voz abafada.

— Pelo quê?

— Por você — respondeu limpando as lágrimas. Continuou sem encarar a Sakura, não tinha estômago para tanto.

Sakura engoliu um seco, sabia exatamente ao que Tsunade se referia. Olhou para o teto, para os lados, para qualquer lugar, tentando fazer as lágrimas voltarem para dentro dos dutos lacrimais, só que não adiantava. As emoções não eram dependentes da vontade.

— Você brincou de ser Deus... — começou — Colocou-os no meu caminho como um “presente”. Só faltou uma plaquinha informando que aquela era minha vingaça, que você tinha colocado em minhas mãos.

— Eu não podia aniquilá-los. Eles eram seu alvo, não meu. Eu não ia conseguir lidar com isso, Sakura. Você é como uma filha. Eu me segurei para não acabar com isso, mas eu não podia ignorar, precisava dar um jeito de você acabar de uma vez com isso.

— Por que não me falou desde o começo que os capturou?

— Porque eu vi, durante esses anos, como você tem lutado e se esforçado para superar esse trauma, para ultrapassar seus limites somente por aquele objetivo. Eu vi como você se tornou mais forte, somente para esmagar aqueles demônios — respirou fundo, tentando controlar o choro — Eu queria que você estancasse... Eu não queria fazer a mesma coisa que Orochimaru fez com o Sasuke.

— Mas pôde mantê-los enjaulados, aquecidos e alimentados, criou os ratos para serem mortos. Embora você diga que fez isso por mim, está claro que fez por você. Shizune encontrou documentos que comprovam ilegalidade da Ilha Kamui e a lotação máxima da prisão. Você precisava de alguém para fazer a limpeza, alguém com ódio e força o bastante, então forjou as missões, usou o Naruto, o Sasuke, e principalmente eu. Se você se esforçou para manter em pé toda essa história por mim, você fracassou, porque eu já sei de tudo, inclusive tenho provas que podem mostrar quem realmente está agindo como inimigo. E não, eu não sou grata por ter colocado aqueles homens imundos no meu caminho. Eu só me senti mais humilhada quando fui interrogada pelo kazekage e obrigada a contar que fui estuprada por reles mercenários de uma vila miserável. A garota que sobreviveu ao Tsukuyomi, enfrentou o Madara e superou a maior médica-nin de toda a história, foi estuprada por uns analfabetos que conheciam venenos melhor do que ela — enxugou as lágrimas — Sinceramente, eu preferiria, que mantivesse os ordinários naquela ilha esquecida. Um dia eu iria achá-los, eu explodiria aquele lugar comigo dentro, só para não ter que viver com essa amargura. Quero que saiba que por mim, pode atear fogo no Sasuke, ele não acrescenta em nada na minha vida. E que expulse o Naruto, se achar mais seguro, ele sabe se virar. Faça isso, ele se refugiará com a Hyuga bastarda. Não faz diferença. Eu só vim dizer que se você não colocar um fim nesse showzinho, iremos realmente nos assumir como uma ameaça. E não estaremos sozinhos.

— O que querem? — Tsunade perguntou sem encará-la, recompondo o tom de voz autoritário enquanto enxugava as lágrimas que insistia em esconder de Sakura.

— Negociar — jogou um pergaminho sobre a mesa da hokage — Limpamos sua ficha, e você nos deixa em paz — Tsunade desenrolou o papiro, enquanto fazia a leitura, Sakura falava — Sua cabeça estará à prêmio quando os kages souberem da sua demonstração pública da ótima hospitalidade da vila. Você sabia que a degolada era a organizadora de eventos favorita da Misu e do Raikage? — Tsunade revirou os olhos.

— Era uma abusada — Sakura ignorou a indiferença.

— Naruto, Sasuke, a fresca da Hinata e eu, estamos dispostos à contornar isso por você. Podemos nos desculpas pessoalmente com eles, e lhes prestar serviços. Não somos reles shinobis, temos nome e respeito, com certeza irão nos considerar. Podemos dar um fim definitivos das provas de corrupção que obtemos, assim ninguém jamais terá uma acusação contra sua pessoa enquanto hokage. Podemos até dar um sumiço na Ilha Kamui. Podemos eliminar essas sombras que te ameaçam. E o mais importante: podemos perdoá-la, e amenizar essa culpa que diz sentir.

Eles vão querer matá-los de qualquer jeito. Minha palavra não tem muito valor agora.

— Fale por si só que “neles” nós damos um jeito.

— Sakura, você não está entendendo... — balançou a cabeça para os lados pesarosa — Eles só vão ficar em paz quando vê-los mortos.

— Já até imagino o por quê — ponderou — Aceite esta proposta, e deixe esta cadeira com a consciência limpa. Confia naquele que você considerou seu irmão mais novo, e naquela que você considerou como filha.

Tsunade, ainda incerta, olhou para a pupila com o olhar baixo, acanhado. As bochechas coradas pela bebida, os olhos com ressaca de tristeza.

— Eu aceito.

Para Sakura, foi como tirar o peso do mundo das suas costas.

.o0o.

Ino tentava a todo custo realizar o jutsu que julgava ser mais seguro e rápido, mas por algum motivo, não dava certo. Desistiu de mirar Hinata e implorou para que a Hyuga lhe dissesse o que tanto queria como Naruto para que ela mesma desse o recado.

— Ele só vai para se me ouvir.

— Eu digo para ele que está aqui, que está tudo bem, ele vai se acalmar quando vê-la.

— E se ele não se acalmar, desconfiar, achar que é mentira?

— É um risco, mas é um risco menos do que colocá-la na mente dele — Hinata suspirou — Vai por mim, não é nada bom estar na cabeça das pessoas. Há insanidade nas pessoas mais lúcidas, ódio nas pessoas mais serenas. É confuso, sua mente pode vagar e se perder.

— Tudo bem.

— Vou dizer a ele que está aqui.

— Tomara que ele a ouça.

— Vai dar tudo certo.

Para a sorte de Sasuke, Naruto tinha muitos amigos leais, o bastante para enfrentar esquadrões da Anbu de igual para igual. Até Konohamaru havia surgido do além para defender o amigo, que descontrolado, beirava a inconsciência. Com a ajuda dos colegas do amigo, deixou a defesa de lado para tentar controlar o Naruto, seguindo os comando de Sakura. Se algum shinobi morresse pelas mãos de um dos dois, Sasuke poderia dar adeus à sua “liberdade”, e Naruto poderia esquecer do seu sonho de se tornar hokage.

Sakura havia sumido, apareceu como um raio, e saiu fora novamente. Ela não seria tão baixa ao ponto de deixá-los lutando sozinhos para não fazer nada. Ela não perdia tempo e pensava sempre além, pelo menos era isso que Sasuke observava durante as últimas missões que fizeram juntos.

Sasuke chamava, gritava, rosnava o nome de Naruto, pedia para ele se controlar, mas ele estava indomável. Ele até evitava aproximar-se muito daquela áurea de chakra borbulhante que envolvia o amigo. Sasuke conhecia o poder máximo de Naruto, o pavio curto, o zelo incomum pelas amizades. Mexer com alguém importante para ele, é faísca em palha.

Em algum momento Sasuke notou uma cabeleira loira passar como uma jato na sua frente. Ino parou há poucos metros de Naruto e fez um selo de mão.

— Ele vai matá-la! Sai daí! — Sasuke gritou de onde estava, contudo a loira entrou num transe e desmaiou. Antes que encostasse no chão, Sasuke acelerou e a segurou para evitar uma queda brusca.

— Não viole o corpo dela ou se afaste demais — Shikamaru advertiu enquanto se defendia, e Sasuke carregava Ino para longe do Naruto.

— O que ela fez?

— Acho que ela entrou na cabeça do Naruto.

— Para quê? — Sasuke perguntou confuso, pois Ino não tinha muita influência sobre o Naruto, ainda mais com a raposa atacada.

— Acho que tentará controlá-lo ou falar alguma coisa importante. Considerando a inteligência dela e o estado no Naruto, a segunda opção é mais plausível. Ino não pensaria na primeira.

Hinata observava de longe com os dedos cruzados para que Naruto ouvisse o recado. Imaginava como Sakura estava se saindo, se estava bem, se precisava de ajuda. Com um rápido olhar ela teria as respostas para essas perguntas, mas no momento ela esperava, esperançosa, que Naruto lhe olhasse no meio daquela multidão e retrocedesse aquela raiva.

E foi isso que aconteceu.

Ele a buscou com o olhar, e quando a encontrou, aquela áurea demoníaca se dissipou. “Hinata”, a dona do nome leu a pronuncia em seus lábios e correu em direção a ele, o abraçando em prantos desculpando-se.

— O que fizeram com você? Você está bem? — Naruto chegou superficialmente Hinata dos pés à cabeça.

— Sim, estou.

— Como conseguiu escapar?

— A Sakura trocou de lugar comigo.

— O quê? — Naruto exclamou. Sasuke que dava cobertura, já havia prendido no genjutsu mais da metade dos Anbu, deixando o restante para Shikamaru, Shizune, Kakashi, Chouji, Kiba e o restante dos “ajudantes”, pôde enfim aproximar-se para saber sobre Sakura. Tinha escutado o nome dela e estava curioso em saber onde ela estava e porque saiu de repente.

— Ela surgiu na sala onde eu estava, queria falar com Tsunade, eu avisei que seria morta se a vissem, e o prédio está repleto de Anbu. Então eu sugeri que ela se passasse por mim.

— E ela aceitou? — Sasuke perguntou incrédulo.

— Não tínhamos tempo nem alternativa.

— Então Sakura está lá dentrou com a Tsunade-baa-chan? — Hinata confirmou para Naruto.

— O que faremos? — Ino perguntou atordoada. Só a voz dela fazia com que os pelos dos braços do Sasuke se eriçassem de irritação. Ela era um falsa fingindo preocupação, assim como Hinata.

Vocês não farão nada. Já nos causaram problemas demais — Sasuke falou para Ino e Hinata. Uma se indignou e a outra se acanhou, respectivamente.

— Ingrato — Ino ralhou — Saí da floricultura para ajudá-lo.

— Não fui te chamar — Sasuke retrucou.

— Não precisa ser tão rude, Sasuke — Shikamaru advertiu — Ino foi bastante útil — Sasuke deu os ombros.

— Enquanto não chegam novos membros da Anbu, precisamos agir para entrar lá dentro — Shizune apontou.

— Esse restante deve estar lá dentro. Pelo menos na mesma quantidade que estão aqui fora — Tenten ponderou.

— Sakura está lá dentro! Sabe-se lá o que está passando! Não podemos abaixar a guarda e...

— Naruto, calma — Shikamaru apoiou a mão em seu ombro — Se agir impulsivamente de novo, as coisas podem piorar.

— N-Naruto — Hinata chamou timidamente. O louro a olhou pelo canto dos olhos. A mágoa pelo o que ela tinha feito era maior do que seu alívio ao vê-la bem — Não acredito que Tsunade-sama fará algum mal a ela.

— Está brincando? Aquela velha está possuída! Quase me matou quando eu não lhe entreguei o que ela queria.

— Por que está dizendo isso, Hinata?

— Pelo tempo que fiquei lá, pude perceber que Tsunade estava sob pressão. Um dos Anbu sempre fala em seu ouvido antes de ela dar alguma ordem. O fato dela ponderar antes de ditá-las, me fez indagar se aquilo que ela mandava era o que realmente ela queria.

— Por falar nisso, o que fizeram com você?

— Me capturaram e me levaram para a sala onde estive pelas ultimas horas. Interrogaram-me novamente sobre vocês — disso olhando para Naruto e Sasuke — e então me deram o contrato.

— O contrato... — Ino repetiu distante — Perdi minha parte dos negócios Yamanaka para a o poder executivo da vila — suspirou pesarosa — Quando meu clã descobrir, serei repudiada.

— E você, Hinata? — Naruto perguntou ao notar o olhar pesado da garota.

— Só fui deserdada — mentiu. Naruto percebeu, mas não insistiu.

— Hinata, você tem ideia de quem poderia estar por trás disso? — Shikamaru indagou, mais curioso no mistério de Tsunade do que no castigo das meninas.

— Os anciões — respondeu sem hesitar — Um pouco antes da Sakura aparecer, fiquei por uns instantes sozinha na sala, e com o Byakugan encontrei Tsunade em um cômodo arredondado do prédio. Ela parecia discutir com duas pessoas. Quando mencionei a sala, Sakura logo soube que era a sala dos anciões. Então imaginei que eles são a fonte de tudo isso.

— Eu os tinha como palpite. Agora tenho como certeza — Sasuke comentou afastando-se da roda de amigos. Eles o acompanharam com o olhar.

Sasuke aproximou de um dos corpos adormecidos, puxou o braço e rasgou a manga da blusa na parte de cima do braços, onde deveria existir uma tatuagem da Anbu, a espiral.

— Naruto — chamou — Isso lhe parece familiar?

Todos se aproximaram. Naruto agachou-se e observou melhor. Quase não acreditava.

— Que símbolo é esse? — Tenten perguntou.

— Dois ganchos virados e cinco pontos — Naruto disse distraído — Os mesmos dos mercenários que nos atacaram na divida do País do Rio e do País do Vento — olhou para Shikamaru buscando uma luz — Mas Sasuke, todos foram mortos.

— A Ilha Kamui está deserta. Os shinobis das Forças Regulares que ficavam lá já estão sendo encaminhados de volta — Shizune assegurou.

— Talvez não sejam mercenários, talvez sejam como aqueles imundos da Anbu Ne. Danzou criou uma ramificação das forças táticas de Konoha, não é estranho que os conselheiros criem um pequeno exército sob o nariz da hokage. Ainda mais quando eles estão tão imersos no ambiente, tão familiarizados com cada um de nós. Não achou estranho como aquele bando de “selvagens” nos deu um trabalho, Naruto? Eles conheciam nossas habilidades, nos estudaram, foram treinados para estarem ali. Já pensou na possibilidade da Ilha Kamui não ser exatamente uma prisão e sim um campo de treinamento?

— Sasuke... — Shizune aproximou-se dele, interrompendo seu raciocínio em conjunto com o Naruto que só absorvia aquelas informações — Se você está certo, se os sujeitos que os atacaram na ida para Suna vêm do mesmo lugar que estes vieram, se isso tudo é obra dos conselheiros, então o que aconteceu com a Sakura foi premeditado?

Sasuke calou-se. Não sabia o que tinha acontecido com a Sakura.

— O que aconteceu com ela? — curiosa, Ino perguntou.

— Possivelmente — Naruto respondeu engolindo um seco. Desconfortável só de lembrar o que haviam feito com a sua amiga.

Shizune meneou a cabeça em entendimento. O resto do grupo ficou calado. As coisas estavam ficando mais claras.

— Peço que dois de vocês confiram se todos têm a mesma tatuagem; outros quatro fiquem de guarda. Sasuke, consegue me dizer em quanto tempo esses homens podem acordar?

— De dois à três dias.

— Que exagero... — revirou os olhos — Preciso que Hinata, Lee e Tenten venham comigo e Shikamaru.

— O que pretende? — O Nara indagou.

— Espalhar cópias das traquinagens de Tsunade e cia. Embora já saibamos que ela não é nosso foco. Eu iria entregar esses documentos aos anciões, ainda bem que Hinata nos avisou antes.

— Isso não pode cair nas mãos de qualquer pessoa.

— Pelo menos os Hyuuga precisam saber com o que estão lidando. Como sei que tem problemas familiares, Hinata, sugiro levar Tenten consigo. E Lee, você que é rápido, levará aos outros locais que eu te indicar.

— Sim, senhora — fez continência.

— Naruto e Sasuke, entrem lá e tirem a Sakura, e se possível, Tsunade também. Ela pode ser tão vítima quando nós — Sasuke torceu o bico. Shizune percebendo a falta de ânimo do Sasuke quanto a isso, acrescentou — E todos, sem exceção, devemos muito a ela.

Em seguida, saiu acompanhada de Shikamaru, Lee, Hinata e Tenten.

.o0o.

Sakura saiu da sala da hokage sob a transformação, vestindo uma expressão injuriada, e Tsunade permaneceu impassível. Andaram alguns metros do corredor sem depararem-se com nenhum empecilho, mas quando toparam com os Anbu, já encararam oito de uma vez só, estavam escorados, somente esperando-as. Tinham um olhar desconfiado, contudo ficaram calados. Metade deles eram Hyuga. Olhavam para quem julgavam ser Hinata com ódio e deboche.

— Ela está liberada — Tsunade anunciou, os homens menearam a cabeça em entendimento — Onde estão os papéis?

— Aqui — um dos mascarados a entregou.

— Fizeram cópias?

— A senhora não pediu.

— Tudo bem, eu mesma tiro — disfarçou. Aqueles papéis iriam para o lixo, sem cópias, não havia o risco dos conselheiros ou até mesmo dos Hyuga recorrerem.

Os sujeitos que guiavam Sakura não eram delicados, coincidamente, ou não, eram Hyugas. Crentes que aquela transformação bem feita era Hinata, eles a ofendiam, diziam que ela era a negação da família principal, a vergonha do clã, que não merecia enxergar, sequer vestir o emblema dos majestosos Hyuga. Sakura se perguntava se Hinata, em situações normais do dia a dia, engolia desaforos como esses, ainda mais do parentes. Ela entendeu um pouco o motivo da garota ter saído de casa tão nova, indo morar afastada do distrito do clã, vivendo sua vida individualmente, diferente de toda sua família.;

Quando Sakura surgiu no topo da escada, Shino foi o primeiro a notar:

— Naruto — chamou o amigo que já combinava com o Sasuke como iriam invadir o prédio e resgatar Sakura e Tsunade. Shino apontou para o entrada do QG, ao ver a figura da Hinata, sabiam no mesmo instante que se tratava da Sakura. Naruto correu até ela. Os Anbu ainda a acompanhavam, mas sem contato.

— Hinata-chan! — Naruto gritou e correu até ela. Sakura sentiu-se enciumada ao vê-lo tão aliviado ao ver a suposta Hinata, mesmo depois de ter descoberto sua traição.

Ele a abraçou já sussurrando em seu ouvido “Eu sei que é você, Sakura”. Um sorriso de triunfo ousou escapar dos lábios da Haruno. Olhou ao redor e viu dezenas de Anbu's derrotados. Naquela área não havia mais asfalto e os comércios no perímetro em volta da Central estavam fechados, em plena luz do dia. Logo ela percebeu que a “brincadeira” tinha tomado proporções maiores enquanto ela se espremia entre as rochas e agia como uma usurpadora.

— O que aconteceu aqui? — Um dos homens que a acompanhava exclamou, correu para os colegas fardados caídos em frente à Central. Os outros ficaram em posição de ataque e Naruto encarou um deles por longos segundos.

— Eles não são Anbu, são mercenários ou outra merda de ramificação das Forças Táticas que os conselheiros inventaram.

— O quê?

— Quem vocês serve?

— Exclusivamente à hokage — respondeu outro.

— Eles não — Naruto apontou — A maioria deles possui uma tatuagem distinta dos Anbu de Konoha, um símbolo que encontramos em mercenários fugitivos da Ilha Kamui, na divida do País do Rio com o País do Vento — os homens, cautelosos, abaixaram as armas — Nenhum está morto, mas é melhor levá-los para o hospital, pois estão sob genjutsu — aconselhou — Shino, Ino, Kiba e Chouji vão ajudá-los.

Embora Naruto ainda fosse um genin e, em tese, não tivesse poder nenhum sobre ninguém, já era de conhecimento geral que ele era o favorito para suceder a godaime, então as pessoas, em sua maioria, já o tratavam respeitosamente, somado ao resultado da guerra contra a temível Kaguya. Não era algo exagerado, apenas o ouviam quando ele tinha algo a dizer, e consideravam um conselho quando este poderia ser útil. Os Anbu's serem tão hostil no bosque e na Central, era uma atitude para se estranhar. Ele não conhecia todos, mas tomara lámen com boa parte deles para saber que era bem estimado. Muita coisa se encaixava naquele momento.

Depois de muito tempo que chegaram reforços para interditar o local e levar os shinobis desacordados, Sakura, ainda sob o disfarce de Hinata, conseguiu se esquivar para uma rua mais afastada e vazia, levando consigo Naruto e Sasuke, e lá encerrando a transformação perfeita que reduziu seu chakra mais do que a metade.

— Ainda bem que demos um jeito de sair, não me aguentava mais de tanta curiosidade! — Naruto exclamou.

— O que resolveu?— Sasuke perguntou, direto.

— Praticamente tudo — sentou-se numa caixa de madeira vazia.

— Como assim? — Naruto indagou.

— Estão a ameaçando.

— Hinata disse que são os conselheiros — Sasuke informou.

— Eu desconfiava que fosse. Contudo, as ameaças que fiz contra ela pareceu ter mais impacto do que a incógnita dos anciões, afinal, ela aceitou nossos termos, com suas condições.

— Que condições? — Sasuke desconfiou.

— Depois explico melhor, vamos para casa, estou faminta — resmungou e Naruto concordou prontamente.

— Que garantia ela te deu? — Sakura riu da insegurança do Sasuke.

— Eu disse que resolvi as coisas, relaxa.

— Não, você disse que resolveu praticamente tudo.

— Nossa parte eu resolvi. O que não está ao meu alcance é terminar o serviço que é dela — pulou da caixa e caminhou até o Naruto, que só observava — Tenta relaxar um pouco, e quem sabe, pagar meu jantar. Você é um homem livre, Sasuke. Livre — Piscou e passou a mão por cima dos ombros do Naruto, o levando consigo para algum lugar. Sasuke ficou um tempo parado, ponderando se aquilo estava mesmo resolvido.

Ele não acreditava. Não confiava. Queria estar calmo, aliviado, contente, mas ainda sentia-se encurralado numa jaula, estancado num campo aberto, presa fácil para os predadores.

Sasuke não confiava.

Notas finais
ACABOOOOOOOU! - pelo menos a malvadeza da Tsunade acabou, ou foi explicada, a interpretação é livre - Estou há quanto tempo estancada nessa fase Bad Tsunade? Um ano? Mais? De qualquer forma, daqui para frente, voltamos para os questionamentos da introdução da fanfic, voltamos ao prólogo, e espero que estendam esse recado =) . Obrigada por tirarem um tempinho para ler. Se não for pedir demais, deixem-me um review ou um recadinho dizendo o que achou. Um grande beijo. Shalom!