Strokes
39 New journey
Notas iniciais
O antigo Time 7 conseguiu encontrar uma churrascaria aberta do outro lado da vila. Por conta da confusão no centro, os comércios fecharam e os aldeões se concentraram naquela região da vila que ainda continuava de portas abertas. Esperaram poucos minutos para conseguirem um mesa, a dos fundos do estabelecimento, precisando assim passar por todas as outras para chegar lá.
As roupas estavam sujas, assim como eles, que já deviam estar cheirando a suor. As escoriações, hematomas e expressões cansadas denunciavam àqueles que não sabiam o que tinha acontecido, que aquele trio tinha alguma coisa a ver. Mas não eram os únicos, passando por uma das mesas, encontraram o time da Kurenai, do Gai e do Asuma, com exceção de Neji e Shimamaru, respectivamente. Naruto parou e os cumprimentou:
— Hey, pessoal! Obrigado pela ajuda hoje — agradeceu sinceramente — Mesmo sem saberem o que realmente estava acontecendo, vocês nos ajudaram. São realmente grandes amigos.
— Ora, sem essa, baka! Está muito cedo para tanto sentimento exposto. Sente-se conosco e beba um pouco antes — convidou Tenten.
A mesa que acolhia dez pessoas, tinha somente dois lugares vagos, pois Chouji ocupava dois. Naruto gostaria muito de sentar-se ali com seus amigos, havia um bom tempo que não faziam algo juntos, porém tinha Sasuke e Sakura que estavam ansiosos para conversarem sobre Tsunade, além de estarem emputecidos com Ino e Hinata. E também, mesmo que quisessem se juntar a eles, não haveria lugar para os três, então nenhum se sentaria.
— Não, obrigado! Temos que resolver umas coisas, talvez depois.
— Tudo bem! — Tenten sorriu simpática.
Quando Naruto ia saindo para sua mesa, Kiba chamou Sasuke:
— Uchiha! —Sasuke virou somente a cabeça para olhá-lo, com pouco interesse — Agora há pouco apareceu uma ruiva atrás de você.
— Nossa, é mesmo! Já íamos nos esquecendo de avisar — Lee bateu na testa.
— Quem? — Sasuke perguntou.
— Uma de óculos. Não sei o nome dela, mas era uma das crias do Orochimaru — Chouji respondeu mastigado um pedaço de carne.
— Ela tinha uma criança — acrescentou Lee em um sussurro fracassado, com a mão tampando uma parte da boca — E disse que era sua!
— É o quê? — Naruto exclamou aterrorizado olhando para o amigo ao seu lado.
Ino deixou uma risada escapar, o resto do pessoal ficou em silêncio olhando para a própria comida. Somente Shino deixou uma mosca escapar e pousar na magnífica testa da Haruno, que expulsou o bicho somente com uma careta.
— Só podem estar falando da Karin — Sakura constatou fitando as costas do Sasuke.
— Ela é uma lunática — Sasuke suspirou.
— Deve ser mesmo — Kiba concordou — Disse que te buscaria até no inferno! — riu, e todos da mesa se entreolharam e seguraram o riso, disfarçando pouco.
— Vamos comer — Sakura irritou-se e puxou Naruto e Sasuke dali.
Eles poderiam ser amigos do Naruto, mas não eram do Sasuke. A forma como estavam zombando por dentro, sem nem ao menos disfarçar, estava a deixando irritadiça. Mesmo que o próprio Sasuke não desse a mínima. Sakura conhecia os podres de cada um ali, e se colocasse à mesa para julgá-los, não haveria um risadinha sequer. Sentou-se de costas para o grupo atrás, e os dois meninos ficaram à sua frente, um confuso, o outro indiferente.
— O que vão pedir?
— Lámen! — Naruto respondeu prontamente.
— Baka! — Sakura pisou no pé dele por baixo na mesa — Você quer lámen em uma churrascaria?
— Por que não? — indagou com um biquinho, reclamando do pisão no pé.
— Sasuke?
— Tanto faz — respondeu sem muito interesse.
Naruto pediu lombo de porco com legumes, Sakura pediu tomates assados com sal e orégano, tokoroten e bolinhos de arroz para o Sasuke, e para ela uma porção de carne e grãos.
— Já pode falar, Sakura-chan.
Ela encostou as costas no estofado, fitando as rodelas de bebida que manchavam a mesa rústica, quando rolou os olhos para cima para ver Naruto a sua frente, sentiu-se encorajada, embora esperasse que Sasuke fosse o primeiro a se explicar sobre sua suposta paterdidade.
— Tsunade está sendo ameaçada.
— Isso já sabemos. Hinata nos contou — Naruto disse.
— Sabem ao menos por quem?
— Segundo ela, pelos anciões.
— Imaginei — comentou — Nunca gostei deles.
— Shizune acredita que eles possam tem relação com a maioria das corrupções que Tsunade assumiu, senão todas.
— Ela me disse que eles nos querem mortos.
— Por quê? — Sasuke perguntou pela primeira vez.
— Nós somos os atuais sannins, eles nos consideram uma ameaça eminente, não uma proteção. Isso só intensificou quando o Sasuke, que já teve envolvimento com o Orochimaru e a Akatsuki, foi solto e introduzido novamente em nossas vidas — olhou para o Sasuke — Pelo o que eu entendi, você só foi solto para esse “teste”, foi sob esse propósito que Tsunade nos mandou para aquelas missões, nos obrigou a ficar juntos e vigiou, entretanto os Conselheiros começaram a deixar explícito que nos queriam mortos. A emboscada no País do Rio não foi mera coincidência, ou um teste, na melhor das hipóteses. Aqueles caras estavam nos atacando para nos matar — falou lembrando-se do sufoco que passaram para deter tantos shinobis.
— E Tsunade não fez nada? — Naruto exclamou indignado. Como a hokage poderia permitir que algo desse tipo fosse permitido? Ela deveria proteger todos os seus aldeões, sem exceção.
— A princípio ela não sabia exatamente o que Koharu e Homura queriam. Ela me disse que os Conselheiros a instruíram a colocar o Sai para nos vigiar desde o começo. Quando Sai não tinha muito a dizer nos relatórios e os Conselheiros cogitaram em convocar cada um de nós para interrogatório – do qual Tsunade sabia que não voltaríamos –, ela pediu para que Ino e Hinata tentassem tirar algum podre de nós, contudo foi inútil porque não temos nenhum plano do mal para dominar a vila ou o mundo — revirou os olhos — Os próprios Conselheiros repetiam essa ladainha de “É tudo pelo bem da vila e dos aldeões”, mas Tsunade sabia que eles nos queriam mortos.
— Ainda não entendi porquê — Sasuke comentou fitando Sakura.
— Eu também não sei! — Sakura exclamou baixinho — Deve ter alguma coisa a ver com o fato do Naruto já ter sido previamente anunciado como sucessor da Godaime.
— Mas renunciei — observou.
— Sim! Por isso não vejo lógica em mais nada — apoiou os cotovelos na mesa cravando sua cabeça entre os dedos cumpridos.
— E como nós vamos ficar? — Sasuke indagou.
— Nós estamos livres da opressão dela — respondeu passando o peso da cabeça para um braço só, enquanto o outro desenhava círculos invisíveis na mesa — Contudo Tsunade ainda está em dívida com eles.
— Sakura, você conseguiu o quê, afinal? — Naruto perguntou, a garota o olhou sem entender — Tá legal, temos respostas agora, não teorias. Bacana. Já sabemos que Tsunade não pirou e que os vilões na verdade são Koharu e Homura, isso é bem útil. Mas você acabou de nos dizer que Tsunade está em dívida com eles, e que estamos livres, contudo isso não faz sentido, porque se os anciões agiam através dela e eles continuarão agindo, que liberdade é essa? Sem contar que não sabemos ainda por que estão a chantageando.
— Sim, eu estava pensando justamente nisso no caminho, por isso amuei — arrumou a postura e Sasuke cruzou os braços. Não parava de fitá-la. Notava que ela estava inquieta demais desde que sentou-se na mesa. Desde que ouviu sobre Karin. No caminho para a churrascaria ela estava radiante.
O garçom chegou com os pratos, e os meninos atacaram imediatamente, dando pequenas pausas para prosseguir com o assunto:
— Minha preocupação é justamente com Tsunade, pois não sei como ela ficará agora que fez o acordo com a gente.
— Que acordo fizeram? — Sasuke indagou.
— Bom — limpou a boca —, foi basicamente o que combinamos na casa do Shikamaru. Vamos limpar o nome dela perante as outras vilas, faremos uma espécie de jornada em pról do seu legado como Godaime hokage, e já aproveitamos e deixamos os kages das outras nações cientes de que os Conselheiros têm relação com boa parte das coisas que têm acontecido conosco. Tenho certeza de que tomarão providências. O País do Fogo faz parte da Grande Nação, as vilas estão mais unidas depois de tudo, então não podemos deixar que uma história mal contada seja capaz de desencadear mais rumores que podem ter consequências mais desagradáveis ainda.
— E faremos isso em troca do quê?
— Você será completamente livre quando voltar, e resgatará todos os seus bens, inclusive o Distrito Uchiha — Sasuke fitou o último tomate assado na travessa, ponderou se era isso mesmo o que ele queria — Desde que fique aqui — Sakura deu ênfase nas últimas palavras, Sasuke sorria debochado — Naruto terá o que quiser quando voltar, inclusive seu posto de sucessor da Godaime, se decidir assumí-lo — Naruto sorriu timidamente — Não pedi nada específico para você porque mesmo o conhecendo bem, não faço ideia do que o seu coração quer depois de todos esses acontecimentos — Sakura segurou a mão do Uzumaki, tão cheio de energia e calor.
— E você? — ele perguntou.
Sakura suspirou, soltou a mão do Naruto e encostou no estofado, jogando a cabeça para trás e fitando a lâmpada alinhada ao seu rosto — Pedi permissão para levantar meu próprio hospital.
— Sakura-chan! Isso é demais! — Naruto exclamou quase subindo em cima da mesa. Praticamente todos os clientes viraram a cabeça para a última mesa a fim de ver quem era o sujeito escandaloso. Naruto se encolheu acanhado, mas o brilho no olhar continuava intacto. Sakura estava tão vermelha quanto o tomate do Sasuke.
— Sim, porém não vamos conseguir nada se ficarmos aqui. Sem contar que vai ficar mais difícil saírmos da vila quando os Conselheiros descobrirem o que Tsunade fez.
— Então vamos partir ainda hoje? — Naruto indagou incrédulo. Os três estavam exaustos. Mal haviam descansado da volta de Sunagakure.
— Sim — assentiu — A questão agora é quem irá comigo.
— Como assim? — arqueou a sobrancelha loura e Sasuke teve uma expressão parecida.
— Um dos dois precisa ficar.
— Mas por quê?
— Naruto, o que iriam pensar de nós três sumidos por semanas? Irão cogitar que fugimos juntos. Tsunade, e até mesmo os Conselheiros quando descobrirem tudo, precisam de uma garantia aqui na vila, e será um de nós.
— Por que você não fica? — Sasuke perguntou num tom desafiador.
— Depois de Shizune, sou a pessoa mais próxima de Tsunade, e também fiz o acordo no meu nome. Nada mais natural do que eu assumir esse compromisso.
— Mas o acordo não era para os três cumprirem?
— Todos serão recompensados como o prometido. Tsunade somente exigiu que um de nós fique na vila, Naruto.— respondeu — Se nenhum dos dois quiserem me acompanhar, não tem problema.
— Eu vou — Sasuke anunciou de súbito, limpando os lábios. Sua refeição já estava feita e ele já ouvira tudo o que precisava.
— Você? — Naruto olhou para o lado, estranhando atitude. Nem fazia sentido Sakura ter a delicadeza de perguntar, já que obviamente quem a acompanharia seria ele, pois Sasuke e ela vivem em faíscas. O posicionamento do amigo o chocou tanto que ele nem contrariou — Tá legal, então vai.
— Ótimo — Sakura suspirou tentando disfarçar a decepção depois de fitar Naruto por uma coleção de segundos esperando que ele se colocasse a frente do Sasuke — Vamos para casa tomar um banho e já partimos.
.o0o.
Sasuke foi com o Naruto para o seu apartamento, e Sakura seguiu para o dela.
Enquanto Sasuke tomava banho, Naruto imaginava se era mesmo uma boa ideia Sasuke acompanhar a Sakura ao invés dele mesmo ir. Ambos mudaram em relação ao outro, o que antes era uma monólogo de sentimentos reprimidos e rejeitados, se tornou diálogos rápidos e necessários, comentários ácidos e silêncio. Sasuke não mudou muito o seu comportamento, contudo parecia reparar mais na Sakura, no que ela dizia e fazia, diferente dos tempos do Time 7, quando ele a tratava como um empecilho para proteger durante as missões, uma voz a ser ignorada, a menos que gritasse por socorro.
Quanto a Sakura, parecia que ela tinha absorvido toda a frieza que recebeu de Sasuke durante a adolescência. A garota meiga, divertida e falante, tornou-se uma mulher com o olhar distante, curta e grossa quando lhe parece conveniente. Naruto ainda possuía o privilégio de risadas espontâneas e vislumbres da antiga Sakura, entretanto, na maior parte do tempo, principalmente quando o Sasuke está por perto, Sakura se mostra ranzinza, enfadonha e acirrante. Mesmo sendo bem temperamental, essas não são características que a descreveriam bem há uns seis meses atrás.
Parte de toda essa mudança na Haruno poderia ser explicada pelo trauma da violência que ela sofreu e pela morte dos pais, só que Naruto sabia que independente das alterações de humor que Sakura sofreu após o estupro e o luto, seja lá o que ela era ou o que ela tinha, foi intensificado, saturado e enfatizado assim que o Sasuke voltou para sua vida.
— Me empresta uma mochila? — Sasuke pediu assim que saiu do banho com uma toalha enrolada na cintura e outra secando os cabelos sedosos.
— Pode pegar a minha. Está em algum lugar do quarto — respondeu distraído, jogado no sofá esperando sua vez de relaxar sob a ducha.
Banhou-se o mais rápido que conseguiu para conseguir acompanhar o Sasuke até a entrada da vila, onde combinou de se encontrar com Sakura. Chegando lá, Naruto a abraçou com força, inalando o cheiro dos seus cabelos ainda molhados, o cheiro feminino e delicado que quebrava a crosta onde a verdadeira Sakura se escondia.
— Toma cuidado — pediu com a voz rouca abafada pelos fios róseos.
Sakura pegou os braços do amigo e afastou-os dela, delicadamente, segurando seu rosto entre as mãos em seguida.
— Mantenha tudo em ordem — pediu — Mandarei cartas para o endereço do Shikamaru.
— E como vou entrar em contato com vocês?
— Não vai — Sakura o soltou.
— Tem ideia de quanto tempo ficarão fora?
— Um mês. Dois, no máximo — falou mirando o Sasuke com a mesma expressão entediada — Você que deu essa bolsa de boiola para ele? — debochou referindo-se a bolsa-carteiro que Sasuke usava cruzada no ombro sob uma capa preta. Naruto não ousou rir, afinal, ele adorava aquela bolsa, embora nunca usasse.
— Não extrapole com ele, por favor — falou para que somente ela escutasse. Sakura revirou os olhos e respondeu:
— Farei de tudo para terminarmos nossa peregrinação rapidamente e você poder ter seu namoradinho de volta — zombou.
— Dattebayo! Eu me preocupo com vocês! Vivem brigando... Temo que se matem no caminho! — exclamou.
Sakura lançou novamente um olhar para o Uchiha, um olhar mais demorado, exausto, sem muitas expectativas.
— Acredito que não — voltou-se para o Naruto — Não terei tempo para me irritar com ele — garantiu.
Naruto deu um último abraço na amiga e caminhou até onde o Sasuke estava, observando – ou tentando observar – as árvores que beiravam a estrada.
— Não se esqueça de colaborar — Sasuke deu um meio sorriso, ainda sem olhar o amigo ao seu lado — Já sabe como Sakura é temperamental e...
— Não se preocupe — interrompeu — Falaremos somente o necessário — virou-se para o Naruto — Estou indo nessa jornada porque também tenho minhas desculpas a dar aos kages pessoalmente. Se for para eu ser livre, que eu seja livre também da culpa e dos julgamentos.
— Quando voltar, terá sua própria casa! — Naruto falou com animação — Eu mesmo organizarei tudo para você.
Sasuke sorriu com o entusiasmo e dedicação do Uzumaki, seu único amigo, o mais próximo de um irmão que poderia ter.
— Garanta isso por mim.
— Pode deixar — trocaram apertos de mão e um meio abraço, desengonçado por parte do Uchiha.
Bastou uma palavra apressada de Sakura para Naruto soltar o Sasuke. Então eles partiram, sem mais cerimônias. Não demorou muito tempo para Naruto sentir-se novamente sozinho, assim como se sentia quando era criança.
.o0o.
Já era noite quando a dupla saiu de Konoha, e madrugada quando sentiram seus corpos chegando ao limite do cansaso. Faltava metade do caminho para chegarem a costa, onde pegariam um barco sentido o País da Água. Sakura foi a primeira a ceder, embora Sasuke estivesse igualmente exausto. Decidiram ficar num pequeno vilarejo ainda dos limites do País do Fogo.
Não havia hospedaria com quartos separados. Era uma vila turística pelas montanhas e águas termais, só havia chalés para casais por um preço caríssimo, de modo que Sasuke e Sakura foram obrigados a dividir o lugarzinho por algumas horas. A pequena casinha não tinha divisão de cômodos, com exceção do banheiro. A cozinha ficava a esquerda; a sala no meio, logo na entrada; e a cama a direta, encostada na parede. Ambos detestaram a planta do lugar, mas não estavam podendo escolher ou se queixar.
Penduraram as bolsas nos ganchos fixados na parede ao lado da porta, Sasuke fez a vistoria ao redor do chalé enquanto Sakura revistou tudo dentro. Assim que ele entrou, trancou a porta e esperou Sakura dizer algo, contudo ela sentou-se no tapete, perto da lareira, e começou a tirar os sapatos.
— Vai tomar banho?
— Não, pode ir — respondeu seu olhá-lo, deixando a sandália úmida próxima ao fogo para secar.
Sasuke entrou no banheiro, contudo não abriu o chuveiro, trocou a roupa ninja por um moletom e voltou para a cozinha-sala-quarto. Sakura o olhou estranho, mas não disse nada. Já tinha mudado de roupa, ficando apenas com a blusa de segunda pele e um short justo. Sasuke fez o possível para não reparar demais na transparência da blusa.
— Quer comer algo? — Sasuke negou com a cabeça — Eu também não — levantou-se — Teremos que dormir juntos — Sasuke no mesmo instante virou-se para observá-la caminhar até a cama.
— Durmo aqui mesmo — referiu-se ao sofá.
Sakura apoiou as mãos na cintura e o fitou com tédio.
— Já passamos dessa fase, Sasuke.
— Prefiro ficar aqui.
— Esse sofá é desconfortável, eu experimentei enquanto se trocava. Se quer descansar, é melhor engolir o orgulho Uchiha e dividir a cama comigo — Sasuke ponderou, a fitando desconfiado — Não se preocupe, não tenho interesse nenhum em você, só quero que descanse para adiantarmos a viagem amanhã.
Sasuke cedeu afinal, caminhando até a cama um tanto encabulado. Sakura rapidamente pulou para o canto, se afogando embaixo dos cobertores, o olhando de maneira desafiadora, como se fosse uma prova para ele deitar-se ao seu lado. E de fato era, afinal, aquela situação era bem distinta de todas as vezes que dormiram juntos na casa dela ou em missões.
O lado oposto da cama afundou, e Sakura sorriu satisfeita. O Uchiha se remexeu um pouco, buscando a posição certa, e esforçando-se para que nenhuma parte dos seus corpos se tocassem. Ficou de costas para a garota que caiu no sono rapidamente, enquanto ele permaneceu acordado por alguns minutos, analisando a sensação que mexia com seus sentidos cada vez que a respiração quente e ritmada de Sakura espalhava por suas costas. Era uma sensação gostosa, e ele dormiu pensando nisso.
Fale com o autor