Strokes

3 New rules


Notas iniciais
- Hey! poucos leitores, poucos reviews... vou demorar pra postar okay?

.o0o.

-Naruto! –Gritou na sua janela, mas logo percebeu que o loiro não estava dormindo como normalmente estaria àquela hora. Bateu na porta, como todas as pessoas comuns fazem e esperou pacientemente ele abrir para ela entrar, mas depois de cinco segundos isso não aconteceu e ela preferiu entrar pela janela do quarto mesmo. Ele podia ter caído no banheiro de novo e estar lá desmaiado.

A cama estava bagunçada demais para o Naruto que mal se mexia de noite, com isso Sakura pode cogitar o que havia acontecido na noite anterior. Estranhou o fato de haver um colchão estendido no chão, mas isso não chamou mais sua atenção do que o silêncio no apartamento. A pia estava com algumas louças e a mesa ainda estava posta com um café da manhã para dois, confirmando o que Sakura já imaginava.

Só gostaria de saber com quem Naruto estava saindo. Lembrar-se-ia de brigar com ele por não tê-la dito que estava de caso com uma garota, afinal, eles não tinham segredos um com o outro.

Arrumou a cozinha e o quarto já preparando o almoço para quando ele chegasse. Era meio que um ritual Sakura arrumar toda a casa dele, os dois almoçarem e em seguida ele treiná-la como pagamento. De longe, quem tirava mais vantagens desse acordo era o Naruto. Ela sabia disso, mas não se importava em cuidar dele e de sua casa, de certa forma, estar com o Naruto a fazia sentir-se segura e ao mesmo tempo confiável, pois em qualquer situação, um sempre tinha ao outro para recorrer.

Depois de preparar a comida, decidiu tomar um banho. Era verão em Konoha. O Sol já era severo às oito da manhã e perdurava até o entardecer, uma tormenta para quem gostava do tempo moderado como na primavera.

Pegou uma das camisetas de Naruto no armário e foi tomar banho. Quando chegou no banheiro, suas pernas vacilaram e num reflexo instintivo levou a mão ao peito, se apoiando na porta já fechada. No chão, roupas familiares estavam jogadas, e ela as conhecia sem precisar ver muitos detalhes. No lavatório havia alguns fios negros grudados na superfície de louça, no lixo havia cabelo aos montes e ela sabia de quem pertenciam.

Sentou-se sobre a tampa do vaso desolada, pensativa, inconformada, ponderando por que Naruto havia trazido Sasuke para sua casa. Ele devia tê-la dito! Tê-la avisado para que ela não fosse mais lá... Mas não adiantava, a culpa era dela, não importava o quanto ela tentasse colocá-la no Naruto. Foi ela quem pediu pra ele não falar do Sasuke na sua presença, ele só estava atendendo ao pedido que ela fez, sendo fiel até mesmo para omitir o fato de que Sasuke ficaria em sua casa.

...

Também não compensava pensar de forma racional. Ela estava furiosa com o Naruto e era isso que importava.

Despiu-se rapidamente, indo para o box na ponta dos pés desviando das roupas do sujeito. Nem a água fresca moldando seu corpo aliviava a sua tensão, seus pensamentos e mortificações.

Por muito tempo ela só se preocupou com a volta dele para a vila, com a promessa de Naruto sendo cumprida, mas nunca figurou exatamente o impacto disso, como as coisas mudariam depois de tantas reviravoltas que ocorreram na vida de cada um. Não sabia colocar em magnitude o medo que sentira quando ele se foi ou agora que ele estava de fato voltando para vila como um aldeão. Talvez visse a fuga de Sasuke com mais intensidade do que via qualquer coisa agora com quase vinte anos, porém conseguia ponderar muito melhor as decorrências da volta dele do que quando era apenas uma garotinha apaixonada.

Cresceu e amadureceu tendo Sasuke como o exemplo a não ser seguido, sendo assim, aos poucos seu afeto por ele acabou se transformando em um ressentimento imutável, quase um ódio. Atribuía a culpa de todas as frustrações de Naruto a si mesma, pois foi para ela que ele prometeu trazer Sasuke de volta e isso nunca foi possível. Naruto e Kakashi o capturou no fim da grande batalha contra Madara, onde todos tiveram vitória sobre o mesmo. Sasuke viera por conta própria, com intuito de liquidar com Madara e em seguida dizimar os resquícios que Pain havia deixado de Konoha. Um plano incoerente, analisando a situação em que ambos os objetivos estavam: nem os kages eram páreos para a força de Madara e Konoha já estava quase toda destruída. Sakura acreditava na teoria de Shikamaru, que era ‘Foi uma desculpa para ele voltar’, mas isso não significava que ele estivesse arrependido ou disposto a recomeçar e sim entediado, pois já não havia mais Akatsuki, não havia mais Itachi para ele vingar nem Orochimaru para treiná-lo.

Quando ouviu o som da porta de entrada no batente, desligou imediatamente o chuveiro e saiu do box, já vestindo a pior expressão que tinha para transparecer a raiva que tinha naquele momento.

-Narutooo! –Gritou. Não demorou muito para ele aparecer em frente a porta fechada, dando explicações à ela por não estar em casa de manhã, sem acrescentar o Sasuke. Irritadiça, ela abriu a porta, nua, e o puxou para dentro.

Sasuke observou a cena num misto de confusão e desconforto, mas ignorou indo direto para a cozinha procurar algo para beber. Havia andado muito e ficado cansado, seu corpo havia se acostumado num espaço de cinco metros quadrados, sentado num canto sem se mover muito. Era difícil manter o ritmo normal das coisas depois de tanto tempo inativo.

-S-sakura! V-você está...

-Não interessa! –Esbravejou segurando-o pela gola da camisa. –O que isto está fazendo aqui? –Perguntou entre dentes erguendo a camisa de Sasuke.

-É do...

-Eu sei de quem é! –O interrompeu jogando a roupa longe. –Quero saber o que isso faz aqui! Não acredito que o trouxe para morar com você!

-Ele não tem pra onde ir!

-Ele tem um quinto da Aldeia da Folha, o território Uchiha. Tem mais lugar para ir do que metade da vila toda junta! Abrigo pra ele é o que não falta!

-Você não sabe... –Começou inseguro. –Está tudo confiscado, Sakura. Isso não pertence mais à ele. Nem sua herança. Está tudo bloqueado.

-Problema dele! –Largou o amigo, passando a mão pelos cabelos molhados. Parecia ignorar sua nudez na frente do amigo. –Fez por merecer!

-Nunca o deixaria na mão, Sakura. –Tentou se explicar. –Ele é tão importante para mim quanto você...

-Às vezes eu acho que você é gay! –Disse colocando a camiseta que havia pegado no armário de Naruto.

-Você não parou em nenhum momento para se por no meu lugar ou se por no lugar dele? Se esqueceu de que um dia fomos uma equipe?

-Naruto, isso faz muitos anos. Olha pra você, olha pra mim! A gente cresceu! Não somos mais crianças! Se é fácil para você num dia lutar mortalmente com ele e no outro fazerem as pazes como melhores amigos, para mim não é!

-Eu compreendo as coisas, ok?

-Você é ingênuo, isso sim! –Disse mais calma. –Você é tão bondoso que chega a ser idiota! –O loiro a observava com a expressão calma e neutra.

Aquelas palavras não o atingiam mais do que atingiam ela própria. Ele não ligava. Sabia que a melhor forma de controlar Sakura era não controlando. Só era mais um sermão entre tantos outros que ele ouvia pacientemente sem prestar atenção em absolutamente nada. Ele já tinha sua opinião formada e não importava o que Sakura sussurrasse, dissesse ou berrasse: Sasuke ficaria com ele e assunto encerrado.

Depois de devidamente vestida, ela acrescentou:

-Vou contar os dias para você aparecer no Ichiraku falando que o renegado partiu seu coração. –E saiu do banheiro.

Iria embora, claro, o mais rápido possível para não cruzar com o ex colega de time. Não queria vê-lo, ouvir sua voz, sentir seu cheiro ou sua presença tão próxima de si depois de tanto tempo.

Ela ainda se lembrava da última vez que ele a tocou: ergueu todo seu corpo pelo pescoço e estava prestes a afundar a kunai em sua garganta quando Kakashi surgiu e a salvou dele. Como se envergonhava... Ele nem devia lembrar-se disso. Nem da outra vez que tentou matá-la. Ele devia ser acostumado a matar garotinhas enfeitiçadas por sua beleza.

Entretanto foi inevitável. Havia deixado as chaves de sua casa no balcão da cozinha, e como ele não estava nem na sala e nem no quarto, só poderia estar lá. Dito e certo.

Um homem alto, de ombros largos e cabelos negros desgrenhados em frente a pia tomando vários copos de água em apenas três goles. Quando ele percebeu sua presença, desligou a torneira e deixou o copo de água de lado, virando minimamente a cabeça para olhá-la pelo canto do olho. Não falou nada, o que era esperado vindo dele. Ela respirou fundo e se aproximou, esticando o braço para pegar as chaves. Reparou de relance que a grossura de seu antebraço em relação ao de Sasuke era praticamente a mesma. E ela era magra.

Saiu da cozinha o mais rápido que pôde resistindo a tentação de analisá-lo melhor e certificar-se de que era apenas impressão sua, afinal, havia olhado rapidamente. Mesmo assim, se ele estivesse realmente tão magro, era uma razão para tirar seu sono. Não que ela se preocupasse com ele, mas sentia em sua pele um injurio por parte dele. A que condições o puseram para ele perder peso daquela maneira?

Ela não tivera nenhuma participação em seu julgamento, não sabia de nada quanto os requisitos submetidos pela hokage, mas ouvira por aí que ele teria direito as três refeições diárias em porções balanceadas em relação ao seu peso, altura e idade. Pelo visto, as coisas foram mais intensas do que foi apresentado a população.

-Não vai almoçar Sakura? –Perguntou Naruto a seguindo pela casa.

-Não. Vou terminar de empacotar as coisas.

-Não íamos fazer isso juntos?

-Preciso embalar todas as caixas hoje, Naruto. Amanhã é a mudança.

-Eu sei disso. Só não sei se você vai dar conta de tudo.

-Você tem ele para cuidar agora. Não se preocupe, eu dou o meu jeito! –Forçou um sorriso.

-Eu posso levá-lo. Mais um para nos ajudar!

-Não! –Negou. –Não precisa.

-Não precisa mas convêm. Talvez possamos até levar as coisas para seu apartamento em vez de esperar até amanhã.

-Naruto, não inventa!

-A gente já tinha programado isso há um tempão. Eu me sentiria mal se deixasse você tomando conta de tudo enquanto almoço com o Sasuke.

-Vai ter outras oportunidades para me ajudar! –Já estava na porta quando disse isso. O loiro não estava nada satisfeito.

-Você está brava comigo não está?

-Claro que sim! Mas não sou de amuar e ficar dias sem falar com você. Só vou deixar de vir aqui. E só vou recebê-lo no meu apartamento novo e moderno se você estiver sozinho ou com o Kakashi-sensei.

-Sakura...

-Até mais Naruto. Bom almoço! –E saiu, deixando ele parado no hall olhando a porta que acabava de bater.

-Estou com fome. –Informou o outro chamando atenção de Naruto.

-Ah, sim, bom, Sakura deve ter preparado algo para a gente... –Falou indo para a cozinha. –Fez sim. –Confirmou ao abrir as travessas e encontrar tudo cozido e quentinho. A cozinha limpa e a mesa posta. Sasuke sentou-se enquanto Naruto colocava as comidas na mesa, observando como ele segurava desajeitadamente os recipientes e no seu cenho franzido mostrando preocupação. Ele sabia que era o que Sakura tinha lhe dito, mas não se meteu. Já contribuía demais sendo a causa da discussão dos dois, não queria se envolver em nada, não queria nem sequer estar ali.

Foi ideia do Naruto trazê-lo para morar em sua pequena casa, ele não deveria se sentir culpado por nada disso, apenas incômodo, afinal, ouviu muito bem Sakura dizer num tom sínico que não voltaria mais ali. Ouvindo isso, ele só conseguiu imaginar como seria dali em diante, sem alguém para limpar o apartamento e preparar comida fresca. Ele estava destinado a comer rámen instantâneo e suco processado até aprender cozinhar. Em compensação, qualquer prato congelado era melhor do que a comida racionada que o forçavam comer na prisão, sem contar que desde que chegou na casa de Naruto, comeu o equivalente ao que recebia em três dias como refeição.

-Antes ela só fazia gororoba ruim, mas passou a ter aulas de culinária com o tio-do-Ichiraku-Lámen e agora cozinha muito bem! –Dizia enquanto se servia.

-Quando é a reunião? –Perguntou quando já estavam perto de terminar de comer.

-Hum. –Ponderava. –Creio que depois de amanhã. Vou passar no QG para confirmar. –E o silêncio retornou. –Está ansioso? –Perguntou com um sorriso tímido.

-Não.

-Seria normal se estivesse. Começar tudo de novo... É cansativo.

-Já se formou?

-Não. –Respondeu com vergonha. –Ainda sou gennin, acredita? –E riu. –Estava te esperando. –Acrescentou. Imediatamente o outro largou o hashi no prato e levantou o olhar para ele.

-Me esperando? –Naruto confirmou sorrindo. –E se eu não voltasse?

-Continuaria atrás de você.

-E seu eu tivesse ficado preso por mais tempo? Para sempre?

-Aí eu me formaria. Me tornaria hokage e te libertaria. –Aumentou o sorriso e Sasuke abaixou o olhar refletindo sobre isso.

-Não entendo. –Falou com a voz baixa. –Por que você se importa?

-Porque você é meu amigo, você é como um irmão. É a família que eu tenho. –Respondeu num tom mais sério. –Não precisei ter uma família pra saber que uns cuidam dos outros.

Sasuke ouvia olhando um para um ponto qualquer na mesa. Sentia raiva do Naruto por isso. Ele não se importava com ele, não era uma preocupação mútua. Ele não considerava Naruto como um irmão, apenas um garoto com quem ele esteve em momentos decisivos em sua vida. Seus sentimentos para ele era de gratidão, respeito e até um pouco de admiração, mas não passava disso.

-Estou pensando em chamar a Tenten aqui para dar um jeito nesse seu cabelo. –Mudou de assunto retirando os pratos vazios da mesa. –Não vai poder usar a toca toda vez que sair de casa agora no verão, está muito calor, vai cozinhar seu cérebro! –Antes de colocar as louças na pia, Sasuke segurou sua mão, pegando as coisas que Naruto segurava e dizendo:

-Eu lavo. –Demorou alguns segundos para Naruto processar aquilo, mas ver o amigo disposto a fazer alguma coisa o felicitava de uma forma tão profunda que ele não sentia como se devesse falar alguma coisa. Meneou a cabeça para o moreno e carregou o resto das coisas para a pia, encarregando-se de limpar a mesa e guardar as sobras.

Impossível era conter um sorriso no rosto e disfarçar o quanto aquilo inflava seu peito de alegria. Finalmente seu amigo estava em casa.

.o0o.

Embora se convencesse de que estava calma, o ritmo de seus passos e os olhares da pessoas diziam o contrário. Pisava tão firme no chão que levantava uma nuvem de poeira por onde passava. Chegou na Floricultura no estado mais deprimente possível tirando risos de Ino.

-Você foi abusada ou algo do gênero? –Ao perceber que Sakura não dava creditos a piadinha, parou de rir gradualmente e esperou que a rosada disse algo.

-Vai fazer algo depois que terminar seu turno?

-Ah, ia passar na Academia para pegar uns papéis que esqueci... Por que?

-Queria ajuda com a minha mudança. –Foi direta. Não gostava de pedir favores para alguém que não fosse o Naruto.

-Oh, sim. Em que precisa de ajuda exatamente?

-Empacotar coisas e se der tempo, já levar algumas caixas para o apartamento.

-Não seria melhor contratar alguém para levar...

-Não sou afortunada como você, sem contar que gastei todas as minhas economias na compra daquele apartamento. Se tiver como economizar...

-Ah sim, entendo. Bom, eu posso te ajudar, sem problemas! –Sakura sorriu. –Só teria que me esperar buscar essa papelada.

-Quando você sai? –Ino olhou para o relógio.

-Daqui duas horas.

-Ótimo! Eu vou buscá-los para você. Deixo na sua casa?

-Sakura, n-não é necessário!

-Quero economizar dinheiro e tempo!

-Mas...

-Deixo tudo com o Sr. Yamanaka. Vá direto para minha casa quando fechar a loja, ok?

-Tá... –Respondeu contrariada.

-Até mais ver Ino! –Despediu-se já na porta.

-Até.

Sakura sabia que a história de ir à Academia buscar papel era só uma desculpa para ela ir ver Shikamaru. Ela não dava apoio à esse romance, tanto porque sabia que os dois não se gostavam em absoluto quanto por ser um adultério, já que Shikamaru estava em um relacionamento sério com Temari. Um caso complicado, mas por Ino estar envolvida, parecia pouca coisa. A loira não aguentava ficar fora de encrencas amorosas.

No caminho, parou no Ichiraku e pegou um pequeno almoço, só para não ficar o restante da tarde sem comer. Na verdade, havia perdido a fome desde que saíra da casa do Naruto. Mas sabia que tinha que se acostumar, mesmo com toda essa situação desconfortável lhe causando mal estar. Sasuke estava de volta e provavelmente ficaria, não daria para ela evitá-lo para sempre, mais cedo ou mais tarde teria que encará-lo e agir normalmente ou ao menos fingir.

Ele não passava de um desviado, não? Então por que ela se sentia tão intimidada? Era as lembranças que ele trazia a tona somente por estar assim tão perto depois de tanto tempo afastado?

Quando chegou à Academia, já estava estressada de tanto pensar sobre o assunto que mais queria esquecer. Pediu os papéis na recepção e quem os entregou foi Shikamaru, o canalha, que para não perder o costume, perguntou sobre Ino.

-Ela vai passar em casa para me ajudar depois do serviço. Vim aqui pegar os papéis para ela, assim a gente não perde tempo. –E acrescentou um falso sorriso.

-Ajudar em quê, mal lhe pergunte?

-Na minha mudança.

-Está se mudando?

-Falei com você sobre isso antes, Shikamaru.

-Foi? –Confirmei com a cabeça. –Ando trabalhando tanto que estou meio esquecido. Desculpe.

-Normal! –Peguei a pasta. –Bom, eu já vou indo senão quem atrasa sou eu...

-Espere! –Me virei lentamente. –Eu posso ajudá-la se quiser.

-Acho que Ino e eu damos conta. Obrigada de qualquer forma.

-Mas é sempre bom ter um homem para ajudar nessas coisa. Tem coisas que nós fazemos que você não conseguem...

-Por que a insistência? –Perguntou já irritada.

-Quero ser prestativo...

-Você é preguiçoso e sem vergonha! Acha que me engana?! –Ele riu. –Você quer ir mesmo para ver a Ino. –Acrescentou num sussurro.

-Tem meus serviços em troca! –Franziu a testa numa última tentativa de convencê-la.

-Que seja! –Suspirou indo embora com o homem atrás. –Mas se eu os pegar transando no meu carpete, arranco as genitais dos dois! –Ameaçou.

.o0o.

-Você viu o estado dele? –Perguntou Tsunade para Kakashi com um semblante preocupado. –É de sentir pena.

-Até o Lee está mais carnudo do que ele! –Observou Shizune.

-Tenho ciência de que os termos que assinei em conjunto com os Anciões eram severos, mas não esperava me deparar com o Sasuke tão desgastado.

-Talvez isso fosse o esperado, considerando as condições em que o colocaram. Ou esperava que ele permanecesse com o aspecto sadio tendo refeições escassas e higiene precária? –Observou inteligentemente Shikaku, um dos que defendia a liberdade de Sasuke.

-Acho que todos mantiveram uma imagem fixa do Sasuke na cabeça, ignorando os estragos que três anos de isolamento absoluto em más condições podem fazer para um ser humano, jovem ou de idade avançada. –Disse Kakashi.

-Ele não está em forma para missões. –Disse Tsunade.

-Isso é notável. Mas ele precisa estar fazendo alguma coisa para vila, e precisa estar registrado cada passo que ele der, porque os outros países vão cobrar isso. Qualquer brecha que darmos à ele por conta de seu estado de saúde pode desencadear uma impressão contraditória quanto aos nosso métodos judiciais.

-Então sugere que o coloquemos em risco numa missão programada, Shikaku-san? –Tsunade perguntou incerta se aquilo era mesmo o correto.

-Ao menos uma missão de Rank-C. Coisa boba. Por precaução, com um time escalado em vez de jonnins.

-Sakura e Naruto. –Kakashi indicou.

-Não sei se é uma boa ideia uni-los novamente. –Disse Tsunade desconfiada.

-Não seria como reviver meu Time 7 e sim unir o útil ao recomendável. –Explicou. –Sasuke não está em condições de fazer missão, isso é fato, mas já que é necessário, convêm ele ser acompanhado por ninjas de peso que possam lhe dar algum auxílio. Quem melhor do que Sakura, uma médica-nin e Naruto que já é veterano em todos os tipos de batalha? Sem contar que eles já se conhecem.

-Continuo achando um ultraje colocá-los em missão juntos novamente.

-Um ultraje a quem, especificamente? –Perguntou Shikaku. Um olhar irônico da Godaime respondeu a pergunta de todos.

-Por favor, vamos nos preocupar com problemas reais! –Kakashi bufou impaciente. –Sakura já é grandinha e muito bem resolvida para se sentir de certa forma conturbada com o Sasuke.

-Muito bem resolvida? –Perguntou Shizune.

-Ela me jurou não estar com o Naruto. –Tsunade informou.

-Shikamaru também me jurava não estar com Temari. –Acrescentou Shikaku.

-Acho que não... –Kakashi olhava a janela atrás da hokage, a vila calma, ainda em processo de reconstituição. –Os dois são como irmãos. Mas isso não vem ao caso. Acho que Sakura se tornou inflexível quanto ao Sasuke. Pelo menos é o que demonstra.

-Acha que ela não teria uma recaída caso passasse a conviver com ele diariamente? –Perguntou Tsunade.

-É possível, mas não acho muito provável. Ela amadureceu muito, está muito menos sensível do que antes.

-Então você acha escalá-la junto com Sasuke não a incomodaria de nenhuma maneira?

-Incomodar eu acho que incomoda, afinal, os trio teve uma história muito intensa, mas ela já está apta para driblar sentimentos e dividir trabalho de causas pessoais. –Com esta última palavra de Kakashi, ficou decidido reagrupar o antigo Time 7 até Sasuke recuperasse sua forma.