Strokes

43 New rescue


"Sakura".


Ela ouvia chamar, muito além, aquele nome tão simbólico.


"Sakura".


Estava chegando, gradualmente.


Sakura...


Sakura.


Sakura.

Tão delicada, tão portentosa, tão viva. Contudo essa Sakura que chamavam não carregava com o nome a delicadeza, o encanto e a vivacidade, estas eram virtudes extintas. A Sakura submersa entre a linha tênue entre consciência e inconsciência estava desmoronada. Ainda assim, de fronte à morte, floresceu fora da época. Uma flor que nasceu murcha, mas ainda assim, nasceu flor. Renasceu flor, com todos os seus predicativos.

— Sakura!

Ela acordou vingada, sentindo-se menos flor e mais caule, embora tenha florescido: forte, inflexível e imponente.

Demorou a assimilar o que acontecia, a entender que estava realmente viva, só teve certeza quando aquela voz tão familiar entrou pelos seus ouvidos com mais clareza. Só acreditou quando viu o semblante assustado do Sasuke a poucos centímetros do seu rosto; quando aqueles cabelos negros, emaranhados pelo sal do mar, roçaram na sua pele causando calafrios e uma coceira gostosa.

— Preciso de você — ele disse.

“Você precisa de mim?”, Sakura perguntava-se.

Talvez fosse o balanço do barco, ou o enjoo, ou a tontura, quem sabe a carência, porém Sakura imaginou qual seria o verdadeiro significado daquela frase. Sasuke precisava dela? Sasuke a queria? Sasuke a amava? Em meio ao transe, ela não podia saber e não podia sequer repudiar sua mente por sustentar tais pensamentos. Entre consciência e inconsciência, não havia como ela filtrar o que realmente sentia.

— Sasuke? — disse ainda grogue, situando-se.

— Ela respondeu — Sasuke falou para alguém além — O sangue das bolsas de transfusão vai coagular se você não nos disser o que fazer.

— Tem uma... enfermeira...

— Eu sei, ela está aqui do meu lado. Precisamos saber qual a compatibilidade. Você consegue nos dizer?

Com ajuda, Sakura conseguiu sentar-se numa posição não muito inclinada, contudo ideal para ela visualizar as garotas pálidas com as bolsas no braço e as mulheres adormecidas ao seu lado.

Ela apontou, pois não sabia o nome de nenhuma delas. Lembrava-se apenas de que fizera rapidamente a identificação do tipo sanguíneo por uma técnica “caseira” e decorado as relações.

Imediatamente a jovem garota, que anteriormente já havia auxiliado Sakura no barco, com a ajuda de outra começaram a preparar a transfusão enquanto a única médica daquele meio observava. Elas eram delicadas, cautelosas, tinham jeito com a coisa. Uma apenas auxiliava enquanto a primeira mostrava mais experiência.

— Dormi? — Sakura perguntou ao Sasuke que estava ao seu lado observando as garotas.

— Pouco — respondeu sem olhá-la —, por isso deu tanto trabalho acordá-la.

Mesmo com Sasuke confirmando que pouco tempo havia passado, Sakura não conseguia assimilar muito bem. Estava quase adormecendo novamente quando a garota mais velha, com mais porte de enfermeira, chamou-os:

— Tem alguma coisa errada — começou insegura, para não confirmar o que já sabia.

Sasuke aproximou-se mais delas. As quatro mulheres adormecidas, as duas garotas, Sakura e ele estavam no mesmo bote:

— Conferi duas vezes os sinais vitais dela e... — sua frase terminou aí.

— Ela não vai sobreviver — foi tudo o que Sakura conseguiu dizer antes de desmaiar de novo.

Sasuke tentou reanima-la, contudo sabia que era em vão. Sakura estava esgotada emocional e fisicamente. E também, naquele estado, não havia sentido acordá-la, ela não contribuiria em nada.

Algumas mulheres do barco adjacente protestaram, mas foram logo repreendidas por Sasuke, que advertiu todas sobre como tanto alarde poderia atrair qualquer animal marinho carnívoro maior do que o bote.

Depois de um tempo, começaram a descarregar a responsabilidade para Sakura, que ultrapassara seus limites para salvá-las e protege-las. Sasuke mais uma vez se viu obrigado a repreendê-las:

— Ela não é negligente. Fez o que pôde — o Uchiha defendeu a companheira e tentou convencer as mulheres.

— Não podemos mudar o caminho que a natureza traçou — apoiou a jovem garota que liderava os cuidados de todos no bote com grande bravura.

Com lágrimas nos olhos, disse:

— Aviso todos quando estiver acabado — e por fim, ajeitou o corpo na mulher como se ela já tivesse se tornado um cadáver.

Ela mesma chorou. Kyowa e Kaname se esforçavam para ser fortes porque Sasuke se mantinha impassível. Remavam e observavam, exibindo o máximo dos atributos que um homem deveria ter em uma situação como aquela. Kaname gostaria de ajudar mais, contudo tinha consciência de que ali ele seria útil somente remando, então não tentou puxar assunto com Sasuke. Kyowa, por sua vez, mantinha uma postura forçada por orgulho. Também queria ser tão heroico quanto o Uchiha, receber o mérito, pois sabia que quando chegassem em terra firme, se chegassem, aplaudiriam Sasuke e Sakura, não ele e Kaname que estavam esgotando os músculos dos braços remando sem cessar.

A pródiga garota enfermeira chamava-se Sayuka, tinha apenas dezessete anos e uma habilidade notável. Enquanto as outras mulheres, muitas mais velhas, tremiam de frio e choravam amedrontadas, Sayuka trabalhava com a sua colega, sem sinais de cansaço ou insatisfação. Observando-a, Sasuke pensou que se Sakura fosse dada a sensei, deveria admitir a garota como sua pupila.

Com a ajuda dele, ela afastou as outras três mulheres que estavam desacordadas daquela última que dava seus suspiros finais, com a justificativa de que se fosse uma infecção que a acometeu, a distância das outras era o melhor a fazer.

Depois de uma hora, uma das três que estavam adormecidas acordou pediu comida e água, queixou-se de dor, e logo dormiu de novo após Sayuka dar-lhe um narcótico.

A transfusão já tinha sido feita e as doadoras descansavam no barco vizinho. Aquele era um procedimento complicado e que deixava o doador esgotado. Eram meninas que deveriam ser igualmente vigiadas.

Mais uma hora se passara. Quase todas as mulheres que antes estavam acordadas, começaram a se entregar ao sono, mesmo com o frio, com o medo do mar, mesmo com a fome. O cansaço era palpável em todos, contudo um punhado era obrigado a resistir; com este punhado esgotado, o cargo ficava nas costas de um homem são.

Eram só mulheres e marujos, a missão shinobi era dele.

Sasuke dispensou Kyowa e Kaname por algumas horas e assumiu o remo do barco do meio, que estava interligado com os outros dois. Recorreu a uma força sobre humana para conseguir levar os três botes carregados adiante, vez ou outra lançando labaredas de fogo no ar para chamar a atenção de qualquer alma que pudesse avistá-los à míngua no oceano, morrendo congelados, de frio, de doenças e esgotamento.

O único acordado na penumbra da noite, no meio do oceano com duas dúzias de mulheres condenadas. Sentia-se mais sozinho do que nunca. Ao menos Sakura poderia acordar e fazer-lhe companhia.

Migrando para aquele barco, ele teve essa visão. As crianças aninhadas no peito das mães tossiam de forma medonha e gemiam de dor. Sasuke não precisava dos conhecimentos de Sakura para saber que certamente era uma pneumonia que logo cairia sobre todos que estavam ilhados no bote.

A mulher que Sakura havia dado a sentença de morte ainda respirava, porém estava tão lívida que qualquer desatento já a teria dado como morta; a garota que viera com Kyowa também tinha o rosto da mesma cor da lua; parecia não ter uma gota de sangue no corpo, já que seus lábios estavam igualmente brancos.

Sasuke aproximou-se dela, tocou seu corpo por baixo do cobertor térmico, mas logo afastou sua mão. Ela estava gélida e dura como mármore. Instintivamente Sasuke olhou Kyowa adormecido. Como ele reagiria? A garota havia se condenado para salvá-lo. Estava morta. Decidiu que não seria ele quem daria a notícia, não tinha a amabilidade necessária para tal. Aquilo não o deixava cair em tristeza, entretanto ele era tomado por uma grande preocupação, afinal, em poucas horas dessa missão arriscada já tinham duas mortas e a promessa de mais.

Em uma jornada de perdão e paz, arriscar a vida de tantas mulheres e crianças poderia ser mal visto. Ele mesmo se arrependia. Queria libertá-las, claro, mas pelo menos deixa-las mais seguras. Aquilo tudo era fruto das ideias impulsivas de Sakura. De tanto conviver com o Naruto, adquiriu algum dos mal costumes dele, inclusive o de agir sem pensar muito. Ela poderia, pelo menos, tentar assumir o barco, nem que fosse por algumas horas, se um imprevisto acontecesse, os botes estariam prontos.

O sol já apontava quando Sasuke avistou gaivotas voando não muito distantes dali. Iluminou-se com a ideia de que estava perto de uma ilha ou de um navio. Acordou Kaname, pois não queria ter que lidar com a reação de Kyowa ao ver sua garota morta. Pediu para Kaname assumir o remo que ele iria dar uma olhada afrente, concentrou chakra nos pés e correu na direção que os pássaros estavam. Suas suposições estavam certas: um grande navio ia na mesma direção que eles, certamente para o País da Água.

Sasuke fez grandes e longas sequencias de labaredas para chamar-lhes a atenção, quando ouviu um apito soar e viu um bote ser jogado ao mar, soube que as mulheres estavam salvas. Voltou correndo para os botes e ajudou Kaname a remar.

Remaram com todas as energias restantes, até mesmo o Uchiha sentia suas forças esvaindo-se, porém não pararam. Com o movimento mais rápido do bote, algumas mulheres despertaram, avistaram o enorme navio e começaram a se exaltar.

Uma mãe acordou no meio da exaltação, mas diferente das outras, deu um grito de pavor. Sasuke fechou os olhos. Ouvindo os gritos desesperados da mulher, ele sou que estava correto. Ele sabia por que ela gritava.

— Sayuka, acorde! — Sasuke chamou e a garota ficou desperta num salto, como se nem ao menos tivesse dormido. — Ajude aquela mulher.

Sayuka migrou para o terceiro bote, bastou olhar para criança para dar seu diagnóstico. A mãe entrou em maior desespero, apertava a criança contra o peito, implorava para todas as divindades devolver a vida de seu bebê morto. As mulheres ficaram caladas observando a cena e derramando suas próprias lágrimas de compaixão, afinal, naquele momento, ninguém poderia fazer nada.

Chegando ao navio, o primeiro bote que eles haviam descido tinham dois salva-vidas a espera. Sasuke passou primeiro as crianças para aquele bote, muitas ainda adormecidas, e esperou os marujos do navio içarem.

Várias cabeças, na maioria homens, aglomeravam-se nas bordas no navio afim de assistir o resgate. Por questões de segurança, os botes içavam de seis em seis pessoas. Na quarta, seria a vez da mãe. Ela enrolou o bebê num cobertor e disse que o deixaria no barco; perguntou se Sasuke não poderia incendiar a madeira, pois já havia visto que ele “sabia fazer fogo com boca”. Sasuke primeiro passou outras mulheres na frente, e no último bote colocou Sakura, e as três mulheres ainda adormecidas e a mãe em prantos. Rapidamente, com o pouco de chakra que tinha, colocou fogo no barquinho, e subiu ele mesmo no bote para ser elevado e acolhido junto com as outras pessoas.

Enquanto o bote subia, livrando-os de todo o desespero, a mulher chorava. Agarrou-se a ele, molhou sua camisa com lágrimas, com saliva, com dor. Observava o barquinho em chamas ser levado pelas ondas com o seu filho a bordo. A dor era tão palpável que até os salva-vidas não resistiam. Até Sasuke, com todo o seu autocontrole, começava a vacilar. Retribuiu o aperto desesperado da mulher e deixou em seus cabelos de maresia algumas gotas mais salgadas e quentes como prova de um coração endurecido, mas ainda humano.

.o0o.

O navio era de carga, enorme. Fazia uma rota diferente do País do Fogo para o País da Água. Rota mais demorada e mais “segura” de ataques de piratas. Estavam indo para o País da Água descarregar principalmente alimentos e roupas, tecidos e equipamentos hospitalares.

Por ser um navio de carga, não possuía muitas cabines, mas as poucas que tinham foram cedidas para acomodar principalmente as mulheres em estado grave e as crianças. Até acomodar todas, as mulheres adormecidas foram estendidas na popa no navio e receberam atendimento dos salva-vidas e enfermeiros a bordo. Colocaram a garota do Kyowa, lívida, sobre uma rede de pesca ao lado da mulher que não resistiu ao aborto. Os enfermeiros deram a notícias e desceram a rede com as duas mulheres no mar e soltaram. Ninguém teve fôlego para assisti-las afogar. Kyowa ficara tão chocado que não conseguia se mover nem mesmo falar.

Os marujos abriram alguns caixotes e distribuíram roupas secas para as mulheres e crianças, alimento e antibióticos para quem já manifestava os primeiros sinais de uma pneumonia. Aos poucos foram acomodando-as nas cabines disponíveis, por ordem de prioridade, os Kyowa, Kaname e Sasuke dormiriam sobre sacos de farinha, assim como os marujos que cederam o conforto das suas camas para as mulheres.

.o0o.

Sakura acordou somente no hospital da cidade costeira do País da Água. Sasuke estava ao lado dela, cochilando sentado em uma poltrona, esperando pacientemente que sua companheira de time se recuperasse para que pudessem seguir viagem.

Há dois dias tinham desembarcado no país e rapidamente encaminhados para o hospital. Sasuke dormiu cerca de vinte e seis horas seguidas e ficou no soro para não desidratar, recuperou suas forças mais rapidamente do que a parceira de jornada, que parecia recobrar a consciência naquele exato momento.

Ela fez perguntas para se situar: onde estava, que horas eram, quanto tempo havia passado, o que havia acontecido. Quando Sasuke respondeu tudo de maneira muito breve e direta, Sakura agradeceu; sentou-se no leito; e deferiu um soco no maxilar do colega.

O barulho atraiu enfermeiros e mais um punhado de curiosos. Observaram Sakura levantar-se da cama, tirando as agulhas e sensores do seu corpo, e preparando-se para avançar novamente sobre aquele que, com dificuldades, tentava se reerguer do chão.

— Você ficou maluca? — Sasuke exclamou com a voz mudada. Será que Sakura havia quebrado o seu maxilar?

— Você — tremeu de nervoso enquanto caminhava até ele — me eletrocutou! — trovejou vermelha de raiva — Eu estava na água e você me eletrocutou seu bastardo filho de uma — ela estava a centímetros de esmurrar o Sasuke uma segunda vez quando foi pega e imobilizada por trás, levada de volta para a cama com muito esforço.

— Não precisa disso — Sakura falou para uma enfermeira que preparava um tranquilizante ou narcótico para aplicar em sua veia. — Eu não estou louca, estou ótima. De verdade. Afasta! Que coisa chata! Estou falando que está tudo bem! Eu só precisava descontar minha raiva desse babaca! — exclamou para Sasuke que já tinha se levantado e segurava o maxilar.

— Eu te ajudei a matar o cara — defendeu-se.

— Ajudou quase me matando também — Sakura rebateu.

— Vou revidar esse ataque gratuito.

— Se conseguir, te darei meus parabéns.

— Vocês são um casal? — uma enfermeira perguntou.

— É óbvio que não — Sasuke e Sakura exclamaram e uníssono.

— Não, não é óbvio — a enfermeira rebateu sinceramente, riscando algo em sua prancheta — Faremos mais alguns exames com você, Haruno Sakura, para o médico saber se pode te dar alta. Tendo alta, ambos serão levados para uma pousada e amanhã deverão comparecer à Central do País da Água, pois o Mizukage Chojuro gostaria de falar com vocês.

— Você não matou ninguém importante, né? — Sakura perguntou para o Sasuke.

— Não sei, você matou?

— Não tenho certeza.

As outras pessoas de fora da cena se entreolharam e observaram os dois com estranheza, mas não comentaram nada. Após mais umas horas no hospital, Sakura recebeu finalmente recebeu a alta e foi com Sasuke para a pousada, assim como foram orientados e guiados.

Sakura gostaria de saber como as mulheres e crianças estavam, se todos haviam se salvado, contudo ao mesmo tempo temia as respostas. Acreditava que a sós o Sasuke talvez falasse algo a respeito, esperava que ele falasse, pois não teria coragem de perguntar. Ela já demonstrara muita fraqueza.

Mesmo com a alta, seu corpo não estava cem por cento. Ela tentava relevar com o bom humor, disfarçava como podia, só que sentia algo em seus movimentos as limitando. Quando o jounin das Forças Regulares do país os deixou no quarto, Sakura foi direto para cama, permitiu que sua fraqueza fosse maior que o seu orgulho, logo caiu num sono profundo.

Sasuke estranhou aquilo, afinal Sakura estava bem desperta segundos atrás, contudo, não questionou, deixou-a descansar mais. Teriam compromisso no dia seguinte, não havia mal nenhum estender um pouco mais a folga, ainda mais depois do que passaram já na primeira viagem. Sair do hospital já era um grande avanço na jornada, principalmente para ele que detestava o ambiente e não conseguia dormir direito.

Sasuke agradecia mentalmente por Sakura ter feito um esforço para sair de lá, pois sabia que ela não estava bem, e sabia também que ela iria se vingar pelo ataque indireto que ele fez. Ah, sim... Ela iria dar o troco! Ele podia ver naquela face serena uma ruguinha entre as sobrancelhas, uma ruguinha que denunciava que sua mente trabalhava em um hediondo plano de vingança. Sim, ele esperava que isso acontecesse, só esperava que ela não resolvesse dar o seu show em um momento crítico.

A cama era de casal. Provavelmente Sakura nem havia notado ou dado importância para isso, ao contrário de Sasuke que se encontrava em um dilema. Dormiu em uma maca por pouquíssimas horas, só enquanto os remédios faziam efeito e o seu corpo absorvia um soro de reidratação. Todos os descansos posteriores tinham sido em cadeiras e poltronas, à espera da sua colega de time. Era compreensível que Sasuke quisesse uma cama, e até merecesse, porém tinha receio de dormir ao lado de Sakura. Não seria a primeira vez e provavelmente também não seria a última, mas ainda gerava um desconforto, ainda mais quando ela não estava acordada para permitir.

Vencido pelo desejo de um bom descanso, Sasuke desarmou-se; arrumou a Sakura de um jeito mais confortável na cama, tirou os sapatos e os excessos de roupa; tirou sua própria blusa e esgueirou-se para debaixo do edredom. Por uma série de minutos não conseguiu pregar o olho. Imaginava se Sakura estava bem ou se estava muito mal. Imaginava como ela reagiria ao acordar e vê-lo ao lado dela. Imaginava pelo que mais teriam que passar para completar a missão estúpida. Imaginava o quanto ela suportaria. Imaginava o quanto ela já suportou na vida. Concluiu que não gostaria de saber, assim como não era direito dela saber o que aconteceu com ele enquanto pupilo de Orochimaru e membro da Akatsuki. Relatórios dão para o gasto, mas não dão conta de tudo. Resolveu deixar para lá, virou as costas para a garota e conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, Sakura o acordou com seus espasmos musculares, nada mais preocupante do que irritante. Logo Sasuke se levantou e acordou-a em seguida para se adiantarem para o encontro com o mizukage. Sakura estava sisuda, retraída, enquanto Sasuke era assim por natureza, o que resultou numa manhã silenciosa e lívida.

— Sejam bem-vindos, grandes shinobis.

O mizukage exclamou assim que a sombra da dupla surgiu no seu campo de visão. Chōjūrō fez uma longa reverência, constrangendo Sasuke e Sakura, em seguida puxou ele mesmo as cadeiras de visita para os jovens sentarem-se.

— Acredito que não tenhamos nos visto desde a celebração do fim da guerra.

— Também não me recordo de outra ocasião. — Sakura concordou — Independente disso, sua recepção foi exagerada para meros shinobis.

— Trato-os como merecem. — Respondeu simplesmente. — Não sei se o mundo ainda seria mundo caso vocês não tivessem lutado heroicamente por nós. É sobre essa dívida que também iremos falar. Sasuke. Sinto-me satisfeito por poder te receber como um herói desta vez, e não como um vilão.

— Fiz o que eu deveria fazer apenas.

— Insisto que sim, mas esse não é o ponto. Recebi previamente um telegrama da Tsunade-sama informando a vinda de vocês, então tive tempo de organizar uma festa de recepção.

— Festa ? — Sakura infagou.

— Sim.

— Viemos com outro propósito, mizukage...

— Já está tudo pronto. Nesta noite serão homenageados, a menos que você não se sinta totalmente recuperada, Sakura-san.

— E-Eu estou bem, mas...

— Ótimo! Traje de gala, penteado e um belo sorriso para esta noite. O País da Água, não somente eu, desejamos que aceitem bem o nosso gesto e não se encabulem com nada.

Assim que saíram do campo de visão do mizukage, Sasuke e Sakura se olharam de rabeira, com certa cumplicidade. Aquilo não era exatamente o que esperavam. Não tinham muitas escolhas além de escolher a roupa e ir.

Sakura sentia sua intuição vibrar.

Alguma coisa grandiosa aconteceria.