Strokes

44 New dance


Notas iniciais
Chegou o momento do epílogo! Finalmenteee! . Espero que tenham uma boa leitura e desculpa a demora! . P.S: Se sentirem-se à vontade, leiam as notas finais! :)

— "Traje de gala, penteado e um belo sorriso para esta noite". — Sakura imitou com deboche, acrescentando mais açúcar no chá. A pedido dela, assim que saíram da sala do mizukage, passaram em uma cafeteria antes de voltarem para a pousada. — Sério mesmo que Chōjūrō vai nos obrigar a participar de uma festa?

— Pensei que gostasse de festas. — Sasuke não pensava sobre isso, apenas perguntava-se por que Sakura gostava tanto de colocar quantidades absurdas de açúcar em tudo o que fosse comer ou beber. Ele mesmo detestava.

— Gosto quando estou de folga, não no meio de uma missão. A menos que a festa faça parte da missão, ou vice-versa. Eu só queria embarcar no próximo barco para Kirigakure¹. — Suspirou. — Você não parece tão incomodado com o fato de ter que vestir um smoking esta noite.

— Não há tantas opções para smoking do que há para vestidos. — Respondeu.

— Não estou preocupada com isso, Sasuke-kun. — Retrucou.

— Eu vou resolver isso agora, já que estamos no centro da vila.

— Tão cedo? — Sakura indagou observando-o levantar-se da mesa.

— Você vem?

— Eu... Eu tenho outras coisas para fazer. — Mentiu, mesmo sabendo que Sasuke notaria.

Ele deixou algumas cédulas na mesa para pagar os chás e saiu. Sakura ficou só na cafeteria, sentindo-se perdida sem a presença de alguém conhecido. Sua mente deixou escapar retalhos de lembranças do País do Chá, quando ficou sozinha cuidando de desconhecidos e depois foi encontrada totalmente violentada em uma floresta qualquer.

A xícara que estava em sua mão foi de encontro ao chão, quebrando-se em dezenas de pedaços. O som despertou Sakura das indesejáveis lembranças, e também todas as outras pessoas do estabelecimento que a olhavam com curiosidade.

— Você está bem? — Uma funcionária perguntou. Sakura assentiu e observou-a juntar os cacos de vidro no chão.

Um dos pedaços escapou dos dedos e desceu pela palma da mão da moça, causando um longo corte. O primeiro instinto de Sakura foi ajudar a mulher, porém ao lembrar-se novamente do ocorrido há três anos, sentiu sua perna cambalear e as batidas do coração ficarem cada vez mais rápidas e ininterruptas.

— Com licença. — Levantou-se e saiu do local o mais rápido que pôde.

Sakura olhava para todas as direções e não via Sasuke, nem tinha ideia de onde ele tinha ido. Não iria perguntar a ninguém, poderia ser enganada, poderia acontecer de novo. Sua cabeça doía só de imaginar. Correu pelo caminho que havia percorrido da Central ao centro da vila, lá talvez pudesse lembrar-se do caminho para a pousada e por fim sentir-se segura.

Corria. Corria. Corroía.

Por que aquelas lembranças de repente ficaram tão presentes? Por que o medo repentino? Eram traumas que ela havia superado. Medo que deveria ter se extinguido com sua vingança concretizada. Entretanto, havia noites de pesadelo, havia receios, havia lembranças, havia feridas tão tangíveis quanto o próprio acontecimento.

Foi inútil matar aqueles homens. Sentia-se mais vulnerável do que antes. Mas por quê? Ela não entendia.

Shizune estava certa ao afirmar que a reintegração de Sasuke em sua vida tinha alterado seu comportamento, tinha mexido com suas intenções? Ou seria o abandono do Naruto? Talvez as mulheres reféns no barco, tão vulneráveis quanto ela foi por algumas horas, dopada em uma floresta, estuprada por mais homens do que poderia contar com os dedos das mãos e dos pés.

Por quê?

Sakura indagava-se tentando achar o caminho de volta à pousada.

Ela gostava de festas, mas não queria ir. O medo não iria deixá-la, iria com ela até o evento, e um surto como o que ocorreu na cafeteria não poderia repetir-se em um evento de gala. Sasuke e ela estavam representando Tsunade-sama e Konohagakure, não poderiam chamar atenção de uma maneira negativa.

Chegando ao quarto, sentiu-se tentada a descansar, mas decidiu fazer o relatório do último dia, pelo menos até a parte em que esteve consciente, e deixaria o resto para Sasuke preencher. Devia fazer isso enquanto as memórias estavam frescas, além de poder manter sua mente ocupada.

Não providenciaria vestido algum, nem penteado, nem nada. Sasuke iria por ela. Mentir sobre seu estado de saúde funcionaria, afinal que corpo se recupera tão rápido depois de ser eletrocutado e ficar em temperaturas baixíssimas em alto mar? Sim, Sasuke iria sem ela, faria esse trabalho sozinho, depois seria compensado com algum favor de equivalência injusta. Ela não se importava. Seria bom para ele respirar novos ares, gozar da boa impressão que Chōjūrō construiu para o misterioso Uchiha, salvador da humanidade, último sobrevivente de um clã aclamado e poderoso, herdeiro de uma grande fortuna (mesmo que bloqueada), famoso, forte, bonito, inteligente... Sasuke Uchiha saberia aproveitaria isso, adquirindo aliados para um possível "plano secreto" que os anciões juram que ele tem ou simplesmente com mais uma bela e ingênua garota sobre uma cama.

Sakura definitivamente não queria mais pensar em nada além do relatório. Seria uma longa noite.

.o0o.

Konoha

O sol estava se pondo quando Naruto acordou. Hinata ainda dormia um sono profundo ao seu lado. O churrasco para o qual foram acabou durando dois dias, e duraria mais caso não tivessem compromissos.

Naruto abriu a janela para arejar seu quarto, impregnado com o seu cheiro e o de Hinata. Cheiro de homem e de mulher. Cheiro de amor e sexo. Para ela, amor, para ele sexo. Bateu a testa no batente da janela ao pensar tal coisa. Quem ele queria enganar? O que sentia por Hinata ia muito além do carnal, contudo Naruto não tinha certeza se era amor. Isso porque toda vez que tinha essa dúvida, o rosto de Sakura nublava sua mente. Seria possível ele amar duas pessoas ao mesmo tempo?

A luz de fim de tarde deixava o quarto com um tom alaranjado, fazia com que a mulher na cama parecesse um quadro. O que Naruto sentia ao fita-la era ótimo, mas lhe causava medo.

Imaginava por onde Sakura e Sasuke estavam. Se tinham matado ou sido mortos, se estavam se dando bem. Ele detestava ficar longe dos dois, para Naruto, o trio deveria ser inseparável, nada de missões separadas, mesmo que não existisse mais o Time 7 com aquela formação.

Os problemas de Tsunade interferiram de maneira desastrosa na vida profissional de todos eles. O Time 7 com o Sai e o Yamato também tinha se desintegrado e o Time 7 com o Sasuke era apenas um sonho do passado revivido informalmente com a saída do Sasuke da cadeia, para fins pouco louváveis (exterminar os três de uma vez).

Naruto tentava convencer-se de que não seriam mais o trio maravilha, tanto nas missões quanto na vida. Sasuke ainda iria ter seu julgamento, Sakura iria consolidar sua carreira como jounin médica e ele mesmo estava encaminhado para ser Hokage, mesmo que tivesse renunciado para Tsunade. Caminhos diferentes, complexos e inquestionáveis.

Fitou Hinata novamente, a garota mergulhada em um sono abraçador. Naruto sorriu e voltou a deitar-se ao lado dela, mesmo que não fosse voltar a dormir, ele ficou ali. Não poderia desatar os laços com Sakura e Sasuke, contudo precisava afrouxar os nós para seu próprio bem.

.o0o.

Sasuke abriu a porta do quarto com calma, afinal a probabilidade de Sakura estar dormindo era enorme, ele tinha consciência de que ela não estava cem por cento recuperada, ele percebia o cansaço em sua fala. Contudo, para sua surpresa, a cama estava arrumada, com exceção de alguns papéis em cima.

Quem está aí? — Sakura perguntou do banheiro da suíte.

— Cheguei. — Respondeu simplesmente, pegando um dos papéis e tentando ler as pequenas letras manuscritas. Sua visão não era capaz.

A kunoichis estava de molho na banheira há quase uma hora. Sentia-se revigorada, relaxada e limpa. A água morna e os sais lhe deram disposição para caprichar nos cuidados com o corpo, que há muito havia deixado de lado por conta da sua baixa autoestima. Vaidade costumava ficar em segundo plano. Mesmo que não pretendesse ir a cerimônia, aproveitou que o quarto estava vazio e não teria Sasuke ou qualquer outra pessoa para apressar seu banho e escovou bem as unhas dos pés, cortou, lixou e vernizou, assim como as unhas das mãos; retirou também os pelos das suas pernas, da virilha, das axilas, de todos os lugares disponíveis para raspar; esfregou todas as partes do seu corpo com força até sentir a pele arder. Foi um banho de quase uma hora, porém proveitoso.

Por conta das situações precárias pelas quais shinobis passam, a higiene nem sempre é seguida como deveria, simplesmente por não haver condições para fazê-la. Tanto os homens quanto as mulheres eram acostumados com isso, porém essas "folgas" eram ideias para cuidar do próprio corpo além de descansar.

— O que são esses papéis?

— É parte do relatório sobre o barco naufragado e as mulheres resgatadas. — Sakura respondeu ainda do banheiro, espalhando uma generosa quantidade de creme hidratante pelo corpo. — Fiz até a parte que eu me lembro. Se você completar, eu agradeço.

— Não consigo sequer ler o que está escrito, como espera que eu escreva? — Perguntou com um tom de irritação na voz.

Sakura enrolou-se na toalha e saiu do banheiro, encarando Sasuke com os papéis na mão:

— Desculpe-me. Eu... Tinha esquecido. — Sasuke largou os papéis e caminhou até a porta do quarto. — Você pode me contar, então. Eu terminaria se soubesse.

— Teremos tempo para fazer esse relatório. Você perdeu o dia todo escrevendo isso sabendo que há um evento para comparecermos?

— Sinceramente, eu acho o relatório mais importante do que uma festa e acho melhor ser feito o quanto antes, enquanto as memórias estão frescas.

— Faça como quiser. — Saiu do quarto batendo a porta. Sua irritação ficou evidente na força que ele utilizou para fazer um simples movimento.

Sakura não sabia se deveria sentir-se culpada com raiva do Sasuke por aqueles poucos minutos de conversa. Não havia nada de mais em acelerar um relatório e recusar-se a ir numa cerimônia ridícula. Ele tinha ficado tão irritado porque ela tinha se esquecido de que visão dele não está boa?

Por fim, ela deu os ombros. O banho a tranquilizou o bastante para ela relevar essas birras do Sasuke. Iria continuar tratando cada parte do seu corpo e preparar a cama para uma longa e revigorante noite de sono, porém no caminho de volta para o banheiro, ela repara que junto aos papéis do relatório, Sasuke deixou sacolas que pelas cores, não eram dele.

Sakura aproximou-se e espiou por cima. Decidiu abrir e ver o que era. Se Sasuke não quisesse que ninguém visse, teria escondido. Para a surpresa dela, havia um vestido, roupas íntimas e um par de sapatos para ela, com seu nome. Ele havia comprado aquilo tudo para ela?

— Então ele está chateado porque eu não vou a cerimônia. — Concluiu em voz alta, sentindo a tez do vestido em suas mãos.

Sentiu-se culpada. Afinal, por que o Sasuke faria isso por ela? Por que ele estava fazendo questão que ela fosse com ele? Era como se os papéis tivessem sido invertidos e ela fosse a carrasca egoísta.

Olhou o relógio, já estava anoitecendo e ela ainda estava nua e descabelada, há muito decidira que não iria para aquela festa, porém as sacolas haviam mexido com suas emoções e decisões. Ela tinha que ir, não pelo Sasuke, mas pelo o que ele havia feio para ela.

.o0o.

Uchiha Sasuke tinha sete anos quando fora a uma cerimônia grandiosa como aquela. Ele não sabia dizer qual era a finalidade, mas sabia que era importante, pois Mikoto fazia de tudo para que Itachi e ele ficassem impecáveis. Sasuke lembrava-se vagamente de danças, aperitivos, tintilar de taças e olhos vermelhos por toda parte, brilhando como um par de pequenos faróis demoníacos. Terríveis pequenos pares de faróis encarnados.

Ele chegou ao local desacompanhado, identificou-se e foi conduzido para uma mesa específica, reservada especialmente para ele a para a Haruno. A mesa ficava próxima a um palco baixo, cerca de dois palmos de diferença do chão. Ali estavam algumas pessoas sentadas com seus instrumentos musicais, tocando baixo músicas suaves enquanto todos chegavam e se acomodavam. Havia uma placa no centro da dizendo: "Reservada para Haruno Sakura e Uchiha Sasuke". Ele desejou queimar o nome de Sakura e despejar as cinzas nos espaços entre uma pétala e outra das flores. Aquela festa fazia parte da missão. Caso conquistassem a simpatia de Kirigakure, Sasuke ainda poderia tê-los como aliados em seu julgamento. O pedido de desculpas de Tsunade era só um pretexto, não era o seu principal objetivo. Ele queria aliados.

Acomodado, Sasuke passou a observar o local que não era glamoroso, era apenas a parte térrea da Central de Kirigakure, espaço grande e arejado que servira perfeitamente como um salão para aquela noite. O local parecia ter sido projetado para ocasiões como aquela, porém durante o dia, transformava-se em um vai-e-vem de pessoas, funcionários, shinobis, civis, estrangeiros etc. O salão era circular, assim como o estabelecimento, e assim como todos os outros prédios e casas da vila: circulares.

— Conte-me o segredo da elegância dos Uchiha, Sasuke-kun. — Mei chegou de repente, sentando-se no lugar onde Sakura deveria estar. — Conheci um Uchiha certa vez — começou — Oh, ele era um charme! Em compensação, era meio birutinha, sabe? — Sasuke a ouvia em silêncio, pouco interessado, mas dava corda para saber onde ela queria chegar — Até hoje tenho certa curiosidade sobre o poder de sedução que o seu clã tinha. Poder que certamente foi repassado para você, Sasuke-kun. — Insinuava-se.

— Mei-sama, acredito que todos os homens solteiros deste salão só têm olhos para você. — Chōjūrō surgiu atrás dela, caminhando em direção à mesa com uma taça de bebida na mão esquerda, enquanto a sua mão livre pousou no ombro desnudo de sua antecessora. — Sasuke já está à espera de uma pessoa. — Piscou o mizukage.

— Ela não...

— Estávamos falando sobre sua difícil situação com Konoha, não era mesmo, Sasuke-kun? — Desconversou Mei, o interrompendo. — Em breve Konoha irá julgá-lo pelas loucuras que ele cometeu na fase de adolescente rebelde — revirou os olhos — e contará com a opinião da Aliança Shinobi para dar um veredito. — Mirou Sasuke intensamente.

— Você não ficou preso por um tempo? — Chōjūrō perguntou, saindo detrás da cadeira em que Mei tinha se sentado e puxando uma para ele mesmo.

— Três anos.

— Não foi o suficiente?

— Aparentemente, não.

— Há quanto tempo está em liberdade?

— Há quase seis meses.

— Liberdade condicional, você quer dizer? — Mei perguntou.

— Sim. Meus bens estão confiscados e meu chakra parcialmente lacrado com um jutso de selamento. — Sasuke explicava. — Sakura e eu viemos em missão para contar o que está acontecendo em Konoha, pedir desculpas em nome da Tsunade e solicitar ajuda.

— Ajuda para Konoha ou para você? — Mei perguntou desconfiada.

— A missão é por Konoha, contudo não estou viajando por acaso. — Sasuke respondeu sinceramente. — Meu julgamento será feito pelos mesmos anciões que forjaram missões com intuito de exterminar Naruto, Sakura e eu. Saímos da vila às escondidas, Tsunade providenciou a documentação, porém o registro oficial da nossa saída e a notificação ao Conselho de Anciões não foi feita para que esta viagem não fosse impedida. Não sabemos o que acontecerá quando souberem que Sakura e eu estamos nessa jornada, por isso temos pressa e viemos pessoalmente falar com você — falou diretamente para Chōjūrō —, assim como falaremos com os kages das outras aldeias pelas quais iremos passar.

Chōjūrō e Mei ficaram calados, digerindo as informações. Se entreolharam e Chōjūrō foi o primeiro a falar:

— Eu os ajudaria de qualquer forma, agora que libertaram dezenas de mulheres daquele navio de tráfico, sinto-me ainda mais na obrigação. — Levantou-se e estendeu a mão para Sasuke, que pegou e levantou-se também. — Pode contar comigo. Amanhã acertaremos as minudências.

— Obrigado. — Sasuke agradeceu o melhor que pôde, estava realmente feliz com a gratidão de Chōjūrō e do povo de Kirigakure.

— Onde está a garota? — Chōjūrō perguntou de repente.

Quando Sasuke ia responder, notou ela na multidão, próxima a porta, um pouco perdida. Sabia que era ela, pois ele tinha escolhido um vestido de cor forte para notá-la daquela distância através do borrão que seus olhos permitiam-lhe enxergar. O cabelo, também, era inconfundível.

— Chegou. — Respondeu simplesmente e Chōjūrō e Mei fitaram na mesma direção, acenando para a garota que logo os encontrou.

À medida em que ela se aproximava, Sasuke podia enxerga-la melhor com o vestido púrpura em contraste com a sua pele leitosa, deixando os ombros e o colo à mostra, cobrindo os braços com rendas e o restante do corpo com um tecido brilhante e macio, marcando a cintura e terminando um pouco abaixo do joelho; os sapatos com o salto baixo, pois ele sabia que ela não se sentia confortável com os mais altos; os cabelos estavam presos em um coque alto, com alguns fios soltos; pequenos detalhes que ele reparava com algum esforço, mas reparava e admirava.

Era uma surpresa tê-la ali depois de ter dito que não iria. Sakura era teimosa e geniosa, o que ele podia esperar? A Haruno cumprimentou Chōjūrō e Mei, esta última a repreendendo pela falta de maquiagem e oferecendo-se para "consertar sua cara de monga", puxando a garota consigo para um banheiro. Quando Sakura passou por ele, deixou uma fragrância no ar, perfumes de banho, sutis, mas marcantes. Perfumes que deviam impregnar o quarto da pousada. Com este pensamento, não pôde evitar imaginar também qual seria a visão da roupa íntima que ela vestia por baixo. Sasuke não poderia repreender esse extinto natural, por mais que quisesse muito isso.

Sakura voltou para a mesa com um olhar mais marcado e a boca pintada de um tom de rosa mais escuro. Parecia um pouco aborrecida, porém não disse nada. Sentou-se no lugar que Mei ocupava antes e começou a observar o local, como Sasuke fizera antes. Chōjūrō e Mei estavam dando atenção para outros convidados da noite.

Ela também reparou na boa aparência do antigo parceiro de equipe: paletó preto, lapelas em cetim; calça igualmente preta; camisa branca por baixo e uma gravata borboleta um pouco frouxa; os sapatos engraxados brilhando tanto quanto seus cabelos cor de ônix. Aquela era uma visão inusitada do Uchiha. Sakura não o via tão belo desde a cerimônia que ocorreu após o fim da Quarta Grande Guerra. Atualmente ele estava mais magro e pálido, contudo a beleza ainda era fortemente presente nos traços mais maduros e nas expressões mais brandas.

Em determinado momento da festa, Chōjūrō subiu no pequeno palco, anunciou a grande causa do evento. Depois de um discurso simples, convidou Sasuke e Sakura para apresentarem-se. Sakura foi na frente, caminhando com a cabeça erguida e os passos firmes, como Mei havia orientado. Algumas das mulheres que ambos salvaram estavam presentes e entregaram presentes para os dois, além de homenageia-los com um colar de concha para cada. A Haruno conteve todas as suas emoções o máximo que pôde, descendo do palco com o rosto seco e um sorriso de alívio.

Assim que a pequena cerimônia terminou, a festa realmente começou e já não se parecia mais com uma festa de gala. Sakura entrosou-se com as meninas mais jovens que estavam no barco, começaram a beber e dançar, rodando seus vestidos de festa. Sasuke provou alguns petiscos e tomou algumas taças de bebida, ainda não sentindo o efeito do álcool em seu sangue.

As jovens mulheres dançavam sozinhas, umas com as outras ou nos braços de um shinobi interessado. Era uma pequena parte das mulheres que resistiram à fome, à violência, ao frio e às doenças com mais saúde do que as outras.

Em dado momento, entre os rodopios de Sakura com as garotas, ela parou exatamente de frente para a mesa onde Sasuke estava sentado sozinho. Ele a observava, e não precisava enxergar claramente para saber que Sakura o fitava com igual intensidade, provavelmente com um sorriso travesso. Ele também não precisava ativar o sharingan para saber as possíveis intenções da garota.

— Eu não vou dançar. — Sasuke avisou assim que a menina se aproximou.

— Vai. — Sakura estendeu a mão.

— Você sabe que não gosto.

— Deixa de ser chato, vamos! — Insistia.

— Não, Sakura.

— Você quem deveria me chamar para dançar. Sou a mais bela do salão — gabou-se brincando —, qualquer outro homem aceitaria dançar comigo.

— Peça a eles então. — Sasuke retrucou impaciente. Depois de um breve silêncio, Sakura respondeu com o queixo erguido.

— Tudo bem então. — Marchou para o meio do salão.

Sasuke logo percebeu o que ela faria e avançou para o centro do local, onde ela estava, tapando a boca de Sakura com uma das mãos e impedindo-a de avançar.

— Você não conhece ninguém aqui. — Sasuke repreendeu-a.

— Esta será uma oportunidade para conhecer. — Respondeu confiante.

Sasuke suspirou irritado, olhou ao redor e viu que vários casais dançavam descontraídos. Ele já havia bebido, não confiava totalmente em sua coordenação motora para dançar, porém Sakura também parecia um pouco alta de álcool, as bochechas levemente coradas e um sorriso travesso presente nos lábios.

— Sabia que iria mudar de ideia. — Sakura sussurrou no ouvido do Sasuke quando ele, relutante, colocou as mãos na cintura dela e começou a gingar de um lado para o outro.

Sasuke ficou olhando para os lados, movendo-se timidamente, esperando que ninguém os visse. Sakura cruzou os pulsos envolta do pescoço pálido do garoto e começou a rir baixinho, provocando-o ainda mais.

— Você está parecendo um paranoico olhando de um lado para o outro.

— Fica quieta. Estou te fazendo um favor. — Respondeu de imediato, sem olhá-la.

— Você é um grosso. — Sakura reclamou em um tom mais alto. — Pode me soltar. — Saiu do enlace de Sasuke. — Você é péssimo. Parece que estou dançando com um tronco de árvore!

Quando deu as costas, Sasuke a puxou de volta com força, ela rodou em seus braços como um peão e parou a centímetros da boca do Uchiha, sem fôlego e surpresa.

— Você não vai à lugar algum sem mim. — Vociferou, apertando o corpo de Sakura ao seu com uma das mãos firmes em suas cóccix.

— Então me mantenha por perto. — Desafiou-o no mesmo timbre de voz autoritário.

Sasuke começou a levar a sério. A dança dos dois virou um jogo de fuga e resgate, Sakura de desvencilhando e Sasuke a trazendo de volta para seus braços. Entre um movimento e outro, bebiam rapidamente taças de bebida para matar a sede e o calor, contudo o líquido parecia um combustível infernal. Entre bebidas e rodopios, olhares profundos e provocações, ambos ficaram embriagados, com pensamentos turvos e movimentos exacerbados — principalmente Sakura.

O Uchiha esforçou-se para parecer mais sóbrio, segurou Sakura pela cintura e despediu-se daqueles com quem mais tinha conversado durante a noite, agradecendo a recepção e aos "acertos", pedindo desculpas pelo porre da colega de equipe.

Sakura só ria e tampava o rosto, não falava nada, parecia lutar contra a embriaguez sem nunca conseguir vencê-la. Sasuke também tinha sido irresponsável por deixa-la beber tanto. Por mais que ela afirmasse que era mais beberrona do que ele — como se fosse motivo para se gabar —, o álcool causava efeito mais rápido em seu corpo que era menor do que no dele

No caminho para a pousada, Sakura foi comentando como a festa tinha sido incrível e como os docinhos estavam deliciosos e tinha pedido para Chōjūrō levar o que sobrou para eles comerem. Falava sobre como as meninas estavam felizes e gratas por terem voltado para casa e estarem começando uma nova vida. Sasuke ouvia tudo, reparando em como Sakura demonstrava uma felicidade que ele não via desde que eram crianças.

— Sasuke.

Sakura parou de andar de repente, já na pousada, mais precisamente no corredor que dava acesso aos quartos dos hóspedes. Estava escuro, somente a luz da lua iluminava o local através de uma janela no fim do corredor.

— Vamos, Sakura. — Tentou puxá-la.

— Não, Sasuke. — Encolheu-se. — Eu preciso te perguntar uma coisa.

— Vamos para o quarto, lá você pergunta. — Sasuke insistiu.

— Se não me responder agora eu vou gritar a acordar todo mundo.

— Fala logo. — Suspirou irritado.

— Você pensava em mim quando estava com o Orochimaru? — Sasuke demorou uns segundos para entender a pergunta e deduzir o propósito dela.

— O quê?

— Quando você fugiu da vila — explicava olhando para os próprios sapatos —, ficou treinando com o Orochimaru, viajando e escondendo-se por aí. — Dizia palavra por palavra, já influenciada pelo álcool. — Você chegou a pensar em mim alguma vez? — Encarou o garoto.

— Por que está me perguntando isso agora?

— Só me responde! — Pediu impaciente. — Eu sempre quis saber...

— Eu não sei. Não me lembro do que eu pensava nessa época. — Sasuke respondeu sinceramente.

Sakura assentiu com a cabeça baixa e murmurou:

— Eu me lembro. Eu pensava em você todos os dias. — Confessou. — E eu me perguntava se você pensava em mim. Se chegou a pensar em mim alguma vez.

— Vamos para o quarto, você está bêbada.

— Você também está. — O empurrou levemente.

— Vamos.

— Não... Não quero mais que você zombe dos meus sentimentos. — Contornou o corpo de Sasuke à sua frente e procurou o quarto. — É esse?

— Não! — Sasuke apressou-se para ajuda-la.

— Sai daqui, seu idiota! Não preciso de você.

Sakura ia tentar abrir a segunda porta errada, Sasuke num impulso a abraçou por trás, com intuito de contê-la. Sentiu em seus braços a garota relaxar, amolecer.

— Eu te abracei assim. — Ela riu pelo nariz. — Mas você também não deve se lembrar disso.

— Eu me lembro. — A resposta surpreendeu Sakura, que lentamente virou-se para ele, procurando enxergar verdade em seus olhos. — Eu me lembro. — Sasuke repetiu.

Lentamente Sakura aproximou-se, erguendo-se na ponta dos sapatos para alcança-lo, para tocá-lo. O que lhe deu mais segurança foi que Sasuke também se moveu, segurou seu queixo e abaixou-se para beijá-la.

Ambos sabiam que seus lábios se tocaram por menos de um minuto, contudo em suas mentes, o tempo tinha parado. Quando Sasuke tomou iniciativa para o segundo beijo, mais intenso, mais molhado, mais voraz, Sakura sentiu seu peito explodir, sabendo que estava perdida.

Quando entraram no quarto já estavam loucos. Com dificuldade fecharam a porta e em seguida literalmente pularam na cama. Sakura desabotoou o paletó e a camisa de Sasuke enquanto ele tirava a gravata borboleta do pescoço. Ela sentia o corpo dele quente e uma vontade descomunal de senti-lo encostando no seu. Sasuke com certa brutalidade tirou os sapatos de Sakura e ergueu a saia do seu vestido até os seios, tapando o rosto da garota e deixando o corpo todo à mostra.

— Hey! — Sakura reclamou, abaixando e o zíper e tirando o vestido da forma certa.

Sasuke a encarava de certa distância, sentia sua boca salivar só com a visão da lingerie que escolheu no corpo de Sakura. Não tinha comprado com essa intenção, mas estava adorando o bônus. O sutiã era preto, sem alças, a calcinha da mesma cor, de renda, encaixada perfeitamente em seu bumbum.

Sasuke beijou toda a extensão da perna dela, um beijo tímido, mais como um roçar de lábios pela pele macia e perfumada. Ele sentia-se tão excitado que doía, só de encostar o pênis no lençol ele já poderia gemer. Secretamente Sasuke desejava por aquele momento há muito tempo. Quando chegou às coxas de Sakura, tirou a calcinha com a boca e não demorou para abocanhar a garota, sem hesitar, sem pensar, sem admirar. Lambeu e chupou como se fosse sua comida favorita — e de certa forma era —. Sentir Sakura se remexer sobre os lençóis e gemer descontrolada só o deixava mais louco.

Ela não sabia o que fazer para não produzir tanto barulho, seu tesão era tão intenso que nem o seu bom senso de não incomodar os outros hóspedes conseguia freá-la. Quando a língua de Sasuke tocou o seu clitóris, sem aviso, sem preparo, ela sentiu algo inexplicável, um calor que percorreu seu corpo todo e fixou-se na ponta dos pés. No início sua língua gelada causava até cócegas, com o tempo, tudo estava quente que parecia uma coisa só. Sentia-se tão excitada e molhada que temia até molhar os lençóis. Só com essa brincadeira gozou duas vezes, em menos de dez minutos, sem nem ter tempo para recuperar o fogo. Sasuke literalmente tinha prendido sua cabeça no meio das pernas dela.

Sasuke fitou Sakura com um olhar que transbordava luxúria. Limpou a boca com o dorso da mão e ficou em cima dela, apoiado nos braços paralelos ao corpo da garota. Sakura ergueu o pescoço e o beijou com toda a perversidade e ausência de vergonha possível.

— Eu esperei muito por isso. — Disse.

— Eu também.

A resposta de Sasuke foi tudo o que ela queria ouvir. Num movimento rápido, inverteu a posição e ficou em cima dele, descendo um pouco para a beirada da cama para alcançar seu pênis com a boca.

Como ele, Sakura não perdeu tempo com gracinha, lambeu toda a extensão e em seguida chupou tudo, sentindo o prepúcio bater no fundo de sua garganta. Parecia que todos os gemidos que Sasuke segurava foram liberados em um só quando Sakura fez aquilo. Sua expressão de prazer chegava a ser engraçada, parecendo-se com uma expressão de dor, contudo ele tentava se conter com a língua de Sakura circulando seu órgão, seus lábios escorregando em saliva. Ele estavam muito excitado. Se deixasse Sakura continuar, só com aquilo gozaria, e aquilo era pouco, ele queria mais.

Puxou Sakura pelo cabelo para cima dele e posicionou o quadril dela em cima do seu. Ela o ajudou a tirar a cueca e posicionou o pênis no lugar certo, depois com força, Sasuke agarrou os quadris da garota e fez ela sentar. Sakura soltou um grito curto, mas alto. Não era virgem, porém fazia tempo que não transava e sua vagina estava bem apertada, o que propiciou ainda mais prazer para o Sasuke, e um pequeno momento de dor.

— Você é um estúpido.

— É?

— É.

— Faça como quiser, então. — Sasuke sugeriu enquanto desabotoava o sutiã da garota para deixar seus seios à mostra.

Ele jogou os braços para trás e esperou a garota se acostumar com o seu pênis e começar uma noite insana. Aos poucos ela foi subindo e descendo, arrancando gemidos e caretas de Sasuke, em pouco tempo, estava sentando com força e rapidamente em cima dele. Seus seios saltitando, seus gemidos entrecortados, e Sasuke cedendo ao prazer, colocando as mãos novamente nos quadris da garota e a fazendo sentar com mais força e mais rapidez.

Assim que Sasuke gozou, seu corpo relaxou e ele se afastou um pouco de Sakura, suado, com sede e cansado. Não acreditava no que tinham feito. Sakura se recuperou mais rápido, ficou de pé, mexeu em algo no quarto e voltou para perto de Sasuke, chamando sua atenção.

— Pode levantar. — Chamou com uma garrafa de sake. — Ainda não acabamos.

Notas finais
[MENSAGEM ESCRITA EM 23/07/2016] Olá! Acho que devo muitas desculpas a todos vocês, leitores, por inúmeras falhas que venho cometendo. A primeira delas é a típica demora que eu (sempre) tento diminuir, mas não tem jeito. As coisas são muito diferentes do que eram há alguns anos. As justificativas são sérias (pelo menos ao meu ver), pelo menos o bastante para comprometer meu desenvolvimento com a escrita e meu compromisso com vocês, leitores. No começo do ano, no dia 05/01 para ser mais específica, eu saí do meu primeiro emprego. Eu trabalhava no McDonald's há 3 anos e meio e me preparei seis meses redondos para tomar esse passo. Parece bobagem, era só um empreguinho bosta, mas não, não era 'só' isso. Eu estava lá desde os meus 15 anos, tinha subido de cargo, tinha um salário legal, porém tinha um desgaste emocional muito grande, e passei por uma espécie de "lavagem cerebral" que me fez creditar que eu não conseguiria outro emprego. Primeiro passo dado: saí de lá, com uma mão na frente e outra atrás, mas saí. Fiquei parada por dois meses e não escrevi uma linha. Estava com um bloqueio horrível. Li alguns livros, fiz uns passeios, porém uma hora eu comecei a surtar porque não estava trabalhando, estive com um pé na casa da depressão quando de repente, no dia do meu aniversário, surge um emprego. Não era o que eu queria, mas topei de cara, numa loja de roupa num shopping. Foi a melhor coisa que fiz no ano. Essa mudança de emprego e as consequências foram a primeira coisa. A segunda é mais tensa... Meu pai me expulsou de casa. Pela quarta ou quinta vez. Parei de contar porque é constrangedor. E o motivo, acreditem ou não, só Deus sabe. A sorte é que eu estava empregada, mas estava na experiência e meu gerente deixou-me bem claro que era uma EXPERIÊNCIA e que esse emprego não estava garantido. Imaginem minha situação: uma declaração de despejo e um emprego instável. Esses três meses de experiência foram de tensão. Tensão mesmo, como se eu estivesse fazendo uma prova do ENEM durante 90 dias corridos, contudo essa era de dobrar roupas perfeitamente e juntar o máximo de dinheiro possível. Passei na experiência. Tentei fazer as pazes com meu pai, ele decretou 15 dias. A vizinha do meu namorado estava indo embora às pressas, então eu pensei "é agora", e foi. Isso há exatamente uma semana, me mudei no sábado, e tem sido bagunçado, tudo ta bagunçado, mas estou em paz e isso é impagável. Então a demora também é devido à mudança. Acho que são as principais coisas que eu precisava explicar nos mínimos detalhes para todos vocês. Eu sei que não tem nada a ver com ninguém, talvez nem leiam, porém é isso. Eu amo escrever. Amo. Mesmo que todos vão embora, mesmo que não reste ninguém, eu vou escrever, vou terminar todas as fanfics e aí sim direi adeus. Por hora, esperem mais um pouco que eu ainda tenho algumas coisas para oferecer. Shalom!