Strokes
45 New relapse
Notas iniciais
Assim que Sasuke gozou, seu corpo relaxou e ele se afastou um pouco de Sakura, suado, com sede e cansado. Não acreditava no que tinham feito. Sakura se recuperou mais rápido, ficou de pé, mexeu em algo no quarto e voltou para perto de Sasuke, chamando sua atenção.
— Pode levantar. — Chamou com uma garrafa de sake. — Ainda não acabamos.
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— Preciso d’água. — Sasuke respondeu ofegante.
— Não é possível que esteja tão cansado. Eu fiz todo o trabalho. — Gabou-se.
Sasuke com os olhos fechados, deu um sorriso de canto, como se zombasse do fato.
— Mulheres ficam dispostas mesmo depois de um ápice, homens não são assim.
— Quer dar desculpas biológicas para uma médica? — Sakura virou uma dose e colocou a garrafa na cômoda ao lado da cama. — Há muito tempo de tensão sexual envolvido aqui para você cansar-se logo na primeira.
— Falando assim, eu quase acredito que você seja experiente. — Apoiou-se nos cotovelos para observá-la em pé ao lado da cama. Ela olhou para o lado com um sorriso fraco que Sasuke não sabia se era de timidez ou... tristeza.
— O que você sabe sobre mim, Sasuke? — O tom da pergunta foi dócil. Sakura deixou os ombros caírem e sentou-se na ponta da cama.
Sasuke não respondeu, somente a observou. Sakura pegou o lençol e cobriu-se, acomodando-se mais na cama, sentada com os joelhos flexionados. Sasuke virou o corpo para o lado para observá-la, curioso, pois há pouco tempo ela parecia uma ninfeta, naquele momento parecia uma garota depois de sua primeira vez, com o olhar distante e um sorriso tímido no rosto.
— Minha primeira vez foi um estupro.
Sasuke assustou-se. À princípio achou que fosse uma brincadeira de mal gosto, porém pelo tom de voz brando, pelo olhar opaco, ele sabia que estava enganado. Sakura tomou uma dose de bebida, esperou uns minutos e continuou:
— Foi um estupro coletivo, aliás. — Abraçou os joelhos. — Outras pessoas me tocaram depois, mas... Eu sinto como se meu corpo fosse descartável. Não faz diferenças estar aqui ou não estar.
— Não parece.
— Porque há mais do que sexo envolvido aqui. — Ela pensou em dar como exemplo a vez em que dormiu com o Naruto, porém seria inconveniente. Era melhor deixar aquele ocorrido no passado, bem enterrado. — Você em algum momento passou por algo assim? — Ele negou com a cabeça. — É horrível. Fico feliz que não possa saber o que eu senti na hora.
— Isso tem a ver com aqueles renegados? — Sakura afirmou. — Por isso matou-os com tanta voracidade. Por isso você estava incontrolável. Agora eu entendo.
— Entende o quê?
— De onde vinha tanta força. — Sakura riu pelo nariz.
— Aquela força está dentro de mim e pode ser usada a qualquer momento, contudo não sou idiota de estimular uma quantidade de poder que não preciso. Eu me preparei muito tempo para o dia que eu iria mata-los. O plano inicial era achar o paradeiro de todos e tortura-los por um tempo. Queria que eles me implorassem pela morte, aí sim eu os mataria. Entretanto, as coisas não foram bem assim, como você viu. Em partes foi bom, terminou muito rápido, contudo não me sinto completamente vingada.
— Esse é o problema da vingança. Ela é uma maldição, não é um alívio. Nenhum lado ganha, os dois perdem.
— Não se sentiu melhor quando matou o Danzou?
— Melhorou meu ego. Por dentro eu continuo morto, assim como minha família.
— Eles me machucaram, Sasuke. — Disse com os olhos começando a marejar. — Ainda dói. — Respirou fundo. — Dói tanto. — O fitou. — Tenho medo de acordar naquela relva com uma dúzia de homens em cima de mim. Eu ainda tenho pesadelos; eu tenho receio de ficar só em lugares desconhecidos; eu tenho medo de que aconteça de novo. Eu prefiro morrer.
Sasuke a observava chorar como ele não via há anos.
— Eu não conseguia me mexer. Eles me envenenaram! Você acredita que foi uma criança que me enganou? Eu fui enganada por um moleque! Eles me despiram, me tocaram, me morderam, arranharam, machucaram demais. Eles tiraram tudo de mim. Eles me deixaram suja de porra e barro no meio do nada. Eu ouvi tudo, eu senti tudo, mas não conseguia me mover.
— Sakura, calma. — Sasuke aproximou-se dela e segurou em seus braços, tentando acalmá-la.
— Eu fiquei semanas dando socos no meu ventre para matar qualquer coisa que meu corpo fecundasse. Eu tomava diversos banhos por dia. Eu lavava tanto minha vagina que ela ardia. Você não tem noção do que foi aquilo. Você não tem, Sasuke.
Ela já estava bêbada. Sasuke culpou-se por deixar a situação sair do controle, sabia que não era uma boa ideia deixa-la beber tanto. O único ponto positivo que viu naquela noite toda foi a verdadeira Sakura por baixo do pano.
— É uma vida miserável a que eu tenho vivido, Sasuke. Você não vai estragar mais ainda com tudo. Eu não vou deixar.
— Eu não vou estragar nada, Sakura. — Ele garantiu segurando o rosto inchado da garota com as duas mãos, mãos grandes como conchas segurando uma pérola.
— Qual é o seu plano?
— O quê?
— Conta para mim, Sasuke. Você vai fugir de novo, não vai?
— Não, não vou. Eu ainda estou em liberdade condicional, lembra-se?
— E se você conseguir sua liberdade? Você vai embora. Você vai deixar o Naruto e eu. Vai começar tudo de novo.
— Eu não vou.
— Promete que não vai. O Naruto vai ficar louco se você ir.
— Sakura, vem tomar um banho.
— Promete pra mim, Sasuke! — Pediu de forma desesperada. — Você não vai fugir de novo. — Sasuke respirou fundo.
— Eu não vou fugir de novo, tudo bem? — Sakura assentiu, mais calma. — Agora vamos tomar um banho.
— Não, eu quero fazer amor. — Disse começando a beijar o côncavo do pescoço de Sasuke.
— Já fizemos, Sakura.
— Para de ser mole, eu quero de novo. — Sasuke segurou as duas mãos da garota para ela parar, mas Sakura já estava em um nível do álcool que a deixava mais irritante do que ela normalmente era.
— Tudo bem, vamos fazer de novo, só que na banheira. — O Uchiha tentou ter paciência e ludibria-la. Naquelas condições ele teria que agir no mesmo nível que ela.
Pegou-a no colo e colocou-a na banheira vazia, abrindo a torneira em seguida. A medida que a água ia subindo, Sakura ia relaxando, pedindo para regular a temperatura. Pediu inúmeras vezes para Sasuke entrar lá com ela e ele só atendeu o pedido porque seu corpo também implorava por um banho.
Quando voltaram para o quarto, Sakura já estava mais lúcida, e lembrou-se da promessa de uma “parte dois” daquela noite, ignorando totalmente as coisas que havia dito há poucos minutos. Começou beber de novo, embora Sasuke tivesse a advertido, porém também estava comendo uns petiscos do hotel, logo ele mesmo começou a acompanha-la enquanto conversavam sobre lugares nos quais já tinham ido e batalhas bizarras que tiveram.
Ficaram bêbados, como de se esperar. Sakura mais do que já estava e Sasuke chegou ao ponto do nada começar a olhar fixamente para os seios dela enquanto ela falava algo sem muito nexo. Transaram de novo. Tudo bem mais estabanado e menos sexy, mais voraz, mais urgente, mais intenso, mais louco. Houve um momento em que chegaram a cair no chão. Voltaram para a cama, Sasuke caiu de novo. Continuavam bebendo, rindo, transando, se amando, até o cansaço chamar.
Deitados de buços, ofegantes, se olhavam, bem no fundo da pupila, trocando pensamentos que ninguém poderia saber. Pensamentos que se perderia na cabeça de cada um, para cada um se encontrar no outro. Algum dia, talvez. Naquela madrugada dormiram e esqueceram.
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