Strokes
16 New problems
Notas iniciais
Por conta disso, não marco data para voltar a atualizar, mas creio que será no máximo uma semana.
Então, enjoy!
Ah, e obrigada Lia Liz pelos zilhões de reviews que deixou! Logo menos eu respondo todos. Muito obrigada, mesmo!
-Sakura, para! –Entrou de novo na casa e com o braço sadio segurou o rosto dela com firmeza, olhando nos olhos verdes e sentindo a mágoa emanar deles. Estavam se magoando violentamente com ciúmes, mentiras e perrarias. Não faziam juz a idade que tinham.
-Por que não se beijam de uma vez? –Sasuke exclamou já estressado com tudo aquilo. Tudo o que ele queria era um minuto de paz. Um minuto. Era pedir muito? Ele acordava e dormia com a mesma confusão… E ainda sofria assédio!
O que mais o deixava indignado era que Sakura o culpava, mas quem mais brigava ultimamente era ela e Naruto, por coisas bobas, como o tubo de pasta de dente pressionado no meio; a comelança; a falta de vergonha dele de andar pelado pela casa com a desculpa de que esqueceu de pegar a toalha antes de ir pro banho, coisas simples se transformavam em uma confusão tremenda, dali a pouco os dois voltavam a ser o que eram.
-Cala a boca, renegado! –Sakura vociferou virando na direção dele, automaticamente soltando-se do aperto do Naruto. –Por sua causa chegamos à esse ponto. –Sasuke fez um dar de ombros que foi o suficiente para fazer o sangue da garota borbulhar. Ela não deixara de lado a humilhação que ele a fez passar há pouco, estava a fim de retribuir o susto, talvez, fazendo o coraçãozinho de gelo do Uchiha parar permanentemente. –Se eu fosse você segurava a língua dentro da boca antes que eu a puxe e tire junto com ela todos os seus órgãos internos! –A essa hora Naruto já a segurava –tentava- como podia enquanto Sasuke fazia suas higienes matinais tranquilamente.
Cenas como aquela tornaram-se frequêntes e previsíveis.
.o0o.
Como Naruto estava inabilitado, quem teve que fazer o relatório de sua missão foi Sakura, o que não pôde ser uma tarefa menos difícil com um gênio nato tentando utilizar palavras que nem sabia o significado para parecer mais intelectual. Fracasso. Sakura ainda estava brava com ele, daí às vezes ele dizia algo engraçado e ela não queria rir (por orgulho), então se esforçava ao máximo para ficar séria, mas acabava é fazendo o outro rir… Era um ciclo de redenção. No final dessa brincadeira, levaram horas para escrever frente e verso simplificado, enquanto Sasuke preparava-se para a missão que lhe fora resignada no dia anterior.
Era uma missão simples, serviço comunitário, algo relacionado à isso e a Godaime o deixou um tempo cruel esperando sentado fora de sua sala por novas ordens. Não fazia sentido. Se fosse uma missão de risco, tudo bem, mas era só para ajudar idosos e camponeses doentes a colherem arroz, certo? Errado. Ela era esperta, mas ele também era, a primeira missão serviu de exemplo para Sasuke saber que só estavam testando ele.
Sendo assim, ele decidiu dar um bom show.
Havia semanas em que ele chegava a realizar, ao lado de Naruto e Sakura, até três missões de rank B, fora as outras nível “serviço comunitário” como por exemplo, novamente, os camponeses doentes necessitando de quem colha seus pés de arroz. Cansado era uma palavra gasta demais para descrever seu estado, que estava melhorando. Com dois dias depois do ataque que sofreu de Sakura, seus olhos deram sinal de melhora. Tudo começou com a percepção das cores com mais constraste, detalhes, traços que antes não enxergava. Toda vez que ela lhe perguntava como estavam os olhos, ele negava essa mínima melhora, mesmo notando esses sinais, mas ela se garantia, dava os ombros e repetia como repetiu à ele umas vinte vezes “vai melhorar”. Um dia, ainda em missão, acordou no colchão de relva com o coração acelerado, outro pesadelo. Ao abrir os olhos se surpreendeu ao ver perfeitamente, na copa das árvores as folhas balaçanrem conforme o vento chacoalhava os galhos pedindo para que a floresta acordasse, em vez dos borrões verde-musgo. Sakura havia o salvado da cegueira. Era como num dia de frio, quando respira-se muito próximo a um espelho e este fica embaçado, você limpa a mancha desfocada com a mão e o espelho volta a ser límpido. Ela havia feito mais ou menos isso, desembassado os olhos dele com uma facilidade semelhante a desembassar a mancha de um suspiro quente contra o espelho.
Sakura estava se desgastando de sentimentos raivosos pelo alvoroço que aquilo estava causando em sua vida. O tratado de Tsunade, que era X dias de descanso mais Y horas de trabalho no hospital não estava sendo cumprido. Em seu cronograma, só tinha Sasuke, missão com Sasuke; exame do Sasuke; treino com Sasuke; compras com Sasuke; dali a pouco teria sexo com Sasuke e ela seria de certa forma obrigada a cumprir, afinal, comprometeu-se com a missão. As recompensas que recebia não era de se reclamar, na verdade, era 30% a mais do que ela conseguia arrecardar num mês fazendo turnos no Hospital de Konoha e missão para fora, sozinha ou com equipe. Assim como crescia a renda, crescia os gastos e mais da metade desse dinheiro “bônus” que ela ganhava por dar escolta ao Sasuke ia diretamente para a reforma da sala dele.
Ela conseguiu fazer Sasuke ganhar massa novamente, melhorou bastante a saúde do Uchiha em pouco tempo, mas isso não foi uma atitude autônoma, demorou cerca de dois dias de discussão entre ela e Naruto, no final acabou sendo convencida (vulgo obrigada) por Tsunade que deveria colaborar com seu querido amigo Sasuke, pois não havia gente de confiança e capacidade para fazer isso por ele. Quando os conhecidos perguntavam o por que de tantos cuidados com o Sasuke ela respondia que fora obrigada por Sasuke, mas no fundo sabia que o que a incitou a tratar dele foi a menção de Naruto sobre uma jovem e belíssima enfermeira chamada Hotaru que vinha se mostrando apta cuidando dos shinobis, estar coincidida a fazer o que ela, Sakura, tanto negava.
“Sasuke não precisa de uma enfermeira de quinta que mal sabe enfaixar um braço. Eu aceito cuidar dele.”
Foi com essas amáveis palavras que ela tomou posse, literalmente, do corpo dele. Um dia ela teve a impressão de ouví-lo dizendo “obrigada” por toda a dedicação que ela estava tendo para com ele, o levando ao parque para treinar, fazendo corridas, montando dietas, treinando os movimentos finos do corpo (como o da escrita, que ele praticamente havia perdido) e etc.
Naruto, quando não estava brigando com Sakura, estava brigando com Sasuke, mas era só pisar os pés fora do apartamento, sentia-se bem. Levava garotas para jantar e as dispensava na noite seguinte. Ele tinha seu charme, seu carísma, era inegável, mas ele sabia que parte dessa abundância de peixes em sua rede era devido ao fato da sua popularidade como ninja. Ele nada mais era do que O Naruto. Segundo Tsunade, o próximo kage, pois não havia ninguém melhor para eleger. Na verdade, havia duas opções: Kakashi e Shikaku. Este primeiro negou a posição mais alta da hierarquia com a desculpa de que “não é vida para pessoas preguiçosas como ele” e o segundo, pai de Shikamaru, morrera na última guerra.
Por falar em Shikamaru, depois de uma missão de apoio numa aldeia próxima Naruto foi procurá-lo para conversar enquanto Sasuke e Sakura voltaram para casa, pois tinham um cronograma para seguir. As coisas giravam ao redor do Sasuke agora. Ele nem poderia reconhecer Sakura, que às sextas bebia e farreava ao lado dele, agora, tinha uma alimentação balanceada e uma tabela nutritiva presa na porta da geladeira com um cardápio semanal, acompanhado até com o número de calorias de cada refeição.
-Precisa de tudo isso?! –Reclamou enquanto deixava sobre a mesa da cozinha o dinheiro dos mantimentos da casa. Foi decretado que ele pagaria essa parte da conta por ser o que mais come na casa.
-Tem mais no verso da lista. –Informou.
-Para quê tanto mato?
-Para o Sasuke? –Falou com ar de óbvio. –Não posso deixá-lo forte e impecável como antes baseando sua alimentação com apenas rámen e o resto das porcarias gordurosas que você trás.
-Mas isso aqui é um absurdo!
-Não, esse é meu método. –Corrigiu. –E você deveria adquirí-lo, não vai ficar com esse tanquinho para sempre comendo essas porcarias.
-Vou falar pro tio do Ichiraku Lámen as coisas que você fica falando da comida dele.
-Foda-se. –Silabou sem voz.
-Por que você faz essas coisas? É para me irritar, me tirar do sério logo cedo?
-Só estou fazendo o que você me pediu, estou cuidando do Sasuke e estou fazendo isso de uma maneira que nenhuma outra enfermeirinha fajuta faria.
-Nenhuma delas usaria o meu dinheiro para comprar a feira inteira. –Dizendo isso, Sakura parou tudo o que estava fazendo, isto é, complementando os potes de açúcar, sal e grãos.
-Realmente. –Sorriu. –Elas usariam para comprar langeries que usariam com outros homens.
Enfim.
Naruto foi à casa de Shikamaru, pois todos sabiam que em questão de sabedoria, era à ele quem deviam recorrer. Shikamaru fumava na varanda, tão relaxado que Naruto tinha a impressão de que se uma bomba caísse em sua casa, ele sequer perceberia, se sim, não daria muita importância. Isso não foi um bom começo. Achou que ele não fosse dar importância ao seu problema, mas não, Shikamaru era um homem sensato.
-Estou tendo uns problemas. –Começou.
-Eu sei.
-Sabe?
-Todos sabem. –Disse sem delongas e olhou para Naruto com os olhos apertados, ao tempo que a fumaça tóxica fugia de seus pulmões. –Cigarro? –Naruto pegou um e Shikamaru o ensinou a acender e a tragar. –É bom, não? –Era a primeira experiência com o canudo viciante que ele tinha, não sabia dizer como se sentia, só sabia que não era uma coisa que ele usaria todos os dias. –Dois homens e uma mulher numa casa só já é a primeira coisa que denuncia que você tem um problema, a segunda é as pessoas em si que estão sob o mesmo teto tentando conviver a pulso. Também todos sabem sobre você e Sakura.
-Não temos nada.
-E provavelmente não terão se você continuar sendo idiota. Vocês eram como irmãos antes do Sasuke ser solto, ele desestruturou a amizade de vocês, você querendo ou não aceitar isso. –Tragou. -Você sabe melhor do que ninguém como seria difícil para Sakura isso.
-Ela tá levando numa boa!
-Ah, tá mesmo? –Falando soltando a fumaça, ironizou. –Vamos imaginar: você a ama.
-Eu… -Shikamaru levando um dedo num pedido de silêncio que Naruto acatou.
-Esta é outra coisa que está óbvia até para o mais burro da vila. –Acrescentou. –Você a ama, daí decide colocar na sua casa o homem que ela amou a vida inteira.
-Sakura odeia o Sasuke hoje! Você sabe bem o porquê.
-Particularmente, eu acho improvável odiar uma pessoa que se amou tanto num passado não muito distante. Preciso te confessar que eu não contei a verdade para Sakura nem para você.
-O quê? –Naruto se enrijeceu.
-Sobre a morte dos pais dela. Disse que foi um acidente com gás, mas Suigetsu, um dos parceiros de equipe de Sasuke que matou os Haruno a comando do mesmo.
-Você ficou louco?! –Naruto levantou erguendo consigo Shikamaru pelo colarinho. –Por que ele faria isso?!
-Os pais dela são ninjas e um deles trabalhava com documentos dos quais ele precisava. –Tirou as mãos do loiro de sua roupa. –Toque em mim de novo e eu quebro essa sua cara de camarão. –Naruto o olhou torto e resmungou algo como um ‘desculpa’. Estava inconformado com o que acabara de ouvir. Como Sasuke tivera coragem de olhar nos olhos de Sakura depois de ter matado os pais dela? –Não conte à Sakura. –Naruto meneou a cabeça em sinal positivo.
-Vim para tentar resolver um problema e você me dá outro!
-Não, não te dei um problema, te dei a verdade. Sobre o seu principal problema, sugiro que apresse Sakura em relação a reforma de seu apartamento, assim separados, vocês vão se ver menos e os problemas caseiros não existirão mais. Talvez com ela no cantinho dela e você no seu, aos poucos tudo se resolva.
-Isso eu sei. Ela já está correndo com a reforma, mais um mês e eu já posso voltar para casa.
-Ótimo. E… se você quer realmente ter algo com ela, abra seus olhos, tome uma atitude de vez para conquistá-la, pois ela tem o homem que sempre quis a mercê agora, o que ameaça todo aquele encanto que ela adquiriu por você ir pelos ares. No fim, você quer ser só o melhor amigo dela?
-Sinceramente, não considero Sasuke como uma ameaça. Ela o odeia. –Shikamaru riu.
-Você não prestou atenção no que eu falei.
-Prestei sim.
-Tudo bem, Naruto.
-Diz ela que namora, mas eu sei que é mentira.
-Era. –Disse sem pestabejar.
-Como assim era?
-Eu não devia falar isso, é muito feio fofocar, mas ela foi até Lee e pediu que ele fingisse ser seu namorado.
-Sabia!!! –Naruto vibrou. –Essa história de namorado dela era só para causar ciúmes!
-Lee negou e os outros meninos também, porque todos sabemos que vocês se gostam e não queremos servir de álibes para destruir isso.
-Vocês não iriam destruir, pode ter certeza, não sou nem um pouco ciumento! –Disse convicto.
-Acredito! –Debochou. –Só que recentemente ela tem saído muito com Sai e…
-Sai? –Naruto perguntou com a voz baixa.
-Sim. Ele diz “estamos vendo como iremos nos sair”, acreditamos que estão tentando, você sabe, dar início à um namoro. –Tentou dizer aquilo com o máximo de cordialidade possível, não queria que Naruto surtasse e descontasse sua raiva nele porque se isso acontecesse ele ia revidar.
-Ela não me falou isso. –As sobrancelhas se uniram e o cigarro ficou frouxo entre os dedos. Sai e Sakura? Como ele nunca desconfiou?
-Você perguntou?
A partir da segunda missão com Sasuke, Sai sempre ia até o apartamento dela e saiam ou ficavam no quarto de estudo sozinhos. O assédio ao Sasuke (coitado)nunca mais aconteceu, também parou de sair e dar créditos às investidas que Naruto fazia quando estavam bem. Pequenas coisas que comprovavam que há
-Como? Eu ia adivinhar?
-Você sempre negou a existência do “namorado” que uma hora ele passou a existir e você nem se deu conta, ou vai me dizer que não percebeu os dias em que Sakura saiu à noite e voltou tarde?
Domingo. Quinta. Sábado de manhã…
Naruto abaixou a cabeça e refletiu.
-Não sei se o que é pior, saber que Sasuke foi o mandante do crime contra os pais da Sakura ou que meu colega de equipe está comendo ela, mesmo sabendo que eu acho ela bonita.
-Não, você a ama. –Corrigiu.
-Pode ser. –Respondeu triste. –Eu…
-Estou te contando isso porque não quero ficar de segredinhos como o resto do pessoal, você sabe como eu odeio complicações, então já faço minha parte. –Tragava tranquilamente. –Pense pelo lado positivo: os pais de Sakura poderiam ter morrido pelas mãos de Sasuke, mas não foram. Sakura poderia estar namorando com seu ex colega de equipe e melhor amigo, mas está só com o boiola do Sai. Poderia ser pior. –Naruto se levantou. –O que vai fazer?
-Vou falar com Hinata. –Acendeu um cigarro.
-Ah! –Riu. –Já vi tudo!
-Cala a boca! –Saiu.
-Volte sempre para uma sessão de conselhos com Shikamaru Nara.
.o0o.
Sakura também estava de folga e pegou sua manhã para checar o andamento da reforma do apartamento do Naruto. Sasuke estava com a hokage então não precisaria dela de babá. Só faltava rebocar com gesso e pintar e isso seria finalizado até o fim do dia. Os móveis que foram destruídos ela já havia encomendado, chegariam no outro dia, quando o apartamento já estaria pronto para uso, mas precisava do alvará com o certificado de segurança, que seria dali uma semana.
-Uma semana e cada um vai para o seu lado. –Dizia em voz alta olhando tudo ao redor. Fazia tanto tempo que não ia lá que tudo parecia nostálgico, cada pedaço daquele lugar tinha uma história.
A melhor, ou pelo menos a mais lembrada, foi no vão entre a pia da cozinha e os armários, ela tentava se esconder dele por ter sujado todo o sofá com chocolate, ele estava furioso. Quando ele estava de costas, ela o cutucou, assim que ele virou, seus lábios se tocaram sem querer, como quando você está em um teatro e apoia seu antebraço nos braços da cadeira e por um acaso sua mão roça com a mão de alguém querido.
Isso nunca mais aconteceu e eles prometeram não falar sobre aquilo.
-Sakura-san, o Uchiha está a sua espera. –Ela virou-se imediatamente para o jonnin que a informara.
-O quê? –Ele devia estar com a hokage ou em qualquer outro lugar, menos ali. Também, como ele sabia que ela estava na casa do Naruto? Ela podia muito bem estar no hospital, na casa do namorado, etc. –Mande-o subir.
-Ele não quer. Disse que só quer deixar um recado com você. –Estranho, muito estranho. Demosntrou desinteresse embora estivesse borbulhando de curiosidade para saber o que houve de tão importante para Sasuke ir atrás dela. Isso nunca, nunca aconteceu. Nem quando ele foi lavar roupa pela primeira vez sozinho e alagou a lavanderia.
Desceu as escadarias velhas e o viu uniformizado e com a mochila nas costas. Mãos nos bolsos, cara fechada, cabelo se debatendo no vento e ele ficando profundamente irritado por isso. “Por que não corta então?”, Sakura pensava, mas sabia perfeitamente que ele não ia e nem deveria cortar. Era perfeito do jeito que era.
-Que foi? –Perguntou deixando a postura rígida e a voz firme. Ela sempre mudava o figurino perto de Sasuke, não queria dar a impressão de donzela desocupada decidindo os ornamentos da casa de um homem relaxado, ou como no dia-a-dia, uma impressão de mulher gentil e delicada.
-Estou saindo em missão, voltarei em uma semana.
-Como assim?! Sozinho?! –Franziu o cenho. Ele acentiu. –Mas Naruto e eu não temos que te acompanhar?
-É. Não sei porque Tasunade pediu para eu ir sozinho.
-Quer que você seja morto, só pode. –Revirou os olhos.
-Você deveria saber, não acha? –Ele lançou aquele olhar sedutor e imbatível que era como uma barreira impedindo que qualquer investida de Sakura para resistir fosse falha. Apesar da incrível melhora na convivência entre os dois, ele não adquiriu confiança nela e vice-versa. Era grato e reconhecia o potencial dela, o que involuntariamente fazia com que ele a quisesse por perto pelo simples fato de ser uma mulher que sabe o que faz e o que fala, uma segurança incomum para uma jovem de apenas dezenove anos.
-Por que diz isso? –Abaixou meio tom de voz.
-Não é você quem faz os relatórios?
-Alguns foi o Naruto que fez.
-A maioria foram seus.
-E o que isso tem a ver? –Retomou a postura compenetrada.
-Você deve ter colocado alguma coisa lá que fez Tsunade imaginar que estou apto. –Concluiu.
-E não era isso que você queria? –Ela sabia que em alguns relatórios havia enfatizado o grande avanço de Sasuke como shinobi e como ser humano, estava um pouco mais maleável e aberto, mas ainda gelado. Era um cubo de gelo sete vezes menor do que era quando saiu da cadeia. Era um cubo de gelo derretendo aos poucos.
-Sim, mas não agora. –Disse. Ela não acrescentou nada, ficaram em silêncio.
-Espero que… não seja definitivo. –Sakura ficara nervosa por dizer aquilo. O que estava fazendo revelando seus pensamentos e desejos mais pronfundos? Sasuke ergueu uma das sobrancelhas e ela confessou um pouco corada. –Afinal, não está sendo tão ruim quanto eu pensava. Estou gostando de ter você de volta. –O especialista em sorrisos ligeiramente tortos e sexy fez o que melhor sabia fazer, deixar todo o cenário ao redor monocromático e ela prestando atenção em sua beleza.
-Avise o Naruto por mim. –Sakura acentiu.
-Boa sorte. –Desejou com um sorriso bobo nos lábios.
Ele não respondeu. Ela não pode ver, pois ele estava de costas, mas um sorriso meio bobo também brotou dos lábios dele. Não era por nada, mas estava sendo bom ver a marrentinha sendo um pouco mais sincera com a situação.
Às vezes Sasuke achava que Sakura usava o que ele fez contra sua família para falar que o odiava e maquiar o que realmente sentia. Não, ele não estava de gabolice, era o que ela passava toda vez que o olhava diretamente nos olhos. Era como se dissesse “me desculpe, mas tenho que fingir que você não significa nada para mim”. Talvez, ele nem soubesse que ainda gostava nem que fosse um pouquinho dele, convenceu a si mesma de que deveria odiá-lo que atitudes como aquela há pouco lhe passavam despercebidas.
Para Sasuke e todos os amigos próximos, Sakura ainda o amava, mas será que o coração dela bate mesmo por ele?
E se bater de fato, é somente por ele?
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