Strokes
17 New course
Notas iniciais
...e hoje começa dois terços dos problemas.
Responderei aos reviews passados em breve. Recomendações? Por favorzinho, deixem alguma *-* Eu gosto tanto dessa fic, queria que você também gostassem :') Me dedico muito à cada capítulo.
P.S: ignore os erros de digitação
Boa leitura!
Bateu com os nós dos dedos na estreita porta lustrada de verniz. Ao contrário do que disse ao Shikamaru, não foi direto falar com Hinata, passou em alguns lugares, devaneando, à procura de um pretesto. Quando finalmente se sentiu íntimo o bastante para visitá-la sem motivos, parou em frente a sua casa e esperou que ela viésse recebê-lo, quando o viu, espantou-se, mas conteve-se. Os anos fizeram com que ela se habituasse as inconveniências de Naruto.
–Olá. –Falou com a voz baixa de sempre, mas firme, sem gagueira.
–Oi. –Responde envergonhado, reparando nela e atrás de si. Estava arrumada e com uma bolsa ao lado do corpo, provavelmente partindo para algum compromisso. –Ahm… Você está de saída? Porque se estiver eu posso voltar outra hora…
–Ah, bem, para falar a verdade eu estava sim, mas tudo bem, entre! –Abriu passagem na porta reforçando o convite. Ele não pôde recusar.
–Olha, não se sinta embaraçada em me dispensar, eu realmente posso voltar mais tarde. –Sentou-se no sofá revestido com um couro sintético em um tom avermelhado.
–Não se preocupe! Ia fazer umas compras bobas para fim de semana, nada inadiável. Se fosse esse o caso pode ter certeza que iria pedir para voltar em outro momento. –Naruto engoliu um seco.
–Sua casa continua a mesma. –Observou ainda sem assunto.
–Não gosto de mudanças solenes. –Falou indo em direção à cozinha. Naruto abaixou a cabeça e refletiu sobre ela, relembrando toda a estrutura de sua personalidade estável, detalhista e simplista.
Aquela casa era o maior bem de Hinata, fruto do que arrecardou através dos anos enquanto vivia sob as asas de Kurenai, já que seu pai havia a renegado. Os boatos diziam que ela foi construir a própria vida porque agora Kurenai tem filho para cuidar e não tinha mais obrigação de cuidar de uma moça criada, mas Naruto sabia que não, ele viu tudo de perto, foi uma atitude espontânea de Hinata.
–Então? Diga-me que milagre o fez lembrar-se de mim. –Entregou-lhe uma xícara de chá gelado. Bebericou o seu enquanto sentava-se em frente ao loiro que esstava desconcertado pelas palavras de Hinata. Era realmente uma vergonha sumir e reaparecer assim, de repente, sem motivo ou circunstância.
–Arranjei um tempo, vim te ver, estava com saudades. Como anda a vida? –Tomou um gole do chá se esforçando para não fazer careta. Estava muito amargo.
–Bem. –Respondeu sincera o olhando nos olhos. –Faço tudo o que fazia antes, na época em que você costumava vir me ver. –Acrescentou.
–Hinata. –Ele abaixou o olhar. –Pode deixar de lado só por um instante que nos afastamos um do outro?
–Que você se afastou. –Corrigiu. –Pra falar a verdade, não dá. Eu lamento. –Deu um sorriso reto. –Como você está? –Perguntou tentando amenizar o clima.
–Bem, também. –Respondeu forçando um sorriso. Não estava nada bem, não queria sorrir.
–E Sakura? –Ergueu uma sobrancelha. –Ela também é outra que sumiu igual vapor.
–Não só para você! –Comentou irônico.
–Mas não estão morando juntos? –Perguntou com o cenho franzido, apoiando a xícara no píres para escutá-lo. Será que deu ouvido demais aos rumores?
–Mais ou menos. Na verdade Sasuke e eu estamos lá temporariamente, só durante a reforma do meu apartamento. Não é uma mudança definitiva, sabe?
–Seu apartamento não foi reformado recentemente? Que eu me lembre, tem menos de um ano que o arrumou todo.
–Exato. Daí meu coração mole resolver acolher dois energúmenos sem rédeas num espaço de menos de quatro metros quadrados e eles acabaram destruindo tudo. –Disse fazendo ar de vítima.
–Tudo?! –Perguntou preocupada.
–A sala. –Corrigiu. –Mas só esse cômodo equivale a cinquênta porcento da casa. –Hinata revirou os olhos.
–Não exagere! –Pediu divertida. –Quem está pagando a reforma?
–A Sakura. Ela que destruiu! –Falou bicudo. Hinata colocou a xícara na mesa de centro e cruzou as mãos sobre as pernas, encarando Naruto com um sorriso maroto. –Que é? –Ela riu balançando a cabeça.
–Por que fica fazendo descaso toda vez que fala de Sakura? –Ela havia percebido, era nítido a mudança em sua entonação, só não sabia dizer se era proposital ou realmente havia algo por trás de toda aquela irritação.
–Eu? Descaso? Não, não, engano. –Mentiu bebendo o chá.
–Afinal, estão juntos? –Hinata perguntou, corada. No mesmo instante Naruto se engasgou.
–Não! –Garantiu em meio a crises de tosses. –Não estamos e nunca estivemos.
–Um dia podem estar. –Disse. –Por que de tanta agitação, Naruto?
–É que esse assunto é um pouco embaraçoso… -Falou corado.
–Oh, me desculpe! –Disse igualmente corada.
–Tudo bem. É só que… Sakura e eu somos amigos apenas, não tem nada a ver. –Hinata deu um leve erguer com ambas as sobrancelhas, voltando a beber seu chá. Era claro que duvidava. Sempre tivera ciúmes da amizade incomum de Naruto e Sakura justamente por saber dos antigos(ou atuais) sentimentos dele para com ela e da carência que ela tinha. A probabilidade de um romance acontecer entre os dois era enorme, por isso a todo momento ela estava jogando verde para colher maduro.
–Entendo.
O silêncio não era nenhum conveniênte entre ambos. Naruto olhava sentada formalmente em sua poltrona florada, parecia uma pintura renascentista, o dava uma nostalgia de uma época gostosa, a época em que os dois estavam juntos. Era tudo muito afável, em seus conformes, um verdadeiro casal dos contos que Sakura vivia lendo e comentando com ele. Quando ele e Hinata estavam juntos era como se todo o resto fosse banal, só queriam a presença um do outro e o resto ficava em segundo plano. Finais de semanas inteiros dentro do quarto. Ele não mais saía com os amigos, nem ela com os poucos que tinham. Foram cavando juntos um buraco para se enterrarem e viviverem assim permanentemente, mas Naruto foi o primeiro a acordar sufocado e fugir daquele mundo perfeito.
“Quando acabar a maratona de sexo termine o relatório da missão retrasada, porque já estou cansada de resolver seus problemas por você.”
Sakura…
Era como veneno de cobra: ela era o que o matava e o que salvava. Os dois lados da moeda.
Ela nem sabia que ele estava namorando Hinata, achava que a cada desculpa esfarrapada era uma garota diferente, mas não. Durante um ano ele segredou isso para quando ela descobrir dar os ombros e dizer que não era obrigada a decorar com quais garotas ele transava. Sakura estava numa época difícil, ainda em luto dos seus pais. Sozinha, foi se tornando fria e Naruto fcou com medo de sua imagem transfigurada devorar seu interior. Fez a escolha mais difícil até então.
“Estou sufocado, Hinata”
“Entendo”
Entendo.
Mentira. Ela nunca o entendeu.
–É estranho, não? –Começou, distraidamete.
–O quê? –Perguntou Hinata.
–A gente aqui, juntos novamente, nessa sala… -Riu sem graça. –Parece que tudo foi há décadas! –Ela abaixou a cabeça, corada. –O que está sentindo?
–Eu? –Levantou o olhar e ele confirmou a pergunta. –Melancolia.
–Esperava ouvir mais de você! –Ironizou rindo. –Está sendo verdadeira? –Ela o fitou, entregando-se. –Eu sinto saudades.
–A recíproca é verdadeira. –Confessou.
–Por isso que estou aqui. –Imediatamente ela se levantou e deu as costas ao loiro, tentando concentrar-se, não deixar se levar pelos sentimentos nostálgicos. Não podia ceder de cara. Não podia, não devia e nem queria. Mas os pensamentos são traidores. –Eu ainda penso em você… Sei perfeitamente das coisas que fiz e…
–Naruto, para! –Hinata pediu, trêmula. Virou-se para ele. –Olha, não menti quando disse que estava bem, eu quero manter as coisas como estão…
–Só me ouve!
–Suas palavras são como drogas para meus ouvidos! As ouço, elas agem em mim, tornam meus pensamentos dúbios, minha mente confusa e meu coração imprudente. Um veneno persuasivo que faz minhas emoções predominar sobre a razão. Persuasivo. É isso que você é. –Andou lentamente em sua direção, aproximando-se mais da estrutura ligeiramente mais alta do que ela. –Só se deixa ser incitado por… -Antes que pudesse terminar qualquer insulto maior à conduta de Naruto, o mesmo aproveitou o aproximamento de Hinata e segurou pela cintura, dizendo sem demora.
–Me dá uma chance de provar que sou mais do que persuasivo. –Falou com a voz rouca.
–Não precisa, sei que você é persistente também. –Acrescentou mantendo-se firme em seu objetivo de resistí-lo, tentando afastá-lo com os braços, mas ele só a pressionou mais contra seu corpo e pegou seu rosto pelo queixo, aproximando-se do seu. –E atrevido. –Conseguiu sair de seu enlace recorrendo a força bruta. Naruto apenas riu e a observou andar em direção à porta, apressada e vermelha como um tomate. –Eu tenho que ir. –Pegou sua bolsa e abriu a porta, esperando que ele se movesse.
–Okay! –Encolheu os ombros e largou os braços ao lado do corpo. Parou de fronte à ela, acariciou seu rosto com os nós dos dedos e disse: -Te pego às oito para irmos ao Festival de Outono da vila. –Sorriu.
–M-mas espera! Eu não não disse que iria sair com você! –Naruto já havia saído de dentro de sua casa, da rua gritou:
–Te espero ansiosamente! –E fez uma reverência.
Hinata não sabia se ria ou se o praguejava. Todos os seus esforços foram inúteis, levaram ao mesmo desfecho que ela tanto se esquivara. Se soubesse que seria rendida de qualquer forma, teria se deixado levar. Ela não negava que sentia falta dele. Não entendia por que Naruto a procurou só agora, quando tudo estava indo bem. Ele teve mais de um ano para recorrer àquelas ideias sem nexo de que estava se sentindo “sufocado”. Domorou mais de um ano para perceber que estava errado? Obviamente não foi isso.
Ela conhecia sua fama, sabia que nos últimos anos ele não tinha do que se queixar em relação à absolutamente tudo, inclusive mulheres. Soube que frequentemente aparecia nos restaurantes com garotas diferentes. Antes era duro ouvir isso, afinal, ainda o amava, mas quando isso acabou virando rotina, o gosto amargo foi tornando-se comum e ela percebeu que aquilo já não fazia diferença. Para ele, eram apenas mais troféis em sua estante. Ela foi um deles.
–Lamentável. –Disse para si mesma, trancando a porta e indo ao mercado.
.o0o.
Morar em uma casa com dois marmanjos era uma derrota. Bagunça, sujeira, barulho, destruição… Era incrível como ela ficava quatro horas fora de casa e quando voltava encontrava todo o lugar do avesso. Até então quebraram quatro abajures. Os quatro foram ela, mas a culpa foi deles. Um foi estraçalhado na cabeça do Naruto; outros dois foram jogados em direção do Sasuke, mas acabaram se quebrando nas paredes e o último foi lançado contra a porta quando uma das vadias do Sasuke apareceu procurando-o. Isso só foi prejuízo com abajur, fora as louças, lâmpadas e decorativos.
Prendeu seu cabelo num coque frouxo e se desfez do excesso de roupas, vestindo apenas um short curto de flanela e uma blusa de alcinha folgada: uniforme de faxina. Se não bastasse passar grande parte do dia resolvendo os por menores da reforma do apartamento de Naruto, tinha que cuidar do seu próprio. O dinheiro que gastava com todos aqueles prejuízos dava e sobrava para comprar mais mobílias e objetos para sua própria casa, mas claro, o Uchiha tinha que ser libertado, infiltrado em sua vida, a provocado e incitado a fazer o que fez com o apartamento do Naruto. A vida recentemente conspirava contra ela.
A porta foi aberta lentamente e fechada. Diria que era Sasuke se ele não estivesse em missão, porque Naruto era estovado (a portaprovavelmente seria o próximo objeto a ser destruído), mas para sua surpresa, ele estava aprendendo abrir e fechar a porta como gente normal.
–Por um momento pensei que fosse o Sasuke.
–Troca meu nome, não me sexo. –O loiro respondeu, aparecendo na visão dela. –O que está fazendo? –Perguntou se referindo a garota que se esticava ao máximo tentando limpar em cima do armário de louças.
–Tirar o pó daqui de cima. –Respondeu.
–Pra quê? Ninguém vê aí em cima! –Comentou pegando o pano das mãos dela e tomando seu lugar na cadeira.
–Não precisamos ver para sabermos que existe. –Retrucou batendo as palmas para tirar a sujeira. Naruto a ajudou tirando a poeira de lugares altos demais para ela, tudo em silêncio. Sua cabeça estava dividida em pensamentos entre a conversa com Shikamaru e Hinata. Sentía-se enjoado. Olhava de relance para Sakura e a via com Sai, o beijando, o extasiando… Sentia raiva. Só que também lembrava de quando lhe deram a notícia da morte de seus pais. Desolada não descreve um terço do estado em que ficou.
Naruto sabia que ela ainda guardava um rancor por si mesma que vinha se enraizando cada vez mais. O quanto ela sofria em silêncio? O que ela gritava que ninguém ouvia?
“Sakura, não foi sua culpa. Seus pais foram assassinados pelo Suigetsu. Sasuke o mandou fazer isso.”
–Sakura. –Ela virou para ele com os olhos estáveis, verdes intensos, esperando uma resposta.
Ele só queria aliviá-la, mas o quanto de dor causaria a mais se lhe contasse a verdade? Sakura mataria Suigetsu e Sasuke. Ia no inferno para conseguir a morte de ambos, mas o que conseguiria com isso? Vingança? Foi a vingança que moveu Sasuke por todos aqueles anos e o que ele ganhou depois de tudo? Mais dor. Naruto tinha certeza que se perguntasse para Sasuke se ele era feliz, este não o responderia, porque não, ele não era feliz, não tirou a amargura dos lábios após sentir o sangue quente de Itachi sobre si.
Saber que seus pais foram mortos pelo homem que você sempre amou é um impulso tão forte quanto o que Sasuke teve para Sakura se tornar vingativa como tal.
O que Sakura sentia, embora doesse, estava anestesiando-se. O tempo tinha esse poder de cura fabuloso! Naruto não tinha a intenção de abrir uma ferida quase cicatrizada.
–Onde está o Sasuke? –Perguntou num improviso.
–Ah, ele saiu em missão. –Lembrou-se. Se Naruto não tivesse perguntado, provavelmente ela nem lhe avisaria.
–Em missão? –Naruto perguntou.
–Sim! –Confirmou.
–Sem a gente? –Franziu o cenho. –Acho muito difícil Tsunade ter permitido a saída dele da vila, mesmo que para missão, sem uma escolta. –Ergueu-se.
–Já tem um tempinho que ele saiu das grades, Naruto. E cá entre nós, ele já pode andar com as próprias pernas sem tropeçar em qualquer pedregulho!
–Por isso mesmo que ele não deveria sair da nossa vigília! Ele pode…
–Fugir? –Sakura foi mais rápida e completou a frase com uma expressão indiferente. A hipótese que despertava pavor no outro não tinha baque nenhum sobre ela. –É uma possibilidade, mas eu não costumo ter muita sorte, com certeza ele ainda não vai te deixar, infelizmente.
–Ridícula. –Sentou-se no sofá preocupado.
–Eu ridícula? Ridícula é essa sua mania de tratar o Sasuke como um bebezinho. Acorda! Ele é um homem! Ele sabe ferir, machucar, destruir tudo o que quiser. Ele é perigoso e ao mesmo tempo inofensivo, afinal, ao avesso, é igual à nós. Sasuke não é sua responsabilidade…
–É sim, ele é nossa responsabilidade desde que fomos solicitados para…
–Não é essa missão que vai prendê-lo à você, Naruto! Entenda de uma vez que Sasuke não é seu e mesmo que fosse ele não poderia ser do jeito que você quer.
–Para!
–Você sabe que nunca vai conseguir dormir direito quando ele estiver a mais de dez metros de distância. Sasuke nunca vai deixar de ser aquela pessoa já te abandonou. –Cansado de ouvir aquelas palavras duras, Naruto pega Sakura pelo pescoço e a deixa contra a parede. Seus olhos estavam vermelhos, seus dentes ponteagudos voltados para ela rangiam.
–Eu melhor do que ninguém sei de tudo o que Sasuke é e já foi capaz. –Rosnou.
–Só posso concluir que você é um idiota em persistir nele.
–E você é patética negando que ainda o ama. –Ela riu debochada.
–Só se for a beleza dele, anos-luz melhor d o que a sua! –Sorria provocadora.
–Falou a Miss Konoha! –Ironizou com os dentes caninos voltando ao normal e as mãos amortecendo o aperto em Sakura. Esta ficou na ponta dos pés e aproximou-se do ouvido do loiro.
–Com título de miss ou não, eu sei que você sempre me quis. –Sussurrou com a voz brincalhona e sexy. Naruto a encarou sem saber o que dizer, ela havia o calado, feito com que seu silêncio confirmasse a afirmação nada egocêntrica.
Aproveitando a hesitação do garoto, Sakura tentou sair do seu espaço, mas Naruto bloqueou sua passagem estendendo o braço na parede. Ela estava cercada.
–E você? –Perguntou com a voz rouca. –Alguma vez você me quis… -Falava aproximando-se da curva de seu pescoço. –Assume... –Ela estremeceu quando aquela voz máscula falou tão próximo de seu ouvido com um suspiro quente que deixou os pêlos de seu corpo todo arrepiado.
Ao notar seu vacilo, inverteu as posições estratégicamente e prensou o corpo dele contra a parede, dizendo próximo aos lábios carnudos:
–Posso até ter desejado, mas nem sempre querer é poder…
–Nesse caso você pode! –Ele disse maroto.
–Mas não preciso. –Retrucou afastando-se e entrando no banheiro, rindo por dentro. Nunca havia provocado Naruto daquela forma. Fechou a porta e ficou de frente ao lavatório, lavou o rosto a fim de aliviar a calor que sentia e ao erguer de volta a cabeça, viu pelo o espelho o garoto atrás de si, sorrindo com seus brilhantes olhos turqueza. Ela riu, tentando ignorá-lo, pegou a toalha, secou o rosto e foi questão apenas de fechar os olhos para ser invadida por grandes mãos quentes que pareciam um encaixe perfeito em sua cintura. –Naruto… -Ela ia repreendê-lo, mas sentiu seus lábios beijando sua orelha, descendo pelo pescoço, fazendo um percurso lento e arriscado pela sua clavícula e parando nos ombros. A essa altura seus olhos já se encontravam semi cerrados e acompanhar as carícias pretenciosas do seu amigo através do espelho já se tornava uma tarefa irrelevante, odiava admitir, mas só queria sentí-lo.
Fechou os olhos e suspirou involuntariamente, crendo que não soou tão alto quanto pareceu. Naruto ergueu o olhar para analisar o reflexo dela, quando a viu cedendo, decidiu que não iria parar. Com a ponta dos dedos, abaixou delicadamente uma das alças da blusa que ela vestia, ao mesmo tempo que acariciava sua pele leitosa. Isso a despertou.
–Naruto, para, é sério… -Sua voz baixa e submissa não fazia juz à suas palavras. Ele não hesitou. Enquanto distribuia beijos em seu pescoço, abaixava a outra alça da blusa e já ia avançando as mãos para outros caminhos. –Somos amigos… -Dizia com os olhos fechados, sentindo a boca quente acariciar sua pele. Ela queria e ao mesmo tempo não queria, estava em um dilema.
Já pensou algumas vezes numa possível transa com Naruto, mas a ideia sempre lhe pareceu tão absurda que nunca imaginou possíveis consequências disse e atitudes que poderia fazer para evitar ou se deixar levar, entretanto, Naruto parecia ter maquinado tudo há muito tempo, pois não expressava nenhum pingo de preocupação quanto a posição de ambos. Eram amigos de infância, se viam praticamente todos os dias e recentemente vinham brigando mais do que o convencional. Rapidamente seu cérebro vasculhou mil e um motivos para ela não fazer aquilo. Bem que tentou conter o ato, virando e dizendo, com o resto de razão que tinha:
–Não devemos fazer nada disso! Como ficaríamos dep… -Mas óbvio que não funcionou, ela havia perdido o controle. Ela gostava de estar no controle, mas havia o perdido. Ele a beijou, impedindo que sua boca encontrasse qualquer desculpa que fizesse seus corpo se afastarem. Ele já estava quente, sedento, nunca voltaria atrás, não importava se a amizade de ambos estivessem em jogo.
Um beijo rápido, mas duradouro. Até o beijo era um paradóxo. A princípio tímido, cauteloso, em seguida tomando proporções mais ousadas. Era o primeiro beijo deles. Quando ela abriu os olhos e encontrou o espelho celeste fitar os seus tão de perto, teve a certeza de que não importasse a quantidade de motivos que desfavorecessem aquele ato, seu desejo prevalecia sobre tudo, e a boa notícia era que era um sentimento mútuo.
Os beijos se seguiram cada vez mais profundos, demorados e molhados, Sakura deixava-se envolver e correspondia a todas as investidas de Naruto. Abria caminho com seus dedos entre os fios dourados, o puxando para perto, impedindo-o de afastar-se daquele momento. Corpos colados, quentes e sedentos, ele mal podia acreditar que estava acontecendo, ela tentava só pensar no prazer que sentia, sabia que se afastasse demais seus pensamentos sentiria-se culpada, estava traindo Sai.
“Ele não gosta de mim”
Naruto subia suas mãos por baixo da blusa dela.
“Eu não suporto ele”
Ele olhava o decote dela, louco para tocar…
“Estamos apenas tentando”
A segura firme pela cintura deixando-a sentada sobre a pia, ficando entre suas pernas.
“Sem compromisso”
Naruto tira sua camiseta e volta a beijá-la intensamente, tirando a blusa dela com pressa e um pouco de brutalidade. Sakura estava sem sutiã, portanto, ficou exposta e foi impossível conter o rubor. Não era virgem, mas também não havia tido muitas experiências, para falar a verdade, poderia contar nos dedos de uma mão só as vezes que transou. Apesar de sua gabolice quanto ao assunto, ainda era uma garotinha vergonhosa, insegura como corpo e traumatizada com os homens.
Ele sussurrava estímulos em seu ouvido enquanto a excitava, a medida que iam avançando os limites, se tornava impossível abafar os ruídos que parecia ecoar três vezes mais alto naquele apartamento vazio.
–Você é linda! –Ele repetia incessantemente.
Linda.
“Linda”
Qual o real significado daquela palavra?
Naruto inclinou-se e começou a beijar o tórax desnudo dela, descendo lentamente, indo em direção aos seios médios e rosados. Ao chegar no alvo ela simplesmente não se conteve, arqueou as costas, jogando a cabeça para trás com um gemido rouco: estava entregue. Ele saboreava com paixão e voracidade, era suave e ao mesmo tempo feroz, querendo tomá-la toda para si, massageando de um lado e sugando do outro em movimentos sincronizados, sentindo-se cada vez mais motivado a cada vibrada de prazer que Sakura dava.
–Delícia… -Sussurrou no ouvido da rosada, não se contendo mais. Esperou demais por aquilo, não queria perder tempo com joguinhos, se ele tivesse sorte, poderia brincar de pré-eliminares outras vezes. Naquele momento estava àvido.
Com certa dificuldade retirou o short que a vestia, deixando-a apenas de calcinha. Ela cruzou os tornozelos em volta da cintura dele e este a carregou para o quarto, ainda entre beijos. A cama enorme parecia gritar pelos corpos deles ali.
Ele a jogou no colchão e ela foi encolhendo-se para perto da cabeceira enquanto Naruto estava em pé a sua frente desabotoando a calça.
–Janela. –Ela indicou com a cabeça. Estava completamente aberta com as cortinas finas afastadas. Naruto fechou, a contragosto, o mais rápido possível e voltou a atenção para a ela. –Porta. –Bufou. Fechou a porta a chave, terminou de tirar a calça e subiu na cama, apoiando-se no antebraço para não pesar demais em cima dela. Os cabelos róseos estavam espalhados pelo travesseiro e seus olhos estavam mais claros por conta do cômodo mais iluminado, os dele caíam um no rosto dela, alvo, sem nenhuma imperfeição com excessão das olheiras, mas eram tão sutis comparado com sua beleza peculiar que poderiam ser desconsideradas.
Percorreu toda a estensão da perna lisa sem pressa, sem desviar o olhar do dela, sem nenhuma perversão, só queria sentí-la, memorizar cada pedaço de esmero do seu corpo.
–Vá em frente. –Ela disse tirando-o do transe, percebendo que ele já não se segurava. Tiraram as últimas peças de roupa.
–Não tenho camisinha.
–Eu tomo remédio. –Disse apressando-o, ainda assim ele hesitava, permanecia a beijando e acariciando.
–Tem certeza? –Aquilo soou como “você quer mesmo isso? Está tudo bem para você?”, ela lhe deu um beijo cálido como resposta e se aninhou melhor embaixo daquele um metro e oitenta de puro músculo e perversidade. Enfim ele agiu, com cuidado, como se estivesse com uma boneca de porcelana sob si, devagar, ainda assim, arrancando suspiros da garota.
–Vá em frente! –Repitiu ofegante em seu ouvido.
–Minha garota… -Sussurrava no ouvido dela. –Perfeita.
A medida que criavam mais liberdade e deixavam a vergonha de lado e ousavam mais, entregando-se ao vai e vem extasiante, profundo, quente e aconchegante. Arfavam em sintonia, gemiam, pediam, cobravam, mandavam! Ambos submissos ao êxtase do momento. Ao primeiro àpice de Sakura, ela inverteu as posições ficando sobre ele, beijando-o, o excitando, levando ao delírio como poucas conseguiram fazer.
Era fácil chegar ao clímax, difícil era chegar ao clímax perfeito, de deixá-lo desorientado, arfando, com o pulmão desesperado por ar, o peito em uma batalha, queimando em brasas enquanto uma gama de variáveis sensações prazerosas percorriam todos os nervos fazendo com que se fique trêmulo de gozo.
Exausto após o ato, deixaram-se cair um ao lado do outro, fitando o teto com a respiração desfalcada. Os lençóis estavam no chão, na cama, havia apenas um travesseiro sem a fronha, quase rasgado pelas unhas de Sakura.
–Nossa! –Suspirou cansada.
–Nossa, nossa! –Repetiu encontrando-se no mesmo estado.
–Loucura! –Acrescentou.
–Eu… me desculpa.
–Também peço desculpas.
–Por quê? –A olhou.
–Sei lá, eu acho que estou muito carente.
–Normal. Não é a única.
–Não está se sentindo usado? –Perguntou também o encarando.
–Não.
–Ótimo. –Suspirou.
–Você está?
–Também não.
–Ótimo. –Repitiu o loiro.
–Okay?
–Okay.
–Okay. –Ela disse aconchegando-se ao peitoral quente dele. Estava sonolenta e já estava escurecendo. Naruto pegou o leçol do chão e encobriu o corpo de ambos, ficou fazendo cafuné nos cabelos macios até ele cair no sono juntamente com sua amada.
Uma das raras noites que dormiu sentindo-se realizado.
Notas finais
Aguardo ansiosamente.
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Beijos
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