Strokes
14 New plans
Notas iniciais
No QG de Konoha havia um herdeiro sentado sozinho no banco do corredor principal. Era um herdeiro cuja fortuna era maldita e que não podia ser negada, afinal, estana nele. Uma maldição que seu coração pulsava e seus olhos exibiam num sangue escarlate, cor da morte, da ira que impregnava e dilacerava quaisquer resquícios de compaixão.
Vingança. Era o que ele queria, só que agora, contra si mesmo.
-Sasuke é inteligente. Pode não ter deduzido que a missão era um teste, mas sabia o que estava fazendo e com quem estavalidando.
-O que quer dizer, Tsunade? –Perguntou Sai.
-A missão teste pode ser desconsiderada, pois levamos em conta a obediência dele ao invés da sua perspicácia e inteligência. Ele pode fazer muitas coisas com essas virtudes. Lerá na ATA da reunião que convoquei assim que o trio regressou que Sasuke está sem restritorde chakra ou localizador propositalmente e ele está ciente disso. –Sai tentava entender, mas parecia muito complexo o que ela tentava explicar de uma forma confusa. Como desejava ter Shikaku ali para facilitar seu entendimento. –Ele pode fugir se quiser. Vai ser barrado, apreendido e torturado, mas vai fugir se quiser. Sabe por que não faz Sasuke não faz isso? –Ele negou. –Se ele foje nesse estado físico, ele morre. Sasuke está doente, ele não sabe o quanto, nem eu, na verdade, mas vamos juntar todas as deficiências adquiridas antes e durante os anos de cadeia: a cegueira, anemia profunda, depressão, asma, bronquite, limitação nos nervos e outras coisas que não pude identificar de vista. Imagina um cara desse fugindo sem rumo deparar-se com apenas um shinobi das centenas que desejam sua morte: quem vence?
-Tsunade-sama, eu já discordo. Mesmo considerando seu estado de saúde, creio que seja um tanto inapropriado subestimá-lo dessa forma, ele é letal quando provocada a sua ira e todos sabem exatamente onde sua ferida dói.
-De fato, tanto que ele dilacerou um dos shinobis que contratamos para esta última missão, outra coisa que verá bem descrita na ATA. Entretanto, ele não saiu ileso. –Sorriu de canto. –Muito pelo contrário. A sorte dele é a Sakura, ou melhor, o Naruto que convence Sakura a ser a sorte dele, porque se depender dela…
-Isso me alivia!
-Imagino! –Riu. –Voltando: ele é inteligente e reconhece suas condições, sabe que é melhor ficar e nos obedecer até recuperar-se, ele não corre riscos externos sob nossa proteção(tirando a Sakura, mas ela é domável), além de estar recebendo tudo o que precisa para se reerguer. Casa, comida, serviço e tratamento.
-Acha que Sakura consegue curá-lo em quanto tempo?
-Depende do que.
-Ah é, ele está detonado. –Lembrou-se.
-Das orbes, se ela se dedicar, um mês. Mas acredite em mim, ela não fará isso!
-Então qual é o plano?
-Adiar o máximo possível sua recuperação e nesse tempo nos prepararmos para uma possível traição. Sua missão é monitorar Sasuke, mas não do modo convencional, do jeito que Danzou ensinou-lhe. –Assentiu. –Todas as missões dele com a escolta de Naruto e Sakura serão testes, mas nem ele nem os outros saberão. Sakura provávelmente ficará encarregada de todos os relatórios já que Naruto é praticamente um analfabeto e Sasuke mal consegue segurar uma caneta. Tente lê-los. Todos são muito precisos e o ajudarão. Tenha sempre em mente que se ele traiu Konoha uma vez, pode trair de novo e eu quero evitar isso. Ele está doente e pesaroso, mas ainda é apático a tudo e todos, quero ver até que ponto ele é perigoso e se é mesmo possível deixá-lo viver socialmente.
-Entendo.
-Está de acordo com a requisição?
-Cem por cento. –Deu um meio sorriso e fez sua reverência obrigatória antes de retirar-se da sala da godaime.
.o0o.
Ele estava irritado e não mediria esforços para expressar aquilo. Kakashi despensou os dois shinobis, mas ficou. Preparou o café da manhã e estava puxando assunto, ou melhor, tentando, pois Sasuke apenas o encarava de forma sádica, imaginando que bom seria se conseguisse fazer Kakashi dobrar a língua.
-O que quer aqui em Konoha, afinal? –Cansado das tentativas de descontraí-lo, pulou para o assunto principal, real motivo para ainda não ter partido. Sasuke a mudança súbida da conversa e a tênue evidência da transição inesperada de um assunto banal para outro intrincado.
O que ele estava fazendo m Konoha mesmo? Nem ele sabia. Só podia dizer com convicção que isso não estava em seus planos.
Passou a guerra, a vitória, a contagem dos mortos e o julgamento dos aliados que em um passado não muito distante já eram inimigos diretos da vila. “Questão de segurança”, dizia o conselho. Ele foi julgado, condenado, preso, torturado e por fim liberto para ser testado constantemente.
Naquele momento estava ali vivendo com Naruto e Sakura apenas porque foi literalmente arrastado para de junto deles. Agia propositalmente como uma mísera peça de xadrez que pode ser mudada de lugar a qualquer instante. Não era teimoso, sabia que naquelas condições era loucura bater de frente com Konoha e seus aliados. Talvez, nunca mais estivesse apto para afrontá-los novamente.
Já fez seu nome e fama ainda na adolescência. Poderia chegar a driblar Konoha, mas o país inteiro e o restante das Nações da Aliança Shinobi eram impossíveis de ultrapassar sozinho. Também, não não queria viver à penumbra, na expectativa de algum felizardo o encontrar dormindo e matá-lo sem pestanejar.
Eis um belo fim para o Clã Uchiha.
Ele era um homem sem futuro, sua alma era da vila agora. Fato era que Sasuke já não mais se importava com sua vida. É um tanto melancólico dizer isso, mas não vamos mentir, por favor. Tudo o que queria e deveria fazer, ele fez. Não havia quem o amasse ou alguém com quem ele se importasse, estavam todos mortos, estava tudo acabado. Não tinha o que o prendesse, não tinha um lugar para ele se agarrar.
-Minha herança. –Respondeu sem olhar o homem a sua frente.
-Somente?
-Por que essa pergunta de repente?
-Todos precisamos ter cautela em relação à você Sasuke. Quando digo todos, quero dizer toda a aldeia em si.
-O que o leva a pensar que se por um acaso eu tivesse planos perigosos para Konoha revelaría-os para você? Isso é um tanto sem nexo, concorda?
-Concordo. Perguntei porque se independentemente da sua resposta ou do seu costumeiro silêncio, eu saberia se você mentisse ou confirmasse, então me diga: por que sempre subestima tanto os outro? –Sasuke riu pelo nariz e olhou para o lado.
-Pessoas fazem questão de mostrarem o quanto são ridículas e manipuláveis. Como ser humano, tenho uma forte tendência a generalizar.
-Sasuke, você não pode competir com alguém que tem o dobro de experiência na vida que você.
-Não é questão de inteligência e sim de convivência, infelizmente conheci gente demais para poder afirmar que pessoas são no mínimo desprezíveis.
-Você faz parte dessa natureza.
-Aí que você se engana. Nasci, fui criado e moldado à sombra de um Clã maldito, cresci com foco e uma coleção de noites sem dormir por conta de imagens que me assombravam todas as noites, imagens que até hoje não sei se eram pesadelos ou lembranças da visão dos meus pais mortos na minha frente, do cadáver do meu irmão estendido ao meu lado.
-Triste história. –Comentou apático. Sasuke socou a mesa, partindo-a no meio.
-Zombe. Minha dor, em partes, é a sua dor. Zombar da minha não fará suas feridas doerem menos, Kakashi. Você, que se diz maduro e tão mais velho, exibe feridas abertas depois de tantos anos, eu tenho dezenove anos e sou coberto de cicatrizes. –Caminhou em direção ao quarto. –Você me envergonha.
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