Strokes

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Notas iniciais
- Atualizando rapidinho, depois deixo recado.
Aproveitem!

Sol fraco no final da tarde, mais um shinobi chegava de missão. Este, diferente dos outros, com as roupas limpas e uma feição sóbria, embora estivesse irritado. Entregou os documentos de identificação sendo medido pelos guardas da portaria de Konoha. Assim que pegou de volta os documentos partiu em disparada para o QG da vila. Precisava ter uma conversa séria com Tsunade.

Esta avaliava os projetos de uma profissional de eventos para o Festival de Outono que aconteceria dali umas semanas. Embora a mulher em si fosse uma estravagância exibindo mal gosto nas vestimentas, seus trabalhos eram dignos de aplausos. Tsunade avaliava tudo com um interesse mediano enquanto Shizune se empolgava com Tonton nos braços, comentando eufórica os detalhes de cada atração.

-Não vejo necessitade de tantas barracas, por que não chamar apenas as principais? –Perguntou Tsunade com sensatez.

-Quais seriam as principais, tuas favoritas? –A mulher perguntou atrevida e Shizune não conseguiu evitar de olhar a mestra, qualquer tentativa de assassinato na sua frente, ela estava pronta para impedir. Tsunade apenas riu pelo nariz, debochada, e continuou a folhear o caderno de planejamento.

-Cerca de 20% dos comércios alimentícios que colocou aqui não tem movimento, outros 15% estão beirando a falência, talvez não tenham como pagar a taxa para participar…

-Não custa enviar um convite! –A mulher insistiu.

-Esses 35% são desnecessários e eu não aconselho convidá-los. –Tsunade fechou o caderno e a encarou. Agora ela estava irritada. Shizune engoliu um seco.

-Isso equivale a… treze tendas? Economia de 20 mil ryos? Já pensou no lucro que elas poderiam gerar nesse festival? E se dobrasse o investimento? –Tsunade debruçou-se na mesa para ficar mais próxima da senhora a sua frente e poder dizer em voz baixe.

-Se essas espeluncas não me trazem lucros durante os outros 364 dias do ano, é provável que não me traram neste único. –E sorriu. Quando a outra tentou rebater, Tsunade a interrompeu. –Acho que já temos tudo resolvido! –Sorriu. –Isto pode ficar com você…

-Não! Eu fico! –Shizune tomou da mão da mestra antes que esta devolvesse a mulher. –Eu vou analisar mais algumas coisas…

-É de vocês, é a cópia. –Deu os ombros com cara de desgosto. Estava odiando trabalhar com Tsunade mais uma vez.

“Parece que quanto mais fica velha, mais rabugenta e peituda fica!”, pensava.

-Dispensada.

-Obrigada! –Shizune completou a educação da outra. A mulher fez uma reverência e saiu em direção a porta, quando abriu deu de cara com um jovem alto de postura bélica.

-O-olá. –Cumprimentou sem graça.

-Ia bater na porta. –Explicou-se, olhando por cima dos ombros dela Tsunade ao fundo da sala tirando a atenção de um papel para olhá-lo –com desprezo, diga-se de passagem.

-O que quer Sasuke? –Tsunade perguntou fria.

-Sasuke?! –A mulher se exaltou.

-Já pode ir embora! –A loira estava a ponto de expulsar a chutes aquela mulher dali que teve a sensatez de sair antes que ela se irritasse.

Sasuke entrou com seus passos ecoando ouvindo a porta ser fechada atrás de si. Estava do jeito que chegou a vila, armado até os pés.

-Não me respon…

-Eu quero saber que palhaçada é essa que você está fazendo. –Falou com a voz firme, olhando-a nos olhos ignorando a presença de Shizune.

-Agora me diz como se atreve vir até mim assim. –Vociferou. –Esqueceu-se do seu atual estado, muleque?

-Parece que quem esqueceu-se de se por em seu devido lugar foi você, godaime. –Retrucou. –Tudo isso para mim é criancisse!

-Quando você sentar sua bunda branca nesta cadeira você me mostra o que é um show de verdade!

-Então assume que está brincando?

-Apenas testando... –Shizune que até o momento manteve-se alheia, se pronunciou.

-Tsunade, o que houve? –Perguntou preocupada.

-Nada demais, mas motivo o bastante pra esse aí dar birra. –Debochou. –Tava melhor atrás das grades? –Sasuke travou o maxilar. –Eu não deveria nem estar falando com você, garoto! Se não percebeu, você está na sala de um Hokage, este local não é ponto de lavar roupas sujas.

-Me diz onde é que vamos até lá. –Jogou o relatório da missão em suas mãos. –Se for para acabar com essa bobagem que está fazendo.

-Podem me deixar um pouco menos confusa ou está difícil?

-Sua mestra me mandou sozinho para uma missão em Kumogakure…

-Disso eu sei, foi em quem assinou os…

-…para entregar um pergaminho repleto de jutsus proibidos dos clãs do País do Fogo nas mãos do Raikage. –Disse olhando nos olhos amendoados da Hokage. –Se isto é ou não correto, não cabe a mim cogitar. –Sorriu irônico. –Me ponho no meu lugar de ex-nikinin. Agora o que me deixou furioso foi você ter me mandado justamente para uma missão deste calibre –talvez ilegal-, coincidamente no território do Raikage, o que cara que mais deseja a minha morte.

-Ficou com medo do negão? –Debochou. Sasuke a ignorou.

-E como se não fosse o bastante, deu um jeito de colocar no caminho um dos meus membros do antigo time Taka que formei enquanto foragido da vila. –Shizune a olhou com o canto dos olhos meio duvidosa. Seria Tsunade capaz de ocultar tantos detalhes daquilo para ela?

Será que Kakashi e Shikaku estavam cientes daquilo?

-Assinei uma missão de Rank-C para você, Sasuke. –Afirmou Shizune duvidando do relato do garoto. –Uma missão simples, nos limites do País do Trovão. –Sasuke extendeu o papel onde jazia a assinatura rubricada do Raikage.

-Contate eles caso ainda duvide. –Desafiou. Shizune correu os olhos por ele e Tsunade, que permanescia impassível. Por fim pegou o carimbo oficial da vila e saiu da sala.

-Você ainda continua sendo um Uchiha. –Declarou tentando atingir o orgulho do garoto que ignorou a fala impensada.

Os Senju eram mais cretinos do que o clã dos olhos de fogo.

Assim que Shizune saiu Tsunade mudou sua postura e ficou rija.

-Agora assine embaixo do seu requerimento de isolação da sociedade permanentemente por insubordinação e…

-Quem disse que eu abri o pergaminho? –Tsunade calou-se. –Acha que o Raikage ia aceitá-lo sem o selo? Ou melhor, acha que eu iria abrí-lo correndo o risco de ser pego por algum jutsu do qual não poderia sair?

-De você eu não espero nada…

-Tem razão. Se eu estivesse acompanhado do Naruto e da Sakura, talvez. Devo agradecer por me superestimar? –Ironizou.

-Okay. –Ajeitou-se na cadeira, visivelmente entediada. –Você quer saber o que eu quero com essa brincadeirinha? Eu quero ver até onde você aguenta, é isso. Quero comprovar ao Conselho que você não é o cãozinho arrependido…

-Nunca fui nem serei.

-… que tudo não passa de um teatro bem encenado para logo na primeira oportunidade você nos derrubar. –Ele jogou a cabeça para trás e passou a mão pelos cabelos brilhantes.

-Esta é a última vez que te afirmo que aqui não tem nada que me interessa. Até os escombros desse lugar serão deformados de mentiras… Eu só quero gastar o resto de tempo que me resta e se pra isso eu tiver que brincar nesse seu jogo, eu brincarei.

-Você não tem mesmo escolha! –Zombou.

-Só te peço para não envolver minha família. –Assentuou.

-Como sabia qua não tinha nada do clã Uchiha dentro do pergaminho? –Sasuke riu.

-Minha família é especialista em ser traída, aprendemos a guardar tudo aqui. –Bateu a ponta do dedo sobre a têmpora. –E uma coisa eu te garanto, Tsunade, Itachi foi o último Uchiha que o clã Senju fez de bobo. –Ao dizer isso virou as costas e saiu sem importar se estava autorizado a retirar-se ou não.

A sorte de todos que passaram por aquela sala naquele dia era que Tsunade estava com um bom humor, do contrário, não sabia dizer o que aconteceria. Sem dúvida a atitude de Sasuke foi uma afronta, mas em partes, correta. Ela esperava que esse momento de explosão chegasse, só não esperava que tão cedo. Mal podia esperar para ler o relatório que o Raikage lhe enviaria informando-a sobre esta missão. Queria comparar a descrição dele e a de Sasuke e por fim saber se já estava na hora de deixar o Uchiha um pouco de lado.

.o0o.

Sakura saiu do banheiro acompanhada de uma névoa de vapor sonolenta, era um dia quente damais para tomar um banho tão quente, mas ela precisava relaxar. Saiu enrolada na toalha com os cabelos molhados presos num coque frouxo para não respingar. Havia esquecido de pegar as roupas. Surpreendeu-se ao entrar no quarto e não encontrar Naruto cochilando. Ele não estava no resto da casa, ela não conseguia sentir seu chakra próximo. Estranhou ele ter saído sem avisar nem nada, mas não fez também muita questão, não via por que ficar se importando com essas atitudes contraditórias do loiro. Era nítido que ele estava emburrado com algo (o que era totalmente incompreensível depois dele ter batido o recorde numa maratona de sexo), Sakura percebeu quando ele entrou no quarto para vestir suas roupas e acordá-la para o banho. Com o quê, ela tinha mais ou menos ideia, mas achava tão boba e infantil a possibilidade que resolveu afastar seus pensamentos dele.

A questão era: contar ou não à Sasuke?

Depois de tanto ponderar, pegava-se perguntando à si mesma qual era a necessidade dele saber? Que diferença faria? O que isso diz respeito à ele? Sasuke não contava à eles com qual garota dormia, se gostava, como havia sido, não compartilhava nem sequer como eram as reuniões de rotina que fazia com o Conselho, por que ela e Naruto deveriam se preocupar em deixá-lo a par de suas intimidades? Sem contar que ela não pretendia deixar com que aquilo acontecesse de novo. Esta foi a segunda coisa que decidiu durante o banho ao notar um pássaro desenhado no vapor do azulejo.

Naruto.

Ela não poderia ignorá-lo para sempre, nem esquivar-se do assunto. Por ambos, pois a todo momento eles souberam que um dia veriam-se nesta delicada situação. O que fazer a respeito de nós? Não havia muito a ser feito além de reforçar a ideia da amizade. É. Sakura tinha namorado, já foi demasiadamente antiético o que havia feito com Naruto, sem contar que há alguns anos atrás prometeu para uma pessoa que isso nunca aconteceria.

Como olhar nos olhos de Hinata?

Mal conseguia encará-la por um certo ciúme e inveja de sua beleza e linhagem. Hinata era uma princesa enquanto Sakura era apenas uma camponesa brincando de ser importante.

Hinata, Ino, Naruto, Sasuke… Todos eram únicos só por existirem, só pelas veias guiarem um sangue raro e poderoso. Ela sempre foi aquela indesejada que não servia nem para lavar os pratos para mãe. Todo o poder que possuía adquiriu, não nasceu com, e embora não fossem poderes mixurucas, ainda assim não acarregavam a assinatura dela.

Ainda Hinata sendo renegada pela família, ela se garantia melhor do que Sakura, mesmo esta já tendo sua casa própria, suas coisas e seu posto assegurado. Ino era motivo de orgulho para os pais, mesmo sendo kunoichi, ajudava a mãe na floricultura, também era uma ótima dona de casa, assim como Hinata. Moças prendadas, úteis.

Comparar-se com as duas gerava em si um desconforto palpável, imagina comparar-se com o meninos. Mesmo dando 110% de si mesma, esforçando-se até o suor molhar seu uniforme, ela ainda sentia que estava há muitos passos atrás de todos eles. Não tinha vigor nem para cogitar disputar com Hinata o coração do Uzumaki. E era ridículo colocar Sasuke nessa lista, tanto quanto pensar que Ino perderia caso ela tentasse ser a matriarca de uma nova geração dos Uchihas.

Nem para kunoichi, nem para casar. Sua vida parecia estar fadada ao hospital mesmo que era para onde ela iria. Os pensamentos pessimistas tiravam sua força de vontade de continuar batalhando por nada, pois ela não tinha um objetivo como Naruto tinha o objetivo de tornar-se Hokage ou como Sasuke almejava retomar seu clã. Sentia-se uma folha seca sob um rio, deixando-se levar pela correnteza, sem rumo, sem perspectiva.

Sasuke abriu a porta e a pegou apenas de toalha procurando os sapatos embaixo do sofá.

-Ah, você chegou. –Disse e voltou a procurar o par de sapatos perdidos. Enquanto ele se acomodava, guardando a mochila e relaxando um pouco, ela perguntou: -Está ferido? Se estiver fale logo para eu cuidar antes de ir ao hospital.

-Estou bem. –Respondeu. Ela olhou com o canto do olho seu corpo da cabeça aos pés, ele realmente parecia bem. Bem demais para quem foi numa missão sozinho depois de tanto tempo parado.

-Como foi a missão?

-Ridícula. –Ela sorriu torto.

-Sabe que Tsunade-sama tá tirando com a sua cara, né? –Ele a olhou objetivo e ela correspondeu na mesma dose, o fitando por alguns segundos. –Você é muito esperto…

-Achou que ela tinha parado na primeira missão?

-Não. –Respondeu com um ar óbvio. – Esqueceu que eu a conheço melhor do que todo mundo?

-Desconfio que ninguém a conheça de verdade. –Cruzou as mãos embaixo da nuca e olhou para a teto. Sakura estranhando o comentário atreveu-se a perguntar:

-Que missão que ela passou assim de repente para você que nem eu nem Naruto ficamos sabendo? –Sasuke continuou da mesma maneira. Depois de alguns minutos curvou-se um pouco para frente e disse olhando para os pés dela.

-Fui entregar uns documentos importantes em outro País.

-Por que me disse que voltaria em uma semana? Fui me informar no QG e vi que voltaria hoje.

-Já esperava por uma emboscada, julguei que demoraria mais tempo para voltar.

-Duvidei que chegaria hoje, afinal, o País do Trovão não é logo ali do lado.

-Talvez não para você. –Provocou com seu sorriso bonito demais para ser exibido à uma garota insegura. –Onde está o Naruto?

-Fazendo alguma idiotice por aí. Eu vou para o hospital que eu ganho mais. Tem comida pronta, é só aquecer. Qualquer coisa vai comer no Ichiraku, tem dinheiro embaixo da segunda xícara do armário, aquela que é igual a uma que você quebrou. –Sorriu irônica.

-Você faz esforço para ser irritante?

-Também vou sentir sua falta! Xau.

Enfim em casa, mas sozinho novamente. Por que era tão difícil estarem sincronizados? Será que esse afastamento estava sendo manipulado ou era natural. Era difícil para ele admitir, mas a verdade era que prefiria quando estava mais juntos, não sozinhos a maior parte do tempo.

A pior parte de estar preso durante três anos é a solidão. Do que adiantava estar livre sendo que a mior parte do tempo estava tão entediado e largado quanto na prisão?

.o0o.

-Voltou cedo, Naruto. Recorde de… vinte e sete horas? –Zombou Shikamaru.

-Vim por causa dos cigarros.

-Relaxa cara, eu sei que você odiou! Mas toma aí. –Ofereceu um do maço quase vazio. –Meus conselhos serviram de alguma coisa?

-Nem lembro sobre o que você falou comigo! –Confessou acendendo o cigarro com deificuldade, por fim deixando Shikamaru fazer por ele. –Só as partes mais fodas. –Fitou o pé de manga a sua frente e observou as folhas se chacoalharem com a brisa de fim de tarde.

-Me conta o que fez nesse tempo.

-Sexo. –Shikamaru riu e tragou a fumaça.

-Tô falando sério!

-Eu também. –Disse inalterado. Shikamaru parou de rir e o olhou.

-Aquele dia você foi para a casa da…

-Relaxa, não foi com ela. Não tem nem como! Ela tá me evitando mais do que o Sasuke evita mulher. A convidei para o Festival, mas não sei, acho que fui muito impulsivo.

-Com certeza foi, mas pelo menos tem um encontro.

-Nem sei, ela não me garantiu, ficou em aberto. De qualquer forma vou passar lá no dia e ver o que acontece.

-Bom, isso não é muito ruim. Hinata não resiste a muita insistência. Por que essa cara então?

-Sakura.

-Você contou para ela?

-Não. –Respondeu. –Não consegui.

-Também achei que não. –Sorriu.

-Estamos bem, nós três, juntos de novo. Se eu contar…

-Ela vai matar todos os envolvidos, talvez até quem sabia. –Engoliu um seco afrouxando a gola da camisa.

-Matar é pouco! Você viu na guerra o que ela é capaz de fazer. –Shikamaru assentiu.

-Então o que há de errado com Sakura?

-Literalmente? Nada. –Disse pervertido. –Ela é perfeita. –Sorriu maroto, logo Shikamaru entendeu o que ele quis dizer e riu.

-Entendi. –Tragou. –Sinto lhe dizer, mas acho que você tem problemas.

-Estou num dilema do caralho! –Coçou o cabelo. –Eu pretendia deixar pra lá, sabe? Depois do que você me contou sobre o Sai e ela juntos… Bem, ela parece estar contente. Ver a Sakura feliz é o que importa pra mim. Até fui falar com Hinata, tentar… tentar recuperar o que tínhamos, mas quando cheguei em casa Sakura começou me dizer aquelas coisas, tentou fazer minha cabeça sobre o Sasuke (ela ainda não o aceita)… Nós brigamos. Quando vi já estávamos nus, um sobre o outro.

-Não precisa de detalhes! –Naruto soprou a fumaça. –Ela era virgem?

-Sei lá! –Respondeu mal-humorado. –Desconfiava que sim antes, mesmo ela não afirmando que não era, mas depois de hoje, não sei, acho que ela não mentiu. Mas eu não ligo pra isso, cara, isso não importa! –Apagou o cigarro na escada. Estava cansado de fingir que aquilo era bom. Não era. –Como ficaremos agora?

-É melhor parar de pensar no “nós” e começar a pensar no “você”. Já parou para refletir em como você vai ficar? Hinata e Sakura estão muito bem resolvidas, você é quem está igual uma barata tonta tentando encontrar-se de algum meio em uma das duas. Acho que deve seguir sua intuição para ‘escolher’ uma delas, com isto eu não posso ajudar. O que eu sei é que você não deve arrumar confusão para a cabeça da Hinata, afinal, ela estava no canto dela, vivendo a vida dela e você resolveu ressurgir. Decida de uma vez se voltou para ficar, qualquer outra opção que não seja ficar ao lado dela vai partir seu coração. Então veja bem o que fará em relação a isso.

-Mas ela não me respondeu se iria comigo ao Festival de Outono…

-Então abra o jogo! Isso não quer dizer voltar atrás. Você fez uma escolha, agora vá em frente. Pergunte o que ela realmente quer, o que ela acha disso e peça uma resposta. Vocês podem ir ao festival como amigos ou como amantes, ou talvez nem irão. Depende do que decidirem.

-É que depois do que aconteceu comigo e com a Sakura eu estava pensando em chamá-la para me acompanhar, mesmo tendo chamado Hinata antes…

-Mais um motivo para você não dar para trás com a Hyuga. Sakura foi um vacilo seu, ela veio depois, Hinata neste momento é sua prioridade, você se comprometeu com ela antes. Não é um ninja de palavra?

-Claro! –Afirmou convicto.

-Então vai buscá-la na noite do festival.

-Sim! –Disse contagiado. –Às oito em ponto da noite de sábado!

-Isso! Ainda mais que, se você convidasse Sakura, teria a grande chance de receber um toco já que provavelmente ela irá com Sai. –Naruto assentiu, abaixando levemente a cabeça. –Quanto a Hinata eu posso dizer honestamente que nunca a vi com nenhum homem, só com um moleque, no caso você –Recebeu um cascudo do Naruto. –e duvido muito que ela arranje um par para ir.

-Ela deve ter pretendentes, Nara…

-Se tem, os recusa.

-Nunca é tarde para uma primeira vez.

-Não se garante? –Provocou. Naruto o olhou e sorriu.

-Eu vou convidar Hinata para almoçar antes e conversaremos sobre isso. Qualquer coisa, podemos ir como amigos. Não vou insistir em Sakura, ela me disse para “relaxar”, acho que devo mesmo relaxar.

-Dê tempo ao tempo.

-Eh. Se ela quiser algo, ela venha até mim. Já a coloquei contra a parede e impus minha vontade, só falta ela reagir.

-Você não pode esperar para sempre, nem deve. Também precisa se lembrar que Sai é um impasse.

-Não… Ela não gosta dele, eu sei. –Shikamaru deu os ombros.

-Meu pai um dia comentou comigo que os seus pais, Naruto, eram um casal de sorte. Foi um dos poucos que casaram-se realmente apaixonados. As mulheres da vila têm mais medo da solteirice do que da infelicidade no matrimônio, é normal prenderem-se em alguém que não gostam só para terem o status garantido. –Naruto prestava atenção. –Kunoichis geralmente casam-se mais tarde do que as mulheres comuns, mas depois dos trinta anos é muito difícil alguma encontrar um par, afinal, do que adianta uma carreira brilhante e a jovialidade quase extinta? Não é a toa que muitas kunoichis morrem sozinhas e os shinobis casam-se com mulheres comuns da vila.

-Kurenai foi uma exceção.

-Um pouco. Ela e o Asuma-sensei se pegavam, não eram um casal oficial. Ela já devia estar nos seus vinte e oito anos quando engravidou.

-Mas eles se casariam mais tarde se Asuma não…

-Talvez. –Soprou a fumaça do cigarro. –Mas como você mesmo disse, foi uma meia exceção. Sakura está com quase vinte, já perguntou o que ela quer? Quem sabe já esteja se acomodando nisto? –Naruto juntou as cobrancelhas. –Não quero assustá-lo com essas ideias, quero mostrar uma possibilidade que talvez nem ela mesma tenha pensado, mas você já sabe e pode fazer algo a respeito antes que seja tarde. Tudo o que precisa neste momento e decidir de uma vez por todas o que você quer, ou melhor, quem. Pode acabar perdendo as duas, Naruto. É isso que você quer?

Notas finais
- Espero que tenham gostado. Quando meu pc voltar respondo todos os reviews.
bj bj