Strokes
21 New distrust
Notas iniciais
A Milk tá a mil! Nem tenho conversado com vcs, tenho demorado para responder reviews... Além dos compromissos de sempre que eu tenho (trabalho, curso e escola), arranjei outros: membro ativa do grêmio estudantil e treinadora do grupo de líderes de torcida do campeonato regional de futebol. Pois é. Conhecem aquela música "Startruck" do 30Oh!3? Essa mesmo. To tentando fazer o trabalho impossível de tirar Anitta da cabeça das menininhas do Fundamental II. Pelo amor!
Prepara. Que agora. É hora. De mais um capítulo.
ENFIM. A Milk tá se sentindo uma faz tudo, igual a Anne Palmitoway no filme "O Diabo veste Prada". Bem naquele nipe.
Quero dizer que vocês são linda e eu não digo isso da boa pra fora! Muitas têm me adicionado no face(tá no meu profile) e têm sido muito fofas, e curtem minha página e as besteiras que eu posto e blá blá blá!
AVISO IMPORTANTE NAS NOTAS FINAIS!
Boa leitura!
Já estava quase no fim do seu expediente quando Shizune surgiu na sala de reuniões do Hospital de Konoha com o janeco por cima de suas roupas normais e algumas folhas de papel na mão.
-Alguma cirurgia de última hora? –Sakura perguntou com simpatia, fugindo do convencional “oi, como você está?”. Ela sabia que Shizune estava bem, ela sempre estava. Ela não era do tipo de pessoa que conseguia disfarçar quando tinha enguias oleosas percorrendo seu estômago.
-Não, felizmente! –Sorriu. –Vim apenas checar as planilhas de custos que esta ala teve na quinzena para levar à Tsunade. Estamos planejando fazer alguns reajustes nos gastos do hospital, parece que estamos tendo alguns prejuízos.
-Apesar de eu trabalhar menos de 15 dias por mês, tenho tido um pouco de noção dessa falha, mas não quis me intrometer. Você sabe como as médicas e enfermeiras daqui me olham torto, não quero que amenina dos olhos delas acabem virando tanto ao ponto de ficarem do lado errado da orbe ocular! –Shizune riu.
-Ignore! Sabe bem o nome disso, inveja!
-Eh! –Concordei bem humorada. –Inveja da pessoa errada, lamento informá-las!
-Que pessimismo é esse, menina? –Sakura escorou nas persianas com uma xícara de café e o jaleco já desabotoado para poder ir embora. Suspirou e sorriu amarelo, dizendo que estava bem-humorada. Impressão sua, Shizune. E Shizune fez o papel de Shizune de acreditar fielmente nisto.
Enquanto Tsunade tinha o dom de percepção de mãe, Shizune tinha o de uma prima de segundo grau.
-Sasuke chegou de missão. –Começou insegura, fitando a reação da menina com o canto dos olhos.
-Eu sei. Cheguei o ver. Ele passou no QG?
-Na verdade ele foi primeiro lá, depois ele foi para casa. –Serviu-se de café. –Isso por volta das três e meia da tarde…
-Tá explicado porque ele chegou sem nenhum arranhão. –Sakura riu da sua inocência em pensar que ele seria tão impressionante para conseguir esse feito.
-Na verdade, ele também chegou assim lá na sala da Tsunade-sama. –Comentou. -Reparei. –Sorriu de canto. –Incrível, não acha? –Sakura deu os ombros e tomou mais um pouco do líquido fumegante.
-Me ofereça uma boa recompensa que luto contra um cento de ninjas renegados e não volto com um pingo de suor na blusa! –Zombou.
-Ora, Sakura, não seja tão orgulhosa e assume a capacidade do seu colega de time!
-Não existe mais time e ele não é meu colega. Tire esses pensamentos utópicos de que é o Time 7 de volta porque não é, okay? Ele é um inútil, Naruto é um pervertido e eu sou uma fracassada. Não há nada de espetacular nisso.
-Cruzes, Sakura! Isso é TPM ou falta de sexo? –Brincou.
-Te garanto que nenhum dos dois. –Disse baixinho, mas Shizune ouviu e ergueu os olhos do papel para a menina com as maçãs do rosto coradas.
-Pensei que você e Sai… -Sakura engoliu um seco e deixou a caneca pela metade em cima da mesa.
-Vai fazer algo de importante agora? Poderíamos comer algo aqui perto. –Shizune a olhou indagativa. As feições de Sakura não negavam que ela precisava falar aquilo ou explodiria.
Sairam com os jalecos e Sakura com sua bolsa, já que de lá iria embora. Pararam em um pequeno restaurante típico e pediram uns aperitivos acompanhados por mais café. Começaram conversando sobre o movimento do hospital e trivialidades do dia a dia, quando Sakura começou com “então…”, Shizune já sabia o que viria a seguir.
-É embaraçoso dizer isso, mas preciso de um conselho que não seja do meu alter-ego… -Ficou vermelha.
-Primeira, me esclareça uma coisa porque fiquei confusa. Afinal, você e Sai estão juntos?
-Sim. –Disse incerta. –Talvez? –Shizune balançou a cabeça para os lados e ela suspirou derrotada. –Eu nem sei o que estou fazendo.
-Percebe-se.
-Sai pra mim é apenas um garoto inteligente e seco que tem o mesmo objetivo que o meu: crescer profissionalmente. E também tem as mesmas necessidades que as minhas… Que a de todos, aliás!, afinal ninguém gosta de estar o tempo todo sozinho. –Abaixou a cabeça e mexeu no café a esfriar.
-Está dizendo que não há nenhum sentimento nisso? –Assentiu. –Se está desconfortável, por que não conversam e terminam com isso? –Deu os ombros.
-Não é nenhum sacrifício estar com ele. Quem poderia substituí-lo? À princípio, decidimos ficar juntos porque eu estava cansada de ficar sozinha enquanto Naruto sai com várias garotas e ele estava cansado de ficar sozinho enquanto Ino dá para todos os seus amigos. –Shizune riu.
-Pensei que os dois fossem ficar juntos há alguns anos…
-Todos pensaram, mas Ino não é como Temari, Hinata ou Tenten, sua juventude vale mais do que tudo e ela tem medo de perder tempo com a coisa errada. E isso não é meu ponto de vista! Saiu de sua própria boca quando lhe perguntei –com todo o respeito- por que ela era tão vadia.
-E o quê te difere delas quatro?
-Elas sabem exatamente o que querem, eu… eu apenas tenho planos e no meio deles eu sempre me deparo com algum arrependimento.
-Bom, então acho melhor você deixar de ser tão controladora e agir mais impulsivamente para ver o que acontece.
-Eis aí a raíz do problema! –Bateu na mesa chamando atenção de algumas pessoas ao redor. Crispou os lábios e respirou fundo. –Acredite, é extremamente embaraçoso dizer isto, mas ontem, pouco depois de voltar da reforma da casa do Naruto eu agi impulsivamente. –Cerrou as pálpebras e refletiu. –Transei com o Naruto. –O queixo de Shizune pendeu alguns centímetros e Sakura pode ver perfeitamente o interior de sua boca.
-Você… transou com o Naruto? –Perguntou num sussurro totalmente impressionada com a revelação.
-Várias vezes. –Acrescentou conformada. –E foi ótimo, não vou negar. –Shizune tapou o rosto com ambas as mãos e disse com a voz abafada:
-Poupe-me dos detalhes, por favor! –Sakura riu. –Deus! Você e Naruto?! Eu sempre soube da intimidade dos dois, mas nunca imaginei que fosse possível isso acontecer.
-Sério? A vila toda acha que a gente vive se comendo sendo que isso só aconteceu agora. –Riu.
-Sakura, me diz, você não sente nenhum…
-Arrependimento?
-Não diria arrependimento, mas um sentimento estranho. –Coçou a nuca buscando em sua mente as palavras certas. –É que eu sempre os vi como irmãos! –Falou com voz de criança triste.
-Eu também… -Sakura sorriu sem graça, olhando para a roda de café seco na mesa de madeira. –Mas confesso que recentemente eu tenho sentido coisas diferentes pelo Naruto. É estranho e eu por muito tempo tenho negado isso com todas as minhas forças, só que ambos já sabemos o que se passa na cabeça um do outro e depois disso, vai ficar difícil ignorarmos essa atração que temos. –Shizune respirou fundo e a olhou nos olhos. Aquele anel verde surreal, duma cor que ela nunca viu em outros olhos. Sakura estava sendo verdadeira e estava lutando para dizer isto.
-Não me entenda mal, mas eu acho que o nome disso é carência e qualquer garoto bonito com um pênis tecnicamente grande consegue resolver. –A expressão de Sakura tornou-se um misto de confusão e indignação com aquelas palavras, mas antes de dizer alguma coisa, Shizune prosseguiu. –Desde que Sasuke foi liberto você tem agido assim, indiferente para pequenos detalhes. Se estivesse no mínimo focada no mundo nunca teria feito isso com Naruto, pois nós sabemos melhor do que ninguém o quanto ele se importa.
-Nós já somos adultos, ele vai entender que aquilo só foi um deslize.
-Naruto não quer você só por conta do sentimento que ele nutre, é uma questão de honra, afinal, ele te apresentou como namorada ao pai. –Sakura lembrou-se, há três anos atrás, no campo de guerra, tudo o que passaram juntos para poderem sobreviver. –Podem ser adultos, mas não controlam todas as suas emoções com perfeição. Apesar da aparência infantil, Naruto é um garoto muito sensível. Pode acabar o magoando e magoando outras pessoas.
-Se refere-se à Hinata, eu não me importo. Mesmo. Ela teve mil e uma chances de correr atrás dele e não foi.
-Será por que todas as vezes quem foi atrás disso foi ela e não ele?
-Tá, okay Shizune, agora deu para fazer parte do grupo de consolo da Hinata Hyuga! –Ironizou.
-Fala assim como se ela não fosse sua amiga, Sakura. Pelo amor de Deus…
-Ela não é minha amiga. Eu não tenho amigos, se tivesse, não estaria tão sozinha.
-Está até falando as mesmas coisas que Sasuke.
-Tira o Sasuke da cabeça, droga! –Se alterou. –Sasuke não é ninguém, ele não significa nada para mim. Ele só me magoou, só me humilhou, por mim ele apodrecia naquela cadeia e eu nunca mais o veria! Não sei por que permitiram que ele voltasse, ele só está bagunçando a minha vida! O jeito dele, a voz dele, a cara cínica dele… Tudo me irrita! Estou dando graças porque ele vai embora logo e eu vou ficar sozinha de novo, sem Naruto, sem ele, sem ninguém para a felicidade de vocês!
-Você nem disfarça…
-Shizune, sério, para com isso! –A outra ria.
-Agressiva, impulsiva, desleixada, tensa e mentirosa. –Há três meses você não agia assim. Era meiga, brincalhona e centrada.
-Essa menina morreu quando decidiram que ele poderia viver perto de mim. –Vociferou entre dentes. –Talvez possa até haver algum sentimento por ele, mas eu estou matando isso, nem que eu tenha que morrer junto. Sasuke sempre vai ser Sasuke e o Naruto sempre vai ser o príncipe da Hinata, não da Sakura…
-Não foi isso que eu quis di…
-Foi isso sim. –A impediu de continuar. –Eu vou continuar falando com meu alter-ego, pelo menos ele não irá me rebaixar dessa forma. –Deixou o dinheiro da conta em cima da mesa e saiu com os olhos de Shizune pousado em suas costas.
A morena não voltaria atrás das suas palaras se pudesse. A atitude de Sakura só provava sua impaciência diante de tudo. Ela estava mais do que confusa, estava vulnerável demais. Ela não era assim e Shizune tinha certeza que a razão dessa mudança súbita foi o retorno de Sasuke. De forma positiva ou não, ele mexia com ela só pelo fato de respirar o mesmo ar que seus pulmões. Era nítido que Sakura sentia sim algo forte por ele. Amor, ódio, saudades ou mágoas, não interessava, ela sentia e era justamente isso que estava fazendo com que ela se rebelasse.
.o0o.
-Sasuke? Está em casa? –Naruto entrou o chamando. Estava torcendo para haver alguém ali, não queria ficar sozinho ou seus pensamentos o enlouqueceriam. Sentiu seu chakra na cozinha e foi para lá. Ele estava no fogão cozinhando arroz e legumes, sem camisetas e descalço. Muito à vontade, pensou Naruto enciumado. Achava que só ele tinha o direito de andar nu pela casa. –E aí cara! Tudo bem? –Deu dois tapas nas costas brancas e o apertou, recebendo em troca um resmungo irritado. -Faz tempo que chegou? –Encheu um copo com um pouco de rum.
-Umas quatro horas, talvez. –Respondeu depois de olhar o relógio pendurado acima do batente da porta da cozinha.
-E como foi a missão? Esperava vê-lo só semana que vem… Soube que estava de volta a vila por um jonnin no Ichiraku Lámen. Quer beber? –Sasuke negou erguendo o copo de suco.
-Me passaram algumas informações erradas. A missão era simples, de certa forma. –Mexeu o arroz no fogo checando o fundo da panela pra saber se ainda havia água a secar. –Cheguei ao País do Trovão em dezoito horas sem pausas. –Comentou com um sorriso torto. Qual foi o seu recorde?
-Dois dias. –Naruto respondeu após virar de uma vez um rum, bravo pela provocação infantil de Sasuke. –Com pausas. –Sasuke riu pelo nariz e perguntou se Naruto ia comer também. Ele negou. Foi tomar o segundo banho do dia, estava pensando em ir ver Hinata aquela noite. A última vez que olhou nos olhos de Sakura foi quando ainda estavam na cama no início da tarde, não sabia se conseguiria se conter mesmo com a presença do Sasuke ali. Quando pensava nela, automaticamente se lembrava do jeito como ela gemia em seu ouvido e como cravava as unhas aparadas em suas costelas. Pensou “meus Deus que bom se fosse!”. Eram tantos ses.
Assim que saiu do banho com a toalha preta ao redor da cintura, viu as costas de Sakura trancando a porta com a chave de chaveiro de porquinho cor-de-rosa. Ficou parado e sorriu sem dentes quando ela o olhou. Um leve balançar de cabeça e uma bolsa voando para o sofá.
-Sasuke está? –O loiro apontou para a cozinha e Sakura foi lá tirando o jaleco. –Hey cretino! O que está fazendo na minha cozinha?
Ciúmes. Como era amargo! Poderia ser como chocolate, derreter no calor do céu da boca, mas não, impregnava na língua e trazia um desconforto na boca do estômago, causando uma sensação dúbia de socar aquelas paredes até as vigas de ferro quebrar-lhe os nós dos dedos.
Por que para ele só um leve aceno com a cabeça e para Sasuke uma recepção calorosa?
Foi trocar-se.
-A comida que tinha estava azeda. –Sasuke explicou.
-Ah! Puxa! É mesmo! Eu fiz antes de antes de ontem, lembra? –Pegou as panelas com as comidas velhas e cheirou. –Argh! Você devia ter comido! Ia torcer para ter uma diarreia daquelas! –Disse jogando tudo no lixo. –Quem sabe assim tira toda a maldade de dentro de você! –Falou por fim fazendo Sasuke erguer as sobrancelhas em confusão.
-Vai comer?
-Tem veneno?
-Ainda não, mas posso colocar caso não cale a boca. –Sakura colocou a mão da cintura e o encarou.
-Ce acha que tá aonde? Na tua casa? –Ele pensou um pouco e fez que sim com a cabeça. –Ora essa! É só o que me faltava! Já está se apossando? –O empurrou para o lado com a bunda e tirou a colher da sua mão para experimentar o tempero. –Eu não sou a melhor cozinheira do mundo, mas colocaria um pouquinho mais de sal.
-Disse para eu não abusar de temperos.
-Pra você, eu não. Vou comer essa gororoba, estou faminta! Shizune falou tanta bosta que fez eu deixar os bolinhos de camarão pela metade. Cretina! Essa hora deve estar comendo tudo!–Dizia sem perceber, mais para si, entretanto Sasuke prestava atenção.
Depois daquela tarde decidiu que iria tentar se informar ao máximo sobres os poderes de Konoha. Ele não era o mocinho, colocava-se no seu lugar, sabia muito bem do que tinha feito e estava cumprindo as punições, mas talvez ele não fosse assim tão inimigo quanto cogitavam, talvez estivesse o fazendo de idiota e ele não estava ali para ser idiota, ele não era nenhum patriota baba-ovo da vila como Naruto e Sakura. Se houvesse algo errado ele iria à raiz disso, nem que custasse sua liberdade.
-Estava com Shizune?
-Sim. Não percebeu que demorei pra chegar? –Negou.
-Não sei que horas chega do hospital.
-Quando o ponteiro pequeno estiver no oito e o grande no quatro já pode deixar a porta aberta. A menos nos dias em que faço plantão, aí fico até a madrugada e às vezes durmo lá, em alguma maca da Ala-C. –Falava enquanto temperava mais o arroz com legumes e fazia mais suco.
-Sobre o que falaram? –Sakura parou de mexer a comida e o olhou alarmada.
-Por que o interesse, seu abelhudo? –Deu de ombros.
-E se ela falou de mim?
“Desde que Sasuke foi liberto você tem agido assim, indiferente para pequenos detalhes.”
Sakura desviou o olhar da negritude das orbes desafiadores que ele tinha.
“Está até falando as mesmas coisas que Sasuke.”
-Hoje eu estive no QG, então, há uma grande chance de eu ter sido o assunto. –Acrescentou, mas Sakura ainda se perdia nas afirmações de Shizune.
“Você nem disfarça…”
Ele tentou se aproximar para desligar o fogo, mas se impediu quando Sakura deu um passo para trás, meio alarmada, meio ríspida, como se não quisesse que ele chegasse perto.
“Agressiva, impulsiva, desleixada, tensa e mentirosa. Há três meses você não agia assim.”
-Você está…
-Vou trocar de roupa. –Saiu dali sem olhá-lo, estava com vergonha. Ela tinha que admitir que Shizune estava certa. Aquilo não era normal. Naruto estava no quarto terminando de passar a gola da camisa pela cabeça.
-Você tá bem? –Perguntou quando a viu imobilizada na porta. –Está branca feito arroz!
-Estou bem, só preciso de uns remédios. –Passou por ele e abriu o guarda-roupa procurando algum frasco.
-Você não vai… perguntar onde eu estava?
-Por que deveria? –Perguntou ainda procurando algo no meio de sua bagunça que agora ocupava menos que a metade do móvel já que Sasuke e Naruto dividiam o resto. Ela não abriu mão de sua estante de livros nem do armários de xícaras para Sasuke e Naruto não permitiu que ele deixasse suas roupas (novas) nas caixas de papelão que sobraram da mudança, como Sakura havia sugerido.
Porém logo aquilo acabaria e ela poderia bagunçar todos os cantos do guarda-roupa.
-Me disse que iria trabalhar.
-Por uma questão de educação. Moramos juntos, acho que no mínimo devemos comunicarmos onde vamos, se vamos chegar ou não…
-Exatamente por isso que perguntei se não quer saber onde eu estava.
-Se você se importasse mesmo em me informar, teria me dito antes de sair e me deixar aqui sozinha.
-Se você também se importasse perguntaria. –Ela fechou a porta do guarda-roupa de forma ríspida e o encarou segurando o vidro de comprimidos.
-Olha, não me faça agir como uma megera te pedindo satisfações, okay? –Novamente passou por ele sem esbarrar. –Se eu começar agir assim isso vai ficar chato. –Bebeu os comprimidos na torneira do banheiro ao mesmo tempo em que jogava água no rosto e dava leve tapas para devolver a cor a face.
-Isso o quê?
-Isso! –Desenhou um círculo no ar representando o espaço dos dois e saiu para a cozinha.
Naruto não soube como deveria digerir aquilo. Queria cumprir o que disse à Shikamaru, esperar o tempo necessário para ver o que ia acontecer, sem pressionar as coisas, mas e se aquele “depois resolvemos” que Sakura lhe deu fosse mais cedo do que ele previa?
-Está pronto? –Ela perguntou ao Sasuke sentando-se na cadeira da ponta.
-Sim. Por que saiu daquele jeito?
-Anemia. –Mentiu crispando os lábios enquanto brincava com o saleiro da mesa. –Naruto! Vem comer logo!
-Não vou comer.
-Que milagre! Tá doente?
-Não, eu… -Olhou para Sasuke e para Sakura. –Eu vou sair um pouco, ainda está cedo.
-Sim, só é quase dez horas da noite. –Sasuke sorriu torto do sarcasmo da garota.
Olhando-os da entrada da cozinha, interagindo sem se matarem, ele percebeu que era a primeira vez que os via em um momento íntimo como o jantar sem que estivessem sendo obrigados a compartilhar a mesa. Sasuke cozinhou e ela se sentou a mesa para comer. Simples assim. Ele percebeu que sairia e os deixaria naquele momento fraterno, sozinhos; talvez viessem a conversar trivialidades antes de compartilharem tudo do mais pessoal; estariam meio bêbados por causa do vinho que Sakura acabou de colocar na mesa e nem se dariam conta de que são lindos e que seus sorrisos, quando expostos, fazem qualquer pessoa se apaixonar deliberadamente; então sentiriam vontade de provar o sabor daqueles lábios, depois sentiriam vontade de sentir a tez macia que tinham, memorizar o esmero das cicatrizes que colecionavam e consertá-las com beijos leves; apagariam as luzes e passariam a chave pela tranca para por fim poderem se provarem por completo.
Qual a grande possibilidade de aquilo acontecer caso ele resolvesse atravessar aquela porta?
Mas os seus planos além daquele apartamento não eram possibilidades, era um plano em processo de concretização. Um tiro certeiro. Ele definitivamente não daria para trás. “Não é um ninja de palavra?”, a voz de Shikamaru vinha em sua cabeça. Sim, eu sou um ninja de palavra.
-Tranco a porta ou você me dá hora para chegar? –Ela perguntou exatamente como perguntou quando Sasuke saiu pela primeira vez com Ino. Ele sentiu que os papéis estavam se invertendo. Será que ele seria o assunto do jantar como o Sasuke foi o deles naquela noite?
-Tranque. –Sakura permaneceu seu olhar oliva no dele, transparecendo a pirraça que ele lhe fazia, mas muito bem controlada. Ele achou estranho, já que recentemente ela vinha tendo ataques psicóticos de ciúmes dele. Por que justo agora, depois de transarem e dividirem tantas coisas juntos ela se controlava?
-Boa noite, Naruto. –Sasuke acenou para o loiro ao fundo da cozinha. Ele apenas gesticulou e saiu. A porta foi aberta e fechada praticamente no mesmo instante.
Sakura serviu-se pensativa, não conseguiu disfarçar o incômodo que sentiu e Sasuke percebeu, mas não disse nada. Olhava seu prato e mexia comida como se abaixo dela houvesse respostas para as suas perguntas. Sabia que não deveria sentir-se tão enciumada por besteira. Afinal, ela já devia imaginar. Naruto virou um mulherengo depois de adulto, atraía mais pretendentes do que shinobis com o uniforme da ANBU. Era claro que ela foi apenas mais uma. Ele deveria sussurrar aquelas idiotices no ouvido de cada piranha que dormia, ela foi uma tola em cogitar que dali sairia alguma coisa. Sempre jurou de pés juntos para Shizune e Tsunade que ambos eram irmão e as duas acreditavam justamente porque os dois sempre foram assim, íntimos o bastante para serem de sangue, mas não o suficiente para se amarem daquela maneira. Também era muito cedo para decidir o que estavam fazendo. Ele iria cobrá-la, mas havia outras mil e uma coisas a serem pensadas e Sakura não estava disposta a deixar nenhum detalhe para trás, nem que isto significasse perdê-lo.
-O que aconteceu com vocês? –Ela ergueu os olhos verdes e chocou com os dele, curiosos e profundos o suficiente para ela afogar-se na negritude.
-Nada! –Rodopiou o hashi no dedo. –Há épocas em que não nos toleramos, sabe?
-Até ontem estava tudo bem.
-Normal. –Mastigava.
-A casa dele já está pronta?
-Do Naruto? Ah, sim, quer dizer, quase. Vou pedir para levarem algumas mobílias dele que estão aqui, vai desocupar bastante espaço da sala de livros.
-Não têm sido tão incômodos esses dias. –Comentou.
-Não para você que é visita! –Ela riu para si mesma. –Naruto é o meu xodó, mas eu tinha acabado de comprar minha casa própria, arrumar tudinho e então vem vocês e estragam meu momento de solteirona. Foi broxante! –Riu. –Queria poder andar nua pela casa e deixar tudo bagunçado e dormir sem pijama e tomar banho com a porta do banheiro aberta, mas sabe como que é, né? –Mais um punhado de comida na boca. –Morar com homens é complicado, um desafio. Mas confesso que foi uma boa experiência para eu ter uma noção de como é ser casada e ter filho. –Engoliu a comida. –Não sei se me vejo nessa vida.
-Por que não?
-Não daria conta. –Sasuke mudou sua expressão, ficou pensativo e por alguns instantes ficaram em silêncio. –E você? O que achou da hospedagem?
-Tirando todas as vezes que tentou me matar, que me ameaçou de colocar para fora ou me castrar; tirando as vezes em que tive que dormir no tapete da porta de entrada porque você se recusou a me deixar entrar depois das onze; tirando os abajures e objetos pesados que jogou contra mim; tirando o assédio sexual e moral, as dietas de coelho doméstico, treinamentos em plena madrugada e tratamentos forçados, não foi uma estadia de todo tão ruim. –Disse com a voz branda e sorri enquanto ela o olhava séria. –Fiquei menos…
-Antissocial?
-É. –Ela sorriu.
-Não diria que já consegue agir que nem gente, mas tá no caminho disso. –Ele lhe devolveu o sorriso, menos caloroso e espontâneo, mas devolveu. –Acabo de perceber que é a primeira vez que permanece falando por mais de três segundos. Isso é um recorde! Evoluiu das frases prontas para comentários mais abrangentes, viu? Acho que tenho que concordar que você está aprendendo a agir igual gente normal. Parabéns. Se você não fosse tão feio te daria um beijo.
-Não, obrigado. Estou bem.
-Ah, por falar em beijo, e você em Ino? Casamento pra quando?
-Nunca. –Sakura riu que quase engasgou.
-Por quê? Ela é loira, bonita, de clã renomado, tem um negócio, parece ser boa esposa… -Ele balançava a cabeça para os lados visivelmente irritado. –…e ela gosta de você… Haha!
-Ela fala demais.
-Eu também falo.
-Você não é candidata para o sobrenome Uchiha. –Embora tenha sido um ataque de implicância de Sasuke, Sakura se magoou, pois aquilo só confirmava o que ela mesma havia pensado algumas horas antes.
-Não mesmo! –Disse orgulhosa, disfarçando. –Não vou me casar. Meu objetivo de vida é tornar-me uma ninja-médica da ANBU. Para quê vou querer marido? Homem só atrapalha, em todos os aspectos, não preciso de mais uma pedra no meu sapato para competir com a minha insegurança. Eu quero sucesso na minha carreira de kunoichi! –O sorriso seguinte foi o mais sincero que ele exibiu no jantar. Ele era lindo. Parecia não existir. A simetria do seu rosto era como somar dois mais dois, o resultado era sempre o mesmo: perfeito. Ele ainda estava sem camiseta, era possível ver algumas cicatrizes discretas e seu corpo ganhando massa, deixando menos visíveis os ossos da costela. Ele estava se recuperando aos poucos, graças à ela. –Tem missão? –Ele negou com a cabeça. –Podemos treinar mais amanhã cedo já que eu trabalho à tarde.
-Você acha que vão acabar com a guarda que vocês me dão?
-Como assim?
-Agora farei todas as missões sozinho?
-Acho que não, por quê? Está com medo? –Debochou e ele negou, ignorando a criancisse.
-Eu também estou gostando desse clima nostálgico. –Respondeu o comentário dela que dois dias antes havia deixado sem resposta.
“Espero que… não seja definitivo. Afinal, não está sendo tão ruim quanto eu pensava. Estou gostando de ter você de volta.”
Ela vinha passando um tempo considerável com Sasuke, o ajudando nos treinamentos (para que ele recuperasse seu antigo estado físico, mas não se matasse nos exercícios), na dieta, em suas questões de saúde, tanto em relação aos olhos quanto a anemia. Ele não era de falar nada além do essencial e dificilmente puxava assunto. Mesmo ele tendo mudado consideravelmente comparado com a antigo Sasuke, ele ainda continuava sendo Sasuke, o que significa que a mudança mínima que ele havia sofrido em sua personalidade não o faria agir de maneira tão espontânea e interessada do dia para a noite.
Até dois dias atrás, quando ele se encontrou com ela para lhe informar que saia em missão, ele era um homem de frases curtas e perguntas pertinentes, não esse Sasuke que se apresentava na mesa.
-Sasuke. –Ele a olhou. Interessado. Interessado nela, no que viria a seguir. Sakura sentiu algo queimar-lhe o esôfago, uma sensação reconfortante de estar sendo um desafio para Sasuke desvendar. –O que você realmente quer?
Seus olhos perduraram um no outro, como se brincassem de decorar a tonalidade exata da íris da cada um. Sasuke já conseguia ver perfeitamente os riscos mais verdes e castanhos que manchavam o anel esmeralda dela. Olhos lindos, ele admitira pela segunda vez. Mas não era só dos olhos que se fazia uma mulher completa.
Talvez, mas só talvez, Tsunade fosse uma idiota em super estimá-lo e vice-versa, assim como ele estava sendo idiota em subestimar Sakura. Ela era mais inteligente do que ele pensava. Que ingênuo ele de pensar que ela não notaria seu interesse repentino! Seria cômico se não fosse trágico o fato dele não conseguir agir de uma maneira cordial sem que ela não percebesse. Ou ela o conhecia bem demais ou estava óbvia sua falta de prática. Quem sabe ele não compete lado a lado com Suigetsu em piores farçantes do momento?
Um momento inédito: Sakura possuía algo que ele queria, as informações necessárias para que ele não ficasse perdido neste jogo de canalha contra canalha. O problema era tão claro quanto a pele ninfa a sua frente. Para que lado ela cederia? Não podemos esquecer que lee era uma fonte perfeita para ambos os partidos.
Talves, talvez, talvez.
Talvez seu desafio agora fosse conquistar a confiança dela.
Notas finais
Quero relacionar com vocês, não ser A autora e sinto que há uma linha tênue entre todas nós. Daí pensei: que tal uma brincadeirinha? Eu adoro livros, acho que vocês também, ainda mais quando são de graça! hihi! É um presente meu à vocês, que me incentivam, leem, comentam...
Farei o regulamento de tudo e deixarei postado na page "Distímica" no facebook, caso aprovem.
E os reviews que eu te deixei tia? -Não esqueci de nenhum, darei a devida atenção à todos, agora, próximo capítulo!
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