Strokes
22 New dolls
Notas iniciais
O capítulo de hoje não vai agradar a maioria, assim como há mandamentos de Moisés que não nos agrada. Me desculpem, leitoras em geral, se estou decepcionando vocês com rumos da fanfic. Eu lamento, mesmo, mas a vida é feita disto, críticas. Não vou mudar meus planos, já tenho tudo maquinado. Acho que o problema é que virou hit essas fic que começam de um jeito e você já sabe como terminar. Digamos que eu fiz 1/3 do que pretendo fazer, então antes de me apunhalarem, acalma este coração vaqueiro porque a história num tá nem na metade. Se ainda assim eu decepcioná-las, peguem de mim um sincero "sinto muito", porque jamais transformarei minha fanfic num clichê por falta de reviews com elogios.
Obrigada.
Boa leitura!
-Sasuke. –Seus olharem se chocaram e soltaram faíscas de perspicácia. Uma amistosa competição de quem desvenda quem e Sakura não estava perdendo. –O que você realmente quer? –Franziu o cenho. –Eu te conheço, Sasuke. Sei que quando lança esse olhar tem a intenção de dizer que não entendeu, mas na verdade entendeu perfeitamente o que eu disse e só está tentando descobrir qual a minha finalidade perguntando isso. –Sasuke tombou um pouco o rosto para o lado e sorriu sarcasticamente. Por trás dos fios grossos e negros ele lançou-lhe outro olhar provocativo e com este ela não pode negar que sentiu-se balançada, não de receio, mas de êxtase, pois ele a desafiava. –Vamos ser diretos, por favor. Naruto não está aqui para cair em prantos caso você diga que quer destruir a vila ou qualquer frase clichê.
-E quem disse isso? –Ela encolheu os ombros e crispou os lábios.
-Vai saber! –Disse. –Vamos! A hora é agora! Ele saiu e não vai voltar tão cedo, deve passar a noite com alguma puta, não está nem pensando na gente. Vamos tirar essa noite para esclarecer algumas coisinhas.
-Sakura, há meses que estamos juntos, não há necessidade de…
-Exatamente por isso que há necessidade! Eu tive mais de três meses para me habituar a esse novo Sasuke, para decorar seus hábitos, manias, traços e qualquer coisa que te caracterize.
-Aprendeu isso num livro de psicologia. Eu o li esses dias. –Dizia desinteressado.
-Não desvie o assunto. –A olhou. –Cretino! –E ele riu pelo nariz, voltando a atenção para uma maçã que descascava. –Ninguém muda do dia para a noite.
-Quem disse que eu mudei?
-As pessoas geralmente não notam mudanças no seu ambiente natural, a menos que estas sejam significativas. Isso se aplica principalmente a sua própria personalidade. As pessoas não convivem com elas mesmas, então não se conhecem tanto quanto pensam, esta é uma percepção que as outras de fora que têm um convívio diário com estas percebam isto, sendo essas mudanças significativas ou não. –De novo o olhar desafiador. –Leu essa parte? –Ele riu.
-Você me examina o tempo todo.
-Isto foi uma afirmação ou uma pergunta? –Em silêncio, ele atirou a ela uma das metades da maçã perfeitamente descascadas e disse se levantando:
-Entenda do jeito que a magoar menos. –E saiu na cozinha mastigando a fruta gelada. Demorou alguns segundo para Sakura ir atrás dele, furiosa por estar sendo ignorada.
-Será que dá para você levar algo a sério pelo menos uma vez?
-Não? –Disse irônico.
-Acho que vou ter que partir para o plano B. –Ele riu debochado.
-Andou perguntando para o Ibiki quais são os métodos dele? Não? Deixa eu te ensinar: ele não apela para força bruta descomunal (como a sua) –Aproximou-se do ouvido dela. -, ele faz pior! –E colocou mais um pedaço de maçã da boca indo para o quarto.
-Só não os mando para o inferno porque é capaz do capeta devolver! –Disse empurrando Sasuke na cama que caiu deitado, sorrindo e mastigando sua maçã. –Por que quer saber o que conversei com Shizune?
-Queria saber se falaram de mim, já disse.
-E qual o interesse?
-Se for brincar de perguntas e respostas, faça a sua parte! –Sakura revirou os olhos e repetiu a pergunta, mas Sasuke era quase tão teimoso quanto ela. –O que Shizune disse?
-Que ela iria para a cama com você porque ela já te viu sem camiseta e reparou nas suas covinhas no cóccix, que segundo ela, indica que a pessoa é boa de cama.
-Mentira…
-Agora me diz, por que quer saber?
-Eu não tenho cova em lugar nenhum e ela não quer dormir comigo. Fale a verdade.
-Então me responda.
-Estou começando perder a paciência.
-Começando? Eu já perdi há muito tempo!
-Você sabe como ser insuportável.
-E você sabe como ser um cretino! –Jogou o travesseiro na cabeça dele.
-Cretino… -Sasuke riu. –Cretino por quê?
-Aff! Se não for me responder cala a boca!
-Já desistiu? –Por incrível que pareça, ela viu nesta pergunto um duplo, triplo, múltiplos sentidos diferentes e totalmente pertinentes. Já desistiu de mim, docinho? Era o que seu olhar dizia. Ela saiu do quarto lhe mostrando o dedo médio, indo para o banheiro escovar os dentes. Tirar o gosto da comida que sem gosto que ele fizera. –Queria saber por que chama uma pessoa como eu de cretina, mas acho que desconfio…
Isto foi crucial para ela saber que não era paranoia sua. O “já desistiu” teve um segundo sentido. Sakura cuspiu a espuma concentrada e branca no lavatório e colocou mais creme dental só para ter que escovar de novo e demorar mais tempo ali.
-Será que chama uma pessoa inteligente como eu assim porque um dia eu usei essa minha “cretinice” para te rejeitar? –Engoliu a pasta de dente. –Talvez não queria me dizer o que conversou com Shizune porque ela provavelmente abordou essa coisa platônica e nostálgica. –Era como se ele enxergasse através dela. Ela já enxaguava a boca para poder ir calá-lo. –Ou quem sabe não quis me dizer porque Shizune mandou você ter cautela comigo? Afinal, depois da conversa que tive hoje com a Godaime tudo indica que sou o grande inimigo de Konoha. –Sorriu irônico e ela percebeu que ele vinha a passos lentos, próximo demais, parando atrás de seu corpo magro, mas não o impediu. Ia dar a corda para ele tentar enforcá-la, mas faria com que ele amarrasse a corda no próprio pescoço.
O espelho refletia os dois rostos pálidos e abatidos.
-Por que me chama de cretino?
-Eu também te chamo de canalha. –Disse imutável olhando para o reflexo dele, tão impassível quanto o seu, apesar da ironia no olhar.
-Sim, eu sou infame, mas há piores…
-O que falou com a Godaime?
-O que falou com Shizune? Vai confirmar minhas…
-Vou confirmar minha mão nessa sua cara lisa se não se afastar de mim agora.
Nem ele nem se moveu. Próximo demais. Lembrou de Naruto. Por um fio de sua paciência ela se virou.
–Você quer saber o que Shizune me disse sobre você? Eu vou contar. Ela disse que eu mudei, me tornei outra pessoa desde que você saiu da prisão de onde nunca deveria ter sido liberto e passou a morar comigo. Disse que eu posso negar até a morte, mas ainda nutro sentimentos por você. Que pode vir Naruto, Sai e o caralho a quatro que ainda estará evidente que eu gosto de você e que isso não vai mudar. Pronto. Satisfeito? –Sasuke não se moveu. Seu olhar agora era fixo na torneira atrás de Sakura. Por que agora ele não me desafia?, pensava enfurecida. –Você é um canalha por te feito tudo o que fez e ainda voltar de cara limpa como se as coisas fossem como antes. Você é um cretino por não perceber o quanto isso me afeta, embora eu faça de tudo para disfarçar. Você lembra do dia me que conversamos lá no quarto? Você ao menos se lembra do que eu disse antes de você ir para a missão? Você ao menos sabe por que eu disse aquelas coisas sem sentidos? Porque era sua primeira missão sem a gente depois de uma recuperação forçada e eu admito que senti medo daquela poder ser a última vez em que eu fosse te ver e nunca mais teria uma oportunidade de olhar nos seus olhos e dizer o quão filho da puta, desgraçado, lazarento e cretino você é, Sasuke. –Respirou depois de declarar tudo num fôlego só. –Tenho vontade de te dar um beijo e um chute forte no meio das pernas. Imagine eu com vontade de fazer isso! Agora imagine eu com vontade de fazer isso vinte e quatro horas por dia!
-Você…
-Não me interrompa! –Exaltou a voz. –Enquanto você tava na sua missãozinha secreta, eu tava na merda daquela cama fazendo sexo com o Naruto até minha coxas ficarem assadas, sabe por quê?
-Eu não quero saber das suas intimidades com o Naruto!
-Foda-se! Vai ouvir! –Disse o empurrando contra a parede. O espelho ainda exibia o show. –Achava que o turbilhão de coisas que estão me deixando à flor da pele são ciúmes do meu melhor amigo dando tanta moral pra você, mas depois de horas com ele mais íntimo de mim como jamais esteve, percebi que não era isso que faltava… -Aproximou-se do ouvido dele e sussurrou algo obsceno que fez suas bochechas corarem, depois, o encarou séria, agora o desafiando a dizer algo que a calasse.
Sakura 1x0 Sasuke.
Ela havia ganho. Ganho o silêncio soturno daquele que sempre dá a última palavra.
-Se não vai me dizer o que quer aqui, eu vou descobrir por mim mesma e eu juro que se for prejudicar a vila e meus amigos eu te mato junto com esse sentimento maldito que me inferniza por todos esses anos! E não me desafie, pois há três anos atrás eu te mostrei do que sou capaz. Imagine os novos truques que aprendi até agora! Estou louca para estreá-los!
-Terminou? –Ela assentiu.
-Eu vou esquecer que falamos sobre isso. Se eu fosse você faria o mesmo.
-Mas você não é. –Ele aproximou-se mais dela. –Você é a Miss Perfeitinha com um pouco de sorte a mais do que as outras kunoichis. Só.
-Eu vou para a cama.
-Eu vou para o divã.
-Okay!
-Okay. –Assim que ele disse isso Sakura parou. A dois passos depois do batente. Foi ao cômodo ao lado.
“Okay?”
“Okay…”
“Okay.”
Uma briga com Sasuke terminando da mesma forma que uma transa com Naruto. Que diabos estava acontecendo?
.o0o.
Seus ossos emitiam um ruído oco ao baterem na madeira da porta. Porta de um pequeno corredor estreito demais para uma casa grande demais. Ao longo da rua haviam outras iguais, com portas e aldabras diferentes e pintadas com tons de pastel, enquanto a fachada de Hinata eram se um verde-oliva vivo.
Duas voltas de chave e um giro suave na maçaneta:
-Hey! –Disse suave, mas com a voz grossa dando ar de seriedade.
-Naruto? –Exclamou surpresa. Um sorriso espontâneo e uma uma ruga entre as sobrancelhas. –O que faz aqui? –Fechou um pouco a porta atrás de si e encostou no batente, cruzando uma perna atrás da outra. Estava descalça.
-Estava com saudades. –Coçou a cabeça e sorriu timidamente. Sentia-se confiante, mas percebeu que não tinha o que dizer.
-Mas nos vimos…
-Eh, eu sei, ontem à tarde. Ainda assim tive vontade de te ver de novo, não sei, eu só… precisava vir aqui.
-Oh. –Balançou minimamente a cabeça em sinal de compreensão, mas não fez menção de acabar com o silêncio inquietante que se formou a seguir.
-Não vai me convidar para entrar hoje?
-Oh, não, não. Acho melhor não. –Ele ergueu uma sobrancelha, estava confuso. –Desculpe a grosseria, mas está meio tarde para… receber um homem em casa. Também estou um pouco ocupada, preciso concluir um relatório…
-Aff, Hina! Bobagem! Deixa que e te ajudo. –E antes que ela pudesse tomar uma atitude, ele passou por baixo de seu braço e abriu o restante da porta, adentrando a casa sem permissão. –Tá ficando frio, né?
-É fim de verão. –Disse sem graça. –Normal o tempo ficar assim.
-Eu gosto do verão. Há mais pessoas dispostas, os dias são longos e quentes…
-Prefiro inverno.
-Eu sei. –Se entreolharam por alguns instantes e Hinata desviou o foco para os próprios pés brancos esfriando no chão. Sentia seus nervos congelarem e suas veias pegarem fogo, algo conflitante e impossível de disfarçar. –Cadê o relatório?
-Ahm… Eh… Não precisa ajudar-me, Naruto, eu mesma o farei. –Naruto limpou a garganta e a olhou com um sorriso torto.
-Sabe que não é boa com mentiras, não é?
-Ciente. –Ergueu o queixo mostrando um orgulho para sobrepor sua vergonha.
-E ainda tenta?
-Apenas em ocasiões como esta.
-Ounch! –Fez um esfeito sonoro escroto e ela revirou os olhos, impaciente, não o queria mais ali para humilhá-la, confrontá-la, obrigá-la a quebrar sua máscara de moça prendada para uma garotinha com o coração partido. –Não funciona. –Pegou um quadro sobre uma mesinha de apoio ao lado do sofá. Olhou e a foto na modulra o fez quebrantar a face sarcástica. –Hinata-chan, não quero ser desagradável…
-Falhou. –O cortou.
-Só queria conversar.
-O quê? Não temos assunto, será que não percebe? É tão estranho para mim quanto para você. –Ele deu os ombros e continuou.
-Sobre o seu dia, talvez?
-Meu dia foi cansativo e o seu? –Disse fingindo interesse, mas ela não era boa com ironias ou grosserias. Sua voz fina fazia com que qualquer palavra que proferisse soasse como um elogio.
-Só queria ouvir sua voz.
-Já ouviu. –Disse ríspida, quase não aguentando. Precisava manter-se firme, por ela, por Tsunade, por tudo o que viveram juntos.
-Você realmente não me quer aqui? –Negou com a cabeça, respirando fundo para não chorar. –Só me responde uma coisa: -Aproximou-se mais dela. –Na noite do Festival, se eu batesse na sua porta, você me atenderia? Ou melhor, estaria vestida para me acompanhar?
-Não. –Disse com os restos da sua voz.
-Por que não?
-Porque sei que dentre todas as suas opções eu fui a última que sobrou.
-Paranoica. –Riu pelo nariz. –Você é fica bonita com raiva. Seu maxilar fica…
-O que você quer, Naruto? –Perguntou séria, largando os ombros, relaxando, cedendo. Não adianta tentar mudar sua natureza, ela não é uma muralha, é uma cancela que se abre com um empurrãozinho. –De verdade, o que você quer?
-Você. –Disse sem desviar o olhar, rápido, sem pensar, sem tomar fôlego, assim, no tempo de abrir e fechar os olhos. –A gente.
-Naruto…
-A segunda chance que não tive.
-Não pediu…
-Agora eu quero. Eu to pedindo.
-Por que agora? Ela partiu seu coração? –Ele revirou os olhos.
-Dá para deixar Sakura de lado só um pouquinho, por favor?!
-Fez a mesma pergunta ontem e teve resposta.
-Não. –Suspirou.
-Nunca. –Silêncio. –Não sou a pessoa ideal para você, Naruto.
-E para quem é? –Perguntou pegando o quadro que antes segurou na mão. –Para ele? Para ele você é ‘ideal’?
-E se for? –Desafiou com a mesma pose segura, queixo erguido, coluna ereta, olhos firmes.
-Não é.
-E por que não, Naruto? Achou que o mundo parou para mim depois que você partiu? –Quando Naruto tensionou falar, Hinata prosseguiu. –Kiba é um bom homem.
-Mas não o seu ideal!
-Quem é então, você?
-Claro! –Ela resmungou impaciente. –Ele cheira a cachorro molhado!
-Naruto!
-Hinata! –Pegou seu rosto pequeno e encaixou na palma das mãos enormes. –Para com isso…Vocês não têm nada a ver!
-Me diz o que você tem a ver comigo, então.
-Tudo! Um loiro alto, forte de olhos claros… -Fez charme. –De um cara como eu que precisa.
-Beleza até meu pai tem, Naruto. O que eu quero o Kiba tem: caráter!
-Em mim sobra! –Contrapôs. Hinata suspirou.
-Olha, está ficando muito tarde, estou ficando cansada, é melhor ir.
-Não.
-Naruto… Pelo amor de Deus, não complica. –Fechou os olhos tentando buscar paciência em seu interior conturbado.
-Hoje vou dormir aqui. –Ela riu pelo nariz.
-Só se for no tapetinho de “bem vindo” na porta da rua! Anda! Para casa!
-Vou dormir aqui a menos que saia comigo.
-Okay, Naruto, tudo bem. Eu vou com você ao Festival de Outono, está bem assim? –Disse contrariada, se rendendo a tudo para ele sair.
-Na-na-ni-na-não! Eu sei que irá no Festival comigo porque você não tem escolha!
-Ah não? –Perguntou indignada, não conseguindo controlar o riso de tão ridículo foi aquilo que ouviu.
-Não. Estou falando hoje. Agora. Para o Hotaru Ni.
-Quê?! –Exclamou.
-Aí você decide se vai assim de camisola ou… -Nesse momento Hinata percebeu com que roupa estava vestida, um flanela quase transparente que a fez corar.
-Naruto, agora é sério…
-Sim ou não? Só responde!
-Não! –Praticamente gritou. –Claro que não! Tá maluco?! Olha a hora!
-Quer dizer que se fosse mais cedo você iria sem problemas? –Flertou.
-Óbvio que não!
-Deu brecha… -Ele riu maroto.
-Naruto, vai para casa, via. Já chega de zona.
-Okay, você não vai?
-A única pessoa que vai para algum lugar aqui é você e para sua ca…
-Para sua cama, exatamente! Obrigado.
-Não. Não! Hey! Volta! Naruto! Você não pode invadir minha casa e… -Ele virou-se de supetão e a encarou, sério, rígido.
-Se eu sentir cheiro de cachorro aqui eu juro pelo meu fígado sagrado e pelo cabelo seboso do Sasuke que amanhã eu esfolo o Kiba. –O coração de Hinata batia acelerado.
-Sai. Do. Meu quarto. –Naruto sorriu, lhe deu um selinho rápido e quando Hinata levantou a mão para bater nele, o viu pulando em sua cama.
-Sua cama está mais macia… -Disse piscando para a morena, como se ela visse diferença da cama de dois anos atrás para os dias de hoje.
-É você que dorme em colchão duro! –Disse recolhendo os travesseiros que voaram. O loiro, folgado, pensou instantaneamente na cama de Sakura. Dava duas daquela, enorme e com o colchão novo, ‘duro’, como disse Hinata –Por gentileza, saia da minha cama. –Implorou com os olhos. Naruto olhou, teve piedade, ela estava no limite, realmente esgotada, estressada, Hinata, a senhorita autocontrole e bons modos.
Ali, agachada, ele a desejou, ele a quis, ele agarrou aquele braço frágil e puxou todo seu peso para si; a colocou sob seu corpo e tirou os fios pretos de cabelo que taparam sua visão daquele rosto bonito e infantil. Traços de menina, boneca, traços que ele adorava, que o excitavam. Ela fazia jus ao adjetivo de princesa, princesa renegada do Clã Hyuga. Se ele pudesse, a teria para si naquele exato momento.
-A prova de que não estou brincando quando digo que te quero é isso. Tê-la perto demais faz com que eu não raciocine direito, não pense nos meus atos, só no que eu quero agora –Os olhos dela de arregalaram. -, mas não posso. –Acariciou o rosto pálido. –Como é possível, depois de tanto tempo, ainda ser impotente quanto a isso? Eu devia ter rédeas, “bons modos” –Riu pelo nariz. -, só que perto de você não dá!
-Eu só… -Ele pressionou seus lábios secos no dela por alguns segundos, só para garantir o silêncio que suas palavras preencheriam a seguir.
-Não importa quanto tempo eu fique distante, com quantas pessoas eu me envolva, eu sei que quando eu voltar você ainda terá o mesmo efeito sobre mim. –Dito isto a tensão do corpo abaixo do seu foi se dissipando, Hinata quebrou aquele muro de gelo superficial e deixou-se levar.
Um Naruto impulsivo, uma Hinata maleável, uma soma perigosa e desvantajosa. Ele sempre será a criança e ela sempre será a boneca. Ambos ingênuos quanto ao que sentem em seus interiores mais sombrios. De quem é a desvantagem? Quem está perdendo a brincadeira antes mesmo de começar?
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