Strokes
12 New guilty
Notas iniciais
Obrigada!
Boa leitura!
-Vai pro... –Não terminou de falar, pois ela o beijou. Isso, Sakura Haruno beijou Sasuke Uchiha, mas não se engane, foi um mero truque. Obviamente ele não correspondeu e se assim fizesse, Sakura iria morder sua língua já que sua intenção não era beijá-lo e sim fazê-lo engolir um comprimido que o deixaria sem movimentos temporariamente.
E ele engoliu.
Assim que o fez Sakura afastou sua boca da dele e o olhou de um jeito sapeca.
-Idiota. –Disse com desprezo e saiu de cima dele. Sasuke percebeu que havia engolido algo e inutilmente tentou regurgitar, mas já era tarde, o remédio já fazia efeito, tanto que só deu tempo dele sentar-se na cama e se apoiar no criado mudo pra não cair. Suas pernas ficaram dormentes.
-Filha da put...
-Olha o respeito! –Empurrou-o de volta para a king size. –Pensei que fosse mais esperto... –Comentou séria enquanto remexia uma mochila com seus instrumentos de trabalho. Foi no banheiro, desinfetou as mãos e colocou suas luvas. Sasuke tentava a todo o custo se mexer, mas era inútil. –Agora que nem a boca você consegue mexer, eu posso falar sem ouvir sua voz de morto. -Sentou-se na beirada da cama, limpou suas pálpebras e colocou panos em volta da área para que qualquer líquido que escorresse não sujasse seu rosto. –Não vai demorar e nem doer, infelizmente. –Garantiu. –Vou prender suas pálpebras e pingar colírio para seus orbes não secarem ok? –Ela já falava sério. Prendeu os cabelos e começou a examinar, de tempo e tempo pingando colírio. Austera e concentrada. Ela mantinha um semblante maduro que deixou Sasuke mais relaxado. Ele não enxergava quase nada, mas do pouco que via, sabia disso: ela estava se dedicando no que fazia. –Pronto. –Disse depois de pouco tempo. Ele não acreditava que seu problema era assim, tão simples e rápido de resolver. Só pensava indignado em como Karin era uma incompetente que o deixara agoniado mal enxergando um palmo a sua frente.
Ou a ruiva era muito inútil ou Sakura era tão talentosa quanto a lenda dizia.
Quando ela voltou do banheiro, estava sem as luvas e com os cabelos soltos caídos nos ombros. Estava séria. Deixou os instrumentos que usou separados para desinfetar e informou que dali uns dez minutos os movimentos dele voltariam ao normal, em seguida sentou-se no outro lado da cama e suspirou pesado.
-Não gosto de ficar sozinha com você. –Confessou. Sabia que se ele pudesse respondê-la, diria “igualmente”, e ela não se ofenderia. –Não te odeio Sasuke. Eu tenho raiva de você, mas não te odeio. Ódio é uma palavra muito forte, é um sentimento muito forte... Não te acho merecedor de ocupar um espaço tão grande na minha mente como o de uma pessoa odiada. –Riu pelo nariz. –Provavelmente vou me arrepender amanhã de ter te contado isso, só que não terei mais coragem de falar depois. Você decerto não deve se importar com meus sentimentos em relação à você ou a razão pela qual adquiri eles, seu azar é que sou uma pessoa justa e quero deixar claro o porquê de toda essa raiva. –Suspirou novamente. –Meus pais morreram há três anos e meio num acidente doméstico. Minha mãe esqueceu o gás da cozinha ligado. Ambos morreram asfixiados. Você deve estar se perguntando o que isso tem haver com você! –Riu sem graça. –Naquela tarde eu havia partido em missão com o Naruto atrás de você, pois sabíamos que Madara estava o usando e queríamos impedi-lo de ser manipulado como você já foi por Orochimaru. Obviamente você não nos deu ouvido, quase me matou, quase feriu Naruto... Foi uma tentativa vã como muitas outras. Eu tenho raiva de você porque se não fosse toda essa situação, eu estaria em casa e poderia ter evitado a morte dos meus pais, ou ter morrido com eles... Pouparia meu coração de sentir a dor da morte deles e de continuar com a angústia da sua falta, da sua rejeição para comigo. –Olhou para a janela. –Às vezes eu acho que deveria estar morta. –E voltou o olhar para ele com um sorriso falso. –Não se preocupe, eu tenho consciência de que você não é culpado, mas sabe como é... É sempre mais fácil depositar a culpa os outros! Também usei essa desculpa para ver se assim eu esquecia aquele amor platônico que nutria por você. Já eram oito anos de rejeição, eu tinha que deixar de lado, além de você não ligar para mim, ter tentado me matar duas vezes, você era um criminoso, fugitivo, fez coisas inadmissíveis... Não era o mesmo Sasuke. A estratégia funcionou e cá estou eu, livre de qualquer sentimento afetuoso por você. –Riu levantando-se. –A idade também me ajudou a ver que o que faz um homem não é só a beleza, é o caráter e a personalidade, e a sua não me agrada em absoluto. –Confessou enquanto andava pelo quarto. –Por isso arranjei um namorado bonito, honesto e legal, tudo o que valorizo em um homem. Estamos muito felizes e é essa a história da minha vida! –Gargalhou. –Já consegue se mexer? –Sasuke mexia um pouco a cabeça, a ponta dos dedos das mãos e dos pés, aos poucos ia voltando.
Sakura escovou os dentes, lavou as xícaras de chá que estavam na cozinha e quando voltou Sasuke já estava sentado, ainda meio mole, mas já se movia. Sakura ria internamente enquanto o olhar dele estava cheio de ódio.
-Ele não vai gostar de saber. –Disse vagarosamente.
-Quem? Naruto? Não fiz nada de errado com você! –Deu os ombros.
-Seu namorado.
-Ah! –Sorriu sem graça. –Você não contaria... –Referiu-se ao beijo.
-Eu não. –Ela o olhou, entendendo o que ele queria dizer. Sorriu mais ainda se recompondo e rebatendo.
-Ino também não vai gostar.
-Problema dela. –Ri e ele levantou-se, arrastando as pernas indo em direção ao banheiro se apoiando com uma mão e com a outra pressionando os olhos.
-Foi só uma noite Sasuke-kun? Poxa vida! Assim você parte o coração da porquinha! –Zombou.
-Foda-se você e ela. –Isso só servia para Sakura rir mais e mais, enquanto para Sasuke, só era um impulso para sua irritação chegar ao clímax. Ele já estava farto de Sakura.
Fez sua higiene noturna e voltou para o quarto. Ela vestia uma camiseta de Naruto e um short de flanela. A camiseta era branca e deixava seus seios aparentes. Ele não tinha atração por Sakura, mas ele era homem, e homem se sentia atraído por seios, não importava de quem fossem. Tirou sua camiseta e deitou-se no canto da cama cobrindo-se rapidamente para caso um incidente natural ocorresse, ele pudesse disfarçar. Se Sakura percebesse o mandaria dormir na sala e ele não queria isso.
Estava de costas, mesmo assim sabia que ela fechava as cortinas. Quando a luz foi apagada não demorou muito para ele perceber um peso a mais na cama. Não sabia se aquele era o momento certo de dizer. Antes de decidir, sentiu uma voz que deveria soar sexy no pé do seu ouvido dizendo ‘boa noite Uchiha’. Irritado ele a afastou dele, jogando-a apara o extremo da cama enquanto a mesma ria solta dele.
-Viado! –Gargalhava.
-Sakura. –Ignorou.
-Que é? –Dizia ainda tentando recuperar o fôlego.
-Minha visão está pior do que estava.
-Amanhã vai estar melhor.
-Não confio em você.
-Mas que porra! Eu disse que amanhã vai estar melhor, não pedi para confiar em mim. –Ele não respondeu. –Ainda vou te matar Sasuke.
-Acredite. –E ela voltou a rir da cara dele. Achava hilária a forma como ele lidava com as provocações dela.
-Só não te mato no meio da noite porque sei que você tem insônia e não vai dormir.
-Está cedo.
-Amanhã temos uma estante para montar.
-A culpa não é minha.
-Mas o comprometimento sim.
-Você não entendeu. –Disse. –A culpa não é minha.
-Que culpa? –Perguntou confusa.
-A sua culpa. –Então ela entendeu. –A culpa sua e do Naruto.
-Éramos tolos.
-Algumas coisas não mudam.
-Como assim?
-Naruto continua sendo tolo e você continua sendo irritante.
-Só nas horas vagas.
-Não fuja do assunto.
-Sasuke Uchiha puxando assunto! Meu Deus! Precisava de testemunhas para esse momento incrível!
-Não estou enxergando nada...
-Já disse que...
-Sakura, não piore as coisas. –Falou sério e ela ouviu na mesma seriedade.
Um quarto escuro, dois corações batendo. Um homem e uma mulher, jovens, porém feridos. Ela virou-se para ele, mesmo no escuro podia observar o contorno do seu rosto de perfil, olhando para o teto. Seus lábios pareciam tão convidativos! Seu peito subia e descia num ritmo um pouco mais rápido do que o dela, ele parecia assustado, no jeito dele de estar assustado.
-Não há o que piorar. Somos dois infelizes sem espectativa de vida. Conforme-se. –Disse virando-se de costas para ele e indo dormir com a consciência limpa sabendo que havia dito tudo o que ele precisava ouvir.
Notas finais
Dedicado às seguintes leitoras:
Roquira Marani
JuIjana
Anny Quinn
VitBusatto21
Hyrla Potter
Lu hime
dinani
Persefone-hagne
Nessa_Alfiren
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