Strokes
11 New eyes
Notas iniciais
Ah, antes de tudo, quero avisar que o último capítulo ficou incoerente porque não foi totalmente postado. Se puderem, leiam os três últimos parágrafos que ficaram faltando.
Boa leitura!
Ele vestia um conjunto de moletom azul escuro, quase preto. Ela um short de algodão rosa, na altura da coxa, e uma camiseta branca, lisa e de malha fina. Não conseguia imaginar como o garoto ao lado estava aguentando o calor que fazia debaixo daquela roupa tão quente. Fazia no mínimo uns 38°C.
Comprar roupas para Sasuke era como comprar verduras para criança: ele não queria nada, não gostava de nada e não usaria nada caso Sakura comprasse. No fim, levaram apenas algumas camisetas para uso diário, roupas íntimas e só. Tudo aos montes, afinal, Sakura não queria fazer comprar com ele novamente. No caminho se lembrou de uma ótima costureira, conhecida por personalizar roupas de clãs. Ela até pensou em levar o Uchiha na casa da senhora para poder encomendar algumas peças de roupas do jeito que lhe agradasse, mas achou que estaria fazendo favor demais e desistiu da ideia. Não era sua obrigação. Não era assim tão necessário.
A casa também precisava de compras, mas não muitas. Comida o suficiente para três dias, já que sairiam em missão novamente: Sakura em uma cirurgia arriscada em uma vila a uma hora dali; Naruto numa longa missão de resgate nas proximidades de Suna e Sasuke com os típicos serviços comunitários.
Ele preferiria travar uma batalha com quarenta ninjas renegados do que prestar serviços comunitários.
Voltaram para casa cedo, por volta das seis as tarde. O céu era uma aquarela de cores cítricas e vibrantes, o sol no horizonte, tão baixo, já não machucava os olhos com sua luz já fraca. Sasuke não gostava de pores-do-sol. Se lembrava do dia em que matou seu irmão. Ele não gostava daquele dia em absoluto. Se concentrasse-se um pouco ainda poderia sentir as gotas quentes rasgando seu rosto com brusquidão, sem importarem-se com as cicatrizes que deixariam mais tarde. Sasuke ainda sentia como se houvessem fendas em seu rosto.
Quando tencionou sentar-se no sofá e descansar das horas de caminhada, Sakura o chamou.
-Venha cá. –Ele a seguiu a contragosto. –Vai aprender lavar suas roupas. –Ele estancou na porta da lavanderia. Não gostava dessa ideia. Achava que era serviço para mulher, embora grande parte dos shinobis que moravam sozinhos lavavam suas próprias roupas. Seu orgulho machista gritava para ele dar as costas à Sakura e ir descansar como pretendia, entretanto seu lado racional falou mais alto. Ela estava ‘colaborando’, lhe dera abrigo, lhe dava comida, lhe prestava favores e não pedia nada em troca além de que ele também ‘colaborasse’, nada mais justo do que colaborar. Aproximou-se mais e observou. Tudo o que Sakura fazia, lhe explicava. –Eu preferia que estivesse fazendo comigo, mas a lavanderia é pequena... –Comentou.
Sasuke anotava mentalmente cada passo: encher um balde com água, passar sabão e esfregar a roupa com escova de cerdas duras caso a sujeira seja difícil de sair, se não, apenas esfregar na mão a peça para tirar o suor ou pequenas manchas. Enxaguar bem e pendurar no varal. Parecia simples com ela ali fazendo, explicando passo a passo com aquele olhar e aquele sorriso sarcástico, o provocando, o irritando.
-Sua vez. –Sacudiu as mãos molhadas no tanque de mármore e deu espaço para ele passar. –Anda! –O apressou. Ele estava encarando as roupas sujas há mais tempo do que Sakura julgava necessário para lavar. –Ah, uma dica: lave primeiro as brancas depois as coloridas. –E sorriu. Sasuke a olhou com desprezo e começou. Molhar. Esfregar. Molhar de novo. Pendurar. –Dá pra fazer melhor. –E lá foi ele de novo, novamente e mais uma vez. Quando Sakura lhe deu os parabéns, batendo palmas de forma zombeteira falando sobre como Sasuke era um aluno dedicado, ele já havia lavado todo seu uniforme, roupas casuais, íntimas, meias e até a sandália que usara no dia anterior. –Viu? Não é tão difícil. Agora você já pode lavar suas roupas. –Saíram da pequena lavanderia. –Quer comer algo? –Se virou para o moreno enquanto andava em direção à cozinha.
-Não.
-Precisa comer, está muito magro. –Sasuke bufou. –Não pense que eu me importo com você. Se não está lembrado, Tsunade deixou-me encarregada de restaurar sua saúde, você faria um grande favor caso não piorasse tudo! Coma uma maçã! –Jogou e ele apanhou no ar, sem olhar. Não tinha fome, mas comeria, só para a garota calar a boca. Sakura jogou-se no sofá maior comendo uma banana e fitando o teto. –Sabe, -Começou. –se você não estivesse aqui eu estaria nua neste momento. Até nisso você atrapalha! –Falou divertido o olhando pelo canto do olho.
Minutos de silêncio, chegada do tédio... Já haviam comido as frutas, o que restava agora?
-Quer montar a estante? –Ele negou. –Jogar cartas? –Também não. –Beber, transar, matar alguém... não quer nada? –Sasuke a olhou com uma das sobrancelhas erguidas e não respondeu como previsto. Num salto Sakura se sentou e o encarou. –Estou com uma vontade gigantesca de quebrar sua cara em novecentos e noventa e nove pedaços! –Recebeu um olhar mais confuso ainda. –Ia deixar um pedacinho para o Naruto de recordação. –Silêncio. –Não adianta me ignorar, continuarei falando.
-Não estou te ignorando.
-Não estaria caso respondesse uma de minhas perguntas.
-Todas são sem cabimento.
-Quem é você para julgar o que tem nexo ou não?
-Alguém que não foi afetado pela influência da alienação.
-Alienação? –Riu. –Me acha alienada? –Ele deu os ombros. –Por que acha isso?
-Não preciso justificar, está óbvio.
-Não do meu ponto de vista.
-Você é igual às outras.
-Às outras garotas?
-Às outras mulheres, garotas não fazem o que você faz.
-Ah! Então é isso! –Riu. –Entendi. Você acha que sou alienada porque...
-Depravada. –A interrompeu.
-Como?
-Te acho depravada. –A olhou sério.
-Eu te soco agora ou espero o Naruto chegar para me segurar?
-Não faça perguntas caso não queira ouvir respostas.
-Você realmente tem uma franqueza ácida.
-Ainda bem. –Disse levantando-se, dando as costas para ela. –Nunca teria escrúpulos para dizer “eu te amo” em vão. –Ela notou a indireta da frase, mas quando pensou em rebater, ele prosseguiu, mas para si mesmo do que para ela. –Acho que sou tão franco que jamais irei dizer isso a ninguém.
-Nem a um filho? –Perguntou para apenas medir sua frieza, quando ele decidiu que não queria mais respondê-la.
O silêncio tornou-se novamente dono do apartamento.
...
Ficaram a sós. Ninguém batera na porta, nenhum dos dois ousaram sair. Ambos se distraiam com o silêncio incomum por conta da ausência do loiro barulhento, porém até Sasuke, amante da quietude, já ficava aborrecido com aquilo. O fazia lembrar da prisão e dos dias ouvindo somente sua própria respiração. Tomou banho, Sakura em seguida, às oito ambos se encontravam no sofá comendo macarrão com legumes e lendo. No caso de Sasuke, tentando ler.
-Posso curá-lo. –Sasuke ergueu o olhar sobre o livro para conferir se ela falava com ele, ao confirmar que sim, disse entredentes:
-Talvez. –No mesmo instante ela depositou o livro na mesa, parou na frente dele e pegou o livro que ele lia, deixando junto com o seu.
-Olha pra mim. –Ele já estava olhando.
-Você não... –Não pode impedi-la a tempo de segurar seu rosto e analisar seus olhos tão de perto. Ele não soube dizer se era ela ou ele o examinado já que ele podia ver perfeitamente a íris esverdeada dela. Nunca havia reparado. Era um tom de verde diferente, nem muito claro, nem muito escuro. Não se lembrava de ter visto olhos iguais em nenhum outro rosto. Seus cílios eram grandes e curvados, mas tão claros que parecia que ela não os tinha.
Então ela se afastou de repente, o puxando para o quarto, onde ele foi jogado na cama e impedido de falar qualquer coisa, já que ela sempre o interrompia. Com uma lanterna específica, pequena e de luz forte, ela se aproximou novamente do rosto do jovem e mirou a luz em seus orbes. Na mesma hora Sasuke guinchou. Aquilo feria.
-Quer que eu te ajude ou não? –Disse irritada.
-Isso é muito forte!
-É a mais fraca que tenho!
-Foda-se! Não vai colocar isso nos meus olhos de novo! -Dizia esfregando os olhos com a costa da mão ao se levantar e encaminhar-se para a sala novamente. Porém Sakura foi mais rápida: fechou a porta e colocou a chave nos seios, com um sorriso triunfante. Sasuke bufou no limite de sua paciência e lançou um olhar mortífero para Sakura que apenas sorriu e anotou em um bloquinho, falando o que escrevia.
-Sensibilidade à luz. –Disse num tom zombeteiro. –Ponto e vírgula. –Acrescentou num sorriso provocante, inspirada para irritar mais ainda o Uchiha. –Deite-se.
-Não.
-Que paciente malcriado! Não me faça usar a força! –O provocava, aproximando-se a passos lentos do Uchiha, rindo internamente de sua expressão contrariada.
-Abra a porta.
-Só depois do exame. –Falou de forma teatral.
-Você é louca. –Concluiu e foi em direção à porta. Forçaria a maçaneta até a porta abrir, depois concertava, naquele momento só queria acabar com aquela brincadeira ridícula.
-Hey! Volte aqui! –Puxou ele pela toca do casaco e num reflexo Sasuke apanhou os pulsos de Sakura, cruzando seus braços na altura do pescoço da mesma que gargalhava. –Pra que tanto medo, Coisa? É só um exame!
-Não quero. –Vociferou largando brutamente os braços da garota e indo de volta em direção à porta.
-Não vou te estuprar! –Falou no pé do ouvido dele, logo se afastando quando viu que ele iria golpeá-la. –Ok, chega. Cansei. Você é muito chato, merece uma lição. –Caminhou séria até ele que a observava com o cenho franzido. Parou a um palmo do seu rosto, o olhou de baixo, já que era bem mais baixa do que ele, e disse: -Deite-se e me deixe examiná-lo.
-Não.
E assim os dois começaram a brigar no quarto, evitando ao máximo quebrar as coisas. Claro, não era uma briga como a da casa de Naruto, mas ambos levavam a sério, já que o sorriso irônico de Sakura já não mais estava estampado em seu rosto quadrado. Por um vacilo Sakura conseguiu derrubar Sasuke na cama e montar em cima dele, prendendo suas pernas entre suas coxas e inclinando seu tronco sobre o tórax pouco malhado. Novamente a um palmo do rosto de traços bem feitos do problemático Uchiha, mas dessa vez, ele não olhava de cima, a olhava de baixo. As pequenas e finas mãos seguravam firmes os pulsos de Sasuke acima de sua cabeça, o impossibilitando de se mexer.
-Se prometer ser um bom menino eu não lhe aplico uma injeção para deixa-lo imóvel... –Disse sensualmente no pé de seu ouvido, apenas para irritá-lo, sabia que a essas horas ele estava com o sangue subindo à cabeça.
Sasuke tentava inutilmente reverter a situação, mas Sakura usava sua força, sua incrível força e ele não podia lugar contra aquilo. Não gostava da proximidade dela, nem de sua posição tão vulnerável sobre uma mulher como aquela que há anos ele considerava patética. Sentia-se humilhado ao fitar o olhar triunfante da mesma sobre ele.
Notas finais
Essa posição ficou meio suspeita não é? Dois jovens, sozinhos, numa casa, na cama, um em cima do outro... Hummm Sei não. Continuação no próximo capítulo.
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