Strokes
34 New attack
Notas iniciais
O café-da-manhã foi silencioso, se havia alguma conversa, era através dos olhares sutis que Sasuke e Sakura trocavam. Ele estava preocupado, pois sabia que pela expressão séria de Sakura, ela ponderava sobre as mesmas coisas da noite passada.
Toda aquela conversa estranha, à princípio, era para acalmá-la, tentar fazê-la mudar de ideia sobre jogar o Naruto para fora por conta de cogitações sem confirmações. Sasuke não acreditava deliberadamente que toda a ladainha de “confia em mim” resultaria em alguma alteração na decisão firme da colega, ainda assim quando a encontrou recolocando as roupas de Naruto no armário, teve esperança de que ela tivesse mudado de ideia.
Batidas frenéticas na porta denunciavam o terceiro morador da casa. Sakura não se moveu, então Sasuke a olhou hesitante, esperando alguma reação.
— Que foi? — perguntou erguendo o olhar.
— A porta.
— Eu não vou abrir.
“Ela disse que não irá abrir, não me proibiu de fazê-lo”, pensou. Levantou-se arrastando a cadeira propositalmente. Assim que destrancou a porta, Naruto entrou como uma forte rajada de vento, sorrindo de ponta a ponta.
— Bom dia, Teme! Bom dia, Sakura-chan! — aproximou-se dela para depositar um beijo em sua bochecha, mas ela se esquivou. Estranhando seu comportamento, ele a encarou. Sasuke sentou-se no sofá e pôs-se a apenas assistir.
Antes que Naruto pudesse perguntar algo, Sakura se adiantou:
— Sua casa está reformada, pode sair daqui — anunciou.
— Mas já? — gaguejou surpreso.
— Essa reforma durou meses, a casa ficou pronta antes de irmos para Suna, portanto já passou da hora de você pegar seus trapos e cair fora daqui, juntamente com a sua cria.
A forma como Sakura falou não deixou dúvidas de que alguma coisa estava errada. Naruto ficou ereto e pensativo, a alegria que irradiava pelo seu corpo havia sido substituída por um sentimento pesaroso. Considerando que Sakura nem sequer o olhava para falar, e quando falava era ríspida, ele rapidamente excluiu qualquer abordagem para uma discussão.
— Tudo bem — falou simplesmente.
Saiu da cozinha passando por Sasuke, sentado na sala comendo uma fruta, o olhou de forma interrogativa e a resposta intensa dos olhos negros do amigo lhe assegurou ainda mais de que havia algo por trás da atitude de Sakura.
Quando entrou no quarto fechou a porta atrás de si, buscava na sua mente alguma pista do que possa ter chateado sua amiga, mas não encontrava nada. A última vez que se viram ela agiu normalmente, assim como ele em relação a ela. Naruto não conseguia encontrar motivos para Sakura tê-lo despejado sem nenhuma cerimônia, não até reparar numa peça de roupa jogada no canto do quarto. Era o quimono que Sakura usava nos Festivais de Outono. Sua mente deu um estalo e um palavrão escapuliu entre seus lábios. Sakura havia ido ao Festival de Outono e provavelmente o viu com Hinata lá.
Sasuke entrou no quarto sem avisos, por um instante Naruto desejou que fosse a garota, assim ele poderia se explicar (ou inventar mais mentiras para se safar) e não sairia dali com um sentimento tão forte de culpa. O amigo reparou na peça de seda em suas mãos e lhe ofereceu um sorriso de desdém.
— Pensei que fosse mais esperto, Dobe — comentou num tom de gozação.
— Ela está furiosa, não está? — Sasuke assentiu com um sorriso divertido e Naruto bufou —Mas ela disse que não iria para o Festival.
— Você também.
— Porque quando ela me pediu companhia, eu já tinha convidado a Hinata.
— Por que não disse isso a ela?
— Por quê? Porque ia acontecer isso! — apontou para cozinha — Eu sabia que ia acontecer exatamente isso quando contasse que ia sair com a Hinata!
— Você gosta dela?
— Qual das? — Sasuke encolheu os ombros e o encarou — Eu sei lá! — sentou-se na cama deixando sua cabeça cair entre as pernas, ele sentia-se encurralado por si mesmo. Qual delas? — Eu adorei sair com a Hinata.
— Então qual o problema? — Sasuke o indagou ao perceber que havia uma oposição na fala do amigo.
— Eu também gosto da Sakura — puxou os próprios cabelos.
— Acho que elas não querem dividi-lo.
— Não vou me afastar da Hinata novamente — falou mais calmo —, contudo isso automaticamente me afastaria da Sakura, e isso é outra coisa que eu não quero que aconteça.
— Bom, ela mandou avisá-lo que é melhor você desaparecer antes que anoiteça.
— Fala para ela não-
— Meninos! — Sakura abriu a porta de supetão, se não fosse o reflexo felino do Uchiha, ele teria sido atingido dolorosamente — O Festival da Ressaca está sendo atacado, peguem seus equipamentos e vamos sair agora — falava apressada trocando sua roupa casual na frente deles pelo uniforme ninja — Andem! Estou falando sério!
— O que é Festival da Ressaca?
— Naruto, explica para a criança!
— No Festival de Outono você bebe, no Festival da Ressaca você come — o loiro explicava, indo para o quarto adjacente para se armar e atar sua bandana — É meio que uma desculpa para os comerciantes tentarem vender o que não conseguiram na noite passada.
— Estão prontos? — Sakura berrava do outro quarto.
— E sua bandana, por que não usa?
— Porque não tenho.
— Quando acabarmos com essa farra eu passo na Academia e te arranjo uma.
— Eu não quero — Naruto tentou fazer uma objeção, mas Sasuke foi mais rápido — Sou inimigo de Konoha até que a Godaime de absolva. Não existe motivo para eu desfilar com o símbolo da vila.
— Mas com o dos Uchihas você desfila — Sasuke lhe lançou um olhar mortal.
— Você também exibiria o emblema da sua família, se tivesse uma.
Ao dizer isso, Naruto avançou para cima dele, contudo não chegou a deferir o golpe, Sakura se interpôs no meio deles bloqueando qualquer ataque.
— Economizem sua raiva para canaliza-la nos inimigos — os soltou de forma brutal, os encarando de forma autoritária — A última briguinha entre a gente destruiu uma sala e transformou minha casa num cortiço.
Dizendo isso, saiu tão rápido quanto surgiu, deixando Naruto e Sasuke para trás trocando olhares hostis.
Naruto se sentiu ofendido porque ele tinha sim uma família e o emblema dela estava na sua roupa. A semelhança era que assim como a do Sasuke, a dele estava praticamente extinta; a diferença era que o clã dele era extremamente conhecido, enquanto o seu se tornou um fragmento na história.
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— Algum civil morto? — Tsunade indagou enquanto observava a confusão na vila através de sua enorme janela na Central de Konoha.
— Até então, não. Entretanto há mais de vinte feridos (quatro gravemente). O ataque já se estende por uma hora.
— Meu último festival na vila termina assim — comentou para si mesma, observando decepcionada. Shizune, por não ouvido bem, pediu para a mestra repetir sua fala, então Tsunade perguntou: Onde estavam os shinobis das fronteiras? Onde estavam os shinobis do portão de entrada? Onde estavam os shinobis de patrulha?
Shizune não sabia o que dizer. O mesmo pensamento lhe ocorrera. O ataque veio em massa e muito rapidamente, o curioso era que não eram ninjas muito habilidosos, poderiam ter sido facilmente barrados nos portões, mas não foram. Ela sabia que as perguntas de Tsunade não haviam sido retóricas, pois naquele momento ela tinha percebido o que Tsunade já tinha notado muito tempo antes.
Não havia jounins no confronto.
— Estou esperando uma resposta, Shizune. Onde estão os meus shinobis?
Genins e chuunis que tentavam segurar as pontas, até os civis tentavam se defender com objetos, contudo a Força Regular de Konoha parecia ter evaporado.
— Bom, a FR é altamente qualificada, não acredito que tenham sido derrotados, ainda mais se pegarmos como base este nível de formação ninja — apontou para os intrusos observados de longe guerreando no centro da vila — Suponho que tenham sido envenenados ou dopados, provavelmente ontem mesmo no Festival, já que todos beberam, a Anbu que estava patrulhando.
— Outros incompetentes. Não observaram nenhum movimento estranho.
— Estou lhe dando apenas uma hipótese, Tsunade-sama — Shizune adiantou antes que Tsunade condenasse seus homens injustamente.
— Sua hipótese é a mesma que a minha.
— O que faremos?
— Já ouviu aquela fala popular de que quando você deseja um bom serviço, você mesmo o faz? Pois bem — vestiu sua capa —, eu mesma colocarei ordem nisso aqui.
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— Você nos apressou tanto para combater isto? — Naruto apontou com desdém para o que mais parecia briga de boteco ao céu aberto — Minha briga de irmão com o Sasuke seria mais intensa.
— Faz um Kage Bunshin no Jutsu¹ e acaba logo com isso — Sakura ordenou impaciente. Naruto só fez o que ela disse porque era exatamente isso que ele estava pensando em fazer para conter aquelas pessoas.
— Será que mil darão conta?
Enquanto Naruto ponderava, Sasuke já havia derrubado uma dúzia de homens e Sakura se dirigiu às pessoas feridas no meio da confusão. Ela se perguntava onde estava todo mundo, pois até onde conseguiu observar, apenas Sai, Shino, Lee e mais uns oito shinobis tentavam conter a massa confusa de gente se batendo.
Com seus clones, Naruto conteve facilmente cada uma das pessoas envolvidas, inclusive os aldeões atacados, logo as coisas se acalmaram.
— Naruto, separe dos aldeões dos invasores — O loiro já estava farto de receber ordens de Sakura, ainda assim instruiu seus clones a separar o povo. Feito isso, Sakura pediu para que Shino ornasse uma espécie de jaula enorme insetos ao redor dos invasores e para o Sasuke não decapitar mais ninguém.
Sai planou sobre eles com seu animal de tinta e aproximou-se de Sakura.
— E agora, líder? — ele ainda estava acreditando que a farsa do namoro dos dois continuava.
— Afaste-se — Sakura o alertou, porém ele não a levou a sério e acariciou as pontas dos cabelos róseos da garota. Ao ver Sakura sorrir, Naruto já estremeceu com a ideia de assistir de perto a espinha de Sai ser partida em dois, não teve tempo nem de agir. Sakura canalizou chakra no punho direito como uma luva de puro aço, deferiu o golpe no abdômen do garoto que foi lançado a muitos metros dali, aos pés da escadaria da Central de Konoha, literalmente aos pés da Hokage.
— Ele está vivo? — Shino perguntou-se em voz alta.
— É melhor que não esteja. Na próxima eu o aleijo — voltou-se para a mulher que curava anteriormente.
— Nossa, princesa, quanta violência! O que ele fez, brochou? — um dos ninjas que lutavam ao lado de Sai e Shino zombou como se tivesse intimidade o suficiente para isso. Nem Naruto falava assim com ela. Um olhar bastou para ele se calar.
Nesse meio tempo de um olhando para a cara do outro sem saber o que fazer com aquele povo patético, Tsunade já havia chegado no centro da confusão.
— Até que enfim alguém resolver fazer alguma coisa — comentou olhando os garotos — Eu mesma ia acabar com isso já que meus shinobis haviam simplesmente sumido — caminhou até Sakura que, assim que a via, fazia uma reverência ou uma saudação, mas estranhamente a garota nem sequer ergueu o olhar do seu serviço no braço da senhora para encará-la. Fingindo ignorar, Tsunade afastou-se, continuando — Garanto que ia ser pior do que isso — apontou para os corpos que Sasuke decapitou — e mais rápido do que isso — apontou para os clones de Naruto — Agora não sei o que faço com vocês — falou para os invasores — Só precisarei de três para interrogatório, o restante não me serve. Shizune, o que eu faço?
— Prenda-os — respondeu o óbvio.
— Não temos espaço para todos eles.
— Mantenha aqui os jovens e saudáveis e envie os velhos e feridos para sua vila de origem.
— Não farão nada com os meus homens! — Uma figura nova se pronunciou. No mesmo instante Shizune reconheceu a voz anasalada, apertou as têmporas e fechou os olhos num gesto praticamente inútil de tentar manter a calma — já decapitaram mais de dez deles, não farão mais nada, ou seu exército vai para o saco!
— Apareça, praga. Sei quem você é — Tsunade desafiou.
De repente, no meio do grupo de civis que Naruto mantinha preso com seus clones, um deles começou a se debater contra o aperto. “Me solte”, e Naruto a soltou. Eis que surge uma mulher, aparentemente nos seus quarenta anos, alta, magra e com cara de fresca.
— Quem é ela? — Naruto perguntou.
— Ela é uma mulher que contratamos de outro vilarejo para nos auxiliar na organização do Festival de Outono — explicou Shizune — contudo Tsunade recusou os seus serviços de forma — buscou bem a palavra certa, pois o olhar intimidador de Tsunade já decaía sobre ela — rude.
— Rude chega a ser gentileza comparada a forma como essa mulherzinha tratou-me! Saí de minha erma aldeia para ser humilhada por mulheres de Konoha, isso é um absurdo! Saiba que levarei sua grosseria por onde eu passar. Se está bem informada, os outros kages sempre utilizam do meu serviço para-
— Fala muito.
Dizendo isso, Tsunade sacou uma senbon e atirou num ponto vital do pescoço da mulher, surpreendendo não apenas os invasores por perderem uma líder, mas aos próprios súditos da Senju que assistiram a cena boquiabertos. Eles esperavam que ela berrasse ou desse uma surra na mulher, jamais que a matasse tão friamente.
— Está morta — Shizune constatou com desgosto ao medir a pulsação da mulher.
— Tsunade-baa-chan! — Naruto berrou, a raiva subindo pela sua cabeça, o tingindo de vermelho e mergulhando seu bom-senso é empatia.
— Poupe-me.
— Sinto muito, Tsunade-sama, mas uma atitude como esta pode incitar rebeliões não apenas na vila deles como nas outras da proximidade — Shino ponderou brandamente.
— Não estarei mais no poder quando o povo se enfurecer.
— Estará caída de bêbada em um cassino — ao ouvir a insolência de Naruto, Tsunade parou seu caminhar que seguia de volta à Central de Konoha. Ouviu aquelas palavras com a mesma amargura que ouvia afirmações de Jiraya sobre seus vícios demoníacos.
—E você estará contendo esse povo enfurecido — apontou para a jaula de insetos que prendia os invasores — Shizune, organize essa bagunça — e partiu sem acrescentar mais nada.
Os shinobi se encararam, Sai, Sakura e Sasuke indiferentes, enquanto os outros se indignavam com a atitude da Godaime que, mesmo explosiva, era sensata em momentos como esse.
— Não olhe assim para mim — Shizune falou chorosa para o Naruto que a encarava como se esperasse uma justificativa para a ação de sua mestra — Nem eu a reconheço.
— Então o que faz ao lado dela ainda? — Sakura se pronunciou, concentrada em curar os feridos, mas com os ouvidos atentos a tudo o que se discutia — Sabemos que não é corrupta, não preciso deixar público aquele exemplo — referiu-se ao roubo dos documentos confiscados na Anbu que provavam o envolvimento de Tsunade com os prisioneiros da Ilha Kamui.
— Ainda não posso deixá-la — respondeu com amargura.
— Precisamos tirá-la d-
Shino calou Naruto antes que proferisse tamanha afronta, mas não a tempo para Sasuke não vislumbrar a ideia e sorrir com compatibilidade de pensamento entre Naruto e ele. Ao lado dos corpos mutilados, o Uchiha sorriu com a possibilidade de seus objetivos serem alcançados mais rápido e facilmente.
— Tenha cuidado com o que diz e na presença de quem o faz — Shino o alertou, murmurando em seu ouvido. Naruto que estava pronto para reagir a abordagem, relaxou, mesmo com uma mão tapando sua boca e centenas de insetos apontando seus ferrões para sua garganta — Se os civis, infiltrados e shinobis escutarem algo, não sabemos como irão se comportar. Poderão fazer um complô tanto contra você quanto contra a Godaime, não é isso que queremos, certo? — Naruto entendeu perfeitamente o que Shino quis dizer superficialmente — Agora finja que eu o ameacei e me ataque.
Quando a briga começou, apenas Sakura havia percebido o propósito daquilo. Shizune precisou dar apenas uns gritos para os meninos com uma fúria teatral se separarem. A garota ria consigo mesma. O que os amigos de Naruto não fariam para salvar sua pele? De qualquer forma, a frase incompleta do Uzumaki havia sido decifrada pelos mais atentos. Algo fez com que Sakura se virasse para Sasuke bem a tempo de capturar o sorriso de um sonho utópico que rasgava sua face. Ninguém além dela percebeu que na mente do Uchiha a revolução que Naruto quase incitara já estava sendo maquinada.
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Assim que Tsunade dobrou a esquina do corredor que a levava para o gabinete principal, se deparou com uma figura peculiar a sua espera.
— Adiantada — comentou enquanto destrancava sua sala — Se não me engano, pedi para que me procurasse daqui cinco dias.
— Sairei em missão amanhã — justificou-se entrando na sala e fechando a porta atrás de si.
— Espero que tenha boas notícias. Essa porcaria de Festival da Ressaca me gerou uma dor de cabeça — apanhou um copo e encheu com saquê.
A garota se perguntava quem curava cefaleia com álcool, somente Tsunade. A mulher bebia há tantos anos que o álcool se tornara quase tão necessário em seu organismo como água.
— Como foi ontem? — a dita cuja puxou-a de volta para a realidade.
— Ahm... — corou — Foi uma noite agradável.
— O seduziu? — perguntou sem devaneios.
— Não! — corou mais ainda — Apenas conversamos.
— Eu sei que dormiram juntos.
— S-sim, sim. Mas não aconteceu nada.
— Não seria um problema se houvesse acontecido — bebericou a aguardente.
Hinata calou-se, estava extremamente envergonhada, não sabia o que responder. De fato, Naruto e ela dormiram juntos, ele havia tentado seduzi-la como um típico garoto embriagado após tentar embriagar uma garota também. Contudo, Hinata conhecia uma técnica para não ficar bêbada, ingeriu a mesma quantidade de álcool que de água, o que não desidratou o seu corpo e manteve seu organismo equilibrado. Sem contar que havia “forrado” o estômago com algumas frutas, pois previa que Naruto fizesse exatamente o que tentou fazer. Entretanto provar para Tsunade que absolutamente nada havia acontecido entre Naruto e ela era praticamente inútil.
— Bom, o que me conta?
— Ele se desviava de assuntos políticos, tentei manter uma conversa mais formal, contudo ele arranjava um jeito de fugir das resposta.
— Então você veio aqui para me dizer que não conseguiu nada?
— Sim e não — respondeu com um pouco de nervosismo, o que fez Tsunade a encarar com curiosidade — Com esse encontro eu percebi que seja lá o que Naruto tenha em mente, não vai revelar sob essas circunstâncias.
— O que quer dizer?
— Ele se empenhou a noite em me cortejar, ele não dá espaço para nada além de particularidades entre nós e isso dificulta as coisas.
— Invente outra desculpa, princesa Hyuuga. Naruto é ingênuo, o que eu quero ele facilmente poderia te dar, especialmente a você. Se não conseguiu persuadi-lo, do que mais posso classificar isso além de incompetência?
— Peço desculpas, mas garanto que a falha não é minha, Tsunade-sama. Subestimar Naruto foi o principal engano, ainda mais depois de todos os seus feitos. Ele não é tão bobo quanto aparenta — retrucava polidamente — A senhora contratou-me porque sabe que conheço Naruto como conheço a mim mesma, sem contrariar sua própria constatação, te digo que ele não é nada bobo.
— Meu engano foi achá-la capacitada para isso. Acreditei que você tivesse uma importância incomum para ele, algo que o fizesse se abrir, mas vejo que é apenas uma garota em sua vida — Hinata firmou suas mãos nas bordas da cadeira tentando segurar suas emoções.
— Talvez eu seja — disse mais para si mesma do que para a mulher à sua frente.
— E agora, o que eu faço com você?
— Esta é a segunda questão que me trouxe aqui. Considerando que eu não seja capaz, eu abdico esse serviço.
— Não tem permissão para isso, temos um contrato, lembra-se?
— Se não sou mais útil, não vejo razão para me manter nisso. Acredito que se contratar um dos amigos dele, até mesmo Shikamaru, poderá ser bem-sucedida.
— Não me diga o que fazer — levantou uma mão num gesto ameno para a garota se calar ou seroa obrigada a levantar seu tom de voz — Eu não vou dispensá-la porque desconfio de suas reais motivações — Hinata engoliu um seco e rezou para que a Godaime não percebesse — Te darei mais uma chance, mas não te darei muito tempo. Antes de sair em missão amanhã, eu exijo que me traga alguma informação útil.
— Tsunade-sama! — tentou protestar inutilmente.
— Do contrário, não preciso nem lembrá-la da pauta do contrato sobre quebra de acordo, preciso? — a garota negou com o olhar baixo, agarrando-se cada vez mais a cadeira para segurar o choro — Por hoje é só, pode ir.
A primeira insolência de Hinata foi virar as costas sem nenhuma reverência, e Tsunade percebeu. O tempo de se levantar e caminhar até a porta foi o necessário para seu peito explodir de angústia e transbordar lágrimas pela sua pele imaculada. A garota chorava porque se via encurralada. Certamente não conseguiria nada para a Hokage até o fim do dia, precisava de uma alternativa, contudo temia sua punição. Quando aceitou o serviço estava confiante que Naruto nada mais representava em sua vida, seria apenas um trabalho que lhe garantiria mais facilmente um espaço no Anbu, contudo seu coração era fraco, ela não tinha estômago para algo tão mesquinho quanto trair o garoto pelo qual ainda era apaixonada, mesmo depois de ter sido abandonada.
Percebendo que já se encontrava próxima de casa, numa rua específica, soube exatamente a quem recorrer.
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— Naruto, fora! — Sakura repetiu pela incontável vez a mesma sentença. Já estava preste a lançar um abajur na cabeça dele se continuasse a insistir.
— Pelo menos me diga por que de uma hora para outra está me mandando embora! — Naruto sabia o porque, mas queria ouvir da boca dela.
— Mas que inferno! Eu já disse, seu jumento! Sua casa está pronta, vá morar nela!
— Eu não quero voltar, quero ficar aqui, com você!
— Só que eu não quero nenhum marmanjo comigo! Que coisa! Estou falando russo? Quero-você-fora-da-minha-casa!
— Se minha casa está pronta há um tempão, por que só agora você tá me despachando?
— Porque não tive oportunidade antes.
— Mentira!
— Foda-se! A casa é minha, posso fazer o que quiser aqui, inclusive mentir!
Sasuke observava a discussão pacientemente sentado no sofá com seu saco de roupas ao lado.
— Tudo bem, eu saio — disse calmamente — mas você vem junto.
— Mas nem sob genjutsu!
— Duvido! Sasuke, Tsukuyomi² nela! — o Uchiha revirou os olhos nublados. Estava claro que não o ajudaria.
— Vai para a porra, Naruto! — o abajur foi lançado e quase acertou a testa do Uzumaki. Sakura estava pronta para acertar um enfeite bizarro feito de cobre, sua determinação em acertá-lo era tangível em seu olhar. Temeroso, Sasuke levantou-se e chamou Naruto.
— Pare de se humilhar, vamos logo.
O louro com ambas as mãos na cabeça afrouxou o aperto e ficou ereto, encarando Sakura com maior seriedade. Ela manteve seu olhar firme, a mão com o objeto ameaçador ainda erguida, pronta para atacá-lo caso persistisse.
— Fora — sentenciou pelo última vez. Naruto pegou sua mochila em cima do sofá e saiu encarando a anfitriã. Passou pela porta e a deixou aberta.
Antes de Sasuke ir atrás do amigo, perguntou com o orgulho reprimido como ficaria seu tratamento. Não podia negar para si nem para ninguém que precisava de Sakura para voltar a enxergar e reestabelecer seu corpo.
— Venha nas minhas folgas — disse suspirando e sentando-se no sofá. Toda e qualquer briga com o Naruto esgotava suas forças — Por causa dessa nova formação de time fajuta meu cornograma está uma bagunça, mas dou um jeito de deixá-lo informado — Sasuke assentiu em agradecimento — Você sabe que somente a base de milagre você ficará cem por cento, né? — Sasuke desviou o olhar para algum canto, embora parecesse se concentrar em algo, Sakura sabia que ele mal conseguia focar — Ao sair, feche a porta.
Sakura não o olhou. Algo dentro de si se remexia para que ela fitasse a expressão naquele rosto apático, que encontrasse algo ali que provasse sua humanidade, que revelasse aquele menino, rabujento porém dócil, que a havia abandonado há anos atrás, contudo só conseguia sentir repulsa e misericórdia do seu misericórdia de seus fardos. Ela não se esqueceria tão cedo do sorriso peçonhento que encontrou nos lábios pálidos dele ao ouvir Naruto assumir que Tsunade precisaria ser tirada do poder Konohagakure.
Pensando nisso ela quase se arrependia de ter tirado os dois debaixo de suas asas, pelo menos ali a importunando, ela tinha certo controle do que faziam e até do que pensavam, eventualmente. Agora ficaria difícil. Esperava não se arrepender demais, pelo menos não com o Naruto.
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Não muito distante, três ninjas mercenários pararam num chalá para descansar após uma caminhada de mais de seis horas na densa floresta entre as duas grandes nações ninja. Dois homens, uma mulher e sua criança.
— Se acelerarmos o passo conseguiremos chegar à Konoha antes que escureça — disse a ruiva alimentando a cria com pedaços de legumes.
— Já está sentindo o chakra do Uchiha desgraçado? — o homem de dentes de serrote perguntou enquanto cutucava as presas com um palito.
— O chakra dele é inconfundível — Juugo a observou com interesse — Que foi?
— Ainda não entendi o objetivo de procurá-lo.
— Particularmente eu quero resgatar o que é meu por direito. E se eu não estou enganada sobre as leis de Konoha, o que eu quero pode ser tão útil para Sasuke quanto para mim.
— O que nos garante que ele irá concordar com você, Karin? — Juugo insistia, pois embora tenha concordado em seguir aqueles dois, ele via mais desvantagens do que benefícios em ressurgir no País do Fogo.
— Eu avisei para ela... — Suigetsu acrescentou ainda polindo as frestas entre os dentes de tubarão.
— Fala isso de enciumado!
— Estou pouco me fodendo para você, Karin, te garanto!
— Vá à merda — explodiu — Foi o primeiro afiar as armas e aprontar tudo para virmos.
— Não exclusivamente por você.
— Pelo meu filho, dá na mesma!
— Ainda assim, não vim só por ele — Juugo migrou seu olhar de Karin para o homem — Konoha tem algo confiscado que eu desejo muito.
— Não preciso pensar muito para saber o que é — revirou os olhos.
— Não somente — sorriu malicioso. Karin o olhou com um misto de raiva e preocupação — Para benefício de todos nós, é melhor andar logo com essa comida. Não quero pernoitar na floresta.
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