Strokes
36 New ally
Notas iniciais
— Shikamaru, precisa nos ajudar!
— Estou ajudando tanta gente ultimamente...
— Shikamaru, é a Tsunade!
— Eu sei, Sakura. Estava indo resolver isso agora mesmo.
— Então você sabia do que estava acontecendo?
— Sobre a mulher que ela matou ontem? Sim, eu fiquei sabendo.
— Então não sabe nem da metade. Vamos nos encontrar com Kakashi e Shizune, no caminho explicamos.
— Naruto, calma. — Shikamaru parou Naruto com sua mão esquerda espalmada no peito dele — Se quer que eu vá à algum lugar com vocês, terá que me explicar antes de eu sair daqui — impôs. Temari deu um singelo sorriso vitorioso. Acreditada ter ganhado o marido por mais algumas horas.
— Shikamaru, a Hinata está abandonando a vila porque está sendo ameaçada pela Tsunade-sama! — Naruto explicou.
— Agora pergunta por que ela está sendo ameaçada — Sakura revirou os olhos.
— Provavelmente por traição — o Nara supôs.
— Como você sabe? — Naruto indagou surpreso.
— Como vocês não sabiam?
Os companheiros do extinto Time 7 se entreolharam. Era vergonhoso três grandes ninjas não desconfiarem de nada.
— Fala sério, Shikamaru! Quem desconfiaria da Hinata? Ela... Ela nunca faria isso se não fosse chantageada para fazê-lo.
— Homens... — Temari murmurou rindo da inocência do Naruto, em seguida sumiu nos fundos da casa. Estava farta de tanta confusão.
— Eu não desconfiaria que a Ino estivesse dormindo com o Sasuke para coletar informações. É uma ideia absurda demais. Ino se habilitaria para dormir com ele de graça, sem cerimônia. Realizaria um fetiche. Sem contar que, conversar com o Sasuke é como conversar com uma caverna. Você fala consigo mesma, e o que ouve, é apenas um eco do que você disse — Sakura o lançou um olhar feio.
— Está certo que, pela personalidade e pelo passado das meninas, era mais difícil desconfiar delas, contudo o Sai é uma pessoa suspeita por si só. — Shikamaru fitou Sakura por mais tempo do que fitou os outros. — Ele já foi da extinta Anbu Ne, pupilo de Danzou, que por acaso foi morto pelas mãos do Sasuke.
— Estamos todos chocados com esse motim de espionagem, mas não acredito que Sai seria tão baixo a ponto de querer vingar Danzou prejudicando não somente o Sasuke que o matou, mas a Sakura e eu também. Ainda mais servindo a Tsunade, quem ele pouco considera.
— Naruto, entenda que alguém como Sai não pode ser confiável. Alguém que sorri quando está pronto para te matar.
— A Sakura-chan faz isso e eu confio muito nela! — exclamou.
— Mas a Sakura não foi treinada para ser uma máquina de espionagem e assassinato; não serviu uma ramificação da Anbu que, ao invés de servir a hokage, servia Danzou — encostou numa parede e bateu as mãos nas laterais do corpo — Poderia fazer diversas comparações de caráter, entretanto eu tenho preguiça e vocês têm pressa. Deu para entender que Sai não é o rapaz ingênuo que se apresentou para o Time 7.
— Nunca o achei ingênuo — Sakura falou.
— E provavelmente também nunca se achou ingênua ao ponto de deixar-se enganar. — Desistindo de procurar os cigarros, Shikamaru sentou-se na varanda, como fazia quando Naruto ia consultá-lo em busca de conselhos — O que querem de mim? — indagou fitando o jardim, ou algo muito além.
— Você é mais inteligente do que todos nós juntos — Naruto começou —, precisamos da sua ajuda para criar uma estratégia para derrubar Tsunade.
— Derrubar? Literal e figurativamente, essa é uma coisa que eu não os ajudaria a fazer.
— E por que não? — Sakura exclamou descendo os degraus da varanda e parando na frente do Nara — Não vê que ela enlouqueceu? Está nos tratando como se fôssemos criminosos!
— Não que eu concorde com as atitudes dela, mas levando em consideração o trabalho que Sasuke nos deu e sua recente saída do cárcere, tê-lo perto de vocês não dá uma impressão muito boa, mesmo que no momento ele esteja colaborando. Tsunade sabe a devoção que vocês têm por ele e isso deve intimidá-la.
— Shikamaru, nós sabemos por que Tsunade está fazendo isso, porém não concordamos. Se o problema é o Sasuke, que ela o jogasse de volta na cela ou entregasse a responsabilidade para outras pessoas.
— Ela não tem que fazer nada com o Sasuke. Ele colaborou muito na guerra, se não fosse o Sasuke, ainda estaríamos presos no Mogen Tsukuyomi e ela não teria chakra nem para fingir que não é velha — Naruto falou para Sakura.
— Não vê que ela começou com essa palhaçada depois que Sasuke foi morar com a gente? As missões forjadas, a babaquice toda, tudo para comprovar se somos leais à ela ou não. Foi uma jogada tão imbecil que me sinto envergonhada de dizer que foi com ela que eu aprendi a ser uma kunoichi! — esbravejava. — Se não quiser nos ajudar, Shikamaru — Sakura se virou para o moreno —, diga agora, pois não temos tempo a perder. Provavelmente os Anbu fofoqueiros estão percebendo nossa movimentação e ela já está tomando providências — Shikamaru ri.
— O álcool subiu a cabeça de Tsunade, disso eu não tenho dúvidas. Contudo, vejo uma tênue linha de razão do que ela faz. No lugar dela, eu também os testaria, de uma maneira diferente e imparcial. Sasuke não é qualquer pessoa — fitou o Uchiha com um sorriso de canto. Shikamaru não confiaria nele nem em cem anos —, e considerando a importância que você e Naruto têm para ela, Sakura, é até compreensível, embora absurdo demais.
— Não nos deu sua resposta.
— Eu ia investigar, a pedido de Shizune, sobre a mulher que ela matou essa manhã enquanto todos os jounins estavam adormecidos. Estou preocupado porque, se ela for alguém importante para vilas aliadas, poderemos dar início à uma nova guerra civil — Naruto engoliu um seco. — Somente em casos extremos a hokage deve interferir. Pelo que eu sei, não foi nada tão grave. O veneno estava na bebida, insípido, inodoro e incolor. Nem bebi muito, mas o pouco que tomei, me deixou grogue. Realmente não me lembro de nada. Quando acordei, senti uma dor incômoda nessa região — apontou a barriga —, assim como dezenas de jounins que acordavam gradualmente num campo aberto, um pouco afastado da área central da vila. Mas isso não vem ao caso. Eu não sei o que querem fazer, como posso dar uma resposta?
— Shikamaru, estou ficando extremamente irritada — disse entredentes. Sakura e Naruto já haviam explicado mais de uma vez.
— Shikamaru-chan — Naruto se colocou na frente da Sakura — eu já disse, queremos tirá-la de lá agora! Com certeza ela está caduca! — Shikamaru riu.
— Aí você assume o lugar dela? — Naruto arregalou os olhos, espantado e ofendido.
— Não! Baka! — gritou — Já disse à Baa-chan que renuncio — falou num tom mais sério do que o usual. Sakura entreabriu os lábios em surpresa — Se isso é ser hokage, eu não quero. Não demos motivos para isso. Nunca pensei que ela pudesse usar até a Hinata para nos atingir. Eu não aceito ser hokage e não aceito uma hokage assim.
— Você vai renunciar? — Naruto assentiu desviando o olhar — Por causa disso? Naruto, esse era o seu sonho! — Sakura o agarrou pelos ombros e sacudiu.
— Não é só por causa da Tsunade — retirou as mãos da amiga de seu corpo —, também não me sinto preparado.
— Também acho que não — Shikamaru concordou. — Você se mostrou um shinobi espetacular, contudo não é somente a força que forma uma hokage — deu um leve cascudo no topo da cabeça do Naruto — sabedoria é o requisito principal.
Houve um breve silêncio, os segundos necessários para Naruto processar aquilo e voltar para o plano real. Quando Shikamaru cruzou o olhar com o de Sakura, não esperou a garota instável lhe dar um beliscão para parar de enrolar.
— Primeiro vou investigar quem era a mulher que nos envenenou. Dependendo do grau de importância dela, Tsunade pode ter problemas. Vocês podem fazer uma troca, uma última missão, um último favor.
— Não quero mais ajudá-la, quero que ela deixe a maldita capa de hokage e vá direto para um asilo! — disse Sakura.
— Ela irá ser removida se não cooperar. Sejam mais espertos, vocês têm a faca e o queijo. Os documentos que Shizune e Kakashi conseguiram têm a prova de um erro grave, já que Tsunade esqueceu-se dos direitos humanos ao resolver uma crise os induzindo a eliminar dezenas de ninjas criminosos, simplesmente porque não havia mais espaço ou recurso na prisão para abrigá-los.
“Eu os mataria de qualquer forma”, Sakura pensou.
De tudo o que Tsunade tem feito, ela até agradecia por tê-la colocado no caminho daqueles que tornaram sua vida em um pesadelo real. Ela até agradeceria Tsunade por ter lhe dado a oportunidade de vingar-se com as próprias mãos.
— Se esses documentos caem nas mãos do Senhor Feudal, Tsunade pode até ser sentenciada de morte.
Naruto e Sakura ficaram tensos. Queriam justiça, contudo a morte da Tsunade não era nem de longe o que almejavam.
— Não queremos isso! — Naruto exclamou.
— Eu sei que não, só estou dizendo que o pescoço dela estará com os dias contados se esses documentos cheguem anonimamente à um líder maior. — Sasuke ponderou as possibilidades disso acontecer. Ao contrário de Naruto e Sakura, ele não se importava de ver a cabeça da Godaime rolar — Outra coisa que poderá deixar não somente ela mas a vila toda em risco, é o episódio desta manhã. Confesso que estou torcendo para aquela mulher ter sido somente a organizadora de eventos das aldeias, e que isso não represente muito para os outros kages.
— Então sua estratégia é chantageá-la? — Sasuke indagou pela primeira vez.
— Também. Os três, mais a Hinata, poderiam tentar mostrar definitivamente sua lealdade e se redimir (no caso do último indivíduo) salvando a reputação, e quem sabe a vida da Senju-hime. Em troca ela os deixa em paz. Sakura pode exigir seu colete de jounin, Naruto seu treinamento intensivo para kage, Hinata seu pedido de absolvição do Clã Hyuga e Sasuke, obviamente, poderia pedir sua liberdade, seu Distrito Uchiha, sua herança e indenização pelo crime dos antigos anciões.
Sasuke vislumbrou a possibilidade de ter tudo de volta sem se esforçar mais, sem fingir, sem suportar, sem esperar tempo nenhum. Só mais uma missão tola e tudo estaria resolvido. Mas havia um problema:
— E se Tsunade não cumprir com a promessa quando retornarmos? — Esta era a preocupação dos outros dois também. E se ela não honrasse a dívida?
— Teremos um plano extra que, por hora, não convém ser constituído. Vamos tentar uma resolução pacífica e ver no que vai dar. Vocês concordam?
Naruto assentiu, pensativo, porém de acordo em não causar mais tumulto e discórdia com a baa-chan.
Sakura concordou porque sabia que no momento em que encarasse Tsunade, saberia que não conseguiria lhe fazer nenhum mal, embora disse e soubesse que tentaria. Ela era sua mestra. Tudo o que sabia era graças a ela. Não poderia simplesmente mandá-la para o inferno com um chute nos seus enormes peitos. Ela era como uma mãe, apesar de tudo. Acreditava que já passara da hora dela se aposentar, voltar para a cidadezinha pacata de onde foi tirada e terminar a vida fazendo o que mais gosta: jogar e beber.
Sasuke, por sua vez, queria ver um show acontecer. Uma rainha tendo a coroa derrubada por seus discípulos mais próximos. Era cina de sannin, somente Jiraya escapara morrendo pelas mãos do Pain. O Uchiha decidiu que não iria depender do plano B de Shikamaru, não iria pagar para ver e perder. Ele tinha seu próprio plano, sua própria carta na manga e a usaria se preciso.
— O que fazemos agora? — Sakura perguntou retirando suas luvas de combate.
— Precisamos nos reunir, sem nos juntar literalmente. Naruto, você precisa encontrar a Hinata, sem deixar-se ser visto. A introduza dentro do plano e diga para ela ir direto para a casa do Kakashi.
— Por que lá?
— Porque se vocês estão sendo vigiados e entram todos na minha casa, vão acabar me envolvendo mais nisso e colocando não só eu como a Temari também em risco — Naruto meneou a cabeça — Sakura, busque Shizune e Sasuke, busque Kakashi. Os dois também digam as mesmas coisas para eles, contudo vão para suas próprias casas em seguida. Ou sigam a rotina normal de vocês, não sei. Somente ajam normalmente enquanto eu converso com os outros três.
— E quando agimos? — Sakura pergunta, ansiosa.
— Preferem esperar até amanhã?
— Não! — Os três responderam juntos.
— Então eu manderei um sinal quando for a hora certo. Os vejo mais tarde.
Fale com o autor