Strokes

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Notas iniciais
Perdoem-me me demora, meus amores! Gostaria de agradecer a todos os reviews, o apoio, a paciência e o carinho de todos vocês! Também agradeço, e parabenizo, a sinceridade de vocês ao deixarem sempre explícito o que não gostam da fanfic. Principalmente sobre os rumos que ela toma... Não é à toa que chama-se "strokes", porque há vários cursos em uma história só. Boa leitura!

Ainda não era meio-dia quando Sasuke e Sakura chegaram ao pequeno porto. As últimas bagagens estavam sendo etiquetadas, seladas e levadas para dentro do navio. Era um navio de pequeno porte, parecia bem conservado. Sakura decidiu não ponderar muito sobre a integridade do transporte, a distância da costa do País do Fogo até o País do Redemoinho era pouca, em breve estariam em terra firme e a bordo de um navio maior e melhor.

Quando avançaram alguns passos para cruzarem a rampa, um homem alto de meia idade, braços peludos e odor de animal morto os barrou — sem tocá-los. Sasuke imaginava o quão sábio o homem tinha sido quando evitou os tocar, isso lhe deu um motivo para parar e escutá-lo sem causar problemas, diferente de Sakura, com seu gênio marrudo, que parecia estar pronta para avançar na jugular da figura a frente deles.

— Documentação primeiro — pediu com a mão estendida. Sakura entregou ambos registros ninjas e a autorização da Hokage.

— Então você é o famoso Uchiha — abriu um sorriso para o Sasuke que apenas confirmou — e você a formosa discípula da Senju Tsunade — mediu Sakura dos pés à cabeça.

— Meu nome é Haruno Sakura — informou entredentes.

— Sim, sim. Sakura — reparava em ambos com distinta admiração — Kaname! — gritou para alguém em cima do navio — Temos dois shinobis especiais. Acomode-os da melhor forma possível.

— Estamos com nossa lotação máxima — informou.

— Deixe para trás algumas mulheres...

— Não! — exclamou — Nós ficamos em qualquer lugar — Sakura interviu.

— Jamais! Os salvadores do mundo precisam de um tratamento diferenciado! — quando o homem estava prestes a tocar no queixo de Sakura, Sasuke agarrou seu braço gordo num reflexo ágil. Sakura nem sequer piscou. Encarava o homem como se o desafiasse a algo — Ah! — gargalhou — Entendi, entendi! São um casal! — gargalhou novamente — Faz sentido. Perdoe minha indolência, Uchiha! Seria um inocente afago. Mulheres gostam de afagos — voltou-se para Sakura com um olhar cínico.

— Eu não gosto — desmentiu com o olhar igualmente duro.

— Vejo que herdou o temperamento da mestra — comentou dando-lhes as costas e subindo a rampa do barco. Sasuke e Sakura o acompanharam com cautela — Sabem, jovens, eu já fui como vocês há muito tempo — dava ordens para os homens de trapos preparem tudo rapidamente para zarpar — Forte, novo, bonito! — deu uma risada podre de dentes vencidos — Estive na terceira guerra, ganhei isto de lembrança: — mostrou o cotoco do braço — Ou melhor, eu perdi — corrigiu tapando a deficiência com o humor negro inflado — A guerra é dura! Vi coisas das quais ninguém imagina. Cenas horríveis. Decidi que essa história de ser shinobi não era coisa para mim!

— Como conhece Tsunade-sama? — Sakura indagou.

— Ela quem cuidou disto — balançou o restante do seu braço — Você também herdou o poder de cura dela?

— Sim.

— Ah, que ótimo! — exclamou — Veja, Kaname! — gritou novamente o jovem de trapos — Temos uma médica a bordo! — Os olhos do garoto pareciam brilhar com a notícia.

— Por que a pergunta? — indagou novamente com curiosidade.

— Temos tripulantes doentes no navio. Seria muito bom se você nos ajudasse.

— Onde estão?

— Calma! Descansem primeiro, logo serviremos o almoço. À tarde peço para Kaname levá-la até os doentes — sorriu para os dois exibindo os dentes que não possuíam mais nenhuma parte branca sequer — Sintam-se à vontade! — saiu com uma reverência.

Assim que o sujeito tomou distância, Sakura se colocou à frente de Sasuke e disse:

— Esse cara é muito estranho — Sasuke sorriu e fitou o horizonte.

— Você achou que eu pensei o quê? — um sorriso de deboche repousou nos lábios finos e ficou.

— Só estou comentando para você ficar de olho nele também, babaca! — encostou no parapeito de braços cruzados, e Sasuke permaneceu escorado com os cotovelos admirando a vista do lado oposto.

Sakura o observou por uns instantes. Os olhos apertados, o maldito sorriso nos lábios, os cabelos ricocheteando contra o vento. Ele sequer queria parecer bonito, era só como ele era ali sem fazer absolutamente nada de espetacular além de receber a luz do sol e a brisa da maré. Tanta beleza... Tanta arrogância...

— Enquanto eu estiver examinando os tripulantes doentes, você poderia averiguar o navio.

— Prefiro ficar perto de você.

— Por quê? — indagou como se aquilo não fizesse o menor sentido.

— Caso o palhaço tente alguma coisa.

— Não recebi uma bandana para enfeitar minha cabeça — respondeu ríspida.

— Eu sei, mas...

— Sasuke, você exigiu respeito, eu exijo o mesmo para comigo.

— Não é desrespeito, é proteção.

— Eu dou outro nome para isso: — aproximou-se do ouvido do Uchiha — ciúmes. — Sakura lançou um olhar desapontado, deixou-o confuso. Pouco depois, saiu dali sem dizer aonde iria.

.o0o.

— Você é o Kaname, certo? — Sakura o abordou de maneira simpática, porém ele estremeceu como se tivesse acabado de ouvir uma ameaça.

— Sim — respondeu gago.

— Pode levar-me aos pacientes?

Kaname não respondeu. Depois de um tempo, caminhou para mais perto dela, olhava constantemente para os lados, cauteloso, como se estivesse prestes a contar um segredo ou cometer um crime, e de repente, falou.

— Procure-me amanhã cedo que eu a levo.

— Mas por quê?

— Tome esta chave — estendeu — É a chave do meu quarto. Você tem que pernoitar lá com o seu homem.

— Ele não é o meu homem — negou com uma careta, a chave estava gelada sobre sua mão estendida.

— Finja só por esta noite que ele é.

— Dá para você me explicar o porquê disso tudo? — Sakura o impediu de afastar-se com um aperto no braço.

— Confie em mim, em mais ninguém — sussurrou trêmulo — Só assim conseguirão chegar ao País da Água em segurança.

Assim que Kaname terminou de falar, Sakura o libertou. Ele fugiu como um rato. Não era necessário muito esforço para notar que o sujeito que os abordou na rampa, cujo nome ainda não sabiam, era um tanto quanto peculiar. Contudo, Sakura não imaginava que houvesse algo maior por trás do sorriso putrefato.

Sasuke durante o dia fez uma varredura nos pontos acessíveis do navio, que não eram muitos. Estranhou a falta de pessoas para uma embarcação com sua lotação máxima, como informara Kaname, contudo imaginou que estivessem em seus cubículos. Só havia alguns pescadores e os marujos andando pelo perímetro.

Curioso, Sasuke indagou para um homem pouco mais velho do que ele qual a capacidade do navio. O homem respondeu que havia espaço para quarenta pessoas, pois há quatro camas por cubículo.

— Kaname disse que o navio está com sua lotação máxima, mas eu não vejo toda essa gente.

— Ah, é porque as mulheres...

— Shh — outro homem ao lado desse que falava pisou com força em seu pé como forma de advertência. Ele logo calou a boca.

— Não vi mulheres, nem os tais pacientes doentes dos quais a Sakura irá cuidar.

— Por que não tenta relaxar um pouco, garotão? — o homem que silenciou o primeiro bateu levemente nas costas de Sasuke.

— Quero que ele termine de falar — Sasuke apontou para o moço silenciado.

— Kyowa não tem muito a te dizer! Me escute — trouxe Sasuke para mais perto de seu rosto sujo e barba mal feita — Se quiser, eu trago-lhe mulheres e bebidas. Temos um sakê maravilhoso saqueado daquela ilha — apontou para o horizonte — Estamos temerosos em servir-te esses mimos pois o capitão nos alertou sobre a patroa — deu uma risadinha infame — Não queremos ver uma mulher ciumenta naufragando o nosso navio!

— Takumi! Não seja grotesco, ele é um shinobi honrado! — Kyowa interviu.

— Ora! Shinobi honrado, shinobi não honrado, ainda é um homem com desejos carnais, não é mesmo, Uchiha? — Sasuke deu um singelo sorriso de lado — Tome esta chave. É do quarto cubículo. Quando quer que levemos os presentes?

— Depois do jantar — Kyowa arregalou os olhos, em um instante surpreso, em outro, extremamente desapontado pela resposta do Sasuke.

— Certo — deu um tapinha no ombro direito do Uchiha — Seremos pontuais — retirou-se de perto do Uchiha, Kyowa em seu encalço.

Sasuke daria corda, tinha tempo e paciência. Uma hora ou outra um babaca iria dar o nó clássico e se enforcar. De repente, mesmo sem fome, Sasuke sentiu-se ansioso pelo jantar.

.o0o.

A mesa estava farta. Quando Sakura rolou os olhos pelo cômodo composto somente pela enorme tábua de madeira e as almofadas, encontrou Sasuke já sentado e terminando sua refeição. Ele a encarou por uns instantes, mas sua feição era impassível.

— Ora! Por que o casal está sentado tão longe um do outro? Por acaso houve alguma briguinha? — o capitão percebeu a situação e se intrometeu.

— Não somos um casal — Sakura revelou. Todos da mesa se espantaram.

— Mas disseram que eram! — o capitão retrucou com um fingimento de desapontamento.

— Nunca dissemos isso, você quem supôs — Sakura respondeu antes de dar uma colherada numa sopa.

A mesa ficou em silêncio, mas ela não fez questão de erguer os olhos para encarar os rostos sujos e sorrisos asquerosos. De repente começou a indagar a si mesma qual das mãos imundas havia preparado a comida. Um gosto peculiar que sentiu na primeira colherada não parecia ser um reflexo da repulsa que rondava a sua mente, era um gosto real... Lentamente ela olhou para o Sasuke, ele também havia percebido. Lentamente deixou a colher ao lado do pote e apanhou uma fruta.

— Não irá comer nossa iguaria, querida?

— Estou um pouco enjoada, vou ficar com uma fruta — sorriu sem graça para o capitão. Logo ela deixou de ser notada, o gordo da ponta e os marujos começaram a beber e comer de boca aberta e conversar sobre mulheres e aventuras em alto-mar.

Sasuke retirou-se da mesa, não a esperou terminar. Dois homens se levantaram e foram atrás, mas Sasuke pareceu familiarizado com eles. Sakura sentiu-se uma idiota. Sasuke claramente não dava a mínima para o que fizessem com ela ou que deixassem de fazer. Era realmente ridículo imaginar que Sasuke sentia ciúmes dela, se fosse verdade, ele não a deixaria no meio de um monte de machos.

— Onde estão os doentes? — indagou. Mesmo falando baixo, somente para o capitão, a mesa se silenciou.

— Estão em seus aposentos — o capitão respondeu calmamente.

— E eles não comem?

— Levamos comida para eles.

— Não vi ninguém ao decorrer do dia.

— Como eu disse, eles ficam em seus aposentos, não saem das camas.

— Já pode me levar para examiná-los?

— Agora não. Está muito tarde. Amanhã de manhã, tudo bem?

— Amanhã de manhã estaremos chegando no País do Redemoinho.

— Sim, você aproveita, compra remédios e qualquer coisa do tipo que precisar, e seguimos viagem para o País da Água.

— Mas Sasuke e eu íamos pegar outra embarcação para irmos ao País da água.

— Que outra? — o capitão e a tripulação riram — Somente nós seguimos a escala entre País do Redemoinho e País da Água — Teremos tempo minha querida, não se preocupe.

.o0o.

Sasuke coloca a chave na fechadura, porém quando tentou girar a chave, percebeu que a porta já estava aberta. Quando ele entrou, se deparou com uma mulher ajoelhada sobre um colchão posto entre duas camas de beliche. Ela estava enrolada em um lençol que um dia deveria ter sido branco, usava brincos e um batom cor de vinho. Timidamente, ela levantou o rosto para encarar Sasuke, estava rubra como um tomate.

— Feche a porta — pediu. Sasuke fechou e trancou. O buraco da fechadura era largo, daria para alguém espiar, então ele tirou o lençol de uma das camas de beliche e pendurou na maçaneta de modo que ninguém pudesse olhar através.

Assim que Sasuke começou a tirar as sandálias para subir no colchão, a mulher avançou para tirar sua calça, não se importou com o lençol escorregando e revelando as partes íntimas do seu corpo. Ela estava apressada, queria terminar logo com aquilo.

— Para — Sasuke a impediu de toca-lo segurando ambas as mãos frágeis. Ele fitou o corpo da menina, o corpo inteiro frágil, magro, sem cor — Vista-se — tirou a própria camisa e deu a ela, que ainda tímida e temerosa, vestiu e enrolou o lençol por cima.

— Você não gostou de mim? Vai pedir para trazerem outra? Estão todas doentes! Eu sou a mais saudável, e eles dizem que também sou a mais bonita. Não vão te trazer outra melhor.

— Fala baixo — Sasuke mandou e ela imediatamente calou-se — Você irá me contar algumas coisas — mostrou a banha da arma — Em troca eu te darei o que quiser.

— Você não será capaz! — zombou.

— Tem ideia de quem sou eu?

— Um peregrino mimado bancando uma de príncipe para fazer com que seja menos doloroso para mim — o encarou — Outros vieram com falsas promessas e... — Sasuke ativou o sharingan e a mulher se calou — V-você é um...

— Uchiha.

— Sim — concordou em um sussurro — Mas o q-

— Você vai me contar tudo. Se não fizer isso espontaneamente, você sabe que posso forçá-la somente com o olhar.

— Sei, sei sim. Eu vou contar tudo — balançava a cabeça freneticamente.

— Comece.

.o0o.

Sakura seguiu para o aposento do Kaname. Os lençóis estavam limpos, o quarto organizado, parecia ter sido limpo e perfumado há pouco tempo. Havia porta-retratos com fotos de pessoas que Sakura julgava serem da família do homem, objetos, produtos de higiene, roupas, enlatados. Tudo organizado sobre os colchões das camas de beliche inutilizadas, ambas de cima. As duas camas de baixo estavam vazias, com os lençóis dobrados e passados e com os travesseiros amaciados.

Quando pisou sobre determinada parte do tapete, a madeira chiou de um modo distinto. Afastou-se e observou uma elevação sutil. Quando ergueu o tapete, percebeu que havia uma espécie de portinha de porão e de sótão. Antes de averiguar, trancou a porta e apagou a luz do cubículo, quando assim o fez, uma luz amarela ficou evidente saindo pelas frestas.

Sakura estava com o rosto colado no chão, observando o pouco que conseguia enxergar. Decidiu pedir auxílio: invocou a Katsuyu em tamanho diminuto para observar por ela:

— O que vê? — Sakura perguntou afobada para a outra parte da lesma que permaneceu no quarto.

— Mulheres e crianças. Algumas doentes. Devo curá-las?

— Não agora. Me diga sobre o que conversam?

— Estão contando histórias. Parece que são histórias sobre o passado delas.

— Vou descer. Tem certeza de que não há homem algum?

— Sim.

— Obrigada, Katsuyu. Pode descansar.

— De nada, mestra! — Katsuyu desapareceu como fumaça.

Sem cerimônias, Sakura ergueu a pequena portinha. Imediatamente todas as cabeças voltaram-se para ela, que desceu silenciosa e rapidamente. Ela estava no porão no navio. Havia pelo menos umas trinta mulheres mais uma dúzia de crianças. Lá embaixo fedia. Enquanto ela caminhava, todas a observavam temerosa, em silêncio, mal piscavam. Sakura seguiu para uma fileira de corpos enrolados em lençóis brancos, eram mulheres pouco mais velhas do que ela própria, estavam febris, Sakura não precisava nem encostar para saber.

— Quem é você? — Alguém indagou às suas costas. Sakura virou-se e se deparou com uma menina de cerca de dezesseis anos.

Observou que todas vestiam trapos de vestidos ou se enrolavam em panos.

— Haruno Sakura.

— Das histórias? — uma menina indagou com os olhos brilhantes e um sorriso de esperança.

— O que faz aqui? — a mesma menina desnutrida de tom indolente indagou — Se você fosse quem diz ser, não deveria ter sido capturada pelo energúmeno do Ikaru! — cuspiu no chão.

— Não sei quem é Ikaru.

— O capitão! — alguém informou.

— Será que estão mortos, por isso ela não o viu? — uma jovem loira perguntou para a outra do seu lado.

— Não seja tola, Kawari! Há pouco vieram requisitar uma, logo voltam para requisitar o resto de nós! — respondeu uma mulher mais velha com uma criança adormecida no braço.

— O que vocês fazem trancafiadas aqui? — Sakura perguntou.

— Somos escravas deles!

— Limpamos, cozinhamos!

— Somos obrigadas a nos deitar com eles!

— Se não obedecemos, somos jogadas no mar.

Sakura ouviu cada uma delas em silêncio. Já esperava encontrar algo muito ruim a respeito do capitão, mas aquilo era desesperador.

— Vai ficar com essa cara indiferente? — a única menina em pé no meio do porão perguntava. Dezesseis anos. Pelo o que já teria passado?

Sakura não conseguiu dizer uma palavra. Virou as costas novamente e abaixou-se diante da fileira de mulheres desacordadas.

— Não seja indiferente, fala alguma coisa!

— Fala baixo! — Sakura ordenou virando a cabeça para olhá-la — Se quer sair dessa merda, fique quieta e colabore! — quando notaram as lágrimas escorrendo pelo rosto de Sakura, todas, sem exceção, se calaram e tomaram consciência de que havia ali uma esperança.

Uma a uma Sakura começou a curar: das onze desacordadas, oito estavam por conta de ferimentos que infeccionaram, três por conta de aborto sem curetagem. Ela cuidou rapidamente de todas com ferimentos, não tratou completamente, deu instruções para a moça menos leiga em enfermagem para limpar e tampar as feridas com panos e água limpa que em breve iriam sarar, e logo a febre passaria para todas as oito. Quando ia dar atenção a primeira mulher que delirava de dor por conta do aborto, a outra passagem rangeu, e a menina que estava ao seu lado sussurrou para que ela se escondesse. Rapidamente Sakura se embrulhou em um lençol e se pôs ao lado das doentes.

Jogaram uma jovem de lá de cima. Magra, ruiva, com a camisa do Sasuke cobrindo a sua nudez. Os capangas não desceram, trancaram a porta em seguida. Sakura calmamente ergueu-se. A garota sorria de orelha a orelha, a Haruno sorria de ódio do Uchiha.

— O que aconteceu? — uma das garotas que estava encostada na parede rastejou-se para a recém-chegada.

— Um homem — sorriu olhando para todas — Jovem, belo e forte — devaneava. Estava de costas para Sakura, ainda não a tinha notado.

— Mais um turista usurpador! — uma mulher supôs.

— Não! Ele não! — garantiu a ruiva — Ele é um shinobi de Konoha. Ele é o Uchiha, olhem! — mostrou a insígnia do clã do Sasuke — Ele me deu a sua roupa para eu vestir.

— Ele contou alguma história?

— Sim, precisamos de novas histórias! Aventuras de heróis verdadeiros...

— Não — respondeu a ruiva.

— Só deitou-se com ele?

— Também não. Ele não quis, acreditam? — todas se espantaram — Eu bem que queria... — Todas riram, menos Sakura — Ele parecia um anjo... — dizia enrolando a ponta do cabelo nos dedos.

— E o que fizeram esse tempo todo?

— Ele quis saber tudo o que se passava aqui, e eu contei. Ele disse que irá nos libertar!

— Você é louca?! — a mulher que antes estava com uma criança no colo deu um tapa no rosto da garota — Quer condenar todas nós?

— Ele é bom! Eu sei disso! Ele é shinobi, pode acabar com todos os carrascos do Ikaru!

— Não parou para pensar que pode ser um truque do próprio Ikaru para testar nossa lealdade?

— Não foi um truque — Sakura levantou-se e interviu — Eu estou com o Sasuke — anunciou a garota — Ele não está enganando ninguém, nem eu. Como viram — apontou para as mulheres que examinou e cuidou —, não viemos perder tempo — encarou a ruiva que encolheu-se atrás da mulher que há pouco a agredira.

— O que vão fazer? — a mulher indagou.

— À princípio matar todos os homens do navio que violentaram vocês.

— O Kaname não! — uma mulher loura levantou-se alarmada — O Kaname sempre nos ajudou. Aquela passagem foi ele quem construiu para poder nos dar comida e remédios — apontou para o lugar de onde eu tinha decido.

— Kyowa também nunca nos fez mal nenhum — a ruiva acrescentou.

— Talvez eu volte de madrugada para cuidar daquelas três. Elas vão morrer em breve se continuarem assim.

— Não serão as primeiras — a ruiva comentou com a voz embargada.

Sem mais nenhum comentário, subiu para o cubículo do Kaname, cobriu a porta com o tapete e quando estava prestes a girar a maçaneta para procurar o Sasuke, ele abre a porta. Se encararam por um tempo, mas ela foi a primeira a desviar o rosto, desconcertada pelas palavras de algumas horas antes, sobre ele ter ciúmes dela.

Sasuke trancou a porta e tirou as sandálias.

— Descobri algo muito sério — comentou desabotoando a calça.

— Eu também.

— Escravas sexuais?

— Sim. Falei com elas.

— Eu também.

— Eu sei — sorriu maliciosa.

— Como? — apontou a elevação sob o tapete.

— É uma passagem. A ruiva quem me falou...

— Pensei em matar a tripulação de madrugada.

— Eu também — Sakura se despiu ficando apenas com um top e a calcinha. Ela na cama direita e Sasuke na cama esquerda.

— Temos que fazer isso em alto-mar — dizia no escuro.

— Também pensei nisso.

— Mas não há muitos botes salva-vidas.

— Lá embaixo tem umas quarenta pessoas. Três quase mortas, Sasuke.

— O que sugere? — Sakura não disse nada — Não vamos deixar no navio intacto quando atacarmos.

— Sim, eu sozinha naufrago essa porcaria.

— Posso mandar um pedido de ajuda pelo gavião.

— E se demorar?

— Damos um jeito.

— Assim espero — foi a última palavra de Sakura.

Faltava pouco para chegarem ao País do Redemoinho.

Notas finais
Entrem em contato pela página no Facebook: . Para quem leu Sinal Positivo, eu fiz um vídeo falando sobre minhas inspirações para criar a fanfic, em breve farei um falando sobre Strokes. Se tiverem interesse, assistam: https://www.youtube.com/watch?v=eCM-j-kDlJI . Espero que tenham gostado do capítulo. Reclamações, sugestões, abraços e docinhos são sempre bem-vindos! =) . Shalom!