Strike match and burn with me...
4 Nothing's ever so bad that it can't get worse
Notas iniciais
POV BUCKY
Ele havia acordado quase um novo homem. Durante a noite, conseguiu clarear seus pensamentos e percebeu como foi tolo em supor de imediato que a mulher de quem Steve falava era Natasha. Havia dezenas de mulheres presentes no dia da reunião, podia ser qualquer uma delas. Porque havia cismado com a ideia de que era a ruiva?
Uma parte dele sentia-se um lixo ainda maior por ainda ter feito amor com ela depois daquilo. Ele sabia que ela muitas vezes se afogava no sexo para tentar curar suas feridas, e dessa vez não fora diferente. Com a consciência pesada, ele a tomou para si. Mas como ele poderia rejeitá-la? Ele conseguia imaginar o que ela pensaria: que estava se afastando dela, que havia desistido dela por causa do que Steve dissera sobre ela. O certo seria ter dito a verdade, mas ele temia que ela se afastasse dele.
Bom, de qualquer jeito, ele iria consertar a situação e quando tudo tivesse bem novamente, contaria. Ela diria que ele agira como um idiota por imaginar que ela e Steve poderiam ter alguma coisa, mas depois riria do papel ridículo que ele fez e tudo ficaria bem. Tudo o que precisava era ser franco com Steve, pedir desculpas, explicar e esperar ele perceber que depois de todos os viés por quais passaram na vida, era tolice ficar com raiva de Natasha.
Era sua primeira manhã na torre, então esperou Natasha se arrumar para saírem juntos. A ruiva não parecia querer evitar que os outros soubessem que eles estavam juntos, e isso o deixou mais feliz e otimista. Não haviam conversado sobre isso, mas sabendo o quanto ela podia ser reservada com sua vida pessoal, chegou a considerar que ela pudesse querer evitar que os outros soubessem.
Saíram juntos, conversando. No meio do caminho, Natasha parou o beijando, pegando-o de surpresa. Quando se afastou, viu Clint parado perto deles bufando de desgosto e os dois caíram na gargalhada, deixando o amigo dela ainda mais irritado.
Junto a Clint seguiram até a cozinha, onde vários outros já estavam. Viu que Tony olhou para ele mais com curiosidade do que com ódio ou outro sentimento negativo. Era uma mudança positiva, pelo menos, preferia acreditar.
Steve estava sentado ao lado de Shannon. Os dois o cumprimentaram de longe, mas só a loira cumprimentou Natasha, Steve parecia estar a ignorando. Cabeça dura.
Natasha, que havia escondido seus sentimentos de tristeza bem fundo, e carregava no rosto um semblante aparentemente leve e tranquilo, não se intimidou, e ainda brincou com a situação em russo, insinuando que alguém ali devia ter dormido de calças. Mesmo sabendo que Steve não saberia o que ela estava falando, tentou segurou o riso, respondendo também em russo para ela não ser tão maldosa.
Aquilo chamou ainda mais a atenção de Tony, que levantou a sobrancelha em curiosidade, e após eles dois se juntarem aos outros, não aguentou e soltou uma piadinha:
— Ora, ora. Parece que vocês dois estão bem amiguinhos. Vocês abriram um clubinho particular para quem fala russo?
— Mesmo se tivéssemos, Stark — Natasha respondeu com um sorriso cortante. — não vejo como isso seria da sua conta. — Ela tomou um gole de café, pensativa. Pousou a xícara na mesa.- Mas confesso que devido a sua gigantesca inteligência, você já saberia a esse ponto.
A confiança de Tony pareceu murchar um pouco e ele olhou para cada um presente ali, tentando adivinhar o que tinha deixado passar. Pepper que estava do lado dele, deu uma risadinha.
— O que? — Ele perguntou parecendo confuso.
— Eles estão juntos, Tony. — Steve respondeu sem tirar os olhos do prato. Shannon também fez uma cara de surpresa, mas quase pareceu satisfeita com a novidade.
— O QUE???! — Tony perguntou agora falando mais alto. Pepper riu mais. — Peraí, todo mundo sabia disso fora eu? O que eu perdi que não vi isso acontecendo?
O cara que ficava pequeno — qual era o nome mesmo? — levantou a mão:
— Eu também não sabia. Aliás, vocês não estavam em lados opostos naquele pequeno desentendimento que houve algum tempo atrás?
— Ah, cala a boca, Lang. — Tony respondeu, o ignorando. — Você vive basicamente ilhado.
Bucky sentia-se meio sem graça ali, mas ficou curioso ao perceber, que tirando Lang e Shannon, os outros não demonstraram surpresa. Ele olhou para T'challa que parecia concentrando demais em seu prato. Ele percebeu o olhar de James e disse envergonhado para ele:
— Eu posso ter comentado com uma pessoa ontem, a Wanda.
— Hey!- Wanda respondeu se defendendo. — Eu só contei para o Visão. Não é culpa minha se ele é fofoqueiro...
— Eu não sou fofoqueiro, apenas não minto.
Tony interrompeu:
— Inacreditável! Em nenhum momento ninguém
pensou em me contar?- Ele fez um semblante como se tivesse se sentindo traído. — Até tu, Pepper?
— Para com isso, Tony. — Ela disse, ainda se divertindo com a situação. — Como Natasha disse, não é da sua conta.
— Bruce? — Tony perguntou.
— Anh, Natasha me contou ontem.- Obviamente, Bruce desejava ser deixado fora daquela conversa. A ruiva não tinha contado para James sobre aquilo, que tinha conversado com o cara verde, mas era bom que tudo já tivesse esclarecido. Bucky não queria continuar agindo como um bastardo ciumento. Seu ciúme já tinha causado danos demais.
Steve parecia ficar cada vez mais nervoso com o rumo da conversa, e se levantou irritado e saiu. Ele percebeu que Tony observava Steve, analisando. Deixou isso passar, e Bucky aproveitou a deixa, esperou uns segundos e saiu atrás do amigo, deixando Natasha terminando de tomar seu café.
...
— Bro, será que podemos conversar um minuto? — James perguntou quando Steve abriu a porta do quarto.
— Claro, entre aí. — Ele respondeu parecendo um pouco surpreso.
Ele entrou e sentou em uma poltrona e Steve sentou na cama, ficando de frente a ele. James nem sabia como começar, apesar de ter passado quase a noite toda pensando nisso.
— Steve, para começar, preciso te pedir desculpas por ontem. Eu não deveria ter dito aquelas coisas...
— Ei, não é culpa sua. — Steve abaixou a cabeça. — Só estou irritado por Natasha não ter me contado antes. Ela teve várias ocasiões para me contar, não entendo porque ela não disse nada.
Isso ia ser complicado. De certa forma, ele entendia o porquê de Steve estar irritado, ele tinha um pouco de razão no seu ponto, mas precisava entender que nem tudo era tão simples como ele imaginava.
— Você precisa entender que isso era difícil para ela. Nós tivemos um passado um pouco... — como ele poderia explicar o que havia acontecido entre eles? — conturbado, e as coisas não terminaram bem.
— Mesmo assim...
— Steve, isso já foi há tanto tempo. — Bucky revirou os olhos impaciente. — Você acha mesmo que ficar remoendo isso vai mudar algum coisa? Não quero meu melhor amigo e minha garota vivendo em conflito por algo que não tem nenhuma importância mais. Desde do momento que ficamos juntos, ela sempre me pediu para que eu te contasse, sempre insistiu para que você soubesse a verdade. Eu fui adiando isso, estava com muitos problemas. E depois todo essa situação de emergência, nunca parecia a hora certa.
Continuou:
— Steve, preciso te contar uma coisa sobre ontem. Não deveria ter contado para você do jeito que contei, aquilo foi horrível. Você vai rir agora, mas eu botei na cabeça que a mulher de quem você falava era a Natasha, e fiquei com ciúmes, agindo como um idiota. Não sei porque eu pensei nisso. Isso não é absurdo?
Ele olhou para o amigo que estava lívido e pálido, como se estivesse prestes a vomitar.
— Eu estava sendo ridículo, não é Steve? — Ele perguntou, desejando imensamente que Steve risse, brigasse, gritasse, fizesse qualquer coisa, mas que confirmasse que aquilo era, de fato, absurdo. Qual é! Steve era o tipo de cara que gostava das garotas boazinhas. Fortes, sim, mas boazinhas. Natasha passava bem longe de ser uma boa garota, às vezes, ela era terrível. E era ele que gostava das terríveis.
— Anh, bem...Merda. — Bucky ficou surpreso de ver o amigo falar um palavrão, e o capitão parecia não conseguir olhar para ele. Seus olhos vagueavam por todos os lugares do quarto. mas nunca pousavam nele. — Acho melhor não falarmos mais sobre isso. Quer dizer...Você tem razão, não deveria ficar tão bravo com ela. Deus! Eu também disse coisas horríveis. Tenho que me desculpar por isso, eu só perdi a cabeça.
— Você não está nem um irritado por eu ter agido assim? Por eu ter ficado com ciúmes de você? — James sondou surpreso pela mudança brusca de comportamento do amigo.
— Claro que não. — Era impressão dele, ou Steve estava ficando ainda mais nervoso? — Você tem razão, isso não importa mais. Estou, você sabe, feliz por vocês e tudo mais. — Ele levantou-se, olhando tudo em volta, meio perdido. — Preciso ir encontrar com Tony, ele quer me devolver o escudo.
— Então, está tudo bem entre nós? Nós três?
— Sim, claro. Tudo bem. — Steve concordou incerto.
James saiu do quarto sentindo-se satisfeito por aparentemente ter resolvido a situação. Mas lá no fundo uma vozinha fina e desesperada lembrava a ele um pequeno detalhe: Steve não havia negado que estava falando de Natasha.
POV NATASHA
— Alguma novidade? — Natasha perguntou, enquanto conferia que não havia ninguém por perto para ouvir ela fazendo aquela ligação.
— Não. — A voz sempre um pouco irritadiça de Reiko respondeu do outro lado da linha. — Parece que aquele filho da puta sumiu do planeta.
Natasha soltou um suspiro, em parte de alívio, em parte de apreensão.
— Nenhuma indicação que ele possa ter algo a ver com o que está acontecendo? — Natasha não precisava explicar quem era ele e nem o que estava acontecendo.
— Não, nenhuma. — Reiko respondeu convicta. — Acho que ele está muito ocupado se escondendo seja lá onde for, para organizar ataques por aí.
Reiko, claro, estava a par do que estava acontecendo, mas não por Natasha. A japonesa, depois que desistiu da sua empreitada junto aos rebeldes curdos, havia se aproximado de Nina, a garota mutante que havia sido uma das cobaias de Ivan. A ruiva achava que elas estavam namorando ou algo assim, mas preferia não perguntar. A vida romântica da amiga era no minímo problemática. E de vida romântica problemática, já bastava a dela.
— Já sabíamos que mais gente também estava fazendo essas... experiências.
— Sim. — Natasha respondeu relutante. Era abominável pensar que não só uma, mas várias outras pessoas estavam realizando aqueles experimentos bizarros e horrendos. Mudando de assunto, perguntou: — Os outros estão bem?
— Ah, você sabe. — Reiko disse com um tom de ironia. — Hanne está muito ocupada organizando o casamento com Will para se preocupar com qualquer outra coisa. Falando nisso, você recebeu as fotos dos vestido das madrinhas? É tudo tão rosa, não acredito que ela vai realmente me obrigar a vestir àquilo.
— Nem me fale sobre isso. — Natasha respondeu. Ela havia recebido por e-mail as fotos, já que como Reiko também era uma das madrinhas. O bom gosto da loira sempre fora questionável, mas agora ela estava passando dos limites. Nem queria imaginar como seria de daminha de Dasha, e muito menos, o vestido de noiva dela. — Mas veja pelo lado positivo, é só por um dia.
— Um dia absolutamente terrível. — Ela respondeu carregando mais drama do que o necessário. — Will está bem, talvez um pouquinho assustado com Hanne e toda essa animação neurótica com o casamento, mas ele assustado não é novidade. Agora aquele seu ex... Realmente gostaria de entender como você ficou casada com ele. I-R-R-I-T-A-N-T-E. Pelo menos, ele está ajudando, mas acho que ele está passando as informações para Logan. Natasha não ficou surpresa, já imaginava que Logan andava aprontando e conduzindo sua própria investigação sobre o paradeiro de Ivan, provavelmente, com o apoio de Fury. Desde que não atrapalhasse as investigações dela, para a ruiva estava tudo bem.
— Certo. Me avise se algo mudar. Tchau.
Desligou, mas logo em seguida seu telefone tocou de novo. Número dos EUA.
— Natasha falando. — Ela respondeu já supondo que era algo relativo a trabalho.
— Ei, Natasha, é a Dra. Beth. — Natasha ficou surpresa, já havia feito os exames com Cho, e não havia nenhum outro motivo para Beth ligar. — Natasha, a Dra. Cho pediu para que você faça mais alguns exames.
— Algum problema? — A ruiva perguntou preocupada. Droga, alguma hora alguma coisa ia acontecer, já imaginava.
— Não! É só mais exames de rotina. — A loira tentou acalmá-la. — Seus últimos exames foram... anh... inconclusivos. ´Só queremos garantir que está tudo bem.
Natasha confirmou que logo pudesse, estaria a disposição das duas.
Algo dizia a ela que tinha alguma coisa errada.
...
A tarde, Tony anunciou que daria uma festa, aquela noite. Só mesmo Tony para querer fazer uma festa num momento como aquele. Porém, pelo menos, dessa vez tinha um bom motivo. Alguns mutantes do instituto iriam até lá discutir sobre como trabalhariam juntos, e Tony achou que uma festa quebraria o gelo entre eles.
Natasha ligou para Maria Hill e combinou uma tarde de garotas com direito a compras. Elas se divertiram bastante, e por algum tempo conseguiram esquecer todos os problemas que estavam acontecendo. Maria zoou horrores do fato de Natasha agora ser uma mulher de família, perguntando se agora ela seria uma dona de casa. Ela ficou horrorizada com a ideia. Amava James e Dasha, mas para tudo há limites, e ela gostava de trabalhar.
Terminaram já ao entardecer, e a ruiva resolveu passar na Dra Cho antes de voltar a torre, só por desencargo de consciência. Fez alguns exames que nunca em sua longa vida tinha feito antes, e ela não conseguia não se perguntar o porquê daquilo tudo. Apenas deixe isso pra lá e vá curtir a noite — ordenou a si mesma.
James estava com uma cara pensativa quando chegou no quarto, nem tinha começado a se arrumar. Estava acontecendo alguma coisa com ele que ela não sabia. Alguma coisa havia acontecido que ele não tinha contado a ela, já havia percebido no dia anterior, a forma como ele havia falado com Steve não parecera normal para ela. Gostaria muito que ele lhe contasse, mas ela também estava guardando alguns pequenos segredinhos, para ter direito de exigir a verdade dele. Estaria sendo hipócrita. Relacionamentos cheios de segredos não era algo que ela podia ver funcionando, mas não parecia que nenhum dos dois estava pronto para confessarem tudo um ao outro.
Sabia que tinha que arrumar algo que ele pudesse fazer. Nos outros lugares onde estiveram, ele sempre arrumou um trabalho ou serviço que pudesse fazer, sem infringir nenhuma lei, para ocupar a cabeça. Por experiência própria, sabia que mente vazia podia ser fatal para pessoas como eles. Muitas lembranças ruins para ficar se remoendo... Decidiu que de um jeito ou de outro traria Dasha o mais rápido possível para perto deles. Assim, pelo menos, ele teria Dasha para ocupá-lo, e manter a cabeça dele longe de pensamentos ruins.
Foram encontrar os outros, e Natasha deixou James conversando com outras pessoas, para ir receber as pessoas do instituto, ou X-men, como se autodenominavam, que viriam aquela noite, Professor Xavier, Ororo, Fera (que apesar da aparência bruta e feral, era tão educado, que ela acreditava que aquele apelido não condizia com ele) e Logan, já que ela era a única que os conhecia anteriormente. Ela cumprimentou os quatro e foi apresentá-los aos outros.
Tudo parecia que transcorria bem, o que era uma surpresa. Achou que pudesse haver uma animosidade entre Vingadores x X-men, mas estava errada. T´challa parecia encantado com Tempestade, Logan estava com a cara de sou-tão-durão-não-fale-comigo que sempre tinha, o Professor e o Fera estavam em uma conversa profunda, e provavelmente chata, com Bruce.
Até mesmo Steve parecia mais calmo. Não se aproximou de nenhum dos dois a maior parte da noite, mas também não a fuzilava com os olhos, o que já era um grande progresso. Talvez, James tivesse razão, Rogers só precisava de um tempo para esfriar a cabeça. Entretanto, ela achou estranho que o capitão e James não haviam conversado muito, pelo contrário, pareciam querer se manter afastados. Ela estava perdendo algo, tinha certeza, só não sabia o quê.
Após verificar que tudo estava indo bem, e que Bucky estava interagindo com os outros, ela saiu um pouco, precisava de ar. Desceu, e foi até o térreo, indo para rua, apenas para ficar um pouco consigo mesma e mais ninguém. As vezes, cansava de ter de ser tão diplomática, tentando conciliar e deixar feliz todos os lados. Quase sentia saudades de seus dias passados, quando estava sendo controlada por Ivan, e podia deixar aquelas suas obrigações monótonas de lado. Era angustiante sentir saudades sentir falta daquele seu lado mais selvagem e cruel, mas sentia. O que isso dizia sobre ela? Preferia nem saber.
— Oi. — Ela virou-se surpresa ao ouvir a voz de Steve. Quase olhou para os lados para verificar se ele estava falando mesmo com ela.
— Ah, oi. — Ela respondeu confusa. O que o loiro estava fazendo ali?
— Estava querendo falar com você a noite toda. — Ele começou a explicar já ficando inibido. — Preciso me desculpar pela noite passada... Não foi legal aquelas coisas que eu disse.
Natasha deu um sorriso singelo.
— Você tinha razão em estar com raiva. Eu menti para você durante muito tempo, sabia que um dia isso ir acabar se voltando contra mim. Karma, não é?
Ele refletiu alguns instantes sobre o que ela disse.
— Bem, não posso negar que você agiu mal. Também não achei que você me esconderia algo assim, e acho que ainda estou um pouco chateado com isso. — Ele disse e o sorriso dela foi murchando lentamente. — Mas eu também agi mal, e não sei se foi só por causa de você não ter me contado a verdade. — Ele disse abaixando a voz, quase num sussurro, e ela teve que se aproximar para ouvir.
Quando percebeu, eles estavam muito próximos, muito mesmo. Inapropriado, completamente inapropriado. Os olhos dela se encontraram com os deles, como se só agora ele também se desse conta da proximidade, e ela viu naqueles olhos o que ele desejava. Oh, merda. Agora entendia tudo o que estava acontecendo, porque James estava tão estranho, porque os dois se mantiveram a noite toda afastados... Como ela não viu isso antes?
Talvez porque Steve sempre fora tão tímido e tão retrô. Ria e se divertia do aparente comportamento envergonhado dele. Flertou com ele algumas vezes, era verdade. Mas ora, ela flertava com todo mundo. Gostava de provocá-lo, mas nunca havia considerado a ideia de ter algo com ele. Mesmo que ele não soubesse na época, ela sabia que ele era melhor amigo do seu ex-namorado, e aquilo não seria certo. Seria tão estranho.
Ela ainda não tinha se afastado, e talvez isso tenha passado a imagem errada para Steve, que se aproximou mais, encostando levemente os lábios dele nos dela. Um beijo que misturava inocência e urgência, mesmo sendo tão singelo e contido. Percebeu que ele já desejava por muito tempo fazer aquilo. Ainda chocada com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, demorou alguns segundos para voltar a realidade, afastando-se bruscamente.
Não sabia como estava sua cara na hora, mas Steve viu, e percebeu que tinha ultrapassado todos os limites ao fazer aquilo. Colocou uma das mãos na cabeça, abaixando o rosto, querendo evitar que ela visse seu rosto. Porém, ela não precisava ver para saber.
— Me desculpe, desculpe, desculpe. — Ele disse em voz baixa e desesperada. — Eu não deveria ter feito isso. Oh, Deus, Bucky! O que estou fazendo?
Ele não teve tempo de continuar se lamentando, já que o próprio James interrompeu os dois.
A expressão do soldado era de angústia, e Natasha soube que algo horrível tinha acontecido. Ainda assim, ele ainda teve tempo de olhar para os dois, analisando àquela cena e parecendo não gostar, nem um pouco do que estava vendo. A ruiva percebeu que o que tinha acontecido era realmente sério, quando ele ignorou, pelo menos, por enquanto, o que diabos os dois estariam fazendo ali fora sozinhos.
— Nat... — Ele começou em um tom urgente. — Houve outro ataque, mas SHIELD conseguia interceptar a comunicação e chegar a tempo, antes que algo pior acontecesse, graças a Deus. Então, por favor, não pire.
— James, onde? — Ela perguntou, imaginando todos os cenários possíveis. Mas apenas um poderia fazer ela pirar totalmente. Não diga o que acho que vai dizer, James — ela não disse isso em voz alta, só tentou transmitir pelo seu olhar de angústia.
— A casa de Clint, Nat. — ela sentiu o sangue gelar e depois ferver, todas aquelas emoções surgindo ao mesmo tempo. — Estão trazendo Laura, as crianças e Dasha para cá. Nat, ela está bem. Dasha está bem, pense nisso antes de faer qualquer coisa maluca.
— Anh... Quem é Dasha? — Ouviu Steve perguntando confuso.
— Nossa filha. — Ouviu James respondeu num tom cortante. — Minha e de Natasha.
Mas ela já estava longe demais para se preocupar com os rumos daquela conversa. ela sabia que aquilo aconteceria, sabia que ao adotá-la estava colocando a garotinha em perigo, um alvo para todos os seus inimigos sedentos de vingança mirarem, mas ignorou, achando que pudesse dar conta de protegê-la. Sentiu James a acalentando, e sentiu que não merecia que ele fizesse isso.
Se algo acontecesse a Dasha, ela jamais poderia ser perdoar. Se alguém a machucasse, ela iria atrás dessa pessoa como um cão feroz que não soubesse a hora de parar. E iria machucá-lo ou machucá-los muito. Muito. Nem que para chegar até eles, precisasse incendiar o mundo inteiro.
Quem quer que fosse, não fazia ideia do que tinham começado.
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