Strike match and burn with me...
5 But we hold on, hold on
Notas iniciais
Pov Bucky
Não era preciso dizer que quando James encontrou Steve e Natasha na rua, ele sabia que algo havia acontecido. Era notável no semblante ainda desnorteado da ruiva, no olhar de culpa de Steve e no choque que ele pareceu levar ao ouvir James falar “nossa filha”. Entretanto, aquele não era o momento para discussões. Havia coisas mais importantes para resolver.
Natasha estava em misto de fúria e preocupação, e logo depois dele, Clint também apareceu, quase arrancando os cabelos. Ele, apesar de estar um pouco como cada um dos outros dois, tentou se manter calmo, para fazer um contraponto.
Os três saíram em disparada para a SHIELD, saindo no carro de Natasha, e deixando um Steve perdido de lado. Ele deu um último olhar ao amigo, como se estivesse dizendo que ele ainda teria muito a explicar, e Steve abaixou a cabeça, visivelmente constrangido.
Só porque estavam com pressa, o trânsito parecia estar pior, o caminho mais lento, parecendo demorar uma eternidade até finalmente chegarem.
Como se por uma obra cronometrada do destino, o jato pousou pouquíssimo tempo após chegarem. Mas só após ver Dasha descendo, que a sensação de alívio finalmente tomou seu corpo.
Observou Natasha abraçando o pequeno corpinho da garota com força, como se para garantir que ela estava mesmo ali, bem. Ela também relaxou ainda mais por estarem só eles, Fury e alguns funcionários da SHIELD. Apesar de aparentemente se dar bem com os outros Vingadores, não conseguia, ou não queria, deixar de lado aquela sua persona de agente fria e distante quando estava com eles. James sentia-se especial por ser um dos poucos que conhecia aquele outro lado dela. Quem ela era de verdade, e não quem ela fingia ser para sobreviver.
Ela sorriu satisfeita e alegre, ao vê-lo brincando com a pequena, enquanto Dasha ria daquele jeito puro e ingênuo que só crianças conseguiam. Por um breve momento, ela pareceu lembrar-se de algo e seu sorriso murchou um pouco, mas a ruiva tentou disfarçar. Beijou de leve as bochechas rosadas da filha, prendendo-se ao momento.
Eles falaram brevemente com Laura, agradecendo por ter cuidado de Dasha e garantindo se ela e os filhos também estavam bem. Clint ainda carregava um semblante preocupado, fazendo um milhão de perguntas que se resumiam a “como diabos isso aconteceu?” a Fury.
— Sinto muito por sua casa, Barton. – Fury dizia já sem muita paciência. – Mas não tenho muito mais informações sobre como isso ocorreu.
— Bem, pelo o que eu entendi vocês conseguiram interceptar a comunicação entre eles. Isso foi mera obra do acaso, Fury? – Natasha o questionou, indo direto ao ponto mais importante ao que parecia pela forma com que Fury a olhou.
— Na verdade, sim. – ele respondeu contrariado. – Não esperávamos por isso, foi a equipe que mantenho de olho na movimentação na Hydra que captou uma conversa que chamou nossa atenção. Estavam passando coordenadas de algum lugar que viria a ser um alvo, que logo após identificamos como sendo a casa do agente Barton.
Eles se olharam, enfim entendendo.
— Não sabia que a Hydra tinha algo a ver com isso, achei que estávamos lidando com outro grupo. – Clint mencionou.
— Isso não é tão organizado como eu esperaria em se tratando da Hydra. – Natasha não parecia tão convencida.
— Clint, isso foi uma surpresa para mim também. E Natasha, não sabemos qual o envolvimento que a Hydra tem. Mas, destruir a todos seria bom para eles.
— Você acha que talvez eles estejam querendo usar estas pessoas para obter algo?
— É uma possibilidade. Porém não acho que a Hydra possa controlá-los, esse grupo é ousado, desorganizados e impulsivos. Aparentemente, há uma espécie de aliança entre eles, mas em algum momento será cortada. Há um óbvio conflito de métodos.
— Quando tivermos fora do caminho... – Clint sugeriu.
— Isso não irá ocorrer, então, vamos nos concentrar nos problemas de agora. – Fury respondeu firme. — Espero que essa notícia permaneça em segredo por enquanto, pelo menos, no que se refere a Hydra.
Natasha parecia revoltada com a ideia.
— É isso que sempre fazemos, Fury. Mas em algum momento os outros irão descobrir, como sempre acontece, e isso recai com muita mais força sobre nós do que sobre você. Nenhum deles confia inteiramente nem em mim nem em você. É sorte que Clint ainda não sofreu os respingos disso.
Eles se encaravam numa discussão silenciosa. Fury mudou a atenção de Natasha para ele.
— Como está se adaptando, soldado?
— Anh, bem... – James respondeu confuso pela mudança brusca de assunto.
— Isso é bom. Acho que não preciso te avisar que a sua situação atual é como se você estivesse caminhando sobre gelo fino. Uma ação suspeita e o gelo pode rapidamente quebrar. – Ele ficou se perguntando onde ele queria chegar, Natasha talvez tivesse a mesma dúvida, já que estava tensa com o rumo da conversa. – Por falar nisso, estarei aguardando você para trabalhar essa semana.
— Anh? – Natasha ficou tão chocada quanto ele. Clint levantou as sobrancelhas confuso.
— Tenho uma missão que acho que seja apropriada a você. – Ele observou a cara de surpresa que ele provavelmente ainda tinha no rosto. – Você já deveria imaginar que o perdão pelas suas ações no passado teria um preço a se pagar, não é soldado?
— Claro. Mal posso esperar. – James respondeu entredentes. Ele não tinha pensado sobre isso, mas pensando nisso agora, era óbvio que Fury não estava o ajudando a troco de nada.
— Ótimo. Acho que agora vocês possam querer descansar um pouco e esfriar a cabeça. – ele disse aquilo direcionado para Natasha.
Após isso, ele se concentrou em tirar a filha o mais rápido possível dali, de perto de Fury e da SHIELD. Ele tinha uma vaga lembrança que Fury não sabia de onde Dasha tinha vindo, e gostaria que permanecesse assim. Não conhecia bem Fury, não confiava nele e não gostou da forma que ele o usou como uma ameaça sobre a ruiva. E se a própria Natasha, que o conhecia há bastante tempo, preferia esconder dele onde tinham encontrado Dasha, era um sinal claro que até ela tinha dúvidas sobre o que ele poderia fazer caso descobrisse que a filha deles havia sido uma das vítimas das experiências de Ivan. Provavelmente, ele imaginava, iria querer testá-la e usá-la.
Nunca vira Dasha fazer algo que pudesse marcá-la como mutante, mas não queria dizer que ela não tivesse nenhum dom especial. Se um dia, ela fizesse algo que levantasse essas suspeitas, Natasha e James iriam resolver como lidariam com aquilo. Eles, e não SHIELD ou Fury.
Após a saída de Fury, Clint repreendeu Natasha em voz baixa por ter questionado Fury daquela forma, e ela respondeu também em voz baixa, mas com uma nota de raiva que Clint sabia que ela estava dizendo a verdade, perguntando se ele não pensava a mesma coisa.
Natasha e ele voltaram no carro dela com Dasha, enquanto Clint ficou aguardando a SHIELD disponibilizar um veículo para que ele e sua família também pudessem partir.
Porém, quando saíram, os dois se depararam com um problema: Natasha ainda não tinha encontrado um lugar para deixar Dasha nos Estados Unidos. Clint obviamente tinha a intenção de levar Laura e os meninos para ficarem com ele na Torre. Já Natasha não parecia gostar da ideia, sustentando que queria manter sua filha longe daquela parte da vida deles.
— Nat, você acha mesmo que vai conseguir trabalhar normalmente sem ter certeza se ela está num lugar seguro? — James tentava convencê-la. Não que ele quisesse de fato ficar na Torre, mas sabia que no momento era a melhor opção.
— Não é cem por cento seguro, já tivemos problemas antes na Torre. — Ela argumentou.
— Considerando que todos estão na torre, essa não é uma informação muito boa. — James disse pensativo. — Mas ela estará cercada de todos os Vingadores.
— Todo na torre nos torna um alvo muito maior e fácil de ser achado. Não me diga que você já não pensou isso antes. — Ela continuou argumentando. Era verdade que ele já tinha considerado a ideia, logo após se mudarem. Mas havia chegado à conclusão que todos juntos seriam mais fortes do que cada um para um lado, caso virassem alvo de um ataque. — E temos conosco o Dr. Banner que pode rapidamente mudar de um homem comum para uma fera verde muita raivosa. – Ela pareceu quase se sentir mal por falar assim do monstrão.
— Humm. — James pensou, considerando os prós e contras. Ele também não gostava da ideia de sua filha morando embaixo do mesmo teto que uma bomba ambulante, o tal Dr Banner. — Nós podemos sair da Torre, e ir para outro lugar, só nós três. Mas...
— Mas se eles localizaram onde a família de Clint vivia, pode acontecer o mesmo com a gente. — Ela bufou frustrada. Falou enfim cedendo. — Nenhum lugar é seguro, mas talvez a Torre seja um pouco mais que os outros.
Seguiram o resto do caminho em silêncio. Bucky pensava que ele se sentiria mesmo mais confortável saindo da Torre, mas também não queria colocar seus desejos acima da segurança da filha. Ficando na torre, teria que lidar Steve e não tinha a mínima ideia do que faria. Por que não poderia ser qualquer outro cara e não Steve? Ele estava com raiva, mas não podia esquecer que se estava onde estava hoje era em grande parte pela a ajuda do amigo.
Chegaram antes de Clint, e subiram discretamente, obviamente, a ruiva não queria que a presença da filha chamasse atenção dos outros. Mas, como James já havia percebido, nada ficava em segredo por muito tempo por ali. Fora que a saída tempestuosa dele e de Clint não havia passado despercebida.
O clima não era mais festivo. Claramente, algumas pessoas deveriam ter percebido que algo de errado havia acontecido. Pepper foi a primeira a vê-los chegando silenciosamente, ela olhou curiosa para a criança no colo de Natasha, mas como sempre foi sutil o suficiente para não perguntar diretamente.
— Está tudo bem com vocês? — Ela perguntou. — O pessoal ficou preocupado quando você e Clint saíram. — disse olhando para James.
Como Natasha não respondeu de imediato, ainda tentando se acostumar com sua vida pessoal e profissional se chocando nada discretamente uma contra a outra, ele respondeu:
— O mesmo grupo que atacou o instituto, tentou atacar a casa de Clint. — a loira fez uma expressão de choque e preocupação. — Mas a SHIELD conseguiu evitar que alguém se machucasse. Então, está tudo bem. Humm, vocês tem mais quartos vagos por aqui? Acho que Clint está trazendo a esposa e os filhos para cá. E
— Teria algum problema em... também trazermos mais uma pessoa para cá?- Natasha perguntou, antes que a loira pudesse responder. Ela estava calma, nem parecia que estava como uma panela de pressão há alguns minutos atrás.
— Claro que não! — Pepper respondeu simpática. Olhou para a criança que estava dormindo. — Na verdade, é até bom ver a Torre tão cheia de gente. Por algum tempo isso aqui ficou tão vazio. Não conte a Tony que eu disse isso, mas acho que ele estava se sentindo um pouco triste e solitário...
A conversa entre os três atraiu algum dos outros. Logan se aproximou perguntando naquele tom sempre carinhoso dele, só que não, se a pirralha estava bem. Tony ficou olhando de Natasha para a criança, da criança para Natasha, como se essa fosse uma equação que não conseguisse resolver. Steve apenas permaneceu afastado, lançando olhares discretos para eles.
— Peraí. — Tony falou como se finalmente tivesse resolvido a equação. — Isso é impossível, quer dizer, não deu tempo... Não tem tanto tempo assim. — James percebeu que Steve também parecia curioso sobre isso.
— Você não consegue apenas calar a boca por um segundo? — Logan perguntou ríspido, e James lançou um olhar a ele, agradecendo. Não que ele e Natasha tivessem problemas em dizer que Dasha havia sido adotava, mas essa conversa podia seguir por um caminho que era delicado para Natasha: o fato de ela não poder ter filhos. Aquilo sim era caminhar sobre gelo fino.
— Tony, será que você pode guardar suas provocações até amanhã? — Natasha finalmente se pronunciou. — Estou cansada demais agora para isso.
Ela fez menção de subir para o quarto, mas logo chegaram Clint, a esposa, e aquela filharada que ele tinha, falando alto, correndo. Isso chamou a atenção dos outros que ainda não ainda não tinham visto ele e Natasha, e ela não conseguiu fazer sua saída discreta.
Dasha acordou ao ouvir os meninos brincando, e quis descer do colo para poder tentar também poder participar das brincadeiras. Apenas o mais novo de Clint regulava de idade com ela, mas ela parecia não se importar, gostava de seguir também os mais velhos.
Virou uma confusão, mas uma confusão boa. Clint explicava o que quase aconteceu. T´challa pegou Dasha no colo, brincando com a menina. Ele era suspeito para falar isso, mas Dasha era tão terrivelmente encantadora e meiga, que arrancava sorrisos carinhosos de todos que a conheciam. E fora Tony, mas ninguém pareceu se importar com a idade de Dasha e questionar.
Ele viu Natasha dando um sorriso cúmplice para ele. Talvez o jeito encantador da pequena fosse o dom especial dela.
...
Quando os três finalmente chegaram ao quarto, James percebeu que agora era a hora de perguntar a Natasha sobre Steve. Mas ele parecia travado, e percebeu que não tinha certeza se realmente queria saber. Tudo o que ele queria era continuar vivendo sua nova vida de forma pacífica, e ter seu melhor amigo também ao seu lado, feliz por ele. Por que não podia ser assim?
Mas tinha aquela vozinha dentro dele que se insinuava dizendo que Steve o havia traído. Ele sabia que Natasha e eles estavam juntos e era óbvio que havia feito algo mais cedo, ignorando a amizade deles.
Natasha parecia satisfeita de ele não levantar o assunto. Ela queria ignorar o que havia acontecido? O que havia acontecido de fato? Será que ela tinha omitido algo? Será que antes de James se lembrar de quem era, ela e Steve tiveram algo?
Não, claro que não. Ele devia estar surtando sem motivos. Era claro que os dois nunca tiveram algo. Queria perguntar sobre o que Steve queria com ela, mas temia a resposta. E temia ainda mais como reagiria.
Avisou a ruiva que precisa sair um pouco, precisava pensar. Dasha estava no quarto ao lado do deles, e a ruiva tinha descolado uma babá-robô para ficar de olho na filha durante a noite. Não questionou a saída dele, devia imaginar pelo conflito interno pelo qual ele estava passando.
Ele saiu do quarto e vagou um pouco pela torre, observando as várias portas pelo qual passava. Foi até o salão onde mais cedo havia acontecido a festa, pensando em tomar uma bebida. Quase deu a volta quando encontrou Stark também no salão, sentado numa poltrona, tomando um drink. Parece que ele não fora o único que tivera a mesma ideia.
Tony ouviu o barulho de alguém chegando e o viu. Percebeu que James ia sair, e levantou a mão, incentivando a se aproximar. Bucky ficou temeroso de como aquilo poderia acabar. Brigar com Stark não era o que ele precisava no momento.
— Que foi, soldadinho de chumbo? Sente aí! Está com medo porque o capitão não está por perto?
Sem responder, para não dar mais munição a Tony, se aproximou, sentando a seu lado em outra poltrona. Havia pegado um copo antes de sentar e Tony o serviu.
— Confesso que tendo uma mulher como Natasha a espera na cama, não consigo imaginar como alguém prefere beber do que... ah, você sabe. Ela deve estar perdendo o jeito.
Bucky se irritou em como Tony falou de Natasha, mas preferiu não morder a isca.
— Ou talvez, você esteja preocupado com Steve. – Ele observava Bucky e percebeu que havia mirado no local certo. Riu. – Sabe, não é de hoje que percebo que Steve tem uma quedinha pela nossa ruiva favorita. – James fingia ignorar o que Tony estava dizendo, mas na verdade prestava muita atenção em cada palavra. – Mas deve ser só uma quedinha passageira, não se preocupe. Agora ele tem a loira, se ainda não passou, vai passar. Talvez, ele ainda esteja enfeitiçado pelo beijo que ela deu nele, mas ele não iria contra o melhor amigo por causa de uma garota. Não o nosso bom capitão.
James travou os dentes. Natasha havia beijado Steve? Como? Quando? Por quê? E o mais importante, por que ela não tinha falado nada. Stark só devia estar tentando deixá-lo abalado. Retrucou a provocação:
— Achei que você me queria morto, Stark. Por que agora está aqui conversando comigo?
— Eu queria. – Stark respondeu sério e pensativo. – Eu não perdoei o que você fez, mas percebi que estava culpando a pessoa errada. Afinal, você estava seguindo ordens, não é?
— Sim, e eu não fazia ideia de o que estava fazendo. Mas isso você já sabia antes. Então, o que mudou?
— Perdi amigos e o controle por causa dessa história. Aprendi minha lição, acredite. Tive bastante tempo sozinho para pensar e isso já foi há muito tempo. Nada que eu faça mudará o passado. E para falar a verdade, fiquei com mais raiva de Steve do que de você. Você era um ninguém para mim, mas Steve não. Achei que ele era meu amigo e mesmo assim ele omitiu o que você fez. Veja só, logo ele, o arauto da justiça, o não-fale-palavrão, o todo certinho que tantas vezes me criticou. Maldito filho-da-puta.
Por mais incrível que parecesse, James acreditava nele. Após essa confissão de Tony, eles beberam mais algum tempo, sem conversarem muito mais. Já era um progresso.
POV Natasha
O dia tinha sido um turbilhão de sentimentos para ela, e tudo o que queria agora era descansar. Mas sabia pela expressão de James que o dia ainda não tinha acabado. Apesar dele não ter dito nada, ela tinha percebido o dia todo a expressão de incômodo dele. Quando percebeu que ele não perguntaria nada, ficou aliviada. E depois um pouco surpresa, quando ele disse que precisava sair um pouco.
Ela estava com raiva de Steve, não era justo com ele, claro. Mas que merda, ele também não havia sido nenhum pouco justo com ela, a colocando naquela situação desagradável. Não fazia ideia do que diria caso James a questionasse. Se contasse o que aconteceu, iria criar um atrito dentro de uma amizade que havia sobrevivido a coisas muito mais importantes que ela, e não queria se pôr entre eles. Então, o mais seguro agora fingir que nada aconteceu. O problema é que ela não tinha certeza que Rogers faria o mesmo. Esse era o problema com pessoas certinhas como ele. E se ele depois contasse o que aconteceu, e ela não, seria então ela que ficaria numa situação complicada.
Pepper havia arrumado um quarto para Dasha, e Natasha estava satisfeita, apesar de ter preferido que a filha tivesse dormindo no quarto com ela. Achava que ela era muito pequena para ficar sozinha. Tinha medo que ela se machucasse. Exagerada? Sim. Entretanto, ela conseguiu se conter e arrumou uma babá robô para garantir que Dasha estava bem.
Durante a noite, ela recebeu uma visita inesperada. Na verdade, quando bateram na porta, ela quase teve um ataque achando que era Steve, e deus, ela não saberia o que faria se fosse. Talvez, pudesse fingir estar sofrendo de amnésia. Felizmente, era só Clint conferindo se estava tudo bem. Ela sorriu automaticamente e disse que estava tudo ótimo, mas Clint não se convenceu e não demorou a reparar na ausência de James.
— Primeiro problema e ele deixa você sozinha? – perguntou ácido. Eles estavam sentados na cama, com a ruiva apoiada em umas almofadas coloridas que deveriam ter sido escolhidas por Pepper. – Isso é um bom começo.
Quando Clint começava com aquilo já era automático Natasha revirar os olhos. Se alguém não a conhecesse e o ouvisse falando assim, acharia que ela era uma pobre donzela em apuros. Há! Mal saberiam que na realidade, ela era a parte mais duvidosa daquele relacionamento.
— Você já não tem problemas demais com Laura e as crianças, para opinar no que não sabe? – ela retrucou, logo percebendo que estava descontando em Clint. – Desculpa, acho que hoje não foi um bom dia para nenhum de nós. Para você deve ter sido pior ainda, quer dizer, era sua casa...
— Que pelo o que sabemos já deve estar destruída. – ele respondeu soturno. – que bom que o mais valioso lá não era a casa, mas sim as pessoas que moravam nela. O que me traz de volta a questão original...
— Clint, meus problemas não se resumem ao ataque de hoje. – ela fechou os olhos como se não quisesse ver o que diria. – É Steve.
— Ah...Ah. – Clint pareceu compreender rapidamente. – Não é exatamente uma surpresa, não é? – ela o olhou com os olhos semicerrados. – É claro que você já tinha percebido que ele tem uma quedinha por você.
— Uma quedinha, talvez. – Ela respondeu, mordendo o lábio, quase como se não quisesse confessar àquilo.
— Ow... então é mais que uma quedinha... – Ele pensou um pouco. – Esse é mesmo um problema. Considerando que tem uma amizade também no meio, é um grande problema.
— Acha que já não sei disso? – ela retrucou, deitando.
— Eu, particularmente, sempre achei o capitão um excelente cara, um pouco antiquado e devagar, mas consigo ver o ótimo marido que ele seria. Como seu amigo, eu não posso deixar de pensar que vocês duas estariam melhor com ele.
Natasha jogou uma almofada nele.
— Vou ignorar completamente o que você disse sobre marido. De onde você tirou a ideia de eu quero casar ou algo assim? Pensando melhor, vou ignorar tudo o que você disse. Pelo seu bem. – ameaçou.
— Ok, já entendi. Não vou dizer mais nada sobre isso. – ele levantou os braços, rendendo-se. — Agora, não quero que você veja o que vou falar como uma crítica a Bucky, James, como você queira chamá-lo, mas você não acha que talvez, só talvez, não estejam indo rápido demais. Tem o quê, algumas semanas ou meses, e você já estão morando juntos e ainda adotaram uma criança?
— Nós já nos conhecíamos antes... – ela argumentou sabendo que era uma defesa fraca. Ela mesma retrucava contra quando James usava aquele argumento. — Eu sei que não é a mesma coisa, e sei que foi tudo muito rápido, mais não dá para mudar isso agora.
— Não? Tem certeza? Não estou dizendo que vocês deveriam terminar ou nada disso, talvez devessem só ficar um tempo separados. E você poderia manter suas opções em aberto...- mais uma almofada voou na direção dele, e ele desviou já em alerta. – esqueça a última parte. Mas realmente acho que você deveria considerar a ideia de ficarem um tempo afastados.
— Não acho que eu queira isso, mas mesmo se eu quisesse, seria impossível agora. Não com todos morando na torre.
— Fury não disse que tem uma missão para ele? Talvez, ele também tenha outros planos para você. – Clint respondeu. — Apenas pense sobre isso um pouco, Natasha. Por que do jeito que está indo, não vejo isso acabando nada bem no futuro.
Clint saiu, mas o que ele havia dito ainda continuou martelando por algum tempo em sua cabeça. Será que ele estava certo?
...
Já era bem tarde, quando James voltou para o quarto. Ele deitou na cama, de frente para ela e perguntou direto:
— O que Steve queria com você?
— Humm? — Ela tentou bancar a desentendida e sonolenta. James a olhou daquela forma que às vezes ele a olhava de "eu-sei-o-que-você-está-fazendo". Ela revirou os olhos como se aquela conversa tivesse sido tão insignificante para ela lembrar. — Nada demais, coisas do trabalho.
— Natasha...
— O que? — a melhor defesa em alguns momentos era o ataque. Já não fingia que estava com sono. — Por que você está preocupado com isso? Parece que você sabe de algo que eu não sei.
— Não, eu não sei, não com certeza. Antes de eu falar para ele sobre nós, Steve ficou falando algo sobre ter interesse em alguém que não é Shannon, e depois que soube e eu fui conversar com ele, agiu de uma maneira estranha.
Ela levantou metade do corpo da cama.
— Foi por isso que você falou daquele jeito com ele? — Ela viu que tinha acertado quando ele encolheu o corpo em um movimento de defesa. — Não acredito nisso.
Ela se levantou totalmente, indo até a porta. Agora era ela que queria ter um momento sozinha para pensar sobre aquilo.
— Qual a diferença se Steve tem algum sentimento bobo por mim? — Ela perguntou voltando se para ele e encostando-se à porta. — Por que isso importa?
Ele não respondeu de imediato. Aquela era uma pergunta difícil de responder, porque mesmo que o outro achasse que gostava dela ou algo assim, isso não mudava nada, ela não tinha como controlar aquilo.
— Sim, você tem razão. — Ele respondeu pausadamente, pesando cada palavra. — Não importa. Não importa se ele manter isso para si e não se intrometer. Mas não é assim que ele está agindo, não é? – Ele respirou. – Natasha, por que você não me contou que beijou ele?
Natasha ficou em silêncio, pega de surpresa. E não negou que Steve tinha investido nela mais cedo. Sabia que não negando, no fim estava praticamente confirmando.
— Isso foi durante o trabalho, não é relevante. Estávamos fugindo e o beijei para despistar os outros. Não foi nada demais. – Ela explicou e em seguida pediu: — James... Apenas deixe isso para lá.
Ele se levantou, indo em direção a ela.
— Eu queria deixar isso para lá. Estou tentando. — Disse já próximo a ela. — Se fosse outra pessoa, seria fácil. Natasha, eu não estou irritado com você. O problema é que, merda, ele é meu amigo e mesmo sabendo que você estava comigo, foi atrás de você.
— Eu entendo que você está com raiva dele agora. Mas foi apenas uma coisa. Ele só fez uma coisa. O que é uma coisa dentro de todas as outras coisas que ele já fez por você? Faça uma coisa por ele, que seja para compensar todas as que ele fez por você. Deixe isso para lá. Deixe que eu lide com isso.
— Isso é chantagem!- Ele reclamou, mas viu que ele estava considerando o que ela tinha dito. Sorriu.
— É claro que é. Ora, acha que eu cheguei aonde cheguei sendo uma boa garota?
— Uma boa garota é tudo o que você não é. — Pronto, ela tinha fisgado seu peixe. A questão era por quanto tempo conseguiria manter aquela panela de pressão em seu controle antes que explodisse. Não, não ela não ia deixar que chegasse a esse ponto. Relembrou o que Clint havia sugerido, talvez devesse considerar a ideia. Mas dever e querer são coisas completamente diferentes, e ela não queria. Queria apenas voltar a ter a vidinha que eles estavam vivendo antes daquilo tudo começar, sem todos esses empecilhos que estavam surgindo entre eles.
Também precisava garantir que James estivesse relaxado o suficiente para não explodir com Steve. Se ele fizesse isso, poderia prejudicá-lo em sua recuperação e na nova imagem que estava querendo passar.
Ela abaixou-se, ficando de joelhos de frente a ele. Lentamente, foi abrindo a calça dele e abaixando-a, enquanto ele observava fascinado. Tocou seu membro ainda por cima da cueca, já sentindo James tencionar o corpo pela expectativa. Devagar, abaixou a cueca e começou a passar a língua, primeiro na cabecinha, depois descendo por todo ele. James já estava duro quando o pôs na boca, iniciando um movimento compassado de vai-e-vem. Deixou que ele começasse a ditar seu próprio ritmo, enquanto segurava os cabelos delas.
Ela adorava a forma excitada como ele a olhava, deixando-a excitada também. Deixou que ele enfiasse bem fundo quase até a garganta, adorando ver o prazer no rosto dele. Quando estava quase no ápice, ele tentou tirar, mais ela não deixou, sentindo o gosto salgado em sua boca.
Ela se levantou, e o levou, ainda inebriado pelo orgasmo, até a cama. O jogou no móvel e depois montou sobre ele. Ele tentou começar a tirar a roupa dela, mas ela prendeu suas mãos a cama.
— Calma. Deixe que eu vou cuidar bem de você.
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