Strike match and burn with me...
11 Hole in my soul
Notas iniciais
"[...](The punishment sometimes don't seem to fit the crime)[...]
[...]Take a walk outside your mind
Tell me how it feels to be
The one who turns the knife inside of me[...]"
POV NATASHA
A ruiva entrou saiu pelo corredor até chegar a uma sala com os geradores de iluminação da nave. Desligou as luzes e escondeu-se em um pequeno canto, aproveitando a escuridão. Precisava pensar, nunca conseguiria deixar de ser surpreender com as coisas que esse novo Ivan falava. Era atordoante demais, logo ela que sempre pensou que o conhecia e que achava que era ótima em ler as pessoas. Como você pode conviver com uma pessoa por quase a vida inteira e mesmo assim não conhecê-la?
Precisava também de tempo para fazer outra coisa, uma muito mais importante. Sua saída inesperada deixou Ivan furioso o bastante para não enxergar mais nada a sua frente, nem mesmo percebeu o pequeno movimento que ela fez pegando um copo de brandt, que estava largado em uma pequena mesinha na saída da sala, ainda estava meio cheio. Ele deveria estar bebendo logo antes da chegada dela. O porquê de isso ser importante? Bem, era claro que ele não havia se transformado naquele monstro sozinho, e Natasha tinha um pequeno pressentimento que as nanitas tinham algo a ver com isso. Pegou uma pequena amostra, cuidadosamente, das bordas da beirada no copo, onde ele devia ter encostado a boca.
Você poderia pensar que ela tinha saído como uma louca inconsequente da SHIELD quando soube das nanitas e da gravidez. Uma pessoa que poderia pensar nessa possibilidade, obviamente, não a conhecia. Ela não havia sobrevivido tanto tempo sendo descuidada. E sim, ela era um bocado paranoica e sempre pensava em todos os possíveis cenários antes de se meter em alguma missão ou problema. Abriu um pequeno compartimento que tinha no seu uniforme, localizado em seu pulso. Juntou a amostra do copo a uma amostra sua que havia sorrateiramente furtado do laboratório da Dra Cho. Bom, como a mostra era sua, não era bem um furto, não é? Bem, não importava. Fechou e iniciou o processo de escaneamento e hackeamento das amostras. Talvez fosse isso que salvaria a sua vida.
— Desligar as luzes realmente não faz muita diferença para mim agora, Tasha. – A voz alta e retumbante de Ivan soou, entrando onde ela estava. Mandão e soberbo, e mesmo assim lá foi ele atrás dela, como um cachorrinho bem treinado. Um cachorrinho bem treinado que agora queria e podia mordê-la, lembrou-se. Suspirou. Pelo menos, teve tempo para fazer o que precisava.
— Mas faz pra mim. – Ela respondeu cansada. — Você pode me contar a verdade no escuro, mas só se você quiser conversar como velhos amigos, então vamos. – Ivan não respondeu nada. Talvez o conceito “entre velhos amigos” não fizesse mais sentido para ele quando se tratava dela, ou talvez nunca tivesse feito. Mas ela não seria a única ferida emocionalmente ali. Ah, ela também sabia morder e bem forte. Queria que ele sentisse como era a sensação de ter uma pessoa a quem sempre amara enfiando uma faca dentro de si, abrindo um buraco na sua alma e coração.
— Ivan eu percebi anos atrás que finalmente me tornei uma pessoa completa... Sabe quando? – Não deu tempo para ele tentar responder. — Quando deixei você e tudo o que você representava para mim para trás.
Bem no fundo de seu coração, querido Ivan. Me diga, como é a sensação?
— Eu a farei se humilhar, eu a farei implorar. – Ele gritou furioso. Seu aspecto monstruoso tornava aquela visão ainda pior, e um pouco digna de pena. Não sabia se ria ou lamentava.
Uma pequena parte dela ainda sofria por Ivan, não conseguia ignorar como ele sempre esteve ao lado dela, apesar de tudo. Talvez, tenha sido o único que sempre esteve ali. James chegou tarde e partiu cedo demais, e Logan era Logan, não era de se prender a nada.
— Talvez se você puder se acalmar o suficiente pra pensar direito. – tentou apelar para o bom senso. Ivan, irritado com o tom calmo dela, atirou contra a própria nave. Sentiu seu corpo perder o peso que a mantinha no chão — Oops lá se vai a... gravidade. – Agora, os dois estavam flutuando. Nossa que legal, flutuar durante uma discussão, pensou irônica. Apesar do ataque de fúria dele, continuou tentando dialogar com ele:
— Ivan você não está bem. – Bem, isso era muito óbvio. Você nem precisava conhecer Ivan para chegar a essa conclusão, a aparência já entregava. — Desligue as nanitas, posso conseguir um tratamento psicológico, você tem minha palavra como uma profissional. Garantirei isso, nem que eu tenha que apelar a Fury. Garantirei isso por todos esses anos...
Ele riu, e ela percebeu que Ivan já tinha ultrapassado a barreira da sanidade completamente. Era um caso perdido. Em que ponto ele começara a odiá-la tanto assim?
— Eu não sou mais um homem agora. Não vê que sou muito mais que isso? Tash, eu sou uma nação. Você não pode me dispensar assim.
— Ah, sim. Você é tão grande e majestoso agora... – Novamente se sentiu cansada. Você precisava começar a reconhecer e aceitar quando estava em uma discussão inútil. — E eu gostaria de pertencer... Eu sempre quis pertencer realmente a algo, e não apenas sobreviver. Então, entendo o porquê você possa ter achado que eu iria me juntar a você nessa loucura. O que você não consegue perceber agora é que eu já encontrei... Esse algo, esse pertencimento, mesmo antes de você voltar. Você não consegue ver porque matou meu Ivan, matou o Ivan que sempre esteve comigo, esse sim teria visto as pequenas mudanças em mim. Mas no fim, nem posso odiar totalmente esse novo Ivan ou o que quer que você seja, afinal, você acabou me dando um presente, ou melhor, o presente do qual eu já tinha desistido há tantos anos...
Ela abriu um pequeno sorriso, mas não estava debochando dele. Ele realmente havia dado um presente pelo qual ela ansiou durante muito tempo, algo que todos haviam dito a ela que era impossível ter. Ivan demorou uns segundos para compreender, mas quando isso ocorreu, ela viu que sua pequena facada não só tinha ido ao fundo do coração. Havia ultrapassado seu corpo, quase cortando ele ao meio. Não era isso que ele tinha em mente quando deu o presente a ela, queria que fosse dele. Sentiu-se enojada.
Era isso. Para ela já tinham chegado ao limite. Algo no seu pulso piscou e ela viu que o processo de escaneamento já estava terminado. Quase sorriu ao perceber que estava certa. Começou a fazer as modificações.
— Tasha... o que? – Ivan a olhava sem entender o que estava acontecendo.
— Eu peguei uma amostra das nanitas no seu novo corpo do copo de brandy que estava na sua sala. Eu levei alguns minutos pra scanear e hackear os que carrego. – Ela o olhou, ele ainda não entendia. — E acabar com sua capacidade de me matar ou de disparar suas armas. E agora eu tenho o controle do Dreadnought e do seu escudo pessoa, então...- Parou. Daria a ele uma última oportunidade de consertar o que tinha feito com ela. — Essa é a sua última chance para se desculpar. Ou pelo menos me chamar pelo meu verdadeiro nome.
Podia ver no rosto dele que ele se sentia traído. Quem diria que, no final, nem mesmo a pessoa que a criou a conhecia. Se estivesse em outra situação, teria se sentindo mal por isso. Mas não mais.
Enraivecido, ele gritou e tentou atacá-la. Mas antes que ele pudesse chegar até ela, a mesma atirou nele usando o poder das mesmas nanitas que ele parecia tanto adorar. O golpe o atingiu perto do coração, foi quase poético. Viu o corpo dele cair, já sem vida. Estava morto e dessa vez não voltaria nunca mais.
Um fim de um ciclo que ela nem sabia mais que estava presa. Ficou parada por alguns segundos, contemplando esse momento. Não estava feliz, nem triste, ainda estava meio anestesiada. Mas em algum momento, os sentimentos, as dúvidas e os questionamentos voltariam e a queimariam por dentro, e ela não queria estar ali quando isso acontecesse.
Virou-se e começou a andar, deixando o corpo de Ivan para trás. Como ele havia tão prontamente feito um tour pelo lugar com ela, já sabia para onde deveria ir. Quando estava já próxima de onde se encontravam as naves que mais pareciam cabines de evacuação, deu a ordem ao sistema, usando pela primeira e última vez aquele pequeno poder que tinha em mãos.
—Ogivas nucleares... Vinte minutos para a destruição em massa. E que vá pro inferno o alarme de evacuação.
Entrou na cabine e ligou todos os botões, preparando para sua silenciosa saída. Tentava se concentrar para não cometer nenhum erro, já que estava bem cansada, não descansava havia dias. Quando já estava há alguns metros do encouraçado, sentiu dentro da cabine a força da explosão. Felizmente, já estava distante demais para que os destroços pudessem atingi-la. Esperava que nenhum dos destroços acabasse caindo na terra e ferindo alguém. Bem, já estava feito.
Achou um cantil escondido dentro da cabide, abriu e sentiu o odor para identificar o que era. Conhecia aquele cheiro de longe.
— Vodka, claro que é isso. Para Ivan Petrovich Bezukhov... Como prometido, um brinde. — Deu uma pequena golada em homenagem a ele. Sabia que não podia exagerar mais agora que também era responsável por mais uma vida.
Começou o seu caminho de volta a Terra. Quem diria que ela conseguiria sobreviver.
...
Lutou contra o cansaço a viagem inteira, o que era extremamente difícil, já que não era uma viagem curta. Quanto tempo havia se passado? Menos de uma semana, mas, mais de um dia ou dois. Talvez, três, considerando ida e volta. Sentiu um alívio quando finalmente chegou a Terra. Tão cansada que estava, nem mesmo saiu da nave, antes de cair no sono.
POV BUCKY
Já havia passado dias e nada de Natasha aparecer. Ele estava preocupado, claro, era tempo demais, entretanto, ainda estava mais preocupado com o que estava acontecendo ali mesmo, na própria torre.
Os últimos dias tinham sido caóticos por ali. A torre tornou-se o ponto de encontro principal para as discussões sobre como deveriam lidar com a questão do registro. Tinha aparecido na torre, do nada, pessoas que ele nem sabia que existiam. Talvez, a questão dos registros, apesar de não ser uma ideia que ele considerasse boa, não era também tão ruim assim.
Depois de várias discussões, algumas ligações para pessoas importantes, cobrança de favores, Steve que estava basicamente na linha de frente dos protestos, havia conseguido uma reunião aberta junto ao congresso americano para discutir sobre o registro. A ideia era demostrar como o registro deixava dezenas de heróis vulneráveis.
Ele iria sozinho, e isso preocupava James. Steve era educado e respeitoso, porém, naquela questão específica dos registros, o capitão podia perder um pouco a linha e ser um pouco brusco. Gostaria que Natasha estivesse ali, ela conseguia dar uma equilibrada e era mais razoável, sensata e cuidadosa quando se tratava de lidar com pessoas poderosas, principalmente, quando se tratava do governo.
Não que algumas pessoas não tentassem conversar com o capitão, como, por exemplo, Clint e ele próprio, tentando aconselha-lo a como agir. Mas a verdade, é que a maioria, pelo menos os Vingadores, ainda estava indignada e se ressentia com o que essa regra do registro causou da última vez entre eles, a guerra entre eles. Shannon, que parecia ter esquecido os problemas que os dois tiveram, tentava apoiá-lo e parecia que o relacionamento deles estava se fortalecendo novamente. Isso era muito bom, mas Shannon não conseguia por algum juízo na cabeça de Rogers.
Os X-men, tirando o professor Xavier que era um homem bastante sábio, não se privavam de dizer o quanto aquela nova lei era absurda e indignante. Até porque, eles seriam os mais prejudicados se o registro se tornasse oficialmente uma lei. Bem, pelo menos, Tony não estava pondo mais lenha nessa fogueira, evitando expor sua opinião sobe o assunto e não participava da maioria das reuniões. Passava a maior parte do tempo conversando sobre coisas mais banais com ele, e Bucky não podia negar que o tempo que passava com Stark era bem agradável.
Aquele era um dia especial. Era o dia. Steve já tinha saído há alguns minutos, tinha se arrumado bastante para causar uma boa impressão. Eles conversaram um pouco antes de Steve ir, coisas fúteis. Steve pediu algumas dicas para saber se estava bem com aquele terno, Bucky riu do gosto para vestuário do amigo. Amenidades, apenas amenidades... Antes de sair, James desejou boa sorte, trocaram um abraço e foi isso. Se ele soubesse o que aconteceria... Tinha tantas coisas que gostaria de dizer ao amigo...
Ouvira dizer que a reunião estava sendo acompanhada quase como um evento nacional, no estilo O. J. Simpson, o que o deixou um pouco confuso já que não fazia ideia de quem era esse cara. Precisava se atualizar mais para entender essas referências.
Estava quase todo mundo acompanhando pela televisão o que estava acontecendo, muitos ali na torre mesmo, para que depois já pudessem discutir sobre a reunião e seus possíveis desdobramentos. Já ele preferiu ficar brincando com a filha numa sala menor no andar abaixo. Pantera e Tony também estavam com ele, preferindo evitar o circo midiático que estava acontecendo.
Estavam distraídos, conversando sobre outras coisas. Pantera brincava com Dasha, dizendo que estava treinando para quando casasse Tempestade e tivesse filhos. Jamais riu da presunção dele, já que até agora a mesma não tinha correspondido às investidas dele.
Ele e Tony riam dele, quando ouviram algumas exclamações e quase gritos. Entraram em modo de ação rapidamente, se levantando. Tony e Pantera correram na frente, enquanto James, carregando Dasha no colo, foi logo atrás para ver o que estava acontecendo.
Quando chegou à sala principal, quase trombou com os outros dois, que estavam petrificados logo na entrada, olhando a tela da TV, de boca aberta. Confuso, James olhou para a tela, tentando entender que raios tinha acontecido para deixar todo mundo com aquele mix de confusão, tristeza, raiva e incredulidade em seus rostos.
Demorou alguns segundos para assimilar o que estava vendo, depois que assimilou, simplesmente não conseguia acreditar. Era inacreditável.
Os jornalistas nem tinham escrúpulos ao mostrar o corpo caído no chão, como se ele fosse um cachorro de rua. O sangue manchava o chão, já coagulando. Embaixo da imagem, passava uma legenda, para caso alguém ainda não tivesse entendido o que a imagem estava mostrando. CAPITÃO AMÉRICA ASSASSINADO ANTES DE ENCONTRO COM SENADORES.
Ele nem sabia o que pensar ou sentir. A única coisa que passava pela sua cabeça era: Que merda tinha acontecido?
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